Deputado propõe lei contra “nova ordem satânica”

Publicado no Congresso em Foco

Uma proposta apresentada esta semana na Câmara por um deputado paulista pretende impedir a implantação de uma “satânica Nova Ordem Mundial”. Este é o argumento utilizado pelo Missionário José Olímpio (PP-SP), da Igreja Mundial do Poder de Deus, para justificar a necessidade de se proibir a implantação de chips em seres humanos no Brasil. Na justificativa de seu projeto, protocolado na Casa na última quarta-feira (14), o missionário compara a implantação dos dispositivos eletrônicos à “marca da besta” e diz que o Congresso tem de se antecipar ao “fim dos tempos” e impedir que esse tipo de tecnologia seja incorporado aos brasileiros.

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 “Tendo em conta que o fim dos tempos se aproxima, é preciso que o Parlamento brasileiro se antecipe aos futuros acontecimentos e resguarde, desde logo, a liberdade constitucional de locomoção dos cidadãos”, escreveu o religioso na argumentação da proposta. “Urge que se proíba a implantação em seres humanos de chips ou quaisquer outros dispositivos móveis que permitam o rastreamento dos cidadãos e facilitem que sejam as pessoas alvo fácil de perseguição e toda sorte de atentados”, acrescentou.

Veja a íntegra do PL 7561/2014

O deputado afirma que “rastreadores pessoais” estão sendo desenvolvidos no Brasil sob a alegação de que a tecnologia vai permitir a rápida localização de pessoas em poder de sequestradores. Mas o objetivo não é este, segundo ele. “O povo brasileiro não deve se iludir com tais artifícios, que escondem uma verdade nua e cruel: há um grupo de pessoas que busca monitorar e rastrear cada passo de cada ser humano, a fim de que uma satânica Nova Ordem Mundial seja implantada”.

Ainda na justificativa, Olímpio cita trecho da Bíblia sobre a “marca da besta”, espécie de selo para seguidores do anticristo e referência, na visão dele, ao fim dos tempos:

“A Bíblia Sagrada, no livro de Apocalipse, capítulo 13, versículos 16 e 17, diz o seguinte: ‘16 – E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, 17 – Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome’”.

Perseguição

Missionário José Olímpio afirma que “chips, fios ópticos e outros produtos similares na camada subcutânea ou superficial da pele, derme e epiderme, cartilagem, órgãos internos, músculos, ossos, cabelos ou tatuagem” podem facilitar que as pessoas se tornem alvos de perseguição e atentados, a partir do rastreamento via satélite, GPS, telefonia, rádio ou antenas.Pela proposta, fica proibido o implante em seres humanos, independentemente da idade, de identificação para substituir RG, CPF ou código de barras.

Advogado e empresário, o Missionário José Olímpio, de 57 anos, é o primeiro representante na Câmara da Igreja Mundial do Poder de Deus, fundada e liderada pelo apóstolo Valdemiro Santiago, que rivaliza com a Igreja Universal do Reino de Deus, de Edir Macedo. Antes de chegar à Casa, em 2011, Olímpio foi vereador em São Paulo com apoio da Universal. Ele é pai do vereador paulistano José Olímpio Júnior (PSD).

Diversos sites evangélicos publicaram, recentemente, uma falsa notícia sobre uma eventual lei aprovada na Europa que obrigaria todas as crianças nascidas a partir de maio de 2014 a receberem um chip sob a pele. No Brasil, a inserção de dispositivos eletrônicos no corpo humano tem sido utilizada em tratamentos médicos e também por empresas de segurança. Em 2004, o governo dos Estados Unidos aprovou a venda de um dispositivo que permite aos médicos ter acesso ao prontuário de um paciente em questão de segundos por meio de um chip, do tamanho de um grão de arroz, implantado sob a pele.

O Projeto de Lei 7561/2014, do Missionário José Olímpio, aguarda despacho do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), para ser remetido a comissões permanentes da Casa. O Congresso em Foco tentou contato com o deputado, mas não obteve êxito.

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A pirâmide no meio do nada construída para evitar o fim do mundo

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Geoff Manaugh, no GizModo

Uma enorme pirâmide no meio do nada tenta prevenir o fim do mundo usando um radar. Uma forma geométrica abstrata sob o céu, sem uma pessoa à vista. Poderia ser a cena de abertura em um filme apocalíptico de ficção científica, mas na verdade é uma estrutura real do Exército dos EUA.

A Biblioteca do Congresso americano tem um conjunto extraordinário de imagens que documentam o Stanley R. Mickelsen Safeguard Complex – próximo à fronteira dos EUA com o Canadá – mostrando-o em vários estados de construção e conclusão. E as fotos são impressionantes.

Elas foram tiradas pelo fotógrafo Benjamin Halpern, a serviço do governo americano, e mostram a pirâmide central – ou obelisco, monumento, megaestrutura – que servia para monitorar e abater mísseis na área. Como uma mistura de Gizé e o olho de Sauron, ela olha para todas as direções com seus círculos brancos que tudo veem, buscando objetos invisíveis no ar.

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A pirâmide fazia parte do sistema antimísseis dos EUA: seu radar ficaria de olho em mísseis vindos da Rússia para derrubá-los no céu. Ela foi construída durante oito anos, porém funcionou por pouquíssimo tempo, até ser desativada. Como explica o Atlas Obscura:

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Mitologia nórdica diz que o mundo acaba neste fim de semana. Será?

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Publicado no Megacurioso

Os vikings já começaram a chegar à cidade de York, na Inglaterra, para a 30ª edição do Jorvik Viking Festival que, se o mundo não acabar, vai até o dia 23 de fevereiro. Desde o anúncio realizado no ano passado – quando faltavam cem dias para o fim do mundo –, os participantes do festival estão se preparando para o apocalipse viking.

A lenda do fim do mundo vem da mitologia nórdica e diz que o deus Heimdallr tocará a mítica trompa (chamada de Gjallarhorn) para avisar que o Ragnarök (que significa o “destino final dos deuses” em nórdico) teve início. Depois de fazer alguns cálculos, especialistas em mitologia nórdica anunciaram que o apocalipse viking deve acontecer no dia 22 de fevereiro de 2014.

Os primeiros vikings começam a chegar à cidade de York.
Os primeiros vikings começam a chegar à cidade de York.

Supostamente, o som da trompa deve servir para chamar todos os filhos de Odin para a batalha, quando o deus será morto pelo lobo Fenrir (filho de Loki) e outros deuses. Além disso, muitos desastres naturais – como terremotos e dilúvios – devem ocorrer para que depois a Terra ressurja fértil e abundante, onde os sobreviventes se reunirão e o mundo será repovoado por dois humanos.

Sinais dos tempos

Mesmo depois do fim anunciado pelo calendário maia ter dado errado, Danielle Daglan – diretora do Jorvik Viking Festival – acredita que acontecimentos recentes podem ser um sinal de que o fim está mais próximo do que imaginamos.

Acreditando no que diz a lenda do apocalipse viking, Daglan relembra um trecho que diz que “o primeiro a notar será um homem, irmão lutará contra irmão e todos os limites que existem se despedaçarão”. Segundo ela, a referência diz respeito à internet, onde é possível se comunicar com milhões de pessoas simultaneamente ao redor do mundo graças ao crescimento global das mídias sociais.

Os primeiros vikings começam a chegar à cidade de York.
Os primeiros vikings começam a chegar à cidade de York.

A tradição viking ainda aponta que deve ocorrer um inverno rigoroso no apocalipse. “Existem previsões de que estamos a caminho de uma pequena era glacial graças à diminuição da atividade solar. O que é uma pequena era glacial senão muitos invernos em um só?”, questiona Daglan.

Outra parte do Ragnarök diz que Jormungand (a serpente de Midgard) será libertada e se levantará do oceano. Quanto a isso, a diretora relembra as duas criaturas que surgiram inexplicavelmente na Califórnia, nos Estados Unidos, no ano passado.

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Os venerandos da teologia falaram bobagem

agostinho

Ricardo Gondim

Leio História do medo no Ocidente, de Jean Delumeau (Companhia de Bolso). Vou devagar, o volume de informações excede o meu hardware. Entretanto, já aprendi sobre o pavor que o mar impingiu aos antigos navegadores, que acreditavam em leviatãs, sereias e polvos gigantes.

Antes de partir, muitos marinheiros sacrificavam animais na esperança de não serem tragados, caso ultrapassassem as linhas imaginárias do medo. O Cabo do Bojador, na costa ocidental da África, foi considerado o fim do mundo. Dizia-se que os atrevidos que ousassem cruzá-lo nunca voltavam.

Delumeau afirma que os elementos desencadeados – tempestade ou dilúvio – evocavam para os homens de outrora o retorno ao caos primitivo. Deus, no segundo dia da criação, separara ‘as águas que estão sob o firmamento das águas que estão acima do firmamento’ (Gênesis 1:7). Se, com a permissão divina, está claro, elas transbordam novamento os limites que lhes haviam sido designados, o caos se reconstitui (pag. 62).

O historiador francês relata como o medo das bruxas se alastrou e como 2774760feiticeiros e magos acabaram na fogueira inquisitorial. Ele diz ainda que alguns ícones sagrados do cristianismo, geralmente invocados para sustentar argumentos conservadores, respiravam o mesmo ar supersticioso de seus dias.

Santo Agostinho acreditava em astrologia. Empenhava-se, inclusive, em distinguir a astrologia lícita da ilícita. Suas Confissões (V, cap. 1º) admitem que as estrelas podem ser os sinais anunciadores dos acontecimentos, mas elas não os rematam. Pois, ele acrescenta, se os homens agem sob a coerção celeste, que lugar resta ao juízo de Deus, que é mestre dos astros e dos homens?

O que Delumeau diz de Lutero, dono da fama de ter sido implacável contra a crendice popular? Ao anunciar a morte do príncipe-eleitor de Saxe (em maio de 1525) a um correspondente, Lutero não titubeou: O sinal de sua morte foi um arco-íris que vimos, Philippe [Melanchthon] e eu, à noite, no último inverno, acima da Lochau, e também uma criança nascida aqui em Wittenberg sem cabeça, e ainda uma outra com os pés ao contrário (pag.110)

Sobre o venerado Calvino, Delumeau também não hesitou: Ele opõe então a astrologia “natural”, fundada ‘na conformidade entre as estrelas e planetas e a disposição dos corpos humanos’, ‘à astrologia bastarda’, que procura adivinhar o que deve acontecer aos homens e ‘quando e como eles devem morrer’ (pag. 108).

Advirto, portanto, os que se consideram austeros defensores da reta doutrina: Cuidado! Quando vocês precisam alicerçar afirmações dogmáticas, citando a verdade de Agostinho, Lutero e Calvino; eles, iguais a nós, foram humanos. E também falaram tolices.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

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A criança entre nós

Sagrada Fámilia

Marina Silva

Meu Natal mais triste foi há 24 anos. Estava muito doente, buscando tratamento em São Paulo, sentindo-me além dos limites da fraqueza, e, quando o telefone tocou, pressenti que a notícia era do assassinato de meu amigo Chico Mendes. Só mesmo a fé na vida faz com que a gente siga adiante e supere os dias difíceis. Desde o meio das matas até a periferia das cidades, vejo os brasileiros enfrentando intempéries seguros só na imensa capacidade que têm de acreditar.

Nesta semana, revi Xapuri, num encontro com jovens ao qual também vieram velhos companheiros, sobreviventes de antigas batalhas. Fizemos um diálogo intergeracional, os jovens falando com música e teatro, nós, com nossas histórias. Quando o coral cantou “Noite Feliz”, imaginei que tínhamos, agora, o bom Natal que nos foi negado há 24 anos.

Essas comemorações cíclicas se dão em torno de um princípio cujo benefício se estende no tempo, uma fonte à qual precisamos sempre voltar para renovar as forças e não perder o sentido. O Natal é fonte de um sentido que às vezes julgamos perdido, quando a morte dos inocentes nos horroriza e nos empurra para a tristeza. Por isso, seu simbolismo é ainda mais necessário.

Também os novos eventos (alguns já se tornam cíclicos) que fazem nascer e renascer o sonho da sustentabilidade buscam impregnar sentido à vida em uma civilização à beira da morte. Hoje, fala-se outra vez no fim do mundo e as catástrofes são cada vez mais frequentes. Há quem diga que a crise global não será superada e resultará no colapso dos novos impérios. Em tempos assim, a esperança é uma semente que se carrega com cuidado para que não se perca.

Que se percam impérios, mas a humanidade renasça. Que se finde o mundo e outro comece. Que apague o fogo do consumo ansioso e acenda a luz de uma simplicidade consciente. A Rio+20 deixou claro que as grandes reuniões marcam, hoje, o fracasso institucional e a ascensão da sociedade civil e seus novos movimentos. Já não temos que ficar lamentando as crises, podemos projetar e engendrar novos experimentos civilizatórios.

Que a sucessividade da vida, vencendo a constância da morte, nos traga no Natal uma fé poderosa que nos faça superar todos os “fins”, retrocessos, desmontes, desconstruções, decadências e corrupções, para nos conectar ao princípio gerador de um futuro significativo e sustentável, pois, como diz Hanna Arendt, “os homens, embora devam morrer, não nasceram para morrer, mas para recomeçar”.

E diz ainda: “Essa fé e essa esperança no mundo talvez nunca tenham sido expressas de modo tão sucinto e glorioso como nas breves palavras com as quais os Evangelhos anunciaram a ‘boa-nova': ‘Nasceu uma criança entre nós'”.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Elo 7

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