Pedidos de amizade de clientes no Facebook podem ser muito irritantes

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Letícia Arcoverde, no Valor Econômico

SÃO PAULO  –  Todo cuidado é pouco ao começar “amizades” com contatos profissionais no Facebook. Segundo uma pesquisa da consultoria de recrutamento OfficeTeam, profissionais se sentem ainda menos confortáveis adicionando clientes e vendedores do que sendo amigo do chefe na rede social.

A  maioria dos mais de mil gerentes seniores entrevistados se diz desconfortável recebendo convites de amizade de contatos estritamente profissionais, como clientes e vendedores – cerca de 75% em ambos os casos, sendo que a maior parte diz que não fica “nem um pouco” confortável nessa situação.

“As pessoas sentem diferentes níveis de conforto nas redes sociais, então o melhor é não encher os contatos profissionais com pedidos de amizade”, diz o diretor executivo da OfficeTeam, Robert Hosking. “Além de ser seletivo com quem você adiciona, é importante compartilhar informações com prudência.”

Os números relativos a contatos profissionais de fora da empresa são maiores do que as respostas recebidas quando o assunto são os chefes ou subordinados – mas mesmo assim, os entrevistados preferem não misturar muito a rede social com a vida no escritório. Entre os entrevistados, 68% não ficariam à vontade se recebessem um pedido de amizade do chefe, e 62% pensam o mesmo dos funcionários que supervisionam. A melhor situação, segundo a pesquisa, é quando o contato é entre colegas de trabalho do mesmo nível – metade diz se sentir a vontade recebendo um pedido de amizade de um par.

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Fora do eixo

Ex-integrantes da entidade controladora do Mídia Ninja falam com exclusividade para CartaCapital e condenam práticas da organização

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Publicado na Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.

O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada.”

No dia seguinte foi a vez de Laís Bellini. Segunda ex-integrante a se manifestar, seu longo relato é considerado por outros ex-membros o mais completo e fiel retrato do dia-a-dia do coletivo. Laís descreve uma estrutura radicalmente rígida e verticalizada, baseada em forte dominação psicológica. Para exemplificar, revela que foi afastada de um amigo antigo que vivia sob o mesmo teto – “Disseram: ´Laís, o Gabriel era seu amigo lá em Bauru. Aqui vocês não têm que ficar de conversa. Aqui dentro vocês não são amigos”; Laís revelou ainda o “choque-pesadelo”, prática que consiste em por uma pessoa na sala e “quebrá-la” moralmente, aos berros; a moça narrou ainda que a cúpula controla horários e saídas à rua e que o trabalho é extenuante e sem folga nem aos domingos. São vigiados até bate-papos no Facebook ou Gtalk. Laís está em meio a uma longa viagem pela América Latina, sem data pra voltar. A distância, diz, lhe deu coragem para falar. “Quando postei, tirei toneladas do ombro e comecei a chorar. Tomei coragem para dizer o que muitos têm medo mas que todos sabem que é verdade”.

Um dos pontos levantados pelos entrevistados é o uso dos integrantes como uma espécie de isca sexual, o chamado Catar e Cooptar. “Há reuniões na cúpula para definir quem vai dar em cima de você e te fisgar pra dentro da rede”, afirma Laís. O designer Alejandro Vargas, que morou por 3 anos na Casa Fortaleza, dá mais detalhes: “Numa viagem rolou um papo que ‘deveria ficar ali’, sobre ‘fazer a entrega para a rede’. Diziam: ‘tem o cara ou menina mais feios, mas que trampam muito’ e tem aqueles com ‘mais chances de ter relações’. Tem que fazer a entrega para alimentar o estímulo de quem é menos provido de beleza, inclusive de fora da rede, para trazer para dentro”.

Rolim acrescenta: “‘Catar e Cooptar’ é o termo usado pelo Pablo, com todas as letras e constantemente. Eu mesmo fui proibido por ele de me aproximar de uma pessoa com quem tinha afinidade porque, ‘para o processo’, eu deveria estar solteiro, eu era uma boa ‘isca’. Relações espontâneas entre dois integrantes, por amor, também não são bem vistas. Casais assim são pressionados a desmanchar, e é proibido ter relações com pessoas de fora da rede, a não ser por ordem superior. Capilé nega a prática. “As relações afetivas não são determinadas por regras do movimento, mas construídas por cada indivíduo, a partir dos desejos de cada um.”

O Fora do Eixo nasceu em 2005, e seu nome faz menção ao fato de a iniciativa ter começado em centros distantes de São Paulo e do Rio. Capilé é de Cuiabá. Do Mato Grosso, o coletivo expandiu-se para Uberlândia (MG) e Rio Branco (AC), e dali para outras cidades. A relação com os artistas funciona assim: uma banda iniciante entra na programação de eventos culturais do grupo e faz shows em algumas cidades. Não paga passagem, hospedagem e alimentação (fica nas casas Fora do Eixo). Em contrapartida, não recebe cachê. O dinheiro arrecadado com suas apresentações financia o movimento.

Capilé e seus apoiadores calculam 2000 integrantes, mas o Fora do Eixo se resume a sete casas (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Porto Velho), onde vivem em média dez ativistas, ou seja, cerca de 70 no total. Há ainda algumas casas de coletivos parceiros, como em Bauru e São Carlos. Quando se soma os agregados, na estimativa mais otimista, a organização tem hoje 200 participantes.

Oficialmente, o financiamento é baseado em shows e editais do governo ou de empresas estatais e privadas. Existe, no entanto, uma terceira fonte significativa: a apropriação de dinheiro e bens particulares de colaboradores. “Solicitaram um cartão de crédito que eu tinha em conjunto com meus pais para comprar passagens. Como a confiança era total, fui induzido a compartilhar a senha. Em um mês e meio gastaram 21 mil reais no meu cartão. Compraram um Macbook Pro novo para o Capilé, o que só soube quando a fatura chegou”, lamenta Rolim.

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Uso de Facebook não faz o usuário feliz, diz um estudo

O uso da rede social prevê uma diminuição do bem-estar do usuário, de acordo com o estudo da Universidade de Michigan

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Publicado por EFE [via Gazeta do Povo]

As redes sociais contribuem muito para que as pessoas se sintam mais conectadas, mas seu uso não as faz, necessariamente, mais felizes, segundo um estudo de usuários do Facebook publicado nesta quarta-feira na Public Library os Science.

De fato, o uso do Facebook prevê uma diminuição do bem-estar do usuário, de acordo com o estudo da Universidade de Michigan (UM), que é a primeira pesquisa conhecida e publicada que examina a influência do Facebook na felicidade e na satisfação.

“Superficialmente, o Facebook proporciona um recurso valioso para a satisfação de necessidade humana básica de conexão social”, indicou o psicólogo social da UM, Ethan Kross, autor principal do artigo e docente associado no Instituto de Pesquisa Social (ISR) da universidade. “Mas, ao invés de realçar o bem-estar, encontramos que o uso do Facebook prevê o resultado oposto, solapa o bem-estar”.

“Isto é um resultado de importância crítica porque vai ao centro da influência que as redes sociais podem ter sobre a vida das pessoas”, acrecentou outro autor do estudo, o cientista cognitivo John Jonides, da UM.

Para o estudo, os pesquisadores recrutaram 82 adultos jovens, um grupo demográfico central dos usuários de Facebook. Todos eles tinham smartphones e contas de Facebook.

Os pesquisadores usaram a amostragem de experiência – uma das técnicas mais confiáveis para medir como as pessoas pensam, sentem e se comportam momento a momento na vida cotidiana – a fim de avaliar o bem-estar subjetivo dos participantes enviando mensagens de texto, ao acaso, cinco vezes por dia durante duas semanas.

Cada mensagem de texto continha um link para uma enquete cibernética com cinco perguntas: como se sente neste momento? Quão preocupado está? Quão solitário se sente neste momento? Quanto usou o Facebook desde a última vez que te perguntamos? Quanto interagiu “diretamente” com outras pessoas desde a última vez que te perguntamos?

O estudo mostrou que quanto mais as pessoas usavam Facebook durante um período, pior se sentiam depois.

Os autores também pediram aos participantes que qualificassem seu nível de satisfação com a vida no começo e no final do estudo. Encontraram que quanto os participantes ao longo de um período de estudo de duas semanas usavam o Facebook, mais diminuíam seus níveis de satisfação com a vida.

Algo que também é importante assinalar é que os pesquisadores não encontraram provas de que a interação direta com outras pessoas por telefone ou em encontros tête-à-tête influenciam negativamente no bem-estar.

Por outro lado, os pesquisadores descobriram que as interações diretas com outras pessoas faziam com que os participantes se sentissem melhor com a passagem do tempo.

dica do Jarbas Aragão

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Twitter pode definir sua personalidade a partir de 200 posts

ioRenato Cruz, no Estadão

SÃO PAULO – Você é o que você tuíta. Pelo menos é isso que mostra um sistema desenvolvido pela IBM, chamado de SystemU, que traça um perfil do usuário do serviço a partir de 200 publicações.

“A base da pesquisa é uma área da psicologia, chamado psicolinguística”, disse Jeffrey Nichols, gerente no Centro de Pesquisas da IBM Almaden, em San José, na Califórnia.

“A ideia é que as palavras que você escolhe quando escreve dizem alguma coisa sobre como você é como pessoa. Se passarmos essas palavras por algum processamento, é possível ter um quadro de como é sua personalidade, do que o motiva, e talvez, de um ponto de vista de negócios, dos tipos de produtos você estaria disposto a consumir.”

O SystemU ainda não está disponível comercialmente. Segundo Nichols, a tecnologia passa por um período de validação em algumas empresas, e estaria pronta para ser usada em larga escala até o final deste ano. Não está definido ainda como poderia se integrar à linha de produtos da IBM.

“Ela poderia ser oferecido no formato de software como serviço, já que funciona a partir de um navegador de internet”, disse o pesquisador, que visita o Brasil esta semana, e participa hoje de um evento da empresa em São Paulo.

Por enquanto, o sistema foi testado somente em inglês. Mas, teoricamente, funcionaria em outras línguas, incorporando dicionários eletrônicos já disponíveis. “Em português, a gente precisaria fazer um trabalho de validação”, explicou Claudio Pinhanez, gerente de Ciência de Serviços da IBM Research Brasil. “Rodar o sistema com uma amostra de perfis e verificar se os resultados estão de acordo com o esperado.”

Redes sociais. As pessoas publicam hoje muitas informações sobre si mesmas nas redes sociais.”Isso é uma coisa interessante especialmente sobre o Twitter, que é mais público que o Facebook, por exemplo”, disse Nichols. “Há uma oportunidade de usar essas informações para aprender mais sobre as pessoas.”

O SystemU gera, a partir das publicações do Twitter, uma classificação do perfil em um gráfico em forma de círculo, divido em áreas como personalidade, necessidades, valores e comportamento social. Cada uma delas tem algumas subdivisões.

Teste. Para exemplificar o sistema, Nichols usou seu próprio perfil do Twitter. “Tudo o que o preciso para a análise é uma amostra de texto. Neste caso, estou olhando para o meus tweets. O sistema mostra aqui, por exemplo, que sou bastante introvertido. Aparentemente também não sou tão agradável”, disse o pesquisador, rindo dos resultados.

Mas ele concorda com isso? “Vocês é que podem me dizer”, brincou. Nichols explicou que resultados como esses podem criar alguma resistência inicial ao serviço por parte dos usuários.

O sistema consegue dizer coisas sobre as pessoas que elas às vezes não estão dispostas a reconhecer. Por outro lado, a tecnologia tem potencial para ajudar as empresas a oferecer um atendimento muito mais personalizado, e a oferecer produtos que os consumidores realmente estejam a fim de comprar.

Identificação. Nichols começou a pesquisar mídias sociais há dois anos e meio. Antes, ele trabalhava com dispositivos móveis e internet móvel. “Uma das primeiras coisas que eu fiz, por volta de 2010, foi um sistema simples que recolhia informações do Twitter”, disse o pesquisador.

“Eu digitava palavras-chave e via o que as pessoas falavam a respeito delas. O sistema apresentava em gráficos o volume de publicações. Durante a última Copa do Mundo, via o que as pessoas falavam durante os jogos. Comecei a analisar a atividade durante grandes eventos, e me pareceu um meio de comunicação interessante.”

Ao mesmo tempo, Nichols ficou interessado em crowdsourcing, distribuir tarefas para um grande número de pessoas pela internet. “Na época, o que estava se tornando grande era a distribuição de microtarefas para massas. Pagar pequenos valores para que as pessoas realizem tarefas simples, como o Mechanical Turk (serviço da Amazon). Um dos problemas com esses serviços é que você não sabe quem os trabalhadores são.”

Imagens. Juntando o interesse a respeito das redes sociais e essa necessidade de identificar os usuários, Nichols teve a ideia de traçar um perfil das pessoas a partir do que elas publicam. Mas a identificação da personalidade pelos textos do Twitter é só o começo.

“Já trabalhamos num sistema que faz esse tipo de análise através de imagens, verificando as publicações do Instagram e do Pinterest”, disse o pesquisador.

dica do Marcos Florentino

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Mentiras sociais

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Por Pedro Doria, no O Globo

Nos últimos dois meses, por conta das manifestações, os brasileiros começaram a prestar mais atenção na informação que vem das mídias sociais. Em blogs, via Twitter, sites de vídeo ou Facebook, muita notícia circulou. As fontes, inúmeras. Imprensa tradicional, blogueiros com maior ou menor grau de influência, grupos ativistas e, até mesmo, informação sem procedência definida. Numa redação como a do GLOBO, parte de nosso trabalho é acompanhar toda pista que pode gerar notícia. O grande furo pode vir de qualquer parte: tanto de um telefonema anônimo quanto de uma ligação da presidente da República. Mas é impressionante o quanto daquilo que circula nas redes é, simplesmente, falso.

Dois exemplos claros. O primeiro, muito fácil de confirmar. O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho, seria casado com a filha de um dos principais empresários de ônibus do Rio. Não haveria qualquer crime aí. Uma das benesses de viver numa democracia ocidental no século XXI é que, cada vez mais, podemos realmente casar com quem quisermos. Só que é mentira. A história já circula há mais de ano, às vezes mais, outras menos. Não morre. É inteiramente falsa. Outra envolve o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa. Ele teria recebido uma imensa quantia de dinheiro como professor da Uerj, embora há muito licenciado para presidir o STF. Em algumas versões, a história vem até com documentos anexos. É mentira.

Não importa qual a simpatia ou a antipatia que possamos ter por uma ou outra figura pública. A essência do jornalismo é partir de fatos cuidadosamente comprovados. Não é um diploma que faz o jornalista. Não é o lugar onde trabalha. É o rigor.

Quando a comparação entre dois vídeos tentou comprovar que um policial militar infiltrado teria lançado um coquetel molotov durante uma das manifestações no Rio, passamos mais de um dia debruçados sobre ambos os filmes. Quadro a quadro, consultando peritos, tentando identificar junto à PM os homens em roupas civis que pareciam membros da corporação, traçando seu comportamento. No fim, os vídeos mostravam duas pessoas diferentes.

Não é um fenômeno único ao Brasil. Quando bombas explodiram durante a Maratona de Boston, circularam inúmeras histórias falsas. Entre elas, uma tentava, comparando foto a foto, relacionar pessoas inocentes com os terroristas. Algo assim pode fazer um estrago grande na vida de uma pessoa.

Quando se discute uma guerra entre a nova e a velha mídia, o argumento está deslocado. Esta é uma discussão de todo irrelevante. Tenta trazer, para o centro da conversa, a tecnologia na qual cada um se baseia. Para o jornalismo, o que importa não é o meio utilizado para veicular informação, não é a idade de quem o pratica, ou mesmo a origem profissional. O que importa é apenas o jornalismo. E jornalismo dá trabalho de fazer além de, infelizmente, custar muito tempo e dinheiro.

No início do século, havia uma forte discussão a respeito de blogueiros. Blogs independentes, um exército de profissionais liberais que, à noite, de pijamas, apurariam e contariam nova informação, talvez substituíssem o papel da imprensa tradicional. Não aconteceu. Grupos que nasceram deste processo, dos quais o mais conhecido é o Huffington Post, acabaram se organizando como a imprensa tradicional. Reuniram redações, com editores experientes, repórteres que passam parte do dia pendurados no telefone, a outra parte na rua com gravador ou câmera na mão. O produto final que fazem tem um sabor diferente do jornalismo tradicional. Talvez sejam até mais íntimos do mundo digital. Mas o método de fazer jornalismo, de levantar informação, confirmar, pacientemente averiguar, é o mesmo, bom e velho.

As manifestações que encheram as ruas brasileiras foram produto das mídias sociais. Quem apenas se informou a respeito delas pelas redes, porém, recebeu um misto de suposições, verdades, mentiras. Quem filtra o todo? Não é uma pergunta que tenha resposta. Minha suposição é bem mais simples. O jornalismo tradicional não morrerá. Porque sem rigor informativo nenhuma democracia se sustenta.

dica do Ailsom Heringer

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