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A barragem: porque algumas pessoas são curiosas o bastante para proteger-se da produção cultural da sua época

imagem: Internet

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Paulo Brabo

Alienar-se de quê?

Das lembranças que trago da Era Offline esta não é pequena: a sensação de correr ativamente atrás da cultura de massa, de ansiar por ela, de jogar-me no seu caminho, de implorar que ela se despejasse sobre mim – em vez de, como hoje, viver perseguido pela produção cultural na muralha perpetuamente autorregenerada de links da internet, cada um deles redigido para ter maior sucesso em me seduzir e desencaminhar o meu clique.

Naqueles dias, jovens padawans da Era Online, a cultura era já massificada, mas a distribuição era artesanal. Você e a cultura eram amantes separados pelo destino, e cabia sempre a você cobrir a distância. Você é que ficava sentado diante do sinal de teste da televisão, aguardando que a máquina saísse do coma e o único canal disponível (o único concebível) desse sinais de vida. Você é que se submetia como um garimpeiro a quatro horas de música genérica no rádio até ser premiado, quem sabe, com a música que queria ouvir. Você é que pagava para assistir no cinema a um filme do qual não sabia nada além do título.

A cultura queria você, mas você tinha de ir até ela. Para não perder o bonde da produção cultural você andava a pé, pegava ônibus, esperava na fila, ia até a banca de revistas, grifava catálogos, assinava revistas, devassava livrarias, colocava o despertador para não perder às duas da manhã O monstro da Lagoa Negra na televisão, gravava em fitas cassete uma seleção das músicas do rádio, esperava que aquela encomenda chegasse pelo correio, fazia reservas na videolocadora, escrevia cartas, recortava tirinhas de jornal, emprestava livros da biblioteca e lia quadrinhos sem qualquer esperança de que um dia chegassem a filme.

Não há como enfatizar demais este ponto: se você não perseguisse deliberadamente a cultura, podia muito bem não ser encontrado por ela. Nenhum email, nenhum torpedo, nenhum link, nenhum vídeo viral, nenhum selfie, nenhuma foto de gatinho, nenhum meme, nenhum spam, nenhuma animação engraçadinha, nenhum vídeo de proposta de casamento, nenhum coral cantando ópera na área de alimentação, nenhum clipe de música, nenhuma história edificante sobre o cachorro que visita o túmulo do dono, nenhum vídeo de pegadinha, nenhum artigo “vinte coisas que”, nenhuma foto da festa da Amanda, nenhuma frase motivacional, nenhum powerpoint com fotos da Itália e trilha sonora de André Rieu – nenhum conteúdo não solicitado iria perturbar o seu dia. A sua semana. A sua vida.

E não, minha tese não é que aquele modo de vida era superior, embora esteja longe de crer que era inferior só pela contingência de ter sido substituído. Faço essa recapitulação para lembrar que ficou mais difícil não ser encontrado pela cultura. Mais precisamente: alguém que queira por alguma razão manter-se à margem da produção cultural dos nossos dias deve fazê-lo ativamente, quando um certo ascetismo cultural era a modo de vida padrão durante a Era Offline.

E se toco no assunto é devido a uma curiosidade: o fato de que, mesmo antes da televisão e da internet e da sociedade do espetáculo e do fascismo das mídias sociais, algumas pessoas achavam importante erguer uma barreira que as protegesse da produção cultural do seu próprio tempo. E o fundamental é que erguiam essa barragem não para serem poupados de coisas interessantes, mas para poderem dedicar-se a elas.

Jorge Luis Borges: hoje é um lugar que não existe

Um dia me cabe escrever um livro sobre todos os modos com que Borges me surpreendeu e desarmou1, mas este ponto não creio ter articulado antes: Borges, que nasceu em 1899 e morreu em 1986, escrevia (isto é, vivia, falando de Borges) como se o século XX para todos os efeitos não existisse.

Borges não pode ser acusado de ter um leque limitado ou convencional de interesses, mas se dermos ouvido ao seu próprio testemunho (ou falta dele), a produção cultural do seu próprio tempo parece ter feito pouco para despertar a sua paixão.

Eu nunca tinha levado para a cama alguém como Borges, que parecia sinceramente acreditar que os contos das Mil e uma noites e os episódios da Divina Comédia são não apenas melhor literatura, mas essencialmente mais atraentes – mais criativos, mais bem amarrados, mais cheios de ressonância, mais interessantes – do que todos os romances dos autores contemporâneos a que eu dava atenção.

E se o cara estivesse certo? E se eu devesse dar mais atenção a Luciano de Samóstasa do que a Stephen King? E se a literatura sufi do décimo segundo século contivesse maior lastro criativo e melhor compreensão da psicologia humana do que Duna, de Frank Herbert? E se Pedro Antonio de Alarcón pudesse me levar mais longe do que Isaac Asimov? Ray Bradbury eu tomava por um deus das letras, mas eu havia por acaso lido a ficção de Chesterton? William Beckford? Gustav Meyrink? Giovanni Papini? Shakespeare? Enquanto eu estava lendo ensaios de Carl Sagan e de Umberto Eco, Borges estava lendo Menendez & Pelayo, Arthur Schopenhauer, Edward Gibbon, Benedetto Croce, Emmanuel Swedenborg, Walt Whitman, George Berkeley, David Hume, Oscar Wilde, Henry James, Samuel Coleridge, Pu Songling, Pirandello, Platão, Plotino e Plutarco – e de repente me era clara a sensação de que eu estava perdendo alguma coisa, não ele2.

É raro que Borges mencione numa luz positiva autores mais recentes do que Franz Kafka, que morreu em 1924, ou Gustav Meyrink, que morreu em 1932. De qualquer modo, ele acreditava que a leitura mais excelente estava oculta nas catacumbas da literatura mundial dos séculos que nos precederam. Supor que a produção cultural contemporânea seja inevitavelmente superior a tudo que veio antes, supor que a excelência literária coincidirá arbitrariamente com a época em que estamos vivos, supor que o que é interessante no presente pode tornar o passado menos interessante – essas posturas Borges tomava por infantis, provincianas e, mais importante, infundadas.

Borges inaugurou para mim o grande escritor para quem o presente é, em termos relativos, tão desinteressante que não merece menção. Foi o primeiro cara (mais tarde descobri que Tolkien tinha posturas e prioridades semelhantes) que percebi ter erguido deliberadamente uma barragem de contenção, uma muralha que o protegesse da efervescente produção cultural contemporânea, de modo a ficar livre para saborear em paz o vinho excelente das safras anteriores. Continue lendo

‘Eu me sinto miserável cada vez que entro no Facebook’

Leoa de estimação em cima da Ferrari do @shyooo5y

Leoa de estimação em cima da Ferrari do @shyooo5y

Mirian Goldenberg, na Folha de S.Paulo

Tenho me deparado com uma nova realidade que atinge homens e mulheres de todas as idades: o fantástico mundo do Facebook.

É no Facebook que muitos buscam novos e antigos amores, fazem amigos, registram as coisas mais banais e, principalmente, encontram o reconhecimento que tanto procuram.
Uma atriz de 32 anos contou: “O meu ‘Face’ é uma espécie de diário. Nele coloco tudo o que acontece no meu dia, desde os momentos mais divertidos até as maiores bobagens. Quando mudo a minha foto do perfil, dezenas de amigos dizem que sou linda. Escrevo uma frase boba e muitos curtem. No dia do meu aniversário, centenas de amigos enviam mensagens carinhosas dizendo que sou especial e querida. É uma injeção maravilhosa no meu humor e na minha autoestima”.

Não é à toa que muitos ficam conectados durante muitas horas do dia, buscando algum tipo de diversão, elogio ou reconhecimento.

Um analista de sistemas de 43 anos disse:

“Estou viciado no Facebook. É um paraíso sexual. Nunca foi tão fácil encontrar mulheres para transar e namorar. Nem preciso me esforçar para seduzir; basta mostrar algum interesse e fazer um elogio. É tudo muito direto, rápido e fácil. Além de ser muito fácil deletar quem não me interessa mais”.

No entanto, não funciona assim para todos. Muitos ficam angustiados ao se compararem com a felicidade alheia ou ficam frustrados com o tipo de relacionamento que encontram.

Um empresário de 39 anos disse: “Eu deletei meu perfil do Facebook. É muita gente idiota, infantil, exibicionista, carente, competindo para ver quem tem mais amigos ou recebe mais curtidas. É ridículo ver alguém que tem 5.000 amigos no Facebook e não tem um amigo de verdade. Além de ter muita gente grosseira, mal-educada e desagradável. É uma verdadeira egotrip, além de ser completamente ‘fake’”.

Uma professora de 57 anos reclamou: “Eu me sinto miserável cada vez que entro no Facebook. Quanto mais tempo fico, mais deprimida eu me sinto. Vejo minhas amigas felizes, magras e lindas, viajando para lugares incríveis com os maridos e filhos, empolgadas com novos projetos. Cada vez que entro no Facebook me sinto mais insatisfeita com a minha vidinha solitária, medíocre e banal. Será que só eu tenho uma vida de merda?”.

Menina com cicatrizes no rosto é expulsa de restaurante por ‘assustar clientes’ nos EUA

Publicado no Extra

Responsáveis pela rede de fast-food KFC estão investigando o caso de uma menina de 3 anos que foi expulsa de uma unidade do restaurante, por ser estar “assustando clientes”, em Jackson, no Mississippi (EUA), na última semana. Victoria Wilcher tem cicatrizes no rosto depois de ter sido atacada por um cachorro. Através do Facebook, a família da criança denunciou a conduta dos funcionários do estabelecimento, que pediram a saída da pequena do local. As informações são do The Mirror.

Em abril deste ano, a pequena Victoria perdeu o olho direito e ficou com cicatrizes na boca e no nariz após ter sido vítima de um cão da raça pitbull. A família da menina que, desde então, tem usado uma conta no Facebook para narrar os progressos dela, usou o espaço para protestar contra a situação vivida por eles.

 

A menina perdeu o olho direito no ataque de um pitbull
A menina perdeu o olho direito no ataque de um pitbull Foto: Reprodução / Facebook / Victoria’s Victories

 

“Será que este rosto parece assustador para você? Na semana passada, no

"Esse rosto te assusta?", escreveu a mãe da menina no Facebook Foto: Reprodução / Facebook / Victoria’s Victories

“Esse rosto te assusta?”, escreveu a mãe da menina no Facebook Foto: Reprodução / Facebook / Victoria’s Victories

KFC de Jackson, em Mississippi, este rosto precioso foi convidado a sair do local, porque estava assustando os clientes. Eu nunca mais vou por o pé em outro KFC e, pessoalmente, escreverei (sobre o caso) para o CEO da empresa”, escreveu a mãe da menina na rede social.

Após a publicação ter sido amplamente compartilhada entre internautas, responsáveis pela rede de restaurantes afirmaram que uma investigação sobre o incidente foi iniciada e que seria levada “muito a sério”.

“Temos tolerância zero para qualquer tipo de ações ofensivas ou desrespeitosas para com os nossos clientes. Nossa investigação está em curso. Estamos em contato com a família e estamos empenhados em fazer algo apropriado para esta linda menina e sua família”, informou o porta-voz da companhia Rick Maynard.

 

Victoria ao lado do pai Foto: Reprodução / Facebook / Victoria’s Victories

Victoria ao lado do pai Foto: Reprodução / Facebook / Victoria’s Victories

Você ainda acredita na instituição igreja?

UN GOSPEL W ASSAFAriovaldo Ramos

Há muitas críticas sobre a dimensão institucional da Igreja Evangélica. Você ainda acredita na instituição igreja? Se sim, como salvá-la?

A igreja é criação de Jesus. Em Mt 16.18, Jesus disse que edificaria a sua Igreja. Naquele tempo, Igreja significava um grupo de pessoas em torno de alguém, ou de ideias, ou de ambas.

Jesus falava de um grupo de pessoas que cressem ser ele Deus, que viera em carne e osso, para libertar a humanidade. Disse que trabalharia nessa Igreja, de tal maneira, que esta atacaria as portas da morte, libertando seres humanos que, por ele, seriam ressuscitados no último dia.

Estas pessoas, membros da Igreja, seriam trazidos ao Filho pelo Pai, por meio de uma revelação sobre a natureza divina e libertadora do Filho. Portanto, gente que adoraria ao Filho como Deus.

A Igreja é a consolidação desse grupo de Jesus, pelo Espírito Santo, por seu batismo e habitação, desde o Pentecostes.

O Espírito Santo disse que a Igreja é o corpo do Senhor, por meio do qual Jesus exerce a seu governo sobre todas as coisas. Que a Igreja é a casa de Deus, e o santuário onde Deus é adorado.

Nas palavras de Jesus, a Igreja assume um perfil relacional: onde dois ou três estiverem reunidos em nome de Jesus, ele estará entre eles; e sacerdotal: se dois concordarem na terra será feito no céu.

Na ação do Espírito Santo, a Igreja assume um perfil operacional: todos os seus membros são cumulados de dons, de capacidades especiais para operar prodígios, assim, há, também, membros dessa comunidade que são destacados pelo Espírito Santo para prestar serviço para a Igreja, sem, com isso, ganhar qualquer posição hierárquica; todos continuariam a se ver e a se tratar, apenas, como irmãos.

Na voz do Cristo, essa Igreja assume uma característica missional, ela tem de levar o conhecimento do Cristo e dos seus ensinos a todos os povos, tem de batizar os que, a exemplo do que aconteceu com os primeiros, forem recebendo a mesma revelação sobre Jesus de Nazaré.

E, nessa missionalidade, a Igreja tem de manifestar a presença do Reino, na história, por meio do serviço aos demais, através de obras boas, que provoquem transformações nas circunstâncias, e dêem direção para a sociedade.

Na perspectiva dos apóstolos, a Igreja passa a necessitar de estrutura mínima, que garanta as condições para que está se organize em função de sua missão. Daí, presbíteros, para que as pessoas, no exercício de seus dons, não percam o foco missiológico, transformando as capacidades que receberam em fim em si mesmas.

Não pode, outrossim, a Igreja se permitir a ser uma confraria fechada, um refúgio. Ela tem de se manter uma comunidade para a humanidade, sonhando com o dia em que toda humanidade seja Igreja. Daí, diáconos que garantam a igualdade entre irmãos e que promovam o senso de comunidade pela partilha e pelo acolhimento.

E como essa comunidade é um contingente geográfico, para além de ser uma comunidade virtual pelo Espírito Santo, ela tem de se reunir, e essas reuniões precisam manter-se relacionadas umas às outras.

Com o passar dos séculos esta estrutura deixou de ser mínima, e de manter a igualdade, passando á privilegiar a hierarquia, e a reconhecer apenas poucos como sacerdotes, embora, o sacerdócio seja universal. E a estrutura acabou por sequestrar a Igreja.

Nossa tarefa, hoje, é fazer que a estrutura volte aos moldes originais, que volte a ser o mínimo necessário para que a Igreja, a comunidade, seja o máximo possível.

fonte: Facebook

App revisa sua atividade no Facebook em 30 minutos

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Publicado na Revista Galileu

Kaspersky, de cujo antí-vírus você já deve ter ouvido falar, lançou uma ferramenta interessante pra quem tem interesse em monitorar a própria atividade no Facebook e especialmente garantir a própria segurança nas redes sociais. É o Friend or Foe. Para usar, basta se conectar usando o Facebook e esperar cerca de 30 minutos até que os dados sejam compilados devidamente.

A aplicação compila uma porção de dados sobre seus hábitos e relacionamentos no Facebook. Muitas servem só como curiosidade, como por exemplo uma função que exibe sua idade de acordo com os seus amigos do Facebook – isso é, a média de idade deles -, ou a que mostra os usuários que mais interagem com você. Outras são úteis pra verificar quem são aqueles contatos que nunca postam nada (você realmente os conhece) e chamam a atenção pras fotos em que você foi marcado, pra sua atividade de busca e tudo mais.

A ideia é ver quem são seus amigos de verdade e quem são os spammers e ficar esperto com nossos contatos na rede, mas a função real do app é mais saciar a curiosidade sobre os hábitos nossos e dos nossos amigos no Facebook.

O Friend or Foe está disponível em português, é grátis e é um dos infográficos interativos mais completos sobre a nossa atividade na rede social – se você não usar pra sua segurança, ao menos vai certamente se interessar pelos resultados curiosos.