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Veja lista de evangélicos e católicos vítimas da ditadura militar no Brasil

nuncamaisMagali do Nascimento Cunha, no Mídia, Religião e Política

Esta lista é resultado de colaboração do coordenador do Grupo de Trabalho “As igrejas e a ditadura militar” da Comissão Nacional da Verdade Anivaldo Padilha com a Rede Ecumênica de Juventude (REJU) e foi editada por Magali do Nascimento Cunha. A REJU realiza entre os dias 31/03 e 04/04, período em que se completam 50 anos do Golpe Militar e o início dos anos de ditadura no Brasil, uma mobilização por Memória, Verdade e Justiça. As intervenções acontecem com a participação da REJU em atividades e atos orientados por esta temática; e com a mobilização nas redes sociais com a marca #DitaduraNuncaMais, visibilizando os nomes e trajetórias de militantes do movimento ecumênico que resistiram e foram vítimas do Regime Militar. Segundo a divulgação da REJU,

Ao contar as histórias de lutadoras e lutadores – que impulsionadas(os) por um radical amor à vida, às liberdades e aos sonhos de justiça e paz, colocaram-se na linha de frente contra a ditadura – reafirmamos a necessidade de uma real justiça de transição em nosso país, com a revisão da lei de anistia e a punição dos torturadores e culpados pelas profundas violações de direitos neste período histórico. Além disto, ao buscarmos uma efetiva justiça de transição, relembramos as juventudes que ainda hoje sofrem reflexos deste passado, com torturas e extermínios nas periferias; jovens negros, pobres, que trazem em seus passos e corpos as violências da polícia e do estado.

Apresentamos aqui a lista que não é definitiva porque as pesquisas da Comissão Nacional da Verdade, certamente e lamentavelmente, a atualizarão com outros nomes.

Assassinadas/os e desaparecidas/os

Alexandre Vanucchi

alexandre vanucchiCatólico, estudante da USP. Assassinado pelas forças da repressão em 17/03/1973, aos 22 anos. Enquanto o governo afirmava publicamente que ele teria sido vítima de atropelamento, testemunhas declararam que a morte ocorrera por tortura em interrogatórios praticada por dois dias no DOI-CODI, o que foi reconhecido finalmente em 2014, com novo atestado de óbito emitido pela justiça.

 

 

Antônio Henrique Pereira da Silva Neto

Auxiliar direto de Dom Hélder Câmara “que, à época os militares rotulavam de arcebispo vermelho”, o padre Antônio Henrique Pereira da Silva Neto foi sequestrado e torturado até a morte, no Recife, entre a noite e a madrugada de 26 e 27 de maio de 1969. O crime, nunca esclarecido até a prescrição do processo aberto para apurar os fatos, teve o objetivo político de tentar barrar, através da violência física, o arcebispo nas suas ações e pregações em defesa da liberdade.

Heleny Guariba

heleny_guaribaLeiga da Igreja Metodista Central. Presa em 1970 e novamente em 1971 e desaparecida. Assassinada pela ditadura, possivelmente na “Casa da Morte” de Petrópolis, centro clandestino de torturas. Seu corpo nunca foi devolvido à sua família.

 

 

Ivan Motta Dias

ivanLíder estudantil presbiteriano. Foi preso em 1971, aos 28 anos, e está desaparecido. Foi preso por ter participado do XXX Congresso da UNE em Ibiúna, SP, e depois foi acusado de ligação com organizações subversivas. Há indícios de que tenha sido assassinado na “Casa da Morte”, em Petrópolis (RJ).

 

 

João Bosco Burnier

joão boscoPadre católico, assassinado em 12/10/1976 pelas forças da repressão em Conceição do Araguaia, quando junto ao bispo D. Pedro Casaldaliga, defendia mulheres que estavam sendo torturadas.

 

 

 

 

Juarez Guimarães de Brito

Juarez Guimaraes De BritoLeigo presbiteriano. Líder estudantil, preso aos 32 anos no DOPS de Porto Alegre em 1970, desde então está desaparecido.

 

 

 

 

Paulo Stuart Wright

paulo erightLíder da juventude presbiteriana, foi eleito deputado Estadual em Santa Catarina, defensor das cooperativas de pescadores. Foi um dos fundadores da Ação Popular. Teve seu mandato cassado em 1964, exilou-se no México mas regressou clandestinamente ao Brasil. Foi preso aos 40 nos em 1973 e está desaparecido desde então. É possível que tenha sido assassinado na “Casa da Morte”, em Petrópolis.

 

 

Santo Dias da Silva

Santo Dias da SilvaLiderança da Pastoral Operária da Igreja Católica e representante dos leigos na CNBB. Numa das movimentações em torno da paralisação por campanha salarial em outubro de 1970, em São Paulo, em ação da polícia, o PM Herculano Leonel Morto atirou nas costas de Santo Dias e o matou, em 30 de outubro de 1970, no momento em que ele tentava dialogar com os policiais para libertar companheiros presos.

 

 

 

Tito de Alencar

titoFrei dominicano, preso em 1970, aos 24 anos, torturado nas dependências do DOI-CODI. Foi deportado para o Chile e depois fugiu para a Itália. Traumatizado pela tortura foi levado ao suicídio em 10/08/1974.

Presas/os, torturadas/os e exiladas/os

Ana Maria Ramos Estevão

ana mariaLeiga da Igreja Metodista Vila Nova Cachoeirinha. Presa e torturada em 1970 pelo DOI/CODI. Foi exilada na França. Retornou ao Brasil.

 

 

 

Anivaldo Padilha 

anivaldoLeigo da Igreja Metodista da Luz. Era líder de juventude na Igreja Metodista e no movimento ecumênico. Militante da Ação Popular. Preso em 28/02/1970 pelo DOI/CODI, onde foi barbaramente torturado por 20 dias. Foi denunciado pelo pastor José Sucasas Jr. e pelo bispo Isaías Fernandes Sucasas, ambos metodistas e já falecidos. Teve que se exilar no Chile, nos EUA e na Suíça por 13 anos. Passou a atuar no movimento ecumênico internacional. Voltou ao Brasil com a anistia em 1979.

Aristides Camiou e François Gouriou

aristides fançpoisPadres franceses da Igreja Católica. Lideres da Comissão Pastoral da Terra. Presos e torturados em agosto de 1981 na sede do GEAT (Grupo Executivo de Terras Araguaia/Tocantins) junto com outros 13 lavradores. Libertados em 1983. Deixaram o Brasil em 1991.

 

Carlos Alberto Libâneo de Christo (Frei Beto)

bettoFrei dominicano, preso pelas forças da repressão em 1964 e entre os anos de 1969-1973, quando foi torturado nas dependências do DOI-CODI. Colaborou com o Projeto Brasil: Nunca Mais, financiado pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Conta sua história e a dos dominicanos no livro “Batismo de Sangue” transformado em filme.

 

 

Celso Cardoso da Silva e Fernando Cardoso da Silva. Irmãos, eram membros da Igreja Metodista Central em São Paulo, presos por conta da denúncia dos irmãos Sucassas da Igreja Metodista, em 28/02/1970 pelo DOI/CODI onde sofreram tortura. Falecidos.

Claudius Ceccon

Claudius-278x278Arquiteto e cartunista que participava do CEI, foi preso em novembro de 1970 juntamente com toda a equipe de redação do jornal alternativo Pasquim, onde trabalhava como cartunista. O grupo ficou preso até fevereiro de 1971, momento em que Claudius Ceccon foi para o exílio em Genebra, passando a atuar no Conselho Mundial de Igrejas na área de educação popular junto com Paulo Freire.

 

Dorival Beulke

bulkePastor metodista preso em 1964 e 1965. Atuou em Recife, missionário na frente missionária metodista do Nordeste. Ficou preso por vários meses.

 

 

 

Eliana Bellini Rolemberg

elianarolemberg2Leiga luterana, militante da Ação Popular, presa em 28/02/1970 pelo DOI/CODI, em São Paulo, juntamente com Anivaldo Padilha, denunciada por membro da Igreja Metodista. Torturada por 20 dias, sendo transferida para o DEOPS, foi liberada no final de 1971. Teve que se exilar na França, onde foi em busca de sua filha e marido. Voltou ao Brasil com a anistia em 1979.

 

 

Françoies Jentel

jentelPadre católico, preso em 1972 por liderar uma revolta contra a invasão de terras por uma empresa que havia comprado parte do vilarejo que ficava no antigo Mato Grosso. Ficou preso por cerca de um ano até ser libertado, expulso do país de volta à França.

 

Fred Morris

Fred5Missionário da Igreja Metodista Unida dos EUA. Trabalhava no campo missionário em Recife. Foi preso pelo Exército em 1974, em Recife, e barbaramente torturado. Foi acusado de ligações com organizações clandestinas e expulso do Brasil.

 

 

Idinaura Tucunduva. Leiga da Igreja metodista da Lapa. Presa e torturada pelo DOI/CODI em 1970. Esteve exilada na França. Retornou ao Brasil.

Ives Lesbaupin

ivoFrei dominicano, preso aos 23 anos em 1969, quando foi torturado nas dependências do DOI-CODI, em São Paulo. Foi mantido em cárcere até 1973. Colaborou com a ALN (Ação Libertadora Nacional).

 

 

João Valença

Frei dominicano, preso em 1969 e torturado nas dependências do DOI-CODI em São Paulo. Colaborou com a ALN (Ação Libertadora Nacional).

Leonildo Silveira Campos

Leonildo SilveiraPastor da Igreja Presbiteriana Independente, foi preso nas dependências da Operação Bandeirante (OBAN), em São Paulo, em 1969.

 

 

 

 

Maurina Borges da Silveira

madremaurina1Madre católica, foi levada do Lar Santana, em Ribeirão Preto – orfanato no qual atuava como madre superiora – para o DOPS, na capital paulista em 1969. Foi torturada e estuprada acusada de subversão por envolvimento com a Força Armada de Libertação Nacional (FALN).

 

 

 

Renato Godinho Navarro. Leigo da Igreja Metodista Central de Belo Horizonte. Preso duas vezes. Uma em 1970 em MG e outra em 1971 em Salvador (BA).

Waldo César

wladoLeigo presbiteriano, sociólogo, secretário-executivo do Setor de Responsabilidade Social da Confederação Evangélica do Brasil. Foi um dos inspiradores do grupo ecumênico de resistência durante a ditadura – o Centro Ecumênico de Informação (CEI), 1965. Foi preso no final de fevereiro de 1967, quando sua casa foi invadida pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e ele foi levado preso acusado de estar dirigindo um protesto da Associação de Estudantes Secundaristas. Waldo César esteve incomunicável por uma semana. Sofreu tortura psicológica. Seus livros e documentos foram apreendidos. Falecido.

Zwinglio Mota Dias

zwinglioPastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. Irmão de Ivan Motta Dias. Um dos integrantes do Centro Ecumênico de Informação (CEI), resistência do movimento ecumênico, em especial de lideranças relacionadas à Confederação Evangélica do Brasil, que promovia reuniões para, entre outras ações, trocar informações sobre os companheiros que estavam sendo perseguidos. Foi preso no DOI-CODI do Rio de Janeiro em 1971.

 

Perseguidas/os

Antonio Ramozzi. Leigo da Igreja Metodista Central. Foi detido no dia 1 de março de 1971 ao sair do culto matutino da igreja denunciado pelo pastor metodista José Sucasas Jr como “amigo do Anivaldo”. Ficou detido por poucas horas.

Clara Amélia Evangelista e Domingos Alves de Lima. Membros da Igreja Metodista do Jabaquara e da Igreja do Ipiranga. Ambos conseguiram fugir quando o DOI/CODI invadiu a Igreja Central de São Paulo no dia 28/02/1970. Exilaram-se no Chile, e após o golpe contra Salvador Allende, exilaram-se no Panamá e posteriormente no Canadá. Retornaram ao Brasil com a anistia.

João Parahyba da Silva. Pastor metodista, Secretário Geral de Ação Social. Intimado a prestar depoimento no DOPS em função de denúncias feitas pelo pastor José Sucasas Jr. e pelo bispo Isaias Sucasas (Igreja Metodista). Falecido.

Lysâneas Maciel

lysaneasAdvogado, jornalista e político presbiteriano. Em abril de 1976 teve seu mandato de deputado cassado por se posicionar contra a Ditadura. Viveu exilado entre 1976-1978. Retornou ao Brasil com a anistia e retomou atividades políticas. Falecido.

 

 

Vito Miracapilo

vitoPadre católico italiano, banido do Brasil em setembro 1980. O decreto foi revogado em 1993. Somente em 2012 seu visto de permanência foi devolvido.

40 coisas que você nunca percebeu que eram cristãs

grid-cell-31387-1395856546-8Matt Stopera, no BuzzFeed

1. Há um versículo da Bíblia no fundo de todos os copos do restaurante de fast food In-N-Out.

2. O mesmo acontece nas sacolas das lojas de roupas Forever 21.

3. Mary Kay Ash da empresa de venda direta de cosméticos Mary Kay atribui seu sucesso à decisão de “aceitar Deus como nosso parceiro”.

4. O cara que fundou o site de relacionamentos eHarmony é um psicólogo cristão.

5. O fundador e diretor executivo da companhia aérea JetBlue é um mórmon.

6. O fundador dos restaurantes de fast food Carl’s Jr. começou uma tradição nas reuniões da sua empresa: eles fazem uma oração e recitam o “Pledge of Allegiance” (juramento à bandeira) antes de começarem.

7. Em 2001, Katy Perry lançou um álbum cristão sob o nome Katy Hudson.

8. A maioria das canções do U2 têm temas cristãos.

9. Sylvester Stallone é um cristão fervoroso e devoto e já apareceu no “700 Club”, um programa de TV cristão.

10. O filme “Rocky – Um Lutador” está LOTADO de referências religiosas.

11. Bob Dylan se tornou um “cristão renascido” na década de 1980.

12. Assim como Chuck Norris.

13. Chris Tucker se converteu, ou “renasceu”, depois de filmar “Tudo Por Dinheiro” em 1997.

14. Jane Fonda foi criada como uma ateia mas se converteu para o cristianismo depois de se divorciar de Ted Turner.

15. Alice Cooper acredita em cada palavra da Bíblia ao pé da letra.

16. Gary Busey se converteu depois de um acidente de moto.

17. Sixpence None the Richer é uma banda cristã.

18. Depois do furacão Katrina, Mr. T doou todas suas jóias de ouro por causa de sua fé cristã.

19. George Foreman é um pastor com seus próprios cultos semanais na igreja.

enhanced-buzz-wide-31336-1395857458-1920. Bow Wow também é um cristão convertido.

21. O fundador da cadeia de hotéis Marriott era um mórmon devoto.

22. Stephen Colbert dá aulas de catequese.

23. Bear Grylls também é um cristão devoto.

24. Tyson, a maior companhia de frangos do mundo, emprega um grupo de padres que realizam cultos no local de trabalho.

25. Chris Martin do Coldplay não perdeu sua virgindade até os 22 anos, devido a “questões religiosas”.

26. Jessica Simpson esperou até seu casamento com Nick Lachey para manter relações sexuais.

27. Assim como Mariah Carey e Nick Cannon.

28. Jon Adams tinha um cachorro chamado “Satan”.

29. “In God We Trust” (Em Deus Nós Confiamos) tornou-se o lema nos Estados Unidos em 1956, quando o presidente Eisenhower assinou uma lei.

30. Em 1954, “under God” (sob Deus), foi adicionado ao juramento à bandeira dos EUA, também pelo presidente Eisenhower. Só pra você saber, ele foi batizado apenas um ano antes disso.

31. As iniciais do Grilo Falante (Jiminy Cricket) do filme “Pinóquio” podem ser uma referência escondida a Jesus Cristo.

32. A Branca de Neve comendo a maçã pode ter sido uma referência escondida sobre a queda do Jardim do Éden.

33. A filosofia da empresa de alimentos Little Debbie começa com: “A família McKee reconhece a providência de Deus no nosso sucesso contínuo”.

34. Fieldy, o baixista do Korn, é agora um cristão devoto.

35. Ben Stein é um criacionista. Ben Stein também é judeu, mas esse fato é bom demais para não ser incluso.

36. Está escrito “João 3:16” no fundo dos potes de frozen yogurt das lojas Sweet Frog.

enhanced-30123-1395861642-738. Sufjan Stevens é um cristão devoto que vai regularmente à missa em Brooklyn.

39. Tom Chappell, o fundador e diretor executivo da marca Tom’s, recebeu um diploma pela faculdade de Divindade de Harvard e quase largou o seu trabalho para seguir um caminho clerical.

40. Kel Mitchell trabalha agora como cristão profissional.

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PSDB e PT buscam apoio evangélico em SP

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em culto em homenagem ao pastor Enéas Tognini, em SP (foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, em culto em homenagem ao pastor Enéas Tognini, em SP (foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

Gustavo Uribe  e Marina Dias, na Folha de S.Paulo

No salão apertado de um hotel em Guarulhos (SP), o pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, discursava entre gritos de “aleluia” e “glória” vindos da plateia. O petista fez questão de ressaltar a presença do pai, que é metodista, e apresentou-se como um homem que crê em Deus, sob o olhar desconfiado de alguns evangélicos.

Quatro dias depois, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), subia ao altar da Igreja Batista do Povo, na capital paulista, durante culto em comemoração aos 100 anos do pastor Enéas Tognini. Orou, fechou os olhos, levantou as mãos, mas errou diversas vezes a letra das canções de louvor.

“Feliz a cidade, feliz o Estado, feliz a nação cujo Deus é o Senhor”, decretou.

A menos de sete meses das eleições, os principais nomes que disputarão a sucessão ao governo estadual iniciaram uma romaria em busca do apoio de líderes evangélicos, que dialogam com quase um quarto dos paulistas.

Em troca, os pastores reivindicam a inclusão de cinco pontos nos programas de governo dos pré-candidatos, entre eles, o ensino religioso na grade regular de escolas públicas e a neutralidade diante de temas como a legalização do aborto e a descriminalização das drogas.

Até o momento, os pré-candidatos, que abriram espaço em suas agendas para visitas a templos e encontros com pastores, têm evitado se comprometer com os pedidos, mas fazem discursos em reverência aos evangélicos.

“Vocês sabem que o presidente Lula começou no país uma era de crescimento, de ascensão, de redução da pobreza. E todos nós sabemos o quanto tem o dedo de Deus no crescimento individual no nosso país”, disse Padilha há duas semanas, durante encontro com pastores.

No evento, pediu que orassem por ele, que trouxessem propostas para a elaboração do seu programa e se mostrou favorável à oferta de apoio espiritual durante tratamento para dependentes químicos.

“Com certeza nossas reivindicações vão entrar no plano de governo. São pedidos pertinentes e ele [Padilha] me disse isso pessoalmente”, afirmou Luciano Luna, coordenador do setorial de assuntos religiosos do PT.

Além de ter visitado o templo batista na semana passada, Alckmin se encontrou no início do mês com lideranças evangélicas, na sede do governo paulista. Uma agenda com pastoras também deve ser estruturada para a primeira-dama, Lu Alckmin.

“O governador já foi a todas as igrejas evangélicas que você pode imaginar. Ele vai ao interior e é convidado a participar de cultos, assim como a missas”, disse o presbítero Geraldo Malta, do PSDB.

O pré-candidato do PMDB, Paulo Skaf, é outro que mantém encontros com lideranças e participa de cultos. A meta dos peemedebistas é obter o apoio de um milhão de evangélicos em São Paulo.

“Pretendemos consolidar o apoio de mil lideranças [evangélicas]. Cada uma buscará mais cem pessoas, que buscarão mais dez, o que dá um milhão de eleitores”, disse o coordenador do núcleo evangélico do PMDB, pastor Renato Galdino.

dica do Ed Brito

Igreja evangélica frequentada por roqueiros luta contra preconceito

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Ricardo Senra, na Folha de S.Paulo

Para os evangélicos, eles cultuam Satanás. Pelos metaleiros, são criticados por seu jeitão bem comportado. Assim, entre a cruz e a espada, resiste desde 2006, no Alto do Ipiranga, região sul, a primeira igreja gospel frequentada por roqueiros de São Paulo.

“Sofremos com o preconceito dos dois lados”, diz o pastor Antonio Carlos Batista, 46, fundador da Crash Church (ou “igreja de impacto”, na tradução dos fundadores).

“Acolhemos quem não quer nem vestir terno nem cortar os cabelos para louvar o Senhor, nem ser violento ou negar Jesus Cristo só por causa do som que gosta de ouvir.”

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

Antes, durante e depois dos cultos, bandas de heavy metal evangélico tocam no palco/altar do templo

No domingo em que a sãopaulo visitou o templo, 50 jovens cabeludos, tatuados, vestindo anéis, piercings, roupas rasgadas e longos coturnos se reuniam às gargalhadas na calçada.

Quem passa pela igreja —uma sala comercial toda pintada de preto— não entende de cara o que ocorre por ali.

Os metaleiros não bebem ou fumam, só conversam. “Nossa droga é Jesus”, diz uma fiel de cabelos verdes.

Pastor Batista reza acompanhado pelos fiéis da igreja

Pastor Batista reza acompanhado pelos fiéis da igreja

Às 17h, um solo estridente de guitarra dá o sinal: começou o culto. Do lado de dentro, paredes escuras grafitadas com desenhos gigantes de coroas de espinhos levam ao salão principal, onde está o palco/altar.

“Deus não te deixa só”, “Ele está dentro de nós”, “a vida é um ato de amor”, canta, aos berros, um coro de duas mulheres e um homem, de cabelões e roupas pretas. Quando a música termina, a plateia aplaude e grita “aleluia” e “glória a Deus”.

No intervalo entre as canções, a vocalista se lembra, emocionada, de um salmo sobre o sangue de Jesus –o guitarrista acompanha dedilhando o instrumento com força proporcional à intensidade dos versículos.

Pastor e presbíteros lideram 'roda de cura' durante culto

Pastor e presbíteros lideram ‘roda de cura’ durante culto

Se a etapa inicial do culto lembra um show de rock qualquer, é quando as luzes do palco se apagam que a louvação começa de verdade.

De mãos estendidas para o céu, o pastor aparece num púlpito de pedra e convida os presentes a se abraçarem (o solo de guitarra no fundo cresce quando ele diz “aleluia”).

Começa uma roda de cura espiritual “contra a ansiedade”. Depois, o líder religioso anuncia a programação da igreja para as próximas semanas e cumprimenta, um a um, quem visita o culto pela primeira vez.

“Uma salva de palmas para o repórter e o fotógrafo que nos acompanham”, diz, enquanto a reportagem se encolhia no fundo do salão.

Um jovem magro, de cabelo dourado, cheio de gel fixador, é convidado a dar um testemunho.

“Consegui um trampo num restaurante”, diz, ao lado do pastor Batista. “Sou responsável pela parte de bebidas e estou muito feliz.” Aplaudido, ele prossegue: “Mesmo antes, eu sempre fiz questão de pagar o dízimo.”

É essa a senha para a coleta do dinheiro. Em fila, os fiéis caminham em direção a uma urna com pequenos envelopes recheados. Não fossem pretos, eles também seriam como os usados em outros templos religiosos.

Todas as paredes da igreja são pretas, com desenhos gigantes que lembram coroas de espinhos

Todas as paredes da igreja são pretas, com desenhos gigantes que lembram coroas de espinhos

VOZ DE TROVÃO

No ritmo dos gritos de “amém” do pastor (com voz gutural, tipo show do Sepultura), o culto segue por mais duas horas.

“O povo de Israel sempre foi guerreiro. Nós estamos em constante luta contra Satanás”, diz o pastor, que também é vocalista da banda AntiDemon, com a qual já viajou por outras igrejas alternativas em 31 países.

Com uma bíblia cheia de adesivos de bandas, ele fala à reportagem sobre a conexão que percebe entre o heavy metal e a mensagem divina.

“Está escrito numa passagem que a voz de Deus é como um trovão. Outra indica que o barulho no céu é ensurdecedor. No rock é igual.”

Pastor Batista diz que fundou a Crash Church para abrigar roqueiros rejeitados em outras igrejas

Pastor Batista diz que fundou a Crash Church para abrigar roqueiros rejeitados em outras igrejas

Ele diz que sua principal luta é contra os estereótipos. “Já fui barrado em hospital quando fui visitar um fiel que estava doente. Não usava uma gravata, então não acharam que eu era pastor. Puro preconceito.”

Julgamentos à parte, o pregador diz que sua igreja é “bem careta”. “Ninguém aqui transa antes do casamento. E nós não acreditamos em um terceiro sexo. Gays são bem-vindos porque precisam de amor e ajuda.”

O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países

O pastor também é vocalista da banda de rock gospel AntiDemon, que já viajou por 31 países

fotos: Gabriel Cabral/Folhapress

Carência de profetas

silencio_bom-ou-mail_torahemetRicardo Gondim

Reconheço: existem diversas pessoas sérias entre os crentes. Admito: mais de sete mil profetas não se dobraram a Baal. Não desprezo o testemunho daqueles que me precederam e honraram a fé. Dados os devidos descontos, impossível não admitir o colapso do que se popularizou como movimento evangélico.

Como calar diante do avanço de vigaristas e charlatões? Quantos vão manter um silêncio obsequioso diante das promessas irresponsáveis de cura, prosperidade financeira, solução de problemas conjugais e sucesso empresarial? Não é possível aguentar três minutos de programa de rádio ou de televisão. Náusea, diante da postura arrogante de falsos profetas que oscilam entre camelôs religiosos e doces professores de Bíblia.

Não dá para lidar com a falta de sensibilidade humana de grupos fundamentalistas, quando celebram desastres naturais como sinais inequívocos do castigo de Deus sobre o pecado. A lógica do quanto pior, melhor só revela quão egocêntrico e cínico o movimento vem se tornando. Haja estômago para ouvir professores de teologia, forjados em seminários de segunda linha, criticando livros que nunca leram. A maioria dos auto-reconhecidos teólogos evangélicos não consegue citar duas obras de peso da literatura. Eles discursam na defesa de uma reta doutrina que ainda não completou duzentos anos.

Será que passará impune a intolerância de muitos sacerdotes, que deveriam ser pacientes e benignos? O meigo carpinteiro de Nazaré seria parceiro de abutres prontos para estraçalhar quem tropeçou na vida? Quantos tribunais sumários já excomungaram adolescentes por, na lógica deles, graves transgressões morais, enquanto bandalheira administrativa passa batida.

O movimento evangélico corre o risco de se tornar refúgio para incompetentes. Líderes, que jamais conseguiriam sobreviver no mundo empresarial, se ocupam em tornar culpa uma fonte de lucro. Preguiçosos e despreparados, adoram praticar tiro ao alvo, desferindo setas nos já abatido pela vida. Os piores tentam mimetizar comportamentos moralistas do mundo anglo-saxão. Eles copiam as afirmações dos ortodoxos, que se pretendem eleitos de Deus, e se vendem como especialistas em cerimonialismos e tradições.

Também, não dá para lidar com tanto ufanismo. Falsos Aquiles perambulam pelos corredores eclesiásticos como exemplo de imunidade. Sobram narcisistas na corrida pelos primeiros lugares no Olimpo dos ungidos. E cada dia fica mais notório que empreitada, projeto ou campanha, que pretende mudar o mundo, não passa de estratégia surrada de movimentar dinheiro. Falsos heróis instumentalizam o povo para viabilizar megalomanias – usam e abusam da boa-fé de quem deseja fazer alguma coisa pela humanidade. A burocracia eclesiástica dilui enormes fatias dos recursos doados. Fortunas acabam sugadas na volúpia do poder. O dízimo suado dos crentes, investido em mais propaganda, só serve para alardear ao mundo como aquele evangelista é especial.

Enerva ouvir a repetição enfadonha de chavões. Cansam as frases prontas e os conceitos batidos. Fazem-se afirmações esvaziadas de sentido ou valor. A grande maioria dos púlpitos evangélicos se repete numa mesmice horrorosa. O culto des-educa. A convivência, no ar viciado de quem só visa repetir o que já foi dito, estupidifica. Os hinos reciclam poesias gastas. Os sermões começam e terminam com promessa de bênção. O movimento evangélico se tornou uma neurolinguística religiosa.

Há anos escrevi que andava cansado com o meio evangélico. Na verdade, não estava assim tão cansado. Eu procurava apenas denunciar o desgaste de tanta bobagem em nome de Jesus falando de exaustão. Mais tarde, para expor a ladeira abaixo do movimento, pedi para não ser classificado como evangélico. Não resta muito o que dizer. Talvez deva insistir na mesma tecla. Repetir: não dá, não dá, não dá, até que muitos profetas falem – a carência é grande.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim