7 passos para ser mais feliz no trabalho, segundo a ciência

Foto: flickr/eóle wind/ creative commons)
Foto: flickr/eóle wind/ creative commons)

Rennan A. Julio, na Galileu
Pode até parecer que a rotina já o engoliu e que todos os seus sonhos de universitário foram atropelados pela vida, mas sempre há como mudar a forma com que você encara o serviço. Pesquisas, estudos e livros mostram que somente alguns passos são necessários para uma vida mais tranquila no trabalho. Então veja a lista de dicas que a The Week separou para ser mais feliz com a sua profissão:

1 – Dinheiro não importa tanto assim

Por mais que pareça um pouco utópico e até mesmo inacreditável para a realidade em que nos encontramos, dinheiro não é sinônimo de felicidade. Segundo pesquisas recentes, dos fatores que fazem as pessoas felizes no trabalho, bom salário está entre os últimos.

Para uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, China, Japão e Índia pela Mercer, “base salarial” se encontra em sétimo dos 12 principais fatores para ser feliz no emprego. Segundo a Harvard Business Review, “aceitar um trabalho pelo salário” é um arrependimento número um na pesquisa de carreiras. Surpreendente?

2 – Status vale menos do que respeito

Por mais que profissões antigas, que carreguem respaldo da sociedade, possam parecer mais prestigiosas, saiba que mais vale um emprego em que se é respeitado do aquele que impõe respeito.

Segundo essa pesquisa, ser um chefe confiável – ou confiar no seu chefe – vale mais do que um aumento de 30% no salário. Para essa equipe, fazer parte de um grupo de colegas que gosta significa maiores chances de promoção. Para o sociólogo Richard Sennett, escritor do livro ‘How to Findi Fulfilling Work’, respeito faz com que as pessoas se sintam “seres humanos completes, cuja presence realmente significa alguma coisa”.

3 – Fazer a diferença faz diferença

Uma lista com os “trabalhos mais felizes” foi divulgada e nas primeiras colocações pudemos encontrar: bombeiros, professores, fisioterapeutas, psicólogos e muito mais. Em breve conclusão, trabalhos que trazem benefícios sociais tendem a trazer satisfação pessoal.

Para os cientistas Howard Gardner, Mihaly Csikszentmihalyi, e William Damon, pessoas que trabalham para o bem dos outros exibem altas taxas de felicidade no emprego.

4 – Use o que você tem de melhor

Procure usar o seu talento! Segundo esta pesquisa, trabalhar com o que gosta é responsável por grande parte das “emoções felizes” que sentimos. Quando incentivadas a fazerem o que sabem – e amam –, as pessoas são mais produtivas.

5 – Corra atrás do que ama

O clichê ataca novamente: fazer o que ama traz benefícios muito positivos. Para essa pesquisa, os indivíduos entrevistados que trabalhavam com o que amavam se mostraram muito mais satisfeitos, animados e felizes com suas vidas. Em contraponto, demonstraram baixíssimos níveis de ansiedade e depressão.

6 – Seja autonômo

Autonomia é um dos passos mais importantes para um bom emprego. Sentir-se capaz de controlar o seu tempo e suas ações, sem que sejam necessárias ordens, é ideal, como diz o livro ‘How to Find Fulfilling Work’. Viva a liberdade!

7 – Pare de procurar o trabalho perfeito

O trabalho perfeito não existe! Pelo menos não aquele que você sonha antes de dormir… Para o autor de ‘Mindset: The New Psychology of Success’, “o que uma pessoa pode aprender, praticamente todas as pessoas podem aprender”. Com isso, ele defende que a evolução dos nossos talentos seja constante, gerando a abertura de portas novas o tempo inteiro. Assim aumentando as chances de fazer o que gosta e, consequentemente, de ser feliz no que faz.

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11 razões para beber café todos os dias

O café pode fazer coisas incríveis pelo seu cérebro, pele e corpo

Café: existem muitas vantagens em beber café todos os dias (foto: Sean Gallup/ Getty Images)
Café: existem muitas vantagens em beber café todos os dias (foto: Sean Gallup/ Getty Images)

Renee Jacques, no Brasil Post [via Exame]

Não é possível que exista um adulto nesse mundo que nunca tenha experimentado o café.

Ele é consumido no mundo inteiro, e julgando pela quantidade de lojas da cafeteria Starbucks (somente nos Estados Unidos existiam 10.924 lojas em 2012!) é evidente que nós adoramos uma cafeína.

E não há nenhum problema com isso.

Na verdade, existem muitas vantagens em ser um dos 54 por cento dos americanos com mais de 18 anos que bebem café todos os dias.

O café pode fazer coisas incríveis pelo seu cérebro, pele e corpo.

Leia a seguir 11 razões pelas quais vale a pena acordar e sentir o gostinho do café…

Os americanos ingerem mais antioxidantes do café do que de outros alimentos.

De acordo com um estudo conduzido em 2005, quando se trata de antioxidantes, “nada se compara” à quantidade de antioxidantes encontradas no café.

Apesar das frutas e verduras também possuírem muitos antioxidantes, o corpo humano parece absorver a maior quantidade da substância quando ela vem do café.

O seu estresse pode diminuir só de sentir o cheiro do café.

Pesquisadores da universidade coreana Seoul National University examinaram os cérebros de ratos que sofriam de estresse causado pela falta de sono e descobriram que os ratos expostos ao aroma do café tiveram mais mudanças nas proteínas do cérebro relacionadas àquele estresse.

Vale ressaltar que essa pesquisa de aroma não está relacionada ao estresse por si só, somente ao estresse gerado pela falta de sono.

Agora, não sabemos ao certo se isso significa que você deve deixar um saquinho de grãos de café torrados no criado mudo toda noite, mas pode experimentar se quiser!

foto: Marcelo Spatafora
foto: Marcelo Spatafora

O café pode amenizar os sintomas do Mal de Parkinson.

O jornal Science Daily relatou em um artigo de 2012 que a ingestão de café pode ajudar as pessoas que sofrem com o mal de Parkinson a controlarem seus movimentos.

De acordo com o Dr. Ronald Postuma, MD, autor da pesquisa, “estudos mostram que as pessoas que ingerem cafeína têm uma probabilidade menor de desenvolver o Mal de Parkinson, mas é uma das primeiras pesquisas realizadas em seres humanos que mostra que a cafeína pode ajudar as pessoas que já sofrem com a doença a ter uma melhora nos movimentos”.

O café é ótimo para o seu fígado (especialmente se você bebe álcool).

Um estudo publicado em 2006, feito com 125.000 pessoas ao longo de 22 anos, mostrou que quem bebia pelo menos uma xícara de café por dia tinha 20% menos probabilidade de desenvolver cirrose hepática – uma doença auto-imune causada pelo consumo excessivo de álcool que pode resultar em falência hepática e câncer.

Arthur L Klatsky, autor encarregado do estudo, disse ao jornal The Guardian, “O consumo do café parece proteger o organismo da cirrose alcoólica; quanto mais café a pessoa consome, menor o risco de ser hospitalizada ou mesmo morrer de cirrose hepática”.

Estudos mostram também que o café pode ajudar a prevenir a NAFLD (Doença Esteatótica Não-Alcoólica do Fígado).

Uma equipe de pesquisadores internacionais, liderados pela faculdade de medicina Duke-NUS Graduate Medical School, revelou que beber quatro ou mais xícaras de café ou chá por dia pode ajudar a prevenir a progressão da NAFLD.

foto: Fernando Moraes/VEJA SÃO PAULO
foto: Fernando Moraes/VEJA SÃO PAULO

O café pode causar uma sensação de felicidade.

Um estudo conduzido pelo National Institute of Health nos EUA mostrou que as pessoas que bebem quatro ou mais xícaras de café tinham probabilidade 10 por cento menor de sofrerem de depressão do que aquelas que nunca bebem café.

E isso aparentemente não se deve ao “êxtase da cafeína” – a Coca-Cola também pode causar esse êxtase, por conta da cafeína, mas tem a ver com a depressão.

O autor do estudo, Honglei Chen, MD, PhD, disse em entrevista ao site Prevention.com que a razão mais provável pela qual o café causa essa sensação de bem-estar é por conta dos bons e velhos antioxidantes.

O consumo do café já foi relacionado a níveis mais baixos de suicídio.

Uma pesquisa feita pela Harvard School of Public Health revelou que beber de dois a quatro xícaras de café pode reduzir em 50 por cento o risco de suicídio em homens e mulheres.

A pesquisa propõe que a razão seja a ação anti-depressiva do café auxiliando na produção de neurotransmissores como a serotonina, dopamina e noradrenalina.

O café pode ajudar a reduzir o risco do câncer de pele (para as mulheres).

O hospital de doenças femininas Brigham and Women’s Hospital e a faculdade de medicina Harvard Medical School acompanharam 112.897 homens e mulheres por um período de 20 anos e, aparentemente, mulheres que bebem três ou mais xícaras de café por dia têm probabilidade menor de desenvolver câncer de pele do que aquelas que não bebem café.

foto: Stock.xchng
foto: Stock.xchng

O café pode melhorar o seu desempenho como atleta.

Segundo uma reportagem do jornal New York Times, “Há muitos anos, cientistas e atletas já sabem que uma xícara de café antes do treino impulsiona o desempenho atlético, principalmente em esportes de resistência como corridas de longa distância e ciclismo”.

A cafeína aumenta a quantidade de ácidos graxos circulando na corrente sanguínea, permitindo que os músculos do atleta absorvam e queimem essas gorduras como combustível, guardando assim as pequenas reservas de carboidratos do corpo para um momento posterior do treino.

O café pode reduzir o seu risco de desenvolver o Diabetes Tipo 2.

O café pode também reduzir o risco de desenvolver o Diabetes Tipo 2, segundo uma pesquisa da organização The American Chemical Society.

Os pesquisadores descobriram que as pessoas que bebem quatro ou mais xícaras de café por dia podem reduzir suas chances de desenvolver o Diabetes Tipo 2 em 50 por cento. Além disso, o risco cai mais 7 por cento a cada xícara adicional ingerida.

Beber café pode manter o seu cérebro saudável por mais tempo.

Pesquisadores das universidades de Miami e do Sul da Flórida descobriram que pessoas acima de 65 anos com níveis mais elevados de cafeína no sangue desenvolviam o Mal de Alzheimer dois a quatro anos mais tarde do que as pessoas no níveis mais baixos de cafeína no sangue.

O Dr. Chuanhai Cao, neurocientista na USF e co-autor da pesquisa, disse que “não estamos afirmando que o consumo moderado de café irá proteger as pessoas totalmente do Mal de Alzheimer. No entanto, acreditamos fortemente que o consumo moderado de café pode reduzir consideravelmente o risco de desenvolver o Mal de Alzheimer ou pelo menos postergar o aparecimento dos sintomas”.

O café pode aumentar a sua inteligência.

Uma reportagem da CNN mostra que o café permite que o seu cérebro funcione de maneira muito mais eficiente e inteligente.
Você geralmente bebe café quando está com sono, certo? Bem, além do café lhe acordar ele pode também lhe deixar mais alerta.

O repórter da revista TIME, Michael Lemonick, disse que “quando você dorme pouco e ingere cafeína, praticamente qualquer coisa que você possa mensurar mostrará uma melhora: seu tempo de reação, atenção, raciocínio lógico – a maioria das funções complexas associadas à inteligência”.

Então, qual a moral da história? O café é a melhor coisa de todos os tempos. Não deixe de beber seu cafezinho.

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Um bom casamento vale mais do que bens materiais

young couple making heart by arms on beachAilton Amélio, no UOL

Você sabia que um bom casamento traz um aumento na felicidade que equivale a aumentar quatro vezes o tamanho do salário?

Você sabia que uma boa amizade traz um aumento na felicidade que equivale a aumentar três vezes o salário?

Quem faz essas afirmações e outras mais é Robert Putnam, professor de políticas públicas da Universidade de Harvard.

As duas afirmações acima provavelmente são válidas para pessoas que já ganham, pelo menos, o suficiente para satisfazer suas necessidades básicas. Para aquelas pessoas cujos ganhos são insuficientes para satisfazer essas necessidades, o aumento dos rendimentos contribui, sim, bastante para o aumento da felicidade. Por exemplo, quando alguém está passando fome, passando frio, não tem onde dormir, não tem vestuário adequado ou seus parentes estão doentes e não podem se tratar por falta de dinheiro, o aumento de rendimento aumenta significativamente a sua felicidade.

Como vamos ver neste artigo, não é o casamento em si que traz felicidade. Tem que ser um bom casamento. Um mau casamento pode trazer muita infelicidade. Além disso, o nível de felicidade depende mais da personalidade do que do casamento: quem já era feliz antes do casamento tem maior chance de continuar feliz durante o casamento. Quem já era infeliz antes do casamento tem mais chance de continuar infeliz no casamento!

Possuir mais bens materiais não aumenta a felicidade

Entre 1950 e 2005 os bens dos americanos aumentaram cerca de três vezes. Em 2005, por exemplo, o americano médio possuía computador, celular, ar condicionado e televisão a cores. Muitas dessas coisas nem existiam nos anos 50.  As medições do nível de felicidade, que foram periodicamente realizadas durante este espaço de tempo, mostram que ela não se alterou neste período.

Geralmente a aquisição de bens materiais só aumenta consideravelmente a nossa satisfação na época da aquisição. Por exemplo, quem compra um carrão ou uma casa muito melhor que a anterior fica muito contente antes da compra, com ainda está sonhando com o bem, e logo depois da compra. Tempo depois, aquilo que foi adquirido vai saindo da consciência e deixando de trazer tanta satisfação: a pessoa que fez a compra vai deixando de notar o carro ou a casa. Ela se acostuma com esses bens e começa a pensar em uma nova aquisição. Todos já tivemos a experiências de comprar uma bela roupa e ficarmos muito contente na época da aquisição e, logo após usá-la uma vez ou outra, vamos deixando de pensar nela e podemos até esquecê-la no fundo do guarda roupa.

Outro exemplo: quem ganha na loteria fica muito feliz na ocasião. Depois de certo tempo, o seu nível de felicidade vai voltando ao que era antes, e cerca de um ano depois da premiação, a pessoa que ganhou está tão feliz ou infeliz quanto antes.

Relações sociais podem proporcionar prazer renovado

Claro que também nos acostumamos com as pessoas e elas deixam de ser novidades. Por exemplo, no início de um relacionamento amoroso achamos o parceiro muito excitante e interessante e, após algum tempo, ele perde muito da capacidade para despertar nossa atenção e de nos excitar (este é o famoso “efeito novidade” ou “efeito Coolidge”).

Certas pessoas, no entanto, são capazes de sempre trazer para nós, de forma continuada, uma boa dose imprevisibilidade, vitalidade, e desafio. Outras pessoas passam a nos roubar energia e nos colocar para baixo. A maioria das pessoas fica entre esses dois extremos, neste quesito. Por isso, é bom escolher bem o parceiro e cuidar para que ele continue sempre com a mesma vitalidade que mostrava no início do relacionamento.

Pessoas que não são vitalizadoras

Certas pessoas não contribuem direta ou pessoalmente para dar sentido e energia para nossa vida. Ou elas estão ausentes ou, quando presentes, não são nada energéticas, ou ainda, não estão interessadas em nós. É muito comum ouvirmos afirmações do seguinte tipo sobre essas pessoas ou por parte delas:

- “Ele me dá tudo, mas não presta atenção em mim”.

- “Ele é capaz de fazer qualquer coisa por mim e pelos filhos, mas é muito chato!”

-“Ele não sabe conversar. Não repercute o que eu digo, não compartilha o que está pensando e não inicia assuntos!”

- “Ele não tem sede de viver: não é muito curioso, adora rotinas e odeia surpresas e coisas arriscada”.

- “Ele me ama, mas é impaciente para ouvir minhas opiniões”.

- “Ele me trata como uma obra de arte: gosta de me ver, ama me possuir, cuida de mim, tem orgulho de estar comigo em público, mas não se interessa pela forma como penso, sobre minhas preocupações ou sobre o que gostaria de realizar na vida”.

- “Estou o tempo todo trabalhando e quase não tenho tempo para a família. Faço isso para que proporcionar para eles o melhor conforto possível e segurança econômica”.

Essas frases dizem respeito a pessoas que proporcionam coisas, mas elas próprias não são fontes de vitalidade para seus familiares.

Contribuições de um bom parceiro para a nossa satisfação

Algumas pessoas são verdadeiros espetáculos contínuos. Quando estamos perto delas, não experimentamos o aborrecimento e o desânimo. O cotidiano ao lado delas parece sempre renovado porque elas agem sempre de forma inesperada e viva ao que está acontecendo. Elas são cheias de iniciativas e reagem aos nossos comportamentos de forma verdadeira e, por isso, criativa. Elas usam menos clichês do que outras pessoas para responder ao que dizemos e sempre nos estimulam a ver as coisas de forma diferente do habitual. São verdadeiras usinas de vida.

Quem não gostaria de ter um parceiro que proporcionasse pelo menos algumas das seguintes dádivas:

- Companheiro para tudo na jornada da vida.

- Conversas envolventes, criativas e nutritivas.

- Transmutador da realidade: a paixão amorosa que ele inspira transforma magicamente a nossa realidade.

- Prazer enlouquecedor através do sexo criativo, envolvente e competente.

- Ampliador dos limites do eu: a sua forma de ver a realidade, a todo o momento, amplia a minha forma de perceber as coisas e estimula continuamente o meu crescimento psicológico.

- Apoio ilimitado: “Na saúde e na doença”, “Na alegria e na tristeza” …

- Fã incondicional: fonte inesgotável de admiração pela minha forma de ser, pensar e agir.

- Sócio nos lucros e perdas: estamos no mesmo barco na luta para conquistar aquilo que a vida oferece de melhor.

- Bem sucedido: bem sucedido na área econômica e social.

- Sempre lutando ombro a ombro: sempre dispostos a assumir os afazeres e obrigações que são necessários para a manutenção do lar e a educação dos filhos.

Ter um parceiro que proporcione os benefícios citados acima realmente afeta muito mais o nosso nível de felicidade do que possuir muitos bens ou obter um aumento significativo do nosso rendimento econômico. Da mesma forma, proporcionar essas coisas para o parceiro é extremamente importante.

O nosso tempo e a nossa energia são limitados. Temos que investi-los da melhor forma possível. Temos que decidir quanto tempo e quanta energia vamos usar para tentar obter bens materiais ou para cultivar bons relacionamentos.

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Universal usa Velho Testamento para reviver relação do ‘povo eleito’ com Deus

Templo de Salomão, da Universal, no bairro do Brás, em São Paulo (foto: Marlene Bergamo - 30.jul.2014/Folhapress)
Templo de Salomão, da Universal, no bairro do Brás, em São Paulo (foto: Marlene Bergamo – 30.jul.2014/Folhapress)

Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Por que os neopentecostais são apaixonados pelo que os cristãos chamam de “Velho Testamento”?

O termo, recusado pelos judeus, que usam “Tanach” para o cânone hebraico, ou “Bíblia Hebraica”, no rastro do crítico literário judeu americano Harold Bloom, reúne o conjunto de textos que vem antes do Novo Testamento. Neste, Jesus, o Messias dos cristãos, anuncia a “nova aliança” do Deus de Israel com a humanidade, diferente da “antiga aliança”, que seria apenas com o povo eleito, os hebreus. Salomão foi um dos mais importantes reis hebreus.

A diferença de terminologia para se referir a este conjunto de textos não é mero detalhe de um obcecado por estudos bíblicos, mas encerra em si um equívoco, do ponto de vista judaico, do que significa a chamada “eleição do povo de Israel”. De certa forma, grande parte do cristianismo compreende a eleição de Israel de um modo equivocado. A eleição é uma responsabilidade, um peso, não a escolha de um caçulinha mimado fadado ao sucesso. Aqui nasce o equívoco e, ao mesmo tempo, a paixão neopentecostal pelo Velho Testamento.

O “Templo de Salomão” construído pela Igreja Universal do Reino de Deus, é uma peça de fé, não uma reconstrução arqueológica, nem precisa ser, uma vez que estamos falando de religião, instituição que nada tem a ver com as demandas de uma ciência como a arqueologia.

O templo original, supostamente construído pelo rei Salomão, filho do rei Davi, no século 9º antes de Cristo, teria sido destruído por volta 586 a.C. Pesquisas arqueológicas situam os fragmentos encontrados no Monte do Templo, que poderiam ser da primeira sede do culto hebraico antigo, há cerca de 3.000 anos atrás, o que coincide com a vida do personagem bíblico em questão.

Mas, de onde vem essa paixão? Vem do fato que os neopentecostais (que se diferenciam dos seus “antepassados” pentecostais pelo forte caráter de “espetáculo para as massas” nos cultos) leem a relação entre o Deus de Israel e seu povo eleito numa chave mágica. Os fatos narrados no “Tanach” (Velho Testamento) indicam uma forte presença de Deus nos destinos do povo, alterando círculos naturais, criando forças a favor do povo, enfim, fundando um mundo de “milagres”.

Daí que, revivendo o Templo de Salomão, supostamente, a Igreja Universal dá um importante passo simbólico no sentido de dizer que seus fiéis revivem a relação de povo eleito com seu Deus, Rei do Universo (“Melech HaOlam”). A imagem é forte, temos que reconhecer. Mas, aqui reside a chave da interpretação equivocada que leva a paixão dos neopentecostais por todos os signos vétero-testamentários.

O equívoco está no fato que o mundo mágico do Velho Testamento é apenas uma pequena parte da eleição de Israel. Mas os neopentecostais parecem crer que essa “mágica israelita” é a base para o sucesso, a felicidade, e, finalmente, para a teologia da prosperidade que marca o movimento neopentecostal. Dito de forma direta: quem vive com o Deus de Israel fica rico e feliz.

Ledo engano, basta ver a história dos judeus e os jornais atuais. A eleição do povo de Israel, para os judeus, significa muito mais que o povo é um povo de sacerdotes, que leva a mão de Deus sobre si, num mundo de agonias, que recusará e odiará esse povo justamente por isso. Não é por outra razão que se chama o massacre de judeus na Segunda Guerra de “Holocausto”. O povo é “um animal do sacrifício”, e cada vez que Deus quiser, Ele o lança ao fogo para “falar” com o mundo.

A eleição de Israel é muito mais um peso do que um ticket para o sucesso. Tem mais a ver com o conflito israelo-palestino, através do qual muitos odeiam Israel, do que com ficar rico e feliz. Se perguntarmos a muitos judeus religiosos em Israel e no mundo, dirão que o desespero que passa Israel hoje, o medo do ódio do mundo e da destruição do Estado de Israel, é mais uma marca da sofrida eleição.

Por isso, não é difícil encontrar judeus que pediriam a Deus, assim como profetas o fizeram, que escolha outro povo para ser Seu eleito, porque Israel já cansou.

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Há relação entre religião e felicidade?

Estudos mostram que a felicidade não se associa à intensidade com que nos relacionamos com o divino; os mais contentes com a vida costumam ser aqueles que mais frequentam serviços religiosos

foto: Shutterstock
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Publicado por Mente & Cérebro

Não é de hoje que o imaginário popular é preenchido com a ideia de que a fé deixa as pessoas mais satisfeitas. No final dos anos 50, havia um anúncio de serviço público em que um ídolo adolescente americano chamado Fabian dizia: “Seríamos mais felizes se visitássemos a igreja com mais frequência”.

Nas décadas seguintes, sociólogos e psicólogos confirmaram essa afirmação. Há forte correlação entre religião, saúde e felicidade. Um levantamento feito em 2008 pelo Centro Nacional de Pesquisa de Opinião (Norc, na sigla em inglês) entre americanos constatou que 48% das pessoas que participam de serviços religiosos mais de uma vez por semana relatam ser “muito felizes”. O número cai para 26% entre aquelas que não frequentam uma igreja.

Para descobrir como a crença pode afetar a vida das pessoas, cientistas sociais usam como base principalmente estudos populacionais, um método limitado para estudar fenômenos com influências sutis. De fato, não existe uma ferramenta capaz de avaliar adequadamente como comportamentos religiosos trazem, ao longo de décadas, determinadas mudanças na vida de alguém. Por outro lado, sabemos que a fé provoca efeitos. Essa conjunção de fatores torna difícil separar completamente as variáveis. Os pesquisadores precisam analisar com muito critério os poucos indícios escondidos entre os dados colhidos de milhares de pessoas.

No entanto, isso não quer dizer que não tenham valor. Em um artigo recente, os sociólogos Lim e Robert D. Putnam, da Universidade Harvard, analisaram informações de uma pesquisa de público, feita com 3 mil americanos sobre sua crença, para tentar compreender a relação entre religião e felicidade. Os entrevistados responderam a perguntas sobre comportamento religioso, como “quantas vezes sentia o amor de Deus, rezava ou lia textos sagrados”.

Os dados mostraram que a felicidade não estava associada à intensidade com que se relacionavam com o divino. Os mais satisfeitos com a vida eram aqueles que mais frequentavam os serviços religiosos. Com rigoroso controle das variáveis, Lim e Putnam descobriram que 28,2% dos que visitavam a congregação semanalmente estavam “extremamente satisfeitos”. Esse número cai para 19,6% entre os que não mantêm esse compromisso. A mesma diferença percentual (com vantagem dos crentes) aparece em relação à saúde e renda familiar.

Os benefícios da religião, porém, não se resumem ao apoio de uma rede social. Os pesquisadores compararam os participantes com amigos próximos (que não necessariamente expressavam a fé com a mesma intensidade) e descobriram que os mais felizes eram aqueles que, além de pertencerem a um grupo religioso, mantinham laços de amizade com pessoas da mesma congregação e valorizavam suas doutrinas. Sem o forte senso de identidade religiosa a coesão social tende a perder importância. Por outro lado, participar regularmente de uma comunidade sem cultivar amigos nela pode ser pior do que não frequentá-la. “Talvez possamos aprender algo com os laços que se formam entre os que frequentam uma igreja e procurar algo semelhante nos ambientes seculares”, diz Lim.

Embora sejam estatisticamente fortes, esse e muitos outros estudos sobre o tema foram feitos nos Estados Unidos, onde ser religioso é a norma cultural. É provável que para muitos a congregação sirva, entre outras coisas, como uma oportunidade única de apoio psicológico. “As igrejas americanas têm um jeito peculiar (…) de lidar com relações sociais, caridade e visões de mundo”, observa o psicólogo Lucas Galen, da Universidade do Estado de Grand Valley. Dados de outras culturas poderiam ajudar a regular o foco; afinal, muitos elementos da religião têm origem em outras fontes.

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