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Igreja Renascer cria ‘dízimo’ com seguro e sorteio na Loteria Federal

Ricardo Feltrin, no UOL

A criatividade das igrejas na tentativa de tirar cada vez mais dinheiro dos fiéis é algo realmente surpreendente. A última novidade é a “oferta” que a Igreja Renascer está “desafiando” seus fiéis a fazer. Veja como ela funciona: o fiel aceita o desafio de pagar R$ 2,00 por dia, em parcelas mensais de R$ 60, durante um ano.

Durante todo esse período, enquanto ele pagar em dia, ele terá direito a três benefícios garantidos pela empresa Mongeral (que ficou muito conhecida no Brasil na década de 70 ao vender previdência privada a incautos). Os benefícios são: indenização em caso de morte, acidente e ainda o fiel receberá números todos os meses com os quais ele concorrerá a prêmios de R$ 5.000 a serem sorteados pela Loteria Federal.

Detalhe: essa contribuição de R$ 60 por mês NÃO FAZ PARTE do dízimo, que continua sendo obrigatório para os fiéis, que doam de 10% a até 30% de seus ganhos, voluntariamente à Renascer. Além do dízimo, todos os meses são feitos novos “desafios” instando os fieis a contribuir com mais dinheiro ou doar bens.

A Renascer é uma polêmica igreja evangélica que também se vale dos princípios da teologia da prosperidade. Grosso modo, a do “é dando que se recebe”. Quanto mais você dá à igreja, mais recebe de Deus. Bem, é uma questão de fé.

Em janeiro deste ano, os líderes da Renascer, Estevam e Sônia Hernandes foram listados em 5º lugar entre os religiosos mais ricos do Brasil, com uma fortuna avaliada em R$ 120 milhões de reais. Em primeiro lugar ficou o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, com R$ 2 bilhões.

Ambos foram presos pela polícia dos EUA entre 2007 e 2008, condenados por contrabando de dinheiro e conspiração para contrabando de dinheiro. Estevam e Sônia fora presos quando desembarcavam nos EUA com US$ 56,4 mil escondidos em uma bolsa, dentro de uma Bíblia, em um porta-CDs e em uma mala. Pela lei, eles deveriam ter informado, na alfândega, que portavam mais de US$ 10 mil.

No Brasil, os principais processos contra eles já foram extintos.

dica do Leandro Miranda da Gloria e do Emmanoel Messias

Fiéis de igreja fazem ‘vaquinha’ para pastor Waguinho não ser preso; ex-pagodeiro deve R$ 103 mil de pensão

Waguinho deve pensão alimentícia Foto: Divulgação

Waguinho deve pensão alimentícia Foto: Divulgação

Luã Marinatto, no Extra

Depois de ter a prisão decretada no último dia 18 pela juíza Daniela Brandão Ferreira, da 11ª Vara de Família, devido ao não pagamento de pensão alimentícia, o ex-pagodeiro e agora pastor Waguinho conta com o apoio de amigos e fiéis da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, liderada pelo Pastor Marcos Pereira, para não ir parar na cadeia. A defesa do músico entrou na última quinta-feira (25) com um pedido de renegociação, onde ofereceu R$ 45 mil obtidos a partir de um “vaquinha” para que o pedido de prisão seja suspenso – segundo o advogado Henrique Machado, um fiel chegou a usar o dinheiro da venda de um carro para colaborar. O total da dívida é de cerca de R$ 103 mil.

- Eu, outras pessoas da igreja, colegas… Estamos juntando dinheiro para que ele não vá preso, pois o Waguinho não tem recursos – confirma o pastor Marcos Pereira, amigo pessoal do cantor.

O processo é movido pela modelo Solange Gomes, que tem uma filha de 13 anos com Waguinho. Em 2004, ele chegou a passar cinco dias atrás das grades pelo mesmo motivo. Na ocasião, o cantor só foi solto após desembolsar R$ 15 mil. Atualmente, a pensão é de oito salários mínimos. Waguinho alega ter um rendimento mensal de R$ 10 mil, o que o impossibilitaria de arcar com tal valor.

- O objetivo é maior é que essa bola de neve termine. Ele não é inadimplente, só não condições de pagar. O Waguinho mora de aluguel, não tem nem patrimônio – garante Henrique Machado, acrescentando que o artista tem outros quatro filhos para sustentar.

Solange Gomes e a filha com Waguinho, Stephanie Foto: Nina Lima

A advogada de Solange Gomes, Rosana Aparecida de Oliveira Miranda Nogueira, questiona a renda declarada por Waguinho à Justiça. Ela usou como exemplo uma apresentação feita pelo cantor na última terça-feira, na casa de eventos Via Show, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, em que o músico lançou o CD gospel “Momentos com o Senhor”. Apesar de ter contado com a presença de quase três mil pessoas, Waguinho diz não ter recebido cachê e garante ter amargado um prejuízo de R$ 2 mil. Sobre a proposta de acordo apresentada à Justiça, a advogada de Solange afirmou que só ira se pronunciar depois de ser devidamente intimada.

- Só aí nos posicionaremos. Mas o faremos de forma a atender melhor aos interesses da Stephanie (filha do casal), e não aos do Wagner – avisa Rosana Aparecida.

Daqui a dois meses, uma audiência discutirá a revisão dos valores pagos por Waguinho. A intenção da defesa do cantor é que a pensão passe a ser de no máximo dois salários mínimos e meio.

Waguinho com Solanges Gomes em foto de 1999, antes do nascimento de Stephanie Foto: Sérgio Cabral

Waguinho com Solanges Gomes em foto de 1999, antes do nascimento de Stephanie Foto: Sérgio Cabral

dica do Guilherme Massuia

só pra lembrar, people:

a tal igreja:

o ~currículo~ do líder da denominação:

sem mais.

Menor que assumiu autoria do disparo de sinalizador em jogo na Bolívia ganha bolsa de estudos integral

foto: Blog Jovem Pan

foto: Blog Jovem Pan

título original: Faculdade de graça para menor

Bernardo Itri, na Folha de S.Paulo

O adolescente que assumiu a autoria do disparo do sinalizador que matou Kevin Espada ganhou bolsa integral para cursar o ensino superior. Ele terminará o ensino médio neste ano e, em 2014, poderá começar uma faculdade da zona leste, no curso que desejar, sem pagar. A Gaviões da Fiel foi a responsável por barganhar a bolsa. A organizada também não terá custo –o benefício foi concedido pela instituição de ensino.

Segredo. O nome da universidade que concedeu a bolsa é mantido em sigilo pela Gaviões porque há o receio de que o jovem sofra retaliações de outros alunos. A universidade também tem medo que protestos sejam feitos para impedir que a bolsa seja dada ao garoto.

dica do Rogério Moreira

Um homem fiel

Ilustração de Bebel Franco

Ilustração de Bebel Franco

Danuza Leão, na Folha de S.Paulo

As mulheres são curiosas. Outro dia ouvi de uma amiga a seguinte pérola: “não é nem que eu esteja assim tão apaixonada, mas estou com XXX porque ele é incapaz de me trair”.

A certeza com que ela disse isso –e a felicidade–, me levaram a pensar: será que essa é mesmo a maior qualidade que se pode querer de um homem? Que ele seja incapaz de nos trair? É um caso a pensar.

Naturalmente nenhuma mulher está querendo que o homem com quem pretende compartilhar a vida saia atrás da primeira mulher que passar pela frente; mas é preciso que o homem que se ama seja capaz de quase tudo, e nesse quase tudo está incluída a capacidade de achar graça em muitas mulheres; aliás, em quase todas. E é essa capacidade que põe a mulher louca –por ele.

Está-se falando de amor, claro, e qual a mulher que consegue amar sabendo que o homem que ama é incapaz de traí-la, que ela pode passar a vida fazendo qualquer coisa –ou nada– que vai ser amada da mesma maneira?

O que conserva o amor em altíssima temperatura é a incerteza, é a dúvida. Será que ele foi mesmo a um jantar de trabalho? Será que foi mesmo ao futebol? E quando o celular tocou e ele disse que não podia falar, que ligava depois, não seria uma mulher? Claro que era, ela vai pensar. E vai viver no fio da navalha, sem certeza alguma do que está se passando, razão mais do que suficiente para não conseguir dormir, para viver atenta, prestando atenção a tudo, sobretudo aos silêncios.

Viver à beira do precipício é o maior combustível para uma paixão, e muitos confundem insegurança com sentimentos mais profundos.

Uma mulher que não tem muita certeza da fidelidade do seu parceiro nunca será vista precisando pintar a raiz dos cabelos ou sem pelo menos um pouquinho de maquiagem. Ela sabe que vive sempre por um fio, e nada melhor para alguém se sentir viva do que saber que a qualquer momento pode ganhar –ou perder– a vida, o dinheiro, o homem amado.

Estabilidade? E alguém tem estabilidade em alguma coisa? Se alguém achar que tem, além de ser um ingênuo, vai perceber que é a morte em vida.

Que você seja a pessoa mais rica do mundo, mais bonita, mais poderosa, pode acontecer de um dia, em um minuto, perder tudo.

Se houver uma revolução, o mais rico de todos pode ficar pobre –e até ser preso; se a mais linda tiver a pouca sorte de passar num desses bueiros que no Rio às vezes explodem, corre o risco de ir para o hospital para cuidar de suas queimaduras, e dizem que dor maior não há; e o poder– bem, basta ler os jornais, qualquer um, de qualquer país, para ver que se trata de uma gangorra.

Faça um exercício de memória e lembre dos nossos governantes do passado, que saíram debaixo de escândalos, e onde eles estão agora, poderosíssimos de novo; nesse ramo, mais do que em qualquer outro, tudo acontece, inclusive o impossível.

É essa certeza de não poder saber nada sobre o futuro que pode, às vezes, trazer uma notícia maravilhosa –embora seja raro–, ou acabar com suas ilusões e até com seu mundo.

Complicado, mas esse talvez seja o sal da vida.

Pessoas e porcos no fiel da balança

porcos porcos

Ricardo Gondim

Era uma vez, um vilarejo bem pequeno chamado Gadara. Gadara encontrava-se na fronteira entre dois países. Bastava atravessar a rua e do outro lado falavam uma língua esquisita. A comida na outra margem era diferente. Pessoas iam e vinham sem qualquer embaraço. O trânsito só facilitava as trocas comerciais. Numa convivência cordial, crianças desse fim-de-mundo cresciam bilingues e transculturais.

Certo dia, Jesus de Nazaré decidiu visitar esse povoado. Tomou um barco e viajou o dia inteiro. Cruzou o lago empurrado por uma brisa despretensiosa. Jesus mal esperava que  a visita se mostrasse tão tumultuada. Logo que aportou, um lunático, possesso por uma legião de bichos-ruins, veio ao seu encontro.

O cidadão anônimo se encontrava em um estado deplorável. Nunca se soube qualquer informação sobre os familiares. Imundo, vivia em cemitérios. Ninguém jamais perguntou sobre traumas e feridas da sua adolescência. Ele possuía alguma tara?  Como não se questionou a má sina do miserável, perdurava uma silente acomodação diante de sua decadência.

Espalharam-se versões alarmantes de que fora dotado com uma força descomunal. E isso era coisa de demônio. Depois de preso, reaparecia solto. Comentava-se que ele conseguia rebentar algemas, correntes, grilhões. Meninos e meninas aterrorizados recontavam a história, exagerando a fama do “Monstro dos sepulcros”. Nas madrugadas, muitos juravam ouvir gritos terríveis. Outros testemunhavam tê-lo visto se cortando com pedras.

Nada do que alastravam era real. Na verdade, o gadareno queria ser livre. Nunca atacara ninguém. Quando se mutilava, buscava apenas sua vida de volta. Porém, desesperado e impotente, não conseguia encontrá-la. Os impulsos autodestrutivos não passavam de desespero. O triste indigente só tentava arrancar de dentro da alma a degradação que o condenara ao submundo.

Jesus não evitou o estado deplorável e assustador do gadareno. Antes, procurou confrontar os demônios que o possuíam. Depois de um breve diálogo, Jesus permitiu que a legião de demônios se transferisse para uma vara de porcos que pastava nas redondezas. Demônios não distinguem pessoas, não respeitam lugares, não conhecem fronteiras. O Nazareno consentiu porque desejava que o doido encontrasse paz. Aconteceu que os porcos não toleraram a invasão e em completa exacerbação, jogaram-se em um precipício.

Conta-se que os que cuidavam dos porcos fugiram, apavorados. Depois que a estória tomou conta do lugar, muita gente se apressou para verificar o acontecido. Surpresa absoluta! Os que ousaram ir, afirmam terem visto o homem, outrora possesso por uma completa legião de demônios, assentado, vestido e em perfeito juízo.

A notícia correu. De boca em boca se comentava o sucedido tanto ao gadareno como aos porcos. O povo de Gadara decidiu então expulsar Jesus. Poucos protestaram. E não teve jeito, diante da violência, o Nazareno viu-se obrigado a ir embora.

A narrativa contém peculiaridades estranhas. Enquanto forças satânicas destruíam um ser humano, ninguém tomou qualquer providência para resgatá-lo. O Rotary não mobilizou empresários ricos; padres, pastores e rabinos aquietaram as congregações com boas explicações teológicas; políticos prometeram ações concretas no próximo ano fiscal; ONG alguma se formou. Complacência e conformismo participaram na destruição do pobre mendigo, acorrentado a forças maiores do que ele.

Ironicamente, no instante em que o vilarejo constatou prejuízo financeiro veio o imperativo de expulsar Jesus. Entre a saúde de um proscrito e o equilíbrio econômico da região, a maioria achou melhor não arriscar. “Subversivo”, “Inimigo do povo”, “Fora com Jesus”, o povo gritou.

Antes de partir, porém, Jesus deixou uma lição. Naquela comunidade judaica gananciosa por riqueza, (cuja cultura proibia tocar, criar ou comercializar porcos) as pessoas amavam porcos mais do que pessoas.

Gadara permanece metáfora do mundo. Ainda se amam porcos mais do que mulheres e homens. Passou a parecer natural que um cavalo de raça valha bem mais do que uma criança liberiana; um ancião palestino não ter a mesma importância que um poodle texano; vacas leiteiras sejam protegidas com mais denodo do que meninas vendidas no tráfico internacional do sexo.

Enquanto religiosos vociferam entusiasmados sermões, enquanto políticos se revezam em debates inúteis sobre o futuro da humanidade, enquanto banqueiros multiplicam lucros, pobres morrem antes de serem restituídos à vida. Porém, o clamor do Nazareno insiste: quem reconhece a dignidade deles?  A história segue, e Jesus de Nazaré continua atrapalhando: ele considera uma alma mais valiosa do que o mundo inteiro e as nações mantêm a mesma predileção pelos porcos.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim