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Vereadores evangélicos são presos em Caruaru (PE)

Avenida onde fica a Delegacia Regional foi interditada

Avenida onde fica a Delegacia Regional foi interditada

Publicado por Presentia Online

Depois de realizado o exame de corpo delito, vereadores de Caruaru (interior de Pernambuco) foram encaminhados para a Penitenciária Juiz Plácido de Souza, na manhã desta quarta-feira (18). O motivo dos mandados de prisão preventiva é da Operação Ponto Final, da Polícia Civil, que investiga denúncias de corrupção e suborno da Câmara de Vereadores de Caruaru.

Da parte do Governo os vereadores são: Jadiel Nascimento (PROS), Sivaldo Oliveira (PP), Val das Rendeiras (PROS),  e Cecílio Pedro (PTB).

Da oposição: Val (DEM), Louro do Juá (DEM), Eduardo Cantarelli (PS), Neto (PMN), Evandro Silva (PMDB) e Jajá (PPS).

EVANGÉLICOS - Entre os vereadores suspeitos detidos, Jadiel Nascimento, Sivaldo Oliveira e Neto.

Os vereadores Gilberto de Dora (PSB), Ranilson Enfermeiro (PTB), Edjailson da Caruforró (PT do B) e o secretário de Relações Institucionais da Prefeitura de Caruaru Davi Cardoso foram até a delegacia com mandato coercitivo, ou seja, apenas para serem ouvidos e já foram liberados.

Uma via da avenida onde é situada a delegacia ficou interditada por viaturas da DESTRA por causa da grande concentração de curiosos, advogados e familiares dos parlamentares.

OPERAÇÃO

A operação de repressão qualificada faz parte do Pacto pela Vida e objetiva cumprir 10 mandados de prisão preventiva, quatro mandados de condução coercitiva e 13 de busca e apreensão domiciliar, todos expedidos pelo Juiz de Direito da 4ª Vara Criminal de Caruaru. Os edis foram presos por associação criminosa, são acusados de cometer concussão, descrito no código penal como a exigência de vantagem em função do cargo ocupado pelo servidor público. Esta ação envolveu 120 policiais entre delegados, agentes e escrivães, e está em investigações há seis meses pela Gerência de Controle Operacional do Interior.

dica do Jénerson Alves de Oliveira

O Tea Party à brasileira

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Protesto contra o aborto e o casamento gay em Brasília. / VALTER CAMPANATO (EFE)

Por Juan Arias, no El País

No Brasil, o reino de Deus é cada vez mais deste mundo. Como ocorre em outras partes da América Latina, o poder das igrejas evangélicas e pentecostais, que funcionam como um tea party à brasileira, está alterando a política. A tal ponto que a classe dirigente, mesmo se estiver a anos-luz da sua ideologia conservadora, entoa suas melhores preces quando tem de negociar assuntos espinhosos com seus representantes no Congresso Nacional, algo muito frequente.

Conhecedores de seu crescente poder, todos os partidos sonham em ter candidatos evangélicos nas suas listas eleitorais, porque sabem que seus seguidores, na maioria pobres e pouco instruídos intelectualmente, são muito mais obedientes na hora de seguir as ordens de seus pastores nas eleições do que, por exemplo, os católicos. “As forças políticas procuram ter evangélicos em seus quadros porque eles são um componente substancial do eleitorado. Essa religião está crescendo e interessa como massa eleitoral”, afirma João Paulo Peixoto, professor titular da Universidade de Brasília. Por exemplo: a própria presidente Dilma Rousseff, quando disputou a eleição presidencial de 2010 com o apoio de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, teve de apresentar um documento aos evangélicos no qual se comprometia a não defender, caso vencesse, a liberação do aborto. Do contrário, é muito provável que tivesse perdido.

A teologia da libertação foi substituída pela teologia da prosperidade. O teólogo Leonardo Boff, pelos pregadores televisivos, dizem os democratas, preocupados com a expansão dessas igrejas entre a classe C – as camadas médias que se incorporam ao consumismo, muito conservadoras politicamente, e às quais se promete algo melhor do que o paraíso: a cura das enfermidades mortais aqui na terra. Já são 42 milhões de fiéis (uma progressão incontrolável desde 1977, um em cada quatro brasileiros), distribuídos, sobretudo, entre a Assembleia de Deus e a Igreja Universal do Reino de Deus. No total, contam com 71 congressistas (68 deputados e 3 senadores) e, desde março, com a presidência da emblemática e importante comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, para cuja direção foi escolhido um personagem considerado homofóbico e racista. Mas as cadeiras parlamentares não são suficientes; eles aspiram a ter o primeiro presidente evangélico da história.

“Deus tem um grande projeto de nação elaborado por ele mesmo, e é nossa responsabilidade colocá-lo em prática”, confessou o bispo Edir Macedo, fundador da poderosa Igreja Universal, em seu livro Plano de Poder. Ao estilo norte-americano, Macedo é dono da Rede Record, segunda em audiência, depois da Rede Globo, e possui o quarto maior grupo de comunicação do país. Sua igreja tem ainda 23 emissoras de televisão, 40 rádios e uma dúzia de editoras próprias.

“Meu Deus, os cristãos e a política neopentecostal do bispo Macedo dão medo”, afirma o jornalista Plinio Bortolotti, diretor do grupo de comunicação O Povo. “Ele está obcecado com o poder e tem um plano para tomá-lo. Parece um novo Moisés que está convencido de atuar sob as ordens diretas de Deus.”

Carlos Eduardo Calvani, da Igreja Anglicana no Brasil, vai além. Segundo ele, os evangélicos brasileiros pregam uma política muito parecida com a dos fundamentalistas islâmicos, com a única diferença de que atuam dentro de uma democracia. Com seu sonho de chegar ao poder, poderiam, nas palavras de Calvani, levar o Brasil a uma espécie de “regime talibã evangélico”. Em um país aparentemente aberto, embora de um conservadorismo latente, os evangélicos se opõem, por exemplo, à laicidade do Estado, ao aborto, ao casamento gay, ao uso de células-tronco e à descriminalização do uso de drogas. Seus membros conseguiram estar presentes em 16 formações políticas e criaram três partidos próprios: o Partido Republicano do Brasil (PRB), o Partido Social-Cristão (PSC) e o Partido da República (PR). Às forças evangélicas se une uma série de deputados alinhados à Frente Parlamentar em Defesa da Vida e Preservação da Família, com 192 parlamentares, ou cerca de 40% do Congresso – uma força que até agora vem sendo capaz de paralisar qualquer abertura na aprovação de leis progressistas a respeito desses temas. O Congresso ainda não conseguiu, por exemplo, aprovar a regularização do aborto, e a aprovação do casamento entre homossexuais foi obra do Supremo Tribunal Federal, que o considerou constitucional.

Mas o maior êxito dos evangélicos foi sem dúvida a nomeação para a presidência de uma das comissões mais emblemáticas e sensíveis do Congresso, a de Direitos Humanos e Minorias, do pastor evangélico Marco Feliciano, 40 anos, figura polêmica e inimigo número 1 do movimento gay. Feliciano defende, de Bíblia na mão, que Deus criou o ser humano “macho e fêmea” e que não pode existir um “terceiro sexo”. O pastor chegou a afirmar que os africanos carregam sobre si uma “maldição divina” desde os tempos de Noé, o que os faz serem negros e pobres. A conquista da Comissão de Direitos Humanos da Câmara simboliza, segundo o colunista político Janio de Freitas, da Folha de S.Paulo, “o primeiro embate relevante em que os evangélicos se põem como um novo bloco orgânico, ideologicamente bem definido e poderoso” no Congresso. “Estamos no caminho para uma república teocrática”, diz o escritor Luiz Manfredini.

Feliciano já anunciou que se candidatará ao Senado e proclama a seus fiéis, muitas vezes em atos multitudinários que reúnem mais de 100 mil pessoas, entre cantos e exclamações religiosas, que sua meta também é chegar a conquistar a Presidência da República. Com a Bíblia erguida e enquanto seus seguidores choram e rezam, Feliciano profetiza: “Pelo nome e pela paz de Cristo, um evangélico chegará a ser presidente do Brasil”. Feliciano fundou há cinco anos a sua própria igreja dentro da Assembleia de Deus. Em 2010, foi eleito deputado em São Paulo com o maior número de votos entre os candidatos evangélicos. Aos 13 anos era católico, até chegou a servir como coroinha. Abraçou a nova fé depois de deixar as drogas.

Poderes terrenos

A força do movimento não diminui, apesar de deputados evangélicos já terem sido denunciados muitas vezes à Justiça por corrupção. Em 2003, 23 deles se viram envolvidos na chamada “máfia dos sanguessugas” e foram levados aos tribunais. Agora mesmo, 50% dos congressistas evangélicos enfrentam acusações judiciais por vários crimes, de corrupção ativa e passiva a lavagem de dinheiro, passando por evasão de divisas e delitos contra o fisco. No entanto, a fé de seus seguidores neles passa por cima de todas as acusações. Quando chegam as eleições, não existe candidato que não deseje o apoio dos milhões de fiéis evangélicos com suas centenas de centros de propaganda, que vão desde os templos às antenas de rádio e televisão.

Se um dia seu sonho se cumprir, o Brasil deixaria, dizem os analistas políticos, de ser um Estado laico, e sua segunda ou primeira Constituição seria a Bíblia, que já é o livro que Feliciano empunha na comissão que preside, esquecendo-se da Carta Magna, à qual considera sujeita aos livros sagrados.

A demonização da cultura negra

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Por Hermes Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Anos atrás, uma de nossas congregações resolveu fazer uma apresentação na Sede da Reina homenageando a cultura negra. Mulheres vestidas a caráter começaram a dançar ao ritmo dos tambores, bem ao estilo africano. Por ser uma festa, tínhamos a presença de irmãos de muitas igrejas. Nem todos demonstravam o correto discernimento do que ocorria ali. Não demorou muito para que se ouvissem murmurinhos e expressões do tipo “tá amarrado”. Aquilo me deixou tão incomodado, que ao término da apresentação (que incluiu um grupo de capoeira), tive que chamar a atenção dos que murmuravam.

Por que insistimos em demonizar a cultura africana? Suas danças, música, folclore e tradições são entendidas como expressões malignas. Nossa contradição, todavia, é exposta ao nos referirmos às tradições religiosas nórdicas, celtas, anglo-saxônicas e greco-romanas como mitologia. Quanto preconceito ainda há em nós!

A única coisa que poupamos da cultura africana é a sua comida, desde que não seja servida por uma baiana de roupa branca e turbante.

Pensando bem, nunca encontrei uma passagem bíblica em que Jesus ou os apóstolos se referissem aos espíritos malignos com nomes de divindades dos panteões pagãos. Jamais flagrei os apóstolos expulsando um espírito de Júpiter ou Diana. Então, por que identificamos as divindades cultuadas nos terreiros como demônios? Por que não podemos enxergá-las apenas como mitologia, como fazemos com Zeus, Thor e Hermes?

Que há espíritos malignos por trás de qualquer culto idólatra, não me atrevo a duvidar. Inclusive por trás de muita devoção popular católica e da velada idolatria evangélica. Os demônios buscam adoração, e para isso, escondem-se por trás de figuras mitológicas e de crendices de qualquer credo.

Não duvido que haja demônios ocultos em muitas das práticas evangélicas de hoje em dia, principalmente quando envolve os chamados “pontos de contato”.

O culto genuíno é aquele que prescinde de objetos, sejam da devoção afro-brasileira como patuás, banhos mágicos e etc., sejam do espírito judaizante imperante em muitas igrejas como shofar, arcas da aliança, montes e etc. O culto que agrada a Deus se dá em Espírito e em Verdade, e não em superstições e amuletos.

Proponho que tratemos os elementos de qualquer culto como mera mitologia, sem, contudo, faltar-lhes o devido respeito. Mas que, em contrapartida, mantenhamos puro o culto que prestamos a Deus, sem nos apropriar indevidamente de qualquer um desses elementos, nem para o mal, nem para o bem.

Viva a cultura negra! Muito de sua mitologia encerra importantes arquétipos que revelam a natureza humana em toda a sua ambiguidade. Não os reconhecemos como deuses, mas também não os chamamos de demônios. Demônios são os que se escondem por trás de todo engano, ódio e preconceito, ainda que para isso se façam passar até por Jesus Cristo.

Aproveitando um comentário deixado em meu perfil no facebook pelo meu amigo Gilmar, “se fizessem um filme intitulado “Xango de Ife”, onde um personagem negro, portando um machado de dois gumes, vindo de Aruanda e que controla os raios e os trovões, certamente seriam execrados pelos “cristãos”. Mas, se o filme se chama Thor, deus nórdico a quem se sacrificavam homens, mulheres, crianças, cavalos e se penduravam em carvalhos, se põe um louro bonitão para protagonizar, e que como Xango, Zaze, Sumbo ou qualquer que seja o nome africano dado ao rei divinizado de Ife, controla o raio e o trovão, esse e visto sem peso de consciência. Prefiro Xango a Thor! A ele são sacrificados pombos, galinhas de angola, acaraje e caruru, não seres humanos.

Deputado propõe cotas para evangélicos em concursos públicos

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Publicado impagavelmente no Bobagento

O deputado estadual capixaba Rogério Medina (PMDB) sugeriu a reserva de 10% das vagas em concursos públicos no Espírito Santo para evangélicos. A proposta foi feita na sessão solene em homenagem ao Dia do Evangélico, realizada na Assembleia Legislativa na última quarta-feira.

O autor do projeto alega que os evangélicos são vítimas de preconceito nos departamentos de recursos humanos das empresas privadas. Chegou a afirmar em discurso que “por sermos tementes a lei de Deus e não nos envolvermos em maracutaias os gestores sempre optam por católicos e até mesmo umbandistas na hora de contratar alguém”.

O projeto segue agora para a comissão de constituição e justiça e se for aprovado vai ser votado em novembro. Caso se torne lei os concurseiros deverão apresentar certidão de batismo e declaração assinada pelo pastor atestando a atuação religiosa do candidato. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil se manifestou dizendo que o projeto “é vergonhoso, preconceituoso e fruto do oportunismo barato de pastores neopentecostais”.

Evangélicos distribuem água para devotos do Círio de Nazaré

Grupo distribui água e presta ajuda médica a promesseiros.
‘O Círio transcende religiões’, diz socióloga.

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Publicado no G1

A maior procissão católica do país é a festividade de muitas religiões. Durante a principal romaria do Círio, realizada neste domingo (13), evangélicos distribuem água e prestam atendimento médico aos promesseiros que passam em frente ao templo evangélico, localizado no trajeto da procissão. “Nossa igreja está de portas abertas, com o propósito de estabelecer o mandamento de Deus, que é amar a Ele e ao próximo, independente de religião”, conta o pastor Zildomar Campelo, do grupo “Blindados do Senhor”, da Assembleia de Deus.

O grupo reúne 300 voluntários, que distribuíram 5 mil copos de água aos devotos, além de servir café da manhã, com direito a bolo, sanduíches, pães e sucos. “Não temos preconceito. Deus ressuscitou Jesus para que as pessoas viessem se agregar a Ele, e nosso intuito é esse”, completa Campelo.

Diversidade ideológica
O Círio agrega diversas religiões. “A maior parte da minha família é católica, eu sou espírita e tenho filhos evangélicos, mas no domingo do Círio, todos se reúnem”, conta Régia Favacho. Para a socióloga Denise Simões Rodrigues, a força simbólica de Nossa Senhora de Nazaré é capaz de superar possíveis barreiras entre os devotos. “Círio é um evento que transcende todas as religiões”.

Para a budista Monique Malcher, a força da multidão que se mobiliza no Círio é inquestionável. “O mundo é muito caótico, o homem busca formas e crenças para se agarrar e conseguir prosseguir, mas para mim a beleza do Círio vai além da devoção pela santa, está na beleza do encontro entre as pessoas que contam uma as outras suas histórias, falam sobre fé, e se motivam nessa dança. No final vemos que a fé é parte da caminhada”, diz a jornalista.

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Criança vestida de anjo agradece a graça alcançada durante o Círio. (Foto: Guy Veloso/ Divulgação)

O premiado fotógrafo paraense Guy Veloso integra a multidão da procissão do segundo domingo de outubro há 20 anos. Espírita de formação católica, ele conta que o fato de seguir uma outra doutrina não mudou em nada sua relação com Nossa Senhora de Nazaré. “Na minha religião, a figura histórica de Maria é reverenciada e é importante. O Círio é um encontro familiar, um encontro comunitário. É um evento social muito importante para cidade e gosto muito dessa época, ainda mais com a minha profissão de fotógrafo e meu estudo em cima da religião”, conta o artista, que viaja o mundo para registrar promesseiros das mais diversas demonstrações de fé.

De acordo com a socióloga Denise Simões, mais de cem Círios são realizados no Pará ao longo do ano, o que demonstra a força da Virgem Maria para a construção da identidade cultural e de fé do povo paraense. “A força da fé mariana é uma mola propulsora histórica do povo paraenses que, para enfrentar tantos desafios de viver na Amazônia, encontrou amparo em algo mágico, que é a fé na Virgem, Ela, uma figura feminina, frágil, mas capaz de deter tamanha força. Isso indica a importância de Nossa Senhora para a conquista de católicos e evangelizar a Amazônia”, analisa.

Mais do que uma expressão de fé, o Círio é um fenômeno cultural. “O Círio tem uma vida própria quanto evento cultural que define a identidade paraense, por conta disso ele é um evento aglutinador de pessoas das mais variadas ideologias. As famílias se reúnem no Círio muito mais do que no Natal.

dica do Sidnei Carvalho