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A criança entre nós

Sagrada Fámilia

Marina Silva

Meu Natal mais triste foi há 24 anos. Estava muito doente, buscando tratamento em São Paulo, sentindo-me além dos limites da fraqueza, e, quando o telefone tocou, pressenti que a notícia era do assassinato de meu amigo Chico Mendes. Só mesmo a fé na vida faz com que a gente siga adiante e supere os dias difíceis. Desde o meio das matas até a periferia das cidades, vejo os brasileiros enfrentando intempéries seguros só na imensa capacidade que têm de acreditar.

Nesta semana, revi Xapuri, num encontro com jovens ao qual também vieram velhos companheiros, sobreviventes de antigas batalhas. Fizemos um diálogo intergeracional, os jovens falando com música e teatro, nós, com nossas histórias. Quando o coral cantou “Noite Feliz”, imaginei que tínhamos, agora, o bom Natal que nos foi negado há 24 anos.

Essas comemorações cíclicas se dão em torno de um princípio cujo benefício se estende no tempo, uma fonte à qual precisamos sempre voltar para renovar as forças e não perder o sentido. O Natal é fonte de um sentido que às vezes julgamos perdido, quando a morte dos inocentes nos horroriza e nos empurra para a tristeza. Por isso, seu simbolismo é ainda mais necessário.

Também os novos eventos (alguns já se tornam cíclicos) que fazem nascer e renascer o sonho da sustentabilidade buscam impregnar sentido à vida em uma civilização à beira da morte. Hoje, fala-se outra vez no fim do mundo e as catástrofes são cada vez mais frequentes. Há quem diga que a crise global não será superada e resultará no colapso dos novos impérios. Em tempos assim, a esperança é uma semente que se carrega com cuidado para que não se perca.

Que se percam impérios, mas a humanidade renasça. Que se finde o mundo e outro comece. Que apague o fogo do consumo ansioso e acenda a luz de uma simplicidade consciente. A Rio+20 deixou claro que as grandes reuniões marcam, hoje, o fracasso institucional e a ascensão da sociedade civil e seus novos movimentos. Já não temos que ficar lamentando as crises, podemos projetar e engendrar novos experimentos civilizatórios.

Que a sucessividade da vida, vencendo a constância da morte, nos traga no Natal uma fé poderosa que nos faça superar todos os “fins”, retrocessos, desmontes, desconstruções, decadências e corrupções, para nos conectar ao princípio gerador de um futuro significativo e sustentável, pois, como diz Hanna Arendt, “os homens, embora devam morrer, não nasceram para morrer, mas para recomeçar”.

E diz ainda: “Essa fé e essa esperança no mundo talvez nunca tenham sido expressas de modo tão sucinto e glorioso como nas breves palavras com as quais os Evangelhos anunciaram a ‘boa-nova’: ‘Nasceu uma criança entre nós’”.

fonte: Folha de S.Paulo

foto: Elo 7

Fim do mundo provoca alta na procura por terreno no céu e Igrejas aumentam o preço

outdor

Por causa do fim do mundo, terrenos no céu estão sendo vendidos por no mínimo 5 mil reais

publicado impagavelmente no G17

O comércio está bastante agitado com a aproximação do fim do mundo. Quem busca por salvação está tendo que enfrentar filas em algumas igrejas para comprar um espaço no céu.

Algumas igrejas estão vendendo salvação por até 5 mil reais a vista. “Não dá para vender parcelado nem fiado porque o mundo acaba sexta-feira”, disse o pastor Erenildo Elvis, que abriu recentemente uma igreja para arrecadar com o fim do mundo.

O pastor garante que o kit salvação é confiável. “Com a tecnologia de hoje, assim que o fiel paga os 5 mil pela salvação, imediatamente envio o nome dela por e-mail lá para o céu e pronto”, disse.

Na manhã desta terça-feira, cerca de 241 mil pessoas compraram o Kit Salvação e estão mais aliviadas com o fim do mundo. “Vendi moto, computador velho e até o colchão pra comprar a salvação”, disse o dono de casa Sebastião Silva.

Um terço dos americanos acredita que os desastres naturais estão relacionados com o Apocalipse descrito no Novo Testamento

Área devastada em Breezy Point após a passagem do furacão Sandy em 31 de outubro. Foto: Mehdi Taamallah/AFP

Reportagem da AFP MÓVEL publicada na CartaCapital

Título original:  Um terço dos americanos culpa Apocalipse por desastres naturais

Um terço dos americanos acredita que a intensidade dos desastres naturais recentes está relacionada com o Apocalipse descrito no Novo Testamento, segundo pesquisa publicada na quinta-feira 13.

No entanto, muitos outros cidadãos culparam o aquecimento global pelo fenômeno, acrescentou a consulta.

Tentando explicar as inundações, o extremo calor e as ondas de frio, 36% dos americanos e 66% dos cristãos evangélicos se referiram ao fim do mundo, segundo o levantamento realizado pelo Instituto Público de Pesquisa Religiosa.

No entanto, 63% dos entrevistados culparam as mudanças no clima e 67% afirmaram que o governo deveria fazer mais para enfrentar este problema.

Por outro lado, cerca de 15% dos entrevistados disseram pensar que o mundo acabará durante seu tempo de vida e só 2% consideraram que o fim do mundo ocorrerá no próximo 21 de dezembro, como muitos acreditam que os maias previram.

Um total de 1.018 adultos participaram da pesquisa, realizada entre 5 e 9 de dezembro com margem de erro de 3,2%.

TV Record adquire direitos de transmissão do Fim do Mundo

TV Record adquire direitos de transmissão do Fim do Mundo
Ana Paula Padrão apresentará o Apocalipse direto de Jerusalém

Publicado impagavelmente no The i-Piauí Herald

LONDRES – Após empatar em audiência com o programa de Fátima Bernardes durante a transmissão das Olimpíadas, a diretoria da TV Record anunciou medidas drásticas para mover as montanhas de telespectadores plugados na concorrência. “Já vínhamos perdendo para a 659ª reexibição do Chaves durante a natação. Ficamos atrás da Sessão da Tarde quando exibimos a esgrima. Mas perder para Encontro com Fátima foi a gota d´água”, declarou, no confessionário, um bispo que pediu para não ser identificado.

Com a magnitude de um mártir, Edir Macedo produziu o milagre da multiplicação de verbas e anunciou a compra de diversos direitos de transmissão. “A partir de setembro, a TV Record passará a exibir a novela Avenida Brasil dez minutos antes da Globo. Deus creia que assim passaremos a Vênus Platinada”, profetizou. Em seguida, enviou um pergaminho à imprensa informando ser o detentor, exclusivo, da transmissão do Fim do Mundo, prevista para dezembro. “Fechamos um excelente patrocínio com a Ricardo Eletro, que vai queimar todo seu estoque. Ainda há 665 cotas abertas”, diz o texto.

No final da tarde, Edir Macedo convocou uma sessão de descarrego para livrar a TV brasileira de Galvão Bueno.