Aos 87 anos, aposentada maratonista faz aula de inglês no computador e cria perfil em rede social

Maria Correa Alves, de 87 anos, em meio aos jovens no computador Foto: Mazé Mixo
Maria Correa Alves, de 87 anos, em meio aos jovens no computador Foto: Mazé Mixo

Paolla Serra, no Extra

Maria Corrêa Alves acorda antes das 7h. Depois de checar os emails dos amigos e se atualizar no Facebook, ela alterna 15 tiros de corrida de 100 metros com outros 100 de caminhada na rua. Todas as quartas-feiras, faz curso de inglês numa sala multimídia através de videoconferência com uma professora americana. Uma rotina de tirar o fôlego de qualquer jovem. Mas, aos 87 anos, a aposentada ainda encontra tempo e disposição para fazer crochê e dar atenção a cinco filhos, 12 netos e seis bisnetos.

- Velho não pode esperar! – suspira a idosa, apaixonada pela correria do dia a dia.

Maria conta que sempregostou de atletismo, mas, quando casou, passou a se dedicar à casa e à família. Aos 60 anos, porém, ela correu a primeira maratona. De lá para cá, foram outras 29. No Rio. Em Blumenau. Em Nova York. No Chile. Na África do Sul. Na Finlândia.

- São 42 quilômetros e 185 metros – pontua ela, que já esteve entre as quatro corredoras mais idosas do mundo.

A paixão pela tecnologia chegou mais tarde. Recentemente, comprou um computador e se inscreveu nas redes sociais. Assim como ela, mais de 3,78 milhões de pessoas no Brasil com mais de 55 anos tinham um perfil no Facebook, há um ano, segundodados do próprio site. Hoje, esse número é bem maior:

- Eu sou antiga, mas não gosto de nada antigo.

Maria durante uma das maratonas que correu Foto: / Arquivo pessoal
Maria durante uma das maratonas que correu Foto: / Arquivo pessoal

Alfabetização

Maria faz cursos de informática na Nave do Conhecimento, em Padre Miguel. É lá também que estuda inglês, na turma da neta, a professora Paula Isidoro, de 30 anos. Nesse espaço da Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia, além de Santa Cruz, Madureira e Irajá, há 527 frequentadores com mais de 70 anos, tendo 48 deles tem entre 81 e 90 anos. Eles participam de cursos que vão de alfabetização digital, tecnologia e empreendedorismo, edição de vídeos, além de acessar a internet.

- Venho todo dia a tarde para ver as notícias do Flamengo, falar com as pessoas e ainda me distrair. Essa novidade da computação é muito boa – elogia o guia turístico aposentado Luiz Marques, de 69 anos, assíduo nas máquinas da Nave.

Luiz Marques mostra seu perfil no Facebook Foto: / Mazé Mixo
Luiz Marques mostra seu perfil no Facebook Foto: / Mazé Mixo

Turismo virtual

Luiz Marques trabalhou com hotelaria por 45 anos. Passou pelas grandes redes de hotéis do Rio e por pousadas em Itatiaia. Aposentado, ele não quer saber de ficar parado. Há três meses, criou um perfil no Facebook e passa as tardes conectado – ou tentando se conectar – a cinco amigos na rede.

- Dos cinco, só conheço mesmo dois. Os outros eu vi a foto e cliquei, não sei nem quem são. Todo dia, eu tento falar com eles, mas não consigo. Não sei o defeito que está tendo – lamenta, sem perceber que a opção do bate-papo da página está desativada.

Pesquisa

De acordo com o IBGE, de 2005 a 2011, aumentou em 222,3% o contingente de brasileiros que, assim como José, com 50 anos ou mais, entraram na internet.

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Empresas criam ‘dia sem e-mail’ para reduzir tráfego e promover integração

Fábrica reduziu 70% do tráfego interno de e-mails às sextas-feiras.
‘Trocamos e-mails sem saber que colega trabalha ao lado’, diz funcionária.

Renata Oliveira e Daiana Rodrigues, da SKF, empresa que implantou o dia sem e-mail e reduziu em 70% o tráfego de mensagens pela internet às sextas-feiras (Foto: Paulo Guilherme/G1)
Renata Oliveira e Daiana Rodrigues, da SKF, empresa que implantou o dia sem e-mail e reduziu em 70% o tráfego de mensagens pela internet às sextas-feiras (Foto: Paulo Guilherme/G1)

Publicado originalmente no G1

Se comunicar por e-mail é rotina na grande maioria das empresas. Comunicados, relatórios, envio de documentos, agendamento de reuniões, contato com fornecedores, é tanto e-mail que muitos funcionários passam um bom tempo apertando a tecla ‘delete’ para mandar tudo para o lixo virtual. Mais do que este tráfego intenso, a comunicação formal e documentada na rede muitas vezes torna impessoal o contato dos funcionários. Para tentar mudar esta situação uma empresa de São Paulo e outra do Rio criaram o “dia sem e-mail”.

A data será comemorada nesta sexta-feira (14) no escritório da Chemtech, empresa de engenharia e atuação em petróleo e gás com sede no Rio. Toda segunda sexta-feira do mês a empresa bloqueia a comunicação interna. Se precisa falar com alguém da empresa, mesmo de outro departamento, o funcionário deve usar o telefone ou chamar pelo comunicador instantâneo. E que tal levantar-se da cadeira e ir à outra sala para falar pessoalmente com o colega?

Excesso de mensagens nas empresas envolve até a comunicação com o colega que trabalha ao lado (Foto: Paulo Guilherme/G1)
Excesso de mensagens nas empresas envolve até
a comunicação com o colega que trabalha ao lado
(Foto: Paulo Guilherme/G1)

A campanha já existe há um ano e meio. “O grande desafio é promover a integração entre diversas áreas de engenharia da empresa”, explica Samara Souza, coordenadora de recursos humanos da Chemtech. Ela conta que muitas vezes para se tratar de um assunto interno por e-mail a conversa se prolongava por intermináveis mensagens copiadas para mais de 30 pessoas.

“Como a nossa rotina é de muito envio de e-mails, a pessoas acabavam se habituando a usar e-mail para tudo e se viciando neste processo. Muitas coisas podem ser resolvidas com uma breve reunião presencial”, explica Samara.

Na SKF do Brasil, fabricante de rolamentos para área industrial e automotivo, toda sexta-feira a ordem é não usar o e-mail. A empresa conta com 1.030 empregados na operação brasileira, três escritórios na Grande São Paulo (Cajamar, Jordanésia e Barueri), e a comunicação interna pela internet foi reduzida em até 70% no ‘dia sem e-mail’.

Mas o objetivo principal é promover a relação interpessoal entre os funcionários. “Às vezes a gente fica meses trocando e-mails com um colega que não sabemos que é, e então quando o conhecemos pessoalmente descobrimos que ele é a pessoa trabalha na sala ao lado”, diz a analista fiscal Renata Oliveira, de 35 anos.

Ela trabalha diariamente ao lado de Daiane Rodrigues, de 25 anos, também analista fiscal, e no meio de tantas operações, acabam por vezes se falando por e-mail. “É muita documentação, assim uma copia a outra, mas sempre procuramos conversar pessoalmente”, destaca Daiana.

Antonio Carlos Bouéri, diretor de recursos humanos da SKF do Brasil, explica que a implementação do programa melhorou a qualidade no trabalho. “Estávamos percebendo muita formalidade dentro das áreas como situações como um colega mandando e-mail para colega do lado pedindo algo que poderia ser feito verbalmente”, afirma.

“Como implementamos o casual day, no qual o funcionário pode ir sem gravata ao escritório, aproveitamos para liberar a questão dos e-mails incentivamos as pessoas a conversarem mais, circularem mais na empresa. Teve uma repercussão boa porque as pessoas sentiam falta de conversar mais. Acho importante resgatar a confiança das pessoas e trabalhar em time. A iniciativa fortalece esse valor.” Segundo Bouéri, a ideia despertou interesse das subsidiárias da Argentina e Japão, que estudam criar o ‘dia sem e-mail’ nos seus escritórios.

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Sou crente, aleluia, e o Egito é a Bahia

Nelson Oliveira, no Vice

Há mais de 30 anos, algumas colinas de Salvador começaram a ganhar um movimento curioso. As dunas de bairros praianos como Itapuã e Stella Maris começaram a ser ocupadas por pessoas que vestiam muito mais que um sumário traje de banho. Mortalhas e longas saias, no caso das mulheres, e trajes sociais, às vezes com direito a terno, para os homens. As dunas de Salvador se tornaram um oratório a céu aberto para muitos evangélicos.

Houve um tempo em que falar de Egito na Bahia era coisa de música de carnaval composta por Carlinhos Brown. Hoje, artigo vintage no Circuito Barra-Ondina, a busca pelos mistérios egípcios é dos protestantes, que veem as dunas como uma metáfora para o Monte Sinai, local em que Moisés viu um arbusto em chamas que falava, recebeu de Deus as palavras dos Dez Mandamentos e toda aquela psicodelia.

Mesmo longe de possuir os 2288 metros de altura do monte histórico, as dunas de Salvador viraram um verdadeiro local de peregrinação de grupos de crentes – desculpa, mas eles mesmos se chamam assim, então nem vem procurar confusão, valeu? – nos últimos anos. Os frequentadores aparecem em qualquer horário do dia, mas, sobretudo à noite. Eles gostam de ir ao local porque se sentem mais próximos de Deus. Estar no topo das dunas remete a um momento de paz de espírito, reflexão e deslocamento da realidade. Afinal, Deus é uma viagem.

Antes, a prática era individual e agora se organizou: grupos de igrejas de regiões muito distantes das dunas e até mesmo de outras cidades baianas fretam micro-ônibus para realizarem cultos no local, que é considerado perigoso por ser ermo e não possuir qualquer iluminação. Nas sextas-feiras, as dunas chegam a receber mais de 200 crentes orando em voz alta, em português ou na chamada “língua dos anjos”, com direito a pastores realizando conversões e exorcismos. Outros, que geralmente vão sozinhos, ficam compenetrados, de quatro e com a cabeça na areia, entre os braços, ou queimam papeis com pedidos de graças.

Curioso para saber o que acontecia lá, fui fotografar os momentos de oração nas dunas. Foi divertido. Eu e meu flash acabamos ungidos por um pastor, que, assim como outros religiosos, perceberam as luzes do equipamento, mas não se deram conta inicialmente que estavam sendo fotografados. Outro grupo, mas atento, foi direto: “Vamos fazer uma foto, gente. Vai para os Estados Unidos. Vai para o Facebook!”. Bom, de alguma forma, sim.

dica do João Marcos

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‘Casseta & Planeta’ e ‘Aventuras do Didi’ saem do ar em 2013

Renato Aragão já discute novos projetos com a Globo Foto: TV Globo / Divulgação
Renato Aragão já discute novos projetos com a Globo

Publicado originalmente no Terra

A Rede Globo informou, em comunicado oficial na tarde desta quinta-feira (29), que os programas Aventuras do Didi e Casseta & Planeta Vai Fundo não farão parte da grade da emissora em 2013. O último programa de Renato Aragão vai ao ar no dia 3 de fevereiro, enquanto a atração da trupe de humoristas se encerra com os especiais de final de ano da emissora.

De acordo com o comunicado, a emissora decidiu que o horário em que Aventuras do Didi é exibido, ao meio-dia de domingo, deverá contar com novos programas, e não uma atração fixa. Renato Aragão já se reuniu com sua equipe para gravar o último episódio, nesta quinta, e avalia sua participação em novos projetos. A equipe do Casseta e Planeta também discute novas possibilidades de participação na grade da emissora.

Renato Aragão está no ar pela Rede Globo desde 1977, quando o programa Os Trapalhões deixou a TV Tupi rumo à emissora carioca. Antes das Aventuras do Didi, teve outros programas, como A Turma do Didi, além de ser o anfitrião do Criança Esperança. A trupe do Casseta e Planeta está na emissora desde 1988, quando foram contratados como redatores do extinto TV Pirata. Nos anos 90, fizeram sucesso com o Casseta & Planeta Urgente!, que ficou no ar até 2010, sempre às terças-feiras.

Foto: TV Globo / Divulgação

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