Padre excomungado segue vivendo no celibato e realiza casamentos

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O Padre Beto, excomulgado pela Igreja. / JOÃO CASTELLANO

Publicado no El País

Roberto Francisco Daniel, de 49 anos, mais conhecido como padre Beto, foi excomungado pela Igreja Católica há mais de um ano, mas mesmo assim continua pregando os ensinamentos que o fizeram ser expulso da Igreja. Vem celebrando cerimônias de casamentos, inclusive entre casais homossexuais. Desde o seu desquite com a Igreja – após uma advertência por usar as redes sociais, ele se negou a participar de um tribunal eclesiástico – ele já realizou três uniões religiosas de casais do mesmo sexo, sendo duas em Jaú, interior de São Paulo, e outra em Belém, no Pará.

Nesses últimos meses, ele, que vive em Bauru, no interior de São Paulo, continua mantendo hábitos do sacerdócio, inclusive afirma que mantém o celibato. “Foi a vida que escolhi e que tenho certeza de que é a certa para mim”, explica. Além de casamentos, ele comparece a velórios, mas “sem ser em nome da Igreja Católica”. Dá aulas de filosofia no Centro Universitário de Bauru e na Universidade Paulista (Unip) e ministra palestras na área de ética. Beto também aproveitou para lançar um livro, Verdades Proibidas, e agora se prepara para lançar em setembro Jesus e a sexualidade, em que aborda a sexualidade na Bíblia e qual é o fundamento da moral sexual da Igreja Católica.

Ao se deparar com o assunto nas confissões que ouvia, nas discussões diárias e com os pedidos que recebia, ele achou que era necessário estudar de onde vinha a concepção da Igreja e como ela poderia lidar melhor com o assunto diante da sociedade atual. “Não existe fundamento na Bíblia que sustente a postura da Igreja diante do sexo”, afirma.

Em abril de 2013, recebeu uma carta de advertência da diocese, exigindo que ele retirasse todo o conteúdo das redes sociais, nas quais o padre Beto era muito ativo e pregava seus pensamentos e suas visões de mundo. Eles também disseram que ele teria de pedir perdão por tudo o que havia postado na internet e falado em suas missas. Mas ele se recusou a pedir perdão e apagar o conteúdo, e lhe pediram que tirasse uma semana para repensar no assunto. Quando ele chegou para a segunda reunião, decidido a se afastar da diocese e parar de exercer suas missas, foi surpreendido por um tribunal eclesiástico. “Eu me recusei a participar do tribunal, porque não fora intimado”. Isso foi o suficiente para que ele fosse excomungado no mesmo dia.

Ele mantém, ainda, suas posturas polêmicas. Defende, por exemplo, a necessidade do uso da camisinha – “Ser contra o uso da camisinha no Brasil é um crime” –, o que chocou a diocese da região.

Padre Beto é categórico: não quer voltar para a Igreja Católica, muito menos fundar uma igreja própria. “Acho que o ciclo se encerrou. A Igreja precisaria mudar muito para que eu conseguisse voltar para ela”, afirma.

Nascido em uma família católica, foi criado dentro da religião, em um núcleo da Teologia da Libertação, linha mais aberta da Igreja. Na faculdade, cursou História e Direito, foi professor, mas resolveu entrar para o sacerdócio em 1991. “Se tivesse nascido em uma família evangélica, seria pastor. Se fossem budistas, me tornaria um monge”, explica ele.

Nos estudos para se tornar padre, lhe ofereceram duas bolsas de estudo: uma para Roma, na Itália, e outra em Munique, na Alemanha. Ele aceitou ir para a Alemanha, onde fez seu mestrado em Teologia: um estudo teológico sobre o filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, do cineasta Glauber Rocha. O trabalho impressionou a universidade, que lhe ofereceu uma bolsa de estudos para o doutorado. Porém, antes disso, ele resolveu voltar ao Brasil em 1998 para se ordenar padre. Depois, foi novamente para a Europa e fez seu doutorado, analisando a memória histórica dos filmes de Steven Spielberg, principalmente em O Resgate do Soldado Ryan, Amistad e A Lista de Schindler.

Quando voltou ao Brasil para ficar, em 2001, ele encontrou uma Igreja Católica diferente da que havia deixado anos antes. A Igreja havia se distanciado da política, da economia e se tornara mais dogmática. “Antes, nós tínhamos uma Igreja que queria humanizar as pessoas, não convertê-las para o catolicismo”, afirma ele. Mesmo com todas as divergências, suas missas atraíam bastante público, chegando a mais de mil pessoas em alguns dias. Os assuntos abordados e a maneira mais aberta ao diálogo como o fazia eram bastante populares entre os católicos da região.

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Deixa eu te falar uma coisa sobre os evangélicos…

Existem evangélicos que aceitam o casamento gay, evolução das espécies, vida extraterrestre, aborto, uso de drogas? Leia este texto e você vai se surpreender

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Publicado por Marco Gomes

Eu sou evangélico desde os 8 anos de idade, me converti antes dos meus pais. Meus avós são evangélicos desde que nasci, mas houve um gap de gerações e meus pais não tinham religião até eu fazer 12 anos de idade. Se você quiser saber por que me converti, a história pode ser lida aqui.

Sendo orgulhosamente evangélico por escolha e iniciativa próprias há 20 anos, já sofri muitos preconceitos, quero tentar esclarecer aos não evangélicos alguns conceitos sobre os praticantes desta religião que é amplamente exposta na mídia mas, paradoxalmente, é desconhecida da maior parte dos brasileiros.

Não tratem com desprezo as escrituras, mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom. (Tessalonicenses 5:20-21)

Muitos evangélicos acreditam que a Terra foi criada há 6.500 anos, que Deus fez Adão usando barro e que Eva foi criada a partir de sua costela. Mas nem todos. Há evangélicos que lêem as escrituras como um registro (inspirado por Deus) do conhecimento e cultura de uma época, e neste caso específico da criação, como a síntese histórica de uma cultura oral criada antes mesmo da invenção da escrita. Para muitos evangélicos, os capítulos iniciais do Gênesis são uma explicação, para o homem de 4 mil anos atrás, de algo que ele não entenderia se exposto como entendemos hoje.

Os fatos da evolução das espécies existem, as múltiplas galáxias existem, os diferentes sóis e planetas existem, e muitos evangélicos aceitam isso perfeitamente bem. A criação e evolução da ciência nos últimos 500 anos não questionam a fé destes crentes, pelo contrário, reforçam sua crença em um Deus incrível e perfeito que gerou um ser humano com capacidade de entender o universo à sua volta.

Muitos evangélicos querem cuidar das genitálias dos gays, e querem que a “família” seja definida por 1 homem, 1 mulher e seus filhos. Mas nem todos. Há evangélicos que não querem se intrometer no uso que cada um faz de seu próprio corpo, e que se importam apenas em seguir as instruções que Jesus deixou de amar ao próximo independente de suas diferenças (ou precisamente por causa delas).

O interessante de ser um adolescente evangélico é que todos à sua volta querem cuidar de suas genitálias. Desde minha adolescência, muitas pessoas já propagavam o corretíssimo discurso de que os gays devem ter total controle sobre o próprio corpo, mas estas mesmas pessoas não deixam as genitálias dos evangélicos em paz. Acho curioso e patético ao mesmo tempo.

Muitos evangélicos querem introjetar seus dogmas e crenças na sociedade como um todo, tornando o Brasil “uma nação cujo Deus é o Senhor”, à revelia da preferência dos não-praticantes do cristianismo. Mas nem todos. Há evangélicos que defendem o estado laico, com separação total entre igreja e estado, e com liberdade de cultos e crenças independente de qual seja a sua escolha individual, dentro dos parâmetros democráticos de uma Constituição sólida e isenta.

Muitos evangélicos consideram qualquer outra manifestação cultural ou religiosa como algo demoníaco, em especial as religiões africanas, tão comuns no Brasil. Mas nem todos. Há evangélicos que valorizam e respeitam as culturas afro como uma preciosa e legítima manifestação cultural e importante componente da sociedade brasileira.

Muitos evangélicos crêem que a vida começa na fecundação, e que a vida do embrião é tão importante quanto da mãe que o carrega (ou mais importante). Mas nem todos. Há evangélicos que priorizam a vida e a vontade da mulher sobre o desenvolvimento do embrião, e que preferem preservar a liberdade da pessoa adulta de tomar decisões em relação ao seu corpo.

Há também os evangélicos que preferem não julgar religiosamente o gay, a mulher que abortou, o usuário de entorpecentes. Há os evangélicos que enxergam na história e nos ensinamentos de Jesus o caminho para aceitar e amar a pessoa independente do que ela fez ou faz.

Há evangélicos que não perdem tempo em discutir religiosamente a sexualidade, o aborto, as drogas; estes evangélicos estão mais preocupados em aceitar a pessoa com dúvidas sobre sua sexualidade, a mulher que abortou, o dependente de drogas.

Se vocês quiserem construir uma sociedade que apedreja pecadores, nós vamos nos apedrejar uns aos outros. O último apedreja a si mesmo e morre. Não se constrói uma sociedade que discute pecado e penaliza pecado. (Pr. Ed René Kivitz)

Nós evangélicos não somos um corpo homogêneo. Diferente da Igreja Católica, na religião evangélica não há um líder central nem uma carta unificada de regras e dogmas. O pastor fundamentalista não é a totalidade dos evangélicos. A celebridade polêmica da TV não é a totalidade dos evangélicos. O jogador de futebol que escolheu esperar não é a totalidade dos evangélicos. E a bancada evangélica no Congresso, meus amigos, graças a Deus, não é a totalidade dos evangélicos.

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Ex-homofóbico, lenda do boxe britânico anuncia mudança de sexo

Frank Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @Sport10internet (via Extra)
Frank Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @Sport10internet (via Extra)

Publicado no UOL

Famoso pelo seu passado como técnico e empresário de boxe, Frank Maloney surpreendeu os ingleses neste domingo ao anunciar, em uma entrevista a um tabloide local, que vai mudar de sexo. O agente, que no passado chamou a atenção pela postura homófobica, se prepara para fazer a cirurgia e vive como uma mulher.

“Eu nasci no corpo errado e sempre soube que era mulher. Eu não consigo seguir vivendo nas sombras, e é por isso que eu estou fazendo isso. Viver assim por mais tempo ia me matar”, disse Maloney ao jornal Mirror.

Frank é tratado pela mídia britânica como um dos reis do boxe entre os anos 1980 e 1990. Foi ele quem guiou Lennox Lewis, por exemplo, ao título mundial dos pesos pesados, o primeiro do Reino Unido em quase um século. Com o poder de decidir os futuros da modalidade, virou uma lenda.

“O que estava errado no nascimento agora está sendo corrigido pela medicina. Eu tenho um cérebro feminino. Eu sabia que eu era diferente no minuto em que eu me comparei com as outras crianças. Eu tinha inveja das meninas”, disse Frank, que agora quer ser chamado de Kellie.

Kellie Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @stegannon (via Extra)
Kellie Maloney Foto: Reprodução / Twitter / @stegannon (via Extra)

“Eu nunca fui capaz de contar a ninguém do boxe. Você consegue me imaginar indo para um ringue vestido como uma mulher e fazendo o meu trabalho? Eu consigo imaginar o que gritariam para mim, mas se eu trabalhasse no mundo da arte ninguém ligaria para essa mudança”, disse ela.

Kellie encerrou a carreira como Frank no ano passado e desde então viveu reclusa. Maloney tem três filhos de dois casamentos e uma movimentada vida pública. No meio da década passada, ela chegou a tentar ser prefeita de Londres, quando foi acusada de homofobia.

Como Frank, ela recusou-se a visitar o bairro de Camdem, no norte da capital inglesa, alegando que lá teriam “muitos gays”. “Eu não gosto de ver policiais de mãos dadas em público. Não é um jeito familiar de levar a vida e nós deveríamos apoiar mais a família”, disse Maloney à época. Candidata pelo Partido Independente, ela terminou na quarta posição do pleito que elegeu Ken Livingstone, do Partido Trabalhista.

Capa do jornal com a história de Maloney foi compartilhada em redes sociais Foto: Reprodução / Twitter (via Extra)
Capa do jornal com a história de Maloney foi compartilhada em redes sociais Foto: Reprodução / Twitter (via Extra)

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Gays e seus filhos não deveriam sofrer discriminação da Igreja, diz Vaticano

Foto: OSSERVATORE ROMANO / AFP
Foto: OSSERVATORE ROMANO / AFP

Segundo documento, Igreja tem que encontrar equilíbrio entre ensinamentos sobre família tradicional e atitude sem juízos de valor em relação aos que vivem em uniões de pessoas do mesmo sexo

Publicado no O Globo [ via Reuters]
CIDADE DO VATICANO – A Igreja Católica Romana tem de ser menos crítica com os homossexuais e, embora ainda se oponha ao casamento gay, deve receber os filhos de casais homossexuais na fé com igual dignidade, assinala um documento do Vaticano divulgado nesta quinta-feira.

O documento de 75 páginas, resultado de um trabalho para o sínodo de bispos católicos previsto para outubro, que discutirá questões da família, também diz que a Igreja com 1,2 bilhão de membros em de tornar-se menos exclusiva e mais humilde.

Conhecido pelo seu nome em latim “Instrumentum Laboris”, o documento ressalta a grande diferença entre os ensinamentos oficiais da Igreja sobre questões de moralidade sexual e sua aceitação e compreensão por parte dos fiéis no mundo todo.

O trabalho foi baseado nas respostas a um questionário de 39 perguntas enviado a dioceses em todo o mundo antes do sínodo. Pela primeira vez, em preparação para esse encontro, o Vaticano pediu aos bispos que compartilhem a pesquisa amplamente com os párocos e busquem os pontos de vista dos seus paroquianos.

A posição tradicional da Igreja sobre a homossexualidade levou a alguns casos de exclusão de filhos de homossexuais das atividades da Igreja.

Embora o novo documento não apresente nenhuma mudança imediata na condenação de atos homossexuais e na oposição da Igreja ao casamento gay e à adoção de crianças por gays, ele usa uma linguagem notavelmente menos crítica e mais compassiva do que declarações anteriores do Vaticano.

Segundo o texto, embora os bispos se oponham à “redefinição” do casamento por governos que permitem uniões do mesmo sexo, a Igreja tem que encontrar um equilíbrio entre os seus ensinamentos sobre a família tradicional “e uma atitude respeitosa, sem juízos de valor em relação às pessoas que vivem em tais uniões”.

Essa frase ecoa as famosas declarações do papa Francisco sobre homossexuais ao voltar do Brasil em julho passado: “Se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la”.

No passado, o Vaticano se referiu à homossexualidade como “intrinsecamente desordenada” e parte de “um mal moral intrínseco”.

A Igreja ensina que os atos homossexuais são pecaminosos, mas as tendências homossexuais não são.

O documento observa que alguns católicos que responderam ao questionário sentiram “um certo mal-estar diante do desafio de aceitar essas pessoas com espírito misericordioso e, ao mesmo tempo, manter a doutrina moral da Igreja …”

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