Fotógrafo usa drone e faz vídeo incrível de Chernobyl

Trabalho sensível usa tecnologia para mostrar restos de “cidade fantasma”

Chernobyl vista de cima: fotógrafo usa drone para retratar cidade abandonada (foto: Reprodução/DannyCooke)
Chernobyl vista de cima: fotógrafo usa drone para retratar cidade abandonada (foto: Reprodução/DannyCooke)

Rennan A. Julio, na Galileu

O acidente de Chernobyl em 1986 ficou conhecido como o maior desastre nuclear da história humana. Com mais de 56 mortes diretas e mais de 4000 indiretas – consequências das partículas radioativas espalhadas no ar -, estima-se que o prejuízo financeiro da União Soviética com o evento foi de 18 bilhões de rublos.

Hoje, a região que cerca a usina abandonada de Chernobyl está localizada na região de Pripyat, na Ucrânia. O local é considerado um grande polo de estudo para especialistas que buscam entender a relação entre a natureza e as partículas nucleares.

Além disso, a cidade abandonada se tornou um dos polos fotográficos mais bonitos do planeta. Ensaístas e documentaristas já retrataram a área de diversas formas, mas Danny Cooke decidiu fazer diferente: o diretor usou um drone para voar e documentar os restos de Chernobyl.

O incrível trabalho “Postcards from Pripyat, Chernobyl” pode ser conferido abaixo.

dica do Guilherme Massuia

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Estudante transforma peça de Lego em máquina fotográfica

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Publicado em O Globo

A inspiração veio de uma aula de fotografia na Universidade do Estado do Colorado, onde Ryan Howeter cursa Design Gráfico. Nela, o estudante conheceu a história da Pinholo, uma câmera pinhole — sem lentes, que cria a fotografia com a luz que por um pequeno buraco — funcional criada a partir da casca do pinhão.

— Sendo um fã de Lego, eu tinha que levar essa ideia para uma conclusão lógica — disse Howeter ao site Cnet.

Logo, o estudante pegou uma pequena peça de Lego e a transformou em uma pinhole. A câmera, criada a partir de uma peça 2×2 com o tubo interno cortado, funciona tanto com papel como com filme fotográfico. Uma fita isolante cobre a parte inferior da peça, formando a câmara escura.

— A parte mais difícil é tentar tirar uma foto real com ela. É muito fácil subexpor ou superexpor o filme — afirmou o estudante.

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‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’ é o filme brasileiro no Oscar

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Publicado no Estadão

O filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, vai representar o Brasil na disputa para uma vaga entre os cinco finalistas a Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2015, que será realizada em 22 de fevereiro em Los Angeles.

O anúncio foi feito na manhã de quinta-feira (18), pela ministra da Cultura Marta Suplicy, na Cinemateca Brasileira, em São Paulo.
O longa bateu outros 17 concorrentes como Entre Nós, de Paulo Morelli, Serra Pelada, de Heitor Dhalia, Não Pare na Pista: a Melhor História de Paulo Coelho, de Daniel Augusto, O Lobo Atrás da Porta, de Fernando Coimbra, O Menino e o Mundo, de Alê Abreu, Praia do Futuro, de Karim Aïnouz, Tatuagem, de Hilton Lacerda, entre outros.

“Esse é um filme universal, pois trata de um período da vida, da adolescência, de maneira delicada. Além de ser muito bem realizado. É lindo!”, disse a ministra Marta Suplicy. Diana Almeida, produtora de ‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’, afirma que vai lançar o longa nos Estados Unidos no dia 7 de novembro. “É um período ótimo para lançar nos EUA, pois é exatamente a mesma época em que os votantes da Academia começam a ver os filmes”, declarou Diana.

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Vinte anos depois, elenco de ‘Os Batutinhas’ recria cenas do filme

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publicado no EGO

Vai ter muita gente que foi adolescente nos anos 1990 dando suspiros de nostalgia ao ver as fotos abaixo. A produtora 22 Vision, de Los Angeles, reuniu o elenco de “Os Batutinhas”, sucesso em 1994, para recriar o pôster e algumas cenas do filme. A produção das imagens, feitas por Bradford Rogne, foi assinada por Brian Pocrass, com co-produção de Joey Lauren Koch.O figurino é de Erin Micklow.

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Viver e vencer

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Ricardo Gondim

Por algum motivo, o filme “Casa de Areia” não me sai da cabeça. Sua mensagem de rara beleza me inquieta.

A trama se desenrola em 1910. O português Vasco (Ruy Guerra) convence a esposa grávida, Áurea, (Fernanda Torres) a sair em busca do sonho de buscar vida nova em um lugar ermo, possivelmente próspero. Áurea traz a mãe, Dona Maria (Fernanda Montenegro).

O sonho se transforma em pesadelo. Após longa e cansativa viagem junto a uma caravana, os três descobrem que a terra ficava em um lugar muito inóspito, rodeado de areia por todos os lados. Viver ali seria um peso. Com poucas chances de reverter as condições, a família teve de lutar para apenas sobreviver.

Áurea quer desistir. Procura voltar para o lugar de onde vieram. Vasco insiste em ficar e constrói uma casa. Depois de serem abandonados pelos demais integrantes da caravana, Vasco morre em um acidente. Áurea e Dona Maria ficam sozinhas, obrigadas a enfrentar constantes tempestades de areia.

As duas partem em busca de ajuda. Encontram Massu (Seu Jorge), um homem que nunca saíra dali para conhecer outra realidade. Massu passa a ser protetor e provedor. O negro Massu se torna assim o responsável pelo enraizamento das duas mulheres na terra. Ele ajuda, inclusive, a frágil estabilidade (emocional, inclusive) das mulheres. Áurea gasta dias alimentando o antigo desejo de escapar da hostilidade do lugar. Ela anseia partir de qualquer jeito. Sonha com a vida antiga. Os anos se arrastam. Ela não consegue. As tentativas de ir embora são frustradas. Em cada plano de escape, acontece um imprevisto e os planos são abortados.

O filme consolida a ideia de que não possuímos controle absoluto sobre os rumos da nossa vida. Muitas vezes, por mais que tentemos não nos antecipamos a incidentes. Não conseguimos dar a grande guinada na vida que desejamos ou idealizamos. Quase sempre nos vemos impotentes para contornar imprevistos: desastres, doenças, frustrações. Basta um instante crucial e sonhos são adiados – ou se perdem para sempre.

Homens e mulheres lutam para se convencer de que são capitães de suas próprias histórias. Mas tal onipotência é falsa. A sensação de comando só anestesia a angústia universal que nos acomete. Ninguém é dono do seu nariz. Chico Buarque constatou em Roda Viva:

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá.

Eclesiastes, o ácido existencialista bíblico, também afirmou:

Percebi ainda outra coisa debaixo do sol: os velozes nem sempre vencem a corrida; os fortes nem sempre triunfam na guerra; os sábios nem sempre têm comida; os prudentes nem sempre são ricos; os instruídos nem sempre têm prestígio; pois o tempo e o acaso afetam a todos. Além do mais, ninguém sabe quando virá a sua hora: Assim como os peixes são apanhados numa rede fatal e os pássaros são pegos numa armadilha também os homens são enredados pelos tempos da desgraça que caem inesperadamente sobre eles. (Eclesiastes 9.11-12).

A realidade da vida é bruta. O devir se impõe com força. Os esforços de controlar o futuro são inúteis. Ninguém consegue dominar todas as variáveis da existência. Os acontecimentos não estão presos em uma engrenagem justa e precisa. A noção aristotélica da vida encadeada em causas que produzem efeitos numa sucessão infinita, não passa de fatalismo. Nossa existência não se arrasta em bitolas simétricas, por isso, não temos controle total sobre ela. A vida se dá com um grau de liberdade que possibilita, inclusive, acidentes. O Eclesiastes avisa que o tempo e o acaso afeta a todos. Tanto alegrias como frustrações se dão no espaço da imprevisibilidade.

Viver não consiste no esforço para controlar aquilo que os filósofos chamam de contingência. Somos desafiados a encontrar sentido e nos construir humanos apesar do imponderável. Se bailamos como um lençol que o vaivém indomável da bruma agita, podemos achar beleza nesse movimento. Vivemos para aprender que trilhas e encruzilhadas que todos enfrentam, apesar de inéditas, são fascinantes. Cada pessoa precisa de beleza para abrir seu próprio caminho nessa estrada virgem.

Qualquer surpresa pode acontecer a cada instante. O improvável espreita a todos como um caçador. Se há momentos em que colhemos o que semeamos, chegam também ocasiões em que a vida atola em areais insólitos. Às vezes é preciso remar por mera teimosia, e insistir sem levar em conta os ventos contrários. O porto seguro de nossos desejos pode estar perto e, o mesmo tempo, infinitamente distante. Quem sabe nossos filhos consigam sair do areal.

Viver é resistir.
Viver é teimar.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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