Ministério Público investiga locação de horários na TV

Keila Jimenez, na Folha de S.Paulo

O Ministério Público Federal começou a investigar a locação de horários em rádios e TV para programas religiosos e televendas. O anúncio foi feito nesta semana pelo MP em audiência pública na Câmara dos Deputados, para debater justamente a terceirização da grade de programação de TV.

O Ministério Público pretende apurar casos envolvendo canais que alugam quase toda a sua programação para entidades religiosas. Na mira do órgão estão emissoras como o 21, do Grupo Bandeirantes, que tem mais de 20 horas alugadas, e a rede CNT, que possui mais de 90% de sua grade tomada por atrações religiosas.

Para integrantes do MP, a fiscalização do Ministério das Comunicação é falha, pois não atua quando se trata da venda de espaços nas emissoras.

A Câmara realizou audiência pública para debater a locação de horários na TV, que, segundo alguns especialistas, é ilegal.

Eles alegam que a comercialização desses espaços contraria a Constituição, uma vez que os canais de rádio e TV são concessões públicas.

Representantes das emissoras dizem que a locação não fere a lei, pois é a única forma de sobrevivência daquelas que não recebem publicidade suficiente dos grandes anunciantes.

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A fé move montanhas de dinheiro

A pressa é inimiga da perfeição e deseja a ela vida longa pra que ela veja cada dia mais sua vitória

mente vazia oficina do pastortítulo original: O seguro morreu de chato

Gregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

Toda longa caminhada começa com um primeiro post usando o aplicativo da Nike.

Passarinho que come pedra andou usando tóxico.

De grão em grão, a galinha tem uma alimentação super rica em fibras.

Em briga de marido e mulher, se chama a polícia.

Se Maomé não vai à montanha, é porque ela está sendo bombardeada.

Quem conta seus males, espanta.

O pior cego é o Andrea Bocelli.

Os cães ladram, a caravana para pra postar foto de cachorro no Instagram.

Quem não arrisca não morre de atropelamento.

Casa de Ferrero, espeto de Lindt.

O Santos, em casa, não faz milagre.

A fé move montanhas de dinheiro.

Nunca diga nunca a não ser em ditados.

A pressa é inimiga da perfeição e deseja a ela vida longa pra que ela veja cada dia mais sua vitória.

Água mole em pedra dura tanto bate até que cansa.

Quem espera sempre cansa.

Quem não tem net, caça com gato.

A justiça tarda, mas antes tarde do que nunca diga nunca diga dessa água não beberei.

Antes tarde do que só depois do “Globo Repórter”.

O seguro morreu de chato.

A voz do povo é a voz da Claudia Leitte.

Cabeça vazia, oficina do pastor.

Todos os caminhos levam ao coma.

Um olho no gato, outro no namorado dele.

Jogar Chávez para colher Maduro.

Uma andorinha não faz ideia.

Aos amigos, a justiça brasileira. Aos inimigos, a malha fina

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Jesus é um homem; Cristo, uma ideia

Fernanda Torres, na Folha de S.Paulo

Os primeiros capítulos de “Zelota” -do escritor e estudioso de religiões americano-iraniano Reza Aslan- descrevem a Palestina no período em que Jesus veio ao mundo. A multiplicação de seitas entre a população carente, a aceitação dos valores romanos pela elite judaica, a presença ostensiva das legiões no território ocupado e o terror do apocalipse lembram, em tudo, os dias de hoje no Oriente Médio.

Com o avanço das tropas israelenses sobre Gaza, e a Síria embrenhada numa guerra civil sem solução, o paralelo entre a rejeição dos profetas do século 1º à civilização romana e a negação do Islã a se render ao capitalismo global é quase inevitável.

Mas a leitura de “Zelota” fala tanto do conflito entre Ocidente e Oriente naquela estreita faixa do planeta, como também elucida uma outra contenda, em curso aqui, neste sítio que permaneceu Paraíso até 1500 d.C.: a dos direitos sobre a imagem do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Sem revelar nada que não seja conhecido, o autor parte da morte na cruz -punição prevista aos que cometessem crimes contra o Estado- para separar o Jesus histórico da figura de Cristo. O revolucionário, do pacifista.

Contrário à romanização dos hebreus, Jesus ambicionava estabelecer o Reino de Deus sobre a Terra, prometido a Davi por Javé. Para tanto, seria preciso expurgar abastados e sacerdotes subservientes a Roma e bani-la do solo sagrado. Jesus pregava uma revolução.

Ela viria, três décadas depois da crucificação e com trágicas consequências. Em 66 d.C., grupos radicais conquistaram Jerusalém e queimaram os arquivos contendo a dívida do povo. Farta, Roma enviou o general Tito -mais tarde imperador- à antiga Canaã e a varreu do mapa.

Do Templo de Jerusalém, só sobrou o Muro das Lamentações.

As imagens dos bombardeios a Gaza, estampadas nos jornais de hoje, bem ilustrariam a passagem histórica.

O massacre, comparável à invasão babilônica, tornou os sobreviventes avessos aos que defendiam o confronto direto com os Césares. Nesse cenário, surgiu Paulo de Tarso. Paulo afasta Jesus da causa judaica, elimina o caráter territorial do Reino de Deus e converte os gentios. Cristo é criação do letrado Paulo.

Jesus é um homem; Cristo, uma ideia. A quem pertence uma ideia? À humanidade, provaria Paulo. Em três séculos, o Império Romano se renderia ao Nazareno.

Em 2010, as famílias dos engenheiros responsáveis pela construção do Cristo Redentor perderam para a Arquidiocese do Rio de Janeiro, na Justiça, o direito sobre a imagem da estátua. O precedente deu à Cúria poderes para coibir o uso indevido, segundo a Igreja, do monumento. Os distribuidores do blockbuster “2012″ sofreram processo e os italianos foram impedidos de vesti-lo com a camisa azul da seleção.

Essa semana, a Arquidiocese liberou o episódio dirigido por José Padilha para a película “Rio, Eu te Amo”, onde o personagem de Wagner Moura, num sobrevoo de asa-delta, acusa o Senhor cara a cara de virar as costas para os problemas mundanos.

A Mona Lisa resistiu aos bigodes de Duchamp; Rodin, se vivo, teria orgulho da multiplicação de charges do Pensador e os punks se apropriaram da cruz. O veto inibe o ícone. Bem fez a Cúria em liberar.

Tratar o Redentor como posse é medir o Reino de Deus em metros quadrados. O convertido Saulo ensina que a mensagem deve circular livre de dogmas e de acordo com seu tempo.

O poder do Templo de Jerusalém era baseado no fato de ali, e somente ali, no Santo dos Santos, ser possível a comunicação com o Altíssimo. Sua arquitetura era voltada para dentro, com muros altos que separavam os milhares de visitantes em pátios internos, um labirinto que se afunilava até a presença divina.

A exclusividade transformou o santuário num lucrativo mercado de oferendas e corrompeu o clero. É o que denuncia Jesus, pouco antes de promover o quebra-quebra que o levaria à prisão.

A natureza do Cristo da Guanabara é oposta. Plantado do cume do Corcovado, basta olhar para o alto para se dirigir a Ele.

Entendo que a Cúria zele pelo Nosso Senhor. Os engenheiros também têm razões para reivindicar seu quinhão, respeitando, é claro, os 60 anos do falecimento dos autores, todos mortais, não sujeitos à ressuscitação.

Mas o imaginário a Deus pertence.

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“Governo Padrão Felipão”

foto: Estadão
foto: Estadão

Eliane Cantanhêde, na Folha de S.Paulo

Da presidente e candidata Dilma Rousseff, tentando cutucar a Fifa depois dos 3 a 0 do Brasil sobre a Espanha e a vitória na Copa das Confederações: “Meu governo é padrão Felipão”.

E agora, depois dos 7 e o fim do sonho do hexa em pleno solo brasileiro? Dilma continua dando entrevistas sobre a Copa e, se já não comparava o padrão do seu governo à malfalada Fifa, não pode mais compará-lo ao do Felipão. Mas não vai faltar quem faça a comparação…

Política é curiosa, vai e vem, vem e vai, sempre sujeita aos humores da grande e difusa massa de eleitores. Dilma ganhou quatro pontos com a Copa, mas tende a estacionar agora.

O que ocorreria com a candidata Dilma se o Brasil fosse campeão e a presidente Dilma entregasse a taça para o capitão Thiago Silva? Imagem fortíssima, de imensa simbologia.

Mas o que ocorrerá com a candidata Dilma se a Argentina for campeã e a presidente Dilma for obrigada a entregar a taça para o capitão Messi em pleno Maracanã? Imagem igualmente fortíssima, de imensa simbologia, mas em sentido oposto.

Já que foi a própria Dilma quem fez o casamento entre o seu governo e o “padrão Felipão”, estão unidos na alegria e na tristeza. Já que ela certamente tiraria louros político-eleitorais se a taça fosse nossa, a premissa contrária é igualmente verdadeira: tem agora de dividir os prejuízos da derrota vexaminosa.

Com crescimento medíocre e indicadores destrambelhados, é óbvio que a oposição, em algum momento, mais ou menos subliminarmente, vai colar a tática, a estratégia e a preparação do governo ao “padrão Felipão”. Sobretudo na economia.

Eleição, porém, não é campeonato de futebol entre PT e PSDB. Se FHC dizia que a vitória do Brasil não impediria derrota de Dilma, a premissa contrária vale igualmente para ele: a derrota do Brasil também não impedirá a vitória da petista.

A Copa acabou para o Brasil, mas a eleição está apenas começando.

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Dr. Rey vira sensação em bastidor do PSC

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

O deputado Marco Feliciano congela o sorriso para o selfie. “Olha como vai sair na reportagem: os dois maiores héteros e o homem que toca todas as mulheres”, diz na convenção nacional do Partido Social Cristão, o PSC, que tomou a Assembleia Legislativa de São Paulo com bandeiras nas cores verde e branca e o logotipo cristão do peixe.

Ele abraça o colega Jair Bolsonaro e Dr. Rey, aspirante à sua primeira vaga na Câmara dos Deputados. A foto é tirada a pedido da repórter, com o celular dela, pelo cirurgião plástico conhecido por “Dr. Hollywood”, reality show que acompanha sua vida em Beverly Hills.

Candidato à reeleição, Feliciano avalia estar muito bem acompanhado nesta manhã de sábado, 14 de junho. “Uau, temos uma estrela hollywoodiana! Isso dá um upgrade no partido. Nós temos aí um Bolsonaro em São Paulo. O filho do Jair Bolsonaro é candidato pelo partido.”

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A “defesa da família” é o mínimo denominador comum entre o ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos e dois neófitos na política, Dr. Rey e Eduardo Bolsonaro, policial federal formado em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e caçula do polêmico deputado do PP-RJ.

O trio é candidato a engrossar a bancada de deputados federais do “único partido que não tem vergonha de falar de Deus”, como define o cirurgião plástico, sacando uma bandeirinha do Brasil do bolso do terno preto de risca de giz.

Lá fora, um caminhão de som toca “Hotel California”. Fazendo as vezes de cabo eleitoral, garotas de cabelo escovado, calça preta justa e salto alto vestem a camisa com o nome de Dr. Rey e o de Maria Melilo, campeã do “Big Brother Brasil” em 2011 se filiou ao PSC após superar um câncer no fígado provavelmente causado pelo uso de anabolizantes. Segundo sua assessoria, ela deve concorrer a deputada estadual.

Hoje, a legenda tem 12 congressistas na Câmara dos Deputados, como Feliciano (SP) e Ratinho Jr. (PR), e um senador, Eduardo Amorim (SE).

Para 2014, a sigla lança um candidato à Presidência. Everaldo Dias Pereira, o Pastor Everaldo, da Assembleia de Deus (Ministério Madureira), sobe no palanque, pede “um copinho d’água para molhar o bico” e deságua uma enxurrada de críticas ao atual governo, “ausente, omisso e incompetente”.

“A minha mãe se chama Dilma, mas é uma santa mulher”, diz o presidenciável, “nascido literalmente na igreja”, sobre a mulher que o deu à luz no dia 22 de fevereiro de 1956, após sentir as dores do parto num culto evangélico. Em 2010, o PSC estava na coligação que elegeu Dilma Rousseff (PT).

Pastor Everaldo aparece como terceiro colocado em pesquisa Datafolha feita no começo de junho, com 4% das intenções de voto -tecnicamente empatado com Eduardo Campos (PSB), que ficou com 7% na sondagem. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o candidato do PSC pode estar com 6%, e o ex-governador de Pernambuco, com 5%.

Em entrevista à Folha, o cientista político Fernando Abrucio comparou a ascensão do pastor à de Enéas Carneiro em 1994, presidenciável de direita que aproveitava seus poucos segundos de propaganda na TV para bater na mesa e exclamar: “Meu nome é Enéas”. “Ele [pode] ser um fenômeno como o Enéas [que acabou em terceiro lugar].”

Everaldo rechaça o paralelo. “Com todo o carinho e respeito, até o biotipo é diferente.” Também se incomoda como rótulo de nanico. “Ninguém chama o PV, o PC do B assim, e somos maiores do que eles.”

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