A evangélicos, Aécio promete combate à corrupção e parceria com igrejas

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Publicado na Folha de S. Paulo

Candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves participou nesta quarta-feira (15) em São Paulo de evento com lideranças evangélicas em que defendeu o combate à corrupção como principal bandeira de seu eventual governo. O tucano se comprometeu também com a realização de parcerias em projetos sociais com as igrejas pentecostais e neopentecostais.

Aécio estava acompanhado do governador Geraldo Alckmin e do senador eleito pelo Estado, José Serra. Em seu discurso, o presidenciável disse ter “compromisso com a moralidade”, com a educação e prometeu “governar para todos”, como tem feito em suas aparições públicas.

Participaram do encontro, em uma casa de eventos na região central de São Paulo, cerca de 300 lideranças religiosas, entre representantes da CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil), Igreja Renascer em Cristo, Universal do Reino de Deus e Ministério Internacional da Restauração.

O candidato derrotado ao Palácio do Planalto, Pastor Everaldo (PSC), foi mestre de cerimônia do encontro. Segundo ele, que já declarou voto ao tucano no segundo turno das eleições, Aécio foi “bem recebido e participou das orações”.

O deputado Marco Feliciano (PSC) também esteve presente na celebração.

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Malafaia: ‘Desconfio que não tenho essa autoridade para influenciar o voto evangélico’

Malafaia declara apoio para candidatos à Presidência (foto:  Fábio Guimarães / Agência O Globo)
Malafaia declara apoio para candidatos à Presidência (foto: Fábio Guimarães / Agência O Globo)

título original: Pastor Silas Malafaia diz estar com tucano ‘desde criancinha’

Rafael Galdo e Carina Bacelar, em O Globo

Enquanto Dilma Rousseff e Aécio Neves disputam o apoio de Marina Silva para o segundo turno, o Pastor Everaldo, do PSC, o quinto mais votado no domingo, reúne-se nesta quarta-feira, em Brasília, com líderes de seu partido, a partir das 10h, para debater a posição que legenda tomará. Logo depois, ele já tem encontro marcado, às 11h, com Aécio, no Senado.

Segundo a assessoria do pastor, o convite para a reunião teria sido feito pela campanha tucana. No último debate antes do primeiro turno, quinta-feira passada, na Rede Globo, Aécio e Pastor Everaldo já tinham feito uma dobradinha em vários momentos, fazendo perguntas entre si e se juntando para atacar Dilma. O pastor, porém, só deve se pronunciar sobre quem apoiará depois das reuniões de hoje.

Agora que Pastor Everaldo, seu “amigo de 30 anos” saiu da disputa presidencial com menos de 1% dos votos, Silas Malafaia, pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo e apresentador do programa Vitória em Cristo, disse ontem que é “Aécio desde criancinha” em nome da “alternância de poder”. O pastor, que faz contundentes críticas ao PT dentro e fora das redes sociais, com seis “tuitaços” contra Dilma no currículo, afirmou que o PSDB foi quem deu “estabilidade para esse país”, mas ressaltou que não precisa declarar oficialmente seu voto, porque é “apenas um cidadão”.

— Sou Aécio desde criancinha. Gravei um vídeo com cinco motivos para não votar na Dilma. Motivo um: a alternância de poder, importante para o estado democrático. O Lula meteu o pau nos programas sociais do Fernando Henrique Cardoso. Eles (o PT) não conhecem uma coisa: quem deu estabilidade econômica para esse país foi o PSDB — diz Malafaia, que nega ter influenciado qualquer decisão de Marina ao longo da campanha e afirma só ter se encontrado com a candidata “uma vez, há quatro anos”:

— Eu não preciso declarar meu voto. Sou um cidadão, não é porque sou pastor que deixei de ser um cidadão. Eu desconfio que não tenho essa autoridade para influenciar o voto evangélico, mas tenho o feeling de que o voto evangélico será despejado no Aécio.

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Um terço da bancada federal do Rio é formado por evangélicos

Clarissa Garotinho, a mais votada entre os parlamentares evangélicos eleitos para a bancada do Rio (foto: Thiago Lontra / Extra)
Clarissa Garotinho, a mais votada entre os parlamentares evangélicos eleitos para a bancada do Rio (foto: Thiago Lontra / Extra)

Guilherme Amado, no Extra

Um terço da nova bancada do Rio na Câmara dos Deputados, em Brasília, será formado por parlamentares evangélicos. Levantamento feito pelo EXTRA mostra que, dos 46 deputados, 15 pertencem a igrejas de origem protestante. Entre eles, a segunda e o terceiro mais votados em todo o estado, Clarissa Garotinho (PR) e Eduardo Cunha (PMDB), respectivamente.

Com a eleição de Cabo Daciolo, o PSOL também terá seu primeiro representante na bancada de parlamentares que seguem a religião. Apesar de não ter aparecido no programa de TV do partido, Daciolo diz não guardar mágoas, e espera uma boa relação com os colegas de partido na bancada do Rio, Chico Alencar e Jean Wyllis.

— Eu digo que nossa vitória é um milagre. Foi uma campanha sobrenatural. Eles sabem bem como é a minha postura. Não consigo começar um discurso sem falar de Jesus. Eu molho meus lábios e falo de Jesus Cristo — explicou ontem Daciolo.

Chico afirma também esperar uma boa convivência, apesar das diferenças:

— Eu tenho uma maneira bem distinta de viver minha fé. Ele é quase messiânico, é pregador. Mas vamos conversar. Tenho a boa expectativa de que a gente vai se entrosar.

Vinte dos 46 deputados federais da bancada do Rio na Câmara são nomes novos, que não têm mandato atualmente. A renovação de 43% levou de volta à Câmara dois políticos que já passaram por lá, Chico D’Ângelo (PT) e Índio da Costa (PSD), e três que deixam a Assembleia Legislativa do Rio para Brasília, Altineu Cortes (PR), Clarissa e Rosangela Gomes (PRB).

Dos 513 deputados de toda a Câmara, 198 (38,6%) são novatos e 25 (4,9%) já foram deputados antes.

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Com boa votação, Russomano reforça bancada evangélica

Deputado federal mais bem votado em São Paulo, com 1,5 milhão de votos, ex-apresentador de TV elegeu com ele outros sete parlamentares, sendo 4 evangélicos

Celso Russomanno (PRB) foi o deputado federal mais bem votado em São Paulo
Celso Russomanno (PRB) foi o deputado federal mais bem votado em São Paulo

Ricardo Chapola, no Estadão

A votação campeã de Celso Russomanno (PRB) nas eleições deste ano fez com que o partido fortalecesse a bancada evangélica no Congresso Nacional. Campeão de votos – foram mais de 1,5 milhão – Russomanno elegeu outros sete deputados federais, quatro deles representantes da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD): Roberto Alves, Antônio Bulhões, Vinicius Carvalho e Marcelo Squasoni. O PRB é ligado à IURD. O presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, é bispo da igreja.

Isso só foi possível porque a legislação prevê a aplicação do quociente eleitoral, cálculo que ajuda a distribuir as “sobras” de quem é mais bem votado no pleito para deputado. Além do mais, o PRB estava coligado com ninguém, permitindo que Russomanno também “puxasse” a eleição de outros candidatos.

Foi puxado também pela votação de Russomano Fausto Pinato, representante da Congregação Cristã no Brasil, mais um parlamentar da bancada evangélica. Além deles, vieram na cota de Russomanno Beto Mansur e o cantor Sérgio Reis.

Russomanno superou o palhaço Tiririca (PR) nas eleições de 2014. Embora também tenha alcançado votação expressiva, Tiririca (PR) não repetiu o desempenho de 2010, quando foi o mais votado para a Câmara, com 1,3 milhão de votos. Desta vez, Tiririca teve 1.016.796 votos. O terceiro do pódio de deputados federais eleitos para a bancada paulista, formada por 70 nomes, é o pastor Marco Feliciano (PSC), que teve uma tumultuada presidência na Comissão de Direitos Humanos da Câmara no ano passado, foi o terceiro mais votado no Estado, com 398.087 votos.

O novo deputado mais bem votado, que já foi eleito deputado em 2006, apresentou até julho o quadro “Patrulha do Consumidor”, do Programa da Tarde na TV Record. Em 2012, ele concorreu à prefeitura de São Paulo, chegou a ameaçar a polarização PT-PSDB no segundo turno, masterminou a disputa em terceiro lugar.

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Manifesto evangélico pró-Marina Silva

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Nós cristãos evangélicos vimos declarar publicamente o nosso voto em Marina Silva para Presidente do Brasil.

  • recusamos a ideia de que ser evangélico é ser manipulável e manipulador. Rejeitamos a sugestão de que a consciência do povo evangélico seja propriedade de quem quer que seja, e esteja cativa de ideologias e programas menores do que a agenda do reino de Deus. Igreja não é lobby. Igreja não é partido político. Igreja não é instrumento de pressão. Igreja não é curral eleitoral. Púlpito não é palanque. Altar não é plataforma para comício.
  • reafirmarmos o compromisso com a justiça em sua máxima abrangência e a promoção de uma cultura de paz; reafirmarmos o compromisso com o Estado Laico: a liberdade de culto e crença, a isonomia entre todas as tradições religiosas – inclusive a defesa do direito de não pertencer a qualquer tradição religiosa, e o respeito às consciências individuais; reafirmarmos o compromisso com a unidade, na esperança de que o debate ao redor de um pleito eleitoral nos aproxime para a defesa de valores comuns, em vez de nos distanciar em razão de valores menores do que aqueles que nos unem: uma casa dividida não prevalece, nos advertiu Jesus; reafirmarmos o compromisso com a defesa dos direitos humanos e das minorias, a diaconia e o serviço, mantendo nosso coração alinhado aos profetas que nos ensinaram a abraçar a causa do órfão, da viúva e do estrangeiro, dos fracos e vulneráveis, dos que não têm vez e não têm voz.
  • rechaçamos a falácia generalizadora de que ser evangélico é ser ignorante, moralista, homofóbico, sectário, intolerante. Nosso Senhor Jesus Cristo é apresentado como aquele que “andou por toda parte fazendo o bem”, lançando no coração humano as sementes do amor, da generosidade, do perdão e da solidariedade, virtudes absolutamente distantes de quaisquer perspectivas que alimentem o ódio, a condenação, a exclusão, a discriminação e a segregação.
  • votamos em Marina não porque é nossa irmã de fé, mas porque a julgamos preparada para o cargo a que postula, tendo a história como testemunha de sua experiência e capacidade, com ampla legitimidade popular. Votamos em Marina não porque “irmão vota em irmão”. Não estamos elegendo uma autoridade religiosa ou eclesiástica. Sim, sabemos que Marina não é um Messias de saia.

Porque votamos em Marina Silva:

  • Marina Silva é a proposta que ultrapassa os maniqueísmos, como: partido a contra partido b, classe média e elite contra pobres e miseráveis, ciência contra religião, o povo contra o governo. Marina é a superação da política bipolar.
  • Marina Silva é a candidata que melhor conseguiu captar a voz das ruas, e está em sintonia com o desejo de mudança que mora no peito dos brasileiros.
  • Marina sabe caminhar em meio às contrariedades e propõe uma forma criativa de lidar com as tensões do diverso.
  • Marina representa a política para além de números e estatísticas. Está inserida na vida pública fundamentada em valores e princípios éticos, o que é próprio daqueles cuja consciência se conserva no temor a Deus, maior instância de juízo, pois único justo juiz.
  • Marina não é seguidora de Maquiavel, para quem os fins justificam os meios, mas seguidora de Jesus, que nos ensina a cuidar das coisas do reino de César sem sacrifício dos valores do reino de Deus.
  • Marina é uma liderança qualificada, seu compromisso com a justiça não é posicionamento de campanha. É sua biografia, sua história, seu serviço prestado ao país, que ganhou reconhecimento mundial.
  • Marina aponta para uma governança fundamentada no desenvolvimento sustentável que revê a noção de progresso, agregando-lhe um sentido mais humano, justo, solidário e respeitoso – tanto para as pessoas quanto para o planeta.
  • Marina Silva reúne todas as condições de conduzir o Brasil, não apenas na manutenção dos inequívocos avanços dos últimos anos, mas também e principalmente de maneira a qualificar, aprofundar e ampliar as conquistas que nos fazem cultivar a esperança de um futuro que possa incluir na mesa e na festa da abundância um número ainda maior dos nossos concidadãos brasileiros.

Nos mobilizamos não apenas para apoio e suporte a uma candidatura que nos representa e carrega consigo muito do ideário cristão. Também nos aproximamos para adensar nosso compromisso em defesa daquilo que é maior do que qualquer projeto político, a saber, o Evangelho e a Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo.

Por Marina, e junto com todos os que caminham ao seu lado, levantamos aos céus nossa oração, somando nossa voz ao profeta Amós, suplicando que nessa terra e nesse chão, “corra a retidão como um rio, e a justiça como um ribeiro perene!”

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