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Carta de um policial nos protestos de São Paulo

Policiais tentam conter manifestantes durante protesto nesta terça-feira (11), em São Paulo. (foto: Fabio Braga/Folhapress)

Policiais tentam conter manifestantes durante protesto nesta terça-feira (11), em São Paulo. (foto: Fabio Braga/Folhapress)

Danillo Ferreira, no blog Abordagem Policial

Ser policial e andar com uma lupa de análise política no bolso quase sempre é trágico. Leva-nos a conflitos internos, terremotos morais, furacões éticos. Sim: estou falando da atuação da Polícia Militar do Estado de São Paulo, digo, estou falando da minha atuação nos protestos em favor da redução das tarifas de transporte público em São Paulo.

No front, companheiros, sabemos todos nós policiais (caso este texto seja publicado), no front não há raciocínio. “A determinação é desocupar a Avenida”. Um sentimento de dever nos une, e a determinação será cumprida. Deve ser cumprida. Por nós, que pegamos ônibus e metrô, e somos pouquíssimos partidários dos governos: são eles, afinal, que nos submetem a condições de trabalho questionáveis, que nos pagam salários inadequados com a natureza da função que exercemos, que incita a polícia a agir, mas que degola o primeiro que parecer abusivo à opinião pública. Afinal, soldado morto, farda noutro.

Vi baderneiros e atos descontrolados de manifestantes: danos desnecessários, resistências à ação policial, incitação à violência. Cá para nós, coisa natural em protestos e manifestações contra os governos. Diferentemente de tropas militares, manifestantes civis em reivindicações não possuem controle central, determinação uniformizada de ordens. Diferentemente da polícia, que quando é violenta com certeza acata a um interesse específico, a população em protesto pode tender à irresponsabilidade de uns poucos. E isto não deslegitima  a causa.

Vi policiais assumindo a lógica “nós contra eles”, como se na guerra estivessem, vi colegas ingenuamente assumindo-se engrenagem de uma máquina que está longe de ter como fim “a manutenção da ordem pública”. Vi o despendimento de uma estrutura militar significativa para calar a voz de cidadãos, para evitar sua permanência no espaço público, para negar a insatisfação que, lá em nosso âmago, faz parte de cada policial militar (salvo alguns que, certamente, estão bem privilegiados nos altos escalões de poder).

Cumprimos ordens, é verdade, mas elas pelo menos devem ser investigadas quanto às suas naturezas, quanto ao que representam politicamente, quanto a seus desdobramentos sociais. Ouço colegas dizerem que, “se os baderneiros são violentos, não podemos nos omitir, a repressão deve ocorrer, a violência tem que ser devolvida”. Obviamente, permitir-se apanhar é absurdo: tão absurdo que não sei se alguém acha mesmo que pedir respeito à manifestação popular significa pedir para apanhar. Mas a violência institucional policial, que, repito, é organizada e obedece a um comando central, é uma contradição do ponto de vista dos fins da própria instituição, que está sustentada (a princípio) na produção da paz.

Policiais são profissionais, têm deveres, modo de atuação especificado, direitos a garantir, deveres a fazer cumprir. A sociedade, neste momento se reconhecendo enquanto corpo político reivindicatório, tem um elemento que vez ou outra surge, sempre incomodando bastante quem quer as coisas do modo que elas estão: ideal, coragem política e insatisfação coletiva. Como deveria ser a relação entre esses dois setores da mesma sociedade?

Sou a favor do que defendem os manifestantes. Sou a favor da ação policial que evite ações violentas de manifestantes. Sou a favor de ações policiais não violentas. Sou a favor que cada policial militar paulista reflita sobre o que representa seu bastão erguido, seu espargidor acionado, seu tiro de borracha disparado. Trabalhamos para sobreviver, sem nossa profissão, não sustentaríamos nossas famílias, mas não é pequeno o conflito existencial de quem percebe que está jogando, porque é obrigado a jogar, o jogo de uns poucos, encerrados em seus gabinetes, presos afetiva e ambiciosamente à cadeira do poder. Lamento, tristeza e vergonha.

A carta acima foi recebida pelo Abordagem Policial de um leitor anônimo, de modo que não podemos afirmar a veracidade de qualquer ponto explicitado no texto. Pela temática e peculiar posição defendida pelo autor, resolvemos publicá-la.

No cinema, Vitor Belfort também protesta: ‘Onde vão parar os preços no Brasil?’

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Publicado originalmente no Extra

Lutador da categoria peso médio do UFC, o brasileiro Vitor Belfort publicou foto nesta sexta-feira no Instagram reclamando dos preços da comida no cinema. O ex-campeão dos pesos pesados criticou os valores pagos na água e na pipoca no mesmo dia em que diversas cidades brasileiras têm feito manifestações contra o aumento do preço da tarifa dos transportes públicos.

“3 baldes de pipoca e 4 águas pequenas 79 reais um absurdo onde vamos parar com os preços aqui no Brasil? Será que é só eu que penso assim? Isso é uma forma de eu expressar minha indignação tenham uma boa noite e não comam pipoca hahahahahahaha mas bebam água e se possivel achem um poço artesiano hahaha boa noite”, escreveu na legenda.

Vitor Belfort está no Rio de Janeiro desde o começo da semana e já encontrou o italiano Balotelli, atacante da seleção que irá disputar a Copa das Confederações. Atualmente, o lutador reside em Las Vegas, nos Estados Unidos.

Poeta colombiano quer vender os testículos para percorrer a Europa

Homem venderá suas partes íntimas para a primeira pessoa que pagar o valor estipulado

 Poeta colombiano quer vender seus testículos Foto:  Reprodução Internet


Poeta colombiano quer vender seus testículos
Foto: Reprodução Internet

Publicado originalmente em O Dia

Bogotá (Colômbia) – O poeta colombiano Raffael Medina Brochero está vendendo seus testículos por € 12,800 (equivalente a R$ 36,608) para poder percorrer a Europa nas férias com suas poesias.

Em sua casa na cidade de Magdalena, Medina disse para um apresentador de rádio que vai dar suas partes íntimas para a primeira pessoa que pagar seu preço.

Brochero afirmou que sua decisão foi tomada depois de uma turnê na América do Sul, em 2012, que acabou o deixando sem dinheiro.

Ele quer evitar a repetição de problemas financeiros na Europa. Em seu site, o poeta declarou que às vezes usa as pernas das calças em diferentes comprimentos para “denunciar a desigualdade social”.

dica da Rina Noronha

Protestos em SP: 5 fatos que você precisa saber

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Manifestante caído durante confusão com a polícia na rua da Consolação (foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

publicado no SBTZ

Estamos no quarto dia de protesto do Movimento Passe Livre contra o aumento das passagens de transporte público na cidade de São Paulo. O ticket de transporte que era R$3, na semana passada começou a valer R$3,20 causando o início das revoluções tanto físicas quanto digitais pelo país. A manifestação hoje ocorreu ao longo de dois quilômetros que vão do Teatro Municipal até a esquina da Consolação com a Rua Maria Antônia.

As revoltas começaram por volta das 19h10, pela ação da polícia militar, precisamente por um grupo de 20 homens do batalhão de choque. Até então, as manifestações eram de caráter pacífica – segundo as testemunhas locais.


1. Anonymous invade site do governo

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O grupo Anonymous conhecido por derrubar sites e organizar movimentos ativistas na internet invadiu o site da Secretaria de Educação do estado de SP para ajudar a divulgar o Movimento Passe Livre, contra o aumento das passagens de ônibus da cidade de São Paulo. O site foi invadido ontem a noite mas seguiu fora do ar até hoje na parte da manha.

Os manifestantes realizaram modificações na página do site para exibir material que auxiliaria na divulgação dos movimentos na cidade – e também causar um buzz na internet e na mídia. No site, havia escrito o seguinte texto:

“Exigimos a redução da tarifa! Os supostos representantes devem ouvir a vontade do povo! Basta de políticos inócuos! Estamos acordados! Seus dias de fartura estão contados!”

Além de ser utilizado para protestar, o site foi utilizado para organizar um novo protesto no dia de hoje as 17h, na frente ao Teatro Municipal de SP.


2. A PM começou a batalha?

Por volta das 17h, quando ocorreu o início das manifestações, na escadaria do teatro estava tudo ocorrendo bem. Só uma hora depois a coisa começou a crescer. Nessa hora, havia por volta de uns 10 policiais. O tempo ia passando e os políciais começavam a se juntar, chegaram a fechar a Consolação mas acabaram recuando. Tudo que os manifestantes faziam era gritar: “Você é soldado, você também é explorado” ou “Sem violência”.

Por volta das 19h do nada apareceu um grupo de 20 PMs com viseiras, escudos e tudo que tem direito. Sem nenhuma advertência, megafones ou nada começaram a arremessar bombas de efeito moral e rojões.

 


 


3. O que a mídia não mostra

 


4. O poder das mídias sociais – #protestosp #passelivre

 

 


5. Feridos no protesto

 

Mulher do pastor Marcos Pereira é indiciada pela polícia por denúncia falsa

Ana Madureira, esposa do pastor Marcos Pereira (Foto: Reprodução / Youtube)

Ana Madureira, esposa do pastor Marcos Pereira (Foto: Reprodução / Youtube)

Rafael Soares, no Extra

Ana Madureira, esposa do pastor Marcos Pereira, foi indiciada por denunciação caluniosa, nesta quarta-feira, pelo delegado-titular da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), Márcio Mendonça. Isso porque, em depoimento, Ana acusou o marido de ter abusado dela. Mas, depois, voltou atrás e negou a violência em duas oportunidades: em cartório e num vídeo veiculado na internet pelo canal da Assembleia de Deus dos Últimos Dias, igreja fundada por Marcos.

O indiciamento ocorreu depois de Ana faltar ao depoimento marcado para esta quarta, na Dcod. Segundo Márcio Mendonça, os agentes ainda tentaram localizá-la em casa, na igreja e pelo telefone, sem conseguir.

- A depoente afirmou, na delegacia, que havia sofrido uma série de violências por parte de seu marido. Após prisão do pastor, ela passou a negar todas as acusações no vídeo. Ela deveria ter buscado a delegacia e explicado o que aconteceu. Como não o fez e se recusa a atender os agentes, optamos pelo indiciamento – disse o delegado.

O inquérito aberto para investigar a conduta de Ana Madureira deve ser enviado ao Ministério Público até sexta-feira. Se condenada, a mulher pode pegar de dois a oito anos de prisão.

Veja abaixo o vídeo, publicado em maio, em que Ana Madureira nega as denúncias ao pastor Marcos Pereira.

Prisão

O pastor Marcos Pereira foi preso no dia 7 de maio, por policiais da Decod, acusado de estuprar integrantes de sua igreja. Ele negou os crimes, mas foi incidiado e depois denunciado pelo Ministério Público por dois estupros. Ele também responde por coação de testemunha e é investigado pela Dcod por associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e quatro homicídios. O religioso está preso no Complexo de Gericinó.