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Homem tenta pagar prostituta na Bahia com cartão do Bolsa Família

Uso do cartão está sendo investigado. Pelas regras do programa, a titular do benefício é, preferencialmente, a mulher da casa

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Publicado originalmente em O Globo

SALVADOR – A Delegacia de Polícia de Itapetinga, a 316 km da capital baiana, está investigando um caso de uso incomum do cartão do Bolsa Família. Um homem, identificado apenas pelo pré-nome de “João”, teria tentado pagar os serviços de uma prostituta e o motel em que pretendia realizar o programa sexual com o cartão do principal programa social do governo. A confusão começou quando a prostituta tentou cobrar adiantado os R$ 50 do programa. “João” percebeu que estava sem dinheiro, e perguntou se ela não aceitaria o pagamento através do cartão do Bolsa Família.

A mulher se recusou e, devido à discussão, uma radiopatrulha da PM foi chamada ao local. Para pagar a entrada no quarto do motel, o homem teria deixado o aparelho de som do seu carro. Os policiais militares contaram que “João” se irritou com o escândalo e reclamou da situação nos seguintes termos:

— Itapetinga tá atrasada mesmo, nem as p… aceitam cartão!.

O delegado Roberto Júnior, titular da delegacia de Itapetinga, informou que o caso foi registrado na delegacia como um “termo circustancial” de um cliente que não pagou o motel. Segundo ele, a utilização do cartão do Bolsa Família ainda está sendo investigado.

— O problema é que os policiais não retiveram o cartão, pois aí eu só liberaria na presença da titular — disse.

Pelas regras do programa, a titular do cartão é, preferencialmente, a mulher da casa. O delegado explicou que se ficar comprovado o uso indevido, o cartão pode ser cancelado.

Quem era o jovem fotógrafo que filmou a própria morte no Egito

Ahmed Samir Assem fez a imagem mais emblemática de um país mergulhado no caos.

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Ahmed Samir Assem

Publicado no EL Hombr

Ele tinha 26 anos e era fotógrafo free lancer. Estava cobrindo os levantes no Egito após o golpe militar que tirou o presidente Mohamed Mursi do poder. Acabou produzindo a imagem mais impressionante e emblemática da situação caótica por que passa o país.

Ahmed Samir Assem filmou sua própria morte. Ele registrava a ação de um franco atirador no topo de um edifício. O soldado, de acordo com testemunhas, disparava contra a multidão (naquele dia, 51 pessoas pereceram).

O homem dá alguns tiros — e então aponta seu fuzil para Assem. A câmera para de operar nesse momento.

Seu equipamento ensanguentado foi encontrado num dos acampamentos improvisados no local. Assem estava nas manifestações desde a primeira hora. Gente que apoiava a Irmandade Muçulmana (grupo do qual Mursi fazia parte) se ajoelhava para rezar quando foi atingida. O exército afirma que estavam tentando invadir uma instalação militar.

Ahmed Abu Zeid, editor de cultura do jornal para o qual Assem estava trabalhando, conta que um homem apareceu dizendo que um de seus colegas havia sido ferido. “Cerca de uma hora mais tarde, eu tive notícias de que Assem fora alvejado na testa por um atirador enquanto filmava e tirava fotos na cobertura dos prédios. A câmera de Ahmed será utilizada como prova das violações que foram cometidas”.

Assem fazia pós-graduação do departamento de comunicação da Universidade do Cairo e era, segundo os amigos e familiares, um profissional dedicado. Reuniu um acervo de 10 mil fotos desde que começou na profissão, há três anos. Costumava trabalhar para o jornal Al-Horia Wa Al-Adala, órgão oficial do Partido Liberdade e Justiça, braço político da Irmandade Muçulmana. Sua página no Facebook é repleta de fotos de manifestantes e posts contra os militares, ao lado de imagens de casamentos e de outros serviços que prestou. Agora há preces e convocações para seu funeral.

O assassinato de Assem será usado politicamente. A imagem de sua morte é o retrato mais eloquente de um conflito que está começando. “No final das contas, Ahmed estava fazendo apenas o que se esperava dele: trabalhando”, disse um amigo. E num país mergulhado no caos como o Egito, ele pagou um alto preço por isso.

 

Deputado do PSC, Mário de Oliveira renuncia ao mandato na Câmara

Deputado Mário de Oliveira (PSC-MG), em imagem de 2008 (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)

Deputado Mário de Oliveira (PSC-MG), em imagem de 2008 (Foto: Fábio Pozzebom / Agência Brasil)

Fabiano Costa e Nathalia Passarinho, no G1

Mário de Oliveira (PSC-MG)  apresentou nesta segunda-feira (15) ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, pedido de renúncia do cargo de deputado federal. A carta foi lida no plenário da Câmara pelo deputado Mauro Benevides (PMDB-CE), que presidia a Casa. Mário de Oliveira informou ao G1 que deixou a Câmara por motivos de saúde.

“Sr. Presidente, nos termos dos arts. 238, inciso II, e 239, caput, do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, renuncio ao mandato de Deputado Federal a partir de 15/07/2013″, disse a carta lida por Mauro Benevides às 14h45 desta segunda.

Mário de Oliveira disse que teve um infarto em novembro do ano passado e tentou conciliar a vida política com os tratamentos, mas percebeu que era impossível conciliar as duas coisas. Segundo ele, os médicos recomendaram que ele diminuisse o ritmo de trabalho.

“Eu tive um infarto com três paradas cardíacas. Venho tentando desde então acumular os cuidados com a saúde com a vida pública. Mas estou em tratamento e cheguei à conclusão de que não tem mais condições”, disse.

O deputado afirmou que estuda desde janeiro a possibilidade de deixar a Câmara. “Foi muito difícil tomar essa decisão por causa dos meus eleitores. O médico disse que eu teria que ficar um ano em tratamento. Decidi me dedicar à família e à igreja.”

‘Unilateral de vontade’
Benevides afirmou que lia a carta porque a renúncia é “ao unilateral de vontade”. “Naturalmente o expediente dirigido ao presidente Henrique Eduardo Alves foi transmitido porque sabem os nobres deputados que renúncia, dentro de um axioma jurídico consagrado, é um ato unilateral de vontade. Portanto, cabe a esta Casa apenas tomar conhecimento da decisão do ilustre representante nesta Casa.”

No mandato anterior, em 2007, Mário de Oliveira foi investigado no Conselho de Ética após acusações de que encomendou assassinato, que não se concretizou, do também parlamentar à época Carlos Willian (PTC-MG). O Conselho de Ética da Câmara chegou a abrir processo, mas arquivou por falta de provas. A Polícia Federal continuou investigando o caso.

Além disso, o parlamentar responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes contra a lei de licitações e há em andamento outra investigação penal, cujas informações não estão disponíveis.

Ao ler a carta de renúncia, Mauro Benevides lembrou que Mário de Oliveira é um dos líderes da Igreja Quadrangular no país. “Aliás, ao tomar conhecimento dessa decisão, até comentei com o Chefe da Igreja Quadrangular, no Estado do Ceará, Pastor Nelson Carlson —uma das figuras proeminentes da Igreja Quadrangular —, essa decisão agora anunciada e, formalizadamente, o fez o nobre Deputado Mário de Oliveira, que exercia a chefia maior da Igreja Quadrangular em todo o país. Portanto, fica a comunicação, que independe de aceitação por parte da Mesa, porque como já destaquei o ato de renúncia é um ato unilateral de vontade.”

dica da Judith Almeida

Funcionário distribui falsas bênçãos do papa a políticos para obter patrocínio de projetos

Divulgação/Agência Alesp

Divulgação/Agência Alesp

Publicado na Folha de S. Paulo

Presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Barros Munhoz (PSDB-SP) fez pose para o momento solene. O ano era 2009 e a ocasião merecia. Ele acreditava estar recebendo uma bênção do papa Bento 16, trazida do Vaticano especialmente para ele.

Talvez o deputado ainda não saiba, mas foi enganado: naquele dia, posou para o fotógrafo oficial com uma peça falsa emoldurada. Ela não veio do Vaticano. Segundo funcionários da Assembleia, foi impressa numa gráfica da alameda Jaú, em São Paulo.

Em Roma, apenas um arcebispo tem permissão para assinar pergaminhos com a bênção apostólica do papa como a que o tucano recebeu.

E o arcebispo cuja assinatura aparece na bênção de Barros Munhoz, datada de 15 de março de 2009, se aposentara e fora substituído dois anos antes, em julho de 2007.

Mas o deputado não foi o único. Prefeitos e outras autoridades também receberam bênçãos falsas das mãos do mesmo homem: Emanuel von Laurenstein Massarani, um senhor de 78 anos que, com gravata borboleta e crucifixo na lapela, circula à vontade pela Assembleia paulista há pelo menos oito anos.

Filho de pai italiano e mãe alemã, Massarani tem sala, equipamentos e funcionários na Casa. Dispõe também de um carro oficial para ir ao trabalho e voltar para casa. Foi nomeado chefe da Superintendência do Patrimônio Cultural da Assembleia em 2005.

Apesar do cargo, ele não tem vínculo empregatício nem figura na lista de servidores da Casa. Seu posto é “honorífico” –lhe dá direito a regalias, mas não a salário.

Oficialmente, a função de Massarani é promover exposições e organizar o acervo de arte da Assembleia. Extraoficialmente, ele usa a estrutura do Legislativo para tocar os negócios de uma organização particular que preside, o IPH (Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico).

O instituto classifica projetos culturais como de “interesse nacional”, ajudando a captar verbas de patrocínio que depois podem servir para abater Imposto de Renda.

Foi por meio de seu instituto, por exemplo, que a pintora Denise Chiaradia Christofari participou das bienais de Florença, em 2009, e Roma, em 2010. Ela viajou graças a uma verba de R$ 46,5 mil da Cesp (Companhia Energética de São Paulo).

Quem viabilizou o patrocínio da estatal com o IPH foi o pai de Denise, o engenheiro Vilson Christofari, que na época era diretor de geração da Cesp e, meses após a filha voltar de Roma, assumiu a presidência da companhia. (Leia mais no texto abaixo)

Massarani aparece em documentos oficiais como “ex-embaixador”, mas nunca ocupou a posição. Segundo o Mistério das Relações Exteriores, ele se aposentou no Itamaraty como assistente de chancelaria, antiga carreira de nível médio já extinta.

Massarani afirma que há uma “confusão” em torno desse assunto. Ele esclarece que trabalhou no passado como “adido cultural” em Genebra, mas recebeu há alguns anos o título de “embaixador de Itápolis”, cidade do interior paulista que ajudou a promover ações de intercâmbio cultural com a Itália.

As boas relações com os políticos são uma marca na carreira de Massarani, que trabalhou para o ex-presidente Jânio Quadros no período em que ele foi prefeito de São Paulo e depois foi secretário de Patrimônio Cultural do Estado, no governo Mário Covas.

Em 2001, o governador Geraldo Alckmin acabou com a pasta e Massarani foi para a Assembleia. “Católico fervoroso”, ele diz não entender como as bênçãos que distribui podem ser falsas. “Tenho um contato em Roma. Vou falar com ele. Para mim, eram todas verdadeiras”, garante.

Procurada pela Folha, a Assembleia informou que abriu uma apuração preliminar para verificar a situação de Massarani. No dia em que ele concedeu entrevista à Folha, uma de suas funcionárias interrompeu a conversa na hora de ir embora. “Sua bênção, doutor”, ela pediu, dando um beijo na mão dele. Massarani respondeu: “Deus te abençoe, minha filha”.

OUTRO LADO

O engenheiro Vilson Christofari, ex-presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) admite ter atuado na estatal para ajudar a financiar a participação da filha em duas exposições internacionais na Itália, mas diz não haver conflito ético no caso.

Christofari afirma que a filha, que é pintora, não viajou a passeio e teve trabalhos premiados tanto na mostra de Florença quanto na de Roma.

“Minha filha recebeu o convite para representar o Brasil, por uma entidade credenciada, o IPH. Comentei com colegas sobre o assunto, sim, e não vejo nada de errado nisso”, diz o engenheiro.

“A empresa patrocina esses eventos. Havia isenção fiscal. Melhor pedir à Cesp do que a qualquer um dos fornecedores da companhia, que certamente não iriam se negar a ajudar”, diz Christofari.

A Cesp afirmou por meio de sua assessoria que deu “apoio financeiro a uma entidade legalmente estabelecida”, o IPH (Instituto de Recuperação do Patrimônio Histórico de São Paulo), a quem cabia “aplicar os recursos nos termos da lei”.

O presidente do instituto, Emanuel von Laurenstein Massarani, diz que não sabia que a pintora Denise Chiaradia era filha do presidente da Cesp. “Só fui saber depois do fato consumado”, afirma.
Depois de promover a viagem da filha de Christofari à Itália, Massarani conseguiu ajuda da Cesp para tocar um segundo projeto, um livro sobre as barragens do rio Tietê.

A Cesp cedeu um de seus funcionários a Massarani. Ele passou a trabalhar para o IPH, com a missão de fotografar as paisagens para o livro.

Christofari diz ter sido chantageado por esse funcionário, que teria ameaçado revelar o caso do patrocínio da sua filha. O ex-funcionário, Augusto Cezar, negou ter feito chantagem, mas confirmou ter trabalhado para Massarani na Assembleia.

 

Feliciano participa de culto e enfrenta protestos em Marília (SP)

Manifestantes saíram às ruas em passeata contra a presença do deputado na cidade Foto: Érica Montilha / Especial para Terra

Manifestantes saíram às ruas em passeata contra a presença do deputado na cidade Foto: Érica Montilha / Especial para Terra

Izabel Dias, no Terra

O deputado federal e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) participou na noite deste sábado de um culto evangélico em Marília, interior de São Paulo, e enfrentou protestos de manifestantes que saíram às ruas em passeata contra a presença do deputado na cidade. Feliciano ministrou o culto na Igreja Assembleia de Deus, localizada na rua Nove de Julho, no centro. Um forte esquema de segurança foi montado nas proximidades da igreja para evitar confronto com manifestantes mas não houve incidentes.

Durante o culto ele recebeu título de visitante ilustre concedido pela Câmara de Marília. O requerimento foi iniciativa do vereador José Menezes (PSL), também evangélico. Marco Feliciano é presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados e se tornou alvo de críticas e protestos por suas opiniões sobre negros e homossexuais.

Quando foi anunciada a vinda de Feliciano a Marilia no início da semana, uma moção de repúdio começou a ser organizada através das redes sociais. Hoje cerca de 80 pessoas com faixas e cartazes “Fora Feliciano” se foram para a frente da Câmara da cidade e seguiram em passeata até a igreja onde o pastor estava participando do culto. O grupo não pôde se aproximar da igreja, já que o quarteirão estava interditado e vários policiais faziam a segurança do prédio.

Um forte esquema de segurança foi montado nas proximidades da igreja Foto: Érica Montilha / Especial para Terra

Um forte esquema de segurança foi montado nas proximidades da igreja Foto: Érica Montilha / Especial para Terra

Segundo Edson Duarte, representante do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgeneros) em Marília, o deputado Marco Feliciano não poderia estar à frente de uma comissão tão importante como a de Direitos Humanos, pois demonstrou ideias totalmente retrógradas em relação às minorias. “É profundamente lamentável que um político como Feliciano possa ainda receber um título de visitante ilustre pela Câmara de Marília, totalmente na contra-mão da luta dos movimentos de minorias no país”, disse.

O deputado Marco Feliciano não atendeu a imprensa antes do início do evento e a assessoria disse que “caso ele concedesse alguma entrevista”, não responderia perguntas sobre política, já que ele estava na cidade para participar de um evento religioso.

O grupo não pôde se aproximar da igreja, já que o quarteirão estava interditado Foto: Érica Montilha / Especial para Terra

O grupo não pôde se aproximar da igreja, já que o quarteirão estava interditado Foto: Érica Montilha / Especial para Terra