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Moda reaça

Vamos aproveitar o aniversário da democracia e tirar do armário a fardinha verde-oliva do vovô

antiga-e-rara-farda-militar-com-barrete-de-medalhas-10630-MLB20032637339_012014-OGregorio Duvivier, na Folha de S.Paulo

Aproveitando essa onda reaça que tá super-mega tendência, a gente está lançando toda uma coleção pra você, jovem reacionário, que quer gastar o dinheiro que herdou honestamente na sociedade meritocrática –apesar dos impostos, é claro.

Pode guardar a camiseta fedida do Che Guevara e raspar essa barba de Fidel. A moda guerrilheira é muito 2002. Quem tá com tudo neste outono é o jovem reaça. A moda é cíclica, gatinhos! Nesta estação, vamos aproveitar o aniversário da revolução democrática e tirar do armário a fardinha verde-oliva do vovô. E o melhor: não precisa nem limpar as manchas de sangue. Super orna.

O último grito do outono fascistão é defender os valores tradicionais e ressuscitar velhos chavões: direitos humanos para humanos direitos, bandido bom é bandido morto, Deus não fez Adão e Ivo.

Nossa coleção –que será lançada amanhã, no prédio do DOI-Codi– foi feita pensando em você, cidadão de bem, branco, católico, heterossexual, rico, com as pernas no lugar, funcionando direitinho. Você é o homem da minha coleção. Olha só esse soco inglês: é a sua cara. Vestiu bem, homem da minha coleção. Combina com sua correntinha.

O homem da minha coleção anda armado e se algum viado der em cima dele ele diz que atira na testa. O homem da minha coleção transa com travesti mas se arrepende logo em seguida e enche a bicha de porrada. O homem da minha coleção casou na igreja com a mulher da minha coleção num casamento celebrado pelo padre da minha coleção, homofóbico, racista e com um sotaque ininteligível apesar de nunca ter saído do Brasil.

A mulher da minha coleção critica periguetes porque elas não se dão valor –chama isso de feminismo. Saia curta, nem pensar. “Depois reclama quando é estuprada…” A mulher da minha coleção acha que mulher gorda devia evitar sair de casa. “Ninguém é obrigado a ver gente obesa.”

A mulher da minha coleção finge que não sabe que é traída pelo homem da minha coleção e se vinga estourando o limite do cartão de crédito do homem da minha coleção que por sua vez finge que não sabe e se vinga saindo com outras mulheres da minha coleção.

Nosso it boy, claro, é o coronel Paulo Malhães, torturador chiquerésimo que deu depoimento à Comissão da Verdade usando um puta óculos escuros Prada de aro dourado, onde assumiu ter perdido a conta de quantos cadáveres ocultou. Divo. Viva a revolução –democrática.

Petista é acusado de trazer senador boliviano escondido na cueca

Para amenizar a crise diplomática, Dilma importou 400 lhamas bolivianas

Para amenizar a crise diplomática, Dilma importou 400 lhamas bolivianas

Publicado impagavelmente no the i-Piauí Herald

CORUMBÁ – Um peruano que vivia na Bolívia foi detido ontem ao tentar entrar no país com um senador boliviano escondido na cueca. Identificado apenas como “Petista”, o homem calvo de estatura mediana dirigia um Opala Diplomata modelo 86 quando foi abordado por agentes similares aos policiais do DOI-CODI. “Não sou cubano”, defendeu-se Petista, antes de ser vaiado.

Ciente da necessidade de colocar panos quentes na crise diplomática entre Brasil e Bolívia, a presidenta Dilma Rousseff prometeu levar, na garupa de sua moto, o senador Pinto Molina de volta. “Trago a pessoa refugiada de volta em sete dias”, garantiu a Evo Morales, enquanto mascava uma folha de coca.

No final da tarde, de volta ao Senado boliviano, Pinto Molina prometeu colocar em prática o que aprendeu no Brasil. “Até el final del miês, terey duas concessiones de TV, siete jornales locales e empregaré mis parentes en la compania boliviana de petroleo”, discursou.

Maioria dos moradores de rua são homens desiludidos com o amor

João de Paula Ribeiro conversa com a coordenadora do Creas-Pop Renata Cristina Correa da Silva em praça de Ribeirão Preto-SP (foto: Edson Silva/Folhapress)

João de Paula Ribeiro conversa com a coordenadora do Creas-Pop Renata Cristina Correa da Silva em praça de Ribeirão Preto-SP (foto: Edson Silva/Folhapress)

Publicado na Folha Ribeirão

Há 30 anos, João de Paula Ribeiro, 52, tinha um casamento aparentemente feliz, quatro filhos, casa, carro, um comércio e uma profissão em Serrana (313 km de São Paulo), sua cidade natal.

Hoje, ele passa o dia nas ruas de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), come o que os outros dão, toma banho quando arruma um lugar, ingere bebida alcoólica a todo momento e tem um barraco em uma favela na zona norte, que pouco frequenta.

Essa reviravolta aconteceu depois que a mulher o abandonou e o trocou pelo sócio de sua própria empresa. A desilusão amorosa acabou com os sonhos de toda a vida, com a vontade de seguir em frente e com as perspectivas de um futuro com a família.

Segundo dados do Creas-Pop, ao menos 92% dos moradores de rua são homens e uma grande parte é usuária de drogas, ingere álcool com frequência e já sofreu alguma desilusão amorosa.

Ele não gosta muito de falar sobre a própria vida. Com olhar triste, barba grande e um chapéu escondendo os cabelos brancos, Ribeiro tenta abafar a tristeza do passado com as pessoas que conheceu nas ruas.

“Sou feliz aqui com meus amigos. Visito os meus filhos de vez em quando, mas não gosto de depender de ninguém”, disse Ribeiro.

‘Aparentemente não foi homicídio’, diz delegado sobre morte de Chorão

Vocalista do Charlie Brown Jr foi encontrado morto em seu apartamento. Corpo passará por exames toxicológicos.

6.jun.2006 - Chorão participa de coletiva para comentar sobre o filme "O Magnata" Mais Almeida Rocha / Folha Imagem

6.jun.2006 – Chorão participa de coletiva para comentar sobre o filme “O Magnata” Mais Almeida Rocha / Folha Imagem

Letícia Macedo, no G1

O delegado Itagiba Vieira, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse nesta quarta-feira (6), que não acredita que o vocalista Chorão, da banda Charlie Brown Jr, tenha sido vítima de um homicídio. “Aparentemente não foi homicídio. O IML é que vai dar a causa da morte. Aparentemente ou foi por uso de medicamento ou outra substância”, disse o delegado. Chorão, de 42 anos, foi encontrado morto por seu motorista e segurança nesta madrugada, em seu apartamento em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Chorão, que morava em Santos, usava o apartamento esporadicamente, geralmente após shows.

Segundo o delegado, o apartamento de Chorão estava muito danificado. Itagiba acredita que os danos tenham sido feitos pelo próprio cantor, já que o corpo foi encontrado com um dedo machucado e havia marcas de sangue no local. “Não tem nada que estivesse no lugar. Ele estava machucado no dedo, arrancou parte de uma unha, o que pode explicar as marcas de sangue na parede”, disse o delegado.

O corpo de chorão foi encontrado na cozinha. O delegado informou ainda que Chorão tomava medicamentos, mas não soube precisar quais. Disse também que o vocalista do Charlie Brown Jr passava por problemas pessoais – ele se separou recentemente da mulher.

Segundo o delegado, Chorão chegou ao apartamento de Pinheiros na segunda-feira (4). Ele estava em um hotel – Itagiba não informou se era na capital paulista. Chorão havia combinado com seu motorista de ir pegá-lo às 12h desta terça-feira (5). O motorista foi ao prédio, e ninguém atendeu à porta. O motorista retornou às 20h e, novamente, não foi recebido. Ele decidiu, então, procurar o segurança de Chorão. Os dois foram ao local na madrugada e o segurança, que tinha cópia das chaves, abriu a porta. Os dois encontraram o cantor e acionaram o Samu. Em seguida, a Polícia Militar foi chamada, às 5h18, para “verificação de morte natural em apartamento”.

O corpo de Chorão deixou o prédio por volta das 8h30 em um carro da Perícia Técnico Científica. As causas da morte serão determinadas pela perícia. Latas de bebidas alcóolicas foram recolhidas no apartamento do cantor. Perguntado se foram encontrados vestígios de drogas no apartamento, Itagiba disse que não iria comentar o assunto por enquanto. O corpo passará por exames toxicológicos.

Por volta das 9h20, o motorista e o segurança de Chorão prestavam depoimento no DHPP.

O baixista da banda Charlie Brown Jr foi até o prédio de Chorão nesta manhã. “Estou péssimo”, disse. Ele contou que conhecia  Chorão há mais de 20 anos e que estava sem falar com o amigo há cerca de um mês e meio. Champignon negou que estivesse brigado com Chorão. “A gente brigou algumas vezes na nossa vida, mas felizmente a gente pôde refazer a nossa amizade”.

No final de 2012, Chorão deu uma bronca no baixista Champingnon em pleno show na cidade de Apucarana (PR). “Você voltou [para a banda] por causa de dinheiro”, disse, no palco. Poucos dias depois, Chorão compartilhou um vídeo ao lado do baixista comunicando que os dois já haviam feito as pazes.

O baixista informou que a banda estava de férias e que o próximo show programado estava marcado para o dia 22, em Campo Grande, no Rio de Janeiro. “Íamos voltar a tocar no dia 22, mas isso não vai mais acontecer”.

Champignon disse desconhecer as causas da morte. “Não sei o que aconteceu lá em cima. Ele estava sozinho. Não sei se tem relação com isso [drogas] também”, disse ao ser perguntado se Chorão era usuário de drogas.

A assessoria de imprensa da banda informou ao G1 que Chorão estava de férias e embarcaria para os Estados Unidos nos próximos dias. Ainda segundo a assessoria, o estado de saúde dele era bom.

O cantor e letrista, que faria 43 anos em 9 de abril, liderava a banda fundada por ele na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, em 1992. Em 15 anos de carreira, o Charlie Brown Jr lançou nove álbuns de estúdio, dois discos ao vivo, duas coletâneas e seis DVDs. Ao todo, o grupo vendeu 5 milhões de cópias.

Além de vocalista, Chorão era responsável pelas letras do Charlie Brown Jr e pelo direcionamento artístico e executivo da banda. Em 2005, o trabalho “Tâmo aí na atividade” foi premiado com o Grammy Latino de melhor álbum de rock brasileiro, o que se repetiu em 2010 com “Camisa 10 joga bola até na chuva”.

No ano passado, o Charlie Brown Jr. lançou “Música Popular Caiçara”, álbum ao vivo que marcou o retorno dos integrantes Marcão e Champignon à banda. Eles haviam deixado o grupo em 2005. As apresentações aconteceram em Curitiba e Santos. A produção do trabalho foi feita por Liminha e os shows contam com a participação de Falcão (O Rappa), Zeca Baleiro e Marcelo Nova. Das 15 faixas do CD, a única gravada em estúdio é “Céu azul”.

Chorão foi o único integrante do Charlie Brown Jr que permaneceu no grupo em todas as suas fases. Paulistano, Chorão adotou a cidade de Santos desde a juventude, onde criou a banda. Seu apelido foi dado ainda na adolescência, quando ele não sabia andar de skate e ficava apenas olhando os amigos. Um deles, então, pediu que o jovem não chorasse. Segundo a GloboNews, a infância e a adolescência de Chorão foram difíceis por conta da separação dos pais, que aconteceu quando ele tinha 11 anos. O músico largou a escola na sétima na série.