MC Guimê, o funkeiro emergente

Estrela do funk ostentação trabalhou em quitanda e lava-rápido. Hoje, fatura 300 000 reais por mês, faz sucesso com as mulheres e sonha mudar-se para uma mansão

MC Guimê: colar de ouro avaliado em 30 000 reais (foto: Lucas Lima)
MC Guimê: colar de ouro avaliado em 30 000 reais (foto: Lucas Lima)

João Batista Jr., na Veja SP

Guilherme Aparecido Dantas era um garoto pouco interessado em estudar, gostava de escutar funk esonhava em adquirir seu primeiro tênis Nike quando decidiu começar a trabalhar. Aos 12 anos, ele conseguiu um emprego em uma quitanda perto da “quebrada” em que vivia, em Osasco. O bairro era Vila Izabel, de classe baixa, onde morava em uma casa de fundos. Nunca faltou comida em sua mesa, mas não sobrava dinheiro para comprar brinquedos ou qualquer supérfluo. “Como só estudou até a 4ª série e atuava como eletricista, meu pai não tinha condições de me dar um colar de casca de coco de 7 reais”, lembra. Um bico levou ao outro e, além de vender bananas e kiwis, o rapaz passou a fazer serviços como carregador de flores nas madrugadas de terças e sextas na Ceagesp. Também deu expediente como limpador de carros em um lava-rápido. Em um dia, faturava 80 reais, se dobrasse o turno. Torrava tudo com roupas e acessórios. “Eu ia sempre à Galeria Pagé para encontrar tênis da hora, não gastava mais de 200 reais e fazia o maior sucesso.”

De celular, a bordo de um Lamborghini: sucesso no YouTube e participação em programas da Rede Globo (foto: Thiago Fernandes)
De celular, a bordo de um Lamborghini: sucesso no YouTube e participação em programas da Rede Globo (foto: Thiago Fernandes)

Hoje, com 20 anos e nacionalmente conhecido como MC Guimê, ele está tirando a barriga da miséria. E não precisa colocar no seu corpo fechado por dezenas de tatuagens nenhuma roupa falsa ou contrabandeada. Ele virou o principal nome do chamado funk ostentação do país, estilo de música marcado por exaltar grifes, carrões e mulheres. A letra de seu maior hit, Plaque de 100 (o clipe mostra o cantor segurando maços de notas cenográficas de 100 reais), diz assim: “A noite chegou, nóis partiu pro baile funk / E, como de costume, toca a nave (carro) no rasante / De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira”. Como é comum nessa linha musical, a lista de objetos de desejo é proporcionalmente inversa à riqueza poética. Tanta projeção o aproximou de celebridades como o jogador Neymar, do Barcelona e da seleção brasileira, a quem chama de “mano” e ao qual prestou homenagem em uma música.

Ao lado do “mano” Neymar: shows em casas como Club A e Royal (foto: Reprodução/Instagram)
Ao lado do “mano” Neymar: shows em casas como Club A e Royal (foto: Reprodução/Instagram)

Nenhum outro novo nome do gênero aparece em tantos programas da Rede Globo, entre eles Altas Horas e Esquenta. “Quando assisti a meu filho ao lado da Xuxa, vi que ele não estava de brincadeira”, reconhece o pai, Paulo Eduardo. “Se dependesse de mim, ele nunca teria se tornado funkeiro.” Com a mãe, a relação é distante. Ela abandonou a família quando ele era bebê, reapareceu algumas vezes, mas não o encontrava havia mais de dez anos. Há seis meses, porém, marcou presença em um show do filho em Caraguatatuba, a cidade do Litoral Norte onde mora, e o surpreendeu na fila de fãs no camarim. Desde então, Guimê deposita uma ajuda de custo mensal para ela, mas deixa claro que prefere a madrasta, Silvana, nome que tatuou no antebraço direito.

Bonde da riqueza: os principais integrantes do funk ostentação (foto: Arte Veja São Paulo)
Bonde da riqueza: os principais integrantes do funk ostentação
(foto: Arte Veja São Paulo)

Na época em que o cantor começou a se interessar por música, os estilos de funk que estavam na moda eram o proibidão, que exalta facções criminosas, e o pornográfico. Preocupado com a educação do filho, seu pai o proibiu de ouvir esse repertório em casa. “Ele fazia jogo duro”, recorda o artista. As primeiras composições vieram no começo da adolescência e os apelos paternos não o impediram de escrever a controversa Especialista em Fugas: “Acelera forte, os malote no tanque e o fuzil na garupa / Pilota com uma mão e atira com a outra / Especialista em fugas”. Guimê afirma que tudo mudou de três anos para cá. “A galera não quer mais saber de coisa errada, está mais interessada em letra sobre marca de roupa e de coisas que precisa ter para ficar bem na ‘fita’.”

Ele sempre impressionou os amigos pelo dom de fazer rima e improvisar. Frequentava os bailes funk e pedia para se apresentar, mesmo que de graça, para mostrar que estava interessado em entrar no negócio. A fim de conseguir fechar convites para shows, criou um perfil no Orkut passando-se por agente de si próprio. Então, ligava para as casas de shows oferecendo seu “astro” — no caso, ele mesmo. Muitos “contratos” eram fechados sem nenhum cachê. Um deles lhe rendeu 50 reais. “Dava para pagar a condução para Guarulhos, onde foi a apresentação.” Sua primeira aquisição com a música foi um par de óculos de sol modelo Juliet, da Oakley, que na promoção custou cerca de 700 reais. “Queria usar nas apresentações para fazer uma presença da hora”, explica.

Sua sorte mudou quando conheceu em 2010 Hugo Maximo, que, na época, produzia shows da banda adolescente Restart. “Contratei-o para distribuir panfletos das apresentações que iriam acontecer na região de Osasco”, recorda Maximo. “Mas ele ficava no meu pé dizendo que queria cantar e me ligava fazendo rimas para provar que era bom.” Depois de tanta insistência, o empresário deu a ele a chance de se apresentar em uma casa de shows na Zona Leste. Gostou do resultado e firmou uma sociedade. “Percebi que o menino era bom e decidi colocá-lo para fazer a abertura de alguns shows.” Antes disso, no entanto, o aspirante teve de mudar de postura: “Falei que ele tinha de ser como os cantores sertanejos: não se atrasar, honrar os compromissos e entregar um produto legal”. Maximo é dono de 50% do produto Guimê — ou seja, divide com ele o faturamento mensal de 600 000 reais (o cachê por show fica entre 25 000 e 30 000 reais). O empresário agencia ainda expoentes do gênero como os MCs Lon e Rodolfinho (veja o texto ao lado).

Os shows do funkeiro de Osasco são breves (no máximo quarenta minutos), o que lhe permite fazer até cinco apresentações por noite. Ele já tocou em casas chiques como Royal e Club A, além de boates em outros estados. Por chegar com uma equipe de dez pessoas — só seguranças são três —, fica sem ter a oportunidade de usufruir a fama. Há muitas garotas bonitas que, segundo Guimê, jamais olhariam para sua cara franzina antes de ele se tornar rico e famoso. Elas fazem fila para tirar foto (e uma casquinha) do ídolo. “Dou uns beijos, mas daí já chega o meu produtor dizendo que temos de ir embora e voar para o lugar onde vai ser o próximo show”, reclama. Diante dos amigos, ele é bem franco: queixa-se de não ter tempo para levar as garotas até o hotel.

Atualmente, o astro da ostentação vive em um apartamento no 20º andar de um prédio na área mais valorizada do Tatuapé, na Zona Leste. Parece imóvel decorado por construtoras quando querem vender uma unidade na planta. Sofás, cozinha e armários novinhos e impessoais, sem a cara do dono. Um boneco ao estilo Bob Marley representa um dos únicos toques personalizados. A exemplo do ídolo jamaicano do reggae, Guimê diz ser adepto dos cigarros não convencionais. “Para mim, a erva é igual ao fumo normal, com a vantagem de não me fazer tossir”, afirma o MC. Ao mesmo tempo que fala naturalmente sobre o uso ilegal da droga, ele se considera uma pessoa pacata e ligada à família. Cita como sonho de consumo dar uma casa ao pai, que ainda resiste a sair da sua precária moradia, em Osasco. O outro desejo é comprar uma mansão em Alphaville, onde estacionará o Volvo XC60 avaliado em 160 000 reais, seu grande orgulho material. Recentemente, ele fez um show na casa de um morador do condomínio da Grande São Paulo e ficou encantado pelo lugar. “Tem espaço, natureza, silêncio. Pretendo ter uma residência lá, porque em apartamento não dá para fazer o que a gente quer.”

Gravação do clipe Plaque de 100: mais de 38 milhões de visualizações no YouTube (foto: Reprodução YouTube)

Gravação do clipe Plaque de 100: mais de 38 milhões de visualizações no YouTube (foto: Reprodução YouTube)

Vida dourada :

O perfi l do maior expoente do gênero ostentação

Nome: Guilherme Aparecido Dantas

Idade: 20 anos

Onde nasceu: “Na quebrada Vila Izabel, em Osasco”

Onde mora: em um apartamento de 1 milhão de reais, no Tatuapé

Tatuagens: perdeu a conta. Tem desde o nome da madrasta no antebraço direito até manchas de tiros de paint-ball na barriga

Meios de locomoção: Volvo XC60 e moto Honda CBR 600 RR

Sonho de consumo: mansão em Alphaville

Vaidade: não sai de casa sem o cordão de ouro com pingente em forma de diamante (30 000 reais)

Cachê: entre 25 000 e 30 000 reais

Faturamento mensal: cerca de 600 000 reais (fica com 50% desse total)

Estado civil: “Antes as minas não me olhavam, agora eu pego geral”

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Como o ano de 2000 era imaginado em 1910

he1Publicado no Conselhos do He-man

Um artista francês chamado Villemard produziu no ano de 1910 uma série de ilustrações imaginando como seria a vida em 2000. As ilustrações foram encontradas no na biblioteca nacional da França, e acredita-se que elas eram uma espécie de figurinhas colecionáveis que vinham em alimentos.

he2Os barcos voariam. Uma espécie de avião bem imbecil.

he3Essas moças estão usando patins motorizados.

he4Uma pessoa passa uma imagem que é enviada de outro lugar. bem parecido com o Skype.

he5Um aluno coloca livros em uma máquina de moer, e pelo jeito, as informações são transformadas em sinais elétricos que vão para a mente dos alunos.

he6Uma incrível máquina que faz uma peça de roupa por vez.

he7Carros de guerra em conflito.

he8O nome dessa imagem é “curiosidade”. Acreditava-se nessa época que a maioria dos animais estariam extintos no ano 2000. As pessoas admiram um cavalo, que na cabeça do artista, seria raro hoje em dia.

he9Segundo a ilustração, é um trem elétrico que liga Paris a Beijing.

he10Um helicóptero sendo detectado por uma torre de comando.

he11Uma patrulha e suas bicicletas armadas.

he12As pessoas poderiam no ano 2000 ouvir o seu jornal favorito. Já pensou?

he13Um policial voador para um avião que está cometendo alguma infração de trânsito aéreo.

he14Um banheiro com vários mecanismos, alavancas e engrenagens. A eletrônica era inimaginável nesse mundo mecânico.

he15Um arquiteto seria o responsável por uma obra inteira, apenas controlando botões. Um dos botões ativa um auto-falante que solta cantadas para as gostosas que passam na rua.

Vi no Ovelhas Voadoras

dica do Guilherme Massuia

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Como uma atitude positiva pode aumentar sua expectativa de vida

heartrate-monitor-111220-600x499Guilherme de Souza, no HypeScience

Se você tem alguma doença cardíaca e é mal-humorado/estressado/rabugento, é bom mudar de atitude o quanto antes: isso pode salvar sua vida.

Em estudo publicado recentemente na revista Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes, pessoas com atitude positiva tiveram 42% menos chances de morrer em um período de cinco anos (um intervalo que, naturalmente, pode ser ainda maior).

Os pesquisadores analisaram informações de 600 pacientes com doença arterial coronariana (em que ocorre estreitamento das artérias que fornecem sangue aos músculos cardíacos) que foram tratados em um hospital da Dinamarca. Os participantes responderam em 2005 um questionário a respeito de sua (ou da ausência de uma) rotina de exercícios.

Ao longo do estudo, 80 pacientes faleceram, sendo que 30 (5% do total) tinham uma atitude positiva e 50 (8,3%) tinham uma atitude negativa.

Esse aumento na expectativa de vida pode ser explicado em parte porque, de modo geral, os pacientes com atitude positiva eram duas vezes mais propensos a manter uma rotina de exercícios, garantindo um impacto positivo na saúde. Os autores do estudo não souberam responder, contudo, o que veio antes: a atitude positiva ou a rotina de exercícios (uma vez que atividades físicas prazerosas podem melhorar o humor da pessoa).

A cardiologista preventiva Suzanne Steinbaum, do Hospital Lenox Hill (Nova York, EUA), lembra que uma visão de mundo positiva pode reduzir níveis de hormônios de estresse e de substâncias inflamatórias, além de incentivar a pessoa a manter hábitos saudáveis – como ter uma dieta balanceada, ter uma boa rotina de sono e evitar o consumo de tabaco. “Acho que é mais provável que as pessoas positivas cuidem mais de si mesmas e ajudem a si mesmas”. [LiveScienceCirculation: Cardiovascular Quality and Outcomes]

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Maluf, Feliciano e condenados por mensalão se ausentam de votação que não cassou Donadon

Deputado federal Natan Donadon agradece de joelhos após votação na Câmara dos Deputados decidir pela não cassação do seu mandato, apesar de estar preso após ser condenado pelo STF. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), assumiu a decisão monocrática de afastar Donadon (foto: Sergio Lima/Folhapress)
Deputado federal Natan Donadon agradece de joelhos após votação na Câmara dos Deputados decidir pela não cassação do seu mandato, apesar de estar preso após ser condenado pelo STF. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN), assumiu a decisão monocrática de afastar Donadon (foto: Sergio Lima/Folhapress)

Guilherme Balza, no UOL

Dos 513 parlamentares que compõem a Câmara dos Deputados, 404 votaram no processo que culminou com a não cassação do deputado Natan Donadon (PMDB-RO) na noite desta quarta-feira (28) em Brasília. Em votação secreta, 233 deputados votaram a favor de sua cassação, 131 contra e 41 se abstiveram. Para cassá-lo, eram necessários 257 votos, o que representa a metade do total de deputados mais um voto.

Após a decisão, o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), determinou o afastamento de Donadon de suas funções e a convocação do suplente. Faltaram 24 votos para que ele perdesse o mandato.

Quando a votação foi iniciada, por volta de 20h20, o presidente da Casa, deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), anunciou que havia 469 parlamentares presentes na Casa, com base na lista de presença da sessão anterior. Alves segurou a votação por quase três horas, mas o número de votantes pouco aumentou.

Entre os ausentes estavam João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT), todos condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no julgamento do mensalão. A Corte, aliás, já julgou todos os recursos apresentados pelas defesas de Costa Neto e Pedro Henry –os recursos de Cunha ainda serão analisados.

Quando o processo transitar em julgado, ou seja, quando não houver a possibilidade de recursos –o que pode ocorrer nos próximos meses–, os três parlamentares terão de passar pelo mesmo processo imposto a Donadon, que foi condenado pelo Supremo e teve todos os recursos rejeitados em junho deste ano pela mesma Corte.

Também se ausentaram da votação Paulo Maluf (PP-SP) e Marco Feliciano (PSC-SP). Em março deste ano, o STF determinou a abertura de inquérito para investigar se o ex-prefeito de São Paulo cometeu crime de caixa dois na reeleição para a Câmara em 2010.

Entenda o caso

Natan Donadon foi acusado de participação em desvio de cerca de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônia em simulação de contratos de publicidade. O julgamento só ocorreu no STF por ele ser deputado e ter foro privilegiado.

Após a prisão, a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara recomendou a cassação por entender que as ações de Donadon, enquanto diretor da Assembleia Legislativa, configuram quebra de decoro parlamentar.

Perda de mandato

A decisão da perda de mandato de parlamentares condenados gerou debate entre os deputados.

No último dia 14, a CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania) do Senado aprovou, por unanimidade, a proposta que prevê perda automática do mandato de parlamentar condenado no Supremo, em sentença definitiva, por improbidade administrativa ou por crime contra a administração pública.

No entanto, a PEC ainda precisa ser aprovada nos plenários das duas casas legislativas.

No final do ano passado, a perda de mandato dos deputados condenados no julgamento do mensalão gerou tensão entre a Câmara e o Supremo Tribunal Federal. No caso do mensalão, no entanto, a condenação ainda não transitou em julgado e está agora na fase de recursos.

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Bispo Edir Macedo depõe na Justiça Federal por falsidade ideológica

Empresário foi acusado de apresentar documentos falsos para adquirir emissora

Divulgação
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Publicado no MSN Entretenimento

Criador da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo se declarou inocente para o juiz Guilherme Gehlen Walcher, da 1ª Vara da Justiça Federal, na cidade de Chapecó, em Santa Catarina, ao depor em processo sobre falsidade ideológica.

O bispo foi acusado de apresentar documentos falsos perante a Junta Comercial de Santa Catarina e o Ministério das Comunicações para a compra da TV Xanxerê, uma afiliada da emissora adquirida em 1996 e que fica na cidade de mesmo nome, segundo o jornal “O Dia”.

No processo, que tem como autor o Ministério Público Federal, o ex-diretor de uma afiliada do canal, Júlio César Ribeiro, e o pastor Marcelo Nascentes Pires também são acusados.

A ausência de Macedo na audiência era dada como certa, já que ele não compareceu às outras sessões. Contudo, depois de chegar no horário e dar sua versão sobre o fato, o réu deixou o local imediatamente.

A sentença deve sair até o fim do ano. A pena prevista para o crime é a reclusão de 1 a 5 anos mais multa.

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