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Após protestos em Franca, deputado Marco Feliciano retira agenda do site

Parlamentar e a família foram hostilizados ao deixarem igreja, diz assessoria.
Ele foi eleito presidente da Comissão de Direitos Humanos sob críticas.

Publicado por G1

O novo presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara, deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), divulgou uma nota de repudio em seu site oficial em razão das manifestações contrárias à sua eleição para o cargo, ocorridas na noite de domingo (10), durante um culto religioso em Franca (SP). A assessoria de imprensa do parlamentar afirmou que, em razão dos frequentes protestos organizados por ativistas homossexuais contra ele, a agenda de Feliciano, atualizada diariamente em sua página na internet, foi retirada do ar.

Feliciano afirmou que repudia ‘qualquer ato de violência e que roga a oração das igrejas para que todos tenham paz’.

O deputado que é pastor e líder da Assembleia de Deus participa na noite desta segunda-feira (11) de uma celebração e de uma reunião em Ribeirão Preto (SP) com lideranças evangélicas, onde será ‘debatido o futuro das igrejas’. Grupos ligados ao movimento LGBT e contrários à permanência do parlamentar na comissão organizam uma nova manifestação.

O presidente da comissão é alvo de dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF): um inquérito que o acusa de homofobia e uma ação penal na qual é denunciado por estelionato. A defesa do parlamentar nega as duas acusações.

Em Franca

Cerca de 150 pessoas se reuniram na noite de domingo em frente à Igreja Catedral do Avivamento em Franca para protestar contra o deputado. Feliciano causou polêmica em 2011, quando publicou declarações em seu Twitter sobre africanos e homossexuais. “Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, Aids, fome… Etc”, escreveu o deputado na ocasião. Ele também havia publicado na rede social que “a podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime e à rejeição”.

Os manifestantes se organizaram por meio das redes sociais e foram apoiados por estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Eles permaneceram o tempo todo do lado de fora da igreja, e gritaram palavras de ordem. Ao fim do culto, o carro em que o deputado deixou o local foi cercado pelo grupo. De acordo com a assessoria do parlamentar, a família do parlamentar também estava no veículo e os filhos dele se assustaram com os protestos.

Desde que foi eleito presidente da Comissão, deputado enfrenta protestos pelo país (Foto: Stella Reis/EPTV)

Desde que foi eleito presidente da Comissão, deputado enfrenta protestos pelo país (Foto: Stella Reis/EPTV)

A assessoria informou ainda que o deputado foi agredido com palavrões, ameaças de violência e depredação. Em nota, Feliciano afirmou que vai procurar as autoridades para tomar todas as medidas cabíveis e que manterá todos os compromissos já agendados.

Organizadores do protesto afirmaram que as críticas feitas ao deputado não têm ligação religiosa, mas sim às afirmações feitas por um político que agora tem a missão de defender as minorias.

Cerca de 150 pessoas protestaram contra o deputado Marco Feliciano em Franca, SP (Foto: Stella Reis/EPTV)

Cerca de 150 pessoas protestaram contra o deputado Marco Feliciano em Franca, SP (Foto: Stella Reis/EPTV)

 

Motorista embriagado reza antes de teste do bafômetro em Porto Alegre

Jovem de 21 anos capotou com o carro na zona sul da capital gaúcha.
Apesar das preces, teste apontou índice 11 vezes acima do permitido.

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Publicado originalmente no G1

Após capotar o carro nesta sexta-feira (8) em Porto Alegre, um motorista pediu aos agentes de trânsito dois minutos antes de se submeter ao teste do bafômetro. O motivo: ele queria rezar para que o resultado do exame não apontasse que ele estava alcoolizado.

O fato inusitado ocorreu pela manhã, na Zona Sul da capital gaúcha. Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), o condutor perdeu o controle do veículo na Avenida Vicente Monteggia, atravessou a Estrada João Vedana, capotou e ainda derrubou uma árvore. Dois dos cinco ocupantes do veículo ficaram feridos.

Abordado pelos agentes de trânsito, o motorista (foto), de 21 anos, pediu um tempo para ficar sozinho. Se afastou, fez o sinal da cruz e rezou, segundo a EPTC. Apesar da oração, o teste do bafômetro apontou índice 11 vezes acima do permitido pela Lei Seca. Como ele não quis pagar a fiança de R$ 1.915,40, foi preso e levado ao Presídio Central.

dica do João Marcos

‘Chorão sabia que precisava de Deus’, diz Rodolfo, ex-Raimundos

Roqueiro evangélico lembra amizade e conversa sobre religião com Chorão.
Para ele, cantor expressou ‘busca por algo mais do jeito dele’; veja letras.

Rodolfo e Chorão conversam no camarim de um show em Belo Horizonte, em 2003. Rodolfo diz que recebeu esta foto de um amigo na quarta (6), dia que o cantor foi achado morto, e lembra: 'Contei minha experiência com Deus (...) Ele estava ouvindo, não me julgou' (Foto: Arquivo pessoal)

Rodolfo e Chorão conversam no camarim de um show em Belo Horizonte, em 2003. Rodolfo diz que recebeu esta foto de um amigo na quarta (6), dia que o cantor foi achado morto, e lembra: ‘Contei minha experiência com Deus (…) Ele estava ouvindo, não me julgou’ (Foto: Arquivo pessoal)

Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega, no G1

“Eu gostaria de olhar nos olhos do Chorão e falar alguma coisa que tocasse o coração dele. Infelizmente eu não posso mais”, diz Rodolfo Abrantes, ex-vocalista dos Raimundos, hoje músico evangélico, sobre o cantor do Charlie Brown Jr encontrado morto na quarta-feira (6).

Rodolfo falou ao G1 por telefone sobre a época em que Chorão era “um dos poucos que podia dizer que era amigo” entre a geração de bandas dos anos 90, na qual Raimundos e Charlie Brown Jr se destacaram. Ele também destacou o interesse de Chorão pela conversão religiosa do roqueiro evangélico, no início da década passada.

“Chorão estava ouvindo, absorvendo, não me julgou”, diz sobre a conversa de 2003, registrada em foto que ele recebeu no celular no dia da morte do cantor.

G1 – Qual era sua relação com o Chorão?
Rodolfo Abrantes – O Chorão era um dos poucos caras que eu podia dizer que era meu amigo das bandas daquela época da década de 90. Ia na minha casa, eu ia na dele. Chegou até a me dar um skate, saíamos juntos. E tocávamos juntos, fazíamos shows. Gostava muito dele porque era uma pessoa real. Não era um personagem, ele era aquela figura. Ainda que você não concorde muito com coisas que pessoas fazem, tem que admirar quando elas são verdadeiras, esse é um terreno sagrado.

G1 – Você já falou que o Chorão pediu para que você pregasse para ele. Como aconteceu isso?
Rodolfo Abrantes - Quando comecei a ter minhas experiências com Deus, saí do Raimundos e minha vida mudou. Reencontrei o Chorão em show em Belo Horizonte, com Charlie Brown e Rodox, em 2003. No camarim ele chegou para mim, puxou numa cadeira, distante de outras pessoas, e falou: “Conta como foi a parada”. É interessante, porque ontem mesmo eu recebi uma foto dessa conversa. Eu contei como foi a minha experiência com Deus. Achava fantástico isso no Chorão: ele estava ouvindo, absorvendo, não me julgou. Dava pra ver que percebeu a diferença na minha vida e queria saber o que estava acontecendo.

Rodolfo também falou com o G1 sobre as letras de Chorão e sobre a o seu potencial para “levar multidões para Cristo”. Na discografia do Charlie Brown Jr, há doze músicas em que Deus é citado diretamente (veja as principais ao lado). Chorão gostava de “trocar uma ideia com Deus”, frase usada por ele para batizar a faixa bônus que fecha o disco “Preço curto, prazo longo”, de 1999.

Quando se pensa nas letras de Chorão, a primeira imagem talvez seja do rapaz sem dinheiro e desbocado que corteja uma “princesa”. Esse é o caso dos hits “Proibida pra mim”, “Vícios e virtudes”, “Tudo o que ela gosta de escutar” e “Champanhe e Água Benta” (do verso “Toda patricinha adora um vagabundo”). Na mesma música, dizia que sua vida era “tipo um filme de Spike Lee: verdadeiro, complicado, mal-humorado e violento”, em alusão ao diretor norte-americano.

Há no cancioneiro do grupo, porém, temas que remetem a questões menos materiais. Chorão volta e meia menciona “o dom natural” que ele tem para se comunicar (expressão citada em “Uma criança com o seu olhar”). O letrista também falava bastante sobre os problemas que enfrentou antes do sucesso. Em “Não viva em vão”, cantava sobre estar só. “A vida já me derrubou, a vida já me deu abrigo / Mas a vida já me situou, que a solidão não faz sentido”, dizia Chorão na música.

A morte do pai, em 2001, inspirou versos sempre emotivos, como os de “Lugar ao Sol”. Na canção, cantava que “azul a cor da parede da casa de Deus”. Em “Pontes indestrutíveis”, afirmava: “Tomo cuidado pra que os desequilibrados não abalem minha fé pra eu enfrentar com otimismo essa loucura”. E completava: “Os homens podem falar, mas os anjos podem voar”.

G1 – O Chorão fez várias músicas que citam Deus. Isso já te chamou atenção?
Rodolfo Abrantes -
O Chorão não tinha nenhuma rejeição à coisa de Deus. Só não se sentia confortável com religião. Eu lembro nessa conversa, em Belo Horizonte, que ele me mostrou a música em que canta “azul é a cor da parede da casa de Deus” ["Lugar ao sol", de 2001]. E cantou inteira. É uma musica muito bonita. Não bíblica, mas sobre a impressao dele de Deus. Existia uma sede dele de algo mais, existia uma consciência de que o que ele precisava era Deus, e do jeito dele, fez muito bem.

Fiquei muito triste ao saber da morte dele, porque eu tinha certeza que um dia ele ia fazer uma coisa que o tirasse da depressão. Infelizmente agora não pode fazer mais nada. Os fãs do Charlie Brown têm uma maneira muito sadia e muito nobre de honrarem a história do Chorão: fazendo escolhas que os levem para perto de Deus, para a parte da luz. As pessoas podem honrar a morte dele, em memórias, se fizerem escolhas boas, que edifiquem. E vivam.

G1 – Você também já falou em uma entrevista que “se esse cara [Chorão] começar a falar de Jesus, você vai ver multidões vindo para Cristo”. Por quê?

Rodolfo Abrantes – Deus deu dons para as pessoas. Ele tinha o dom da palavra. O que o Chorão falava a galera seguia. As pessoas estavam muito perto dele. Todo mundo vibrava, as músicas eram cantadas em coro. Se tivesse experiências com Deus ele levaria muita gente para Cristo.

G1 – Qual foi a última vez que viu o Chorão?
Rodolfo Abrantes –
A última vez foi em 2007. Eu fui gravar um CD ao vivo em São Paulo. A gente tinha muitos amigos em comum, um dele é o Tarobinha, skatista profissional, e hoje faz parte da mesma igreja que eu. Ele convidou o Chorão, ele estava em Santos. Ele pegou o carro dele, foi lá ao show, a gente conversou bastante e eu fiquei muito feliz de vê-lo ali.

G1 – O Digão e o Canisso [ex-companheiros de Rodolfo no Raimundos] foram ao velório. Você gostaria de ter ido também?

Rodolfo Abrantes - Eu estou [em João Pessoa] pregando todos os dias desde sexta. só vou voltar no domingo. Realmente, não tinha condições de ir. Mas, sinceramente, velório é para dar abraço nos familiares e amigos. Na minha despedida dele, eu gostaria de olhar nos olhos do Chorão e falar alguma coisa que tocasse o coração dele. Infelizmente eu não posso mais.

G1 – O Renato Pelado [ex-baterista do Charlie Brown, hoje também músico evangélico] ainda faz parte da mesma igreja que você?
Rodolfo Abrantes -
Ele está na Bola de Neve. Mas há um ano estou congregando em outro ministério. Mas o Pelado está firme lá. Tenho muitos amigos e ele está muito firme, muito feliz. É alguém que deve estar sofrendo muito pela morte do Chorão.

Homem bate Ferrari de R$ 1,5 milhão no primeiro passeio na Itália

Motorista que estava ao lado gravou acidente. Carrou rodou na pista molhada ao tentar fazer ultrapassagem.

Motorista dirigia Ferrari 458 Spider pela primeira vez na Itália (Foto: Reprodução)

publicado no G1

Em uma estrada no distrito de Japigia, na Itália, um motorista flagrou o momento em que uma Ferrari 458 Spider roda na pista e bate do guard-rail ao tentar fazer uma ultrapassagem.

Homem perdeu o controle na pista molhada e acabou batendo no guard rail (Foto: Reprodução)

De acordo com o jornal italiano “La Repubblica”, o carro, avaliado em mais de R$ 1,5 milhão, fazia sua primeira viagem e, ao tentar uma ultrapassagem, perdeu o controle na pista molhada e acabou batendo. Os dois passageiros que estavam no veículo, apesar de muito assustados, não se feriram no acidente.

Veja o vídeo:

Uma história de amor e dedicação: conheça Helena e suas 10 ‘meninas’

Aposentada de 63 anos adotou mulheres com problemas psiquiátricos.

Dona Helena e suas 'meninas' convivem em harmonia, como família que são. (Foto: Michelle Farias/G1)

Dona Helena e suas ‘meninas’ convivem em harmonia, como família que são. (Foto: Michelle Farias/G1)

Michelle Farias, no G1

Apesar das diferenças, elas convivem em perfeita harmonia.

Uma história de amor e abdicação. Assim pode ser resumida a vida da auxiliar de enfermagem aposentada Maria Helena dos Santos, de 63 anos, mais conhecida por “Dona Helena”. Ela mora com dez ‘filhas’ na casa de nº 33 da Rua São José, em Fernão Velho, na capital de Alagoas. Há nove anos, ela decidiu adotar mulheres com deficiência intelectual. As “meninas”, como elas são chamadas, convivem em perfeita harmonia desde que saíram de casas de tratamento psiquiátrico ou foram encaminhadas por familiares à casa de Dona Helena.

Sempre sorrindo e de bem com a vida, Dona Helena conta que trabalhou durante anos como auxiliar de enfermagem na área de obstetrícia. Mas, quando se aposentou, se sentia sozinha. Ao assistir a uma reportagem sobre os pacientes do Hospital Portugal Ramalho, única unidade de saúde psiquiátrica pública em Alagoas, as histórias das mulheres tocaram o coração da aposentada. Foi quando ela teve a ideia de trazer algumas pacientes para morar em sua casa.

Carinho e amizade prevalecem na família só de mulheres. (Foto: Michelle Farias/G1)

Carinho e amizade prevalecem na família só de
mulheres. (Foto: Michelle Farias/G1)

“Quando cheguei ao hospital querendo adotar as meninas, todo mundo achou que eu estava louca. Foi um processo muito demorado. Depois de muitas tentativas, conversas e reuniões, consegui ficar com cinco, mas só nos fins de semana”, afirmou Dona Helena.

Depois ela conseguiu adotar as cinco mulheres do Portugal Ramalho, mas ainda não estava satisfeita. Foi então que Dona Helena resolveu alugar uma casa maior. “A convivência sempre foi tranquila. Nunca tive problemas com elas na casa. Se eu não as tivesse, minha vida não seria completa, eu não seria feliz”, revelou.

Com uma casa maior, o número de meninas também cresceu. “Aos poucos vieram mais mulheres do hospital. Algumas famílias que não tinham como cuidar dessas mulheres também me procuravam. Chegamos a ter 12 pessoas aqui, mas hoje temos apenas 10”, disse.

Aparecida sempre ajuda nos serviços domésticos. (Foto: Michelle Farias/G1)

Aparecida sempre ajuda nos serviços domésticos.
(Foto: Michelle Farias/G1)

As histórias das ‘meninas’ são tristes, a maioria foi abandonada pela família. Mas o que a aposentada não esperava é que essa relação iria mudar completamente a sua vida e das suas ‘filhas’.

Na casa, elas reaprenderam a fazer operações básicas do dia a dia como lavar roupas, cozinhar, ir à feira e até mesmo, fazer faxina sem o auxílio de ninguém. Devido à idade, algumas precisam de ajuda para fazer as atividades, mas mesmo assim, elas conseguiram ser independentes.

“Não entendo como algumas pessoas não acreditam que existe amor nessa casa. É puro preconceito. Mas quem conhece a nossa história entende que somos felizes. Todos os dias peço a Deus que me dê muita saúde para que minhas ‘meninas’ não fiquem desamparadas”, desabafou Dona Helena.

“O recado que deixo, não apenas para as mulheres, mas para todos é: quem tiver condições adote uma pessoa, você não sabe o bem que isso vai fazer para você e para o outro”, concluiu.

Da mais velha à mais nova, Dona Helena ama a todas por igual. (Foto: Michelle Farias/G1)

Da mais velha à mais nova, Dona Helena ama a todas por igual. (Foto: Michelle Farias/G1)

Contra tudo e contra todos, Dona Helena seguiu o seu sonho e pode ajudar essas mulheres a aprender o real significado da palavra “família”. Ninguém pode duvidar que na casa de nº 33 da Rua São José, mora uma família. Ou melhor, moram 11 mulheres felizes.