26 momentos que restauraram nossa fé na humanidade em 2012

Publicado por BuzzFeed [via Tá me zuando?]

Às vezes precisamos de um lembrete de que as pessoas podem fazer coisas maravilhosas.

1. Os pais deste menino transformaram a cadeira de rodas dele na fantasia mais legal de Halloween.

1

2. Scott Wydak tem Síndrome de Down e sofre de hepatite.  Scott adora receber cartas e seu sobrinho Sean divulgou sua caixa postal no Reddit (uma mistura de rede social com fórum) e os usuários do site enviaram centenas de cartas, pacotes e presentes para Scott.

1

1

Via: mashable.com
Via: mashable.com

1

3. O gesto de bondade de uma pessoa desconhecida fez com este carro não fosse inundado em um dia de chuva.

Via: i.imgur.com
Via: i.imgur.com

4. O médico que ofereceu atendimento médico gratuito após o furacão Sandy.

Via: shortformblog.com
Via: shortformblog.com

5. E outas pessoas que ajudaram como puderam, como compartilhar a energia elétrica para que as outros pudessem recarregar os celulares e falar com seus familiares.

Via: facebook.com
Via: facebook.com

6. Pessoas que fizeram doações para quem foi atingido pelo furacão.

Via: reddit.com
Via: reddit.com

7. Ou que ajudaram a salvar vidas.

Via: @ andjustice4some
Via: @ andjustice4some

8. Empregados de um hospital fizeram uma corrente humana para passar galões de combustível por 13 lances de escadas até o gerador reserva do Hospital Bellevue em Nova York.

Via: facebook.com
Via: facebook.com

9. Um casal mais velho se colocando na lugar de um casal mais novo.

Tradução do bilhete: “Gostaria de me oferecer para cuidar do seu bebê para que vocês possam almoçar fora, mas meu marido disse que eu pareceria uma stalker (alguém que fica perseguindo, no caso, no intuito de roubar a criança). Então, eu comprei o almoço para vocês. Aproveitem este lindo bebê. Somos pais de adolescentes, então sabemos o que o futuro reserva para vocês. Aproveitem o máximo que puderem.”

Via: i.imgur.com
Via: i.imgur.com

10. Uma criança da Líbia que não acredita no ódio.

Via: facebook.com
Via: facebook.com

11. Pais que tatuaram uma bomba de insulina na barriga para que seu filho diabético não se sentisse diferente.

Via: 4.bp.blogspot.com
Via: 4.bp.blogspot.com

12. Um policial de Nova York que, em uma noite fria e chuvosa, ao ver um morador de rua de pés descalços, calça em seus pés um par de meias e botas.

Via: facebook.com
Via: facebook.com

13. Policiais que realizaram o sonho de Gage Hancock-Stevens, um menino de 13 anos e cego, de ser policial por um dia.

1

Via: millcreekmultimedia.com
Via: millcreekmultimedia.com
Via: millcreekmultimedia.com
Via: millcreekmultimedia.com

Eles ainda o presentearam com um bolo.

Via: millcreekmultimedia.com
Via: millcreekmultimedia.com

(mais…)

Leia Mais

Hora da compaixão

Marília César

Karen Armstrong: “A compaixão pede que não nos coloquemos numa categoria especial. Pede que nos retiremos do trono e ali coloquemos o outro”

No dia 25 de dezembro, quando boa parte das famílias do Ocidente estiverem reunidas para celebrar o Natal, a escritora britânica Karen Armstrong estará sozinha. Sem peru nem ceia, sem presentes nem árvore de Natal, ela pretende simplesmente confraternizar com seu trabalho, que inclui consultorias e conferências na área de religião comparada. Aos 68 anos, Karen é uma das mais prestigiadas autoras de livros sobre a fé. Entre seus mais de 20 títulos estão best-sellers como “Uma História de Deus”, “A Bíblia, uma Biografia” e “Jerusalém: Uma Cidade, Três Religiões”.

“Não tenho família. Estarei sozinha. Não me importo, porque posso ter tempo para trabalhar”, conta Karen, que acaba de lançar no Brasil seu último livro, “12 Passos para uma Vida de Compaixão” (Paralela), obra que pretende despertar um jeito de viver mais compassivo em seus leitores.

Para Karen, o Natal deveria nos levar de volta aos momentos mágicos da infância e a refletir mais sobre os sem-teto, uma vez que a história do nascimento de Jesus começa com um casal de refugiados que não encontra abrigo nas hospedarias de Belém. Mas o consumismo, marca de um mundo “dominado pelo mercado”, tira o brilho natalino, o que não impede o Ocidente de parar por uma noite a fim de celebrar a chegada de Jesus. Para a escritora inglesa, que foi freira durante sete anos e formou-se em literatura pela Universidade de Oxford, a mensagem cristã reverbera ainda hoje porque Jesus foi um autêntico praticante da Regra de Ouro – “não faça ao outro aquilo que você detesta” – ensinando-a, na verdade, em sua versão positiva – “faça aos outros o que gostaria que eles lhe fizessem”.

Os primeiros passos de Karen rumo ao mundo religioso foram dados aos 17 anos, quando entrou para um convento católico na Inglaterra. Viveu sete anos de conflito pessoal e espiritual e decidiu desistir da vida restritiva de sua ordem religiosa em 1969. Nunca havia ouvido falar de Beatles nem da guerra do Vietnã. Questionou sua fé, formou-se, lecionou literatura na Universidade de Londres e se reencontrou com a religião ao escrever seus livros. “Monoteísta freelancer”, Karen também tem títulos sobre Maomé e Buda e defende o diálogo religioso.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao Valor.

Valor: Ao olharmos para nosso mundo, como a senhora sugere no segundo passo de seu livro mais recente, encontramos uma sociedade que realiza façanhas no campo da ciência e da tecnologia, mas com poucos gênios espirituais. O fascínio da ciência calou a voz dos pensadores da espiritualidade?

Karen Armstrong: Sim, o desenvolvimento da ciência no fim do século XVII tornou o pensamento religioso difícil para as pessoas. Apesar do brilhantismo tecnológico, o pensar religioso é subdesenvolvido, primitivo. Lemos os textos sagrados, por exemplo, com uma literalidade que é sem paralelo na história da religião.

Valor: Por que a vida de Jesus teve o poder de marcar tão profundamente a humanidade?

Karen: Certas pessoas parecem simbolizar o que o ser humano pode ter de melhor. Jesus é uma dessas pessoas, para muita gente. Vemos nos Evangelhos alguém que é muito humano e corajoso, sempre pronto a desafiar o sistema e derrubar barreiras, alguém que sai de seu caminho para praticar a compaixão pelos outros, até para pessoas que não são tão boas ou merecedoras. Mas Jesus é apenas uma dessas figuras paradigmáticas. Confúcio, Buda e Sócrates, todos têm um efeito parecido nas pessoas.

“Temos que amar o estrangeiro, nossos inimigos, e alcançar todas as tribos e nações. Isso não é nada fácil de fazer, requer um esforço diário”

Valor: No período do Natal as pessoas se predispõem mais a ter atitudes compassivas, a reconciliações e ao perdão?

Karen: Penso que é um período no qual as famílias se reúnem e nos lembramos dos Natais mágicos que tivemos na infância. Mas também é verdade que as pessoas podem fechar as portas para o resto do mundo nessa época. Não tenho família. Estarei sozinha neste Natal. Não me importo, porque posso ter tempo para trabalhar. Se há momentos nos quais somos inclinados ao perdão e à reconciliação, eles são superficiais, porque não sobrevivem à época do Natal. Penso que a fúria consumista do Natal é estressante. Não se trata de hipocrisia, apenas uma marca de nossa sociedade dominada pelo mercado. A história do Natal deveria nos fazer refletir sobre os proscritos. Ela fala dos refugiados da crueldade, da pobreza e da falta de um teto. Da falta de um lugar na hospedaria.

Valor: A “Bíblia” diz que Jesus se relacionou com pessoas consideradas impuras e odiosas pela sociedade da época, como os cobradores de impostos, as prostitutas e os leprosos. Se andasse pelas ruas de Jerusalém hoje, para quem ele olharia com maior compaixão?

Karen: Creio que gostaria de alcançar todos os judeus e palestinos em Jerusalém que perderam seus amados na luta, os que foram feridos, emocional e fisicamente por anos de guerra. Pediria aos extremistas dos dois lados que o coração deles não ficasse pesado pelo sofrimento, mas que vissem que o outro lado também está sofrendo. Pediria ao povo judeu que se lembrasse como se sentiu quando eles mesmos perderam sua terra, quando estiveram sem teto e privados de tudo – e que deixassem que essa lembrança conduzisse o seu jeito de lidar com os palestinos, que hoje passam por experiência semelhante. Que se lembrassem de Hilel, contemporâneo mais velho de Jesus, que resumiu toda a lei judaica desta forma: “Aquilo que detestas, não faça ao seu próximo. Esta é a ‘Torá’, o resto é comentário”. Jesus pediria aos israelenses para aplicar esse ensinamento à situação política atual. Também lembraria aos palestinos os sofrimentos que os judeus experimentaram na Europa no século XX, trauma que está vivo. O sofrimento e o medo distorcem a maneira como respondemos a uma situação. Jesus pediria às pessoas que olhassem para toda a dor que já experimentaram e que se lembrassem de que seus “inimigos” também estão sofrendo. (mais…)

Leia Mais

Usuários de crack conseguem deixar a droga com a ajuda da fé

Rafael Garcia: livre do crack com a ajuda de projeto da Igreja Batista
Rafael Garcia: livre do crack com a ajuda de projeto da Igreja Batista

Carolina Heringer e Herculano Barreto Filho, no Extra

Até abril deste ano, Rafael Henrique Garcia era mais um entre centenas de usuários de crack amontoados pelos becos e trilhos em Manguinhos e no Jacarezinho. Três meses depois, voltou às favelas usando camisa amarela com “Jesus” estampado no peito. Desta vez, para livrar pessoas do vício. Reabilitado pela fé, Rafael foi mero espectador da ocupação policial no último dia 14, nas comunidades onde era consumido pelo vício.

Fumava crack na linha do trem. Uma vez, após comprar duas pedras, caiu num valão com água podre. Assustado, ergueu os braços. Saiu de lá sujo, mas se achando vitorioso por salvar a droga.

Em Manguinhos, ouvia histórias de traficantes, que intimidavam os usuários com histórias sobre porcos alimentados com carne humana. Devedores e X-9 — informantes da polícia — viravam comida de porco, diziam.

Educadoras conduzem uma usuária de crack em Madureira
Educadoras conduzem uma usuária de crack em Madureira

Rafael perambulava entre o abrigo da prefeitura em Paciência, na Zona Oeste, e as cracolândias quando foi preso, em abril, por roubar um pote de creme cosmético. Voltou às ruas em 8 de junho. Dois dias depois, aceitou um convite de missionários da Cristolândia, programa da Igreja Batista para recuperar viciados. Entrou na igreja com uma camisa suja, uma bermuda feminina e chinelo em apenas um pé.

Rafael havia sido expulso da casa dos pais, em Penápolis, São Paulo, aos 16 anos, ao assumir sua homossexualidade. Depois, se prostituiu, travestido, e usou todo tipo de droga. Só mudou de vida aos 33, a idade de Cristo.

— Você acredita que um abraço mudou a minha história? Jesus me aceitou do jeito que eu era. Senti que poderia ser útil — conta.

O mesmo poder da fé que resgatou Rafael livrou Carlos Eduardo Jorge da Rosa, 43 anos, do vício de mais de duas décadas. Nascido no Paraná e criado em São Paulo, experimentou o crack em 1989 e nunca mais parou. Depois de 30 recaídas, Carlos está limpo há cinco meses na Cristolândia.

— Precisava me afastar de São Paulo para conseguir. É difícil, mas está dando certo. Dia após dia — comemora.

Funcionário da secretaria observa uma jovem acolhida em Madureira
Funcionário da secretaria observa uma jovem acolhida em Madureira

A ocupação do Jacarezinho e Manguinhos trouxe à tona a realidade das cracolândias. Para os educadores da Secretaria municipal de Asistência Social, que têm a missão de levar os usuários para abrigos, a mazela é velha conhecida. Há dez anos, a assistente social Mara Ruth, de 40, percorre as ruas da cidade.

Após acompanhar a epidemia da cola e solvente, entre 2000 e 2009, há um ano convive com a dura realidade do crack. Conhecida nas ruas, tem facilidade de se aproximar dos usuários.

Funcionário da Secretaria de Assistência Social com um usuário de crack
Funcionário da Secretaria de Assistência Social com um usuário de crack

— Muitos, inclusive, já me procuram pedindo ajuda. Crio um vínculo para passar confiança — revela.

O educador Thiago Correia, de 27 anos, está há dois anos nas ruas. Mas, descolado, facilmente se integra aos usuários, na tentativa de convencê-los a serem acolhidos:

— Para cada situação que encontramos, é uma estratégia. Não tem jeito certo de abordar. Há pessoas que só querem um abraço. Esse trabalho é uma escola de vida.

fotos: Fabiano Rocha / Extra

Leia Mais