Os corcundas de smartphone

Uso excessivo do aparelho faz mal ao corpo, muda relações sociais e potencializa perigos na rua, apontam os especialistas

Estudos apontam que pessoas que fazem uso intensivo dos aparelhos de smartphone ao longo do dia começam a apresentar problemas de coluna decorrente da má postura (foto: Guito Moreto / Agência O Globo)
Estudos apontam que pessoas que fazem uso intensivo dos aparelhos de smartphone ao longo do dia começam a apresentar problemas de coluna decorrente da má postura (foto: Guito Moreto / Agência O Globo)

Maria Clara Serra, em O Globo

Uma nova geração toma conta das ruas. Não tem gênero nem idade, mas compartilha a mesma obsessão e uma maneira distinta de ver o mundo: por meio das telas de seus telefones. São os corcundas de smartphone, um grupo numerosíssimo que faz a Humanidade “evoluir” mais um passo: da posição ereta para a curvada. Dentro de casa, em ruas, restaurantes, bares, shows, ônibus, trens e até ao volante, eles estão por toda parte. E o mais alarmante: especialistas garantem que estão todos doentes física e socialmente.

- O problema é que o grau de intensidade desse uso é tão grande que a pessoa não consegue se concentrar em outra coisa além do celular – alerta a socióloga e professora da Universidade Metodista de São Paulo Luci Praun. – O uso que se faz do aparelho não está ligado ao espaço que a pessoa frequenta. Então, ela vai mesmo para outro mundo.

Luci, no entanto, não concorda com a tese de que essa geração vive mais no mundo virtual. Essa não é a questão, segundo ela. Na maior parte do tempo, as pessoas estão, pelo telefone, relacionando-se com aqueles que fazem parte de seu convívio social. Então, por que o smartphone mesmo?

- Em minha tese de doutorado pesquisei amplamente a questão da influência dos telefones celulares no cotidiano das pessoas – conta Sandra Rúbia da Silva, doutora em Antropologia Social e professora de Comunicação da Universidade Federal de Santa Maria (RS). – Meus entrevistados diziam que não conseguiam viver sem o telefone celular, que o aparelho havia mesmo se tornado uma parte de seu corpo.

Para Sandra, esse tipo de obsessão gera, sim, uma alienação social, na medida que as pessoas facilmente se desligam de conversas no mundo real para checar mensagens e notificações nas redes sociais. Tanto Sandra quanto Luci acreditam que a questão é a falta de foco, que afeta tanto as relações interpessoais como o trabalho e a educação.

5_420-alt-corcundaE o problema não tem mesmo idade. A economista Carolina Gomes já perdeu a conta do número de vezes que reclamou com seu pai, de 62 anos, por ele estar com o telefone à mesa.

- Meu pai sempre foi o mais chato com o jantar. Todo mundo tinha que estar pronto na hora certa, era o momento da reunião familiar – lembra. – Mas agora ele leva o telefone para a mesa e sempre tem a desculpa de que precisa mandar um e-mail. Na verdade, poderia fazer isso em outro momento. Eu noto (esse comportamento) em todo lugar, principalmente com meus amigos. Hoje tento me policiar, já notei que esse problema é uma falta de educação.

É a tal da doença social, com impacto direto em todos os aspectos da vida. De acordo com Luci, não é algo que parta do indivíduo. É, sim, uma demanda exacerbada pela produtividade constante do trabalho que acabou se transportando para outros campos.

- As pessoas estão adoecendo, pois se sentem cobradas. Há um grau de ansiedade embutido nesse processo, sempre temos que dar conta — avalia a socióloga. — A sensação de que as 24 horas do dia não são suficientes é generalizada. É necessário pensar esse fenômeno para além do vício em smartphones.

Escreve certo. Anda em linhas tortas

A necessidade de interagir o tempo inteiro faz com que o técnico em química Leonardo Medeiros não tire o aparelho das mãos. Ele é um dos que corroboram uma pesquisa divulgada em janeiro pela Universidade de Queensland, na Austrália, que mostrou que a mania de escrever ao telefone no meio da rua está mudando a forma como as pessoas caminham.

- Fico o dia todo no Facebook e no WhatsApp, falando com amigos, com a namorada. Já notei que ando mais devagar e não sigo uma linha reta – observa Medeiros. – Quando estou no ônibus, então, vou baixando a cabeça e, quando percebo, estou completamente corcunda. Sinto dores na coluna e no pescoço.

- Helder Montenegro, presidente da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRC) e do Instituto de Tratamento da Coluna Vertebral (ITC), diz que ainda não há comprovação científica do fato, que é muito recente, mas o comportamento, principalmente das crianças, está modificando a curvatura natural das pessoas.

- Esse é um problema que estamos antecipando. A flexão do pescoço com os ombros enrolados para a frente está deixando a coluna mais reta – afirma Montenegro. – E é essa curvatura a responsável por amortecer os impactos e estabilizar o corpo. Sem ela, acabamos modificando a anatomia dos discos intervertebrais. -

Se, antes, a preocupação eram as bolsas femininas e as mochilas das crianças na escola, a corcunda gerada pelo uso excessivo de smartphones representa um desafio bem maior para a saúde pública. O desgaste começa no músculo, vai para as articulações e termina no osso.

Especialista em RPG, a fisioterapeuta do Instituto Cohen de Ortopedia Nathassia Orestes ressalta o reduzido tamanho dos telefones como algo negativo. Quanto menor o aparelho, maior a curvatura para enxergar o que está escrito nele.

Além de aumentar o risco de acidentes – é bom lembrar que as ruas de cidades como o Rio são carregadas de obstáculos, que vão de raízes de árvores a buracos -, mergulhar os olhos no telefone ainda pode tornar a pessoa mais vulnerável a outros perigos de metrópoles brasileiras.

- Há menos de um mês eu vi um assalto, em Porto Alegre, a uma menina que estava olhando para o telefone num ponto de ônibus – diz o fisioterapeuta gaúcho Fernando Cunha.

Apesar de comemorarem a facilidade de comunicação que o telefone possibilita, ele e a namorada, a psicóloga Mariana Coelho, preocupam-se com o uso excessivo.

- Quando recebo uma mensagem no WhatsApp, dá muita vontade de olhar, mas me controlo – conta Cunha. – Já me peguei andando na rua mandando mensagem para a Mariana. Tropecei algumas vezes, mas ainda não caí.

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On ou Off de que lado você está?

Publicado no Hipercurioso

Uma mensagem muito interessante que vai lhe fazer refletir para o resto da sua vida. Você vive em um mundo de alta tecnologia, um mundo aonde a distância foi encurtada através dos celulares, mensagens e redes sociais. Mas as vezes você esquece de algo! Quando não havia tudo isso, talvez você visitava mais aquela pessoa, mas agora, dá pra matar saudade sem sair de casa! Você sentava naquela roda de amigos e dava mais atenção a eles.

O dia que Einstein temia finalmente chegou.

praiaUm dia na praia

jantando-foraUm jantar fora com os amigos

jantar-romanticoUm jantar romântico

einstein-frase“Eu temo o dia em que a tecnologia vai ultrapassar a interatividade humana. O mundo terá uma geração de idiotas” (Albert Einstein)

Eu prefiro dizer que “To On pra Vida”.

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“Jogaram Mentos na geração Coca-Cola”

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Rui Luis Rodrigues, no Facebook

Da Sé à Paulista. Andando no meio daquela multidão bonita, ao lado do meu filho de 15 anos, eu recuperava sentimentos de outros tempos, de outras épocas. Como sou historiador, recuperava, pela mágica varinha de condão que os de meu ofício possuem, até mesmo sentimentos e impressões de épocas que eu não vivi.

Falaram-me tanto de maio de 68! Eu tinha então apenas dois anos, mas hoje sei que, de certa forma, todos nós viemos de lá, assim como toda a música contemporânea, de certa forma, veio dos Beatles. Nós carregamos maio de 68 dentro do peito, mesmo quando não sabemos direito o que aconteceu lá.

Mas o que testemunhamos agora, em junho de 2013 no Brasil, contém os elementos fundamentais daquele ano emblemático. Porque maio de 68 foi, acima de tudo, juventude. E juventude é o que temos agora em nossas ruas.

“Vai pra prefeitura, não vai?”, me perguntava a velhinha, ainda em plena Praça da Sé. “Acho que sim”, respondi. E ela seguiu, misturando-se na multidão. Jovem também, porque coisas como essa, quando acontecem, têm o dom de remoçar os que foram sendo ultrapassados pela vida. De repente, o engravatado de 20 e poucos anos que apenas nos olhava da janela do escritório envelheceu, porque ficou de fora; e a velhinha ali ao nosso lado recebeu dele a juventude, por transferência.

Nada impressionou mais a este professor aqui, e nada deixou-o mais feliz, do que ver a quantidade de gente jovem nas ruas. De todos os tipos, de todos os perfis, de todos os segmentos; agrupados, e era possível ver as simpatias ideológicas a partir desses alinhamentos. Caminhando, erguendo a voz, pulando (porque, como cantamos à exaustão, “Quem não pula quer tarifa!”), erguendo as mãos (“Mãos para o alto! R$3,20 é um assalto!”), portando cartazes (“Que apenas beijos nos calem!”, esse foi dos que mais gostei). Lindo de ver!

Perto de nós, uma garota erguia sua cartolina. As letras algo inseguras diziam: “Jogaram Mentos na geração Coca-Cola!” Do lado tinha um desenho ingênuo, a garrafa de Coca-Cola expulsando um jato violento. A frase reapareceu em outros cartazes, em outros momentos. E ficou gravada em minha mente. Talvez ela, melhor do que qualquer outra, traduza esse movimento das ruas.

Tanto critiquei os jovens de hoje, em outros momentos! Via-os indiferentes, alienados, adeptos do “Vou deixar a vida me levar”. O erro não estava com eles; o professor aqui é que não os estava entendendo.

Percebi, ontem, que o poder explosivo dessa geração estava o tempo todo nela. Eles eram a Coca-Cola. E carregavam o pacotinho de Mentos no bolso. Estavam apenas à espera de algo que os despertasse, que fizesse a operação louca, que atiçasse a química que transforma refrigerante em explosivo.

Vou além: não estavam à espera, estavam à procura. Não eram alienados; estavam parados por causa de seu raciocínio crítico e de sua visão clara. Entendiam que o estado de coisas tinha chegado a um limite insuportável; percebiam que a participação na realidade pública estava tolhida por um sem-número de amarras, de convenções, de conchavos, de acertos. Procuravam um caminho, mas não o encontravam. Olhavam para nós, para os mais velhos, para seus pais e professores, esperando um norte. E nós (sobretudo nós, intelectuais), perdidos em nossas próprias perplexidades (E agora? Pra onde daqui? Modernidade, pós-modernidade, o diabo…), incapazes de dar a eles a ajuda que desejavam.

Os garotos encontraram o caminho. Talvez ele nos surpreenda um pouco, talvez ele inquiete um pouco os velhos revolucionários que habitam dentro de nós. “O povo unido não precisa de partido!”, gritavam, quando PCO ou PSTU (sempre eles!) tentavam desenrolar suas bandeiras. Eu não participava nesse momento, porque entendo que partidos, assim como outras agremiações que estavam ali presentes, têm o direito de participar. Mas meu filho gritava, a plenos pulmões. Acho que ele entendeu, melhor e antes de mim; afinal, ele é dessa geração.

Obriguei-me a refletir (isso sei fazer ainda, graças a Deus). Essa recusa aos partidos não é expressão de alienação; é expressão de saco-cheio. É sintomático que esses jovens vejam, nas expressões de política partidária existentes, exemplos do mesmo beco-sem-saída do qual estão lutando para escapar. Daí seu grito, legítimo. Seu grito é puro afã, é pura busca. Querem algo novo! E, se bem me lembro, esse é o princípio de toda revolução genuína, desde o inesquecível 14 de julho de 1789.

Meu coração se confrangeu ontem, e se confrange também agora. Nesse caminho arriscado, quero estar ao lado desses jovens. Será que me aceitam? Quero aprender com eles. Aprender a sonhar com algo novo, com um mundo melhor; aprender a desejar caminhos ainda não batidos, ao invés da mesma velha estrada de sempre. Aprender a fazer festa enquanto se faz política, aprender a fazer da política uma festa. Unir minha voz à deles na canção, no desabafo, na palavra de ordem, no riso solto e até mesmo no poder catártico do palavrão.

A cartolina daquela menina deveria ser conservada num memorial, para assinalar o instante em que essa geração, alegremente, encontrou caminho para expressar seu desejo de influir, de fazer política, de participar.

(“Como sou feliz!”, cantavam os jovens na Paulista, e eu com eles, jovem também. “Estou aqui melhorando o meu país!”)

Que a luz dos sorrisos de vocês, e o brilho de seus olhares, nos iluminem ainda por muito tempo o caminho em direção ao futuro!

* * *

Os partidos políticos, e sobretudo aqueles oriundos do sonho revolucionário, precisam aprender a lição contida na palavra de ordem “O povo unido não precisa de partido!”

Os movimentos revolucionários aderiram à política partidária por razões de necessidade histórica. Ao fazê-lo, contudo, muitos se esqueceram de que sua força, a força dos seus movimentos, estava não numa sigla partidária reconhecida, mas no trabalho lento e constante de conscientização. Um trabalho que acontecia não de forma panfletária ou interesseira, mas através da participação solidária junto à sociedade e suas lutas. Institucionalizados como partidos, muitos desses movimentos perderam o empuxo popular, a sintonia com os setores sociais que os embasavam.

Alguns perderam, também, o bonde da história. Seus discursos ficaram velhos, suas cartilhas fazem as vezes, no cenário político, daqueles catecismos católicos anteriores ao Vaticano II. Preocupados demais com sua “ortodoxia”, esqueceram-se de que Marx nunca foi marxista.

O preço? A moçada não quer ver as bandeiras deles nas manifestações. A solução? Dobrar a bandeira e guardá-la; participar ativamente sem ela, inventando formas originais de manifestar sua filiação ideológica. E, sobretudo, ir pra casa fazer o dever: refletir sobre como reatar com a sociedade, como tornar-se novamente fermento de conscientização.

* * *

Ontem a tarde estava belíssima. Sobre a Sé, um céu azul mediterrânico, que foi ficando esmaecido à medida que entardecia. Acima das palmeiras, uma lua (crescente?) olhava a multidão, invejosa do privilégio dos homens: o privilégio de tomar nas próprias mãos os rumos de seu destino.

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Os 50 são os novos 30

Guiomar Nogueira (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)

Com mais saúde, beleza e dinheiro no bolso, menos responsabilidades e encanações, uma nova geração descobre que a melhor fase da vida chega aos 50 anos

Flávia Yuri Oshima, Margarida Telles, Natália Spinacé (texto) e Rodrigo Schmidt (foto), na Época

Idade é quase uma questão de opinião. Pode mudar de acordo com o ponto de vista. Na cabeça da gente é uma. Aos olhos dos filhos, outra. Na impressão dos amigos, uma terceira. Há apenas 30 anos, os 50 anunciavam o início da velhice. Não mais. Não só por uma questão de percepção íntima ou da sociedade. Mas pela própria fisiologia. Graças a avanços na saúde, nos costumes e no conforto material, a nova geração de 50 anos chega a essa fase com vitalidade, um gosto de novidade e a sensação de estar no auge da vida. Eles se sentem jovens como, há alguns anos, se sentia quem tinha 30. “Há três décadas, o estado de saúde geral dos meus pacientes de 50 era o mesmo das pessoas de 70 que atendo hoje”, diz o geriatra João Toniolo Neto, da Escola Paulista de Medicina. “Não é exagero dizer que a maioria dos pacientes de 50 anos tem saúde e disposição mental dos de 35 daquela época.”

As pessoas de 50 anos de hoje em nada lembram as da década de 1970. Muitas têm o corpo tão ou mais em forma que seus filhos adultos. Outras estão no pique para ter filhos (biológicos ou adotados), começar uma nova faculdade, um novo romance, uma nova empreitada ou qualquer outra aventura. É um fenômeno mundial. Só na livraria on-line Amazon, há mais de 100 livros escritos na última década sobre o tema: Os novos velhos, Os sem idade, Os imortais. A profusão de títulos é só um sintoma. A postura dessa nova idade tem impacto direto na economia, no mercado de trabalho, no consumo, nos relacionamentos, nas relações familiares – em toda a sociedade.

É como se, em questão de poucas décadas, a população ativa do país dobrasse. Foi o que aconteceu no Brasil. Em 50 anos, a expectativa de vida da população aumentou de 48 para 73 anos. Deverá chegar a 80 em 2050. Ao se distanciar da morte, os cinquentenários se distanciaram também da velhice. Eles têm disposição física, mental e financeira. O fato de não se verem como os mais velhos do grupo contribui para o sentimento de bem-estar com a própria idade. Uma pesquisa da seguradora MetLife, feita com mais de 2 mil americanos, estima que mais da metade dos nascidos entre 1955 e 1964 tem ambos os pais vivos. Apenas 11% já perderam os dois. Os cinquentões ainda são os filhos e, em muitos casos, cuidam dos mais velhos.

Fontes: Bruna Felix Bravo, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ); Karla Assed, dermatologista; Joel Block, psicólogo, autor do livro Sex over 50 (Sexo depois dos 50);  (Foto: Monica Yassuda, coordenadora de gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (Each USP); Claudia Carraro, consultora da Carreira e Cia.)Fontes: Bruna Felix Bravo, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia (RJ); Karla Assed, dermatologista; Joel Block, psicólogo, autor do livro Sex over 50 (Sexo depois dos 50); Monica Yassuda, coordenadora de gerontologia da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (Each USP); Claudia Carraro, consultora da Carreira e Cia.

Graças a essa satisfação, o hábito de tentar disfarçar a idade parece estar ficando démodé – para usar uma expressão francesa que também saiu da moda. A maioria deles, mesmo os mais vaidosos, encara a idade de forma positiva. Não querem ter dez ou 20 anos a menos. Querem estar bem aos 50. De acordo com uma pesquisa do Ibope Mídia, feita com 3.500 brasileiros nessa faixa etária, mais de 60% estão muito satisfeitos com a vida que têm.

A longevidade depende de três fatores: uma genética favorável, um ambiente saudável e bons hábitos. O primeiro deles, nosso DNA, não mudou. Os dois outros evoluíram. A começar pelas condições criadas pelos avanços da medicina e pelo progresso econômico e social. Algumas conquistas vieram da saúde pública. Vacinas desde a infância, condições de moradia mais higiênicas, expansão do saneamento básico e até o hábito de fazer exames pré-natais contribuíram para isso. Mesmo quem chega aos 50 anos com doenças crônicas pode ter uma vida saudável e funcional. “O controle e o tratamento de enfermidades como câncer e problemas cardíacos ajudaram muito a elevar a idade média do brasileiro e a aprimorar sua qualidade de vida”, diz Nezilour Lobato Rodrigues, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Walmir Paulino (Foto: Rodrigo Schmidt/ÉPOCA)

Décadas de avanço econômico recente no Brasil e no mundo – apesar da crise atual – levaram bilhões de pessoas da pobreza aos confortos modernos. Além de comprar bens materiais, elas estão investindo em saúde e bem-estar. Algumas pesquisas mostram a relação entre o conforto financeiro e a longevidade. Um dos maiores levantamentos com essa faixa etária no mundo, o Estudo Longitudinal sobre Idade (Elsa, na sigla em inglês), do University College of London, mostra que a incidência de depressão no grupo com menos recursos financeiros chega a 27%. Entre os mais ricos, o índice fica em 8%. O estudo acompanhou 9 mil pessoas por dez anos e comprovou a relação entre bem-estar e longevidade. Entre os que se diziam infelizes, a mortalidade foi o triplo da registrada no grupo que se declarava mais satisfeito com a vida.

Dinheiro ajuda, mas o rejuvenescimento dos cinquentões não depende de nível social. É uma mudança notável mesmo entre os mais pobres. “A informação está disponível para todos. É uma questão de escolha, não de classe”, diz Toniolo. Quem opta por uma vida saudável envelhece melhor. Não se trata de acompanhar níveis de triglicérides ou colesterol. “Viver bem tem a ver com cuidar da saúde do corpo, da mente e das relações.” A seguir, ÉPOCA mostra como a geração de novos cinquentões encara saúde, sexo, família, trabalho, dinheiro, cultura e consumo. (mais…)

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