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Mães antecipam parto para escolher o signo dos filhos

 

PARTOS E SIGNOS

Publicado na Folha de S. Paulo

Numerologia, escolha do signo, data cabalística como 12/12/2012. Os motivos são diversos, mas muitas mulheres agendam o dia do nascimento do filho segundo suas crenças e, é claro, preferências.

A analista tributária Juliana de Freitas Ramos, 28, ia marcar sua cesárea no ano passado para 22 de julho, data de sua santa de devoção.

“Mas, quando percebi que seria leonino, mudei de ideia na hora”, conta Juliana, que acha leão um signo “muito dominador e egoísta”.

“Optei por ele nascer no dia 19, que é aniversário da minha irmã. O Arthur foi o melhor presente para ela”, diz a analista.

A gerente de operações Priscila Rodrigues da Silva Tavares Santiago, 29, soube pelo ultrassom que a data provável do parto era o dia do aniversário da filha mais velha.

“Meu marido na hora falou para agendarmos a cesárea para o mesmo dia. O bebê seria o presentão dela”, conta Priscila, que também marcou o parto da primeira filha: um dia 6, como seu aniversário.

Outro motivo que leva mães a optarem pela cesárea eletiva (sem urgência) são as datas cabalísticas.

A agente de viagens, Celiana Yun, 34, escolheu o dia 12 de dezembro de 2012 para o filho Micael nascer. Além de garantir a data, ela conta que optou em marcar a cesárea também para não sentir dor.

“A maternidade estava lotada. Eu só consegui porque enchi a paciência da secretária da minha médica para reservar esse dia”, conta.

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Segundo Celiana, o bebê estava previsto para nascer dia 16 de dezembro, e a médica disse não haver problema em antecipar alguns dias.

SEM SINAL

Coordenada pela Fundação Oswaldo Cruz, a pesquisa Nascer no Brasil mostra que 34% das cesáreas ocorrem sem a mulher ter sinal de trabalho de parto.

Segundo o levantamento, 28% delas não têm doença ou problema que indicasse a cirurgia –ou seja, ela é feita na maioria das vezes por opção da gestante ou do médico.

Médicos afirmam que um dos maiores riscos de agendar a cesariana é não saber exatamente a idade gestacional do bebê. Assim, a criança pode nascer prematura.

Recentemente, a atriz Ana Paula Tabalipa declarou ter antecipado o parto do quarto filho para que ele não fosse virginiano. Segundo ela, o bebê nasceu “quase prematuro” e precisou ficar na UTI.

A declaração teve repercussão negativa nas redes sociais, onde ela foi criticada por defensoras do parto normal. Em resposta, a atriz disse no Facebook que as pessoas “deveriam cuidar da sua própria vida”. A Folha não conseguiu contatá-la.

Também motivada pela astrologia, a professora Simone Cristina da Silva, 45, marcou o parto para que seu filho André, hoje com seis anos, fosse do signo de câncer e tivesse “as mesmas características e inteligência” do filho mais velho, canceriano.

Após a cirurgia, porém, o bebê ficou em uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) por desconforto respiratório.

“A saúde dele ficou fragilizada nos primeiros anos de vida por causa da prematuridade. Se fosse hoje, esperava o parto normal ou algum sinal de que estava pronto para nascer”, diz Simone.

Gays e seus filhos não deveriam sofrer discriminação da Igreja, diz Vaticano

Foto: OSSERVATORE ROMANO / AFP

Foto: OSSERVATORE ROMANO / AFP

Segundo documento, Igreja tem que encontrar equilíbrio entre ensinamentos sobre família tradicional e atitude sem juízos de valor em relação aos que vivem em uniões de pessoas do mesmo sexo

Publicado no O Globo [ via Reuters]
CIDADE DO VATICANO – A Igreja Católica Romana tem de ser menos crítica com os homossexuais e, embora ainda se oponha ao casamento gay, deve receber os filhos de casais homossexuais na fé com igual dignidade, assinala um documento do Vaticano divulgado nesta quinta-feira.

O documento de 75 páginas, resultado de um trabalho para o sínodo de bispos católicos previsto para outubro, que discutirá questões da família, também diz que a Igreja com 1,2 bilhão de membros em de tornar-se menos exclusiva e mais humilde.

Conhecido pelo seu nome em latim “Instrumentum Laboris”, o documento ressalta a grande diferença entre os ensinamentos oficiais da Igreja sobre questões de moralidade sexual e sua aceitação e compreensão por parte dos fiéis no mundo todo.

O trabalho foi baseado nas respostas a um questionário de 39 perguntas enviado a dioceses em todo o mundo antes do sínodo. Pela primeira vez, em preparação para esse encontro, o Vaticano pediu aos bispos que compartilhem a pesquisa amplamente com os párocos e busquem os pontos de vista dos seus paroquianos.

A posição tradicional da Igreja sobre a homossexualidade levou a alguns casos de exclusão de filhos de homossexuais das atividades da Igreja.

Embora o novo documento não apresente nenhuma mudança imediata na condenação de atos homossexuais e na oposição da Igreja ao casamento gay e à adoção de crianças por gays, ele usa uma linguagem notavelmente menos crítica e mais compassiva do que declarações anteriores do Vaticano.

Segundo o texto, embora os bispos se oponham à “redefinição” do casamento por governos que permitem uniões do mesmo sexo, a Igreja tem que encontrar um equilíbrio entre os seus ensinamentos sobre a família tradicional “e uma atitude respeitosa, sem juízos de valor em relação às pessoas que vivem em tais uniões”.

Essa frase ecoa as famosas declarações do papa Francisco sobre homossexuais ao voltar do Brasil em julho passado: “Se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la”.

No passado, o Vaticano se referiu à homossexualidade como “intrinsecamente desordenada” e parte de “um mal moral intrínseco”.

A Igreja ensina que os atos homossexuais são pecaminosos, mas as tendências homossexuais não são.

O documento observa que alguns católicos que responderam ao questionário sentiram “um certo mal-estar diante do desafio de aceitar essas pessoas com espírito misericordioso e, ao mesmo tempo, manter a doutrina moral da Igreja …”

Sting não pretende deixar nada de sua fortuna para os filhos

Sting durante apresentação no Roseland Ballroom, em Nova York - AFP

Sting durante apresentação no Roseland Ballroom, em Nova York – AFP

Publicado em O Globo

Sting não pretende deixar para os filhos nenhum tostão de sua fortuna estimada em £180 milhões (cerca de R$ 680 milhões). O ex-líder do Police disse ao Sunday Times que espera que os filhos trabalhem para ganhar a vida.

“Disse (aos meus filhos) que não vai sobrar muito dinheiro porque eu estou gastando! Temos muitos compromissos. O que entra, gastamos e não sobrou muito”, disse o músico, que veio de uma família de trabalhadores no norte da Inglaterra. “Certamente não quero deixar fundos que se tornaram albatrozes nos pescoços deles. Eles têm que trabalhar. Todos os meus filhos sabem disso e raramente me pedem alguma coisa, o que me deixa muito satisfeito.”

O músico de 62 anos tem cerca de 100 pessoas trabalhando para ele, mas ressalta que “obviamente ajudaria se algum deles tiver problemas”, mas diz que até hoje não precisou fazer isso.

“Eles têm uma ética de trabalho que faz com que queiram ter sucesso por si próprios. As pessoas assumem que eles nasceram em berço de ouro, mas nenhum ganhou muita coisa.”

Sting tem seis filhos. O mais velho, Joseph, fruto de seu primeiro casamento, tem 37 e é baixista e vocalista da banda Fiction Plane. A união com Frances Tomelty também gerou uma filha, Fuchsia Katherine, nascida em 1982.

Mickey Sumner, filha mais velha de Sting com Trudie Styler, sua segunda mulher, é atriz. Ela é conhecida por seu papel como Frances Levee em “Frances Ha” (2013). Sua irmã, Eliot Paulina, de 23 anos, mais conhecida como Coco, canta na banda britânica I blame Coco.

Os outros dois filhos de Sting são Jake, de 29 anos, que trabalha com cinema em Londres, e o caçula Giacomo Luke, de 18.

Com todos os herdeiros vivendo suas próprias vidas, Sting está vendendo uma casa em Londres por £ 15 milhões (R$ 56 milhões).

Filho de pais rigorosos tem mais chances de se tornar usuário de drogas

Pesquisa com 7 mil adolescentes na Europa sugere que controle balanceado é o ideal para educação

Filhos com pais rigorosos teriam mais risco de serem usuários de drogas Foto: Miguel Rojo / AFP

publicado no O Globo

Pais rigorosos conseguem manter os filhos sob controle? Pulsos firmes significam uma boa educação? Para pesquisadores do Instituto Europeu de Estudos de Prevenção, nem sempre. Estudo produzido pela instituição mostrou que as crianças que recebem educação muito rígida de seus pais são mais propensas a fumar cannabis, bem como o uso de tabaco e álcool.

A pesquisa ouviu mais de sete mil adolescentes entre 11 e 19 anos na Espanha, Suécia, República Checa, Reino Unido, Eslovênia e Portugal. O objetivo era saber de cada um como era a relação com seu pai e sua mãe. Com as respostas catalogadas, foi possível afirmar que pais que mantinham o controle balanceado eram mais eficazes em persuadir seus filhos a se absterem de drogas.

- Nossos resultados reforçam a ideia de que os extremos não são eficazes: nem o autoritarismo nem ausência de controle e afeto – disse à revista Drug and Alcohol Dependence o principal autor do estudo, Amador Calafat.

Calafat, no entanto, ressaltou que diferentes níveis de controle são mais eficientes dependendo de cada situação. Por exemplo, quando se lida com o desempenho escolar de uma criança, pais mais flexíveis e que deixam espaço para seus filhos são os mais eficazes.

Sem perdão não existe amanhã

PerdaoEd René Kivitz

A família é o lugar dos maiores amores e dos maiores ódios. Compreensível: quem mais tem capacidade de amar, mais tem capacidade de ferir. A mão que afaga é aquela de quem ninguém se protege, e quando agride, causa dores na alma, pois toca o ponto mais profundo de nossas estruturas afetivas. Isso vale não apenas para a família nuclear: pais e filhos, mas também para as relações de amizade e parceria conjugal, por exemplo.

Nos anos de experiência pastoral observei que poucos sofrimentos se comparam às dores próprias de relacionamentos afetivos feridos pela maldade e crueldade consciente ou inconsciente. Os males causados pelas pessoas que amamos e acreditamos que também nos amam são quase insuperáveis. O sofrimento resultado das fatalidades, como doenças fatais e acidentes naturais, são acolhidos como vindos de forças cegas, aleatórias e inevitáveis. Às vezes encaradas como vindas de Deus. Mas a traição do cônjuge, a opressão dos pais, a ingratidão dos filhos, a rixa entre irmãos, nos chegam dos lugares menos esperados: a peçonha mortal está justamente no ninho onde deveríamos nos sentir protegidos.

Poucas são minhas conclusões, mas enxerguei pelo menos três aspectos dessa infeliz realidade das dores do amar e ser amado. Primeiro, percebo que a consciência da mágoa e do ressentimento nos chega inesperada, de súbito, como que vindo pronta, completa, de algum lugar, mas quando chega nos permite enxergar uma longa história de conflitos, mal entendidos, agressões veladas, palavras e comentários infelizes, atos e atitudes danosos, que foram minando a alegria da convivência, criando ambientes de estranhamento e tensões e promovendo distâncias abissais. Quando nos percebemos longe das pessoas que amamos é que nos damos conta dos passos necessários para que a trilha do estranhamento fosse percorrida: um passo de cada vez, muitos deles pequenos e que na ocasião foram considerados irrelevantes, mas somados explicam as feridas profundas dos corações.

Outro aspecto das dores do amar e ser amado está no paradoxo das razões de cada uma das partes. Acostumados a pensar em termos da lógica cartesiana: 1 + 1 = 2 e B vem depois de A e antes de C, nos esquecemos que a vida não se encaixa no padrão “se–então” do mundo das ciências exatas.

Pessoas não são máquinas, emoções e sentimentos não são números, relacionamentos não são engrenagens. Imaginar que as relações afetivas podem ser enquadradas na simplicidade dos conceitos certo e errado, verdade e mentira, preto e branco é uma ingenuidade. A vida é zona cinzenta, pessoas podem estar certas e erradas ao mesmo tempo, cada uma com sua razão, e a verdade de um pode ser a mentira do outro. Os sábios ensinam que “todo ponto de vista é a vista de um ponto”, e considerando que cada pessoa tem seu ponto, as cores de cada vista serão sempre ou quase sempre diferentes. Isso me leva ao terceiro aspecto.

Justamente porque as feridas dos corações resultam de uma longa história, lida de maneira diferente por todas e cada uma das partes, o exercício de passar a limpo cada passo da jornada me parece inadequado para a reconciliação. Voltar no tempo para identificar os momentos cruciais da caminhada, identificar o que é importante para um e para outro, e fazer a análise das razões de cada um, buscar acordo e pedir e outorgar perdão ponto por ponto não me parece ser a melhor estratégia para as reaproximação dos corações e cura das almas.

Estou ciente das propostas terapêuticas, especialmente aquelas que sugerem a necessidade de ressignificar a história e seus momentos específicos: voltar nos eventos traumáticos e dar a eles novos sentidos. Creio também na cura pela fala. Admito que a tomada de consciência e a possibilidade de uma nova perspectiva produzem libertações, ou no mínimo, alívios, que de outra maneira dificilmente nos seriam possíveis. Mas por outro lado posso testemunhar quantas vezes já assisti esse filme com final nada feliz.

Minha conclusão é simples (espero que não simplória): o que faz a diferença para a experiência do perdão não é a qualidade do processo de fazer acordos a respeito dos fatos que determinaram o distanciamento, mas a atitude dos corações que buscam a reaproximação. Em outras palavras, uma coisa é olhar para o passado com a cabeça, cada um buscando convencer o outro de sua razão, outra, é olhar para o outro com o coração amoroso, desejoso verdadeiramente do abraço perdido, independentemente de quem tem ou deixa de ter razão. Abraços criam espaço para acordos, mas acordos nem sempre terminam em abraços.

Essa foi a experiência entre José e seus irmãos. Depois de longos anos de afastamento e uma triste história de competições explícitas, preferências de pai e mãe, agressões, traições e abandonos, voltam a se encontrar no Egito: a vítima em posição de poder contra seus algozes. José está diante de um dilema: fazer justiça ou abraçar. Deseja abraçar, mas não consegue deixar o passado para trás. Ao tempo em que fala com seus irmãos, sai para chorar, e seu desespero é tal que todos no palácio escutam seu pranto. Mas ao final se rende: primeiro abraça e depois discute o passado.

Essa é a ordem certa. Primeiro porque os abraços revelam a atitude dos corações, mais preocupados em se aproximar do que em fazer valer seus direitos e razões. Depois porque uma vez abraçados, o passado perde força e as possibilidades de alegrias no futuro da convivência restaurada esvaziam a importância das tristezas desse passado funesto.

Quando as pessoas decidem colocar suas mágoas sobre a mesa, devem saber que manuseiam nitroglicerina pura. As palavras explodem com muita facilidade, e podem causar mais destruição do que promover restauração. Não são poucos os que se atrevem a resolver conflitos e no processo criam outros ainda maiores, aprofundam as feridas que tentavam curar, ou mesmo abrem novamente o que estava cicatrizado. Tudo depende do coração. O encontro é ao redor de pessoas ou de problemas? A intenção é a reconciliação entre as pessoas ou a busca de soluções para os problemas? Por exemplo, quando percebo que sua dívida para comigo afastou você de mim, vou ao seu encontro em busca do pagamento da dívida ou da reaproximação afetiva? Nem sempre as duas coisas são possíveis.

Infelizmente, minha experiência mostra que a maioria das pessoas prefere o ressarcimento da dívida em detrimento do abraço, o que fatalmente resulta em morte: as pessoas morrem umas para as outras e, consequentemente, as relações morrem também. Somente o perdão abre os horizontes para o futuro da comunhão. Ficar analisando o caderno onde as dívidas estão anotadas e discutindo o que é justo e injusto, quem prejudicou quem e quando, pode resultar em algum dinheiro no caixa, mas esse dinheiro será sempre insuficiente, pois dívidas de amor são impagáveis.

fonte: Facebook