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Ser feliz faz mal para você

Thiago Perin, da Super Interessante.

Um estudo americano, publicado no Washington Post, que fala sobre os efeitos-colaterais da felicidade, concluiu que as pessoas felizes vivem menos. Compilados várias pesquisas, concluiu-se que a felicidade tem seus “efeitos colaterais”:

Pra começar, os felizes realmente morrem mais cedo — isso porque são mais propensos a cair em comportamentos de risco, como beber demais, comer demais, usar drogas demais e preocupar-se menos com os perigos que tudo isso representa.

O raciocínio também é afetado pela felicidade: o pensamento das pessoas felizes é menos sistemático, e elas são menos atentas aos detalhes — por isso, tendem a fazer julgamentos mais rápidos, e potencialmente errados.

Os alegress também são mais fáceis de enganar — em 2 estudos, voluntários mal-humorados detectaram mentiras mais facilmente do que os bem-humorados.

A felicidade mexe com o bolso, também. Noutro estudo, voluntários que se tinham declarado muito satisfeitos com a vida numa primeira entrevista tinham, 20 anos depois, salários menores (cerca de 3.500 dólares – mais de 2.650€- anuais a menos) do que os participantes apenas satisfeitos. Porquê? Muitos deles tinham parado de estudar antes.

Ah, outra coisa que pode influenciar a trajetória profissional: as pessoas muito felizes tendem a ser menos criativas. O estudo também concluiu que a alegria também deixa as pessoas mais egoístas (tendo que dividir bilhetes de loteria entre eles mesmos e colegas de estudo, voluntários pegavam mais para si próprios do que as pessoas tristes) e menos eloquentes (os argumentos dos felizes são mais fracos).

Então, o quão feliz precisa estar para ser feliz o suficiente? Na sequência do trabalho, os cientistas irão explorar a noção de que, alcançar um bom equilíbrio seria experimentando três emoções positivas, como alegria, compaixão, gratidão, ou esperança; para cada um negativo (nojo, vergonha, medo, culpa e tristeza).

Porque o Facebook vicia

Publicado originalmente em Scienceblogs

Já ouvi pessoas dizerem que o Facebook precisa de um botão de “não curtir”. Até descobri recentemente esta “Campanha Não Curti” com mais de 32.000 pessoas. Uma ideia interessante mas que, se aprovada, só prejudicaria o site.
É fácil entender o porquê disso, basta lembrar de um processo básico que nossos alunos aprendem no primeiro ano de psicologia: o condicionamento operante.

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Coloque um rato sedento em uma caixa fechada com uma alavanca que se pressionada libera uma gota d’água. Ensine-o a pressionar a alavanca e ele o fará muitas vezes, até saciar sua sede. Se em uma dessas ocasiões a consequência for retirada (a gota d’água) o pressionar a barra diminiuirá podendo chegar a zero. Mas se em alguns momentos ele receber água e outros não, ou seja, a consequência for intermitente, aí meu amigo, ele vai ser um rato muito insistente e pressionará muito a sua barra.

Agora imagine você escrevendo algo no Facebook, como “as fotos da festa ficaram ótimas”. 5 pessoas curtiram isso. Esse “curtir” funciona como a água: é o estímulo reforçador que manterá você escrevendo no site. Imagine que em momentos ninguém curtiu o que você posta, em outros poucas pessoas curtiram e em outros muitas pessoas curtiram. Aí você já foi “pego”, pois mesmo que ninguém tenha curtido algo que você postou, é provável que você continue postando, pois em outras ocasiões muitas pessoas curtiram.

Até agora eu não falei do “não curtir”. Para saber que consequências o “não curtir” poderia gerar em alguém é fácil: imagine o que aconteceria com o rato se, ao pressionar a barra, ele recebesse um choque. Simples assim!

Ou seja, em parte o sucesso do Facebook é a função “curtir” do site que funciona como um reforçador positivo para nossas respostas de escrever.

Alguns pesquisadores da Itália resolveram explicar que o Facebook é agradável mas de outra maneira: medindo as respostas fisiológicas da pessoa. Eles mediram a condutância da pele, volume de sangue do pulso, eletroencefalograma, eletromiografia, a atividade respiratória e a dilatação da pupila de 30 sujeitos saudáveis em 3 diferentes condições: relaxamento, mostrando slides do seu perfil no Facebook e uma condição de estresse.

Quando era mostrado ao sujeito o seu perfil no Facebook, a pessoa ficava emocionalmente mais agitada que nas outras condições, ou seja, ele ficava mais feliz e animado. A pesquisa conclui dizendo que sites de relacionamento social podem ter seu sucesso devido aos estados positivos que geram nos seus usuários.

Muito interessante essa pesquisa, mas agora vou analisar as duas explicações a partir de uma visão pragmatista, ou seja, de função prática:

  1. Sabendo que o “curtir” e as outras interações sociais são reforçadores eu posso prever que: a) se eu retirar os reforçadores, no caso se eu não tiver respostas de amigos ou ninguém “curtir” o que escrevo, esta minha resposta de escrever no site diminuirá podendo chegar à extinção; b) se eu colocar um estímulo aversivo, como uma função “não curtir”, isso pode diminuir minha frequência de escrever no site.
  2. Por outro lado, sabendo que o Facebook produz respostas fisiológicas de excitação eu posso prever que… as pessoas ficam felizes quando estão usando o Facebook! Grande descoberta!

Religiosos são mais felizes quando as circunstâncias são ruins

Stephanie D’Ornelas, com informações do ScienceDaily

Uma nova pesquisa publicada no Journal of Personality and Social Psychology sugere que em sociedades com problemas sociais as pessoas religiosas são mais felizes do que os seus colegas não religiosos. Onde a paz e a abundância são normas, no entanto, a religiosidade é mais baixa, e todas as pessoas são mais felizes – sendo religiosas ou não.

O estudo foi o primeiro a analisar a religião e a sua relação com a felicidade em uma escala global. Foram levantados dados de pessoas de mais de 150 países, que incluíram perguntas sobre filiação religiosa, satisfação com a vida, respeito, apoio social e sentimentos positivos e negativos.

Estudos anteriores sugeriram que as pessoas religiosas tendiam a ser mais felizes do que as não religiosas. As novas descobertas indicam, no entanto, que a religiosidade e a felicidade estão intimamente ligadas às características das sociedades em que as pessoas vivem.

As circunstâncias acabam prevendo a religiosidade. Circunstâncias difíceis levam as pessoas a serem mais religiosas. Em sociedades com menos mazelas sociais, as pessoas religiosas – em menor quantidade – não são as únicas felizes: nessas localidades, todos são mais felizes.

De acordo com os pesquisadores, a religiosidade parece aumentar a felicidade e o bem-estar nas sociedades que não fornecem alimentação adequada, emprego, saúde, segurança e oportunidades educacionais. Além disso, as pessoas religiosas que vivem em sociedades também religiosas têm mais probabilidade de se sentirem respeitadas, receber mais apoio social e serem mais positivas.

Já nas sociedades laicas – que em muitos casos são ricas e têm mais suporte social – as pessoas religiosas e não religiosas relatam bem-estar maior e sentimentos positivos. Surpreendentemente, as pessoas religiosas relataram mais sentimentos negativos do que as não religiosas nessas sociedades.

Pais matam filha adotiva ao tentar corrigi-la “segundo a Bíblia”

Agência Pavanews, com  informações da CNN e KHSL

O casal americano Kevin e Elizabeth Schatz foi preso e condenado pelo assassinato da filha Lydia Schatz, de 7 anos, e pela tortura e agressões à sua irmã, Zeriah, de 11 anos. Eles adotaram as duas meninas em um orfanato na Libéria, para viver com seus outros seis filhos.

A garota Lydia Shatz foi espancada durante sete horas e, de acordo com os médicos, os ferimentos que a levaram à morte são parecidos com o que sofrem as vítimas de terremotos ou bombardeios. O episódio aconteceu durante uma sessão de estudos na residência dos Schatz. O casal confessou o crime e Kevin foi condenado a prisão perpétua enquanto Elisabeth pegou 13 anos de cadeia. Os filhos estão sob cuidado do governo.

As agressões eram baseadas em uma doutrina fundamentalista cristã que pregava que, para criar filhos felizes e obedientes, eles devem ser espancados com determinada frequência. O livro usado como justificativa chama-se “To Train Up a Child” (parte da versão em português pode ser lida aqui). A obra foi publicada em 1994 e faz referência a passagens da Bíblia que falam da educação e de punições para as crianças. O casal usava para as agressões um cinto ou uma mangueira sempre que uma das crianças cometia um erro.

Homens casados há muito tempo são felizes; as mulheres, sexualmente satisfeitas

Publicado originalmente na ÉPOCA
Peter Macdiarmid

LONGEVIDADE AMOROSA
Homens casados são mais felizes em casamentos mais longos, enquanto as mulheres ficam mais felizes apenas depois de duas décadas de relacionamento

Homens brasileiros e espanhóis dificilmente assumem que estão felizes, em comparação com homens das outras nacionalidades pesquisadas em um estudo com casais de meia idade, realizado pela Universidade de Indiana, nos Estados Unidos. Participaram 1.009 casais heterossexuais do Brasil, Alemanha, Japão, Espanha e Estados Unidos. Enquanto os brasileiros são duros na queda para dizer que estão felizes, as mulheres brasileiras, ao lado das japonesas, foram as que mais afirmaram estar felizes em seus relacionamentos.

O estudo, liderado pela psiquiatra Julia Heiman, focou em casais de meia-idade e mais velhos, que estavam juntos há bastante tempo. A média de idade era 55 anos para os homens e 52 para as mulheres. Os relacionamentos tinham de 1 a 51 anos. E metade deles estavam casados há pelo menos 25 anos.

Julia e sua equipe descobriram que, entre os homens entrevistados, a felicidade aumentava quanto maior era o tempo de relacionamento. Para as mulheres, entretanto, afirmaram estar menos felizes entre o primeiro ano e o 15º do relacionamento. A partir das duas décadas de convívio, foi detectado uma tendência de aumento da felicidade. Os pesquisadores deduziram que essa oscilação na satisfação com relacionamento possa ser influenciada pela grande pressão que elas sofrem no início do casamento e com a criação dos filhos. Passada essa fase, conseguiriam encontrar outros focos para as suas vidas, que elevariam a sensação de felicidade.

O estudo também detectou que as mulheres com relacionamentos mais longos se dizem mais sexualmente satisfeitas do que aquelas que estão nos primeiros anos de casamento. Isso ocorre, provalvemente, dizem os pesquisadores, porque aquelas que não estão se dando bem no sexo acabam terminando com os parceiros.

Enquanto as mulheres tendem a dizer, com o passar dos anos, que estão sexualmente satisfeitas ao descrever seus relacionamentos, os homens tendem a afirmar que estão felizes. Essa revelação surpreendeu Julia e seus colegas. Além disso, para estarem satisfeitos com suas parceiras, eles que precisam de abraços, beijos e outras demonstrações físicas de carinho. Os pesquisadores não conseguiram descobrir se essa tendência foi detectada porque os homens que se envolvem relacionamentos longos são justamente os que, desde os princípio, necessitam desses afagos ou se eles acabaram mudando com o tempo. O que a equipe da Universidade de Indiana diz é que os estereótipos nem sempre (quase nunca) se confirmam quando se fala de relacionamentos.