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‘Eu era um hipócrita’, diz ex-estrela mirim de ‘Two and a Half Men’

Angus aparece de barba em entrevista (foto: Reprodução)

Angus aparece de barba em entrevista (foto: Reprodução)

Publicado na Folha de S.Paulo

O ator Angus T. Jones, ex-estrela mirim da série “Two and a Half Men”, voltou a falar mal do programa e disse que ele se sentia um “hipócrita pago” ao seguir trabalhando no programa.

Há pouco mais de um ano, Jones, que é ligado à Igreja Adventista do Sétimo Dia, disse que “odiava” a série e pediu às pessoas que parassem de assisti-la.

De lá para cá, o papel do ator como o personagem Jake foi reduzido drasticamente. Ele foi tirado do elenco fixo do programa e se tornou um personagem recorrente —mesmo assim, Jake não apareceu em nenhum episódio da atual temporada de “Two and a Half Men”.

Por isso, Angus T. Jones tem se concentrado nos estudos e em divulgar sua fé cristã, que ele diz ter entrado em conflito com sua atuação no programa.

“Era difícil para mim estar na série e ser parte de algo que estava tirando sarro de tópicos do nosso mundo, onde realmente existem problemas para muitas pessoas”, disse Jones na mais recente entrevista, a uma rede de TV local de Houston, nos Estados Unidos.

“Eu era um hipócrita pago, porque não concordava com isso [atuar em 'Two and a Half Men'] e ainda estava fazendo.”

No sábado (15), Jones discursou a paroquianos de uma igreja em Houston. Ele tem viajado pelos EUA para divulgar a Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Mesmo assim, o ator afirmou se sentir mal por ter criticado abertamente “Two and a Half Men” e seu criador, Chuck Lorre.

“[A série] era tipo o bebê dele, e eu falei muito mal do bebê dele. Por isso, eu me arrependo, mas fora isso, não retiro nada do que disse.”

dica do Ailsom Heringer

Lavagem de roupa suja

megafone

Publicado por Piero Barbacovi

Dizem para eu me calar quando falo que Deus é frágil. Sim, no amor, ele é. E isso não o diminui, pelo contrário, apenas descreve sua grandeza: o poder mais maravilhoso do universo não usa da coerção para nos atrair. Não precisamos de mais do mesmo. Devemos ter coragem de enfrentar o mundo real, que não conta com grandes intromissões. Precisamos de amor, não de milagres.

Dizem para eu me calar quando afirmo que Cristo não veio nos salvar apenas para o post mortem. Essa visão empobrece a mensagem do Mestre e joga para o depois do fim o processo que deveria salvar as pessoas ainda dentro da história. Ricardo Gondim já falava:

“A alvissareira mensagem do evangelho anuncia que não basta salvar os indivíduos de si mesmos, eles precisam ser salvos para o próximo; não basta salvar os indivíduos do diabo, eles precisam ser salvos para não demonizar as relações sociais; não basta salvar os indivíduos do mundo, eles precisam ser salvos para voltar ao mundo e salgá-lo”.

Dizem para eu me calar quando falo que o determinismo diante da vida não faz sentido. Se fizesse, seus apoiadores levariam suas crenças até as últimas consequências. Porém, quando se trata de terrorismo, estupros, desgraças, favelas, diante da incongruência de seus raciocínios,  o que se vê são abacaxis de responsabilidade sendo jogados para cima de Deus, que, para financiar a história, orquestra horrores como etapas necessárias para cumprir uma vontade soberana. Um deus permissivo, cínico, cruel e maquiavélico não merece ser adorado.

Dizem para eu me calar quando falo que pressupostos doutrinários tidos como verdades absolutas, e sem reflexão crítica, devem ser repensados. Nossos religiosos escolheram compreender Deus a partir da onipotência. Se tivessem prestado mais atenção ao que a revelação do amor indica, com certeza teríamos menos pessoas destrocadas pela fé. Caso assim seja, estou com Marx: “a religião é o ópio do povo”, uma vez que incentiva a inoperância e a indiferença do homem diante da vida, dos seus problemas e de suas injustiças. Usando o fatalismo como bengala, instiga à acomodação.

Dizem para eu me calar quando digo que alguns religiosos são antiéticos, egoístas e exploradores, que só pensam no sucesso de suas empresas (igrejas), mercadejando milagres. Cético, não acredito mais em depoimentos de curas veiculados pela TV. Se fossem assim, tão cheios do Espírito Santo, estariam nos corredores superlotados dos hospitais, ajudando nosso Governo na sua patética tarefa de cuidar da saúde.

Não vou me calar, pois sei do poder transformador que cada um tem dentro de si e porque sempre fui adepto ao trabalho de formiguinha: se cada um faz sua parte, as coisas dão certo. Podem me chamar de ingênuo, mas vou continuar protestando por menores salários de deputados, por melhor aplicação dos impostos em saúde e segurança, por ciclovias, melhores transportes públicos e maior acessibilidade, e, em qualquer circunstância, pela educação (sem ela, todas as outras coisas perdem sentido).

Não vou me calar diante da espiritualidade morta e inoperante, que tenta tirar dos ombros a nossa responsabilidade de mudar a realidade; diante de religiões que começam e terminam em si mesmas; diante de doutrinas, teorias ou dogmas que sirvam para enganar pessoas, enriquecer a poucos e asfixiar muitos.

Não vou me calar. Vou sujar minhas mãos um pouco. Podem até me chamar de sonhador, esquerdista, betésdico ou o que for, mas sei que todos estamos com a faca e o queijo na mão. Tem pra todo mundo. Vou cortar o meu pedaço.

Rachel Sheherazade: “A fé é 100% importante”

A jornalista Rachel Sheherazade, 40, posa sobre a bancada do "SBT Brasil", jornal que apresenta há quase 3 anos (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

A jornalista Rachel Sheherazade, 40, posa sobre a bancada do “SBT Brasil”, jornal que apresenta há quase 3 anos (foto: Adriano Vizoni/Folhapress)

título original: Rachel Sheherazade, do SBT, diz que se decepcionou após votar em Lula

Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo

O Uruguai virou “sócio de traficantes” ao regulamentar o comércio da maconha. A defesa do Conselho Federal de Medicina à legalização do aborto é “abominável”, e possivelmente está criando “um novo nicho de mercado” para a classe médica.

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São algumas das ideias da jornalista Rachel Sheherazade, 40, que há quase três anos é paga para falar o que pensa no “SBT Brasil”, jornal das 19h45, do qual é apresentadora.

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Quem fala o quer quer, lê o que não quer na internet. “Meus votos para 2014: que a Rachel Sherazedo seja estuprada”, postou o filósofo Paulo Ghiraldelli, em 26 de dezembro. Ela rebateu no Twitter e vai processar o detrator por incitação a crime. Ele creditou o ataque a um hacker.

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Por conflitos como este (“que estavam consumindo meu tempo”), a apresentadora já havia decidido se afastar da internet. “Foi ela que me trouxe aqui, mas comentários e ofensas estavam me deprimindo”, conta ao repórter Chico Felitti.

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Foi o YouTube que lhe garantiu fama. Em 2011, ela fez um vídeo criticando o Carnaval, pois a festa cercearia o direito de ir e vir do cidadão e sugaria recursos públicos. O comentário, feito na TV Tambaú, de João Pessoa, sua terra natal, caiu na rede e foi visto por mais de meio milhão de pessoas em uma semana.

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Três dias depois, em pleno reinado de Momo, recebeu uma ligação de Leon Abravanel, sobrinho de Silvio Santos e diretor de produção do SBT. “Achei que fosse trote.” O contato era um convite para vir a SP conhecer a rede.

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“Vim desconfiando que seria um convite. Nunca quis sair da minha cidade, não preciso sair da minha região para me realizar.” Mas topou.

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Até então fazia dupla jornada. Passou em um concurso para ser escrivã em um tribunal para ajudar a fechar as contas, porque o jornalismo na Paraíba “não bastava”. Está licenciada e termina nos próximos dias o período máximo de afastamento. “Vou pedir desligamento.”

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Passaram-se mais de mil dias até a certeza de que poderia abdicar da estabilidade do funcionalismo público. Ela não fala em dinheiro, mas o salário de apresentadora, em torno de R$ 150 mil, permitiu que seu marido, Rodrigo, deixasse o emprego na Paraíba para acompanhá-la.

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“Foi uma prova de fogo. O homem nordestino pode ser muito machista. Olhamos o que é melhor para a família.” Moram com os filhos Clara, 5, e Gabriel, 3, numa casa em Alphaville, complexo de condomínios de luxo a 23 km de São Paulo. Mas o clã faz pouco esse percurso.

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“Eu tenho muito medo. Sou meio neurótica com violência urbana, mais ainda depois de começar a fazer bancada, noticiar tudo o que há de ruim.” Quando os quatro vêm a São Paulo, “muito esporadicamente”, optam por ir a teatros de shopping.

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Se não, é de casa para a labuta, como no dia em que encontrou a reportagem. Ela chega ao SBT às 14h, dirigindo seu sedã preto, com pulôver da mesma cor, bordado com pedrarias. Ainda não decidiu o tema do comentário.

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Está entre Edward Snowden, ex-agente que vazou informações confidenciais da agência de inteligência americana e sinalizara que queria asilo do Brasil, e a rebelião na Papuda, penitenciária onde estão presos condenados do mensalão. Acabou ficando com política brasileira, “mais interessante”.

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Escreve o texto no camarim, “como quem conta uma história”. Seu nome, inclusive, veio de uma contadora de casos: a avó paterna leu os contos das mil e uma noites e se apaixonou pela protagonista, Sherazade. O segundo nome, adotado como sobrenome no lugar do original, Barbosa, ganhou nova sílaba sem razão conhecida.

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Ela dá as razões para ter mudado de orientação política. “Eu era de esquerda. Pintei a cara para o Collor sair. Votei no Lula até ele ser eleito. Me decepcionei com o PT.” Hoje, vota “em pessoas, não em partidos”. Não declara em quem vai votar neste ano.

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“Com a minha maturidade, passei a ter posicionamentos mais de direita do que de esquerda.” Cita o direito à vida e à propriedade como exemplos. Em um aspecto pelo menos ficou mais liberal: o estético. Foi instruída pela emissora a usar bobes para dar volume às mechas escorridas. Detestava. “Hoje, não tenho vergonha de ir à praça de alimentação de bobe.”

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Confessa não ser vaidosa. “É um suplício”, diz ao se dirigir ao camarim para ser maquiada. No caminho, elogia Reinaldo Azevedo, colunista da Folha e da revista “Veja”. “Ele é um fofo! Me defendeu na história do Lula.”

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A tal história: o ex-presidente teria se referido a ela como “uma jornalista do SBT, de 20 e poucos anos” que faz críticas “sem embasamento”. Azevedo fez um texto em defesa da colega em seu blog.

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Rachel, por sua vez, defende o pastor e deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. “Ele sofre perseguição religiosa”, diz ela, sobre o parlamentar criticado por posições controversas como a “cura gay”.

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É evangélica desde os 23 anos, quando foi batizada na igreja Batista. “A fé é 100% importante. Não teria resistido às dificuldades que encontrei aqui se não fosse pela fé.”

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Entre os percalços, ser nordestina (“ainda há preconceito forte”) e trabalhar em “uma redação que te olhavam de banda por ter chegado pelas mãos do dono”.

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Não que fosse queridinha do patrão. Diz só encontrá-lo no salão de cabeleireiro Jassa, que tem convênio com a emissora. “Silvio é muito gente.”

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O chefe um dia perguntou por que ela não improvisa seus famosos comentários. “A gente faz ao vivo, cada segundo conta”, respondeu. Precisa treinar para encaixar a fala em 45 segundos.

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Chegando ao camarim, ela comenta que não quer fazer jornalismo para sempre. Mas desconversa. “Por enquanto estou feliz.” Pelo menos até 2015, quando vence seu contrato, vai viver de discursar, como a xará da literatura. A personagem original, diz a lenda, prendia a atenção do rei narrando aventuras por mil e uma noites. “Ela, no fim, é igual à gente, tem que segurar a audiência.”

A paraibana passa lápis de olho, após ter sido maquiada por um profissional; "Não sou vaidosa, é um suplício!" (Adriano Vizoni/Folhapress)

A paraibana passa lápis de olho, após ter sido maquiada por um profissional; “Não sou vaidosa, é um suplício!” (Adriano Vizoni/Folhapress)

Número de cristãos assassinados pela fé dobrou em 2013, diz relatório

Tom Heneghan, na Reuters [via Estadão]

Os relatos sobre cristãos mortos ao redor do mundo por causa de sua fé duplicaram em 2013, comparado com o ano anterior, com os casos somente na Síria superando o total registrado em 2012, de acordo com uma pesquisa anual.

O Portas Abertas, um grupo sem denominação que presta apoio a cristãos perseguidos ao redor do mundo, disse nesta quarta-feita ter documentado 2.123 homicídios de “mártires”, comparado com 1.201 em 2012. Houve 1.213 mortes desse tipo somente na Síria no ano passado, afirmou a entidade.

“Essa é uma contagem bastante mínima baseada no que foi relatado na mídia e que podemos confirmar”, disse Frans Veerman, diretor de pesquisas para a Portas Abertas. Estimativas de outros grupos cristãos colocam a contagem anual em 8 mil.

O Portas Abertas colocou a Coreia do Norte no topo de sua lista de 50 países mais perigosos para cristãos, posição que o nação asiática ocupa desde que a pesquisa anual começou a ser realizada há 12 anos. Somália, Síria, Iraque e Afeganistão vêm a seguir.

O grupo sediado nos Estados Unidos relatou um aumento da violência contra cristãos na África e afirmou que muçulmanos radicais foram a principal fonte de perseguição em 36 dos países que estão na lista.

“O extremismo islâmico é o pior perseguidor da Igreja mundial”, disse a entidade.

Cerca de 10 por cento dos sírios são cristãos. Muitos se tornaram alvos de rebeldes islâmicos que os consideram apoiadores do presidente Bashar al-Assad.

O relatório não traz dados sobre assassinatos na Coreia do Norte, mas diz que lá os cristãos enfrentam “a mais alta pressão imaginável” e que cerca de 50 mil a 70 mil vivem em campos para presos políticos.

dica do Ronaldo

Mercado bilionário da fé avança com novos produtos e serviços

Um dos segredos para o crescimento das vendas, apoiado principalmente na alta taxa de expansão de evangélicos no Brasil, é o lançamento de novidades

íblia plástica – para ler até debaixo d'água. (foto: Bárbara Ladeia)

Bíblia plástica – para ler até debaixo d’água. (foto: Bárbara Ladeia)

Bárbara Ladeia, no iG

De bíblias à prova d’água ou com capa com estampa de animal, passando por agências de viagens, pelo mercado da moda e da música, as vendas de produtos cristãos estão longe da acanhada taxa de crescimento da economia do Brasil. As estatísticas ainda são escassas, mas empresários do setor contam que o segmento vive uma fase favorável.

No último levantamento publicado sobre o setor, em janeiro de 2013, o professor de ciências do comportamento da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), Mário René, chegou a cifras relevantes. Segundo a pesquisa, o mercado da fé movimenta R$ 12 bilhões por ano entre shows, eventos, produtos, entre outros.

“As compras de produtos relacionados à religião são totalmente impulsivas e emocionais” , diz o pesquisador. “Esse mercado é pouco estudado e muito pouco monitorado, então diversas informações escapam pelos dedos. ”

Entretenimento

Com crescimento de 60% no número de evangélicos nos últimos dez anos, está cada vez mais lucrativo trabalhar para esse público. É apostando no cenário de crescimento do público evangélico que Leo Ganem, ex-presidente da Geo Eventos, das Organizações Globo, comemora o segundo mês da Um Entretenimento. “Quando abrimos a empresa, queríamos dar foco mas tínhamos receio de trabalhar exclusivamente com esse público, mas estamos tão felizes com o resultado que alcançamos que vejo poucas possibilidades de trabalho fora do mercado gospel”, afirma.

Ganem está à frente da Expo-cristã, evento marcado para novembro deste ano. A ideia é receber em São Paulo 120 mil pessoas, devolvendo a popularidade e o prestígio ao evento, que corria o risco de ser engolido pela Feira Internacional Cristã (FIC), produzido pela Geo Eventos, empresa que encerrou as atividades em 2013. Entre os patrocinadores, nada menos que Bradesco e Mapfre Seguros. “Já sabendo que a Geo seria fechada, saí de lá e negociei um acordo de compra da marca para dar continuidade a esse trabalho.”

O executivo não é evangélico e hoje trabalha principalmente com feiras e gestão de talentos. Já conquistou a produção do Renascer Praise, além dos cantores Eli Soares e Hadassah Perez, dois expoentes da música jovem gospel, um na linha pop e a segunda na linha eletrônica.

Entre os eventos, Ganem planeja um festival de música. “O evangélico usa a música como principal meio de comunicação. Estamos buscando eventos para colocar nossos artistas na vitrine”, comenta. Para completar, o crescimento de evangélicos nos classes A e B, segundo o executivo, deve também elevar o tíquete médio de investimento em produtos evangélicos. “Eles já consomem muito livros e músicas. Dificilmente abraçam o produto pirata, o que ajuda muito.”

Viagens de fé

Fernanda, na Terra Santa Viagens: "Você imagina a emoção de ir aos mesmos lugares que estão na Bíblia? É indescritível"

Fernanda, na Terra Santa Viagens: “Você imagina a emoção de ir aos mesmos lugares que estão na Bíblia? É indescritível”

Leva entre dois e três meses para um cliente decidir pela compra de um pacote de viagens – o investimento é alto e exige um chamado divino. Até a assinatura dos contratos, a vendedora de pacotes de viagens Fernanda Ariana de Almeida Alves procura manter contato. “Eu chamo os clientes pelo nome, mando e-mail com mensagens bíblicas. Eles querem ser bem tratados”, diz. “Vou alimentando esse sonho deles com a Terra Santa. Não tem trabalho mais abençoado que viabilizar esse sonho.”

É com esse nível de profissionalismo na sedução do cliente que opera a agência da Terra Santa Viagens, localizada na Galeria Conde de Sarzedas, no Centro de São Paulo, na rua de mesmo nome – apelidada de “Rua dos Crentes” e “Crentolândia” por alguns dos frequentadores. A agência é uma das operações da Terra Santa Operadora de Israel, empresa de turismo com foco religioso.

Os destinos são diversos: de Israel até um roteiro pelas Igrejas do Apocalipse e na Grécia. Fernanda vende pouco menos de 500 pacotes por mês. A cada viagem que fecham para Israel, por exemplo, levam entre 30 e 40 pessoas. “Nós temos muita concorrência, por isso não chegamos a tantas pessoas”, diz. Um dos principais canais de venda está nas mãos dos líderes religiosos – que são atendidos com um carinho especial pela loja.

Anualmente, 20 pastores ganham a oportunidade de fazer o roteiro em Israel pela metade do preço. “Nós fazemos o preço de custo, conseguimos patrocínios para baratear o preço das viagens”, conta Fernanda.

Os pacotes variam de US$ 3,2 mil – nove dias em Israel – até US$ 5,4 mil, para o roteiro das Igrejas do Apocalipse. Todas as viagens são acompanhadas de um guia local e outro que sai do Brasil junto com o grupo, para evitar problemas com o idioma. Os roteiros incluem passagens por pontos turísticos, mas principalmente por lugares citados nos livros sagrados. “Você imagina a emoção de ir aos mesmos lugares que estão na Bíblia? É indescritível”, diz Fernanda.

Fernanda é da Assembleia de Deus. O dono da agência é judeu e também proprietário da Caminhos Sagrados, voltada para o público católico. “A gente sempre faz as viagens separados, eles têm muitas divergências”, diz Fernanda.

Sem misturar

A região central de São Paulo, ao menos para os negócios, é ecumênica. Quem desce a Conde de Sarzedas da rua Conselheiro Furtado na direção da baixada do Glicério, possivelmente não enxergará uma só loja com imagens de santos. São os cantores evangélicos que garantem o sucesso da barraca de Jarisson dos Santos Silva, que não é evangélico, mas vende CDs e DVDs piratas na “Rua dos Crentes”. “Não vendo nada de padre aqui, não. Não pode misturar, eles não gostam”, diz.

O maior sucesso são os discos de playback das músicas da cantora Aline Barros. “O pessoal quer cantar nas igrejas, então os playbacks acabam saindo bastante”, conta. O ambulante leva para casa pouco mais de R$ 60 por dia. “Dá para sobreviver”, fala.

Primeira dirigente da Igreja da Renovação Espiritual em Francisco Morato, Bete Vieira (esq.) e sua filha Aparecida

Primeira dirigente da Igreja da Renovação Espiritual em Francisco Morato, Bete Vieira (esq.) e sua filha Aparecida

Vestindo a camisa

Primeira dirigente da Igreja da Renovação Espiritual em Francisco Morato, Bete Vieira Rodrigues andava pela região à procura de um presente para uma aniversariante de sua comunidade.

Recém-mãe, a moça ganhará duas camisetas – uma simples, estampada, e uma outra branca cravejada de apliques metálicos com uma mensagem Cristã. “Eu gosto de vir aqui porque sempre tem muito mais opção de tudo”, diz. A filha, Aparecida Luciana da Silva, de 38 anos, faz companhia e divide os afazeres com a mãe, na função de secretária da igreja. “Aqui é tudo metade do preço”, comemora Luciana, que aproveitou a passagem pela galeria para comprar presentes para o cunhado e o seu pastor.

Foi a baiana Nara Keila Oliveira do Carmo, 35 anos, que atendeu a dupla. Ela trabalha há nove meses na Teddy Camisetas, também na Galeria Conde de Sarzedas. “Recebo muita gente aqui de fora de São Paulo que acaba comprando no atacado para vender nos seus Estados de origem”, conta. Frequentadora da Assembleia de Deus, Nara sempre esteve envolvida com o mercado gospel. Antes trabalhava no Recanto dos Evangélicos, a RDE, uma das lojas mais antigas do local.

Entre as camisetas, a maior loja da Conde de Sarzedas, é a Cia dos Séculos. Com modelos mais atrativos para a juventude, aproveita os trocadilhos com os temas jovens como o Facebook e até os rótulos do bourbon Jack Daniels, que há muito tempo já estampam camisetas do mundo do rock. “As vendas de 2013 as vendas foram bem melhores que as do ano anterior”, diz Karina Paz dos Santos, de 26 anos, que trabalha na loja há seis. Todas as camisetas custam R$ 20 no varejo e R$ 17,90 no atacado. “Vem muita gente de fora de São Paulo buscar, mas o melhor do movimento é sempre na sexta e no sábado”

Há 36 anos na região, a RDE é uma referência. Ana Lúcia de Carvalho, de 52 anos, é gerente da loja onde trabalha há 34 anos. “A gente não costuma contar quantas pessoas passam por aqui por dia, não. Tem dias que a gente da conta, mas tem dias que é muito mais corrido”, diz. Lá, os CDs de cantoras modernas como Bruna Karla fazem o maior sucesso. “Antigamente tinha bem menos diversidade que hoje, mas os clássicos ainda vendem muito”, conta a gerente da loja, que vende CDs de R$ 3 a R$ 19. Entre os clássicos, o preferido de Ana – e da maior parte dos clientes – é o cantor Ozéias de Paula. “Esse é o que mais vende entre os antigos.”

Textos sagrados

“Essa de tigre faz o maior sucesso com as mulheres”, diz Camila

“Essa de tigre faz o maior sucesso com as mulheres”, diz Camila

As bíblias e seus acessórios também chamam a atenção do público. Camila Causo, de 22 anos, é da Igreja Bíblica da Paz e há um ano e meio ajuda o pai na loja no Galeria Conde de Sarzedas. Entre os produtos mais vendidos da loja estão as capas para bíblias – em especial com as estampas “animal print”. “Essa de tigre faz o maior sucesso com as mulheres”, diz Camila.

Os livros administrativos também têm uma boa procura, especialmente para o público de fora de São Paulo, que também frequenta a região e faz compras por atacado. “Recebemos gente da Bahia, de Santa Catarina, do Rio de Janeiro, e de vários outros lugares.”

Camila afirma que agora, no segundo andar da galeria, já consegue faturar até R$ 8 mil reais. “Quando estávamos no terceiro andar, o movimento era muito fraco, não dava nem R$ 2 mil”, conta Camila. “Aqui é bem melhor, mas o aluguel também é mais caro, mas compensa.” O espaço onde a está a loja da família Causo custa R$ 2,5 mil ao mês – mais uma luva que, mesmo sendo ilegal, chega a R$ 40 mil.

Católicos fora do foco

Em Campo Grande (MS), o Judah Shopping Gospel vende produtos religiosos, mas o público evangélico é o que mais compra. Segundo Gerusa Maria de Oliveira, sócia-proprietária da loja, são cerca de 200 pessoas que vão pessoalmente às compras no local.

Apesar do nome, não se trata exatamente de um shopping, mas de uma única loja que vende todo o tipo de produto, como brinquedos. No entanto, Gerusa conta que as bíblias são as mais procuradas. “É de longe o produto mais vendido por aqui, seguido pelos CD”, afirma.

Desde que foi fundada, três anos atrás, o fluxo de clientes quase triplicou. “Precisamos aumentar a quantidade de produtos e também foi necessário contratar funcionários”, explica Gerusa. Atualmente, trabalham cinco pessoas na loja – dois funcionários, Gerusa, o marido e mais um familiar que ajuda nas contas.

Não fosse pela Jornada Mundial da Juventude, que contou com a visita do Papa Francisco I no ano passado – e injetou R$ 1,2 bilhão na economia carioca –, o mercado de produtos católicos poderia ter tido um 2013 mais tímido. A Expo-Católica aproveitou a visita do líder religioso para impulsionar o número de visitantes. Foram seis dias de evento, com 500 mil pessoas. “Normalmente, recebemos umas 30 mil pessoas nos dias abertos ao público. Esse volume todo não vai voltar a acontecer”, diz Kiara Castro e Castro, da Promocat, que promove o evento.

Para Klara, o crescimento do mercado evangélico tem sido um fator de profissionalização também dos produtos católicos. “Agora que os padres e os músicos estão investindo em divulgação e no trabalho de marketing”, diz. A curva é tímida, mas de crescimento.

Bíblias em queda

Quem não tem muito o que comemorar são os fabricantes de bíblias. Segundo o maior fabricante do livro sagrado no País, a Sociedade Bíblica Brasileira (SBB), o número de unidades distribuídas em 2013 deve ser igual ao de 2012, de pouco mais de 7,4 milhões unidades – entre livros entre católicos, evangélicos e ortodoxos. No ano passado, o faturamento da empresa foi de R$ 88,8 milhões.

O secretário de Comunicação e Ação Social da Sociedade Bíblica Brasileira (SBB), Erní Seibert, estima que o País imprima hoje cerca de 12 milhões de bíblias por ano, considerando também a produção de outras editoras – o equivalente a um lvro a cada 2,6 segundos.

No entanto, essas são apenas estimativas do executivo. Além de pouco profissionalizado, esse mercado não tem muito controle sobre o que é produzido e distribuído. “Eu tento fazer algum monitoramento, mas não adianta, essas empresas não têm esses números – e as que têm não divulgam”, afirma.