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Jair Bolsonaro: “Chico, Caetano e Gil estão defendendo minha tese”

O expoente mais barulhento da direita no Congresso saúda o apoio de artistas perseguidos pelo regime militar ao projeto que proíbe biografias não autorizadas

Leonel Rocha, na Época

PROCURE SABER O deputado Jair Bolsonaro na Câmara. “Há problemas que não gostaria que fossem revelados pela minha ex-mulher, mesmo sendo verdadeiros” (Foto: Igo Estrela/ÉPOCA)

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O deputado Jair Bolsonaro na Câmara. “Há problemas que não gostaria que fossem revelados pela minha ex-mulher, mesmo sendo verdadeiros” (Foto: Igo Estrela/ÉPOCA)

Poucos são tão radicais na política brasileira quanto o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). Mais raros ainda os que, como ele, assumem posições de direita. No Congresso, ninguém faz sombra a Bolsonaro. Ex-capitão do Exército, ele defende não só o regime militar, como os acusados de comandar torturas. Cita a presidente Dilma Rousseff como responsável por atos violentos nos anos 1970. Está também no centro dos debates para punir a homofobia – do lado contrário, claro. Na semana passada, passou a liderar os deputados que pretendem aprovar uma lei proibindo a publicação de biografias não autorizadas. A mesma tese que defendem Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil.

ÉPOCA – Como o senhor se sente defendendo a mesma tese que Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso?
Jair Bolsonaro –
São eles que estão defendendo minha tese. Dou-lhes boas-vindas em nome do clube dos sensatos. Até concordo com Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil que é preciso alguma censura. Aproveitarei a oportunidade para mostrar a eles que regras e proibições não atentam contra a democracia. Não é bem assim que a banda toca quando se defende a tese do “é proibido proibir”, como eles pregavam quando estavam na oposição. Uma censura se faz necessária de vez em quando. Se não houver certa censura na escola, imagine o futuro da molecada. Tem de ter. Chico, Caetano e Gil tinham liberdade para fazer oposição. Se não tivessem, teriam ido para o paredão. Não foram. Só não posso nem dizer que estou feliz na companhia deles. Fico feliz de estar, sim, ao lado de Roberto Carlos.

ÉPOCA – O senhor entende por que eles mudaram de opinião?
Bolsonaro –
Foi o mesmo fenômeno que aconteceu com o PT. Antes, o PT defendia as minorias. Hoje, minorias, como os indígenas, prejudicam projetos deles, como a construção da usina de Belo Monte. Outras minorias, como os baderneiros black bloc, prejudicam o bom debate democrático. Para ficar como a esquerda era no passado, só falta a esse pessoal pegar em armas. Não vemos nenhuma palavra da presidente Dilma Rousseff a esse respeito. Por quê? Não tem moral para falar a respeito disso porque ela fez pior: fez escola.

ÉPOCA – Não é estranho que pessoas que aparentemente pensam tão diferente umas das outras, como o senhor e os artistas, defendam a mesma tese?
Bolsonaro –
Esporadicamente posso estar ao lado de quem sempre discordo. Posso torcer para seu time porque estou interessado na derrota de outro adversário. Eles podem estar constrangidos em estar a meu lado. Fico chateado, constrangido não.

ÉPOCA – Por que o senhor é contra a publicação de biografias não autorizadas?
Bolsonaro –
Defendo a liberdade de expressão e também o direito à privacidade. Se a Justiça fosse rápida, até defenderia a liberdade total de publicação e a punição financeira de quem comete abusos. Mas, depois que o texto sai, a Justiça demora anos para reparar erros. Quando isso acontece, raramente a compensação financeira cobre a perda moral causada pelos livros.

ÉPOCA – A contribuição das biografias para a história não é maior do que essa polêmica?
Bolsonaro –
Depende. Os que farão as biografias serão do mesmo estilo dos que compõem a tal da Comissão da Verdade? Serão parciais que buscam apenas o sensacionalismo? E mais: a imprensa já não publicou tudo sobre a vida dessas personalidades? O que um biógrafo teria no bolso para apresentar como “furo”? Acho que nada.

ÉPOCA – O senhor não lê biografias?
Bolsonaro –
Não. Tenho pouco tempo. Minha leitura é a internet e os jornais.

ÉPOCA – Não tem nenhuma personalidade cuja biografia o senhor gostaria de ler?
Bolsonaro –
A da Dilma Rousseff, feita com testemunhas e sem falar da vida particular dela. Gostaria de saber se a presidente estava na operação da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) que explodiu um carro-bomba num quartel de São Paulo e matou o soldado Mário Kozel Filho. Qual o sentimento dela em relação aos familiares do Mário Kozel, que foram indenizados com um salário mínimo? Se alguém for ao Superior Tribunal Militar e publicar o processo a que Dilma respondeu quando era da luta armada, não tem nada de mais. São fatos, é história.

ÉPOCA – Então, qual é o problema?
Bolsonaro –
Minha preocupação é que, num livro, fatos inverídicos sejam tidos como verdadeiros. A Comissão da Verdade pretende fazer uma biografia da história. Todos os seus sete componentes foram indicados pela presidente Dilma. Lá, não há um historiador sequer. Tem três advogados. Eles têm compromisso com o cliente, com quem paga. No caso, o governo. Como posso acreditar em biografias quando a Comissão da Verdade está tentando escrever sobre o passado, sem um só historiador na comissão? Perde o crédito. É uma comissão que faz populismo e desgasta uma classe importante para qualquer país, os militares. Quer vergar a coluna dessa instituição com mentiras e seguir avante com o plano bolivariano do atual governo. A Comissão da Verdade fará um relatório dizendo que, em 1964, houve um golpe. Omitirão que Castelo Branco foi eleito por 361 deputados, entre eles Ulysses Guimarães, José Sarney e Juscelino Kubitschek. Será uma biografia mentirosa do regime militar.

ÉPOCA – Políticos corruptos serão beneficiados se forem publicadas apenas biografias autorizadas?
Bolsonaro –
Concordo que há certos homens públicos sobre quem ninguém leria uma biografia autorizada. O livro encalharia.

ÉPOCA – Por que obrigar a autorização prévia, então?
Bolsonaro –
Porque existem “historiadores mineradores”, que só querem arrancar dinheiro do biografado. Um biógrafo que queira contar a vida do empresário Eike Batista pode tentar tirar dinheiro dele. No meu caso, alguém pode escrever o maior absurdo para tentar me desqualificar. É o que acontece a conta-gotas na imprensa. Sou chamado de racista, e tenho um sogro quase “negão”. Isso me dói. Sou chamado de homofóbico porque descobri o “kit gay” que o governo queria distribuir nas escolas. Depois, a própria Dilma considerou inadequado. Palmas para Dilma. Não quer dizer que estou afinado com ela. Dilma recuou por pressão da bancada evangélica, não por minha causa. Eu estava no esculacho. Não tinha mais argumentos sérios para convencer o governo.

ÉPOCA – Os aspectos pessoais não são importantes para entender suas posições políticas?
Bolsonaro –
Confesso que influenciaram. Mas não gostaria de ver publicados, porque mexem com coisas que podem tirar o brilho de minha carreira. Muita gente pode achar que minha carreira é a maior porcaria do mundo. Sou feliz em ser deputado. Tenho uma coisa que poucos têm: liberdade.

ÉPOCA – O senhor não teme que biografias de líderes da ditadura manchem a imagem do segmento que o senhor defende?
Bolsonaro –
Não. O que os militares temem é a mentira. Os coronéis Brilhante Ustra e Licio Maciel (acusados de participar de sessões de tortura) são injustiçados. Na Segunda Guerra Mundial, os alemães preferiam se entregar aos soldados brasileiros porque eram tratados com dignidade. Nós tratamos os guerrilheiros com dignidade. Houve excessos, mas essa não era a regra.

ÉPOCA – A possibilidade de escrever uma biografia livre não é importante para esclarecer eleitores e a sociedade em geral?
Bolsonaro –
Duvido que alguém seja contra contar a história de sua vida. A minha, por exemplo, é uma. A quem interessará, não sei. Quem sabe daqui a alguns anos? O que temo é a revelação das particularidades da vida privada. O direito à privacidade está garantido na Constituição. No meu caso, já falei muita besteira na Câmara, exagero muitas vezes, e um biógrafo pode interpretar da maneira que bem entender. O problema começa quando o biógrafo possa inferir sobre minha vida. Estou casado há cinco anos com uma funcionária da Casa. Logo depois, veio a lei que proíbe o nepotismo. Eu já estava casado. Apesar disso, demiti minha mulher para não ser acusado de não cumprir a lei. Um biógrafo poderia retratar meu caso como nepotismo.

ÉPOCA – Tem mais alguma história sua que o senhor gostaria que não fosse publicada?
Bolsonaro –
Minha primeira separação. Há problemas que não gostaria que fossem revelados pela minha ex-mulher, mesmo sendo verdadeiros. A intimidade tem de ser respeitada. As pessoas julgam os outros em razão da intimidade revelada.

ÉPOCA – Como o senhor avalia a ação da polícia no Rio e nas outras cidades?
Bolsonaro –
Foi nota 10 na semana passada, com a prisão de um grupo grande de baderneiros. Eles não são trabalhadores nem estudantes. São marginais que queimam carros. Tem sido bom, porque a polícia começa a fichar e a instaurar processos para que não sejam réus primários no futuro. A repressão está até branda com esses marginais.

dica do Bruno Dias

Gilberto Gil: “Não teria me tornado compositor sem Vinicius de Moraes”

Publicado por TV UOL

Um dos maiores compositores da história da música brasileira, Vinicius de Moraes completaria 100 anos no dia 19 de outubro de 2013. Para homenagear essa figura tão carismática de nossa história, o UOL conversou com Gilberto Gil, Tom Zé, Francis Hime e João Parahyba. Na reportagem, os músicos relembram traços marcantes da personalidade do artista, contam histórias que viveram ao seu lado e ainda comentam suas canções favoritas.

Entre os depoimentos, o internauta também pode conferir versões de clássicos de Vinicius, como “Chega de Saudade” e “A Felicidade”, arranjadas e tocadas pelo Trio Ogã, de São Paulo.

Fé ajuda a encarar desafios, mas deve ser coerente com a prática

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Publicado no UOL

Em um dos seus maiores sucessos, Gilberto Gil canta “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”. Nos anos 80, quando a música ganhou as rádios de todo o país, pouco se falava sobre a influência da religiosidade no bem-estar físico e mental. De lá para cá, muitos cientistas, em todo o mundo, já se dedicaram a estudar essa relação, com resultados surpreendentes até para quem não crê. “Diversas pesquisas já mostraram que pessoas mais espiritualizadas sofrem menos de ansiedade, depressão e estresse, estão menos vulneráveis a doenças cardíacas, vasculares, endócrinas e autoimunes; como consequência, vivem mais e melhor”, garante Ricardo Monezi, pesquisador do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da UNIFESP.

Em geral, quem tem fé tende a ser mais otimista e persistente com os desafios do dia a dia. “A experiência religiosa, na maioria das vezes, pressupõe a concentração e a busca do equilíbrio a partir da conexão com alguma força maior em que se acredita, que pode ser feita, por exemplo, a partir da oração”, esclarece Jorge Claudio Ribeiro, filósofo e professor da PUC-SP. “Assim, a pessoa que crê conta com recursos para se refazer mais rapidamente, enquanto a que não acredita em nada tem mais chances de se desesperar diante de uma dificuldade”, justifica. O pesquisador concorda que a espiritualidade facilite a conexão com o divino ou sagrado que zela por nós, produzindo um sentimento de segurança e conforto e ajudando, ainda, a lidar com os grandes mistérios da vida num nível mais subjetivo.

Fé sem religião também vale

Os benefícios da fé, no entanto, não requerem que ela seja institucionalizada. Ou seja, não é preciso seguir os preceitos de determinada religião ou sequer frequentar qualquer tipo de templo. “Ter fé é assumir um compromisso pessoal com uma determinada visão de mundo, com ideias, ideologias e conceitos que podem ser retirados de uma única religião ou de várias”, afirma David Charles, teólogo e chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

De fato, muitas pessoas praticam uma fé própria e criam um mix de crenças de diferentes origens, sem se submeter a uma única vertente. “A religião e a religiosidade, que é a prática e a vivência da religião, são ferramentas que o ser humano pode usar para desenvolver a espiritualidade, mas não são as únicas”, pondera Monezi. Meditação, leituras diversas, orações e músicas também podem ser empregadas com o mesmo fim. “Até pelo diálogo com outra pessoa, porque um dos maiores exercícios de espiritualidade é a doação amorosa”, exemplifica.

Fé na prática

Numa perspectiva objetiva, a grande contribuição da fé é oferecer diretrizes para o comportamento, uma vez que ela geralmente está ligada a determinados valores. Por isso mesmo, o ideal é combinar razão e emoção na adoção de uma religiosidade. “Só tem sentido comprometer-se pessoalmente quando se consegue atribuir verdade e valor ao conjunto de princípios que ela expressa”, defende Charles. Quer dizer, não vale acreditar só por acreditar, por achar bonito. “É interessante que a experiência em que se está investindo apresente subsídios que poderão ser usados no dia a dia. Ou seja, o que se aprende no templo precisa fazer sentido no mundo lá fora”, reforça.

Em outras palavras, agir de acordo com o que se prega e vice-versa é o que fortalece a fé. “Quando há coerência entre o que se fala e o que se vive, a fé realmente passa a funcionar como um instrumento para o desenvolvimento pessoal, pautando a mudança real de atitudes”, acredita o teólogo. E ela só é prejudicial quando pressupõe intolerância. “Quando uma determinada fé desrespeita o conjunto de crenças dos outros, automaticamente implica no desrespeito ao ser humano, o que pode levar a sentimentos como raiva e desejo de vingança”, ressalva Monezi.

Padre Fábio de Mello grava música de Ludmila Ferber em novo CD

Bruno Astuto, no site da Época

Padre Fábio de Mello está de CD novo. ‘Estou aqui’, nome de uma canção de Roberto e Erasmo Carlos gravada por ele no álbum, dá título ao seu 16º trabalho como cantor. São 13 músicas, todas de cunho religioso.  Bem diferente do seu trabalho anterior, no qual interpretou clássicos ‘profanos’ da música brasileira, como ‘Lamento sertanejo’ (Gilberto Gil e Dominguinhos) e ‘A vida do viajante’ (Luiz Gonzaga).

“Naquele trabalho, cantei músicas que fizeram parte da minha formação musical. Neste, canto canções que estão ligadas à minha conversão”, diz o padre. Com produção de Guto Graça Mello, Padre Fábio diz que este é seu melhor trabalho. “O Guto reconheceu que eu já tinha uma identidade musical e por isso não quis me modificar. Mas me deu importantes direções”, diz o padre.

O novo trabalho traz uma ousadia: uma canção composta pela pastora evangélica Ludmila Ferber chamada ‘Nunca pare de lutar’. “Posso desagradar tantos aos católicos, quanto aos evangélicos”, diz o religioso. “Incomoda-me o fato de algumas pessoas se sentirem melhores que as outras por conta de sua fé. Acredito em uma religião que aproxime e não que separe as pessoas”, completa. Fábio diz que Ludmila é sua amiga.

Além da obra musical e missionária, Fábio, de 41 anos, também ficou com fama de galã por causa dos cabelos sempre bem arrumados, roupas alinhadas e corpo em forma. “Aprendi, ainda pequeno, com a minha mãe, a ter cuidados comigo”. Por conta de sua vocação, ele diz que evita algumas situações. “Sou um padre. Não posso aparecer de camisetinha por aí. Depois que fiquei famoso, parei de ir à praia”.

Em 2010, ambos cantaram juntos essa música breguíssima no Domingão do Faustão.
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Gilberto Gil, em entrevista a Cissa Guimarães: ‘rezo o Padre Nosso e faço saudações aos orixás’


Foto: Cissa Guimarães e Gilberto Gil, na gravação de “Viver com fé” / Divulgação

Pedro Zuazo, no Extra

Gilberto Gil mostrou que é um homem de muita crença, ou melhor, muitas crenças, na gravação do programa “Viver com fé”, que vai ao ar nesta quarta-feira, no GNT. No bate-papo com a apresentadora Cissa Guimarães, o cantor e ex-ministro da Cultura explicou que recorre a diferentes tipos de fé, dependendo do momento: “Rezo de vez em quando o Padre Nosso, faço também saudações aos orixás”.

O entrevistado também falou sobre a perda do filho, Pedro Gil, num acidente de carro em 1990. “Por ele que se foi, no caso dos nossos filhos, por exemplo, nós queremos continuar vivendo”, contou, acrescentando que acredita mesmo é na vida: “Tenho fé na vida. É a única coisa que a gente tem para acreditar propriamente. Ela está aí, nos cerca”.