Ex-homofóbico, lenda do boxe britânico anuncia mudança de sexo

Frank Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @Sport10internet (via Extra)
Frank Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @Sport10internet (via Extra)

Publicado no UOL

Famoso pelo seu passado como técnico e empresário de boxe, Frank Maloney surpreendeu os ingleses neste domingo ao anunciar, em uma entrevista a um tabloide local, que vai mudar de sexo. O agente, que no passado chamou a atenção pela postura homófobica, se prepara para fazer a cirurgia e vive como uma mulher.

“Eu nasci no corpo errado e sempre soube que era mulher. Eu não consigo seguir vivendo nas sombras, e é por isso que eu estou fazendo isso. Viver assim por mais tempo ia me matar”, disse Maloney ao jornal Mirror.

Frank é tratado pela mídia britânica como um dos reis do boxe entre os anos 1980 e 1990. Foi ele quem guiou Lennox Lewis, por exemplo, ao título mundial dos pesos pesados, o primeiro do Reino Unido em quase um século. Com o poder de decidir os futuros da modalidade, virou uma lenda.

“O que estava errado no nascimento agora está sendo corrigido pela medicina. Eu tenho um cérebro feminino. Eu sabia que eu era diferente no minuto em que eu me comparei com as outras crianças. Eu tinha inveja das meninas”, disse Frank, que agora quer ser chamado de Kellie.

Kellie Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @stegannon (via Extra)
Kellie Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @stegannon (via Extra)

“Eu nunca fui capaz de contar a ninguém do boxe. Você consegue me imaginar indo para um ringue vestido como uma mulher e fazendo o meu trabalho? Eu consigo imaginar o que gritariam para mim, mas se eu trabalhasse no mundo da arte ninguém ligaria para essa mudança”, disse ela.

Kellie encerrou a carreira como Frank no ano passado e desde então viveu reclusa. Maloney tem três filhos de dois casamentos e uma movimentada vida pública. No meio da década passada, ela chegou a tentar ser prefeita de Londres, quando foi acusada de homofobia.

Como Frank, ela recusou-se a visitar o bairro de Camdem, no norte da capital inglesa, alegando que lá teriam “muitos gays”. “Eu não gosto de ver policiais de mãos dadas em público. Não é um jeito familiar de levar a vida e nós deveríamos apoiar mais a família”, disse Maloney à época. Candidata pelo Partido Independente, ela terminou na quarta posição do pleito que elegeu Ken Livingstone, do Partido Trabalhista.

Capa do jornal com a história de Maloney foi compartilhada em redes sociais Foto: Reprodução / Twitter (via Extra)
Capa do jornal com a história de Maloney foi compartilhada em redes sociais Foto: Reprodução / Twitter (via Extra)

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As 10 fotografias mais famosas da história

Publicado no Catraca Livre

Separamos em nosso Tumblr, uma lista com as 10 fotografias mais famosas da história.

Mãe migrante (1936) – (Dorothea Lange)

Mãe migrante (1936) - (Dorothea Lange) - Imgur

Autoimolação (1963) – (Malcolm Browne)

Autoimolação (1963) - (Malcolm Browne) - Imgur

Execution of a Viet Cong Guerrilla (1968) – (Eddie Adams)

Execution of a Viet Cong Guerrilla (1968) - (Eddie Adams) - Imgur

Phan Thi Kim Phúc (1972) – (Nick Ut)

Phan Thi Kim Phúc (1972) - (Nick Ut) - Imgur

Massacre da Praça da Paz Celestial (1989) – (Jeff Widener )

Massacre da Praça da Paz Celestial (1989) - (Jeff Widener ) - Imgur

Che Guevara Guerrilheiro Heroico (1960) – (Alberto Korda)

Che Guevara Guerrilheiro Heroico (1960) - (Alberto Korda) - Imgur

O beijo da Times Square (1945) – (Alfred Eisenstaedt)

O beijo da Times Square (1945) - (Alfred Eisenstaedt) - Imgur

Menina afegã (1984) – (Steve McCurry)

Menina afegã (1984) - (Steve McCurry) - Imgur

Einstein mostrando a língua (1951) – (Arthur Sasse)

Einstein mostrando a língua (1951) - (Arthur Sasse) - Imgur

Os Beatles na Abbey Road (1969) – ( Iain Macmillan)

Os Beatles na Abbey Road (1969) - ( Iain Macmillan) - Imgur

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Preciso do voto do povo e da graça de Deus’, diz Dilma em igreja de SP

Presidente participou de encontro de mulheres da Assembleia de Deus.
‘Não se esqueçam de orar por mim’, disse a cerca de 5 mil pessoas.

A presidente Dilma Rousseff em congresso da igreja Assembleia de Deus, em São Paulo (foto: Glauco Araújo/G1)
A presidente Dilma Rousseff em congresso da igreja Assembleia de Deus, em São Paulo (foto: Glauco Araújo/G1)

Glauco Araújo, no G1

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, disse nesta sexta-feira (8), durante discurso no Congresso Nacional de Mulheres das Assembleia de Deus Ministério de Madureira, em São Paulo, que precisa “do voto do povo e da graça de Deus”.

Dilma discursou dentro da igreja para uma plateia formada na maioria por mulheres evangélicas. Segundo a organização do evento, cerca de 5 mil pessoas estavam no local.

 “Acredito naqueles que creem, acredito no poder da oração. Espero que ao voltarem para suas casas, não se esqueçam de orar por mim. Preciso do voto do povo e da graça de Deus”, disse a presidente.

Em sua fala, a presidente ressaltou programas sociais de sua gestão e disse que o governo tem em comum com os evangélicos “a dedicação àqueles que mais precisam”.

“Com o Brasil sem Miséria, 22 milhões de pessoas cadastradas como miseráveis saíram da extrema pobreza. O governo corre atrás dessas pessoas. Apoiamos a busca ativa. Vocês, evangélicos, fazem isso também e encontram essas pessoas durante a evangelização que fazem”, afirmou.

A presidente também disse que, com parcerias entre governo e entidades civis, entre elas as igrejas, os benefícios podem chegar de forma mais rápida à população pobre. Para ela, é preciso ter “humildade” para reconhecer o “trabalho de evangelização”.

“No semi-árido do país, nunca se construiu cisterna. Graças às parcerias com entidades diversas, nós chegamos a um milhão de cisternas instaladas. Há que ter a humildade política de reconhecer o trabalho de vocês, onde exercem a evangelização. Se nos unirmos, chegamos mais rápido”, disse.

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Os profetas do gangsta gospel

Pastor Ton em sua igreja: “Eu danço em cima do sangue de Jesus” (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
Pastor Ton em sua igreja: “Eu danço em cima do sangue de Jesus” (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

Anna Virginia Balloussier, no Religiosamente

Em comum, eles cantam sobre a “vida loka” da periferia, com roupas “de mano”, em meio a carrões “da hora”. E fazem isso em nome de Deus.

Pastor Ton, Marcio Moreira e Paulo “Profeta” Deivid são expoentes do gangsta gospel.

Esse estilo musical une pregação evangélica a um gênero particular do rap, com batida agressiva e letras sem rodeios sobre drogas (“bagulho mesmo”), criminalidade (“a chapa esquenta”) e violência policial (“os gambé embaça”).

O gangsta –derivativo de gângster– conta a vida como ela é. E ela nem sempre era bonita de onde vieram pioneiros americanos do gangsta, como Snoop Doggy Dogg e Tupac Shakur (morto há 18 anos, com quatro tiros em Las Vegas).

“Sempre sonhei em fazer clipe que nem os gringo”, diz Pastor Ton, 36, autor de músicas como “Serial Killa” e “121” (número do homicídio no Código Penal).

Ele curte carrões “lowrider”, aqueles que andam quase arrastando no chão e quicam feito bola de basquete, bem comuns entre gangues de mexicanos nos Estados Unidos.

“Assim como os carros deles pulam na presença da [Nossa Senhora de] Guadalupe, quero que aqui pulem aos pés do meu Deus”, diz.

No vídeo de “É Us Crent’s”, que ele mesmo dirigiu, canta com cara de mau ao lado de um Chevrolet Impala 1962, cor azul.

Na vida real, Ton tem um Gol 1999 e duas lojinhas de salgado. O dízimo que recebe, segundo Ton, mal paga o aluguel de R$ 600 do galpão em Guaianases, zona leste de São Paulo.

É lá que funciona a Comunidade Profética Descendentes de Davi, que lidera ao lado da mulher, a ex-prostituta e hoje pastora Angela de Jesus. Com 35 cadeiras de plástico branco e um orelhão grafitado com o nome “JESUS” do lado de fora, a igreja funciona ao lado de uma boca de fumo.

Quando canta coisas como “no meio da Babilônia o demônio impera com um fuzil em punho” ou “a fumaça encobre o rosto de Lúcifer”, Pastor Ton tem um objetivo claro: “Converter a cultura gangsta aos pés do Senhor”.

“O gansgta diz o que tá rolando, mas não mostra saída. O gangsta gospel fala, ‘ó, tá rolando isso’, mas tem uma saída. Deus.”

Nos anos 1990, a chamada “linguagem das ruas” ganhou força nos Estados Unidos e uma “versão brasileira, Herbert Richers”, encabeçado pelos Racionais MC’s.

Quando Pastor Ton começou, na banda Criminal Base, não era pastor nem Ton: atendia por Everton Santos, um rapper que se amarrava no som de Mano Brown e andava pra lá e pra cá com um revólver calibre 32, escondido na mala dos vinis (“enferrujado, se atirasse só dava tétano”).

“Até que Deus pediu para que eu trocasse minhas roupas”, diz.

MUDANÇA DE HÁBITO

Certa madrugada, após curtir todas num bailão, esperava um ônibus que nunca chegava. Para passar o tempo, refugiou-se numa Assembleia de Deus. Gostou do que viu e decidiu ficar.

“De repente, eu tava de cabelo curto, sem brinco, sem roupas largas, todo de social.”

Everton saiu “do mundão”. O mundão, contudo, não saiu dele. Se passava um carro tocando Racionais, “a lágrima escorria” de tanta saudade. Aos poucos, foi percebendo que sua “maneira de pregar o Evangelho era gangsta”. E que ele podia usar isso a seu favor.

Os jovens em particular o escutavam: taí um pastor que falava a língua deles. “Entro em lugares que a música dos caras de terno e gravata não vai entrar.”

Hoje Pastor Ton afinou o discurso e folgou as roupas. Usa uma blusa bege três vezes maior do que seu número, como tantos manos da periferia, “porque na cadeia não tem essa de tamanho de roupa”.

Nos pés: All-Star preto. Na cabeça: o boné dos Los Angeles Kings, um time de hóquei. Completam o visual óculos escuros (faz sol), relógio dourado (comprou no Brás) e luva de ciclista (acha estilo).

Quando o veem, alguns “crentes engravatados” até torcem o nariz. Mas, em geral, conta que evangélicos de todas as idades costumam entrar na onda.

Pastor Ton estica os braços até a altura do peito: “As mais tradicionais de coque dão um pulo deste tamanho”.

Paulo Deivid e Marcio Moreira, em Francisco Morato, na Grande SP (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)
Paulo Deivid e Marcio Moreira, em Francisco Morato, na Grande SP (foto: Gabriel Cabral/Folhapress)

Marcio Moreira também acha que deu um salto na vida.

Na juventude, vendia drogas como crack e cocaína para a molecada. Uma tentativa de superar o irmão mais velho, Mauricio. “Quis crescer pior do que ele.”

Mauricio, traficante, morreu esfaqueado numa emboscada com 48 presos de uma facção rival, durante uma rebelião numa penitenciária de Sorocaba (SP). Era “Superman” do caçula. “Aquele ladrão que onde chegava era representado. Quando chegava, o pessoal já fazia churrasco para ele”, diz.

Depois da tragédia familiar, Marcio entrou de cabeça na “vida bandida”. Num dia de tempestade, quis entrar de cabeça no asfalto. Viu um carro passando e, de saco cheio de tudo, decidiu se jogar na frente dele. “Aí escutei Deus falar comigo. ‘Não se joga, Marcio, vai para a igreja’.”

Ele foi. No mesmo dia, perdeu na chuva o dinheiro do aluguel. Depois, uma moça ligou dizendo que achou a carteira.

Marcio viu um sinal. “Deus já tá começando, por mais que eu seja um pecador…”

Hoje, ele é pastor e faz gangsta gospel com a mulher e o filho, no grupo Terceiro Dia. “Jesus foi crucificado, ressuscitou no terceiro dia. Morre o velho homem, nasce a nova criatura.”

No clipe de “Amor em Extinção”, o trio discorre sobre como o amor está acabando no “mundão”. Cenas da família se intercalam à de palhaços assustadores –imagens tiradas de filmes de terror do “Cine Trash”, programa que o personagem Zé do Caixão apresentava na Band. “É o próprio demônio dando risada da humanidade”, Marcio explica a simbologia.

Outros símbolos ele carrega no corpo: tatuagens da época em que ainda não era convertido, como um escorpião, um dragão e um ícone da gangue que ele fazia parte, a Mais 1 Tranqueira (“a gente rivalizava com a Operação Maloca”).

Marcio carrega a cruz no pescoço: um crucifixo sobreposto à camisa social cinza, que combina com uma bermuda militar, meião branco quase até o joelho e All-Star preto.

Ele conversa com amigo Deivid, da Profetas da Z/O (de Zona Oeste, onde começou a carreira), sobre um festival cristão que ambos vão participar, o Louvorzão –também escalados, o Grupo de Pagode Resgate e a Pura Unção.

Estamos na casa/estúdio/futura igreja de Marcio, em Francisco Morato (Grande SP): um cômodo com teto de telha onde coexistem fogão, geladeira, mesa de som, cama de casal e armário amarronzado tipo Casas Bahia (na porta, adesivos de galinhas e dos dizeres “Glória a Deus”, em amarelo berrante).

Deivid passa sempre lá para discutirem o “movimento”.

“No passado eram os profetas da Bíblia. Hoje nós, servos de Deus, somos constituídos perante a Bíblia como profetas”, diz o rapper de Carapicuíba (Grande SP), de jeans e blusa branca extralargos e lenço lilás no pescoço.

Deivid alisa o cavanhaque e discursa: que estilo não é documento. “As pessoas mais tortas e mais erradas, que mais roubam no país, não andam dessa forma, andam muito bem vestidas”.

No Facebook, ele “dá like” na série de TV “Breaking Bad”, “Chaves” e “The Big Bang Theory”. Como literatura, curte uma única opção: a Bíblia. As escrituras, para ele, deixam claro: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”.

Foi um adolescente “loucão, que chapava de bebida”, acostumado a crescer numa vizinhança onde os tiros às vezes eram tantos que pareciam milho em panela de pressão.

Convertido, caiu a ficha. “Nosso foco é resgatar os mano da rua como a gente foi resgatado”. Uma batalha e tanto pela frente, ele crê. “Deivid contra Golias.”

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Plus size posta foto de lingerie e recebe comentários gordofóbicos

Para psicóloga, gordofobia é consequência da ‘ditadura da beleza’ atual.
Ciberbullying contra modelo causou indignação de amigos na web.

Modelo se envolveu em polêmica ao postar fotos de lingerie (foto: Arquivo Pessoal)
Modelo se envolveu em polêmica ao postar fotos de lingerie (foto: Arquivo Pessoal)

Natália Clementin, no G1

A plus size de São José do Rio Preto (SP) Evelise Nascimento, de 24 anos, encarou o trabalho como modelo de lingerie com naturalidade. Trabalhando na área há quase dois anos, já venceu concursos de beleza GG e faz diversos trabalhos de moda. O que não poderia prever é que, ao postar na internet as fotos de um desses ensaios, no início deste mês, seria alvo de ciberbullying e comentários gordofóbicos.

Segundo ela, tudo começou com um recado anônimo. Nele, a mulher dizia: “me diga, se você visse fotos de meninas de calcinha e sutiã acharia normal? Não acho legal meus filhos vendo fotos de meninas magrinhas, também não os quero vendo de cheinhas. A sociedade é assim, por mais que você tente mudá-la é quase uma luta perdida”. As fotos citadas eram de bastidores de um ensaio fotográfico para um catálogo de cunho comercial, sem nenhum apelo sexual. O comentário gerou revolta ao ser compartilhado por ela em seu perfil na internet, como forma de protesto.

Quando leu o comentário, Evelise não se importou, mas ao perceber o preconceito disfarçado, logo copiou o comentário e postou em sua página para “declarar guerra” ao preconceito. “Uma pessoa anônima dizendo que ver fotos de mulheres cheinhas de calcinha e sutiã não é normal? Ela nunca viu um catálogo de lingeries por acaso? Não são sensuais, apenas são fotos de roupas de baixo. Mas depois percebi que era o preconceito disfarçado de “cuidado com os filhos”. A frase que ela escreveu no final me fez pensar nessa tal sociedade preconceituosa que ela faz parte. Estou fora do “padrão Gisele de ser”, represento as mulheres que sofrem diariamente preconceito por se aceitarem ser gordinhas”, comenta a modelo.

Para Evelise, esta foi uma forma de manifestar a gordofobia, termo usado para indicar pessoas que tem preconceitos com pessoas acima do peso. “Fotografar com lingerie mesmo tendo um corpo avantajado é o que realmente muitos acham loucura, mas digo que fotografar só de calcinha e sutiã ė uma arte, exige muito do profissional, para buscar o melhor ângulo e também da modelo, para ter o equilíbrio entre o sensual e o vulgar. Nunca fui vulgar. Se alguém julgar assim, está sendo preconceituoso”, diz Evelise.

Outro comentário veio de um rapaz que disse: “desfiles de mulheres plus size nada mais é do que celulites ambulantes”. “Quando eu namorava, já ouvi dizerem “o que será que esse cara tá fazendo com essa gorda?”. Outra enviou um recado a um ex dizendo “tá namorando uma plus size, é?”, mas falando de maneira grosseira. Não entendo como pode existir tanta gente preconceituosa”, conta a modelo, que aproveitou o manifesto #lingerieday, na última quinta-feira (31), para reforçar a campanha de aceitação. “Temos que aceitar o corpo que temos e se preocupar mais com saúde do que com beleza. Se somos gordinhas, mas somos saudáveis, não tem porque recebermos tantas ofensas”, finaliza.

Gordofobia

Foto polêmica fazia parte de trabalho realizado para catálogo de lingeries (foto: Arquivo Pessoal)
Foto polêmica fazia parte de trabalho realizado para
catálogo de lingeries (foto: Arquivo Pessoal)

“Você tem um rosto tão lindo, nunca pensou em emagrecer?”, “Você não pensa futuramente, pode problemas devido seu tamanho?”. Para pessoas acima do peso, essas são frases típicas de gordofobia, mascarada como “preocupação com a saúde”. O incomodo das pessoas é causado pela aceitação do corpo das consideradas plus size. “Hoje essas críticas preconceituosas não me abalam. Recebo mensagens de carinho, de jovens que estão ou saíram de depressões por não aceitaram o corpo e que quando se deparam com alguma foto minha e percebem que podem ser bonitas apesar de gordinhas. Temos que vencer o preconceito externo e aceitarmos nossos corpos”, explica Evelise.

Para a psicóloga Etienne Janiake, a gordofobia é consequência da “ditadura da beleza” que vivemos atualmente. “Ela associa o belo a um ideal de magreza muitas vezes inatingível e não necessariamente saudável. Para atingir esse padrão imposto, muitas vezes os jovens se submetem a sacrifícios em prol do “corpo ideal” e o fato de ter pessoas que, por opção ou por imposições circunstanciais, não seguem esse padrão e estão acima do peso aceitável, incomoda”.

Para a especialista, a gordofobia se deve tanto a não aceitação do diferente, quanto à dificuldade de conceber que é possível optar por não seguir os padrões socialmente valorizados de corpo e de beleza. “É necessário que a pessoa compreenda que existe um padrão de beleza culturalmente construído, que se modifica conforme a época e local. Esse padrão, idealizado e distante da maioria das pessoas, desconsidera a diversidade natural da beleza humana, impondo certas características que não se adéquam a todas as pessoas. Viver se comparando e procurando atingir esse ideal de beleza imposto, muitas vezes acaba funcionando no sentido contrário, abafando a real beleza que vem do estar bem consigo mesmo, de ter uma boa auto-estima, e da valorização e livre expressão das diferenças individuais que faz de cada ser humano único, especial e belo”, orienta Etienne.

O cyberbullying é uma prática que envolve o uso de  tecnologias de informação e comunicação para dar apoio a comportamentos deliberados, repetidos e hostis praticados por um indivíduo ou grupo com a intenção de prejudicar o outro. Para lidar com esse fenômeno de forma preventiva, especialista indicam orientar e informar as crianças e adolescentes sobre os cuidados na exposição à mídia ou a importância de ter critério naquilo que publicam na rede.

Se o cyberbullying ocorre, é necessário avaliar o caso para fazer os encaminhamentos necessários. De forma geral são necessárias ações judiciais, para identificar e interromper o compartilhamento das mensagens prejudiciais, e por outro lado é importante contar com um apoio psicológico para a vítima, para que ela consiga lidar melhor com as conseqüências desestruturantes que essa exposição negativa pode acarretar.

Para psicóloga, é muito comum os jovens vítimas de cyberbullying terem como conseqüência problemas psicológicos sérios como depressão, síndrome do pânico e até ideias e comportamentos suicidas. “É importante quem estiver à volta estar atento aos seguintes sinais que podem ser indicativos de cyberbullying: isolamento, queda no rendimento escolar ou excesso repentino de dedicação aos estudos no caso de crianças e jovens, não querer estar com amigos ou não querer sair de casa”, explica Etienne.

Ainda segundo a especialista, as agressões feitas pela internet podem ter um efeito ainda mais prejudicial do que aquelas feitas pessoalmente, devido à dimensão de exposição que ela pode alcançar. “Uma agressão verbal feita de forma presencial fica restrita ao conhecimento das pessoas presentes, já uma ofensa publicada no meio virtual rapidamente pode se espalhar para um grande número de pessoas, comprometendo a imagem da pessoa agredida”, diz.

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