Após a Marcha para Jesus, Curitiba terá a Marcha para Goku

(foto: Reprodução)
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Organizadores do evento pretendem fazer “vaquinha” para construir uma estátua para o herói

Publicado no Bem Paraná

Os curitibanos bem humorados (sim, eles existem!) estão organizando para o dia 1º de junho (domingo) uma marcha que irá animar os nostálgicos e fãs de animes: a Marcha para Goku. O evento, criado quatro dias atrás, já conta com 5,8 mil convidados, sendo que 1,1 mil usuários do Facebook confirmaram participação.

Na descrição do evento, lê-se: “Depois da Marcha para Jesus chegou a vez da Marcha para o Goku!Vamos todos marchar para o nosso salvador Goku! Cantando hinos como: ‘Shalá head Shalá’, ‘Posso pressentir o perigo e o caos!’ e entre outros!Tentaremos fazer um super Genki Dama para enviar forças ao nosso guerreiro! E será a maior Genki Dama que Curitiba já viu.Seja Sayajin ou não, participe desse evento histórico no mundo!

Os organizadores do evento, inclusive, iniciaram uma campanha no Twitter para tentar trazer para a Capital paranaense , o dublador que emprestou a voz para o Goku no Brasil. Outra ideia é fazer uma “vaquinha” on-line para que seja construída uma estátua de Goku, que seria colocada na Praça do Japão. A ideia ainda é embrionária, mas um artista plástico já está fazendo um orçamento.

A marcha está marcada par acontecer às 14h na Boca Maldita. Depois, os participantes irão seguir para a praça do Japão, onde será feita uma grande “Genki Dama” por um mundo cada vez melhor.

Quem é Goku?

O que? Você não sabe? Tudo bem, eu te conto a história do nosso salvador.

Goku é o personagem principal da histórica franquia Dragon Ball, criada por Akira Toriyama. Por conta do sucesso do mangá e, principalmente, do desenho sobre a série, Goku é considerado o maior personagem de anime e mangá de todos os tempos.

Membro de uma raça de extraterrestres conhecida como Sayajins, Goku é enviado à Terra para destruir as formas de vida locais e preparar o planeta para ser vendido no mercado intergaláctico. Contudo, Goku esquece sua missão e acaba se tornando um verdadeiro herói, salvando a Terra dos mais diversos tipos de vilões em inúmeras ocasiões.

Confira a página do evento no Facebook clicando AQUI

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Xuxa comenta polêmica em Brasília: ‘Nem Jesus Cristo agradou todo mundo’

Após receber críticas do deputado Pastor Eurico, a apresentadora Xuxa Meneghel pede ajuda dos fãs e diz: ‘Ele já teve o seu momento de fama, não vamos dar mais força a ele’

Xuxa Meneghel (Blad Meneghel)
Xuxa Meneghel (Blad Meneghel)

Publicado na Caras

Xuxa Meneghel fez um desabafo no Facebook, nesta sexta-feira, 23, sobre a polêmica com o deputado Pastor Eurico, que a criticou durante a última sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A apresentadora pediu para que os fãs não culpassem os evangélicos pelo episódio.

“Gente, estava lendo o desabafo e a opinião de vocês sobre o acontecido no Congresso. Por favor, não culpem os evangélicos. Minha mãe é evangélica e me ensinou que nem Jesus Cristo agradou todo mundo, por que eu iria? Sei que minha mãe ficou muito triste com esse senhor. Mas ele já teve o seu momento de fama, não vamos dar mais força a ele”, disse Xuxa. “Mais uma vez obrigada pelas lindas palavras de carinho e respeito com meu trabalho, vou precisar de vocês e muito, e sei que vou poder contar sempre. Vejo isso lendo cada palavra de amor de vocês por mim, obrigada, obrigada, obrigada, obrigada”, publicou.

O ator e cantor Junno Andrade, namorado de Xuxa, já tinha se manifestado sobre a polêmica. Em seu texto publicado também na rede social, ele defendeu sua amada, que recebeu críticas do deputado durante a votação da lei que tem o objetivo de coibir a violência contra a criança, agora chamada de Lei Menino Bernardo. Além disso, Junno festejou o sucesso da votação, que levará a lei para ser aprovada pelo senado. “Falta muito pouco… Tem pessoas que vieram pra esse mundo a passeio, outras, nem deveriam ter vindo, pois usam essa passagem apenas para benefício próprio, e pior, na maioria das vezes tirando de quem não tem, se aproveitando da carência, esperança e inocência dos menos favorecidos, alguns hipócritas tem o desplante e a coragem de agir “EM NOME DE DEUS” e ainda se sentem à vontade e no direito de apontar seus dedos sujos, cheios de culpa e preconceito para julgar alguém!!! Por outro lado, tem “GENTE” que veio nesse planeta pra fazer a diferença, pra realizar, pra nos encher de admiração e nos dar exemplo! Hoje creio eu, podemos marcar um “X” nessa data, pois se deu um passo de imensurável tamanho, onde as crianças e adolecentes terão os mesmos direitos de um Ser Humano. Parabéns à todos os envolvidos nesse caminho pra aprovar a “Lei da Palmada”, hoje Lei Bernardo, principalmente pra uma pessoa que poderia estar tirando onda numa praia qualquer, e no entando passa a vida se preocupando com razões sociais! Parabéns Xuxa (Xuxuca), hoje você demonstrou um pouco mais da sua linda missão nesse planeta! Posso imaginar o tamanho do seu sorriso nesse momento! Que HONRA poder caminhar ao seu lado!!!”, falou.

A emenda pretende alterar a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, para estabelecer o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de tratamento cruel ou degradante.

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Jogos universitários: ilustração com apologia ao estupro revolta alunos

Desenho divulgado em página que convida a delegação da UERJ para os Jogos Jurídicos traz mulher praticando sexo oral forçado

Ilustração machista sobre jogos universitários revolta estudantes (Reprodução)
Ilustração machista sobre jogos universitários revolta estudantes (Reprodução)

Publicado em O Globo

O machismo que é propagado com ares de brincadeira em jogos universitários pelo Brasil está gerando uma onda de revolta nas redes sociais.

O Coletivo de Mulheres da UFRJ denunciou em sua página no Facebook, nesta segunda-feira, uma ilustração publicada em um evento que convida a delegação da UERJ para os Jogos Jurídicos, que se prepara para a próxima edição do torneio do Rio de Janeiro, que acontecerá em Volta Redonda, de 19 a 22 de junho. Com a intenção de humilhar os rivais da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, o desenho traz uma mulher vestindo uma camisa com a palavra “nacional” praticando sexo oral forçado em um coiote (mascote da Atlética de Direito da UERJ). O animal tem uma faca na mão direita, o que seria uma referência clara ao estupro, como afirma o comunicado do grupo que debate as questões de gênero.

“Isso NÃO é brincadeira! NÃO é piada! Não é ‘estar sendo levado pela emoção’ dos jogos universitários! Isso é a alimentação da cultura do estupro! O mascote da UERJ está segurando uma faca! E como sempre pode ficar pior, soubemos que a imagem foi originada a partir da música ‘Estupra com a faca na mão a piranha do Fundão’!”, diz o texto de repúdio do Coletivo de Mulheres da UFRJ.

“Chega de machismo nos Jogos Universitários!”, exige o núcleo feminino, em outro trecho.

O grupo Acontece na UERJ, que reúne relatos dos casos de machismo dentro da universidade, também critica o ato.

“A imagem reforça a ideia comum de que piadas com estupro, objetificação da mulher e estigmatização do sexo são normais e naturais dentro das competições esportivas. É inadmissível que referências a crimes e violências sejam encaradas com naturalidade, repetidas por torcidas e provoquem risadas, dentro ou fora do ambiente acadêmico, ainda mais em uma faculdade de Direito”, destaca o coletivo, em sua página oficial.

A partir da denúncia, mulheres e homens demonstraram sua revolta com a imagem, gerando um debate sobre o sexismo nas universidades. A Associação Atlética Acadêmica Ricardo Lira, da Faculdade de Direito da UERJ, também deixou claro que repudia manifestações sexistas:

— A atlética não tem qualquer ligação com o aluno que postou a imagem nem com quem fez a imagem ou quem compôs a música. Infelizmente [o desenho] foi postado no evento que organizamos. A atlética é uma instituição que é contra qualquer tipo de violência, seja ela racial, sexual ou de qualquer outro tipo, e lamentamos que esse tipo de pensamento tenha sido divulgado num evento criado por nós — disseram os organizadores.

Recentemente, outro episódio escandalizou estudantes ao fim dos Jogos Universitários de Comunicação (Jucs) do Rio. Uma boneca inflável com a inscrição “PUC” colada no peito foi deixada em uma das quadras onde a competição foi disputada, em Vassouras. A boneca tinha uma caneca da Facha, faculdade campeã do torneio, pendurada no pescoço. Na ocasião, diversos grupos que lutam pela igualdade de gênero no ambiente acadêmico também condenaram a atitute.

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PM do Rio promove policial que ironizou professores em rede social

Getty Images
Getty Images

Apesar do benefício, o cabo Tiago Moreira de Souza deve ser punido por publicação de foto em seu perfil no Facebook

Fabio Grellet, no Estado de S.Paulo

RIO – A Polícia Militar do Rio promoveu a cabo, no último dia 9, o soldado Tiago Moreira de Souza, lotado no Batalhão de Choque fluminense. No ano passado, ele postou em seu perfil na rede social Facebook uma foto em que mostrava um cassetete quebrado e a legenda “Foi mal fessor”, sugerindo ter quebrado a arma ao atuar durante um protesto de professores, então em greve. A promoção foi por tempo de serviço à corporação.

No Facebook, onde se identifica como Tiago Tiroteio, o policial escreveu que “para todos que lutaram minha luta e permaneceram ao meu lado está ae (sic) a prova. E aos que pediram a minha exclusão está ae (sic) a prova de (que) quando caímos, caímos para cima. (…) Se sentindo promovido”.

Apesar da promoção, Tiago deve ser punido pela publicação da foto. Quase um ano após divulgar a imagem, ele deve ser preso administrativamente por 20 dias, em decisão a ser anunciada ainda esta semana.

 

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Que país? É este

bandeira-do-brasilPaulo Brabo

Em 2010, querendo me desiludir da Itália, um amigo italiano me mandou o link de um vídeo, feito dois anos antes, num comício na cidade de Treviso. O vídeo mostrava um discurso de Giancarlo Gentilini, naquela ocasião prefeito da cidade, em que o sujeito escarra opiniões de um ódio racial assombroso e recebe o aplauso unânime da multidão.

Lembro de ter pensado: isso nunca aconteceria no Brasil.

– Quero a revolução contra os acampamentos dos nômades e dos ciganos! – exige Gentilini no vídeo do comício. – Dois desses acampamentos aqui em Treviso foram destruídos por mim, e agora não resta nenhum. Quero eliminar os filhos dos ciganos, que vêm roubar os nossos anciãos.

Aquele quero eliminar os filhos dos ciganos, seguido da sua onda de aplausos, cortou-me verdadeiramente metade das ilusões, não só a respeito da Itália, mas do ser humano.

E o discurso corria inteiro por essa linha.

A respeito dos imigrantes ilegais, Gentilini disse: “seria o caso de vesti-los de lebre, para fazer pim pim pim com o fuzil”. Famosamente, o político escolheu ainda a expressão “limpeza étnica” para fomentar a expulsão dos homossexuais da sua cidade. Sobre os que se aproveitam de tumultos para depredar a propriedade alheia, sentenciou: “nenhuma piedade; deveriam vir fuzilados como no tempo da guerra.”

Enquanto eu via Gentilini dizer esse tipo de coisas em seu discurso, lembro de ter pensado (e dito): isso nunca aconteceria no Brasil. Mesmo se um político pensasse desse modo, não seria estúpido de dizer num comício, em praça pública. Não com gente filmando.

É claro, isso foi em outra vida, em 2010. É raro que eu me engane, mas quando acontece é da forma espetacular que você está vendo. Passados quatro anos, o Brasil tratou de eliminar a metade restante das minhas ilusões.

Ruralistas, linchadores de rua, matadores de índios, expulsadores de sem-terra, comentaristas de tv, articulistas da Veja, deputados, fan pages do Facebook – o Brasil de 2014 ecoa com o tom de voz e o discurso fascista do Giancarlo Gentilini: aquele mesmo discurso que eu cria que o público brasileiro, obcecado que somos com a cordialidade e o bom-mocismo, não estaria jamais disposto a engolir. “Bandido bom é bandido morto” é coisa que se dizia entre um comício e outro. Em 2014, leigos e políticos brasileiros abandonaram esse recato.

Não é que o Brasil tenha em poucos anos mergulhado em trevas; aconteceu apenas que a nossa face fascista veio para a luz.

* * *

Lembro que depois de assistir ao vídeo do comício em Treviso perguntei ao meu amigo italiano como era possível existir gente caindo no discurso fascista em pleno século vinte e um. Como não ver a semelhança entre as exaltações de Gentilini e as de Mussolini? Entre as suas soluções e as soluções de Hitler?

Na Itália a crise econômica e o desemprego tem acentuado as tensões raciais ao longo da última década. Os imigrantes (especialmente africanos, chineses e muçulmanos) são muitas vezes vistos como os caras que vem de fora para roubar os empregos dos nacionais, comprar propriedades que sempre pertenceram a boa gente italiana, manchar a cultura com a sua desreligião e mamar nas tetas do Estado.

Não são nem de longe todos os italianos que veem as coisas desse modo, mas os fascistas nunca foram conhecidos por falar pouco, com pouco entusiasmo ou em voz baixa. Giancarlo Gentilini é um dos líderes do movimento separatista Lega Nord/Liga Norte, que propõe a independência do norte da Itália: uma versão mais organizada daquele ideal reacionário brasileiro que sonha com a independência do sul produtivo porque está convicto de que um nordeste de aproveitadores puxa o país continuamente para baixo.

A verdade é que os admiradores de Giancarlo Gentilini não ignoram a semelhança entre o seu discurso e o de Mussolini. Eles na verdade o admiram precisamente por causa disso: exatamente como os brasileiros que falam com nostalgia dos anos da ditadura porque “naquele tempo pelo menos havia ordem nas ruas”.

Foi essencialmente a crise econômica que fez o fascismo mostrar a sua cara de verme, como se fosse coisa aceitável, na Itália contemporânea. Se o neofascismo brasileiro encontrou ocasião para fazer a mesma coisa, provavelmente foi devido ao efeito acumulado de três mandatos presidenciais do PT.

O governo do PT, apesar de inúmeras falhas de projeto e de execução, acabou trazendo para o centro da discussão nacional tensões que existiram por séculos à margem das discussões oficiais: a desigualdade na distribuição de renda e de terras, os direitos dos índios, o desequilíbrio racial, a tendência do livre-mercado a produzir a oligarquia, o direito de propriedade a recursos universais, o círculo vicioso da pobreza e da exclusão.

Como todos os governos com viés de esquerda, o PT tomou por missão criar ferramentas que lembrassem a todos que ninguém é melhor do que ninguém. Uma missão quixotesca, não há como negar, tornada ainda mais embaraçosa quando assumida por uma instituição ou um governo, mas por outro lado todas as causas bem-intencionadas parecem utópicas e ridículas até produzirem alguma transformação.

Porém treze anos da ênfase ninguém é melhor do que ninguém o fascista que há nos brasileiros não foi capaz suportar em silêncio. O discurso fascista – seja o de Hitler, o de Mussolini, o de Giancarlo Gentilini ou o dos ruralistas brasileiros – insiste no oposto. Alguns são melhores do que os outros! Há uma tremenda diferença entre nós e eles! – berram os fascistas de todas as eras. Nós somos gente de bem; eles são uma ameaça aos nossos valores e devem por isso ser eliminados.

“Nós” somos sempre nós, os fascistas/gente de bem que estamos falando. Os “eles” a serem eliminados são escolhidos de acordo com a demanda local. Para Hitler eram os judeus. Para Giancarlo Gentilini são imigrantes, ciganos, africanos e muçulmanos. Para os neofascistas brasileiros são os índios, negros, homossexuais, nordestinos, sem-terra. A letra muda, a música é fúnebre e é a mesma.

* * *

Se você admira um canalha como Gentilini ou como seus correligionários brasileiros, meu amigo, que posso te dizer.

Há um certo fascínio em ver alguém reconhecer publicamente a sua mesquinheza e seu desprezo pelo próximo, e assinar o seu testemunho com a notícia de que não está disposto a mudar e não vai. O canalha deliberado e esclarecido é uma visão infernal mas justamente por isso irresistível; não é inconcebível que sua feiura responda pelos seus convertidos. O que o fascista acha necessário dizer continuamente é: “e daí? Eu sou uma caricatura e assumo; nego a minha humanidade e a do próximo, o que você tem com isso”.

Não tenho nada com isso, além do inferno que você quer fazer vazar da sua vida para a minha e para a dos outros. Um lado mesquinho todos temos, mas o inferno é como o lixo: cada um deveria conter o avanço do seu.

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