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Padre vira guru do amor nas redes sociais
Publicado originalmente na Veja
Vídeo ‘Dez conselhos para arrumar alguém’, de Chrystian Shankar, vira febre na rede, com quase meio milhão de visualizações em 45 dias
O time de gurus que ensinam pessoas a alcançar a felicidade no grande amor vem recebendo um reforço religioso no Youtube. Trata-se do vídeo em que o pároco Chrystian Shankar, do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Divinópolis (MG), ensina fiéis a “encontrar alguém”.
Em dez passos, explicados numa linguagem bastante direta, Shankar orienta os “encalhados” a buscar namorados na noite. Há, é claro, restrições: deve-se optar por lugares “construtivos” e evitar “atirar” para todos os lados, além de cuidar do figurino. As dicas são voltadas especialmente para as mulheres. “O jeito como você se veste está dizendo para os homens quem você é e o que você quer”, afirma o religioso, orientando as moças sobre como despertar o desejo de quem busca compromisso sério.
A passagem apoteótica do vídeo ocorre quando o padre diz que as pessoas devem evitar sair com “a turminha das encalhadas”. “Ali, meu filho, homem não chega”, alerta Shankar, arrancando palmas da plateia.
O vídeo foi colocado na internet dia 21 de janeiro e, em pouco mais de um mês, alcançou 500.000 visualizações. Entre os comentários, há até elogios de ateus. Outros vídeos do padre que figuram entre os hits dos sermões são Sete sinais de que o namoro não vai dar certo (300.000 views) e Quatro motivos para um namoro não dar certo (mais de 100.000 views).
Mas engana-se quem pensa que o padre é um candidato desavisado a celebridade da rede. Além de ter um programa de rádio e outro de televisão, Shankar é conectado: tem site pessoal e perfis no Facebook e Twitter.
Os espertalhões da fé
Luiz Cláudio Cunha, no Sul21 [via Observatório da Imprensa]
Incapaz de vender a alma ao diabo, a Rede Bandeirantes acaba de revender seu santo horário da noite para o pastor R.R. Soares, o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus. O seu Show da Fé de 20 minutos, que começava religiosamente às 21h, agora vai durar uma hora inteira, a partir das 20h30. Não se sabe ainda quanto custou esse novo e triplicado milagre, mas pelo contrato antigo o bom pastor já pagava R$ 5 milhões mensais à Band. O vil metal falou mais alto para a TV de Johnny Saad, que anunciava a devolução do horário nobre da noite a seriados consagrados, como o 24 Horas, para concorrer com as novelas da Globo e as séries do SBT, todas com melhor audiência.
A novidade escangalhou os planos do argentino Diego Guebel, que assumiu a direção artística da Band em outubro passado com a promessa de recuperar o espaço nobre e caro da noite para atrações mais mundanas do que a prosopopeia de Soares. A bíblica derrota de Guebel na Band é apenas outro indício da onda avassaladora do dinheiro que afoga a TV brasileira deste Brasil cínico que finge ser laico e imune à força econômica da religião e seus falsos profetas. Os canais de rádio e TV são concessões públicas, supostamente alheias aos credos e seitas religiosas que transformaram estúdios, igrejas, templos e estádios em púlpitos eletrônicos cada vez mais invasivos e escancarados.
Não existe ninguém no governo ou no Congresso brasileiros com coragem para frear essa flagrante ilegalidade, sancionada por verbas, dízimos, patrocínios e uma farta hipocrisia. A irrestrita capitulação aos padres e pastores que lideram milhões de fiéis (e eleitores) ficou escancarada na última eleição presidencial, em 2010, quando os dois principais candidatos com raízes na esquerda – Dilma Rousseff e José Serra – sucumbiram vergonhosamente à chantagem das correntes mais atrasadas das igrejas, frequentando missas e cultos com o gestual mal ensaiado de pios devotos que não sabiam nem metade da missa, nem qualquer salmo dos evangelhos. Encenaram um constrangedor teatro de conversão medida para não ofender o eleitor mais ortodoxo. Para não perder votos, Dilma e Serra caíram na armadilha do falso debate religioso sobre o aborto – um tema que um e outro, por mera consciência política ou formação acadêmica, sabem que nos países mais evoluídos não passa de um grave e secular problema de saúde pública.
A submissão das instâncias do Estado secular ao poder cada vez maior das igrejas pode ser medida pela intrusão cada vez mais descarada da fé nos meios eletrônicos do Brasil, que deturpam a concessão pública pelo proselitismo religioso vetado pela Constituição. A igreja católica brasileira agrupa hoje mais de 200 rádios e quase 50 emissoras de TV, contra 80 rádios e quase 280 emissoras de TV de oito braços do crescente ramo evangélico. É um domínio que se fortalece cada vez mais, embora adaptando seu perfil para fórmulas mais agressivas e despudoradas de avanço sobre o bolso das populações mais pobres, mais desesperadas, menos instruídas.
Comer ou dormir
Em agosto de 2011, a Fundação Getúlio Vargas divulgou o Novo Mapa das Religiões, um denso estudo realizado pelo Centro de Políticas Sociais da FGV, com base em 200 mil entrevistas formuladas pelo IBGE em 2009 a partir de sua Pesquisa de Orçamento Familiar (POF). O trabalho mostrou que o Brasil deixará de ser a maior nação católica do mundo nos próximos 20 anos, mantida a queda progressiva que sofre a Igreja no país. Ela representava 83,24% da população em 1991 e caiu para 68,43% em 2009. “As mudanças que antes ocorriam em 100 anos agora acontecem em 10. Se esta perda de 1% de católicos por ano continuar, a Igreja católica terá em 20 anos menos da metade da população brasileira”, destacou o coordenador da pesquisa, Marcelo Côrtes Neri, economista-chefe do Centro de Políticas Sociais da FGV.
A economia é um forte indutor desta transformação, diz Neri. Ele lembra que as chamadas “décadas perdidas” de 1980 e 1990 foram demarcadas pela queda do catolicismo em contraste com a ascensão dos grupos evangélicos, especialmente seus ramos mais belicosos e vorazes – os neopentecostais. O período de 2003 a 2009, compreendido entre duas graves crises econômicas, observa uma segunda explosão evangélica, passando de 17,9% para 20,2%. A primeira explosão, ainda maior, ocorreu nas últimas seis décadas do século 20, quando os evangélicos aumentaram seu rebanho em sete vezes: passaram de 2,6% em 1940 para 15,4% em 2000.
A FGV foi buscar no alemão Max Weber (1864-1920), o pai da moderna sociologia, o fundamento teórico que explica o avanço arrebatador dos evangélicos, a partir de sua obra mais conhecida – A ética protestante e o “espírito” do capitalismo, publicada em 1904-05. Ali, Weber explica o maior desenvolvimento capitalista nos países protestantes no século 19 e a maior proporção desses fiéis entre empresários e trabalhadores mais qualificados. “A tese de Weber era que o estilo de vida católico jogava para outra vida a conquista da felicidade. A culpa católica inibiria a acumulação de capital e a lógica da dívida de trabalho, motores fundamentais do desenvolvimento capitalista”, escreve Neri.
Weber repetia um ditado da época: “Entre bem comer ou bem dormir, há que escolher. O protestante quer comer bem, enquanto o católico quer dormir sossegado”. O pensador alemão constrói seu texto em cima de máximas do inventor e calvinista americano Benjamin Franklin (1706-1790), um dos líderes da Independência dos Estados Unidos, que dizia que “tempo é dinheiro” e “dinheiro gera mais dinheiro”. Era uma notável conversão justamente aos argumentos opostos que levaram ao grande cisma do cristianismo, no início do século 16, quando um atrevido padre agostiniano alemão, Martinho Lutero, pregou nos portões da igreja de Wittenberg as suas 95 teses que desafiavam a autoridade do papa e quebravam a hegemonia de Roma sobre o mundo cristão. Na época, Lutero denunciava justamente o que seria o âmago da Reforma Protestante: o desvio do caminho de fé da igreja primitiva para o atalho da corrupção, da indulgência, da simonia e da luxúria de papas e cardeais rodeados de amantes e concubinas, antecessores lascivos dos bispos e padres que comem criancinhas.
Teologia do bolso
Lutero e sua radical volta às origens, estimulando o protesto aos desvios éticos de Roma e o retorno à palavra original dos evangelhos, geraram os dois termos que identificam os segmentos mais prósperos da dissidência cristã: os protestantes e os evangélicos, onde brilha sua facção mais agressiva e endinheirada – o pentecostalismo, que hoje abriga no mundo cerca de 600 milhões de seguidores, pulverizados em 11 mil seitas e subgrupos. Ali viceja sua parcela mais faustosa: a corrente neopentecostal, a que pertencem o abonado bispo R.R. Soares e seus parceiros mais ricos, os também bispos Edir Macedo, Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, cada um chefiando sua própria seita, sempre na condição suprema de “apóstolos”. Todos mostram uma devoção especial pela alma e pelo bolso de seus seguidores, a quem não se acanham de pedir contribuições financeiras a que, recatadamente, chamam de “oferta”.
Para não atormentar ainda mais a vida de sua aflita freguesia, os quatro chefes religiosos tratam de facilitar ao máximo as ofertas financeiras. Na tela da TV de seus animados cultos, sempre se oferece o número das contas bancárias, a bandeira dos cartões de crédito ou o telefone para informações extras que permitam a oferta, rápida e facilitada. Nenhum deles fica ruborizado pela insistência do pedido de ajuda, porque todos são pios devotos da “Teologia da Prosperidade”, uma doutrina pecuniária que faria o velho Lutero engolir cada uma das 95 teses que vomitou contra a cupidez da velha Roma.
A ideia nasceu, evidentemente, no coração do capitalismo, os Estados Unidos, no início do século 20. O pai dessa fé sonante é o americano Essek William Kenyon (1867-1948), um evangelista de origem metodista nascido em Saratoga, Estado de Nova York. Descobriu o milagre do rádio e plantou ali a sua Igreja no Ar, a ancestral eletrônica dos R.R.Soares e Malafaias da vida. Espalhou então aos quatro ventos o lema que explica as benesses divinas da fartura: “O que eu confesso, eu possuo”.
Kenyon passou o bastão da prosperidade para um conterrâneo, Kenneth Erwin Hagin (1917-2003), um jovem texano com deficiência cardíaca, que caiu de cama quando adolescente. Garantiu ter ido e voltado ao inferno e ao céu não uma, nem duas, mas três (três!) vezes. Com este desempenho singular, até para campeões de esportes radicais, o jovem naturalmente converteu-se. Dizendo-se ungido para ser mestre e profeta, Hagin garantia ter tido oito (oito!) visões de Cristo na década de 1950, além de acumular alguns passeios extracorpóreos. Tudo isso acrescido pela divina revelação de que os verdadeiros fiéis deviam gozar de uma excelente saúde financeira e que o caminho da fortuna passava, inevitavelmente, pela prosperidade de seus profetas aqui na Terra. Foi sopa no mel, e a teologia da prosperidade conquistou corações e mentes – e bolsos. Continue lendo
Edir Macedo e líderes da IURD são indiciados pelo MP por evasão de divisas e formação de quadrilha
Com informações de O Globo e VEJA
Edir Macedo Bezerra, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), e outras três pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público Federal (MPF) por lavagem dinheiro, evasão de divisas, formação de quadrilha, falsidade ideológica e estelionato contra fiéis para a obtenção de recursos para a IURD.
Os demais denunciados são o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, e a diretora financeira Alba Maria Silva da Costa, todos ligados à IURD. Eles são acusados de pertencer a uma quadrilha usada para lavar dinheiro da igreja, remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos entre 1999 e 2005 através de uma casa de câmbio paulista.
A denúncia do procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira afirma que o dinheiro era obtido por meio de estelionato contra fiéis, por meio do “oferecimento de falsas promessas e ameaças de que o socorro espiritual e econômico somente alcançaria aqueles que se sacrificassem economicamente pela Igreja”.
Os quatro são acusados do crime de falsidade ideológica, por terem inserido nos contratos sociais de empresas do grupo da IURD composições societárias diversas das verdadeiras. O objetivo dessa prática era ocultar a real proprietária de diversos empreendimentos: a igreja.
O Procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira também encaminhou cópia da denúncia à área Cível da Procuradoria da República em São Paulo, solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da Iurd.
Uma das testemunhas da investigação do Ministério Público, que resultou na denúncia à Justiça contra Edir Macedo acusa a cúpula da IURD de receber doação de um ladrão de banco com conhecimento de que o dinheiro era fruto de um crime. Ao MPF, o lavador de carros Edilson Cesário Vieira reforçou o que havia denunciado ao Ministério Público estadual. Ele relatou que em dezembro de 2006 presenciou um homem, que se apresentava como “Alexandre”, entregar R$ 200 mil aos bispos Edir Macedo e Romualdo Panceiro, apontado como número dois da instituição.
O encontro teria sido no 4o andar do templo da Av. João Dias, em São Paulo. Em 11 de maio de 2010, em depoimento aos promotores Everton Luiz Zanella e José Mario Buck Marzagão Barbuto, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, Edilson disse que a quantia doada por “Alexandre” para a Universal é “proveniente de um crime de roubo ao Banco do Brasil, mas não sei agência ou endereço”. No dia 26 de agosto, Edilson prestou novo depoimento, para o procurador Sílvio Oliveira, e declarou que o homem que havia sido mostrado na televisão ao ser preso no dia 24 era a pessoa que havia doado o dinheiro, em 2006.
A quantia teria sido entregue ainda com lacre do banco. A Secretaria de Segurança havia divulgado que o preso, Antônio Reginaldo de Araújo, participara do assalto ao Banco Central de Fortaleza em 2005, mas a informação foi negada pela Justiça Federal do Ceará.
O advogado da Universal, Antonio Sérgio de Moraes Pitombo, disse ontem que a igreja só vai se manifestar depois que souber o teor da denúncia do Ministério Público Federal.
No documento do MPF, Edilson é citado como uma das vítimas das “práticas ardilosas” da igreja para iludir fiéis. Edilson frequentou a igreja entre 1997 e 2008: — Fui enganado. Percebi que estava todo endividado
Nova igreja quer o reconhecimento da pirataria como religião
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Não roubarás. “Copiarás.” É assim, com um único mandamento, que uma nova seita criada na pequena cidade de Uppsala, a 70 km da de Estocolmo, capital da Suécia, planeja conquistar fiéis pelo mundo. Mas quem passar por lá não verá sede, nem santos. Os cerca de mil adeptos da Missionary Kopimistsamfundet [Igreja Missionária do Kopismo] fazem tudo pela internet. Eles se reúnem em salas virtuais para compartilhar cópias de textos, músicas e vídeos. Lá, debatem lemas como “o software pago é comparável à escravidão”, entre outros lemas libertários sobre tecnologia.
O conceito base do Kopimi (Copy Me), é uma ideia criada pelo partido Pirata sueco, para ser o oposto de Copyright. O Kopimi encoraja a cópia de um trabalho – para qualquer propósito, comercial ou não comercial.
A igreja quer tornar sagrado o ato de fazer uma cópia de um arquivo. Isak Gerson, 19 anos, estudante de filosofia e defensor da religião do Kopimismo, fundou a igreja no ano passado com o objetivo de se proteger usando um parágrafo legítimo da constituição sueca:
“Capítulo 2. § 1 cada cidadão tem garantida contra o governo a liberdade de religião: Liberdade, seja sozinho ou com outras pessoas, para praticar sua religião.”
Os cultos, fechados, são conduzidos pelo seu fundador, Gerson, que prega o livre compartilhamento como algo sagrado. Nenhum deles compra livros, CDs ou DVDs, nem utiliza programas como Windows ou iTunes. Usam o sistema aberto Linux nos computadores e, para justificar os atos fora da lei, costumam afirmar que impedir a comunhão da cultura, ou cobrar por ela, é inaceitável.
“Somos contrários a qualquer tipo de controle da informação. Ninguém tem o direito de dizer às pessoas o que ler, ouvir ou ver”, afirma Gerson. Em maio deste ano, ele enviou ao governo sueco uma petição para que o Kopismo se torne de fato uma igreja reconhecida.
Logo após sua fundação, ele entrou com um pedido para que ela seja oficialmente reconhecida pelas autoridades, evitando assim a perseguição pelas suas crenças. Mas não era tão simples assim.
“O pedido foi rejeitado no início de abril deste ano”, disse o fundador no seu perfil do Twitter @isakgerson. “Foi rejeitado porque a lei sueca exige uma comunhão religiosa que tenha uma maneira formalizada de rezar ou algum tipo de meditação.”
Ele entrou novamente com o pedido, dessa vez formalizando seus rituais oficiais, com direito a uma meditação sobre o compartilhamento de informações e o ato de copiar arquivos. Os seus sacerdotes passaram a se chamar “ops” e o Ctrl+C e o Ctrl+V foram definidos como símbolos sagrados. Mas tiveram novamente o pedido negado.





