10 motivos para sentir saudades do Orkut

Publicado no Estadão

Se você chegou até aqui, provavelmente já sabe que o Orkut vai finalmente pendurar as chuteiras e chegar ao seu fim. O Google anunciou em seu blog nesta segunda-feira, 30, que “é hora de dizer adeus ao Orkut” e marcou a data de encerramento para 30 de setembro.

É fato que a rede social inventada pelo turco Orkut Büyükkökten já não tem a mesma popularidade de antigamente, mas a memória de muita gente ficou guardada por lá. O Link selecionou 10 motivos para lembrar com carinho da primeira rede social do Google – e que até hoje ainda tem o Brasil como seu principal País.

Comunidades úteis

Parece até estranho, mas sem um feed de notícias, boa parte da interação que você podia ter no Orkut era dentro das comunidades. E algumas delas eram bastante sérias: durante muito tempo, comunidades de times de futebol eram os melhores lugares para saber de notícias, enquanto bandas divulgavam seus trabalhos e muita gente dividia links para compartilhar filmes, séries e músicas – é o caso da Discografias, que foi excluída (e recriada) da rede social diversas vezes por ações judiciais que diziam que ela incentivava a pirataria.

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Comunidades sem sentido nenhum

Além de lugares legais para trocar ideias e conhecer pessoas, as comunidades funcionavam como as fanpages do Facebook, servindo para mostrar para quem visitasse o seu perfil que você gostava de uma banda ou compactuava com uma ideia. E algumas delas eram pura piada ou galhofa – a comunidade mais popular no Brasil durante muito tempo foi a “Eu Odeio Acordar Cedo”. Mas o que dizer de clássicos como “Lenin, de três”, “Além do Ben e do Mao” (que homenageava Jorge Ben e Mao Tsé Tung), “Não fui eu, foi meu eu-lírico” ou “Sou mole, tô te dando um legal”, além da que ilustra esse texto, a “Luta de classes”.

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Os depoimentos

Atire a primeira pedra quem nunca mandou um depoimento fofo para um amigo ou lutou pelo “topo” de uma página cheia de “testmonials” (como eles eram chamados lá no comecinho do Orkut, quando o site ainda nem era traduzido). Declarações de amizade, de amor, piadas internas e até mesmo revelações sinceras eram o centro da parte mais sentimental da rede social.

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O Buddy Poke

Muito antes do Facebook se tornar popular aqui no Brasil e trazer à tona o “cutucar”, o Orkut tinha o BuddyPoke. Era um aplicativo com gráficos meio toscos, mas que recriava os usuários do site em versão 3D e os colocava para interagir com seus amigos. Você podia dar um abraço, oferecer uma rosa, contar uma piada ou até jogar uma partida de futebol, tudo virtualmente.

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Ser 90% legal, 80% sexy e 70% confiável

Outra tendência dos dias de hoje, mas que o Orkut já mostrava há muito tempo, era a possibilidade de ranquear seus amigos – alô, Lulu! Claro que, ao contrário do #UsaCrocs, o Orkut só deixava você fazer avaliações positivas, dizendo se seu amigo era legal, sexy ou confiável, além de te deixar ser fã dele.

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Os scraps

Em uma época que a internet não era tão instantânea assim, a conversa entre os amigos no Orkut rolava através dos scraps, os famosos recadinhos – que podiam ir de cantadas até gifs animados ou um pedido de amizade, uma vez que tinha muita gente que obedecia à regra de “soh add com scrap” (traduzindo para os dias de hoje: só adicionar com um scrap). Para não falar numa galera que tinha outra lei muito pessoal: “Leio, respondo e apago”, sempre avisada de jeitos muito originais. Não é?

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Os perfis pessoais organizados

A foto quase sempre pouco importava, mas ter um texto caprichado no seu perfil era imprescindível para ser uma pessoa legal no Orkut. “Quem se define se limita”, diziam as recalcadas, mas tinha gente que apostava em citações de poemas (quase sempre atribuídas a Clarice Lispector) ou em crônicas bem construídas para falar sobre si mesmo. Isso para não falar nas invasões, quando um amigo roubava a sua senha e deixava um recadinho mostrando para os outros quem você era de verdade – carinhosamente, é claro. Havia até briga entre amigos para ver quem conseguia invadir o perfil mais vezes. Se você não lembra disso, aqui tem vários exemplos de como eram as invasões.

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A sorte do dia

Às vezes, parecia que o Orkut era 2 em 1: junto com a rede social, você ganhava de graça um conselheiro anônimo na sua tela de entrada. Era a “sorte do dia”, que tinha palavras edificantes dignas de um biscoitinho da sorte chinês. Mas de vez em quando esse conselheiro anônimo tirava férias, e o resultado era sempre engraçado.

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Radar de bisbilhoteiros

Essa servia para quem queria se sentir popular ou tinha mania de perseguição: em cima da sorte do dia, na tela de entrada, todo dia o orkut avisava quantas pessoas tinham visto sua perfil recentemente, e dava até os nomes dos curiosos – há quem até tenha começado namoros graças a essa ferramenta, mas também servia para lembrar que cada um tinha que cuidar um pouco da sua vida.

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Todo mundo estava lá

Hoje o Facebook, o Twitter e o Instagram podem ter superado o Orkut na preferência dos internautas brasileiros, mas uma coisa é certa: se você navegou na web entre 2005 e 2011, você esteve lá – e também todos os seus amigos. Era um grande espaço de convivência, e, mais do que isso, a primeira interação social de muitos brasileiros na internet. E a primeira rede social a gente nunca esquece. Que tal ir lá para lembrar como era, hein?

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Google decide tirar Orkut do ar até o fim do ano

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Bruno Romani, na Folha de S.Paulo

Maior rede social do mundo até 2011, o Orkut está perto do fim. O Google decidiu acabar com o serviço nos próximos seis meses.

A Folha apurou que a partir desta segunda (30), novos perfis não poderão ser criados e usuários antigos terão um período para poder exportar seus dados, como fotos e scraps. Uma ferramenta também permitirá converter o perfil do Orkut em perfil no Google+, rede social criada em 2011, mas que ainda tem pouquíssimos usuários.

O processo de desligamento deverá ser concluído até o final do ano, com a extinção completa do serviço.

Depois de 31 de dezembro, nem mesmo o endereço “orkut.com” deverá ser mantido pela empresa, visto que Orkut Büyükkökten, engenheiro turco criador da rede, deixou o Google há quatro meses e pretende manter controle sobre o domínio.

Atrativo do Orkut, as comunidades terão tratamento diferenciado. Ao menos parte delas não será apagada –ficará mantida de forma estática, “congelada”, como uma espécie de museu do serviço.

Em relação a perfis e comunidades suspeitos de envolvimento em crimes, como pornografia infantil, os dados de casos com investigação em curso serão preservados também até o final do ano.

Em julho de 2008, Google e Ministério Público firmaram um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) sobre o tema como resultado da CPI da Pedofilia.

No documento, o Google se comprometeu a comunicar os casos em que o material ilícito fosse divulgado e a preservar dados necessários à investigação do crime por um prazo de 180 dias, prorrogável por mais 180 dias.

JUSTIÇA

Em fevereiro, o MPF-SP (Ministério Público Federal em São Paulo) denunciou dois diretores do Google –segundo o órgão, desde 2010 deixaram de ser cumpridas ao menos 14 ordens judiciais em ações destinadas à apuração de casos de pornografia infantil envolvendo usuários do Orkut.

A companhia considera as acusações “ultrajantes” e diz que colabora com as autoridades brasileiras em investigações e cumpre “à risca todas as ordens judiciais que estão ao seu alcance”.

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‘Fui assassinada’, diz mulher que criou ONG contra ‘vingança pornô’

‘Marias da Internet’ foi criada para ajudar vítimas de crimes pela internet.
ONG completa um ano e já salvou algumas vidas, afirma Rose Leonel.

A jornalista Rose Leonel foi vítima de um crime pela internet, em 2008 (Foto: Arquivo pessoal)
A jornalista Rose Leonel foi vítima de um crime pela internet, em 2008 (Foto: Arquivo pessoal)

Erick Gimenes, no G1

A ONG Marias da Internet existe há um ano e já salvou algumas vidas, segundo a criadora dela, Rose Leonel, que mora em Maringá, no norte do Paraná. O trabalho é feito para ajudar mulheres que foram vítimas de ‘vingança pornô’, ou seja, que tiveram fotos ou vídeos íntimos espalhados pela internet por ex-companheiros.

“Crimes como esses acabam com a vida da vítima. É um crime que não se apaga. A imagem sempre vai estar na internet, já foi espalhada. Posso te dizer que, depois de passar por isso, a pessoa morre, moralmente e até fisicamente, em casos de adolescentes que não resistem a todo esse julgamento da sociedade, por exemplo. Meu objetivo é dar alento, dar a mão, dizer: ‘Olha, eu estou aqui e já passei por isso. Quero ajudá-la a salvar sua vida'”, explica a jornalista.

Rose é uma das muitas mulheres que vivenciaram e sofreram com a exposição causada por homens com quem se relacionam. Há oito anos, o ex-noivo divulgou fotos íntimas dela pela internet porque, de acordo com a jornalista, não aceitou o fim do noivado. Além de divulgar as imagens, ele ainda insinuou em redes sociais que ela era uma garota de programa. Rose entrou na Justiça e, em 2010, ganhou a causa.

“Fui assassinada. Fui morta moralmente. Hoje, eu ainda estou em recuperação, dia a dia. Não vai passar. Eu sofri com isso e decidi criar a ONG no auge da minha dor. Eu sei o que é estar desamparada em um momento desses. Em muitos casos, até a família se afasta e vira o rosto para você”, afirma Rose.

Como funciona

'É a minha bandeira', diz jornalista sobre a ONG Marias da Internet (Foto: Reprodução)
‘É a minha bandeira’, diz jornalista sobre a ONG
Marias da Internet (Foto: Reprodução)

A ONG funciona exclusivamente pela internet, como uma consultoria para vítimas de crimes virtuais. Por meio do site da Marias da Internet ou pelo Facebook, as mulheres contam as histórias pelas quais passaram, em mensagens que chegam diretamente para Rose. A jornalista lê, analisa e entra em contato com a pessoa que precisa de ajuda.

O primeiro passo é sempre o mesmo: oferecer uma palavra amiga, segundo ela. “Faço os primeiros socorros”, define. “Ligo para a pessoa e tento ouvi-la. Conto o que passei e acalmo a vítima. Tento mostrar que existe vida após um crime na internet”.

Depois da primeira conversa, Rose entra em contato com uma equipe de profissionais especializados em crimes pela internet, para oferecer assessoria à vítima. No time há advogados, peritos digitais e psicólogos, por exemplo – todos voluntários.

O grupo se mobiliza e aconselha a vítima sobre o que fazer e como agir a partir do crime. Além disso, os voluntários da ONG, incluindo Rose, também visitam escolas e proferem palestras em locais para os quais são convidados.

“O objetivo é informar, orientar e dar suporte para as vítimas. Sou uma mulher que quer lutar por todas as outras mulheres. Isso me fortalece, me faz caminhar. Me sinto sendo útil erguendo essa bandeira, tendo essa missão”, ressalta Rose. “Que bom seria se eu tivesse a oportunidade de conversar com todas as mulheres que passaram por isso. Quantas vidas seriam salvas, não é mesmo?”.

Onde encontrar
Qualquer mulher pode entrar em contato com a Marias da Internet para pedir ajuda, por meio do site da ONG ou pela página dela no Facebook.

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Pelé volta a pedir fim de protestos na Copa: “brasileiro estraga a festa”

Publicado no Terra

Ídolo brasileiro, o ex-atacante Pelé voltou a opinar sobre as manifestações de rua no Brasil. Perguntado em entrevista à rede de televisão Espn se estava animado com a Copa do Mundo, o ex-craque disse estar preocupado e relembrou os protestos vistos na Copa das Confederações – novamente, Pelé pediu para que os movimentos populares fiquem para depois dos eventos esportivos no Brasil.

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“Honestamente me preocupou muito na Copa das Confederações todos aqueles movimentos. Fiz uma comparação que o futebol sempre promoveu o Brasil e agora temos três eventos maravilhosos – Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíada. O País pode se encher de turistas, receber todo o benefício desses turistas e o próprio brasileiro fica estragando uma festa dessa. Muita gente não entendeu, porque acho que o futebol não tem nada a ver com a corrupção dos políticos”, comentou.

Na opinião do ex-jogador, a situação só não ficou pior durante a Copa das Confederações porque o Brasil foi campeão e “sossegou um pouco” os movimentos sociais. Pelé, contudo, voltou a pedir que todo e qualquer protesto fique para depois da Copa do Mundo.

“O futebol sempre enalteceu o Brasil, então se vamos fazer protesto vamos atacar os políticos, deixar passar essas festas e depois vamos exigir. Mas o futebol não tem nada com isso, que me preocupou muito  A sorte é que Deus é brasileiro e o Brasil foi campeão, então sossegou um pouco nas Confederações. Espero que o brasileiro tenha essa consciência, deixe passar a Copa do Mundo e aí vamos reivindicar o que estão roubando”, salientou Pelé.

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Quase 20 anos após o fim do apartheid, segregação racial ainda assombra a África do Sul

Publicado no R7

People sing and dance during a gathering of mourners on Vilakazi Street in Soweto
Pessoas cantam e dançam em Vilakazi Street, na cidade de Soweto 06.12.13/REUTERS/Ihsaan Haffejee

Os sul-africanos mostraram união nesta sexta-feira (6) ao se despedirem de Nelson Mandela, o líder maior do país, morto nesta quinta-feira (5) em sua casa, em Johannesburgo. Mas enquanto alguns celebravam sua vida com música e danças, outros demonstravam temores de que a morte do herói antiapartheid pode deixar o país vulnerável novamente a tensões raciais e sociais.

Quase duas décadas após o fim do regime de segregação, a questão racial continua em pauta no país, onde brancos e negros vivem uma realidade bastante diferente — os brancos, por exemplo, ainda possuem os empregos mais bem remunerados, uma posição social melhor e moram nos bairros mais cobiçados.

Segundo especialistas entrevistados pelo R7, isso se explica, em parte, pela história do país, onde, antes mesmo da independência e da política do apartheid, a maior parte das terras já estava nas mãos de uma minoria branca, enquanto a parcela negra da população era explorada.

Para o historiador Carlos Martins, os quase 20 anos que sucederam o período da segregação racial na África do Sul não foram suficientes para trazer igualdade ao país.

— Uma sociedade que durante muito tempo fomentou desigualdades não terá, num curto espaço de tempo, uma estrutura governamental capaz de promover o bem estar social de maneira ampla, tampouco uma distribuição de riquezas mais justa.

Para o historiador José Augusto Dias Júnior, o apartheid foi superado apenas em alguns aspectos, e a divisão pela cor ainda existe.

— Tudo aquilo ficou na cabeça das pessoas. O regime foi superado jurídica e socialmente, mas os fantasmas do período ainda assombram a África do Sul. Não se apaga tanto tempo de apartheid assim.

Ele afirma que o grande avanço pós-apartheid foi a instituição de um sistema jurídico e político que está baseado na igualdade de direitos para brancos e negros.

— Mas, na prática, a questão é: Quando essa divisão pela cor vai desaparecer? Quando teremos esse avanço civilizatório de verdade?

Martins acredita que o fim do apartheid ajudou a flexibilizar uma estrutura histórica e todos puderam, enfim, passar a disputar os mesmos espaços sociais — o que acabou levando muitos brancos a passar por dificuldades.

— Sem as “reservas de mercado”, uma parcela da população branca acabou empobrecendo, ao passo que muitos negros conquistaram ascensão social. E como o Estado sul-africano não é estruturado para promover desenvolvimento socioeconômico de maneira igualitária, pobres [brancos e negros] vivem em condições precárias.

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