Jogadores católicos e evangélicos querem retirar mascote do Guarani – índio caboclo – do uniforme

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Título Original: Pedido de elenco faz Guarani sacar índio caboclo de uniforme e vestiário

Publicado no Globo Esporte

Sobrou para o índio caboclo. Em má fase na Série C do Campeonato Brasileiro, já que não vence há quatro rodadas, o elenco do Guarani pediu à diretoria que retirasse a imagem dos uniformes e também do vestiário do Brinco de Ouro. O assunto foi conversado entre jogadores e comissão técnica, antes do treinamento desta quinta-feira de manhã, em Campinas.

O símbolo funciona como uma espécie de protetor do Guarani. Direta ou indiretamente, faz parte da rotina do clube desde a inauguração do Brinco de Ouro, no início dos anos 50, sob a administração do então presidente Jayme Silva. A imagem ficou mais concreta em 1977, quando o índio foi pintado na calçada do portão de entrada do estádio. Curiosamente, na temporada seguinte, o Bugre atingiu a maior glória de sua história: o título do Campeonato Brasileiro.

O tema já era motivo de discussão desde a colocação do símbolo nos uniformes, a pedido do presidente Álvaro Negrão, logo nas primeiras rodadas da Série C. Apesar de nunca admitirem oficialmente, alguns atletas se incomodaram com a importância dada à imagem em detrimento ao desempenho dos jogadores.
A questão também atinge o aspecto religioso: a figura do índio caboclo é ligada a crenças da umbanda e também ao espiritismo. Por essa razão, católicos e evangélicos enxergam a figura do índio caboclo de maneira diferente, o que provocou um “racha ideológico” no vestiário bugrino. Desde a primeira partida com o símbolo no peito (goleada por 5 a 1 para o Guaratinguetá, em Americana), o incômodo estava claro nas conversas entre integrantes do elenco e também da comissão.

O ápice foi nesta semana, quando o técnico Evaristo Piza levou um grupo de amigos pastores para conversar com o elenco, antes do treino desta quinta-feira de manhã. No bate-papo, surgiu o assunto do índio caboclo, que, a partir do jogo contra o Madureira, no sábado, não fará mais parte do uniforme. A diretoria acatou o pedido sem questionamentos.

– Para uns, incomoda. Para outros, não. O evangélico não acredita na imagem, é insignificante. O católico já acha que é um símbolo do candomblé. O que nos foi passado é que é um símbolo do Guarani. O pedido dos jogadores foi para tirar. Eles iam se sentir mais confortáveis para atuar. Isso foi atendido. Estamos fazendo de tudo para que os jogadores fiquem confortáveis – explicou o comandante, em apoio ao elenco.

Os números do índio caboclo em campo também não são favoráveis. Em seis jogos com o “talismã” no peito, o Bugre conquistou uma vitória, três empates e duas derrotas (sequência que mantém o clube entre os últimos colocados do Campeonato Brasileiro). Os jogadores têm a chance de provar que estão certos na próxima rodada, contra o Madureira, no Rio de Janeiro.

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Malafaia processará site que tenta cassar seu registro de psicólogo

Tomás Rangel/Folhapress
Tomás Rangel/Folhapress

Anna Virginia Balloussier, na Folha de S.Paulo

O pastor evangélico Silas Malafaia disse na quarta-feira (20) que vai processar por “assédio moral” o site Avaaz.org e seu diretor de campanhas no Brasil, Pedro Abramovay, ex-secretário nacional de Justiça.

Líder da igreja carioca Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Malafaia virou tema de dois abaixo-assinados na Avaaz. O primeiro, criado no dia 8, pedia que seu registro de psicólogo fosse cassado. A essa ação, uma reação: um evangélico do Rio Grande do Sul lançou uma petição pela “não cassação” do religioso.

O segundo pleito, contudo, que chegou a reunir 65 mil assinaturas pró-Malafaia (contra 55 mil adesões do texto revés), foi excluído do site.

A Avaaz é uma organização internacional surgida em 2007 que promove campanhas virtuais, usando a internet para coletar assinaturas. “Avaaz” significa “voz” em algumas línguas orientais.

Por aqui, o site abrigou causas a favor dos índios guarani-caiová e da saída do presidente do Senado, Renan Calheiros, por exemplo.

A regra prevê que uma campanha seja vetada se “ferir os princípios da própria comunidade”, diz Abramovay.

‘DOUTOR’ SILAS

Malafaia considera a Bíblia o “maior manual de comportamento humano do mundo”. Mas decidiu se especializar também na ciência de Freud e, em 2006, pegou seu diploma de psicologia de uma universidade particular do Rio.

Seu título de “doutor”, contudo, está a perigo. A Folha apurou que o Conselho Regional de Psicologia do Rio avalia, em processo que corre em sigilo, se deve cassar seu registro profissional.

A pressão contra Malafaia começou após uma entrevista no programa “De Frente com Gabi” (SBT), de Marília Gabriela, há três semanas.

O pastor defendeu a “ordem cromossômica de macho e fêmea” e criticou a adoção de crianças por casais homossexuais: “Não acredito que dois homens possam criar uma criança perfeita”.

A petição contra Malafaia se baseia em artigo do Conselho Federal de Psicologia que proíbe tratar homossexualidade como transtorno.

Ontem, Abramovay disse à Folha que a contrapartida favorável ao pastor era “lobby para práticas homofóbicas”.

Após a declaração, Malafaia afirmou que entrará na Justiça contra ele. Definiu a exclusão da campanha que o favorecia como “afronta à democracia”. “[Abramovay] Vai ter que provar que sou homofóbico. Vou lascar esse cara.”

Abramovay rebateu: “Ele pode abrir essa petição onde quiser. Mas não na Avaaz”.

O pastor diz que nunca atendeu homossexuais no divã. Já no púlpito, “a fila é grande”, afirma.

Ele abriu em seu site, Verdade Gospel, abaixo-assinado em sua defesa. Até ontem, eram 122 mil adeptos. Já a campanha contra ele na Avaaz tinha 70 mil assinaturas.

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Facebook bloqueia uso de “Guarani-Kaiowá” no sobrenome de usuários

Membros da rede aderiram o nome indígena como forma de manifestar apoio à aldeia homônima, que em 2012 chamou atenção do público por luta contra fazendeiros

publicado no IDGNow

Desde segunda-feira (7/1), o Facebook passou a banir o uso do termo “Guarani-Kaiowá” no perfil dos usuários da rede. As informações são de Vânia Carvalho, um dos membros da rede que foi obrigada a apagar o nome alternativo do seu perfil, sob o risco de ter a conta suspensa.

“Me sentia feliz e orgulhosa em assinar o nome Vânia Carvalho Guarani Kaiowá Munduruku Awá no Facebook, uma forma de, publicamente, declarar o apoio aos Povos Indígenas, de demonstrar a indignação com o massacre diário que essas populações vem sofrendo”, disse a usuária, em um post no blog Portal de Agroecologia da Amazônia. “O Facebook está impedindo as pessoas de permanecerem com sobrenomes indígenas, embora aceite nomes como ‘bolinha’, ‘machão’, ‘fofinha’”, completa.

 

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Rede social obriga usuária a retirar termo do perfil

Além de Vânia, outros membros da rede também inseriram o complemento indígena ao nome verdadeiro do usuário. A manifestação na página teve início no final do ano passado como forma de protesto à ordem judicial, que determinava a retirada dos índios Guarani-Kaiowá da aldeia que habitavam, no Mato Grosso do Sul, para que fazendeiros pudessem reaver as terras ocupadas.

Mesmo depois de suspensa a liminar em outubro do ano passado, membros da plataforma social mantiveram seus nomes como forma de apoio à comunidade indígena.

Vale lembrar que a política de uso do Facebook permite ao usuário utilizar apelidos ou nomes de solteiro, por exemplo, como forma alternativa para o nome de usuário. Variações do nome completo também podem ser utilizados (como por exemplo Carol, em vez de Carolina). Termos relacionados a conteúdo ofensivo ou sugestivo e ainda caracteres especiais, não são permitidos.

Além disso, a rede social limita o número de vezes em que um indivíduo pode alterar o nome real – se tentar uma mudança diversas vezes, a opção para digitar um novo nome é desabilitada do perfil.

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