Menino migra em busca de tratamento para a mãe e morre sozinho no deserto do Texas

Foto cedida pela família mostra Gilberto Ramos Juárez em local um não identificado na Guatemala (foto: AP)
Foto cedida pela família mostra Gilberto Ramos Juárez em local um não identificado na Guatemala (foto: AP)

Publicado em O Globo

Gilberto Ramos Juárez queria deixar seu povoado na Guatemala e viajar aos Estados Unidos. A missão? Trabalhar e ganhar dinheiro para pagar um tratamento para sua mãe, que sofre de epilepsia. A insistência para que o garoto não fosse foi em vão.

— “Meu filho me dizia que ia me ajudar a curar a minha doença, mas eu dizia pra ele não ir — contou Cipriana Juárez Díaz.

Como não conseguiu convencê-lo, cobriu-o com um terço branco para lhe garantir uma viagem segura na fronteira.

Um mês depois, o corpo de Gilberto foi encontrado no deserto do Texas. Ele acabou virando um símbolo do êxodo de crianças desacompanhadas, que enfrentam diversos perigos para atravessar ilegalmente a fronteira da América Central para os Estados Unidos.

Autoridades disseram na segunda-feira que Gilberto, de 11 anos, foi um dos imigrantes mais novos que morreram na tentativa de cruzar o deserto. Seus pais, no entanto, informaram que sua idade foi registrada errada e ele tinha 15.

— Ele era um bom filho — disse Cipriana.

O corpo do garoto foi encontrado sem camisa, mas com o rosário que a mãe lhe deu.

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Nigeriano é internado depois de se dizer ateu

Mubarak BalaDavid Smith, no The Guardian [via Folha de S.Paulo]

Um nigeriano foi internado por sua família numa instituição de saúde mental, depois de dizer que deixou de acreditar em Deus.

Mubarak Bala, 29 anos, estaria sendo medicado à força por “insanidade”, há quase duas semanas, apesar do parecer de um médico para quem ele não apresenta problemas psicológicos.

Foi lançada uma campanha para pedir sua libertação, e o caso ressalta o fato de os ateus serem uma minoria perseguida em muitos países africanos.

Bala usa o apelido “ExMuslim” (ex-muçulmano) no Twitter, e seu perfil diz: “Engenheiro de processos químicos. Defendo a Verdade & Justiça. A religião insulta a consciência & razão humanas, mentindo que tenho outra vida. AteuAgnóstico.”

Ele vive em Kano, no norte da Nigéria, região de maioria muçulmana. O Estado adotou a sharia em 2000 e tem uma força policial rigidamente islâmica, a Hisbah.

De acordo com a União Internacional Humanista e Ética, que assumiu a defesa de Bala, quando este contou à sua família que tinha renunciado ao islã, a família o levou ao médico e perguntou se ele tinha uma doença mental. O médico o pronunciou saudável, mas a família procurou um segundo médico, para o qual o ateísmo seria efeito colateral de uma mudança de personalidade.

A família teria contado ao médico que Bala também afirmou ser um governador e contou outras “mentiras triviais”. Bala foi internado no Hospital-Escola Aminu Kano em 13 de junho, onde está sendo mantido contra sua vontade desde então.

Ele suplicou ajuda ao mundo externo em e-mails e tuítes enviados de vários telefones levados para dentro do hospital às escondidas. Em um e-mail, Bala disse: “A maior prova de minha doença mental foram grandes blasfêmias, a negação da ‘história’ de Adão e a apostasia, algo que o médico disse ser uma mudança de personalidade, dizendo que todo o mundo precisa de um Deus, que mesmo no Japão existe um Deus. E meu irmão acrescentou que todos os ateus que ele conhece tiveram doença mental em algum momento de suas vidas.”

Em tuíte enviado em 21 de junho, Bala escreveu: “Meu pescoço ainda dói por eu ter sido segurado à força por meu pai, e os golpes de meus tios deslocaram meu dedo e braço. Depois disso fui sedado por meu mano.”

Em outro tuíte, que se supõe fale do pai de Bala, este diz: “Sendo um líder, na dianteira do movimento islâmico na Nigéria, ele não pode ter um membro de sua família que não fosse muçulmano, por isso me declarou demente.”

Segundo o advogado Muhammad Bello Shehu, o pai de Bala conta uma história diferente. “Pelo que eu soube da família, Mubarak começou a expressar essas ideias seis ou sete meses atrás. O pai sabia que ele tinha deixado de orar e de ir à mesquita há um ano.”

“Mas quando ele começou a tuitar sobre isso e ir a público, isso poderia ter colocado sua vida e sua família em risco. Assim, de acordo com o pai, a principal razão por que ele levou Mubarak ao hospital foi para garantir sua própria segurança. Devido ao modo como as pessoas encaram a religião aqui, ele poderia ter sido linchado por fazer essas declarações.”

O advogado acrescentou que é preciso clareza em relação ao estado mental de Bala. “Os médicos são da opinião de que ele tem um problema psicológico, sim. Ele diz que não. A questão agora é chamarmos um analista psiquiátrico independente para avaliá-lo.”

Sabe-se que o telefone mais recente de Bala foi confiscado, mas que ele foi transferido de um quarto particular para uma enfermaria pública.

Sua detenção foi condenada pelo Movimento Humanista Nigeriano. Bamidele Adeneye, membro do movimento e secretário dos Humanistas de Lagos, disse: “Conheci Mubarak online há algum tempo e ele me pareceu muito lúcido, inteligente e espirituoso, além de corajoso e ousado. O que me surpreendeu é que ele é um ateu muçulmano, algo raríssimo na Nigéria.”

Adeneye recordou que Mubarak lhe disse de repente que seu irmão estava tentando interná-lo numa instituição psiquiátrica porque ele não acreditava em Deus. “Então ele falou que sua família o tinha mandado fazer tratamento por insanidade. Vi online que seu pai escreveu que a televisão incentiva o ateísmo, então cuidado.”

Adeneye disse ainda que Bala estava prestes a ir estudar na universidade South Bank, em Londres.

“Se você falar com Mubarak, perceberá que não há nada de errado com ele. Basicamente, ele disse à família que não acredita na história de Adão e Eva ou em Alá. A Constituição afirma claramente que a pessoa tem o direito de ser religiosa ou não religiosa. Isso é uma violação dos direitos humanos.”

“Em Kano há uma polícia islâmica. Temo pela vida de Mubarak. Alguém pode ir ao hospital atacá-lo. Estamos tentando tirá-lo de lá. Tenho medo, porque se isso pode acontecer com ele, pode acontecer comigo.”

Numa cidade de estimados 21 milhões de habitantes, os Humanistas de Lagos não contam com mais de dez membros ativos. Adeneye disse: “Os ateus são uma minoria malvista. Eu cresci numa família cristã e frequentava a igreja. Eu perguntava a meu pai: ‘Por que estamos indo?’. Ele me incentivava a continuar fazendo perguntas.”

“Muitos nigerianos acham os ateus horríveis. Já recebi muitas ameaças de morte e mensagens como ‘você não merece estar vivo’. Mas o ateísmo está crescendo em países como Quênia, Uganda e Gana. Graças a programas como ‘Cosmos’, as crianças estão entendendo a evolução e questionando seus pais, perguntando: ‘É possível realmente que todos tenhamos descendido de duas pessoas?'”

A União Internacional Humanista e Étnica expressou preocupação com a “deterioração da condição” de Bala, depois de receber relatos de que ele está enfraquecido, com as mãos trêmulas. Um porta-voz da organização, Bob Churchill, disse: “Parece que o que levou Mubarak a ser pressionado desta maneira terrível a aderir a pontos de vista religiosos que ele simplesmente não segue foi uma noção perversa de honra familiar. Trata-se de uma violação hedionda de sua liberdade de pensamento e crença.”

“Nós nos unimos a humanistas e defensores dos direitos humanos na Nigéria e aos ativistas que vêm chamando a atenção a este caso para pedir uma revisão imediata do caso de Mubarak por um médico que seja inteiramente independente da família e para exigir sua libertação imediata.”

O cristianismo e o islã ainda dominam a África, e o ateísmo é virtualmente tabu em grande parte do continente. Mas, como os ativistas dos direitos dos gays, os ateus estão finalmente encontrando sua voz, e Churchill crê que a maré esteja virando.

“Acho que muito frequentemente na África subsaariana as pressões sociais dificultam a discussão do ateísmo. Mas estamos assistindo a uma mudança lenta na situação, e não é possível enfiar a pasta de dentes de volta no tubo. As ideias estão ali fora, e uma parte da população está disposta a dizer que acredita nelas. Está começando a surgir uma reação muito séria.”

Tradução: Clara Allain

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Não, Mujica não estava de sandálias esperando ser atendido em um hospital público

Jose Mujica

 

Publicado no Brasil Post

Está circulando nas redes sociais desde ontem uma foto do presidente do Uruguai, Jose “Pepe” Mujica, usando sandálias e sentado em um banco com um olhar abatido.

A legenda diz que a foto foi tirada enquanto Mujica esperava atendimento em um hospital público do Uruguai. Somente na página da rádio mexicana Más 94, a foto teve quase 60 mil curtidas e mais de 100 mil compartilhamentos. Só que a história não é bem essa.

Na verdade, a foto de Mujica de sandálias foi tirada em dezembro do ano passado durante a posse de Mario Bergara como ministro de Economia.

Na época, o Uruguai vivia uma tremenda onda de calor, o que levou Mujica a se vestir de forma mais casual e adotar as “sandálias da humildade”. Os ministros ficaram surpresos com a informalidade na ocasião, mas não tanto quanto os internautas que compartilharam a imagem pensando que um presidente realmente espera horas para ser atendido na rede pública como qualquer mortal. Infelizmente, não foi dessa vez.

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Redes de fast food nos EUA aceitam desafio de fazer lanches iguais aos das fotos

McDonald’s, Burger King, Jack in the Box e Wendy’s participaram das provocações feitas pelo canal do Youtube Mediocrefilms

LANCHES FICAM PARECIDOS COM AS IMAGENS PRODUZIDAS EM ESTÚDIO (FOTO: REPRODUÇÃO / YOUTUBE)
LANCHES FICAM PARECIDOS COM AS IMAGENS PRODUZIDAS EM ESTÚDIO (FOTO: REPRODUÇÃO / YOUTUBE)

Publicado na Época Negócios

Não é nenhuma novidade que as refeições de fast food não são nada parecidas com as mostradas em suas propagandas. Mas um canal de vídeos do Youtube, o MediocreFilms, resolveu pedir aos gerentes de grandes lanchonetes que tentassem fazer lanches parecidos com os dos anúncios divulgados e o resultado foi, digamos, positivo. O canal registrou tudo em um vídeo (em inglês).

O MediocreFilms visitou quatro locais: o McDonald’s, o Burger King, a Jack in the Box e a Wendy’s. Primeiro, o comediante e ator Gregory Charles Benson, que apresenta o vídeo, pede a comida como um consumidor tradicional. Depois, ele a compara com o anúncio divulgado na internet e volta ao balcão para perguntar se um novo lanche, igual ao da imagem que está na caixa do produto, pode ser feito. Todos os funcionários topam o desafio.

Depois de pedir um Big Mac parecido com o da propaganda na maior e mais famosa rede de fast food do mundo, o apresentador pergunta ao vendedor, que ri com a situação, se alguém já havia feito o mesmo pedido e ele responde que não.  “Eu nunca ouvi isso antes”, afirmou o funcionário do McDonald’s. O sanduíche feito na segunda tentativa é mais parecido com a imagem que ilustra a comida na caixa de papelão.

As provocações também foram aceitas e tiveram ótimos resultados na redes Burger King, Jack in the Box e Wendy’s. No Burger King, o vendedor afirmou só cumprir ordens e que as imagens publicitárias não se parecem em nada com o que eles fazem no dia a dia. Ao fazer a refeição semelhante ao do comercial para Benson, a funcionária da Jack in the Box afirma: “Apenas para você”. A vendedora da rede Wendy’s justificou o visual do primeiro lanche oferecido ao apresentador afirmando que a imagem nem sempre é o que importa para o cliente, já que os lanches servem para matar a fome. Veja:

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Marcha para Jesus leva 500 mil pessoas ao Centro do Rio de Janeiro

A Marcha para Jesus reuniu 500 mil pessoas, no Centro (foto: Extra / Fábio Guimarães)
A Marcha para Jesus reuniu 500 mil pessoas, no Centro (foto: Extra / Fábio Guimarães)

Priscila Belmonte, no Extra

Pela primeira vez na Marcha para Jesus, que reuniu cerca de 500 mil pessoas no Centro do Rio, a médica Jacqueline Fonseca, de 30 anos, não se conteve de tanta felicidade ao participar do evento religioso. Acompanhada por parentes, ela contou que só agora teve a chance de ir, porque trabalhava nos fins de semana.

– Desta vez, eu não podia faltar. Essa festa é maravilhosa. É a chance que nós, evangélicos, temos de mostrar que somos felizes, mesmo sem beber e fumar, como qualquer outra pessoa.

A estimativa de público, o mesmo do ano passado, é da Polícia Militar. A marcha começou às 15h e teve o apoio de oito carros de som, que seguiram da Avenida Passos até a Cinelândia, animando os fiéis, com o tema “Eu sou de Jesus, eu sou campeão”.

Num palco montado na Cinelândia, cantores de música gospel se revezavam. Andre Valadão e Bruna Karla foram alguns dos artistas mais ovacionados pela plateia, que contava com gente de todas as idades. Animada e com as letras na ponta da língua, a multidão, composta por frequentadores e pastores de diversas igrejas evangélicas de diferentes regiões do Estado do Rio de Janeiro, estava vestida com as cores verde e amarela por causa da Copa do Mundo.

Protesto contra investimentos na Copa

Um pequeno grupo de fiéis aproveitou a oportunidade para criticar a realização da Copa do Mundo no Brasil. Com cartazes nas mãos, eles mostravam seu descontentamento. O publicitário Nilton Nalin, de 53 anos, que frequenta a Igreja Pentecostal Mundial do Reino de Deus, era um deles.

– O governo deveria priorizar saúde e educação, em vez de fazer tanto estardalhaço por causa de um evento esportivo. Não sou contra a realização do Mundial, só acho que essa não deve ser a maior preocupação do governo num momento como esse – disse.

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