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Justiça da Índia terá de decidir se guru milionário está morto ou meditando

Publicado no UOL

Depois de um desentendimento entre seguidores de um líder espiritual indiano e sua família, a Justiça da Índia foi acionada e terá de decidir se ele está vivo ou morto. Os devotos de Shri Ashutosh Maharaj acreditam que o guru está passando por um estado profundo de meditação, mas os parentes do religioso dizem que ele, na verdade, está morto desde janeiro.

Certos de que, aos 70 anos de idade, Maharaj está vivenciando o Samadhi, quando se alcança um nível de profunda meditação, seus seguidores resolveram congelar seu corpo até que o mestre desperte, em Punjab (400 km de Nova Déli), e se negam a entregar seu corpo para a cerimônia de cremação, de acordo com o jornal britânico “The Telegraph”.

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Médicos já declararam a morte clínica do guru, fundador da ordem religiosa Divya Jyoti Jagrati Sansthan, após uma suposta parada cardíaca, informação que é negada por seus discípulos, que inclusive publicam em seu site oficial que Maharaj “está meditando desde 29 de janeiro de 2014″.

Embora a polícia também já tenha confirmado a morte, a Alta Corte de Punjab não aceitou a constatação, e o governo local decidiu que a disputa se trata de um assunto espiritual.

Restou à mulher e ao filho de Maharaj pedir à Justiça que investigue a morte e ordene à devolução do corpo à família.

Dilip Jha, 40, filho do líder espiritual, acredita que os interesses dos devotos de seu pai são muito mais mundanos do que se imagina. Para Jha, os seguidores de Maharaj mantêm seu corpo para poder controlar suas finanças; os bens imobiliários do guru têm valor estimado em cerca de R$ 370 milhões.

A ordem religiosa Divya Jyoti Jagrati Sansthan foi criada em 1983 para “a elevação e o fortalecimento dos mais desfavorecidos, carentes e desprivilegiados da sociedade”, com o objetivo de ajudar as pessoas a compreender seus “papéis individuais em moldar o mundo”.

O movimento cresceu e ganhou fama internacional, com seguidores em vários lugares, unidos pela esperança da “paz mundial”.

Como ser alguém incrivelmente mediano

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Publicado no Pequeno Guru

Entre os maiores desejos que as pessoas costumam ter estão morar no exterior, fazer trabalho voluntário, escrever um livro e morar na praia. Infelizmente, isso quase nunca acontece e elas arrumam um emprego, casam, tem filhos, viajam quando dá e nunca tem tempo para escrever um livro tampouco ajudar os outros, praia só carnaval. “Muitas pessoas pensam em mudar o mundo, mas ninguém pensa em mudar a si mesmo”, disse Tolstói uma vez.

Na ânsia por querer conquistar certas coisas na vida –casa própria, carro, um bom emprego–, as pessoas esquecem de viver e só se dão conta disso quando já têm tudo que precisam menos aquele sonho antigo. Aí elas se acham velhas demais para realizar e morrem sem nem tentar,um pouco frustradas pela vida ter passado tão depressa. Uma vida assim está longe de ser ruim, mas acho que todos nascem para ter uma experiência extraordinária aqui, viver do seu jeito e deixar a sua contribuição. Chris Guillebeau é um desses caras que podemos ter inveja da vida que leva, ele já conheceu todos os 193 países do mundo e trabalha como escritor provocando as pessoas a fazerem o mesmo: o que quer que você tenha vontade. O dele era viajar, qual é o seu?

Um dos mais inspiradores (e famosos) textos do Chris é um guia sobre “como ser ordinariamente mediano”, leitura obrigatória a todos que querem não apenas uma vida feliz, mas uma vida completa. Aqui está a minha versão do guia.

Aversão à risco

A maneira mais fácil de levar uma vida tranquila é aceitando tudo que lhe dizem. Não se destaque, faça o que os outros fazem e você estará seguro. Consiga um emprego normal, de preferência através de um concurso público e você não precisará se preocupar mais com nada. Certifique-se de nunca ser o primeiro a erguer a mão quando perguntarem algo.

Faculdade

Já que todo mundo que você conhece fez ou está fazendo, é melhor você fazer também. Isso, provavelmente, irá garantir um emprego que pague bem e lhe permitir desfrutar melhor da vida, do jeito que os mais velhos vivem. Conforto. Gaste os 4 ou mais anos conhecendo bares, entregando os trabalhos depois do prazo e reclamando dos professores. No final, é quase certo que você estará com canudo nas mãos de qualquer jeito. Certifique-se de seguir a carreira que seus pais sempre quiseram.

Finanças pessoais

Trabalhe para comprar. Comece pela casa própria financiada em parcelas suaves pelos próximos 20 anos, planeje cada cantinho com móveis sob medida para impressionar as visitas e, quando der, financie aquele carro de luxo que você tanto desejou e continue reclamando do preço exorbitante da gasolina à medida que ela vai subindo. Quando algum programa de TV ou comercial pedir a sua doação, troque de canal, afinal há sempre alguém por trás lucrando muito com as criancinhas carentes ou portadores de deficiência. Quando estiver de bom humor, doe R$10,00. Quando ficar triste, compre algum eletrônico ou roupa cara, você merece por trabalhar tanto.

Certifique-se de priorizar o cartão de crédito em vez do dinheiro, a satisfação da compra é maior apontam as pesquisas.

Viagens

Como é bom viajar! Ou será que bom mesmo é tirar um monte de fotos em terras estrangeiras e compartilhar em redes sociais? Seja como for, viaje uma ou duas vezes para fora do Brasil na vida, mas opte por destinos seguros como Paris, Londres, Madrid ou Miami. Fuja do mochilão e pegue a excursão para evitar problemas. Tem McDonald’s e Subway em mais de 100 países, então você não corre o risco de comer algo que possa estragar a sua viagem. Inglês é o idioma do mundo, não se incomode em tentar usar a língua do país, mas quem sabe eles não entendam um pouquinho de português né? Ou melhor, você não encontra um brasileiro por lá?

Certifique-se de que tudo está em completa ordem antes de pegar o avião, hotel, translados, passeios e dinheiro, muito dinheiro.

Trabalho

“Se você trabalhar esperançosamente, 8 horas por dia, quem sabe não vire patrão e trabalhe doze todo dia” escreveu uma vez o premiado poeta Robert Frost. Uma maneira agradável de dizer que trabalhar demais não é o melhor caminho para ser feliz, partindo do princípio que ser feliz envolve mais tempo para curtir a família, hobbies e outras atividades. Quem ama o que faz, nem chama seu trabalho de trabalho, então isso não vale para as raras pessoas que tem o prazer de fazer o que ama. Para a grande maioria, dinheiro e reconhecimento são os dois principais motivos. Há quem trabalha duro porque sonha em montar seu negócio, dar mais conforto à família, ficar rico ou ter uma boa aposentadoria. Viver só depois, para isso a gente se aposenta aos 65.

Então, as pessoas leem Você/SA, fazem um ou dois MBAs que pouco irão ajuda-las a lidar com os problemas do dia a dia (devido à baixa qualidade do ensino ou incongruência do curso com a posição na carreira), passam o dia em reuniões inúteis, se vangloriam de resultados, culpam os outros pelos resultados, falam mal dos chefes diariamente, nunca chamam a responsabilidade para si e desistem após primeiro grande fracasso. Essa é a típica vida corporativa. Cheia de panelinhas que servem para proteger uns dos outros como se fosse uma grande disputa. Em algum momento, será necessário mediar conflitos, foque-se na questões de personalidade em vez de valores.

Certifique-se de que todos vejam que você está trabalhando, isso é mais importante do que tentar resolver grandes problemas e até inovar.

Autoridade

Jamais desafie a máxima “sempre foi feito assim”. Os mais velhos nunca erram, certo? Novas ideias são para grandes empresas inovadoras, deixe para os americanos, apenas fique ligado para copiar o mais fiel possível. Quando todos disserem A, evite dizer B, mesmo que você acredite com todo o seu coração e tenha argumentos para embasar. Afinal, se ninguém perguntou, é porque não quer saber. E quem é você para discordar com o diretor? Se todo mundo é contra algo, seja também. Se todos estão a favor, vista a camisa. Ser popular é “cool”!

Certifique-se de que há alguém abrindo o caminho antes de dar o primeiro passo

Não se preocupe, seja feliz

É arriscado ser diferente. Ideias não convencionais assustam. Experimente dizer para sua mãe que irá deixar seu ótimo emprego em uma grande empresa, ou fechará seu consultório ou empresa bem sucedida para fazer outra coisa. Prepare os ouvidos…

O mundo é mediano, os diretores da maioria das empresas são medianos e políticos só são espertos o suficiente para tirar proveito disso. Você quer ser feliz? Então siga esses conselhos, de verdade. Evite frustrações, grandes desafios, medo de se arriscar e do novo. Você terá a companhia de bilhões de outras pessoas que levam uma vida incrivelmente mediana.

Ou Pare e olhe o que você está fazendo com a sua vida, ainda dá tempo de ser alguém extraordinário e levar a vida que você sempre quis.

Baseado no artigo: “How to be Unremarkably Average”

Fora do eixo

Ex-integrantes da entidade controladora do Mídia Ninja falam com exclusividade para CartaCapital e condenam práticas da organização

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Publicado na Carta Capital

Na esteira dos protestos de junho, a Mídia Ninja emergiu como uma novidade instigante, um novo modelo de jornalismo. A concepção é simples e barata: por meio de celulares, os repórteres ninjas transmitem pela internet as imagens dos acontecimentos. Não há texto nem edição, apenas os vídeos em estado bruto em transmissões que facilmente duram seis horas. Na página do grupo no Facebook, há ainda fotos dos atos.

O sucesso repentino tornou-se, porém, uma fonte de dor de cabeça. Tudo começou com a presença de dois de seus expoentes no Roda Viva, programa de entrevistas da TV Cultura, em 5 de agosto. O jornalista paulistano Bruno Torturra, até então, era a única face do Mídia Ninja, acrônimo de “Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação”. A novidade foi a presença de Pablo Capilé, criador do coletivo Fora do Eixo, guru de uma nova forma de ativismo. Ficou clara a ligação umbilical dos dois (Ninja e Fora do Eixo), antes praticamente desconhecida.

Por que essa relação virou alvo de tantas críticas? Em pequenos círculos, não é de hoje, corriam acusações contra o movimento. A exposição de Capilé amplificou as acusações nas redes sociais, espaço de excelência do grupo. Nos últimos dias, CartaCapital ouviu oito ex-integrantes e debruçou-se sobre a estrutura organizacional do coletivo. Metade deixou-se identificar. Os demais preferiram não ter seus nomes citados, por medo de represálias, mas confirmam as informações dos ex-colegas. Emergem da apuração um aglomerado controverso, acusações de estelionato, dominação psicológica e ameaças.

Nas casas, os integrantes dividem quartos, dinheiro, comida e roupas. E estão submetidos ao “processo” do Fora do Eixo. “Primeiro te isolam. Proíbem de sair na rua ´sem motivo´, impedem de encontrar amigos ou estabelecer qualquer contato com pessoas de fora. Depois, vem a apropriação de toda a sua produção. O cara sai sem grana, sem portfólio e distante dos amigos antigos. Sem apoio psicológico ou da família vai demorar a se restabelecer social e profissionalmente”, diz o fotógrafo Rafael Rolim, 29 anos, 3 deles na organização, em contato direto com Capilé. Rolim e os demais integrantes ouvidos pela revista endossam o depoimento da ex-integrante Laís Bellini, postado nas redes sociais.

A cineasta Beatriz Seigner foi a primeira a criticar o coletivo. Em texto postado no Facebook dois dias após o Roda Viva, diz, entre outros pontos, que o Fora do Eixo rompeu acordos e não lhe pagou por exibições de seu filme. Escreveu ainda sobre o volume de trabalho dos integrantes, que não teriam direito à vida pessoal ou diversão. Se disse ainda impressionada com a devoção à figura de Capilé. E comentou a repercussão: “Chegaram centenas de mensagens de coletivos e artistas do Brasil todo agradecendo o desmonte da rede. Estou aliviada.”

No dia seguinte foi a vez de Laís Bellini. Segunda ex-integrante a se manifestar, seu longo relato é considerado por outros ex-membros o mais completo e fiel retrato do dia-a-dia do coletivo. Laís descreve uma estrutura radicalmente rígida e verticalizada, baseada em forte dominação psicológica. Para exemplificar, revela que foi afastada de um amigo antigo que vivia sob o mesmo teto – “Disseram: ´Laís, o Gabriel era seu amigo lá em Bauru. Aqui vocês não têm que ficar de conversa. Aqui dentro vocês não são amigos”; Laís revelou ainda o “choque-pesadelo”, prática que consiste em por uma pessoa na sala e “quebrá-la” moralmente, aos berros; a moça narrou ainda que a cúpula controla horários e saídas à rua e que o trabalho é extenuante e sem folga nem aos domingos. São vigiados até bate-papos no Facebook ou Gtalk. Laís está em meio a uma longa viagem pela América Latina, sem data pra voltar. A distância, diz, lhe deu coragem para falar. “Quando postei, tirei toneladas do ombro e comecei a chorar. Tomei coragem para dizer o que muitos têm medo mas que todos sabem que é verdade”.

Um dos pontos levantados pelos entrevistados é o uso dos integrantes como uma espécie de isca sexual, o chamado Catar e Cooptar. “Há reuniões na cúpula para definir quem vai dar em cima de você e te fisgar pra dentro da rede”, afirma Laís. O designer Alejandro Vargas, que morou por 3 anos na Casa Fortaleza, dá mais detalhes: “Numa viagem rolou um papo que ‘deveria ficar ali’, sobre ‘fazer a entrega para a rede’. Diziam: ‘tem o cara ou menina mais feios, mas que trampam muito’ e tem aqueles com ‘mais chances de ter relações’. Tem que fazer a entrega para alimentar o estímulo de quem é menos provido de beleza, inclusive de fora da rede, para trazer para dentro”.

Rolim acrescenta: “‘Catar e Cooptar’ é o termo usado pelo Pablo, com todas as letras e constantemente. Eu mesmo fui proibido por ele de me aproximar de uma pessoa com quem tinha afinidade porque, ‘para o processo’, eu deveria estar solteiro, eu era uma boa ‘isca’. Relações espontâneas entre dois integrantes, por amor, também não são bem vistas. Casais assim são pressionados a desmanchar, e é proibido ter relações com pessoas de fora da rede, a não ser por ordem superior. Capilé nega a prática. “As relações afetivas não são determinadas por regras do movimento, mas construídas por cada indivíduo, a partir dos desejos de cada um.”

O Fora do Eixo nasceu em 2005, e seu nome faz menção ao fato de a iniciativa ter começado em centros distantes de São Paulo e do Rio. Capilé é de Cuiabá. Do Mato Grosso, o coletivo expandiu-se para Uberlândia (MG) e Rio Branco (AC), e dali para outras cidades. A relação com os artistas funciona assim: uma banda iniciante entra na programação de eventos culturais do grupo e faz shows em algumas cidades. Não paga passagem, hospedagem e alimentação (fica nas casas Fora do Eixo). Em contrapartida, não recebe cachê. O dinheiro arrecadado com suas apresentações financia o movimento.

Capilé e seus apoiadores calculam 2000 integrantes, mas o Fora do Eixo se resume a sete casas (São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Porto Velho), onde vivem em média dez ativistas, ou seja, cerca de 70 no total. Há ainda algumas casas de coletivos parceiros, como em Bauru e São Carlos. Quando se soma os agregados, na estimativa mais otimista, a organização tem hoje 200 participantes.

Oficialmente, o financiamento é baseado em shows e editais do governo ou de empresas estatais e privadas. Existe, no entanto, uma terceira fonte significativa: a apropriação de dinheiro e bens particulares de colaboradores. “Solicitaram um cartão de crédito que eu tinha em conjunto com meus pais para comprar passagens. Como a confiança era total, fui induzido a compartilhar a senha. Em um mês e meio gastaram 21 mil reais no meu cartão. Compraram um Macbook Pro novo para o Capilé, o que só soube quando a fatura chegou”, lamenta Rolim.

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Matrimônio arranjado é melhor do que casar por amor, diz professor de Stanford

Procurar o amor de sua vida é um grande erro. A solução mais eficiente é pedir a ajuda da família para encontrar um bom casamento, afirma professor indiano Baba Shiv (ilustração: Bruno Oliveira Santos)

Procurar o amor de sua vida é um grande erro. A solução mais eficiente é pedir a ajuda da família para encontrar um bom casamento, afirma professor indiano Baba Shiv (ilustração: Bruno Oliveira Santos)

Adriana Garcia Martínez, na Serafina

O amor é cego, diz o ditado popular. Encontrar alguém, apaixonar-se e casar, a opção mais natural para a maioria das pessoas, é uma equação arriscada. Como evitar o arrependimento? Pense nos princípios do casamento arranjado, defende o professor indiano Baba Shiv, 52, guru do marketing na universidade Stanford, na Califórnia, uma das mais importantes dos EUA.

O professor é especialista em neuroeconomia, campo de pesquisa que une os estudos de neurociências, economia e psicologia para identificar o papel das emoções nas decisões que tomamos.

Ele acredita que qualquer escolha que fazemos em que conhecemos as opções uma depois da outra tende a trazer mais insatisfação do que aquelas nas quais você tem as opções todas na mesa ao mesmo tempo. Ou seja, é mais complicado escolher um marido tendo um namorado por vez do que namorando vários candidatos ao mesmo tempo.

O professor Shiv não ensina isso na faculdade, mas percebeu, um pouco pela prática, um pouco por seus estudos, que o casamento arranjado, à indiana, pode ser uma boa solução. Não defende a prática por respeito à tradição de seu país, mas sim por acreditar que a fórmula traz menos chances de erro.

Ele mesmo, apesar de ter nascido em uma família tida como liberal na Índia, optou por um casamento arranjado. Aos 27 anos, depois de tentar por conta própria arrumar uma namorada, sem sucesso, pediu ajuda à mãe para encontrar pretendentes.

“As famílias selecionam três ou quatro candidatos dentro de critérios estipulados pelo filho, como idade, classe social e passatempos”, diz. “E são os filhos que decidem se aceitam os pretendentes ou não. O processo dura cerca de um mês”, explica à Serafina em seu escritório, em Stanford, sede de um dos cursos de MBA mais famosos do mundo.

Os encontros não duram mais de 20 minutos. Ele, por exemplo, rejeitou sua primeira candidata simplesmente porque não foi com a cara dela. Mas se encantou com a segunda e foi correspondido. Reva é sua mulher há quase 25 anos. Mudaram-se para os Estados Unidos na década de 1990, para que ele continuasse os estudos, tiveram um casal de filhos e se dizem muito felizes.

Sem nunca ter ficado ou namorado, passado pela primeira briga ou pela primeira viagem, como isso pode dar certo? Como abrir mão da possibilidade de dar de cara com um grande amor?

O maior problema da escolha amorosa como a conhecemos, diz o professor, é exatamente o fato de que há apenas um candidato por vez –a “escolha sequencial ou por amor”, como ele chama–, o que levanta a suspeita de que talvez o próximo seja mais interessante.

“Na escolha por amor, tendemos a acreditar que pode haver coisa melhor no futuro”, diz. “Aí, cada pequeno problema que surge na relação gera uma insatisfação enorme, e você começa a duvidar da opção que fez.”

O casamento arranjado pode ter vários problemas, mas esse não é um deles. “A decisão simultânea, na qual há vários candidatos e um é escolhido, traz menos dúvidas,” afirma. “Você, que optou por uma entre três mulheres, e não por uma entre todas as mulheres do mundo, sabe o que deixou para trás. Então a aceita e vai em frente.”

Apesar da defesa do professor, o casamento arranjado está caindo em desuso na Índia. Cada vez mais, as novas gerações indianas adotam costumes ocidentais. Elas ainda pedem ajuda aos pais para achar candidatos, mas preferem namorar antes de casar.

Mas Baba adverte: com o passar do tempo, os casamentos arranjados tendem a funcionar melhor. “Todos os relacionamentos têm altos e baixos. Mas, no casamento arranjado, a família trabalha pelo sucesso da união, porque foi envolvida desde o começo.”

Segundo o professor indiano, o tempo traz outras complicações ao matrimônio: “Chegam os filhos, as pessoas envelhecem, têm problemas no trabalho. Aí, os atributos que fizeram a pessoa tomar a decisão de se casar com aquele parceiro, como compatibilidade sexual e companheirismo, podem ser afetados”.

Para não cair nas mesmas armadilhas que os casais ocidentais, que têm índices de divórcios muito mais altos que os indianos, Baba Shiv tem sugestões.

A ideia é combinar a tradição indiana com o casamento ocidental. “Precisamos criar critérios para a seleção do parceiro, assim podemos aumentar a segurança da nossa decisão e, consequentemente, a satisfação do casamento.”

É O QUE TEMOS

O truque, segundo ele, é não procurar uma pessoa ideal, mas uma pessoa possível. E a melhor base para a comparação são os ex-namorados ou namoradas (já que será complicado convencer os outros de que você precisa namorar várias pessoas ao mesmo tempo).

O que você classifica como defeitos e qualidades dos seus ex são as mesmas coisas que deve evitar ou procurar.

O professor alerta: “Nas sociedades ocidentais, tudo é muito focado no indivíduo. Até o sucesso de um casamento é uma decisão individual”.

Envolver a sogra na briga com sua mulher ou seu marido, acredita o indiano, pode ser a melhor solução.

Guru diz que indiana que sofreu estupro coletivo foi ‘culpada’

Fernando Moreira, no Page not Found

Um guru espiritual provocou revolta na Índia por um causa de um comentário bizarro: segundo Asaram Bapu, a estudante de 23 anos que sofreu estupro coletivo em um ônibus e depois morreu em um hospital foi tão culpada pelo crime quanto os seus agressores.

“Apenas cinco ou seis pessoas não são réus. A vítima é tão culpada quanto os seus estupradores. Ela deveria ter chamado os agressores de irmãos e ter implorado para que eles parassem. Isto teria salvado a sua dignidade e a sua vida. Uma mão pode aplaudir? Acho que não”, disse Bapu, de acordo com a imprensa indiana.

Mais: o guru afirmou que a estudante, identificada como Jyoti Singh Pandey, deveria ter sido mais gentil com os seus algozes se quisesse prevervar a sua vida!

Políticos e internautas reagiram com fúria após as declarações de Bapu.

“Comentários como esses deveriam ser condenados o quanto antes”, disse Sandeep Dikshit, parlamentar do partido governista.

“Querido Asaram Bapu, uma mão não pode aplaudir, mas um dedo pode facilmente mostrar o que penso de você”, escreveu no Twitter um internauta furioso.

A estudante violentada por mais de 20 minutos chegou a ser levada para um hospital em Cingapura, mas não resistiu. O caso provocou uma comoção na Índia.