Pastor tem 172 tatuagens do Iron Maiden espalhadas pelo corpo

Morador de São Paulo, Marcos Motolo, de 40 anos, já é uma celebridade entre os fãs do Iron Maiden. Ele tem 172 tatuagens, todas com capas e símbolos da banda. Motolo entrou para o Livro dos Recordes como o fã que tem mais tatuagens no mundo com ideogramas dos ídolos. Sua primeira tatuagem foi feita em 1999 e, durante seis anos seguidos, ele passou 18 horas por dia desenhando a pele (foto: Tássia Thum/G1)
Morador de São Paulo, Marcos Motolo, de 40 anos, já é uma celebridade entre os fãs do Iron Maiden. Ele tem 172 tatuagens, todas com capas e símbolos da banda. Motolo entrou para o Livro dos Recordes como o fã que tem mais tatuagens no mundo com ideogramas dos ídolos. Sua primeira tatuagem foi feita em 1999
e, durante seis anos seguidos, ele passou 18 horas por dia desenhando a pele (foto: Tássia Thum/G1)

Mariucha Machado e Glauco Araújo, no G1

Quem diria que um pastor seria um superfã da banda inglesa Iron Maiden? No último dia de Rock in Rio, neste domingo (22), Marcos Motolo chegou de São Paulo para encarar muito sol na fila de entrada da Cidade do Rock. Ele é o recordista brasileiro, segundo o Ranking Brasil, com mais tatuagens sobre a banda feitas no corpo. Ao todo, são 172 desenhos na pele.

“Ouvi Iron Maiden pela primeira vez aos 7 anos, com a música ‘Remember tomorrow’. O primeiro disco que vi foi o ‘Made in Japan’, de 1980. A minha primeira tatuagem eu fiz em 1999. Sou fanático pelos desenhos do Eddie, o mascote da banda”, disse o pastor.

Ele é tão fã do Iron Maiden que batizou o filho de Steve Harris, nome do baixista do grupo. “Me transformei em pastor em 2005, quando tive uma visão de uma bola de fogo com o sol de meio-dia. Eu era ateu e, a partir daí, passei a pregar a palara de Deus”, disse Motolo.

Personagem do documentário “Flight 666″, filme oficial da banda britânica de heavy metal, feito em 2009, o pastor metaleiro não renega seu passado. Em vez disso, tem usado sua história pessoal para “semear no deserto”, ou ainda, “levar a palavra de Deus às pessoas que não estão preocupadas com isso”.

O G1 entrevistou Motolo em 2009, quando o autoproclamado fã número 1 do Iron Maiden – morador de um sobrado humilde no bairro de Itaquera, na Zona Leste de São Paulo – falou sobre sua paixão pela banda (leia a reportagem: “Pastor metaleiro troca o Iron Maiden pela palavra de Cristo“).

Motolo disse que descobriu a primeira banda com nome Iron Maiden. “Essa banda exitstiu de 1966 a 1969. Eu descobri essa história. O grupo chegou a excursionar com o The Who e acabou. O Iron Maiden que a gente conhece foi formado em 1975. Essa história está mencionada na biografia da banda chamada ‘Run to the hills’. Eles lançaram apenas um disco, o Maiden Voyage.”

Ele contou ainda que chegou a ser abordado por um integrante da Yakuza no Brasil para que ele vendesse a pele tatuada. “Eles me acharam em uma convenção de tatuagem em São Paulo e ofereceram US$ 36 milhões. Para isso eu teria de fazer um procedimento cirúrgico muito delicado e acabei desistindo. Também fiquei com medo de ser sequestrado por causa disso. Tem outro detalhe que me fez desistir, parece que há uma legislação que proíbe o comércio de tecido humano”, lembrou Motolo.

Marcos Motolo registrou o filho com nome do baixista do Iron maiden, Steve Harris (foto: Reprodução / TV Globo)
Marcos Motolo registrou o filho com nome do baixista do Iron maiden, Steve Harris (foto: Reprodução / TV Globo)
A paixão pelo Iron Maiden vai além da pele. Marcos Motolo também batizou o filho de Steve Harris, nome do baixista da banda. O homem ainda é presidente do fã-clube 'Piece of Maiden', que tem mais de 500 mil integrantes em todo o mundo. Acima, ele exibe o certificado conferido pelo Guinness (foto: Tássia Thum/G1)
A paixão pelo Iron Maiden vai além da pele. Marcos Motolo também batizou o filho de Steve Harris, nome do baixista da banda. O homem ainda é presidente do fã-clube ‘Piece of Maiden’, que tem mais de 500 mil integrantes em todo o mundo. Acima, ele exibe o certificado conferido pelo Guinness (foto: Tássia Thum/G1)

dica do Marcos Florentino

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Câmara de Vereadores do Rio vai gastar R$ 3,5 milhões em selos

Para alguns vereadores, benefício não faz sentido, em plena era do e-mail - Marco Antônio Cavalcanti/24-9-2008
Para alguns vereadores, benefício não faz sentido, em plena era do e-mail – Marco Antônio Cavalcanti/24-9-2008

Publicado no O Globo

Nada menos do que R$ 3.571.200 é quanto a Câmara do Rio pretende gastar nos próximos 12 meses para manter um benefício no mínimo polêmico para os seus 51 vereadores. No fim do mês passado — mais precisamente no dia 29 de agosto —, foi publicado no Diário Oficial mais um contrato, celebrado no dia 31 de julho, com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), para o fornecimento de selos para os membros do Legislativo municipal. Com isso, cada gabinete mantém por mais um ano o direito a quatro mil unidades por mês. E o detalhe: a administração da Casa admite a falta de controle: “Quanto ao uso efetivo, após a entrega do produto, a responsabilidade é de cada vereador”, informou, através de sua assessoria de imprensa.

Pilhas acumuladas em gabinetes

A cota faz com que muitos vereadores acumulem pilhas e mais pilhas dentro de seus gabinetes. Um dos exemplos é o do vereador Paulo Messina (PV), membro da Comissão de Educação e Cultura da Casa. Ele conta que em alguns meses, graças a um projeto de pesquisa que fez com pais de alunos de algumas escolas municipais, até conseguiu usar parte de seus selos. Mas, ainda assim, calcula ter cerca de 20 mil sobrando, sem uso.

— Realmente, não entendo por que ainda existe uma quantidade fixa todo mês. Foi algo que eu usei porque, nas cartas da pesquisa que eu fiz nas escolas, já deixava o envelope selado para facilitar a vida dos pais na hora da resposta. Mas o ideal seria prestarmos conta daquilo que efetivamente utilizamos — argumentou Messina.

Ao mesmo tempo que admite a falta de controle sobre o uso, a Câmara argumenta que as sobras dos quatro mil de cada gabinete seriam abatidas da cota do mês seguinte. Mas, na prática, isso parece não acontecer. Os vereadores do PSOL Paulo Pinheiro, Eliomar Coelho e Renato Cinco dizem que também acumulam milhares de selos não usados.

— É algo que não faz sentido no tempo em que estamos, do e-mail, do Facebook… É um dinheiro que poderia ser investido, por exemplo, em mais computadores — comentou Paulo Pinheiro.

A falta de controle sobre o uso dos selos parece ser algo que vem se perpetuando sem que ninguém pense efetivamente em mudar as regras. E pode até estar gerando um mercado paralelo na Casa. Atual segundo suplente do PV na Câmara e vereador na última Legislatura por dois anos, substituindo Aspásia Camargo, Dr. Edison da Creatinina disse que, ao final de seu mandato, pediu à direção da Casa para devolver milhares de selos não utilizados. Mas contou que, antes disso, chegou a receber ofertas pelo material:

— Consegui devolver o equivalente a R$ 35 mil, mas, nos dois anos em que estive na Casa, pude ver que havia pelo menos uma pessoa que passava pelos gabinetes distribuindo panfletos para comprar o que não era utilizado. Hoje em dia, com a internet, essa cota de quatro mil é algo que não faz o menor sentido.

Ao todo, são 204 mil selos por mês para os gabinetes. Mas a Câmara não para por aí: ainda são disponibilizadas mensalmente outras 11 mil unidades para a Mesa Diretora, a Secretaria da Mesa e para os setores de administração e de processamento legislativo. As 22 comissões permanentes recebem, cada uma, mil selos por mês. Lideranças e blocos partidários têm direito a um total de sete mil. Já a Diretoria Geral fica com quatro mil.

Cota é defendida apesar do alto custo

Os altos gastos com os selos também têm os seus defensores na Câmara. Apesar de ser um amante declarado da internet, em sua estreia como vereador o ex-prefeito Cesar Maia afirmou que o benefício está sendo muito útil. Segundo ele, até agora já foram enviadas 3.900 cartas para prestação de contas do seu mandato.

“Selo é uma tradição parlamentar para correspondência com os eleitores. Todos os parlamentos têm, nos três níveis, há muitas décadas. O e-mail substitui (a correspondência) no dia a dia. Mas a carta enviada para o eleitor em sua casa tem sempre um impacto diferenciado. Angela Merkel (atual chanceler alemã), na eleição de 2009, enviava cartas manuscritas, e isso foi um sucesso de marketing politico”, afirmou Cesar, por e-mail.

Com cerca de 24 mil votos nas últimas eleições, Leonel Brizola Neto (PDT) disse que considera a cota por gabinete “até pequena”:

— No meu caso, seria impossível me comunicar com o eleitor pela internet. Meu eleitor tem um perfil mais humilde. E, para falar a verdade, o brasileiro ainda gosta de receber uma cartinha, por se sentir importante. No meu aniversário, por exemplo, costumo receber uma carta do governador Sérgio Cabral, de quem sou adversário, e, por algum tempo, mesmo que pequeno, até simpatizo com ele.

Vereador de primeiro mandato, o jovem Marcelo Queiroz (PP), que recentemente assumiu uma vaga de titular na CPI dos Ônibus, também se mostrou defensor dos selos:

— Eu tenho várias formas de me comunicar com o eleitor. Uso rede social e correspondência. Sou a favor da cota de selos. É importante levar em conta que, ao contrário do Congresso Nacional, os vereadores não têm verba de representação de gabinete que possa ser usada inclusive para gastar com correio.

Outras despesas também geram polêmica

A polêmica em torno dos gastos no Legislativo já se tornou rotina no estado. A própria Câmara de Vereadores do Rio viveu uma crise quando tentou renovar sua frota em março de 2011: uma compra de 51 automóveis Jetta, no valor de R$ 3,5 milhões. Depois da pressão popular e de uma série de reportagens do GLOBO, os vereadores fizeram uma reunião a portas fechadas e decidiram pelo cancelamento da compra dos veículos.

Na época, irritado com o impacto negativo na opinião pública, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), disse que a compra havia sido discutida e aprovada durante uma reunião com 46 vereadores. Apenas cinco, de acordo com ele, manifestaram-se contrários à medida desde o início: Teresa Bergher (PSDB), Leonel Brizola Neto (PDT), Eliomar Coelho (PSOL), Paulo Pinheiro (PPS) e Andrea Gouvêa Vieira (PSDB). Com a repercussão, outros também passaram a questionar a compra, e alguns rejeitaram os novos veículos.

Depois de um pedido da Câmara, a própria montadora Volkswagen decidiu devolver os recursos aos cofres públicos. Em nota, ela informou que atendia à solicitação da Câmara “em caráter excepcional e sustentada em parâmetros legais”. Os Jettas que foram negociados na época eram do modelo 2012, com quatro airbags, bancos de couro, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, bicombustível, com motor 2.0 e direção hidráulica, entre outras características.

Em março deste ano, O GLOBO mostrou que a Alerj assinou um contrato de R$ 43,2 mil por um ano para que o presidente da Casa, deputado Paulo Melo (PMDB), tenha à sua disposição duas máquinas que oferecem café expresso, carioca, com leite, chocolate, capuccino ou capuccino com chocolate. Somente a colocação dos quatro últimos tipos de bebida no serviço resultou num acréscimo de R$ 10,8 mil nas despesas, na comparação com os equipamentos que têm apenas o simples cafezinho.

À época, Melo se indignou com as críticas. “Por que o Poder Legislativo não pode ter as coisas? Por quê?”, perguntou, num discurso em plenário.

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Folha de S.Paulo repete o Dr. Mentira para atacar “Mais Médicos”. E é pega em flagrante.

folhacoxinha2Fernando Brito, no Tijolaço

A tolice da matéria de ontem da Folha, que a gente apontou aqui, era só uma amostra do péssimo jornalismo que ela resolveu fazer contra o “Mais Médicos”.

Anuncia que as prefeituras vão demitir seus médicos para fazer economia, colocando no lugar um profissional do “Mais Médicos”.

Isso é, sem meias-palavras, mentira.

E a Folha saberia – se é que não sabe – que, ao demitir um médico das suas unidades básicas de saúde, uma prefeitura perde os recursos que o Ministério já paga para que ela lhe custeie o salário, encargos e demais despesas.

Mas a Folha não foi sequer ouvir o Ministério da Saúde antes de abrir manchete.

Pegou boatos recolhidos por três funcionários em Manaus, Fortaleza e Recife, com a ajuda dos CRMs locais – duvido e faço pouco que os repórteres tenham viajado centenas de quilômetros pela selva e pelo sertão-  juntou tudo em São Paulo, bateu no liquidificador e fez uma peça digna de qualquer jornaleco sensacionalista.

A prova da mentira deliberada está aqui, neste vídeo, gravado diante dos repórteres da Folha, no dia 14, onde o ministro Alexandre Padilha explica que as prefeituras que fizerem isso perderão dinheiro, em lugar de ganhar.

A mesma informação pode ser lida aqui, na página do MS.

A Folha não precisava, aliás, nem ter ouvido o Ministério. Bastava que fizesse o que eu fiz, buscar no Google.

Mas não fez e, dessa forma, igualou-se ao espertalhão de Goiânia que quis justificar a sua demissão como uma “invasão dos cubanos”.

Certamente, entre as quase quatro mil prefeituras do país inscritas no “Mais Médicos” haverá demissão de algum profissional. Porque não aparece para trabalhar, porque brigou com alguém, porque, simplesmente, resolveu que não quer mais aquilo. Como acontece com qualquer profissão.

Transformar isso num problema do programa é simples desonestidade e sensacionalismo barato.

Barato, não, caro, porque desqualifica uma iniciativa que é importantíssima para a saúde e a vida de milhões de brasileiros pobres.

Daqui a pouco, estará rodando na internet este “escândalos”, movidos pelas reproduções de “coxinhas” e “anonimous” factóides de classe média, que, além de não terem capacidade de compadecer-se com a situação do povo pobre, não têm capacidade para raciocinar e verificar informações, exatamente como fez a Folha.

Se nesse país houvesse coragem para enfrentar e justiça para proteger a verdade, amanhã a Folha estaria sendo obrigada a publicar um desmentido de primeira página, em letras garrafais como as que usa para mentir.

Mas – e olhe lá – gaguejará “esclarecimentos” amanhã e sua ombudswoman, uma pessoa reconhecidamente gentil, escreverá “ai, que coisa feia, pessoal…”.

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Advogado ganha indenização por pegar trem lotado em SP

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O advogado Felippe Mendonça processou a CPTM por conta da superlotação nos trens; ação estabelece indenização de R$ 15 mil. Rivaldo Gomes/Folhapress

Publicado na Folha de S. Paulo

A Justiça paulista condenou a CPTM (Companha Paulista de Trens Metropolitanos) a indenizar por danos morais um advogado que pegou um trem lotado. A ação estabelece indenização de R$ 15 mil. A companhia pode recorrer.

O advogado Felippe Mendonça, 35, afirma que, no dia 2 de fevereiro do ano passado, embarcou por volta das 18h na estação Pinheiros da linha 9-esmeralda (Osasco-Grajaú), com destino à estação Granja Julieta.

O trem, diz, já estava cheio. “Eu não conseguia sentar, mas a lotação ainda estava normal. Na estação seguinte, o trem ficou lotado”, conta.

Segundo o advogado, tumultos se formavam nas portas dos vagões quando o trem parava nas estações, e os funcionários da CPTM não ajudavam a organizar o fluxo de passageiros. “Eles empurravam as pessoas, buscavam colocar mais gente [no trem].”

Uma estação antes de chegar a seu destino, ele desembarcou. “Desci na estação Morumbi. Tirei fotos e fiz vídeos. Voltei para casa a pé”, conta o advogado.

No dia seguinte, Mendonça entrou com a ação na Justiça. Nela, classificava o transporte como “sub-humano e degradante”.

Em julho de 2012, ele perdeu a causa em primeira instância e recorreu. Na terça-feira, os desembargadores da 16ª Câmara de Direito Privado decidiram, por unanimidade, que Mendonça tem direito à indenização.

“Não tenho carro e uso o transporte público. A minha intenção é que as pessoas lutem por seus direitos”, diz.

Em nota, a CPTM afirmou que vai analisar “as medidas judiciais cabíveis, no momento processual oportuno”.

A companhia informou que agentes operacionais dão orientações aos usuários e ajudam “no fechamento das portas nos horários de pico”.

Segundo a empresa, as obras de modernização e a aquisição de novos trens vão aumentar a oferta de lugares.

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Coordenador do AfroReggae acusa pastor preso de estar por trás de incêndio no Alemão

Advogado de Marcos Pereira da Silva diz que acusação não tem fundamento; polícia identificou suspeito, que teve o corpo queimado e está internado

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Marcelo Gomes, no Estadão

RIO – O coordenador do Grupo Cultural AfroReggae, José Júnior, acusou o pastor evangélico Marcos Pereira da Silva de estar por trás do incêndio que destruiu parcialmente um imóvel no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, no início da madrugada desta terça-feira, 16. No local seria inaugurado, no dia 5 de agosto, um alojamento da ONG para receber universitários de outras regiões do Rio ou do País que vão participar de um programa de intercâmbio social do AfroReggae. A redação do jornal comunitário Voz da Comunidade também funcionava no imóvel e foi atingida pelas chamas.

O religioso, líder da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD), está preso desde 7 de maio, acusado de estuprar duas fiéis de sua igreja. Ele ainda é investigado pela Polícia Civil por homicídios e ligação com traficantes do Comando Vermelho, facção que dominava o conjunto de favelas até a pacificação. Antigos aliados, Júnior e Pereira romperam em fevereiro de 2012, após o ativista acusar o pastor publicamente de envolvimento com o tráfico e de orquestrar a onda de ataques que levou pânico aos cariocas em 2006. A defesa do pastor nega todas as acusações.

“Eu e o AfroReggae passamos a ter problemas desde que fiz aquelas acusações contra o pastor. As constantes ameaças contra alguns membros nossos; o ataque à UPP Vila Cruzeiro antes da corrida Desafio da Paz, em maio; e agora esse incêndio… nada disso é coincidência. Tudo faz parte de uma estratégia do pastor de nos atingir. Não tenho a menor dúvida de que, se aparecer droga em alguma unidade do AfroReggae ou se algum integrante for morto, é coisa do crime organizado, do qual o pastor faz parte”, afirmou Júnior, no início da tarde desta terça-feira, antes de prestar depoimento na 22ª Delegacia de Polícia (Penha), que investiga o incêndio.

Advogado do religioso, Marcelo Patrício disse que as afirmações de Júnior não têm fundamento. “Somente na semana passada que o pastor passou a receber a visita da filha e da irmã. Como a gente não acreditava que ele ficaria muito tempo preso, elas demoraram a pedir a autorização para visitá-lo na cadeia. Até então, ele só recebia os advogados. O pastor não tem o dom da telepatia, e é impossível que ele tenha orquestrado esse incêndio. Daqui a pouco Júnior vai acusá-lo de ser o responsável pela derrubada do World Trade Center”, ironizou Patrício, referindo-se aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos.

Suspeito identificado. Um homem identificado como Wagner Moraes da Silva, de 20 anos, teve 30% do corpo queimado no incêndio. Ele foi resgatado no local por bombeiros e levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, zona norte, onde continua na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) em observação. Seu estado de saúde é estável.

Informalmente, ele contou a investigadores da 22ª DP que entrou no imóvel por um basculante para apagar o incêndio, e acabou se queimando. “Esse incêndio está esquisito. O imóvel tem três andares, e só teve fogo no primeiro e no terceiro. Funcionários do AfroReggae dizem que ele não é funcionário da ONG e não o conhecem. Moradores da região dizem que ele não é de lá. Além disso, encontramos do lado de fora do imóvel televisão, cafeteira, e outros objetos que foram furtados da redação do jornal, que ficava no terceiro andar. Também achamos uma lata de combustível no local. Por isso achamos que o incêndio foi criminoso, e o rapaz ferido é o principal suspeito”, explicou o delegado.

Reginaldo Guilherme disse ainda que vai investigar as denúncias de Júnior sobre o suposto envolvimento do pastor Marcos Pereira no episódio. “O ferido não tem antecedentes criminais. Precisamos descobrir se ele tem alguma ligação com o tráfico ou com o pastor, e também a motivação do incêndio. Se o objetivo era apenas furtar os objetos, por que ele não pegou as coisas e foi embora?”

O delegado vai aguardar Wagner Silva ter alta hospitalar para ouvi-lo formalmente no inquérito.

Twitter. O estudante Renê Silva Santos, de 19 anos, que fundou o Voz da Comunidade em 2005, estava em casa quando recebeu uma ligação de um amigo que mora perto da redação do jornal dizendo que saía muita fumaça do local. “Saí correndo e quando cheguei os bombeiros já tinham acabado de apagar as chamas. Perdemos todo o material gráfico, como jornais, revistas e edições antigas, além de equipamentos, como ar condicionado, micro-ondas, ventiladores… Por sorte, os computadores e as câmeras do estúdio ficam guardados em nossas casas. Mas é muito triste”, disse o jovem, que ganhou a redação em 2012, ao participar de um quadro do programa Caldeirão do Huck, da TV Globo.

O rapaz ganhou notoriedade ao transmitir em tempo real, por meio de redes sociais, a ocupação do Complexo do Alemão pelas forças de segurança, em novembro de 2010. Ele disse que já recebeu mensagens de diversas pessoas pelo Twitter querendo ajudar a reequipar a redação do jornal comunitário.

dica da Judith Almeida

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