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Vadia e cristã: Tamar, a Marcha e o uso político do corpo

vadias2Aletuza Gomes Leite, no Novos Diálogos

Outros discursos e querelas têm surgido no âmbito religioso devido a Marcha das Vadias. “É lógico que a roupa da mulher, ou a falta dela, não justifica o estupro, mas isso não significa que concordamos que uma mulher possa vestir-se de maneira indiscreta, expondo o seu corpo indevidamente”, escreveu a pastora batista Zenilda Reggiani Cintra em um texto publicado em O Jornal Batista (OJB) de 08 de julho de 2012, no qual ela pretende pôr em discussão a Marcha das Vadias.

A princípio, como mulher, felicitei-me e fui atraída pelo texto de uma mulher, pastora e discutindo a Marcha no OJB, considerando que este espaço fora constantemente restrito aos homens batistas e, portanto aos seus interesses, valores e experiências. No percorrer do texto, no entanto, defrontei-me com meu próprio incômodo tão recorrente ao ler ou ouvir comentários de lideranças religiosas acerca de diversos movimentos construídos pelas mulheres.

Uma frustração se insurge em mim diante da negação de uma discussão política do corpo da mulher e sua presença nos enfrentamentos sociais e históricos, bem como a falta de análise em torno dos significados do corpo, das suas construções, domesticações e da vigilância a ele imposta. Pondero estes elementos como necessários ao tratarmos da temática da corporeidade para um exercício do desafiar-se a uma aproximação das dores e experimentos de mulheres diversas, frente a uma proposta mais emancipadora e libertadora destas.

Há muito já se movimentam as discussões em torno do corpo como espaço de construções através da “educação”, vigilância e formatações que moldam corpos de homens e mulheres aos valores vigentes de uma “moral e bons costumes” e que decidem e orientam a descrição e a indiscrição, a dignidade e a indignidade, o devido e o indevido, o moral e o imoral, a decente e a vadia.

As decisões do que é moral, longe do inocente ou neutro, constroem-se sócio-historicamente permeadas nas relações assimétricas que movimentam os jogos e poderes dentro de uma sociedade. Neste sentido o construir dos corpos é também uma construção de símbolos, na medida em que esta tenta embebê-los de sentidos, tornando-os representação de uma cultura, no nosso caso, sexista, racista, classicista, homofóbica e que decide a partir deste universo de sentidos o que é tornar-se mulher ou homem.

Esta tentativa enfrenta a recepção do indivíduo, o que impede uma produção em série de corpos comuns a mulheres e homens. Isto ocorre a partir do encontro com uma subjetividade humana que se inscreve também como produção de significação e não como mera reprodução desta.

Os corpos, portanto, transitam dentro de uma permissão espacial construída nos limites do que é decidido como moral, a esta se submetendo disciplinadamente. A moral é o “bom” e, portanto capaz de prescrever o que é devido aos corpos de homens e de mulheres. Os que se preservam nos limites da decência são representações do bom. Os que se instalam e/ou são instalados em processos diferenciados de recepção e extrapolam tais limites recebem a sanção de indignos, pervertidos, vadios e imorais.

Corpos que significam o mau. Sendo assim, eles ainda são representações dos jogos e forças políticas que, por meio de manipulação destes, desejam, constroem e mantém as relações de uns sobre outros. Faz-se urgente um discurso que celebre a autonomia dos corpos e a transgressão da “moral e dos bons costumes” que classicamente objetifica o humano, legitimando sobre minorias domínio e opressão em formas de violências diversas.

Discutir a maneira indiscreta ou indevida de expor o corpo de uma mulher, ao tempo tempo que reforça a “moral e bons costumes”, reafirma as relações de poder na qual ela é inscrita, violenta a autonomia da mulher sobre seu corpo e autoriza violências sobre o mesmo, ainda que tal discurso, superficialmente, diga a isso se opor. Deste modo oponho-me a fazer coro com quaisquer discursos que digam promover libertação se estes se assentam sobre pilares que agenciam opressões e violências.

Desejo aqui evocar um novo símbolo de mulher cristã que ecoa das páginas da Bíblia para que rapidamente não rotulem meu discurso da ausência de princípios religiosos, mas que nem por isso deixa de ser um símbolo transgressor, indevido, que se exponha de maneira imprópria e indiscreta. Quero convidar uma de maus costumes e imoral. Vadia! Poderia ser outra com este perfil, encontro-as nas páginas bíblicas, mas é Tamar que conclamo (Gn 38), aquela que na luta pelos seus direitos se fez corpo autônomo e indecente. Vestiu-se, portou-se e atuou como vadia. O que estava em jogo para Tamar eram as condições de mínima liberdade e direito. Na vadiagem ondulante e labiríntica ela encontra a possibilidade da construção de seus caminhos de mulher, enfrentando a moral, o controle e a vigilância.

A transgressão e o inapropriado são as veredas rumo à libertação dos jogos de poder encenados por Judá e designados próprios e devidos na sociedade patriarcal. Tamar é um convite a marcharmos como Vadias na luta pela nossa dignidade e autonomia de corpos e sexualidade, tantas vezes objetificados e transformados em mercadorias; domesticados, explorados e consumidos nas sinuosidades das relações de mercado, relações androcêntricas, embranquecedoras e heteronormativas, mas relações obedientes, morais, descentes, próprias, discretas e cristãs.

Em contraposição a estas, conduzamo-nos, extrapolando os limites da moral no enfrentamento político, bem como Tamar, por uma digna condição de ser mulher no exercício da autonomia sobre sua vida, seu corpo e no combate a todo o tipo de violência. Das páginas da Bíblia inauguremos a vadia Tamar como símbolo de mulher cristã para afirmar inclusive que uma mulher cristã deve sim participar da Marcha, sem constrangimentos, também pelo nome e pela maneira política como usamos o nosso corpo em contraposição à instrumentalização deste na sociedade e suas diversas relações de domínio.

Pela memória de Tamar. Na inauguração de um novo símbolo de testemunho de mulher cristã vadia: Vadias pela justiça, pela equidade, pela igualdade, vadias pela liberdade, pela vida. Na Marcha das Vadias pelos valores cristãos.

Beber vinho deixa sua vida mais feliz

 foto: flickr.com/jiuck

foto: flickr.com/jiuck

Carol Castro, no Ciência Maluca

Lembra quando a gente contou por aqui que estudantes beberrões são mais felizes? Pois bem, outra pesquisa, dessa vez com um pessoal mais velho, entre 55 e 80 anos, mostrou um resultado parecido: beber vinho todo dia deixa você mais longe da depressão. Ou seja, deixa você mais feliz.

O estudo incluiu 5,5 mil homens e mulheres. Durante sete anos, pesquisadores espanhóis acompanharam a vida dos participantes para saber se haviam sido diagnosticados com depressão e qual era o consumo diário de bebidas alcoólicas. Entre todos os voluntários, apenas 443 entraram numa tristeza profunda. E o que os cientistas perceberam é que quem bebia de 2 a 7 copos de vinho, por semana, era o grupo com menos deprimidos. Em geral, correm 32% riscos de entrar em depressão, em comparação com quem não bebe nada.

Eles não sabem dizer ao certo qual é o papel do vinho na felicidade. Mas suspeitam que alguns componentes da uva protegem o cérebro  contra processos inflamatórios envolvidos na depressão.

Beber muito faz mal, é verdade. Mas se permitir essas pequenas alegrias, com alguma moderação, só traz benefícios.

(Via Live Science)

dica do Douglas Gomes

“Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, diz presidente do CRM/MG

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Publicado no Bhaz

A contratação de médicos estrangeiros pelo programa Mais Médicos, do Governo Federal, está longe de ter um final em que as duas partes – profissionais e União – cheguem a um acordo. A última grande polêmica gira em torno do anúncio da convocação de cubanos para atender no Brasil.

O Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) já entrou oficialmente na briga contra a medida. Na quinta-feira (22), o presidente da entidade, João Batista Gomes Soares, anunciou que pretende denunciar os cubanos por exercício ilegal da profissão, alegando que o governo autorizou a atividade dos médicos sem que eles passem pelo processo de revalidação do diploma estrangeiro e pelo exame de proficiência em língua portuguesa.

Em entrevista ao jornal Estado de Minas, publicada nesta sexta-feira (23), João Batista garantiu que, se o governo seguir em frente com as contratações, o impasse vai virar caso de polícia. “Se ouvir dizer que existe um médico cubano atuando em Nova Lima, por exemplo, mando uma equipe do CRM-MG fiscalizar. Chegando lá, será verificado se ele tem o diploma revalidado no Brasil e a carteirinha do CRM-MG. Se não tiver, vamos à delegacia de polícia e o denunciamos por exercício ilegal da profissão, da mesma forma que fazemos com um charlatão ou com curandeiro”, afirmou Batista.

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Foto: Divulgação/Conselho Regional de Medicina

O presidente do CRM/MG ainda fez uma declaração polêmica. “Nossa preocupação é com a qualidade desses médicos, que são bons apenas em medicina preventiva, não sabem tirar tomografia. Vou orientar meus médicos a não socorrerem erros dos colegas cubanos”, disse.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) também considera a adoção do programa eleitoreira, irresponsável e desrespeitosa.

Advogado ganha indenização por pegar trem lotado em SP

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O advogado Felippe Mendonça processou a CPTM por conta da superlotação nos trens; ação estabelece indenização de R$ 15 mil. Rivaldo Gomes/Folhapress

Publicado na Folha de S. Paulo

A Justiça paulista condenou a CPTM (Companha Paulista de Trens Metropolitanos) a indenizar por danos morais um advogado que pegou um trem lotado. A ação estabelece indenização de R$ 15 mil. A companhia pode recorrer.

O advogado Felippe Mendonça, 35, afirma que, no dia 2 de fevereiro do ano passado, embarcou por volta das 18h na estação Pinheiros da linha 9-esmeralda (Osasco-Grajaú), com destino à estação Granja Julieta.

O trem, diz, já estava cheio. “Eu não conseguia sentar, mas a lotação ainda estava normal. Na estação seguinte, o trem ficou lotado”, conta.

Segundo o advogado, tumultos se formavam nas portas dos vagões quando o trem parava nas estações, e os funcionários da CPTM não ajudavam a organizar o fluxo de passageiros. “Eles empurravam as pessoas, buscavam colocar mais gente [no trem].”

Uma estação antes de chegar a seu destino, ele desembarcou. “Desci na estação Morumbi. Tirei fotos e fiz vídeos. Voltei para casa a pé”, conta o advogado.

No dia seguinte, Mendonça entrou com a ação na Justiça. Nela, classificava o transporte como “sub-humano e degradante”.

Em julho de 2012, ele perdeu a causa em primeira instância e recorreu. Na terça-feira, os desembargadores da 16ª Câmara de Direito Privado decidiram, por unanimidade, que Mendonça tem direito à indenização.

“Não tenho carro e uso o transporte público. A minha intenção é que as pessoas lutem por seus direitos”, diz.

Em nota, a CPTM afirmou que vai analisar “as medidas judiciais cabíveis, no momento processual oportuno”.

A companhia informou que agentes operacionais dão orientações aos usuários e ajudam “no fechamento das portas nos horários de pico”.

Segundo a empresa, as obras de modernização e a aquisição de novos trens vão aumentar a oferta de lugares.