‘Aparentemente não foi homicídio’, diz delegado sobre morte de Chorão

Vocalista do Charlie Brown Jr foi encontrado morto em seu apartamento. Corpo passará por exames toxicológicos.

6.jun.2006 - Chorão participa de coletiva para comentar sobre o filme "O Magnata" Mais Almeida Rocha / Folha Imagem
6.jun.2006 – Chorão participa de coletiva para comentar sobre o filme “O Magnata” Mais Almeida Rocha / Folha Imagem

Letícia Macedo, no G1

O delegado Itagiba Vieira, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), disse nesta quarta-feira (6), que não acredita que o vocalista Chorão, da banda Charlie Brown Jr, tenha sido vítima de um homicídio. “Aparentemente não foi homicídio. O IML é que vai dar a causa da morte. Aparentemente ou foi por uso de medicamento ou outra substância”, disse o delegado. Chorão, de 42 anos, foi encontrado morto por seu motorista e segurança nesta madrugada, em seu apartamento em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo. Chorão, que morava em Santos, usava o apartamento esporadicamente, geralmente após shows.

Segundo o delegado, o apartamento de Chorão estava muito danificado. Itagiba acredita que os danos tenham sido feitos pelo próprio cantor, já que o corpo foi encontrado com um dedo machucado e havia marcas de sangue no local. “Não tem nada que estivesse no lugar. Ele estava machucado no dedo, arrancou parte de uma unha, o que pode explicar as marcas de sangue na parede”, disse o delegado.

O corpo de chorão foi encontrado na cozinha. O delegado informou ainda que Chorão tomava medicamentos, mas não soube precisar quais. Disse também que o vocalista do Charlie Brown Jr passava por problemas pessoais – ele se separou recentemente da mulher.

Segundo o delegado, Chorão chegou ao apartamento de Pinheiros na segunda-feira (4). Ele estava em um hotel – Itagiba não informou se era na capital paulista. Chorão havia combinado com seu motorista de ir pegá-lo às 12h desta terça-feira (5). O motorista foi ao prédio, e ninguém atendeu à porta. O motorista retornou às 20h e, novamente, não foi recebido. Ele decidiu, então, procurar o segurança de Chorão. Os dois foram ao local na madrugada e o segurança, que tinha cópia das chaves, abriu a porta. Os dois encontraram o cantor e acionaram o Samu. Em seguida, a Polícia Militar foi chamada, às 5h18, para “verificação de morte natural em apartamento”.

O corpo de Chorão deixou o prédio por volta das 8h30 em um carro da Perícia Técnico Científica. As causas da morte serão determinadas pela perícia. Latas de bebidas alcóolicas foram recolhidas no apartamento do cantor. Perguntado se foram encontrados vestígios de drogas no apartamento, Itagiba disse que não iria comentar o assunto por enquanto. O corpo passará por exames toxicológicos.

Por volta das 9h20, o motorista e o segurança de Chorão prestavam depoimento no DHPP.

O baixista da banda Charlie Brown Jr foi até o prédio de Chorão nesta manhã. “Estou péssimo”, disse. Ele contou que conhecia  Chorão há mais de 20 anos e que estava sem falar com o amigo há cerca de um mês e meio. Champignon negou que estivesse brigado com Chorão. “A gente brigou algumas vezes na nossa vida, mas felizmente a gente pôde refazer a nossa amizade”.

No final de 2012, Chorão deu uma bronca no baixista Champingnon em pleno show na cidade de Apucarana (PR). “Você voltou [para a banda] por causa de dinheiro”, disse, no palco. Poucos dias depois, Chorão compartilhou um vídeo ao lado do baixista comunicando que os dois já haviam feito as pazes.

O baixista informou que a banda estava de férias e que o próximo show programado estava marcado para o dia 22, em Campo Grande, no Rio de Janeiro. “Íamos voltar a tocar no dia 22, mas isso não vai mais acontecer”.

Champignon disse desconhecer as causas da morte. “Não sei o que aconteceu lá em cima. Ele estava sozinho. Não sei se tem relação com isso [drogas] também”, disse ao ser perguntado se Chorão era usuário de drogas.

A assessoria de imprensa da banda informou ao G1 que Chorão estava de férias e embarcaria para os Estados Unidos nos próximos dias. Ainda segundo a assessoria, o estado de saúde dele era bom.

O cantor e letrista, que faria 43 anos em 9 de abril, liderava a banda fundada por ele na cidade de Santos, no litoral de São Paulo, em 1992. Em 15 anos de carreira, o Charlie Brown Jr lançou nove álbuns de estúdio, dois discos ao vivo, duas coletâneas e seis DVDs. Ao todo, o grupo vendeu 5 milhões de cópias.

Além de vocalista, Chorão era responsável pelas letras do Charlie Brown Jr e pelo direcionamento artístico e executivo da banda. Em 2005, o trabalho “Tâmo aí na atividade” foi premiado com o Grammy Latino de melhor álbum de rock brasileiro, o que se repetiu em 2010 com “Camisa 10 joga bola até na chuva”.

No ano passado, o Charlie Brown Jr. lançou “Música Popular Caiçara”, álbum ao vivo que marcou o retorno dos integrantes Marcão e Champignon à banda. Eles haviam deixado o grupo em 2005. As apresentações aconteceram em Curitiba e Santos. A produção do trabalho foi feita por Liminha e os shows contam com a participação de Falcão (O Rappa), Zeca Baleiro e Marcelo Nova. Das 15 faixas do CD, a única gravada em estúdio é “Céu azul”.

Chorão foi o único integrante do Charlie Brown Jr que permaneceu no grupo em todas as suas fases. Paulistano, Chorão adotou a cidade de Santos desde a juventude, onde criou a banda. Seu apelido foi dado ainda na adolescência, quando ele não sabia andar de skate e ficava apenas olhando os amigos. Um deles, então, pediu que o jovem não chorasse. Segundo a GloboNews, a infância e a adolescência de Chorão foram difíceis por conta da separação dos pais, que aconteceu quando ele tinha 11 anos. O músico largou a escola na sétima na série.

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Pastores vão à escola aprender liderança

O pastor Lawton Ferreira, que coordena curso à distância para religiosos e presta consultoria a igrejas Foto: Karime Xavier/Folhapress
O pastor Lawton Ferreira, que coordena curso à distância para religiosos e presta consultoria a igrejas Foto: Karime Xavier/Folhapress

Clara Roman, na Folha de S.Paulo

Responsáveis por liderar uma comunidade de 42,3 milhões de pessoas, segundo o IBGE, pastores evangélicos têm buscado melhorar sua formação com cursos de especialização para o cargo.

As disciplinas alternam noções de teologia e entendimento da Bíblia com conceitos de administração e estratégias de liderança.

Entre 2000 e 2010, os evangélicos aumentaram sua fatia na população de 15,4% para 22,2%, impulsionando também a demanda por pastores e, consequentemente, a criação de cursos e escolas para sua formação.

Na Faculdade de Educação Teológica de São Paulo, o curso é on-line e tem duração de cerca de um ano, ao custo de R$ 999. O material didático consiste em 101 apostilas, com lições de antropologia, código civil e penal, administração eclesiástica, didática e ética, entre outras.

Na aula de administração, por exemplo, são ensinados conceitos clássicos como o PODC (planejar, organizar, decidir, controlar), da obra Administração, de James Stoner e Edward Freeman.

Na estrutura organizacional, um pastor tem a incumbência de um profissional na área de marketing e vendas, analisa Antonio Sauaia, professor da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade).

Ao término das disciplinas, o pastor Lawton Ferreira, coordenador do curso, oferece consultorias nas igrejas para acompanhar a prática dos pastores. Os pastores precisam melhorar a capacidade de liderança, de coordenar equipes, afirma Ferreira.

Lawton também ensina técnicas para melhorar a comunicação com o público, como utilizar linguagem mais acessível durante os cultos.

O pastor Emerson Acioli, 32, afirma que o curso o ajudou a desenvolver uma base teórica para construir seus discursos nas cerimônias.

Nos primeiros cinco meses, teve dificuldade em compreender a linguagem dos textos, conta. Hoje, ele afirma receber uma remuneração mensal de R$ 1.500, além de ter a moradia garantida pela igreja onde ministra os cultos, mas não possui direitos trabalhistas e recolhe o INSS como autônomo.

NOVO CURSO

Lawton pretende lançar um novo módulo, com o nome de Atividade Pastoral na Contemporaneidade. O objetivo desse novo curso é aumentar a expansão dos fiéis na igreja. Segundo
Lawton, sua nova técnica, que consiste em convencer os fiéis de que possuem os mesmos poderes de um pastor, fará a igreja angariar cerca de 8.000 seguidores por ano.

Métodos de administração para multiplicação de membros são também objeto de aulas na Faculdade Gospel, que mantém desde 1994, em um curso criado pelo pastor Omar Silva da Costa.

Segundo a escola, são ensinadas práticas usadas pelas igrejas Mundial e Universal do Reino de Deus. O curso tem ainda disciplinas como Estresse e Depressão ou Como Trabalhar com Homossexuais.

Apesar da multiplicação dos cursos e da perspectiva de altos salários o pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, causou polêmica ao afirmar que os salários de seus pastores variam de R$ 4.000 a R$ 22 mil, a carreira religiosa ainda enfrenta percalços.

No fim do ano, o Tribunal Superior do Trabalho reconheceu o vínculo empregatício entre um pastor evangélico e a igreja Universal do Reino de Deus.

O pastor Glauber Alencar, da Assembleia de Deus do Bom Retiro em São Paulo, central de cerca de 150 filiais na cidade, diz que a profissionalização do pastor, ou seja, seu reconhecimento como empregado, é uma discussão frequente dentro das igrejas.

Alencar defende a criação de um plano de carreira para os pastores, além de benefícios sociais, como plano de saúde e previdência, de modo a inserir uma gestão mais próxima à de uma empresa.

Segundo ele, a ideia encontra resistência em setores da comunidade evangélica, sobretudo em relação a remuneração por comissão, ou seja, proporcional ao número de seguidores angariados. A Assembleia de Deus, por exemplo, é contra essa ideia.

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Um homem fiel

Ilustração de Bebel Franco
Ilustração de Bebel Franco

Danuza Leão, na Folha de S.Paulo

As mulheres são curiosas. Outro dia ouvi de uma amiga a seguinte pérola: “não é nem que eu esteja assim tão apaixonada, mas estou com XXX porque ele é incapaz de me trair”.

A certeza com que ela disse isso –e a felicidade–, me levaram a pensar: será que essa é mesmo a maior qualidade que se pode querer de um homem? Que ele seja incapaz de nos trair? É um caso a pensar.

Naturalmente nenhuma mulher está querendo que o homem com quem pretende compartilhar a vida saia atrás da primeira mulher que passar pela frente; mas é preciso que o homem que se ama seja capaz de quase tudo, e nesse quase tudo está incluída a capacidade de achar graça em muitas mulheres; aliás, em quase todas. E é essa capacidade que põe a mulher louca –por ele.

Está-se falando de amor, claro, e qual a mulher que consegue amar sabendo que o homem que ama é incapaz de traí-la, que ela pode passar a vida fazendo qualquer coisa –ou nada– que vai ser amada da mesma maneira?

O que conserva o amor em altíssima temperatura é a incerteza, é a dúvida. Será que ele foi mesmo a um jantar de trabalho? Será que foi mesmo ao futebol? E quando o celular tocou e ele disse que não podia falar, que ligava depois, não seria uma mulher? Claro que era, ela vai pensar. E vai viver no fio da navalha, sem certeza alguma do que está se passando, razão mais do que suficiente para não conseguir dormir, para viver atenta, prestando atenção a tudo, sobretudo aos silêncios.

Viver à beira do precipício é o maior combustível para uma paixão, e muitos confundem insegurança com sentimentos mais profundos.

Uma mulher que não tem muita certeza da fidelidade do seu parceiro nunca será vista precisando pintar a raiz dos cabelos ou sem pelo menos um pouquinho de maquiagem. Ela sabe que vive sempre por um fio, e nada melhor para alguém se sentir viva do que saber que a qualquer momento pode ganhar –ou perder– a vida, o dinheiro, o homem amado.

Estabilidade? E alguém tem estabilidade em alguma coisa? Se alguém achar que tem, além de ser um ingênuo, vai perceber que é a morte em vida.

Que você seja a pessoa mais rica do mundo, mais bonita, mais poderosa, pode acontecer de um dia, em um minuto, perder tudo.

Se houver uma revolução, o mais rico de todos pode ficar pobre –e até ser preso; se a mais linda tiver a pouca sorte de passar num desses bueiros que no Rio às vezes explodem, corre o risco de ir para o hospital para cuidar de suas queimaduras, e dizem que dor maior não há; e o poder– bem, basta ler os jornais, qualquer um, de qualquer país, para ver que se trata de uma gangorra.

Faça um exercício de memória e lembre dos nossos governantes do passado, que saíram debaixo de escândalos, e onde eles estão agora, poderosíssimos de novo; nesse ramo, mais do que em qualquer outro, tudo acontece, inclusive o impossível.

É essa certeza de não poder saber nada sobre o futuro que pode, às vezes, trazer uma notícia maravilhosa –embora seja raro–, ou acabar com suas ilusões e até com seu mundo.

Complicado, mas esse talvez seja o sal da vida.

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Barbara Gancia saiu do armário com classe

Barbara Gancia
Barbara Gancia

Kiko Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Na semana passada, a colunista da Folha Barbara Gancia saiu do armário. Foi num artigo sobre a renúncia do papa. “Do jeito que esses senhores colocam, ou bem se é católico ou se é humano”, escreveu. “Bem, pessoalmente, opto por ser fiel a mim, da forma mais digna e transparente possível, caminhando no sentido contrário das farsas, da impostura e das trevas que me foram impostas pela herança de uma educação católica. O que significa impedir que esses malucos de batina queiram me afastar de Cristo sentenciando que minha homossexualidade não se encaixa no conceito que eles fazem de amor”.

Você pode dizer: eu já sabia. Ok. Mas o fato de Barbara se abrir desta maneira é um avanço. E o fato de isso não virar uma revolução é outro. Barbara comentou sobre sua sexualidade de uma maneira clara e sensível, sem se martirizar ou transformar essa revelação num factoide. Fez diferença na argumentação? Sim. Ela tinha a obrigação moral, como figura conhecida, de assumir? Não. Embora hoje não exista mais privacidade, o que ela faz em casa continua não sendo da conta de ninguém, a menos que você acredite no capítulo 487, versículo 7463 do Livro de Miguelito, que diz que toda pessoa que gosta de cupcake arderá no inferno.

Barbara dá um recado importante ao comentar o tema com naturalidade. Como no caso de Jodie Foster, que saiu do armário de maneira elegante no Globo de Ouro, ela deve ser julgada por sua obra. Nada além disso interessa (a não ser no submundo da fofoca, que é onde se arrastam as almas penadas de subjornalistas como a que “insinuou” que Rafinha Bastos é gay).

O Brasil ainda tem poucos exemplos de gente famosa que saiu do armário. Cauby Peixoto morrerá dizendo que gosta de mulheres. É direito dele. Só é bobo e inútil porque ninguém leva a sério. Ao embutir a confissão sobre sua sexualidade num texto sobre religião, Barbara não está fazendo proselitismo. Ela mesma disse para a ombudsman da Folha, Suzana Singer, que não quer ter apenas essa dimensão. “Tenho outros defeitos”, afirmou.

Recentemente, um amigo me contou que a filha, recém-saída da adolescência, é homossexual. Ele estava tendo algumas conversas com ela. Não para convencê-la a mudar de ideia — o que, de resto, não daria em nada –, mas que ficasse tranquila porque ele estava tranquilo. Ajudaria a menina se uma das 97 cantoras gays de MPB assumissem? Talvez. Mas a maior preocupação de pai e filha, na verdade, era outra: que ela passasse na faculdade e pudesse seguir com o plano de virar veterinária. Enfim, como todo pai, que ela fosse feliz e que ele a apoiaria diante das forças do mal, se elas aparecerem. E vida que segue.

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Pedaços de meteorito já estão à venda em site russo

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Conforme o ditado, enquanto uns choram, outros vendem lenços. A máxima também é válida na Rússia. Fragmentos do meteorito que atingiu a cidade de Tcheliabinsk, na Rússia, na última sexta-feira (15), já estão à venda em um site local. Os tamanhos e preços dos pedaços da rocha variam; alguns anunciantes afirmam que chegam a ter vários quilos.

De acordo com a Folha, no site Avito.ru, portal de classificados gratuitos semelhante ao Mercado Livre, pelo menos 10 anúncios de venda dos fragmentos do meteorito foram postados durante o fim de semana. Um dos vendedores alega que está vendendo um pedaço de 200 quilos. O anúncio, de autenticidade questionável, não continha preço nem fotografias do fragmento.

Outra postagem indicava 16 fragmentos maiores ao preço de 15 mil rublos a unidade (aproximadamente US$ 500, ou R$ 1000) e outros 77 pedaços menores, que valem 2 mil rublos cada (próximo de US$ 67, ou R$ 134).

O governo russo suspendeu a busca pelos fragmentos do meteorito, mas a região em torno do Lago Chebarkul, onde se formou uma cratera associada ao bólido, permanece isolada. Segundo a BBC, cientistas russos encontraram vários fragmentos no local, durante o último domingo (17).

Na última sexta-feira (15), o meteorito atingiu a cidade de Tcheliabinsk, localizada ao sul ocidental da Rússia, próxima aos Montes Urais. Cerca de mil pessoas ficaram feridas com o incidente. Cientistas estimam que a rocha tinha 15 metros de diâmetro, 10 toneladas e viajava a 54 mil quilômetros quando entrou na atmosfera terrestre.

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