fonte: Fan Page Sensacionalista
dica do Douglas Gomes
Publicado originalmente na Folha de S.Paulo
Indicado pelo seu partido para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) não conseguiu ter o nome ratificado no cargo nesta quarta-feira. A eleição para a mesa diretora do colegiado foi adiada após confusão.
“Vou procurar o presidente da Casa e o líder do PT para colocar a questão. Não tenho condições de fazer a eleição com a comissão nesta situação”, disse o deputado Domingos Dutra (PT-MA), que presidia a sessão.
O adiamento ocorreu após pedidos dos deputados Chico Alencar (PSOL-RJ) e Érica Kokay (PT-DF), ex-presidente da mesma comissão. Os dois protestaram contra a indicação de Feliciano, que é pastor evangélico e já externou opiniões consideradas homofóbicas e racistas.
A sessão foi marcada pela presença por muitos militantes da causa em favor dos homosexuais, que gritaram todo o tempo. “O PSC sabia que essa indicação era polêmica “, disse Dutra.
Em seu Twitter, a assessoria de Feliciano afirmou que ele saiu da sessão com “lágrimas nos olhos”, escoltado por seguranças e quase agredido.
Em 2011, Feliciano declarou no Twitter que os “africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé”. Depois, disse que foi mal compreendido: “Minha família tem matriz africana, não sou racista”.
O pastor diz que não é homofóbico, mas afirma ser contra o ato sexual entre pessoas do mesmo sexo.
O papel da comissão é receber e investigar denúncias de violações de direitos humanos e discute e vota propostas na área. E é o presidente da comissão quem determina a pauta dos projetos que devem ser votados.
dica do Moisés Gomes
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Recentemente, postei aqui no blog a participação do Coral Resgate no DVD do Sorriso Maroto. Achei bem legal e muita gente criticou na época da gravação.
No vídeo acima, o caminho foi o inverso. Marquinhos Gomes convidou o sambista (e amigo) Péricles para cantar “Ele não desiste de você“.
Infelizmente, não adiantou colocar um texto bíblico e 1 trecho de oração no início do clipe. Alguns internautas estão há meses discutindo a “união entre luz e trevas”. Até quando?
dica da Ana Cristina

Oficina em Americana (SP) com bolivianos submetidos a trabalho em condições análogas à da escravidão Foto: Apu Gomes / Folhapress
Carlos Bezerra Jr., na Folha de S.Paulo
O Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, lembrado em 28 de janeiro, remete à exploração que parece anacrônica em nossos dias. Mas, infelizmente, só parece: desde 1995, quando a política brasileira contra a escravidão contemporânea começou a ser estruturada, mais de 43 mil pessoas foram libertadas. O total de vítimas do crime, no entanto, deve ser muito maior, segundo fiscais do trabalho.
Nem o Estado mais rico da Federação escapa à essa realidade –em São Paulo, na esteira do lucro a qualquer custo, há empresas que usam dessa exploração para obter ganhos 200% maiores que os da concorrência. O resíduo dessa engrenagem, porém, é o sangue de brasileiros e imigrantes. Há alguns dias, entretanto, esse mecanismo sofreu um duro golpe.
Projeto que elaborei, apontado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como referência mun-dial contra a escravidão, foi transformado em lei pelo governador Geraldo Alckmin.
A lógica da proposta é cortante. Se o trabalho escravo visa ao lucro, então, para combatê-lo, é preciso gerar prejuízo a quem o pratica: a empresa flagrada terá seu cadastro no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cassado. A punição vale a beneficiárias diretas ou indiretas. Aos sócios autuados, será vedada nova inscrição por dez anos.
A medida vai além da defesa de trabalhadores. Abre portas a uma nova lógica de mercado, com regras iguais e concorrência justa. Até agora, empresas vinham se utilizando de escravos para aumentar a produção e diminuir custos: deixavam de contribuir para a seguridade social e para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), não pagavam o piso das categorias, as férias, as horas extras e o 13º salário.
E nada disso, diga-se, redundava em queda no valor final do produto. Ou seja, de um lado, o governo não arrecadava. De outro, o consumidor pagava a conta. Assim, grandes empresas turbinavam suas receitas.
A grife Zara foi acusada de algo parecido. Depois das operações do Grupo de Erradicação do Trabalho Escravo Urbano, da Superintendência do Trabalho de São Paulo, porém, a multinacional viu suas ações caírem cerca de 5% e arcou com quase R$ 5 milhões em autuações. Sem falar na chance de entrar para a “lista suja”, cadastro de empregadores flagrados nessa exploração.
Trabalho escravo é questão social. Mas é também assunto econômico. Na Califórnia, empresas são obrigadas a relatar o que fazem para combatê-lo. O assunto é recorrente em seminários da Universidade de Manchester (Reino Unido) e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA). E, no Brasil, mobilizou cerca de 400 empresas que bloquearam produtos feitos com essa exploração, compondo o Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.
Ao decretar tolerância zero a esse crime, São Paulo passa a seguir essa tendência, acreditando que a luta contra o trabalho escravo não apenas assegura dignidade a trabalhadores, mas dá à sua economia diferencial que servirá de exemplo ao país. O mercado saberá: o que é produzido em território paulista é feito com transparência. A lei trará mudança de cultura, avanço social e novos dividendos ao empresariado que cumpri-la.
Ganham os paulistas, ao fazer de seu Estado um lugar onde o lucro a qualquer custo jamais se sobreporá aos direitos humanos. Ganha o Brasil, ao receber a medida que mais gerará prejuízo a escravagistas desde a Lei Áurea.
CARLOS BEZERRA JR., 44, médico, é deputado estadual e líder do PSDB na Assembleia Legislativa de São Paulo

Baby: “Minha história está ficando bem delineada para todas as gerações” (Foto: Stefano Martini / Editora Globo)
A cantora conta a ÉPOCA que recebeu autorização divina para voltar a apresentar seus antigos sucessos depois de quase 20 anos no gospel. Seu show, que tem atraído uma legião de jovens por onde passa, chega a São Paulo
Danilo Casaletti, na Época
Pouco mais de dois meses se passaram entre o dia em que Baby do Brasil recebeu o convite do filho, o guitarrista Pedro Baby, para voltar a cantar seus antigos sucessos e o primeiro show, no Rio de Janeiro, no final de novembro de 2012. A volta de Baby para o repertório profano, ou “secular”, como ela prefere chamar, aconteceu depois de quase 20 anos voltados à música gospel. Foi um sucesso. De público e de crítica.
Antes de topar a volta, Baby diz que orou. Muito. Pediu autorização a Deus para encarar o desafio proposto pelo filho. Depois, para deixar de lado, nesse projeto, as canções gospel, um pedido do filho. Segundo ela, tudo foi autorizado. “Não foi nada programado. E, da noite para o dia, todo mundo agora quer ver o show. É a mão de Deus. Não tenho dúvida”, diz Baby.
Baby Sucessos já foi apresentado, depois do Rio, em Salvador e Santo Amaro da Purificação (interior da Bahia, terra de Caetano Veloso e Maria Bethânia). Neste fim de semana, no dia 3 de fevereiro, chega a São Paulo, no HSBC Brasil. No Carnaval, vai a Recife e Fortaleza. O bloco gospel que Baby levaria para a folia baiana foi cancelado. Baby está sendo empresariada por Paula Lavigne. O filho, Pedro, cuida da parte musical.
A plateia do show, em sua maioria, é formada por gente jovem. Público que não viu o sucesso do grupo Novos Baianos – Acabou chorare, disco histórico da trupe formada por Baby, Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Dadi, é de 1972 – ou o lançamento de canções como Menino do Rio (1979), Telúrica (1981), Todo dia era dia de índio (1981) e Sem pecado, Sem juízo (1985). “Estou indo cada vez mais para algo feliz, alegre, criativo. E essa é uma linguagem da juventude”, diz Baby.
Confira a entrevista com a cantora:
ÉPOCA – Você está surpresa com a repercussão e o sucesso do show?
Baby do Brasil – Está sendo muito gostoso. Algo muito louco. Não foi nada programado. Foi tudo pela mão de Deus. Algo matrix! (risos). Deus já tinha me avisado que eu iria receber um convite. Uma semana depois desse aviso, Pedro (Baby, seu filho com Pepeu Gomes) me ligou e me convidou para fazer o show. Fui orar para saber de Deus se aquele era o momento. Tive uma palavra vinda de um profeta aí de São Paulo. No meio de um culto, ele me disse: “Deus está procurando os daniéis para entrarem na Babilônia”. É o Daniel da cova dos leões, saca? Isso confirmou que Ele me ungia para entrar novamente nessa babilônia. Pedro me disse que não queria nada gospel no repertório e eu fui orar novamente para saber se Deus me autorizava. E Ele autorizou.
ÉPOCA – Mas por que pedir essa autorização? Tem alguma música nesse repertório que você não cantaria por questões religiosas?
Baby – Não. Quando Pedro me mostrou as canções selecionadas, eu percebi que todas elas eram muito espirituais. E ele me disse que queria que as pessoas vissem que eu sempre fui assim. O grande barato é que todas elas, assim como as que compus para o gospel, não têm um cunho religioso que possa setorizar, colocar as pessoas em uma situação religiosa. Pedro dirige o show muito bem. Ele buscou pessoas muito queridas para que o clima ficasse parecido com aquele que ele cresceu, de união, de alegria entre os músicos. Eu e Pepeu sempre tivemos uma relação de criatividade com nossos músicos, nunca uma coisa meramente profissional. Pedro quis reproduzir isso para que eu pudesse me sentir o mais à vontade possível.
ÉPOCA – Você já pensava em fazer algo revisitando seus grandes sucessos? Estava com saudades de cantar algo fora do gospel?
Baby- Não estava pensando. Estava envolvida só com meu projeto gospel, que nem visava lucro. Mas tudo o que é meu, seja gospel ou não, é muito louco. Eu não saberia me reinventar. Teria que ser algo excelente, assim como o Baby Sucessos está sendo. Queria, inclusive, que todo mundo se sentisse igual: eu, a banda e o público. E vindo do meu filho, um cara que eu pari, fica melhor ainda. Pedro é um homem fantasticamente consciente. Tem a guitarra como o pai, o violão como João Gilberto. Canta, compõe. É preferidíssimo de nove entre dez cantoras (risos).
ÉPOCA – O Pedro toca com a Gal. Rolou um ciúme de mãe?
Baby – Não! Fiquei muito honrada. Achei lindo. Pepeu tocou com Gal no show Fatal (1972) e, agora, é o Pedro, o filho. E a Gal tem uma participação importante no convite que o Pedro me fez. Ela foi usada por Deus. Certo dia, Gal chamou o Pedro e disse: “Deve ser a maior felicidade para a mãe tocar com o filho”. E eu já estava querendo sentir essa felicidade, já o havia chamado para tocar no gospel, mas ele não aceitou. A Gal pegou todos os meus filhos no colo. Quando minha primeira filha nasceu, ela mandou presentinhos. Sempre tivemos um carinho muito grande uma pela outra. Gal é uma mestra do canto. É uma das pessoas que mais me influenciaram na doçura do cantar.
ÉPOCA – A maioria do público desses seus shows é jovem. Muitos não foram contemporâneos da sua carreira. Isso aumenta sua responsabilidade como artista, como portadora de uma mensagem?
Baby – Os pais me apresentaram a eles. Mostraram desde os Novos Baianos até o que eu sou hoje, “aquela do cabelo roxo”. Hoje mesmo no aeroporto, os pais com uma menina de três anos vieram falar comigo. A menina sabia cantar uma música que gravei para o Balão Mágico. Eu fiz um vídeo com ela, no telefone do pai. Outro dia, uma mãe falou para uma criança de nove anos: “Olha lá, aquela de cabelo colorido é a Baby Consuelo”. O filho respondeu “Não. É a Baby do Brasil”. Estou indo cada vez mais para algo feliz, alegre, criativo. E essa é uma linguagem da juventude. Com a idade, a tendência é ficar séria. Eu não. Fico mais brincalhona, mais feliz, justamente por esse meu lado mais espiritual. Está dando uma liga bem bacana. A história da Baby está ficando bem delineada para todas as gerações. Essa responsabilidade de dizer alguma coisa não me pesa. Não tenho problema com isso
ÉPOCA – Mas os jovens também se sentem atraídos por o que você representou nos anos 1970, 1980. Você exalava liberdade, contestação…
Baby – Mas os jovens de hoje procuram algo a mais também, sabia? Não é um jovem preso na ditadura, diante de uma sociedade careta. É um jovem mais espiritualizado. E meu visual, meu cabelo, minha roupa, meu jeito de ser, conecta com à ideia de que todo mundo é livre para criar. E outra: eles estão cansadíssimos de determinados tipos de música. Estão tentando resgatar algo que ficou perdido por aí. A menina dança, por exemplo, é um sucesso estrondoso. Cósmica e Um auê com você, se bobear, eu nem consigo cantar, todo mundo canta junto. É uma delícia!
ÉPOCA – Você fez 60 anos. A idade pesa?
Baby – Não. Está sendo o maior barato. Eu sempre pedi a Deus para envelhecer bem, com muita energia, cabeça. E muito louca, sempre (risos).
ÉPOCA – Quando você se voltou mais a Deus e deu um direcionamento gospel à sua carreira, sofreu preconceito de colegas de profissão ou do público?
Baby – Quando eu me converti, teve muito susto. Tanto do lado gospel, quanto do lado secular. Ninguém entendeu o que estava acontecendo. “O que essa mulher está querendo?.” Mas eu nunca me preocupei em combinar com nada. Eu tive um arrebatamento e conheci a eternidade. Fui ao céu, vi o babado todo, sem drogas. O que eu iria fazer com isso? Não poderia esconder. Tive que ser eu. E, mais uma vez, louca. Mas sempre entendi tudo. Quando chega alguém mais agressivo, eu perdoo logo de cara. Sei entender muito bem.
ÉPOCA – E agora? O povo do gospel também se assustou por você ter voltado ao “secular”?
Baby - Sim. Teve muito susto. Mas, quando eu soube que era de Deus, sabia que todo mundo que estivesse com o Espírito Santo, iria entender. A mensagem iria chegar. Agora, tenho recebido muitos e-mails de pastores me dizendo “é de Deus!”. Deus é dono da parada toda.
ÉPOCA – Vai sair um DVD com esse show?
Baby – Já existem negociações. Mas estamos analisando. Queremos fazer o melhor para o público. Um som maravilhoso, com nível para ser apresentado em qualquer país do mundo.
ÉPOCA – E neste Carnaval? Vai sair novamente com seu trio gospel?
Baby – Eu cancelei. Queria fazer algo muito bem feito. No ano passado, tivemos as arquibancadas todas lotadas em Salvador e uma revista disse que não tinha ninguém. Sabe o que aconteceu? O trio abriu o domingo de Carnaval, à uma hora da tarde. Não havia povo no chão, só nas arquibancadas. Saímos puxando para os outros blocos. Então, diante do sucesso do show Baby Sucessos, eu não queria fazer algo menor para o gospel. Vou deixar (o trio gospel) para o ano que vem. Neste ano, vou sair com o Baby Sucessos em Recife e Fortaleza.