Maioria dos moradores de rua são homens desiludidos com o amor

João de Paula Ribeiro conversa com a coordenadora do Creas-Pop Renata Cristina Correa da Silva em praça de Ribeirão Preto-SP (foto: Edson Silva/Folhapress)
João de Paula Ribeiro conversa com a coordenadora do Creas-Pop Renata Cristina Correa da Silva em praça de Ribeirão Preto-SP (foto: Edson Silva/Folhapress)

Publicado na Folha Ribeirão

Há 30 anos, João de Paula Ribeiro, 52, tinha um casamento aparentemente feliz, quatro filhos, casa, carro, um comércio e uma profissão em Serrana (313 km de São Paulo), sua cidade natal.

Hoje, ele passa o dia nas ruas de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), come o que os outros dão, toma banho quando arruma um lugar, ingere bebida alcoólica a todo momento e tem um barraco em uma favela na zona norte, que pouco frequenta.

Essa reviravolta aconteceu depois que a mulher o abandonou e o trocou pelo sócio de sua própria empresa. A desilusão amorosa acabou com os sonhos de toda a vida, com a vontade de seguir em frente e com as perspectivas de um futuro com a família.

Segundo dados do Creas-Pop, ao menos 92% dos moradores de rua são homens e uma grande parte é usuária de drogas, ingere álcool com frequência e já sofreu alguma desilusão amorosa.

Ele não gosta muito de falar sobre a própria vida. Com olhar triste, barba grande e um chapéu escondendo os cabelos brancos, Ribeiro tenta abafar a tristeza do passado com as pessoas que conheceu nas ruas.

“Sou feliz aqui com meus amigos. Visito os meus filhos de vez em quando, mas não gosto de depender de ninguém”, disse Ribeiro.

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Em dez anos, 50 mil presos não voltam de saída temporária em SP

Marina Gama, na Folha de S.Paulo

Mais de 50 mil detentos beneficiados com a saída temporária nas datas comemorativas, como Dia das Mães e Natal, não retornaram aos presídios do Estado de São Paulo nos últimos dez anos.

É o que mostra um levantamento de 2003 a 2012 feito pela SAP (Secretaria da Administração Penitenciária) a pedido da Folha.

O total, 50.108 presos, equivale a quase toda população carcerária de Minas e preencheria 65 unidades prisionais em São Paulo –o Estado tem 156.

O índice dos que não voltaram oscila muito durante os dez anos. Em 2003, era de 7,5%. Em 2012, de 5,5%.

A saída temporária é um direito previsto em lei e depende de autorização judicial. Os condenados que cumprem pena em regime semiaberto e têm bom comportamento podem pedi-la.

Na prática, porém, quase todos os presos que estão no regime semiaberto são colocados nas ruas. No final do ano passado, por exemplo, dos 23.254 presos no regime semiaberto, apenas sete deles não tiveram o benefício concedido.

Para o procurador de Justiça Pedro Juliotti, grande parte dos que não voltam o faz para cometer crimes.

É o caso de Diego Campos, 20, suspeito de matar o menino boliviano Brayan Capcha, 5, mês passado. Condenado por roubo, ele fora beneficiado pela Justiça com a saída do Dia das Mães.

Também foi numa dessas saídas que o preso Francisco Antonio Cesário da Silva, o Piauí, ligado ao PCC, ordenou a morte de seis PMs em 2012, segundo a Secretaria de Segurança Pública. Ele foi preso meses depois em Santa Catarina.

PROJETO DE LEI

Casos com o de Brayan e Piauí levaram a senadora Ana Amélia (PP-RS) apresentar um projeto de lei para endurecer a concessão do benefício. O projeto deve ser voltado na Comissão de Constituição e Justiça ainda este ano.

Atualmente, a lei permite o benefício após o preso entrar no regime semiaberto, independentemente de o detento ser ou não reincidente. No projeto de lei, a saída temporária deverá ocorrer apenas uma vez ao ano e ser concedida somente aos primários.

Ana Amélia admite que as prisões são “oficinas do crime”, mas diz que o projeto responde ao “sentimento de impunidade” da população. “O pessoal dos direitos humanos vai achar que isso é muito radical, mas estou preocupada com a população, com as pessoas que estão reféns do crime.”

O comandante-geral da PM, coronel Benedito Meira, defende a mudança da legislação e diz que a recaptura dos presos é um “retrabalho” para a polícia. “Um dos grandes fatores que contribuiu para essa sensação de insegurança não é a falta de policiamento, mas principalmente a impunidade (…). E a impunidade está relacionada com a benevolência da lei.”

Segundo, o coronel, há muitos casos de detentos que cometem crime no mesmo dia em que saem às ruas.

A ideia é corroborada pelo procurador de Justiça Pedro Juliotti, que vai mais além ao afirmar que o benefício deveria acabar.

“Não deveríamos ter mais a saída temporária. Ela deveria ser extinta pois não se justifica na situação de criminalidade que nós enfrentamos”, disse o procurador que, no final do passado, pediu à Justiça que detentos comprovadamente ligados a facções, como o PCC, tivessem suas saídas barradas. O pedido foi negado. Na ocasião, 1.478 presos (6,5% dos beneficiários) não retornaram a prisão.

MODELO PROGRESSIVO

Para o coordenador do programa de justiça da ONG Conectas, Rafael Custódio, o projeto de lei propõe o rompimento do modelo progressivo do cumprimento de pena adotado no país–que prevê o retorno do preso ao convívio social gradativamente.

“Esse modelo deve ser fortalecido e melhorado. Não é o caso de regredirmos nessa discussão”, disse. Entre suas características estão a concessão do regime semiaberto e as saídas temporárias após o detento cumprir um período da pena.

“No Brasil é comum se fazer políticas públicas do sistema prisional com base nas exceções do sistema”, afirmou ao apontar a minoria não retorna às prisões. Segundo Custódio, o projeto de lei da senadora pode aumentar a tensão entre os presos, que já vivem em condições desumanas.

O sociólogo e professor da USP Álvaro Gullo corrobora a ideia. Segundo ele, um dos principais fatores que contribuí para os presos não retornarem são as condições das prisões do país.

Ele ressalta ainda que se a mudança da lei pode culminar numa rebelião em todo o sistema carcerário. “A criminalidade não reduz com o endurecimento das leis, mas com a melhoria das condições de vida da população.”

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Creio em Ti, Senhor… até a epifania

epifania

Publicado por Lou Mello

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

Clarice Lispector

 

Creio em ti, Senhor

Deus é amor, pai, senhor…

Já tive fé de menino inocente, daquelas capazes de mover montanhas, embora nunca tenha cometido tal desatino. Nunca vi, se bem me lembro, mas tinha certeza dos milagres, sinais e maravilhas.

Não sei em qual proporção, mas defendi Deus com unhas e dentes muitas vezes. Em grande parte delas, fiz sem esperar reciproca ou contrapartida. Enquanto o exaltava, podia estar sem trabalho, e sem trabalho, não havia dinheiro para levar uma flor para  minha amada ou um chocolate para meus filhos, muito menos para manter as contas em dia. Tal era a certeza de que um dia veria a epifania com esplendor do criador pairando diante de mim e nada disso teria a menor importância.

Os dias, semanas, meses e anos foram passando, um abismo chamando outro, tempestades sem chuvas serôdias, manhas sem alvorecer, tardes de ocasos pobres e noites sem luar. Lembro-me de um amigo pastor falando durante bom tempo de quase todas as coisas boas que os evangelhos prometiam me dar e da minha resposta em uma frase a ele: “Sem dúvida, gostaria de receber tudo isso agora se Deus quisesse me dar”.  Mas nunca aconteceu.

Minhas palavras de refrigério agora são as tais consolações dos vira-latas. “Deus é Deus da vida e da morte”. “Não há lideres verdadeiros que nunca tenham sofrido.” “O amor de Deus não pode ser entendido pelo homem.” E assim vai.

Me pego tramando, o tempo todo, contra mim mesmo. Você estava errado. Sua teologia era menor. Deus nunca foi como você imaginava. Então quem era Deus? Digo a mim mesmo que preciso crer que Deus controla a vida de todos nós, a todo instante. Constato a impossibilidade de viver sem fé e clamo ao Criador que me contrarie para que eu volte a crer. Crer na oração, nas pessoas, em mim mesmo e em Deus.

Creio em Ti… Desventurado homem que sou.

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Deus não se importa se você fuma maconha

Pastores norte-americanos fazem seminário sobre descriminalização das drogas

Publicado originalmente no Huffington Post

Uma rede de pastores nos Estados Unidos se reuniu para se manifestar contra a chamada “guerra às drogas” e o efeito devastador dessa guerra atingindo principalmente a comunidade negra.

Na conferência chamada “Uma visão a partir do púlpito: líderes religiosos e a descriminalização das drogas”, realizado na American Baptist College, em Nashville, líderes religiosos focaram seus discursos na questão da injustiça moral das leis antidrogas, e não apenas na moralidade das drogas em si.

Em nota divulgada à imprensa antes da conferência, os participantes em potencial foram alertados de que os afro-americanos representam apenas 13% da população dos EUA e são também apenas 13% dos usuários de drogas no país. Entretanto, os negros compõem 38% dos detidos por violações da lei de drogas e 59% dos condenados por violações às leis antidrogas americanas são afro-americanos.

Rev. John Jackson
Rev. John Jackson

O reverendo John Jackson, da Trinity United Church of Christ, em Gary, Indiana, falou para as câmeras (veja o vídeo acima) acerca de suas crenças sobre Deus e maconha:

“Recebo várias pessoas que vêm se aconselhar comigo e dizem: ‘Reverendo, fumo maconha e sei que não devia fazer isso’. Eu as interrompo na mesma hora e digo: ‘Não acredito que o Deus a quem servimos é tão pequeno ou miserável para se preocupar com você fumando maconha. Não penso que Deus se preocupe com isso’. Eu quero que as pessoas saibam que o nosso Deus é grande demais para se preocupar com alguém fumando um baseado.”

Esse grupo de pastores negros tem um companheiro inusitado em sua militância, o televangelista Pat Robertson, que ano passado sinalizou para seu público, em grande parte conservador, que ele também seria favorável à descriminalização das drogas:

“É chocante como muitos desses jovens acabam na prisão e se transformam em criminosos de alta periculosidade porque estavam de posse de pequenas quantidades de substância controlada [em alguns estados americanos, o uso da maconha é liberado para tratamento médico]. A coisa toda é uma loucura.”

A conferência foi patrocinada pela “The Samuel Dewitt Proctor Conference”, pelo “American Baptist College” e pelo “Drug Policy Center”.

tradução: Tom Fernandes

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10 coisas que você não sabia sobre você

Natasha Romanzotti, no HypeScience

O corpo humano é uma engenhoca complexa. É uma mistura de todos os tipos de líquidos e produtos, que realiza todos os tipos de atividades. Que tal explorar um pouco sobre a forma misteriosa que o seu corpo funciona?

1. SEU ESTÔMAGO SECRETA UM ÁCIDO CORROSIVO

Suas células secretam ácido clorídrico no estômago, um composto corrosivo usado para tratar os metais no mundo industrial. Não se preocupe: o revestimento mucoso da parede do estômago mantém o líquido venenoso em segurança no sistema digestivo, “quebrando” o seu almoço.

2. A POSIÇÃO DO SEU CORPO AFETA SUA MEMÓRIA

Não consegue se lembrar da data de seu casamento? Tente ficar sobre um joelho. Um novo estudo sugere que as pessoas lembram mais rápido e melhor de algum evento se o seu corpo estiver na mesma posição que estava quando o episódio aconteceu.

3. OSSOS ENTRAM EM COLAPSO PARA EQUILIBRAR MINERAIS

Além de apoiar os órgãos e músculos, os ossos ajudam a regular os níveis de cálcio. Eles contêm fósforo e cálcio, o último necessário nos músculos e nervos. Se o elemento está em falta, certos hormônios fazem com que os ossos “desmembrem-se” até a concentração adequada extracelular ser atingida.

4. GRANDE PARTE DE UMA REFEIÇÃO É ALIMENTO PARA O CÉREBRO

Embora represente apenas 2% do nosso peso corporal total, o cérebro exige 20% de oxigênio do corpo e calorias. Três principais artérias cerebrais bombeiam constantemente oxigênio pro cérebro, mas a obstrução ou ruptura em uma delas faz com que as células cerebrais “morram de fome” sem a energia de que necessitam para funcionar, prejudicando as funções controladas por essa região. Essa é a causa de um AVC.

5. MILHARES DE ÓVULOS PRODUZIDOS PELO OVÁRIO NÃO SÃO UTILIZÁVEIS

Uma adolescente tem em média 34.000 folículos de óvulos subdesenvolvidos, embora, durante toda a sua vida, somente 350 ou pouco mais amadureçam, à taxa de cerca de um por mês. Os óvulos não utilizados, em seguida, se deterioram.

6. PUBERDADE REMODELA ESTRUTURA DO CÉREBRO

Hormônios como a testosterona influenciam o desenvolvimento dos neurônios no cérebro, e as mudanças feitas em sua estrutura tem muitas conseqüências comportamentais, como constrangimento emocional, apatia e dificuldade na tomada de decisão enquanto regiões do cérebro como o córtex frontal amadurecem.

7. CÉLULAS COM CÍLIOS AJUDAM A POR O MUCO PRA FORA

Células que tem cílios ajudam em uma variedade de funções, desde digestão à audição. No nariz, os cílios ajudam a drenar o muco da cavidade nasal até a garganta. O frio retarda esse processo de drenagem, e o muco que sobra seu corpo assopra pra fora. Membranas nasais inchadas ou condensação também podem causar uma “ranhada”.

8. CÉREBROS GRANDES CAUSARAM BOCAS MAIS LIMITADAS

Você deve se perguntar qual a utilidade de ter um dente do siso a não ser para dar dinheiro aos dentistas que os removem. Porém, há muito tempo atrás, os dentes do siso tinham uma utilidade: serviam para triturar carne. Mas quando nosso cérebro cresceu, nossa estrutura maxilar se modificou, fazendo com que nossa boca ficasse “superlotada”.

9. EU RIO, VOCÊ RI

Se alguém ao seu lado boceja, logo bate a vontade em você também. Com o riso acontece a mesma coisa: ouvi-lo estimula uma região do cérebro associada com movimentos faciais. O mimetismo tem um importante papel na interação social. Momentos como espirrar, rir, chorar e bocejar podem ser uma forma de criar fortes laços sociais dentro de um grupo.

10. SUA PELE TEM QUATRO CORES

Toda pele, sem cor, parece branco cremoso. Os vasos sanguíneos perto da superfície da pele adicionam um toque de vermelho. Um pigmento amarelo também acrescenta tonalidade à pele. Finalmente a melanina, criada em resposta aos raios ultravioleta, aparecem em grandes quantidades nos negros. Estes quatro pigmentos misturados em diferentes proporções criam as cores de pele de todos os povos da Terra.

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