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“Obrigado, Senhor, pelo Rock’n Rio”

RocknRio-764x1024título original: Eu fui ao Rock’n Rio

Publicado por Fabricio Cunha

Eu fui ao Rock’n Rio pela primeira vez na vida.

Não me pergunte por que demorei tanto… Foi a primeira coisa que veio à minha cabeça quando dei meus primeiros passos na mágica Cidade do Rock.

Lembro-me de todas as edições.

Na primeira, me lembro dos burburinhos. Minha família já era “crente” e a repercussão em minha casa era ruim. Uma concentração densa do mal.

Na segunda , eu já era adolescente. Minha mãe não me deixava assistir. Em casa, só tínhamos uma TV, na sala, que fazia divisa com o temido quarto de minha mãe. Eu acordava de madrugada, horário em que a Globo fazia aquele review do dia, enchia a fresta da porta que separava a sala do quarto com almofadas para não passar claridade da TV e assistia bem baixinho, quase que inaudivelmente.

A terceira edição eu gravei no vídeo cassete e guardei as fitas sei lá onde.

A quarta, assisti pela TV. Arrependido… Arrependidíssimo.

Na quinta, fui!!! E fui dois dias, pra tirar o atraso.

O QUE VI

Muita gente. Gente de todo lugar, com bandeiras dos estados, dos times de futebol. Gente de todas as idades e estilos.

Aquilo era mesmo uma cidade. Uma cidade bonita, organizada, limpa e cara.

Vi uma mistura de gerações como há tempos, não via. Pais com camisetas das bandas mais antigas, acompanhados dos filhos com as camisetas das bandas mais novas.

Morri de vontade de levar minhas crianças nas próximas edições.

O QUE NÃO VI

Para sua surpresa, não vi drogas, brigas, lixo fora da pista (porque quem entra lá, não sai mais), falta de educação, empurra/empurra, bagunças desproporcionais.

Não vi…

E fui dois dias.

AS BANDAS

Muitas. Muito boas.

Mas as inesquecíveis são as mesmas: Mettalica e Bon Jovi.

Mettalica, uma banda de trash metal cordialíssima no tratar e pesadíssima no som. Gosto desde minha adolescência. Fiz um trabalho no ensino médio sobre a sua história. Uma banda que começou de um anúncio de jornal, onde o baterista Lars Ulrich procurava outros jovens para montarem uma banda.  Mettalica é célebre. Tem horas e horas de sucessos para se tocar direto.

Bon Jovi é uma banda que gosto há muito tempo, mas que tinha vergonha de dizer que gostava. Têm sucessos que marcaram as vidas de todos os que frequentaram os bailinhos de escola. Eu frequentei.

Prefiro o Mettalica, mas o show que mais curti foi o do Bon Jovi.

Também gostei demais do Frejat, do Ben Harper, do Nickelback.

Meu amigo Pr. Lucinho reclamou que tinha bandas de todos os estilos, mas nenhuma gospel. Gospel não é um estilo. Gospel é um segmento de mercado bem controverso, composto por muita porcaria e alguma coisa de qualidade. Teríamos bons “representantes” do segmento para se apresentarem no Rock’nRio? Acho que sim. Tanto internacionais (P.O.D., Switchfoot…) quanto nacionais (Oficina G3, Resgate, Palavrantiga, TanLan…).

Mas o “não convite” pode ser um reflexo do quão segmentados estamos, exatamente por sermos “segmento”. O quão longe estamos de onde deveríamos estar: no meio das gentes.

OS “CRENTE”

Na entrada:

-“Você sabe para onde foram Janis Joplin, Jimy Hendrix, Elvis Presley e John Lennon?”

- Não, não sei, por quê?

- Foram para o inferno. O mesmo lugar para onde você irá se passar por essas portas.

- o.O

Todo tempo é tempo de evangelizar, mas assim? Do lado de fora?  Condenando ao inferno os do “lado de dentro”.

Não vi “graça” nenhuma.

EU

  • Realizei um sonho e arrumei um problema. Não há como não ir em todas as próximas edições;
  • Fiquei feliz e à vontade no meio daquela gente, da minha gente. Gente com a qual me pareço. Gente que parece comigo;
  • O rock é uma bela companhia para a vida, mas não é fonte de sentido e significado. Ajuda, mas não dá conta. Essa gente toda precisa de sentido. Essa minha gente precisa de significado. São tão vivos, tão bonitos, têm tanta energia. Que encontrem fonte de sentido e significado para suas vidas;
  • No meio de tanta gente assim, como cumprir o chamado bonito de ser sal e luz? Sendo gente, sendo cordial, inclusivo, agradável, olhando com amor, sem julgamento, sem condenação, pulando junto, cantando junto, cedendo o lugar pra quem come de pé, olhando com olhos de graça pra toda aquela gente que anda como “ovelhas que não têm pastor”;
  • Levei a Lua comigo. Linda Lua. Minha Lua. Não se pode estar sozinho em algo que vai virar história em sua vida. Deve ter, mais do que para quem, com quem se contar;
  • Mettalica me aproxima de Deus. Bon Jovi me aproxima de quem sou;

Foi muito louco!!!

Obrigado, Senhor, pelo Rock’nRio…

A Globo, o Malafaia e um desabafo…

Imagem: Púlpito Cristão

Imagem: Púlpito Cristão

Fabricio Cunha, no Facebook

E nos vemos mais uma vez enamorados com a rede Globo.

Sinceramente, não conseguiria entender esse encanto, senão fosse o fato de avaliá-lo muito mais à luz da “persona”, no caso, o pastor Silas Malafaia, do que do segmento evangélico.

Estrategicamente, a TV sempre deu mais prejuízo do que lucro. Não anotamos um número significativo de vidas ou estruturas transformadas que citam um programa evangélico de TV como a sua gênese.

Muito pelo contrário, na TV, o segmento evangélico alcança seu pior estereótipo. E não é pelas personagens “crentes” caricatas nas novelas. Não. São os televangelistas que são nossa pior imagem pública. Eles, sim, e seus projetos pessoais de poder, caricaturas de uma triste realidade.

Duas semanas atrás o senhor Malafaia foi até a Globo e apertou a mão não sei de quem (me lembrei da hora em que o advogado Kevin Lomax, interpretado por Keanu Reeves aperta a mão do diabo, interpretado por Al Pacino em “Advogado do Diabo), “selou a paz” e firmou um “compromisso” entre nós, evangélicos e a emissora. Como pedido “fiel da balança”, solicitou um personagem evangélico que retratasse de fato quem somos.

Duas perguntas:

1. E quem somos? Um grupo formado por milhões de pessoas, que se agremiam nas mais diversas “denominações”, num país completamente diverso em sua identidade social, cultural e religiosa inclusive. Qual seria o retrato de um personagem “evangélico” de fato?

E, mais importante:

2. É a Globo, influenciada pelo sr. Silas Malafaia, que terá o poder de determinar o perfil do “bom evangélico”?

Por favor, sr. Malafaia (que nunca vai ler esse texto…). Quer falar, fale, mas fale em seu nome ou em nome de quem lhe deu procuração.

Também sou evangélico. Também sou pastor. Mas cansei de dizer que não sou como o senhor para pessoas que me conhecem sem ter o mínimo registro religioso que as dê algum discernimento para saberem que somos diferentes, que lemos bíblias diferentes, que vemos o mundo de forma diferente.

E se quiser vender-se para a rede Globo, venda-se, venda o que tem, mas não o que não possui.

Você é sim, infelizmente, uma voz evangélica com força pública, mas NÃO REPRESENTA OS EVANGÉLICOS, muito menos os detém.

Você NÃO FALA EM MEU NOME e nem em nome de outros milhões de irmãos evangélicos brasileiros, que tomam a sua cruz a cada dia e seguem o mestre Jesus de Nazaré.

No mais, senhoras e senhores, como bem diz meu amigo caipira Carlinhos Veiga:
“Nas contas que fiz, não sobrou nem um pouco. Ou eu sou ruim de conta, ou esse mundo tá louco.”

Vamos em frente.