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Mulher cria jardim com granadas desativadas para pedir paz na Palestina

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Publicado no Hypeness

Esta não é a primeira vez que flores são usadas para protestar contra a guerra, mas a originalidade não quer dizer muito em situações como esta. Na pequena vila de Bilin, perto da capital Ramallah, na Palestina, uma mulher criou um jardim para homenagear os civis mortos durante os conflitos entre Israel e a Palestina. As flores foram plantadas em granadas desativadas.

Num incrível sinal de resistência, esta mulher acumulou granadas durante as ofensivas dos soldados israelenses e dos locais palestinianos, decidindo depois ‘plantá-las’ num lugar que a Palestina reclamou como seu, dois anos atrás. A batalha judicial acabou originando a construção do Muro da Cisjordânia, uma controversa barreira erguida pelos israelenses que, quando concluída, terá mais de 700 km de extensão.

Mohammed Khatib, um dos organizadores da vila onde o jardim foi feito, afirma que o objetivo é mostrar que a vida pode nascer também da morte. O uso de uma arma como recipiente para plantas é uma ótima forma de chamar a atenção para uma região cansada de guerra e de perdas humanas dos dois lados.

Por agora, e até que esperamos que o conflito se resolva, resta a satisfação de ver que a guerra ainda não destruiu tudo, muito menos a esperança das pessoas.

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Todas as fotos © Majdi Mohammed

PSC deseja tirar aborto legal da tabela do SUS

Publicado por Josias de SouzaGravidaAgSenaDivulgacao3

O PSC, partido do presidenciável-pastor Everaldo Pereira, quarto colocado nas pesquisas eleitorais, declarou guerra à Portaria 415. Anunciou por meio de nota que recorrerá à Justiça para tentar anular a novidade. Editada pelo Ministério da Saúde e publicada no Diário Oficial de quinta-feira (22), a portaria alterou a forma de registro dos casos de aborto previstos na Constituição. E elevou de R$ 170 para R$ 443 o valor que o SUS paga aos hospitais pelo procedimento.

Na visão fundamentalista do PSC, a portaria “oficializa o aborto no nosso país”. E o recurso ao Judiciário “atende o clamor dos brasileiros que vêem na medida do governo uma brecha para a oficialização da interrupção da vida.” Em verdade, o que a pasta da Saúde fez foi aperfeiçoar o que já era oficial por força da Constituição aprovada pelo Congresso constituinte de 1998.

O texto constitucional autoriza o aborto em situações muito específicas: quando a gravidez decorre de estupro, quando a mãe corre risco de morrer ou quando o feto é diagnosticado com anencefalia. São esses os casos que têm as despesas cobertas pelo SUS. Coisa já discutida e avalizada em julgamento do STF.

O problema é que o aborto legal vinha sendo lançado nos registros oficiais como “curetagem”, um tipo de procedimento usado noutras situações além do aborto. A portaria criou uma categoria mais específica: “interrupção da gestação ou antecipação do parto”. O que tornará as estatísticas da Saúde mais precisas.

Quanto ao reajuste da tabela de preços, visa sanar uma anomalia. Os R$ 170 que o SUS vinha pagando pela “curetagem” não cobriam as despesas de um aborto, procedimento mais complexo. Em consequência, muitos hospitais recusavam-se realizar os abortos previstos em lei.

Inconformado, o PSC escreveu em sua nota que “não apenas rejeita veementemente esta proposição, como também denuncia e conclama todos os brasileiros a se posicionarem contra esta iniciativa nefasta.” A legenda acusa a gestão de Dilma Rousseff de permitir que “os mais caros valores da vida sejam ultrajados e desrespeitados por posições adversas ao seu povo.”

Edir Macedo ‘chuta’ Valdemiro Santiago da TV aberta

O "apóstolo" Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial, prega durante culto na praça Campo de Bagatelle, em São Paulo (foto: Helio Hilariao/Folhapress)

O “apóstolo” Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial, prega durante culto na praça Campo de Bagatelle, em São Paulo (foto: Helio Hilariao/Folhapress)

Ricardo Feltrin, no F5

O apóstolo Valdemiro Santiago e sua Igreja Mundial nunca sofreram tanto como em 2014. Dois anos atrás, o religioso ocupava mais de 1.200 horas de programação na TV aberta brasileira todos os meses. Ele e seus pastores pregavam 22 horas por dia no canal 21 (UHF), outras 6 horas diárias na CNT (UHF), 4 horas na Band, 6 horas na RedeTV! e outras 3 horas na Gazeta.

HISTÓRIA VITORIOSA ATÉ QUE…

A Mundial tirava fiéis de outras igrejas, Valdemiro insuflava a plateia e criticava Edir Macedo; passou a comprar rádios e outros veículos no interior do Brasil e no mundo inteiro; adquiriu propriedades, fazendas; abriu templos quase que diariamente em algum ponto do país. Negociou até a compra de um canal de TV fechado nos EUA. Gabola, se sentindo extremamente poderoso, o autointitulado apóstolo “profetizou” então que em dois anos sua igreja seria maior que a Universal. Esse foi seu maior erro…

OPS…

Foi justamente aí que Valdemiro pisou no calo de Edir Macedo. Não devia ter feito isso e provavelmente se arrepende até hoje. O líder da Universal decidiu aceitar o desafio e partiu para o contra-ataque. E que contra-ataque. O calvário de Valdemiro começou com aquela reportagem feita pelo “Domingo Espetacular”, da TV Record, que o acusou de enriquecimento ilícito e desvio de recursos da igreja em benefício próprio, em 2012. Investigado por todos os lados, a situação de Valdemiro fugiu do controle. Ele teve de fazer acordos, vender fazendas, imóveis, cancelar contratos de locação de horários de TVs, vendeu rádios, perdeu fiéis, desistiu de outros negócios. E praticamente sumiu da TV…

DOIS ANOS LEVANDO CABONGADA

Das mais de 1.200 horas por mês na TV aberta dois anos atrás, hoje a Igreja Mundial tem cerca de 60 horas/mês. São pouco mais de duas horas semanais na RedeTV!. E provavelmente o pregador vai perder também isso. Dias atrás, como quem não quer nada, a RedeTV! anunciou a contratação de seu novo executivo, Alexandre Raposo, que vem a ser ex-presidente da Record e fiel da Igreja Universal (ele pode até negar, mas é). Acontece que quando chegar o vencimento do contrato de Valdemiro com a RedeTV!, essas duas horinhas e pouco por semana também devem ir para o beleléu. Por beleléu leia-se Igreja Universal.

DERROCADA

Valdemiro diz para quem quiser ouvir que ainda não se dá por vencido. Mas não fala mais nada publicamente contra Edir Macedo. Provavelmente nunca mais vai atacá-lo na mídia, depois das violadas que levou. O apóstolo ainda tem aparecido constantemente em programas do SBT e da RedeTV!. Já foi convidado de Ratinho, de Luciana Gimenez e até de Silvio Santos. Carismático, boa-praça, ainda levanta o ibope das emissoras quando está no ar. Mas os negócios nunca foram tão mal e há poucas perspectivas de melhora em curto e médio prazos. Quanto mais é expulso da TV aberta, mais mínguam as doações, menos dinheiro entra na igreja e menos a Mundial pode se expandir. Aliás, pelo contrário: nos últimos meses vários templos “deficitários” estão sendo sistematicamente fechados por falta de dinheiro. Embora ainda poderosa, a Mundial está encolhendo.

Doador anônimo salva menina afegã de seis anos de casamento forçado

NAGHMA MOHAMMAD, DE APENAS SEIS ANOS, FOI PROMETIDA A UM JOVEM DE 19, COMO FORMA DE PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA FEITA POR SEU PAI (Foto: Reprodução / CNN)

NAGHMA MOHAMMAD, DE APENAS SEIS ANOS, FOI PROMETIDA A UM JOVEM DE 19, COMO FORMA DE PAGAMENTO DE UMA DÍVIDA FEITA POR SEU PAI (Foto: Reprodução / CNN)

Naghma Mohammad teve de ser vendida para saldar dívida de seu pai; empréstimo foi usado para cobrir despesas médicas do caçula da família, que morreu congelado aos 3 anos

Publicado na Marie Claire

A guerra no Afeganistão faz vítimas que vão além dos soldados e civis atingidos por tiros, bombas e granadas. Em 2009, amedrontado pela violência que rondava a província de Helmand, onde morava, Taj Mohammad foi obrigado a reunir a mulher, os nove filhos e seus poucos pertences e se instalar em um acampamento para refugiados, na capital Cabul. A falta de suprimentos básicos logo acometeu o caçula da família, Janan, de apenas três anos. Sem trabalho e com pouquíssimos recursos disponíveis, Mohammad fez um empréstimo de US$2.500 (cerca de R$5 mil reais) para cobrir as despesas médicas do menino.

Janan não sobreviveu ao inverno e morreu congelado. Mal tinha se recuperado da morte do filho e Mohammad se viu em mais uma situação difícil: a cobrança pelo empréstimo havia chegado. Sem dinheiro, a única saída seria oferecer a filha Naghma, de apenas seis anos, como pagamento. Ela deveria se casar com o filho do agiota, de 19. O credor aceitou e Naghma foi morar com a família de seu futuro marido.”Foi uma decisão difícil. Senti como se tivesse sido jogado no fogo”, contou Taj Mohammad para a reportagem do site do canal norte-americano CNN.

 (Foto: Reprodução / CNN)

 

Quando grupos de direitos humanos descobriram a situação de Naghma, imediatamente entraram em contato com Kimberley Motley, uma advogada norte-americana que trabalha  no Afeganistão há cinco anos em prol dos direitos das mulheres no país. Kimberley organizou uma assembleia formada por afegãos anciãos, conhecidos como Jirga, e os convenceu de que Naghma não poderia se casar. Eles a liberaram para voltar para sua casa. Em seguida, um doador anônimo pagou a dívida de Taj Mohammad e livrou a menina da obrigação do casamento, de vez.

“Estou muito feliz que Naghma não tenha se casado aos 6 anos de idade. Mas gostaria de ter certeza de que ela receberá educação para se tornar alguém bem sucedido”, falou Kimberley Motley para CNN.

Por isso, esta semana, a advogada conseguiu vagas para Naghma e seu irmão mais velho no Instituto Nacional de Música do Afeganistão, uma escola que recebe órfãos e crianças carentes do país.

‘Luz contra a escuridão’: crianças sírias pintam e desenham para lidar com traumas

Esta simboliza o desejo de uma menina de viver no fundo do mar, longe da guerra.

Esta simboliza o desejo de uma menina de viver no fundo do mar, longe da guerra.

Publicado na BBC Brasil

Desenhos de crianças

Traumatizadas pelas cenas de violência na guerra civil na Síria, crianças refugiadas no Líbano foram “recuperadas” por uma ONG através de acompanhamento psicológico e social. A coleção de pinturas e desenhos feitas por elas se transformou em exposição na capital, Beirute, e percorrerá a Alemanha, França e a Grã-Bretanha ainda este ano.

Os desenhos retratam a visão de crianças profundamente marcadas por uma sangrenta guerra que já deixou cerca de 2,5 milhões de refugiados distribuídos em países vizinhos (quase um milhão no Líbano), além de 4,2 milhões de sírios deslocados internamente, segundo a ONU.

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), perto de 5,5 milhão de crianças na Síria e em países que acolheram os refugiados foram afetadas pelos combates entre tropas do governo e rebeldes de diferentes facções.

Intitulado de “Luz contra a Escuridão”, o projeto da ONG Najda Now Lebanon International atende 206 crianças sírias com idades entre 9 e 13 anos, vindas de cidades como Damasco, Homs, Deera e Deir Er Zour. Ao longo de um ano, elas receberam tratamento psicológico e social e participaram de três oficinas ministradas por artistas e cartunistas para que, através das pinturas, expressassem seus sentimentos antes e depois do tratamento.

O coordenador do projeto, o sírio Ali Haidar, 33 anos, disse à BBC Brasil que muitas das crianças apresentavam sintomas de violência antes de iniciarem o acompanhamento psicológico.

“Algumas agrediam fisicamente outras crianças. Outras, quando não tinham a quem agredir, batiam coma cabeça na parede, com um alto grau de agressividade. Foi um processo difícil e demorado, com um amplo apoio de psicólogos e assistentes sociais.

Fases

Os desenhos mostram a vida em família, suas casas e os detalhes de momentos de felicidades com amigos e parentes. Mas também retratam violência, morte, medo, destruição e uma infância perdida.

“Algumas (crianças) testemunharam a morte de amigos ou familiares, viram os bombardeios incessantes sobre seus bairros”, contou Haidar, que é natural da cidade síria de Hama.

Segundo ele, as crianças tiveram oficinas de pintura e desenho divididas em três fases. A primeira foi ministrada por um cartunista sírio, em que as crianças desenhavam livremente e expressavam cenas de seu país. “A maioria dos desenhos era de guerra e destruição e mostrava claramente os traumas sofridos por elas ao testemunharem helicópteros e aviões bombardeando casas ou soldados matando pessoas”, contou Haidar.

A segunda fase trouxe um pintor sírio e também deixou as crianças à vontade para expressar seus sentimentos em relação ao seu país, mas desta vez com pinturas.

Na terceira oficina, as crianças aprenderam diferentes técnicas de pintura e desenho, mas com temas divididos entre passado e futuro.

“Pedimos para que elas primeiro desenhassem sua visão do passado na Síria, e depois o que queriam que seu futuro parecesse. Estes trabalhos (passado e presente) foram transformados em exposição”.

Prisão e fuga

Além da exposição, os desenhos também viraram calendários e livros, que são vendidos ao público e a renda revertida para financiar o projeto da ONG.

Apesar de sediada no Líbano, a Najda é uma ONG síria e recebe fundos da embaixada da Noruega. Durante um ano, no entanto, operou o projeto em Damasco, mas foi forçada a deixar o país devido às dificuldades e ameaças supostamente feitas pelo governo do presidente Bashar al-Assad.

“Um de nossos membros está preso na Síria há um ano. O governo impunha muita burocracia e barreiras para que operássemos. No fim, decidimos vir ao Líbano para continuarmos o projeto e operarmos de forma mais livre”, explicou Haidar.

O projeto da Najda também trabalha música e teatro ministradas por artistas e diretores sírios.

“As crianças escreveram os roteiros das peças de teatro. As famílias vieram para o prédio da Unesco em Beirute e assistiram as peças teatrais em que elas atuaram”.

De acordo com a ONU, a guerra civil na Síria já matou mais de 135 mil pessoas desde março de 2011.

 

Neste desenho menino retrata protesto do povo sírio com bandeiras da revolução. Manifestantes são alvo de tiros.
Neste desenho menino retrata protesto do povo sírio com bandeiras da revolução. Manifestantes são alvo de tiros.
Este desenho simboliza a irmã de um sírio que morreu durante a guerra.

Este desenho simboliza a irmã de um sírio que morreu durante a guerra.

Menina síria retrata mãe que morreu em bombardeio em Homs, na Síria.

Menina síria retrata mãe que morreu em bombardeio em Homs, na Síria.

Escultura simboliza o povo sírio sorrindo e superando a tristeza da guerra.

Escultura simboliza o povo sírio sorrindo e superando a tristeza da guerra.

Desenho mostra a destruição causada por helicóptero do governo em bairro de Homs.

Desenho mostra a destruição causada por helicóptero do governo em bairro de Homs.