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“Não existe homem fiel”

Cristiane Segatto, na Época

A frase não é minha, mas reflete a crença de grande parte dos brasileiros. Na quinta-feira (2) foi repetida pelo cantor Zezé Di Camargo durante uma entrevista coletiva. “Não existe homem fiel. Existe homem numa fase fiel”, disse ele ao dar pistas de que se separou de Zilu, com quem esteve casado por 30 anos.

Ninguém precisa ser um estudioso para saber que a infidelidade é mais comum do que parece, mas os estudos existem. Não são tão abundantes quanto as “puladas de cerca”, mas os achados nos permitem afirmar uma ou duas coisas.

Décadas de pesquisa demonstram que, pelo menos historicamente, a infidelidade é mais frequente entre os homens que entre as mulheres. Nos Estados Unidos, de 20% a 40% dos homens heterossexuais casados terão ao menos um affair durante a vida. Entre as mulheres, o índice varia de 10% a 25%.

A cada ano, de 1,5 a 4% das pessoas casadas têm um caso. É o que nos conta uma reportagem publicada neste mês pela revista Psychology Today, assinada por Hara Estroff Marano. Suspeito que o índice real de infidelidade – tanto lá quanto aqui – seja muito superior ao confessado.

Há um fato novo: a traição está deixando de ser uma prática marcadamente masculina. As pesquisas mais recentes flagram a mudança na população abaixo de 45 anos. Os índices de infidelidade entre homens e mulheres estão convergindo.

A maior parte das traições começa no ambiente de trabalho. Com mais mulheres trabalhando fora, as chances que elas têm de encontrar um affair se tornam tão altas quanto as oportunidades que os maridos têm. Além disso, a independência financeira deu às mulheres a liberdade de arriscar. E muitas estão fazendo isso.

Aos meus ouvidos, a frase de Zezé soa ultrapassada. Ou pelo menos incompleta. Homens e mulheres traem. As motivações para a traição, no entanto, ainda parecem ser diferentes. É o que dizem os especialistas.

Entre as mulheres, a principal razão de traição ainda são necessidades emocionais. Basicamente, elas traem porque não estão felizes com o casamento.

Entre os homens, a traição é independente da qualidade do casamento. Eles traem quando o casamento vai bem e quando vai mal.

O fator determinante para a traição – tanto entre os homens, quanto entre as mulheres – é a oportunidade. “As pessoas casadas se envolvem com outras pessoas quase sempre sem planejar”, diz o psicólogo Barry McCarthy.

Nenhum lugar oferece mais oportunidades que o ambiente de trabalho. Ele permite o contato constante com um grande número de pessoas, quase sempre com interesses comuns. E ainda torna plausível a desculpa clássica: “Benhê, vou dar uma esticada aqui no escritório”.

Não é mais possível entrar em qualquer discussão sobre infidelidade sem levar em conta as pesquisas recentes sobre os hormônios e a maquinaria do cérebro. Em estudos feitos com ressonância magnética, a antropóloga Helen Fisher demonstrou que existem sistemas neurais diferentes que determinam a atração, o amor romântico e o vínculo. Eles podem operar de forma independente entre si.

“Todo mundo começa um casamento acreditando que nunca terá um affair”, diz Helen. “Por que, então, nossos dados coletados em várias partes do mundo demonstram que as pessoas traem mesmo quando são felizes no casamento?”

A resposta: “Você pode ter um vínculo forte com um parceiro e sentir um amor romântico intenso por outro. E, ao mesmo tempo, perceber que outras pessoas lhe despertam desejo sexual”, diz Helen.

Hormônios, hormônios, hormônios. Podemos submetê-los às regras da cultura. Fazemos isso o tempo todo para que a vida em sociedade seja viável. Mas eles são rebeldes.

charge: Charges do Denny

Feliz dia dos cornos para todos nós

Xico Sá, na Folha.com

Hoje é dia dos Cornos. Por mais que este blog/almanaque folclorize e tenha uma queda por datas exóticas, a celebração é séria, com farta tradição católica desde a idade Média.

O festejo dos maridos traídos sempre foi comemorado no dia de São Marcos (imagem ao lado). Oficialmente desde meados do século XVIII. Principalmente em plagas portuguesas e espanholas.

Aí começou essa liga simbólica entre o chifre e a traição.

A todo 25 de abril, em procissão, os fiéis levavam ao altar do santo do dia uma coroa com um corno de animal na ponta. Em missa, os vigários coroavam os homens casados. Que bênção!

O costume católico, óbvio, virou logo uma fuleragem profana e hoje é quase um subgênero dentro da nossa música romântica. Meu amigo Reginaldo Rossi que o diga.

Chifre também é cultura.

Em homenagem a todos nós, que um dia fomos ou serenos cornos, vos digo: só um chifre humaniza um macho, repito aqui o velho mantra deste cronista vagabundo.

Vale também a filosofia de parachoque: um homem sem chifres é um animal desprotegido.

Só um chifre humaniza a macheza.

Um chifre daqueles bem parafusados pelo destino na fronte do artista. Nem que seja apenas como arma de vingança, como diz a canção do gênio potiguar Carlos Alexandre.

Um chifre daqueles que nos faz furar o LP com “Stephanie Says”, do Velvet, ou nos põe como a última das criaturas, ao sentir as batidas dos pingos da tempestade contra a vidraça.

Outra boa canção para o dia que celebramos: Tom Waits com “This One’s From The Heart”, aquela do fundo coração, o filme de Francis Ford Coppola, trilha sonora permanente deste blog.

A seguir, a fita cassete o “Fino do Corno” ou “As canções que você tocou para mim”. Ei-las:

-“Les Amours Perdues”, do cafa Serge Gainsbourg, na vitrola, pode ser?

- “Por que me arrasto aos teus pés”,de Roberto e Eramos, sofre miserável!

- “No toca fita do meu carro”, do Bartô Galeno, arrocha!

- “Atrás da porta”, do xará Francisco, “só pra mostrar que ainda sou tua”.

- “Negue”, do mesmo Chico, mas com o drama que só a Maria Bethânia sabe injetar na parada. “Que eu mostro a boca molhada,ainda marcada…”

- Lupicínio entra com umas dez no cassete. Mas fiquemos com “Nervos de aço”.

E chega. Como diz aquele programa da Igreja Universal: pare de sofrer. Hoje é dia de comemorar.

Os mais devotos questionam mais Deus

Bernardo Staut, no Hype Science

Questionar Deus e a religião são coisas comuns no mundo moderno. Mas agora, surpreendentemente, uma pesquisa revela que os que mais questionam são também os mais devotos.

No geral, as pessoas que são muito religiosas têm mais tendência a dizer que não é certo estar bravo com Deus. Mas aqueles que descrevem sua relação com Deus como próxima e resistente à adversidades (um devoto, no sentido estrito), são os que aceitam melhor reclamações e questionamentos direcionados a Deus.

“Ter esse tipo de atitude mostrou-se associado com uma relação segura, próxima e boa”, comenta a pesquisadora Julie Exline. A descoberta é interessante porque muitas pessoas se sentem mal ao questionar Deus.

“Eu penso que é importante para as pessoas enxergarem que uma boa relação com Deus tem espaço para isso, como um casamento, onde há lugar para questionamentos e desavenças”, comenta Exline.

Raiva divina

Em um estudo anterior, Exline descobriu que a raiva contra Deus não é incomum – cerca de 87% dos estudantes de um colégio disseram sentir raiva contra Deus após problemas pessoais. O próximo passo era explorar se sentir raiva era aceitável.

Usando duas amostragens – uma de 358 universitários e outra de 471 adultos, Exline perguntou se era moralmente aceitável questionar, reclamar, ficar com raiva, ou até virar as costas para Deus, tornando-se um ateu. Cerca de 39% dos participantes eram protestantes, 30% era católicos e 5% eram judeus. O restante era formado por hindus, muçulmanos, budistas, espiritualizados sem religião e outros credos.

Todos acreditavam em Deus de alguma maneira. Exline acabou descobrindo que aqueles que possuíam uma relação mais próxima e resiliente eram fortemente contra a ideia de virar as costas para Deus. Mas esse tipo de relacionamento também gerava uma aceitação maior para as reclamações e eventos negativos com relação a Deus.

Você concorda com essa pesquisa? [LiveScience]

Em vídeo, líder da Igreja Mundial desafia Edir Macedo a abrir contas

Valdemiro Santiago, líder da Igreja Mundial, sob ataque da Record e da Universal

Ricardo Feltrin, no F5

O líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago, respondeu às acusações exibidas no “Domingo Espetacular”, da semana passada. Baseado em documentos e registros em cartório, o programa dominical da Record afirma que Santiago comprou duas fazendas no Mato Grosso com dinheiro vivo e desviado da igreja. Santiago nega as acusações. Em sua primeira entrevista desde o início das ataques pela Record/Universal, ele afirma ao “F5″ que as fazendas não são suas, mas da igreja. Assista ao vídeo exclusivo do “F5″.

Santiago desafiou a Record e Edir Macedo a abrirem suas contas a uma auditoria externa e independente. “Eu abro minhas contas, quero que sejam investigadas. Quero ver se ele (Macedo) faz o mesmo. Quero ver ele (sic) provar com que dinheiro comprou a emissora dele”, declara, em entrevista exclusiva.

Valdemiro Santiago faz ‘acusações levianas’, afirma TV Record

Procurada, a Record informou, por meio de sua direção de Comunicação, que “a emissora e seu principal acionista, Edir Macedo, já foram vítimas de várias acusações levianas como estas que acabaram arquivadas no Supremo Tribunal Federal” (leia a íntegra do comunicado aqui).

“A igreja (Mundial) comprou a fazenda. É legal isso. A fazenda é da igreja e tem documento para provar”, afirmou Santiago. “Mas, se eu quisesse comprar fazenda, eu teria recursos. Você está vendo que eu tenho recursos (aponta para a parede com vários discos de ouro, platina e diamante; na parede, somam cerca de 5 milhões de cópias que ele vendeu como cantor).

Questionado se, como religiosos, tanto ele, Santiago, quanto Macedo não estão dando exemplo oposto ao que, por exemplo, pregou Jesus a respeito de não se odiar aos inimigos (Mateus 5,43 e Romanos 12,20, entre outros trechos bíblicos), o líder da Mundial respondeu:

“Não tenho ódio (de Macedo). Eu oro por ele nas madrugadas. Eu abençoei a mãe dele. Fiz oração para curá-la. Isso é não ódio, é amor. Odiar é atacar como ele está fazendo.”

foto: Mastrangelo Reino/Folhapress