Pessoas em casamentos felizes vivem mais, afirmam pesquisadores

foto: Corbis
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Publicado no F5

Quanto tempo uma pessoa pode viver?

Tentando responder a essa questão, dois pesquisadores da Universidade da Pensilvânia desenvolveram um questionário com oito perguntas.

Elas foram desenvolvidas baseadas em dados da população americana e está disponível em inglês.

O internauta responde se é casado (ou pretende se casar ou está solteiro), cor, sexo, se fuma, idade e quanto tempo se exercita por semana, além de confessar se usa sempre cinto de segurança e quantas milhas roda de carro por ano.

“Esses são os maiores fatores de risco que nós temos sólidas evidências”, disse Lyle Ungar, professor de ciência da computação e informação da Universidade da Pensilvânia, à revista “Time”.

“Se você está em um casamento feliz, você tem grandes chances de viver mais. Isso talvez seja mais importante quanto fumar, o que quer dizer que é muito importante”, ele acrescentou.

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Sentar-se é o novo fumar (um vício não muito saudável)

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Publicado no El País

Não fumo, não bebo, sigo a dieta mediterrânea… Mas, você de mexe? Se o seu horário de trabalho o deixa exausto para realizar qualquer tipo de exercício físico de forma rotineira, saiba que são cada vez mais as pessoas que decidiram se manter em forma no escritório. Como? Graças às iniciativas de algumas empresas pioneiras que instalam academias para seus empregados, fornecem bolas para sentar-se ou, inclusive, favorecem reuniões em esteiras para caminhar. Lembra-se de quando proibiram fumar no trabalho? Então, para o sedentarismo não sopram ventos melhores.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou em 2013 que o sedentarismo é um dos quatro fatores de maior risco para a saúde. Estima que aproximadamente 3,2 milhões de mortes por ano se devam à inatividade física. A European Heart Network (EHN) elaborou um ranking dos países europeus com o maior índice de sedentarismo, e a Espanha ocupa o quarto posto. 42 % da população maior de 18 anos confessa “viver sentada” toda a semana, frente a 6 % na Suécia e 7 % na Finlândia.

Com a evidência científica acumulada, são muitas as iniciativas que estão em curso para tentar facilitar a prática de atividades para a população. Por isso, há anos, do outro lado do Atlântico foram desenvolvidos programas para levar o exercício físico até o escritório. Inclusive foram desenhadas cadeiras especiais que permitem exercitar a musculatura enquanto se trabalha. É o caso da Officegym, que distribui um sistema inovador que permite realizar exercícios para fortalecer o tônus muscular durante um momento de descanso no lugar de trabalho.

Giovanni Bonotto, da empresa, esclarece: “Todos nós passamos muitas horas sentados no escritório ou em casa. Nossos dispositivos, uma espécie de correias que se adaptam às cadeiras de trabalho, nos permitem, durante pequenos intervalos de descanso, realizar atividade física, algo imprescindível para manter nosso corpo em forma, garantir uma boa circulação sanguínea e, inclusive, um pouco de energia extra para sermos mais produtivos”.

Mesmo que dentro das fronteiras espanholas o conceito de mimar a saúde dos trabalhadores não esteja ainda tão difundido como nos EUA e no Canadá, já existem iniciativas pioneiras que estão dando bons frutos. É o caso da CET 10 com seu programa Wellnessjob. Sua diretora, Sandra Carballo, afirma: “Montar a academia no escritório é algo relativamente novo no país, mas muito consolidado nos Estados Unidos e em outros países da Europa”. Surge da necessidade cada vez maior, segundo afirma, de cuidar do trabalhador para reduzir as faltas ao trabalho e aumentar a produtividade. “O lugar de trabalho é onde passamos a maior parte do nosso tempo e as empresas se tornam muitas vezes o lugar mais idôneo para desenvolver programas de exercício físico (fora da jornada de trabalho se dispõe de pouco tempo livre para ir à academia). Além disso, é um valor agregado para os empregados e um incentivo de que dispõem as empresas para oferecer mais benefícios sociais aos trabalhadores e reter talentos, com o plus de conseguir funcionários mais motivados e melhorar o clima no trabalho”, explica. Na Espanha, a companhia farmacêutica Almirall é uma das empresas que oferece esse serviço aos empregados.

Sente-se, mas sobre uma bola gigante

Existem medidas mais simples, como a introdução de uma bola Fitball (bola de elastômero de grande diâmetro que se usa na no pilates, por exemplo), que permite trabalhar a estabilidade do centro do corpo. “Ao ser uma superfície instável, requer que o usuário mantenha a musculatura ativa em todo momento. É um trabalho mais funcional, já que uma das funções mais importantes dos músculos abdominais e da região inferior das costas (lombares) é estabilizar o corpo. Sentar-se sobre uma fitball obriga a manter as costas mais erguidas e em uma posição mais correta”, afirma Sandra Carballo.

Outras iniciativas vão mais longe, como a introduzida pela companhia Salo, em Minneapolis (EUA), onde foram instaladas, em uma sala de conferências, esteiras para caminhadas adaptadas com uma escrivaninha e seus respectivos computadores, que convidam os participantes da reunião a caminhar enquanto trabalham. Para os intervalos, dispõem de várias mesas de pingue-pongue.

María Giner, personal trainer, jornalista e promotora de iniciativas para exercícios no trabalho, defende: “O ideal é começar pelas coisas mais simples. Não tomar o elevador na empresa, descer do ônibus uma parada antes do lugar de trabalho e ser consciente de que o corpo humano não foi feito para a inatividade”. Lembra, de fato, que devem ser feitas pausas a cada duas horas para levantar-se da cadeira. São gestos simples, como ter uma bola de espuma de borracha que possamos apertar entre as coxas enquanto estamos trabalhando. “Isso tem grande utilidade para a musculatura das pernas e o fortalecimento dos ligamentos do joelho, assim como para revigorar o assoalho pélvico”, diz.

Quando não se pode trabalhar e fazer certos exercícios ao mesmo tempo, a especialista incentiva que se façam manobras para aliviar nossa tensão corporal, como rotações circulares do pescoço, “sem nunca deixar a cabeça cair para trás”.

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“Trabalhar demais é tão perigoso quanto fumar”

Um neurocientista comprova, com base numa pesquisa, o que a filosofia já sabia: o ócio estimula o cérebro a ser mais criativo e inovador

O neurocientista Andrew Smart, autor de Auto-pilot: provas científicas de que trabalhar demais faz mal
O neurocientista Andrew Smart, autor de Auto-pilot: provas científicas de que trabalhar demais faz mal

Elisa Tozzi, na Você S/A [via Exame]

Para ter uma vida mais equilibrada e feliz, é necessário diminuir a carga de trabalho e incluir momentos de ócio na rotina. A teoria de Domenico De Masi, sociólogo e autor de O Ócio Criativo (Editora Sextante), já está bem disseminada desde 1995, ano de lançamento de seu ensaio mais famoso.

Agora parece haver a comprovação científica para a tese do italiano com o livro Auto-pilot: the Art and Science of Doing Nothing (“Piloto automático: a arte e a ciência de não fazer nada”, numa tradução livre e sem edição no Brasil), de Andrew Smart, neurocientista e pesquisador da Universidade de Nova York.

A partir de estudos neurológicos, o autor mostra que fazer longas pausas é crucial para que o cérebro estabeleça conexões que podem levar ao autoconhecimento e à criatividade. Nesta entrevista a VOCÊ S/A, o cientista explica por que o ócio é tão importante para a saúde dos neurônios e mostra por que a divagação deveria ser estimulada dentro das empresas.

VOCÊ S/A – Em seu livro, a imagem do piloto automático é usada para mostrar que o cérebro é mais ativo quando descansamos. Por que isso ocorre?

Andrew Smart – Estudos de neurociência deixam claro que o cérebro possui algumas regiões que têm mais atividade quando estão em repouso. Essas áreas formam um circuito chamado default mode network (rede neural em modo padrão, numa tradução livre). Simplificando, essa rede faria o papel do piloto automático do cérebro.

Descobriu-se que a energia consumida pelo cérebro muda pouco de acordo com as tarefas que executamos. Tanto faz se você está resolvendo uma equação ou descansando. A variação da energia cerebral é de 5%. isso prova que o cérebro não desliga quando descansamos, pelo contrário. Há conexões que só são possíveis no repouso, cruciais para a saúde mental.

O piloto automático se conecta a quase todas as áreas cerebrais, inclusive ao subconsciente. isso é bom, porque é possível encontrar informações que fcam ocultas. O resultado é que, ao repousar, a atividade cerebral proporciona insights inesperados e nos torna mais criativos.

VOCÊ S/A – Dormir é uma maneira de acionar o piloto automático mental?

Andrew Smart – A atividade cerebral durante o sono é um pouco diferente, e pesquisas mostram que o cérebro faz uma limpeza quando dormimos. Mas a rede neural padrão é ativada em momentos de ócio. O cérebro tem diversos níveis de atenção, e é necessário estimular essas variações fcando sem fazer nada por algum tempo todos os dias.

Quando você tem uma rotina que oscila entre os extremos mentais de sono profundo e atenção, o cérebro sofre. Se você levanta e vai direto para o trabalho e quando chega em casa estimula ainda mais sua mente ficando em frente à TV ou ao computador, prejudica os processos cognitivos.

VOCÊ S/A – Há pessoas que ficam ansiosas quando não fazem nada. Por quê?

Andrew Smart – Há uma reação cerebral nos momentos de ócio: o efeito negativo. Isso acontece porque o subconsciente pode trazer à tona informações ou pensamentos que não são prazerosos, o que causa desconforto.

Outro ponto é o sentimento de culpa que surge com o ócio. Estamos tão acostumados a nos encher de atividades que, quando paramos, temos a sensação de que estamos perdendo algo ou de que não estamos agindo como seria esperado. Também não estamos acostumados a acessar o subconsciente e achamos estranho deixar a mente vagar sem um objetivo. Esses fatores podem gerar estresse.

VOCÊ S/A – Como mudar esse estado mental de estresse e atenção constante?

Andrew Smart – Mudando o modo como trabalhamos. Concordo com alguns pensadores, como Keynes (John Maynard Keynes , economista britânico), que dizem que deveríamos reduzir a jornada de trabalho para 4 horas.

VOCÊ S/A – Isso seria possível mesmo com as empresas exigindo bons resultados e alta produtividade?

Andrew Smart – Acredito que sim. Mesmo trabalhando mais de 8 horas, só há, em média, 4 horas reais de produtividade. Isso é plausível, tendo em vista o modo como o cérebro funciona: existem ciclos naturais de atenção e desatenção. Meu ponto é que, trabalhando menos, os profissionais teriam mais tempo livre para divagar e ser mais criativos. E ter funcionários inovadores seria positivo para as empresas.

Mas, quando há tanta pressão pelo lucro, as empresas precisam forçar os funcionários a ficar obcecados pelo trabalho para que
sobrevivam no mercado.

VOCÊ S/A – Por que o ócio tem sido renegado ao longo das décadas?

Andrew Smart – Desde os gregos, há a crença de que não fazer nada é ruim. A explicação é que ter tempo livre estimula as pessoas a questionar. Além disso, minha impressão é que as pessoas não querem ser ociosas porque têm medo de conhecer a si mesmas.

VOCÊ S/A – Então o ócio é um caminho para se conhecer melhor?

Andrew Smart – Sim. Como a rede neural padrão se conecta ao subconsciente, temos fashes de pensamentos obscuros. Essas informações que aparecem só de vez em quando revelam quem somos de verdade.

VOCÊ S/A – É possível transformar a sociedade da pressa na sociedade do ócio?

Andrew Smart – É um longo caminho, mas a ciência vai ajudar a lutar contra a cultura da pressa. Cada vez mais surgirão provas de que o excesso de trabalho e de agitação é prejudicial à saúde. Pense no que ocorreu com o cigarro. Há 50 anos, todos fumavam — e não havia consciência sobre os males do tabaco. A medicina se desenvolveu e mostrou que o cigarro é mortal.

As evidências foram cruciais para que as pessoas e os governos percebessem que fumar é uma péssima ideia. Consequentemente, o número de fumantes caiu no decorrer das décadas e continua a diminuir. Minha esperança é que, um dia, o mundo entenda que trabalhar demais é tão perigoso quanto fumar.

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Vídeo que mostra consumo de 400 cigarros faz sucesso na internet

Água é usada para aquecer 20 maços, absorve alcatrão e fica preta.
Material restante não gruda nos pulmões, mas causa danos a longo prazo.

400 cigarros foram 'fumados' por máquina, e água foi ficando preta (foto: Reprodução/YouTube/Samimys)
400 cigarros foram ‘fumados’ por máquina, e água foi ficando preta (foto: Reprodução/YouTube/Samimys)

Luna D’Alama, no G1

Um vídeo que mostra um experimento que “fuma” 400 cigarros de uma só vez para ver o que sobra dessa combustão faz sucesso na internet, com mais de 1,7 milhão de visualizações no YouTube até esta quinta-feira (26).

O usuário Samimys, que tem 30 vídeos publicados com várias invenções caseiras, criou uma máquina a vácuo para queimar 20 maços com 20 cigarros cada, durante mais de 3 horas.

A uma temperatura inicial de 50° C, a água aquece o cigarro e, aos poucos, vai absorvendo o alcatrão (resíduo do tabaco), ficando viscosa e mudando de coloração – primeiro amarela, depois marrom e, por fim, preta.

Feito isso, a água é fervida, para observar o que resta de partículas sólidas. Após 40 minutos, a água se evapora e deixa 7.200 mg de alcatrão. Esse material preto, que lembra um “carvão” pegajoso, é então cortado com garfo e faca e manipulado.

O vídeo diz que isso é o que chega aos pulmões pela inalação, em partículas muito pequenas, que aos poucos vão causando problemas respiratórios, como enfisema pulmonar, e doenças como câncer, além de alterações nos dentes, na língua e na gengiva.

A cardiologista Jaqueline Issa, do Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) em São Paulo, destaca que o cigarro pode acarretar mais de 40 doenças, da boca à uretra, como infarto, aneurisma cerebral, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doença vascular periférica (nos membros inferiores) e vários tipos de câncer, como de mama e laringe.

“Esse experimento ilustrativo dá uma ideia do que é o cigarro, que por fora parece uma coisa bonita e às vezes até cheirosa, já que a regulamentação dos aromatizantes foi mantida. Apesar de aquele material não ficar grudado nos pulmões, ele entra no sangue e, a longo prazo, causa mudanças genéticas e transforma o pH das células. Por isso, o vídeo é educativo, causa um impacto”, avalia.

O cigarro libera mais de 4.700 substâncias nocivas – além do alcatrão, há a nicotina, o monóxido de carbono e muitas outras derivadas da combustão do cigarro – que vão afetando a parte funcional dos pulmões. Com o tempo, o órgão perde seus alvéolos (estruturas localizadas nos bronquíolos que fazem as trocas gasosas entre oxigênio e gás carbônico), fica “aerados” e com um espaço “morto”, o que causa dificuldades respiratórias. Essas toxinas também estão presentes no cigarro eletrônico, só que em menor quantidade, explica a cardiologista.

“Se você colocar apenas cinco cigarros em um copo d’água da noite para o dia, já vai ver que a água fica num tom amarelo-achocolatado”, diz.

Sobre como o organismo pode se recuperar após uma pessoa abandonar o vício, Jaqueline afirma que depende de quanto tempo o indivíduo fumou, de suas características genéticas e também individuais.

“Se uma pessoa largar o vício antes dos 35 anos e tiver menos de 20 anos de exposição ao cigarro, provavelmente não desenvolverá nenhuma doença relacionada e apresentará a mesma sobrevida de quem nunca fumou, como mostram alguns estudos. Quanto mais o paciente posterga esse dia, porém, mais perde anos de vida”, ressalta.

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