Arquivo da tag: guibonny

‘Avenida Brasil’: sucesso da novela é destaque no site da BBC

Tufão, personagem de Murilo Benício, ilustra reportagem da BBC
Tufão, personagem de Murilo Benício, ilustra reportagem da BBC

Publicado originalmente no Extra Online

Do Divino para o mundo. Essa pode não ser a pretensão do autor João Emanuel Carneiro para “Avenida Brasil”, mas o sucesso de sua obra acaba de chegar à imprensa internacional. Na manhã desta sexta-feira, dia do último capítulo da trama, o site de notícias britânico BBC divulgou uma longa reportagem sobre a novela.

A publicação destacou a mobilização dos brasileiros em torno de “Avenida Brasil”. Fatos curiosos, como a preocupação das companhias elétricas com a alta demanda de energia durante sua transmissão e a recente alteração de agenda da presidente Dilma Rousseff, foram usados para exemplificar tamanha influência. “Os brasileiros são conhecidos por levar suas novelas a sério, mas esta ultrapassou até mesmo outra paixão nacional, superando a audiência de uma partida final de futebol”, ressaltou a reportagem.

A ascensão da classe média brasileira, retratada com destaque na obra; o sucesso comercial de “Avenida Brasil”, que lançou até uma linha de produtos estéticos; e a próxima novela “Salve Jorge”, que terá o Complexo do Alemão como um de seus principais cenários; também foram alguns dos assuntos comentados pela BBC.

Foto: Internet / Reprodução

Como cineastas famosos fariam o final de “Avenida Brasil”?

Daniel Correa, em Ovo de Fantasma

É inegável que “Avenida Brasil” é o grande assunto do momento nas ruas (e avenidas, óbvio). Como tá todo mundo se questionando sobre o final, se vai ser bom, se vai ser tipo “Lost”, se Nina e Carminha vão se entender ou se matar, se o Tufão vai ter alguma expressão facial, quem matou o Max e outras perguntas importantes para o funcionamento estrutural do pensamento brasileiro.

A equipe do Ovo reuniu então uma lista com grandes cineastas, uma análise sobre como eles fariam o TCHAU TCHAU TCHAU ao OI OI OI.

Versão de Pedro Almodovar

 

Jorginho matou Max. Descobrimos que ele na verdade nasceu mulher e sempre conviveu com essa enorme crise de identidade, forçada por todos. No final congela nele, saindo do Divino e do Armário, rumo à felicidade. – Virgílio Souza e Daniel Corrêa

Versão de Michael Bay

Carminha arromba o portão de um quartel militar com seu carro. Lá dentro, rouba uma série de armas de guerra e explosivos. Ela pretende explodir o lixão, com Nina e todos os outros personagens dentro. Nina a espera no lixão dentro de um tanque de guerra. Os jogadores de futebol convertem-se em soldados, como forma de honrar o Divino F.C e vingar a traição imposta a Tufão. Carminha atira o carro cheio de explosivos em direção ao tanque de Nina e pula pela porta do carro a máxima velocidade em câmera lenta. Antes que a explosão ocorra, porém, o monte de lixo se retorce e transforma-se num grande monstro de lixo, semelhante a um Megazord: “Vocês nunca deviam ter me incomodado”, ele diz. “Eu matei Max!”. Todos choram copiosamente. O monstro voa sobre Nina e Carminha e atira mísseis em direção a elas, aniquilando todos. Por fim diz: “Esse lugar precisa pertencer a quem realmente o merece”. O monstro finca uma bandeira americana no solo e desfaz-se novamente num monte de lixo. Close da bandeira americana flamulando. – Pedro Freitas

Versão de Lars Von Trier

Nina se converte em freira da igreja Anglicana. Ela desiste de sua vingança contra Carminha, a procura e a perdoa. Tenta fundar uma nova ordem de caridade no Lixão, com o apoio das crianças. Uma a uma, porém, as crianças vão assumindo comportamentos estranhos. Numa noite, Santiago aparece com uma faca enfiada na garganta. A morte de Max se relaciona intimamente com esses acontecimentos. Nina vai lentamente sendo escravizada pelas crianças, apesar de achar que as serve por espontânea vontade. Leleco diz para as crianças que Nina é a reencarnação de uma bruxa da Idade Média. A gota d’agua para Nina é quando as crianças extendem uma faixa “Carminha Forever” na entrada do lixão. Desesperada, ela corre e se joga nos escombros, sendo em seguida atropelada pelo caminhão de lixo. – Pedro Freitas

Versão de Wes Anderson

Leleco descobre que tem câncer e tenta reconquistar toda a família. Tufão, cego de amor por sua irmã, tenta se matar. Suellen tem gêmeos, os pais são diferentes. Dadson vira hare-krishna. Agatha vira um porquinho da índia em stop-motion. Carminha e Nina se encontram em um quarto em Paris para resolver tudo e acabam se apaixonando. Jorginho resolve cometer crimes e é preso. –Matheus Weyh

Versão de Ingmar Bergman

Silêncio e sofrimento. Acompanhamos o cavaleiro ingênuo Adauto, na sua busca pelo sentido da vida, até o lixão. Lá ele vê uma figura nefasta indo rumo ao horizonte, acompanhada por Carminha, Nina (que depois de tanto discutirem, agora até se parecem fisicamente), Tufão e Família. Essa figura havia matado Max, após vencê-lo numa partida de xadrex. – Daniel Correa

Versão de Darren Aronofsky

Carminha começa a alucinar que Nina está em todos os lugares. Em uma busca frenética e intensa pela casa, mata Max achando ser a inimiga. No final, todos confrontam Carminha: Nina nunca existiu, sempre foi uma alucinação constante de Carminha, inconscientemente traumatizada pelo incidente do lixão. Carminha mata todos com tesouradas e depois se mata. Uma Nina real chega – ela convenceu o pessoal a mentir para enlouquecer Carminha de vez – e tem pedaço de sua mente fragmentado pela visão de todos mortos. Começa a achar também que é alucinação da mente de Carminha, aos poucos se tornando a mente de Carminha, aos poucos se tornando Carminha. “Ninaminha” se dirige ao lixão, e a história se repete. – Fernando de Lucca

Versão de Sofia Coppola

Téssalia decide fazer faculdade de filosofia e fazer bicos como fotógrafa e DJ. Ao som de Oi Oi Oi (Phoenix Remix), personagens rondam o Divino, sem direção. Nina e Carminha desistem de sua disputa, e se entregam à reconciliação, olhando entediadas para o horizonte enquanto relembram impassíveis os eventos de suas vidas. Descobrimos que Max morreu vitimado pelo peso de seu próprio conflito existencial. – Ana Clara Matta

Versão de Daniel Filho

Nina e Carminha trocam de corpo. Entendem os problemas uma da outra e fazem as pazes. Tudo acaba tranquilo. – Daniel Corrêa

Versão de Cronenberg

Foi Nina quem matou Max. E tal fato acarreta nela um súbito ímpeto assassino que a faz sentir que a sua vingança só será plena se ela própria matar os seus algozes. Primeiro, Nina utiliza um caminhão de lixo para matar Santiago onde, após tê-lo feito desmaiar com um golpe na cabeça, o joga dentro da carroceria e o seu corpo é triturado pelo compactador de lixo. Já Carminha recebe um telegrama anônimo dizendo pra ir ao Lixão caso queira ter informações sobre o assassino de Max. E ao chegar no local é atacada por Nina que a agride fisicamente e a afoga no chorume do Lixão. Ainda mais transloucada, Nina explode o Divino com os gases emitidos pelo Lixão. Percebendo que matou Jorginho, amor da sua vida e que se encontrava no bairro destruído, Nina se desespera e se dirige para o meio do Lixão onde permite ser comida por urubus.

A novela acaba e entra um fundo preto com a música OI OI OI tocando de trás pra frente. Em sequência, a cabeça dos telespectadores explode. – Rodrigo Laurentino Continue lendo

“Tive um filho com um mendigo”, diz professora de Curitiba que apaixonou-se por um sem-teto

A professora curitibana Lúcia*, 43 anos, apaixonou-se por um sem-teto e o levou para casa. Ele chegou a trabalhar, mas voltou para a rua. Entre idas e vindas, ela acabou engravidando quando já estavam separados. Sofreu agressões, buscou proteção judicial e terapia… Hoje, superou a crise, o filho tem dois anos e conhece o pai, mas não toda a história

Por Depoimento a Alexandre de Santi e Cristine Kist, na Marie Claire

“Em 2007, eu cursava a faculdade de Letras e, num fim de tarde, antes de ir para a aula, resolvi parar numa praça ali perto. Repassava mentalmente o conteúdo que cairia numa prova sobre Shakespeare quando um homem parou na minha frente e ficou me encarando. Como se me desafiasse para um duelo, ele disse: ‘A vida é um jogo: ou você perde ou você ganha. William Shakespeare’. Nem sei se a frase existe, mas a coincidência me impressionou tanto que, na hora, comentei com aquele moço que nunca tinha visto que teria uma prova sobre o autor. Ele perguntou meu nome. ‘Lúcia’, respondi. O dele era Valter. Vestia um blusão, estava com a barba por fazer, lembrava um pouco o Che Guevara. Era de uma beleza rústica, diferente. Podia ser um estudante, levei algum tempo para entender que ele morava na praça e que eu estava invadindo seu espaço. Ele me disse que tinha 38 anos, exatamente como eu naquela época. Só depois descobri que ele tinha apenas 28.

Fase difícil
Valter quis saber por que eu parecia tão triste. Expliquei que passava por fase complicada. Aquele tinha sido o ano mais difícil da minha vida. Perdi meu pai, meu irmão sofreu um grave acidente e meu ex-marido tinha levado nossas duas filhas para morar com ele em Santa Catarina. Depois de um casamento de dez anos, nós tínhamos nos separado cordialmente e, como minha vida andava difícil, meu ex perguntou se as meninas, então com 6 e 11 anos de idade, poderiam ir morar com ele, concordei. Sou mãe de outra garota, fruto de um namoro adolescente, mas ela já é moça e independente. Venho de uma família de classe média alta. E, na infância, tive todo conforto. Mas, depois que meu pai se aposentou, perdemos quase tudo. Restou a casa da minha mãe e a minha, construída no mesmo terreno.

Não contei tudo isso ao Valter, apenas confirmei que estava triste. Ele retrucou que a vida era maior que os meus problemas. Apontou a Lua despontando no céu e disparou outra citação: ‘Vai atrás do teu desejo, encontrarás tua verdade’. Engatamos uma conversa, eu disse que era estudante mas já dava aulas e, no final, ele me falou que eu não tinha amor próprio, que deveria estar estudando ou lecionando, e não perdendo tempo na praça. Levada pelo momento – e meio de brincadeira – respondi que tinha uma fantasia: largar a vida de professora, virar prostituta e trabalhar ali na praça. Valter respondeu que para essa profissão eu já tinha “passado da idade” e que não ganharia “nem mais que R$ 50 nem menos que R$ 15” pelo programa. Perguntei quanto ele tinha, ele respondeu que tinha R$ 10. Sem pensar, fiz um sinal de que aceitava. A verdade é que o achei encantador e era a primeira vez que eu me interessava por alguém desde a separação.

Mas ele não tinha dinheiro nenhum, foi pedir para um sapateiro ali perto, e fiz de conta que não vi. Só quando voltou, percebi que a manga de seu casaco estava rasgada. Fomos direto para um motel. Ele continuou me surpreendendo. Foi sensível e carinhoso comigo. No final, depois de uma transa deliciosa, realizou a minha fantasia
e me pagou. Quando saímos dali, me levou para a beira de um lago próximo e me abraçou. Nesse momento senti medo e me dei conta de que tinha transado com um mendigo. Acho que ele percebeu, pois quando eu disse que ia embora,me segurou. Perguntou se eu não acreditava que o destino tinha me colocado no banco da praça.
Respondi que acreditava e fui embora, mas deixei meu telefone.

Medo e expectativa

Continue lendo

ONS está preocupado com apagão após capítulo final de ‘Avenida Brasil’

Minuto seguinte ao término de novela provoca rampa de carga, que é o aumento de consumo súbito de energia elétrica.

Dados da ONS da quantidade de megawatts e peso de energia no capítulo final das últimas novelas da Rede Globo

publicado no Globo News

Enquanto os telespectadores estão ansiosos para saber quem matou o vilão Max de ‘Avenida Brasil’, o Operador Nacional do Sistema (ONS) – que coordena a operação de energia no país – está preocupado com um possível apagão após o último capítulo da novela, que vai ao ar nesta sexta-feira (19).

Em geral, os capítulos finais provocam um efeito que os especialistas chamam de rampa de carga, que é o aumento súbito do consumo de energia elétrica. “Quando a novela termina, as pessoas retomam as atividades: abrem a geladeira, vão tomar banho, acendem a luz”, enumera a comentarista de economia Flavia Oliveira.

Até agora, o recorde é de ‘Passione’, que terminou em janeiro do ano passado, e elevou em quase 5% o consumo de energia no minuto seguinte ao fim do capítulo. A expectativa é que ‘Avenida Brasil’ ultrapasse a marca. Em julho, quando houve o ponto de virada e Nina começou a vingança contra Carminha, o aumento foi de 5%.

A ordem do ONS é de que as operadores gerem folga de energia e as linhas de transmissão operem com capacidade ociosa para que o país não fique no escuro após o fim da novela.