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MTV é condenada a pagar R$ 40 mil por causa do quadro ‘Casa dos Autistas’

Cena do quadro "Casa dos Autistas", do "ComédiaMTV"

Publicado originalmente por Jairo Marques na Folha.com

Ana Maria Carvalho Elias Braga e Carlos Braga, pais de dois meninos autistas, Rafael e Renato, ganharam na Justiça de São Paulo o direito à indenização por danos morais pelo Grupo Abril devido à exibição pela MTV, em 22 de março deste ano, do quadro “Casa dos Autistas”.

Na atração, parte do humorístico “Comédia MTV”, atores simularam trejeitos e urros que foram atribuídos às pessoas com autismo, por três minutos, o que provocou revolta em parte do público.

A síndrome pode causar déficits na comunicação e na interação social, além de comportamentos repetitivos, mas as manifestações variam de pessoa para pessoa.

O juiz João Omar Marçura, da 24ª Vara Cível da capital, afirmou na decisão que a cena causou “danos gravíssimos aos autistas, seus familiares e pessoas que com eles convivem e os respeitam” e não aceitou o argumento de que as imagens foram exibidas uma vez na TV, pois elas se alastraram pela internet.

A empresa terá de pagar R$ 40 mil à família –o pedido era de R$ 100 mil. “Acima do valor financeiro, que não era a nossa preocupação, a sentença me lavou a alma. O juiz entendeu a nossa sensação diante da agressão sofrida e marcou a história de lutas por respeito não só dos autistas, mas de vários outros grupos sociais”, afirmou Ana.

BABAQUICE

O humorista Paulinho Serra, que estava no quadro “Casa dos Autistas”, por sua vez, disse à Folha que “essa perseguição ao humor é uma grande babaquice”.

“Tenho medo de ser preso qualquer hora por fazer uma piada no palco”, diz ele.

“Sou a favor da reparação, nos reparamos ao vivo dentro do programa do [Marcelo] Adnet”, que também faz parte do “Comédia” e se desculpou à época pelo Twitter.

Ele lembra que a MTV veiculou na programação esclarecimentos sobre o autismo.

“Fico triste que estejamos no caminho da condenação. Querem prender o Rafinha Bastos por causa de uma piada, execrar o Danilo Gentili, e agora fazem uma emissora de TV pagar uma multa por algo que tenho certeza que não vai mudar nada.”

A MTV não se pronunciou oficialmente por não ter sido notificada pela Justiça.

‘Ser fiel é tão arriscado quanto trair’, diz psicanalista

Iara Biderman, na Folha.com

Autor de livros de sucesso, o psicanalista britânico Adam Phillips atrai leitores fugindo do jargão e tratando de temas como o flerte ou a gentileza, que não costumam receber atenção acadêmica. Suas obras, que combinam psicanálise, filosofia e literatura, são populares, mas ele mesmo, não. Nem e-mail tem. “Restringi ao máximo minhas formas de comunicação.”

Phillips trabalha agora em “Missing Out”, um livro sobre coisas que deixamos de lado na vida, a ser lançado no segundo semestre de 2012.

Nesta entrevista feita em seu consultório, em Londres, o autor de “Monogamia” fala sobre riscos da crença no “felizes para sempre”.

*

Folha – Em “Monogamia”, o senhor diz que não há nada mais escandaloso do que um casamento feliz. Por quê?

Adam Phillips - O que amamos e odiamos num casamento feliz é ver nossos primeiros desejos e medos acontecendo na vida real. Toda criança começa seu desenvolvimento em uma relação monogâmica, com a mãe. E a maioria passa os primeiros 11, 15 anos da vida muito conectada a mãe e ao pai. É uma espécie de monogamia bissexual. Crescer é passar da necessidade de ter só uma pessoa para a necessidade de ter duas (mãe e pai) e a necessidade e a capacidade de se relacionar com várias.

Daí nossa tendência para a relação monogâmica?

A relação monogâmica é uma memória muito poderosa, é onde começamos. Hoje, muita gente acha difícil manter uma relação monogâmica. Queremos coisas opostas, desejamos coisas proibidas e não sabemos que queremos essas coisas. A cultura torna os desejos muito problemáticos. Muitas pessoas desejam um relacionamento monogâmico, apesar de não serem capazes de lidar com ele.

Quais são as maiores dificuldades da monogamia?

Os problemas surgem quando as pessoas desejam esse tipo de relacionamento, mas não conseguem realizá-lo. E para quem pensa que é isso o que deseja, mas descobre que não era o que queria.

A solução, no caso dessas pessoas, é a infidelidade?

Sim. E pode dar certo, mas sempre com conflito. Todo mundo tem ciúme sexual, ninguém suporta dividir seu parceiro de sexo. Alguns dizem que suportam, mas é impossível. Se amamos e desejamos alguém, não queremos dividi-lo com outros.

Isso tem a ver com a memória da relação entre mãe e bebê?

Sim. E também com o fato de termos necessidades e só determinadas pessoas poderem satisfazê-las.

Concorda com a tese de que mulheres são por natureza propensas à monogamia?

Acredito na teoria da evolução de Darwin, mas penso que evolução envolve cultura. Há boas explicações em termos de sobrevivência da espécie para sustentar que a mulher quer um homem para a vida toda e o homem deseja mais parceiras, mas não acho que a questão da sobrevivência seja a explicação final. Se fosse, a família nuclear seria a única coisa óbvia a se fazer.

Há diferentes formas de garantir a reprodução da espécie, há muitos jeitos de criarmos as crianças. E muitas formas de fazer sexo, não explicadas por essas teorias.

O senhor diz que uma sociedade sem a possibilidade de infidelidade seria perigosa...

Seria uma mentira. Colocaria pressão demais nos casais, obrigando um a ser tudo para o outro. É uma demanda moral irrealista. Outro perigo é a monogamia acabar com o desejo e virar uma prisão.

Acha a sociedade hipócrita em relação à monogamia?

Sim, se ela afirmar que é a única forma boa de relação para todos e o tempo todo.
Mas hoje também há muita gente dizendo que toda relação monogâmica é hipócrita, o que não é verdade. Para alguns, é um desejo genuíno, uma experiência real.

Tão real quanto traição?

As duas formas são construções sociais. O capitalismo trivializou a paixão, fez com que as pessoas se desiludissem em relação ao amor. Isso leva a pensar que as relações sexuais são algo que se compra no mercado só para levar a vida adiante. O capitalismo tenta dissuadir a criação de vínculos reais. E valoriza demais o prazer. E, para a psicanálise, o prazer é sempre um problema. Qualquer pessoa que te venda um prazer fácil está mentindo. Se o que queremos é prazer profundo, com troca entre pessoas, ele será difícil, cheio de conflitos.

Como lidar com os conflitos?

As crianças deveriam ter aulas na escola sobre frustração, para entender como ela é valiosa. Para adultos, a psicanálise ajuda, é educativa. Os adultos precisam aprender a ser adultos. A maioria age como adolescente, não quer crescer, acredita em fórmulas mágicas de relacionamento.

A fórmula ‘feliz para sempre’?

Claro, é um ideal enganoso. Assim como achar que a pessoa que não se prende a ninguém é livre. São dois ideais igualmente enganadores.

A monogamia não é também uma forma de evitar riscos?

Pode ser. Correr riscos é muito importante, mas não devemos pressupor que todos os riscos estão na infidelidade. Fidelidade é tão arriscada quanto traição, há muitos riscos na monogamia.

Quais são eles?

Numa relação monogâmica, cada parceiro sabe e não sabe muitas coisas íntimas sobre o outro. Outro risco é descobrir as limitações do relacionamento humano, o quanto a outra pessoa pode de fato fazer por você. E há o risco de formar uma família.

Por que não considerar esses riscos tão atraentes quanto os riscos da traição?

Não fomos capazes de produzir relatos excitantes sobre a monogamia. Os bons romances são sobre adultério. Por isso, é difícil articular de forma interessante os prazeres da monogamia. Fica parecendo algo tedioso. Além disso, fomos educados para acreditar que a vitalidade está na heresia. Mas pode haver vitalidade nos dois tipos de relacionamento. O ocidental moderno e culto assume que a vitalidade esta só na heresia. Também está, mas essa não é toda a verdade.

Do que precisamos, afinal?

De boas histórias que nos ajudem a viver. As únicas verdades úteis são as que nos ajudam a viver. Num relacionamento, o que você precisa é criar uma história na qual se sinta vivo com a outra pessoa.

Hoje, temos mais opções para criar essa história?

Não sei. A cultura liberal oferece mais escolhas do que havia antes. Mas o capitalismo cria a ilusão de que temos muitas escolhas, quando na verdade temos muito poucas.

A única escolha é ser feliz ou não. É isso que está sendo vendido como o único programa: quanto prazer você pode ter, quão feliz pode ser. Só que felicidade pode ser como uma droga, nunca satisfaz, você quer sempre mais. Há coisas muito mais importantes que a felicidade: justiça, generosidade, gentileza.

R.R. Soares e esposa terão de devolver os passaportes diplomáticos

Senador terá que devolver passaporte diplomático de bispo

Márcio Falcão, na Folha.com

Primeiro-secretário do Senado, o senador Cícero Lucena (PSDB-PB) disse nesta terça-feira (29) que o colega Marcelo Crivella (PRB-RJ) terá que devolver o passaporte diplomático que solicitou para o líder da Igreja Internacional da Graça de Deus, R. R. Soares, e sua mulher Maria Magdalena B. R. Soares.

Hoje, a Mesa Diretora do Senado decidiu que irá publicar uma portaria proibindo os senadores de requisitarem o documento para terceiros. A devolução deve ocorrer após a publicação do ato com as novas normas.

A proposta mantém previsão para que cada parlamentar solicite esse tipo de passaporte apenas para sua esposa e seus filhos menores de idade.

Questionado se a medida será retroativa, o tucano disse não ter dúvidas. “Claro. Esse documento não foi pedido pelo Senado”, disse.

O senador argumentou ainda que o “Itamaraty terá que localizar o documento do Senado” pedindo os passaportes.

Os documentos do bispo e sua mulher foram renovados em nome do Senado, mas a pedido de Crivella, que fez o ofício diretamente sem passar pelo aval do comando do Senado.

Crivella disse que tomou a iniciativa para garantir isonomia de tratamento as lideranças religiosas, uma vez que bispos católicos também podem requerer o documento especial. O senador disse que o pedido tem relevância social.

na chamada na home e em todo o texto o missionário é tratado por “bispo”. macedo gostaria de ser tratado por “missionário”? :P

Rafael Cortez: O dia em que errei uma piada com Maria Bethânia

Rafael Cortez conta como foi o dia em que fez uma piada "sem graça" com Maria Bethânia

Publicado originalmente na Folha.com

Nunca esqueço: 11 de agosto de 2010, 21ª edição do Prêmio Vale de Música Brasileira. Maria Bethânia concorria a vários prêmios naquela noite. Nunca pensei que ela fosse à cerimônia no Teatro MunicipaI do Rio de Janeiro. Ela não é de sair de casa e ir a badalações. Mas, daquela vez, ela foi.

Eu, fã incondicional, me vi tremendo que nem vara verde enquanto aquela senhora era cercada por um batalhão de fotógrafos, repórteres, fãs e curiosos, à medida que percorria o saguão do teatro e -ai, meu Deus!- vinha involuntariamente em MINHA direção. E eu estava lá a trabalho, em mais uma pauta do “CQC”. Logo, era óbvio que eu teria de entrevistá-la. A maior cantora do Brasil. Comigo.

O produtor do programa, João Mesquita, e eu começamos a bolar alguma piada que a fizesse dar risada. Eu, que conheço sua história e seu temperamento há muitos anos, como fã, comecei a cortar um monte de ideias do João, achando que nada daria certo. Temos que ter cuidado, eu dizia. Na verdade, eu nem lembro que sugestões de abordagem ele me dava –eu estava nervoso demais para ouvi-lo. Só pensava que era surpreendente que aquela artista, que parece ter dois metros e oitenta no palco, de tão imponente que é sua voz e talento, tivesse pouco mais de um metro e sessenta de altura, quando vista de tão perto.

Enfim, bolamos juntos uma piadinha leve. Eu comentaria com ela um vídeo divertido que fora o número 1 do nosso quadro “Top Five”, de duas ou três semanas anteriores: nele, uma senhora aparecia no final de um show da musa, tentando beijar seus pés enquanto nossa artista se despedia da plateia. Era engraçado: a senhorinha ia rastejando atrás da Bethânia, que saia aos pulinhos, fugindo daquela situação. A missão era comentar o vídeo com ela, fazê-la rir da lembrança e terminar com um arremate engraçadinho: “olha, se aquela senhora quisesse beijar os meus pés, ia se incomodar com minhas unhas encravadas e meu chulé!”. Risos. Dos dois, sobre os meus pés.

Mas na hora “agá” eu travei. Fiz uma primeira piada só para aquecer: “você tem dois discos novos esse ano… é para dobrar suas chances de ganhar prêmios em 2010″? Não foi das melhores, mas ela até que riu… respondeu algo como, “imagine, que bobagem”. Foi delicada, mas eu já fiquei tenso. Eu nem devia ter feito piadinha de improviso; a gente só costuma se aventurar na improvisação quando está muito seguro, e eu não estava. Estava apavorado.

Aí, entrei no terreno do vídeo. Ela riu ao lembrar da imagem que fora vista por tanta gente. Justificou, simpática, que não tinha sentido deixar que seus pés fossem beijados, risos. Mas eu continuava apavorado. Não ouvia nada do que ela dizia e não ouvia nem meus pensamentos, só o meu coração –e ele batia mais que a bateria da Mangueira quando os Doces Bárbaros foram tema do samba-enredo. Não sei o que me deu. Fiz o arremate do papo todo errado. Disse: “ah, bom… achei que você não deixou a fã beijar seus pés por causa de frieiras, unhas compridas, chulé”… ou seja: EU ERREI A PIADA!!! Estava tão nervoso que esqueci de colocar o contexto em torno dos MEUS PÉS, deixando o péssimo papel para os pés DA BETHÂNIA! –a cantora que canta descalça por respeito ao palco e à relação sagrada com a terra!!

Ela, que sorria, fechou a cara e disse: “Me respeite”. E foi embora. E quer saber? Ela estava coberta de razão. Do jeito que eu fiz a piada, pareci desrespeitoso. Moleque, bobo. Eu imediatamente me dei conta do meu erro e travei. Travei e só pude lamentar, não mais para ela, mas para toda equipe do “CQC” em volta e a mim mesmo. Fiz um esforço sobre-humano para continuar a matéria –o incidente aconteceu nos primeiros 15 minutos da pauta. Gravei todo o resto sem me perdoar.

O pior é que até hoje eu não me perdoo. Eu erro muitas vezes na minha profissão. Desde que me conheço por gente, e isso tem uns três anos, eu só trabalho sob a condição de poder errar. É assim no “CQC”, no meu show de humor, no meu CD, nos eventos que faço etc. Mas, dos muitos erros que já cometi no programa da Band, que vocês tanto conhecem, esse foi o que mais me machucou.

Há, para mim, um antes e um depois dessa entrevista com a Bethânia. Eu sou mais cuidadoso hoje com todos meus entrevistados, de modo geral. Ainda faço humor ácido, mas encontrei um modo de fazer meus entrevistados discutirem e rirem do ácido que há no meio comum a nós, não deles mesmos. Ou então, rio deles desde que eles também saibam/queiram rir de si mesmos. Ou rimos, entrevistado e eu, muito de mim. Isso é mais comum. Eu me sacaneio muito para poder ter a liberdade de sacanear alguém em seguida. Tem dado certo e estou mais feliz assim; esse é o meu perfil.

Mas a Bethânia… será que ela sabe que eu estava tão nervoso que nem sei o que aconteceu? Será que ela imagina o que representou para mim, que a amo e a venero tanto e com tanta força, ter de entrevistá-la em um momento em que eu não estava preparado? Ela pode me desculpar se eu simplesmente admitir, mais uma vez, que errei e que quero apenas pedir desculpas?

Não sei se ela lembra disso. Não faço ideia de como ela vive e se isso tem qualquer importância para ela. Mas tem muita para mim. No dia seguinte ao ocorrido, escrevi para uma produtora de sua gravadora, a Biscoito Fino, explicando o que aconteceu e pedindo desculpas. A moça, por sua vez, disse entender, e afirmou que passaria o e-mail à Bethânia. Depois ela me diria o que nossa grande cantora achou. Eu nunca soube e também nunca mais enchi o saco com essa história. Às vezes, alguém que me entrevista para saber do CD independente que lancei pergunta do episódio porque leu em algum lugar. E eu sempre admito: errei na entrevista porque estava nervoso, e gostaria que ela me desculpasse.

Na última terça-feira (22), fui ver minha artista predileta cantar só Chico Buarque. Foi no lindo projeto dirigido pela Monique Gardenberg para o Circuito Cultural Banco do Brasil. Ela estava melhor do que nunca, incrível, talentosíssima e maravilhosa. A luz batia forte em seu corpo, enquanto eu me escondia no breu, no meio da plateia, ainda que permanecesse atento a cada gesto e palavra dela.

Ao término do show, um dos diretores do Banco do Brasil, simpático e carinhoso, me reconheceu e ofereceu uma pulseirinha que me daria acesso ao camarim da “Abelha-Rainha”. Eu recusei educadamente, mas fui embora desolado.

Até quando, meu Deus? Até quando?

Rafael Cortez é jornalista, músico, humorista e repórter do “CQC” (Band).

dica do Marcos Florentino

E-scravos: E-mail e celular estendem jornada de trabalho para casa e até as férias

Businessman with the notebook 3

Érica Fraga, na Folha de S.Paulo

“Eu olho e-mail em casa, andando na rua, no restaurante. Parece que o trabalho não me deixa.” A declaração da publicitária Júlia Eboli, coordenadora de marketing da Tecla Internet, mostra a realidade de um contingente cada vez maior de profissionais.

A combinação entre crescimento mais intenso da economia e avanço nas tecnologias de comunicação tem resultado em aumento das horas trabalhadas no Brasil.

Sete em cada dez profissionais -que ocupam cargos como analista, gerente e supervisor- afirmam que passam mais tempo no escritório hoje do que há cinco anos.

Mais da metade diz que o teto da carga horária no escritório saltou de oito para dez horas diárias, e quase 80% são acionados nos momentos de lazer e descanso via mensagens no celular.

Nem as férias escapam: mais de 50% dos funcionários de empresas que atuam no país respondem a e-mails de trabalho nesse período.

Esses são resultados de pesquisa feita pela Asap, consultoria de recrutamento de executivos, a pedido da Folha. Foram ouvidas 1.090 pessoas com renda mensal entre R$ 5.000 e R$ 15 mil.

A expansão da economia e as promoções no trabalho são as razões para o aumento da carga horária de trabalho, indica a maior parte dos entrevistados.

“Nossa empresa é vítima positiva da expansão do crédito. Estamos trabalhando mais”, diz Daniel Polistchuck, diretor de tecnologia da Crivo, que desenvolve programas para análise de crédito.

Para Carlos Eduardo Ribeiro Dias, sócio e presidente-executivo da Asap, há um descompasso entre o ritmo do mercado de trabalho e o de formação acadêmica e profissional. “As pessoas estão sendo promovidas mais cedo, mas nem sempre estão preparadas. O resultado: trabalham mais.”

TECNOLOGIA

O avanço da tecnologia tem aproximado mais o profissional do trabalho. “Hoje, há aplicativos de comunicação instantânea que te acompanham o dia todo no celular. Tento me policiar, mas passei a trabalhar mais”, diz o espanhol Jose Luis Gallardo, gerente de canais da Kingston no Brasil.

Rodrigo Vianna, diretor da HAYS, empresa de recrutamento de executivos, diz que, sem as novas tecnologias, “as pessoas viveriam praticamente dentro das empresas”.

“Com a globalização, não há mais fuso horário. É preciso ficar ligado o tempo todo. A tecnologia, nesse sentido, veio para ajudar.”

Mas o excesso de trabalho tem consequências. Para Elaine Saad, gerente-geral da Right Management, o brasileiro tem forte apego à tecnologia e exacerba o uso de mensagens pelo celular.

“Isso faz que as pessoas trabalhem no horário do descanso. E, se você não responde a um e-mail e seu colega responde, você fica com medo de perder o emprego.”