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Trabalho de casa

Penha, Rosário e Cida (Foto: Cheias de Charme / TV Globo)

Penha, Rosário e Cida (Foto: Cheias de Charme / TV Globo)

Marina Silva

É necessário distinguir o mero crescimento –efêmero, superficial, reversível– do verdadeiro desenvolvimento econômico e social.

Muitas vezes, o alinhamento político e a busca de resultados imediatos obscurecem a análise de governos e oposições, que se atracam em disputas pelo crescimento em vez de buscarem consenso para estender à sociedade benefícios do desenvolvimento. E não resta dúvida de que, nos últimos 20 anos, mesmo quando o crescimento não foi exuberante, o desenvolvimento econômico do Brasil avançou e vem criando condições para superar fragilidades sociais e históricas.

Tramita agora no Congresso, em fase final de votação, a PEC que equipara os direitos das empregadas domésticas (por que sempre usamos no feminino?) aos dos demais trabalhadores. Sim, temos até hoje um regime trabalhista que divide cidadãos com mais e com menos direitos em função de sua ocupação. Sempre houve um forte apelo para corrigir essa injustiça, mas os mais refratários à ampliação desses direitos sempre evocavam os custos elevados e o receio de que muitos trabalhadores perdessem o emprego. Assim, as conquistas vêm a conta-gotas.

Conheço bem esse drama. Aos 17 anos, quando fui empregada doméstica, não tinha noção do que eram direitos trabalhistas, sentia apenas gratidão pela família que me acolhia em sua casa e me dava emprego. Ainda sou grata, mas sei que milhões de pessoas que realizam o trabalho doméstico não podem constituir um gueto social, numa relação de servidão incrustada no século 21.

Agora temos um contexto favorável. Mais de 15 anos de baixa inflação, com melhoria de distribuição de renda, avanços importantes nos programas de transferência de renda e baixo nível de desemprego são fatores de estabilização do desenvolvimento econômico que fornecem lastro para a conquista de direitos trabalhistas.

Lembro que o senador Suplicy, primeiro a pregar no deserto para convencer a sociedade a adotar programas de renda mínima, já chamava a atenção para esse efeito: o trabalhador, tendo a garantia de uma renda de subsistência, pode rejeitar condições inadequadas de trabalho. Isso vale para o emprego doméstico, mas precisa avançar também em outras situações de extrema precariedade, como carvoarias ilegais e atividades em zonas rurais e remotas. Mesmo nas periferias urbanas persistem situações de trabalho em condições similares à escravidão.

São situações que não deveriam existir mais num país que chega ao século 21 reivindicando o direito de estar no time do Primeiro Mundo.

Transformar o crescimento em desenvolvimento, e dar a esse a sustentabilidade que advém da justiça social, é o trabalho de casa inadiável de nossa sociedade.

fonte: Folha de S.Paulo

Disseram que estou sempre do lado do diabo

angelDevil

Hermes Fernandes, no Cristianismo Subversivo

Ao acessar hoje o meu perfil no facebook, deparo-me com o seguinte comentário: Você sempre está do lado do diabo. Junto com o comentário, um link de um post de Silas Malafaia sobre os pastores que se opuseram à eleição de Marco Feliciano ao posto de presidente da Comissão de Direitos Humanos.

Permita-me explicar as razões porque às vezes pareço estar do lado errado.

Olho para o mundo e vejo lampejos da graça de Deus em gestos, palavras, produções culturais, etc. Olho para a igreja e vejo anacronismo, sede de poder, narcisismo, e coisas que com tanta veemência parece condenar. Há coisas no mundo que gostaria de ver na igreja. E há coisas na igreja que a tornam muito semelhante ao mundo no que ele tem de pior.

Podemos afirmar que Jesus estava ao lado do diabo por ser tão duro com os religiosos do templo e complacente com os “inimigos”? Uma das principais razões pelos quais os religiosos conspiraram para mata-lo foi justamente esta. Como um rabino judeu poderia atender e elogiar publicamente um centurião romano? Como Ele poderia hospedar-se na casa de um cobrador de impostos, um traidor da pátria? Ao mesmo tempo em que comia com publicanos e prostitutas, Jesus era duro em Seu discurso contra os religiosos hipócritas.

Se Jesus estivesse do lado deles, jamais teria feito o que fez no templo em Jerusalém, expulsando os cambistas e acabando com a mamata dos sacerdotes. Se estivesse do lado deles, não os teria chamado de  guias cegos, hipócritas, sepulcros caiados, filhos do diabo, etc.

Os que se dizem seguidores de Jesus parecem ter tomado o caminho inverso. Somos duros com os de fora e complacentes com os de dentro. Não importa se o sujeito prega um monte de heresia; se seus inimigos são os mesmos nossos, logo, deduzimos que é nosso amigo (ou seria, comparsa?).

Até quem não professe nossa fé, ao colocar-se contra os que consideramos nossos inimigos, torna-se nosso aliado. E assim,promiscuímo-nos.  Aliamo-nos com aqueles que trazem um discurso raivoso recheado de preconceito.  Seria como se Jesus abraçasse a causa herodiana.

Fiquei chocado recentemente quando li que a bancada evangélica encontrou na bancada ruralista uma de suas principais parceiras no congresso. Ambas se lixam para as questões ambientais. Estamos sempre dando as mãos aos reacionários, aos que defendem os direitos dos poderosos em detrimento dos desafortunados. Traímos nosso Senhor e Cristo.

O que fazer diante desta triste realidade? Particularmente, prefiro cortar na própria carne.

De acordo com Pedro, o juízo de Deus deve começar por Sua própria casa. Não é em vão que no livro de Apocalipse, antes de tratar com a grande Babilônia, Jesus trata com a Sua igreja, repreendendo, exortando, corrigindo, e eventualmente, elogiando. Como julgar Roma, sem antes corrigir a igreja que estava em Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia?

Como poderíamos propor que o mundo se submetesse aos princípios e valores do Evangelho se em nossa própria casa isso não tem acontecido?

Veja, por exemplo, nossa ânsia por poder. Jesus disse que entre nós não deveria ser assim. Quem quisesse ser o maior deveria ser o serviçal. Que moral temos de conclamar o mundo a que tome Jesus como exemplo, servindo ao invés de dominar?

Jesus ensinou a humildade. Somos uma feira de vaidade.

Jesus ensinou a generosidade. Somos avarentos, gananciosos e mesquinhos. Basta ver os suntuosos templos fincados próximos a bolsões de miséria.

Jesus ensinou a amar até o inimigo. Incitamos uma cruzada contra qualquer que pense diferente de nós.

Jesus ensinou a discrição. Buscamos os holofotes a qualquer preço. Confundimos relevância com petulância.

Jesus ensinou a perdoar. Preferimos o caminho da revanche. Mexeu com um de nós, vai se ver conosco. Vamos jogar na cara da pessoa todo o seu passado, como fizemos recentemente com a Xuxa, só porque criticou um dos nossos.

Por isso o mundo não nos leva a sério. Somos uma vergonha para o evangelho de Cristo.

De que lado eu estou? Espero estar do lado da justiça, da verdade, e do próprio Cristo. Mesmo que isso me custe a reputação. Almejo estar ao lado da adúltera, não de quem quer apedrejá-la; ao lado das minorias esmagadas, não da maioria esmagadora; dos injustiçados, não dos injustos; dos oprimidos, não dos opressores; dos pecadores, não dos pretensos santos que disfarçam suas taras com o seu farisaísmo.

Onde quer que eu identifique traços da graça de Deus, quero realçá-los. Onde identificar traços de nossa natureza degenerada, pretendo denunciá-los, sem preocupar-me em fazer média com quem quer que seja. O importante é não trair a própria consciência.

dica do Marcos Florentino

Americano é declarado inocente após 23 anos na prisão

David Ranta, solto nesta quinta, foi condenado a 37 anos por morte de rabino. Promotor descobriu prova ignorada durante julgamento.

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Publicado originalmente no G1

Um cidadão de Nova York condenado em 1991 pelo assassinato de um rabino foi libertado nesta quinta-feira (21), após 23 anos de prisão, ao final de uma investigação que provou sua inocência.

David Ranta, condenado a 37 anos de prisão pela morte de um rabino ortodoxo durante um assalto em fevereiro de 1990, sempre declarou sua inocência.

O gabinete do promotor do Brooklyn iniciou uma investigação interna e descobriu uma prova ignorada durante o julgamento, o que permitiu inocentar Ranta.

“Após uma investigação exaustiva, o gabinete do promotor concluiu que as provas que condenaram Ranta já não eram válidas e que nenhum dos elementos permitiria acusá-lo em um um novo processo”, disse o funcionário Charles Hynes.

Após sair da prisão, David Ranta, atualmente com 58 anos, se disse comovido. “Como sempre disse desde o princípio, não tenho nada a ver com este assunto. Estou emocionado”.

Segundo o jornal “The New York Times”, um homem morto em um acidente de trânsito quando era perseguido pela polícia em abril de 1990, conhecido pelo uso de cocaína e por sua violência, poderia ser o verdadeiro assassino.

Vereador dá medalha para Silas Malafaia, que o apoiou em campanha

Alexandre Isquierdo se justifica: ‘O que não pode é dar medalha para bandido’

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Ruben Berta, em O Globo

RIO – A mais recente homenagem da Câmara do Rio promete dar o que falar. A pedido do vereador Alexandre Isquierdo (PMDB), a Casa concedeu nesta quarta-feira uma medalha Pedro Ernesto ao pastor Silas Malafaia, presidente da Igreja Evangélica Assembleia de Deus Vitória em Cristo.

A honraria, criada na década de 1980, é a principal homenagem que a cidade presta a quem mais se destaca na sociedade brasileira ou internacional. Coincidência ou não, Isquierdo foi apadrinhado de Malafaia nas últimas eleições e apareceu inclusive em vários cartazes de divulgação de sua campanha abraçado ao pastor evangélico.

O presidente da Igreja Vitória em Cristo gerou polêmica no início deste ano ao dar entrevistas com declarações preconceituosas sobre o homossexualismo, com fortes reações, principalmente nas redes sociais.

— Sei que tudo que envolve o pastor Silas é polêmico. Mas é uma prerrogativa do vereador fazer essas homenagens. O que não pode é aprovar para um bandido. Sem dúvida nenhuma, ele me apoiou muito. É uma forma de reconhecimento, de gratidão — justificou Isquierdo, admitindo ser pastor auxiliar na igreja de Malafaia.