Faltaria guilhotina se o povo soubesse o que se passa, diz Geraldo Alckmin

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto: Du Amorim/Governo SP)
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (foto: Du Amorim/Governo SP)

Paulo Gama e Daniel Roncaglia, na Folha de S.Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), fez ontem um discurso em tom de desabafo em que criticou a impunidade no Brasil e afirmou que o “povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele” próprio.

“Se não, ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro”, afirmou.

O tucano fez o discurso no lançamento de um programa estadual que auxilia prefeituras a disponibilizar portais de acesso a informações públicas. Começou dizendo que grandes casos de corrupção foram descobertos por acidente. “O controle é zero.”

“O sujeito fica rico, bilionário, com fazenda, indústria, patrimônio e não acontece nada. E o coitado do honesto é execrado. É desolador.”

As críticas de Alckmin foram feitas em frente ao chefe do Ministério Público de São Paulo, Márcio Elias Rosa, e do corregedor-geral da Administração do Estado, Gustavo Ungaro, representantes dos dois principais órgãos paulistas de combate à corrupção.

A situação causou constrangimento entre aliados, já que o tucano não dirigiu suas críticas a uma esfera específica de Poder nem isentou o próprio governo dos ataques.

O governador não poupou sequer o programa que estava sendo anunciado. Criticou as fundações do governo que receberam para desenvolver o sistema. “Não deviam cobrar nada, isso é obrigação.”

Alckmin acusou também a existência de uma “grande combinação” que impede que dados sejam disponibilizados. “Salários, ninguém põe na internet, porque o sindicato pediu liminar. ‘Olha eu gostaria de pôr, mas a Justiça proibiu'”, ironizou.

O Legislativo de São Paulo, de maioria alckmista, se enquadra no ataque –não divulga salários por decisão judicial obtida por servidores.

Alckmin criticou ainda a morosidade do Judiciário. “A corrupção, o paraíso é o Judiciário. Todo mundo diz: ‘Na hora que for para Justiça vai resolver’. Vai levar 20 anos.”

O tucano não atendeu a pedido de entrevista e deixou o evento sem comentar a fala.

dica do Guilherme Massuia

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Curitiba quer tornar teto verde obrigatório em edifícios

O objetivo é reduzir a poluição do ar e as ilhas de calor, facilitar drenagem da água da chuva e trazer conforto térmico e isolamento acústico para os moradores.

Teto verde em Chicago

Publicado no Catraca Livre

O vereador Professor Galdino (PSDB) apresentou um Projeto de Lei (PL) na Câmara Municipal de Curitiba que torna obrigatório os telhados verdes nos projetos dos edifícios. O objetivo é reduzir a poluição do ar e as ilhas de calor, facilitar drenagem da água da chuva e trazer conforto térmico e isolamento acústico para os moradores.

O projeto prevê que os empreendimentos residenciais ou comerciais com mais de três andares devem ter um telhado verde na cobertura. O texto também recomenda a utilização de espécies nativas e que exijam pouca quantidade de água, para evitar os mosquitos da dengue.

A Comissão de Legislação, Justiça e Redação já aprovou o PL, que agora está sendo analisado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento SUstentável. O projeto ainda precisa ser votado no plenário da Câmara Municipal de Curitiba e ser sancionado pelo prefeito da cidade, Gustavo Fruet (PDT).

Se aprovada, a lei passaria a valer para os edifícios construídos após a aprovação do PL.

 

 

 

 

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Pai fotografa filha incorporando personagens de obras de arte famosas

coringa

Gustavo Magnani, no Literatortura

O pai e fotógrafo Bill Gekas retratou sua filha simulando várias obras icônicas da cultura mundial. Desde o lado mais pop, até obras artísticas de grandes nomes da pintura mundial, como Caravaggio, Vermeer, Rembrandt, Raphael, Velazquez e outros. Vale a pena conferir!

Também ressalto que o literatortura, a partir de agora, terá, provavelmente, duas colunas semanais de fotografia. Uma que traga ensaios originais e diferenciados, e outra que fale da parte mais técnica da fotografia, em parceria com uma colega que possui um excelente site sobre o assunto. Se tudo der certo, os trabalhos voltados para essa área já devem começar nesta semana mesmo! :)

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Desmistificando o pecado

Imagem: Internet
Imagem: Internet

Por Gustavo K-fé Frederico

Alguém certa vez me pediu para definir ‘pecado’. Disse que era tudo aquilo que feria a mim ou ao meu próximo. A pessoa então discordou de eu não ter incluído “Deus” na resposta.

Entendo que as respostas mais comuns devam dizer algo mais ou menos assim: “é aquilo que é contrário à vontade de Deus”. Eu, contudo, acho que devemos suspender os julgamentos morais absolutos e retirar a “roupagem espiritual” que se dá ao termo.

Então vamos desmistificar o pecado.

1- “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus” – Romanos 3.23. Isto não é dizer que o ser humano é inerentemente mau. Isto é notar que ninguém é perfeito. E que “pecado” se aplica a todos e todas. Dando-nos conta de que somos falhos estaremos confessando que em nossa humanidade somos imperfeitos. Seja de que religião formos: cristãos, budistas, umbandistas ou ateus.

2- “Pois pela graça de Deus vocês são salvos por meio da fé. Isso não vem de vocês, mas é um presente dado por Deus” – Efésios 2.8 Em outras palavras, religião não salva. Nem boas obras. Se existe “salvação” ou seja o que “salvação” for, independe de ser cristão, budista, umbandista ou ateu.

3- Grandes pecadores como Davi e Jacó são citados como pessoas exemplares na Bíblia. Davi foi chamado o homem segundo o coração de Deus, tendo assassinado o esposo de sua amante. Jacó passou o irmão e o pai para trás.

4- A ascendência de Jesus está cheia de pecadores e pecadoras. Jacó, o trapaceiro. Judá, que teve relações sexuais com sua nora, Tamar, gerando a Peres. Raabe, a prostituta. Paulo, autor de vários livros da Bíblia, disse ser “o pior de todos os pecadores” (1Timóteo 1.15).

5- As pessoas religiosas devem parar de ‘tomar o nome de Deus em vão’ para condenar outras pessoas (Êxodo 20.7). Deve-se partir do pressuposto de que as pessoas são responsáveis por suas próprias ações. Transferir a culpa para Deus ou para o Diabo é uma forma de mentira.

6- Se quiser falar de “culpa”, considere-se eternamente culpado. Não adianta fazer nada para se remir, porque um pecadozinho que seja já faz de você um pecador como outro qualquer. “Qualquer que guardar toda a Lei mas tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2.10).

7 – “Comete pecado a pessoa que sabe fazer o bem e não faz” (Tiago 4.17). Líderes religiosos adoram escolher uns pecados em detrimento de outros. Isto chama-se hipocrisia. Jesus foi especialmente duro com os líderes religiosos de sua época, xingando-os de vários nomes feios.

8- Se você anda de carro ou de ônibus ou de trem está vivendo em pecado, porque é cúmplice na colaboração da exploração desenfreada da natureza. Está vestindo alguma peça de roupa Made in China ou Paquistão ou Bangladesh? Pecado, pecado. Está sendo cúmplice de condições sub-humanas de trabalho. Será que você toma café colhido por trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil ou Etiópia? Você acha que jogar um pouquinho de comida no lixo não é pecado, sabendo que diariamente morrem 16 mil crianças de fome no mundo?

9 – Cristãos especialmente gostam daqueles pecados mais picantes. Um dos pais da Igreja, Agostinho em seu livro “Confissões” diz ter provado de todos os pecados e mostra intensa culpa por sua “impureza sexual” e sublinha a importância da “moralidade sexual”. Até hoje a culpa do sexo é explorada pelo cristianismo para manter a dependência da religião. Porque os fiéis mais fiéis são aqueles que culpam a si mesmos pensando ouvir a voz de “Deus”.

10 – Muitas igrejas gostam de escravizar seus membros fazendo-os carregar um grande fardo por seus “pecados” particulares. E o que dizer dos pecados coletivos? Pense bem: será pecado um templo grande usado 10 horas por semana quando há pessoas morando debaixo da ponte em condições sub-humanas? Eu acho que é. O Brasil tem cerca de 50 mil homicídios por ano, sendo um país majoritariamente cristão. O que é pior: cristãos matando outros cristãos, a omissão dos cristãos com o problema da violência ou a hipocrisia de culpar as pessoas por pseudo-pecados?

11 – Pare de procurar regras sobre o que é certo e o que é errado! Tente tomar decisões pensando no melhor para si, para aqueles/aquelas perto e longe de si. E seja responsável pelas suas próprias ações. Não pode-se esperar mais do que isso. E espere também que outras pessoas sejam responsáveis por suas ações. Isto inclui você mesmo, a sua família, os líderes religiosos e os políticos.

12 – Rasgue as listinhas do que é pecado (vinho, cerveja, música-do-mundo, maconha, dançar, namorar, ir no motel, jogar baralho, masturbar-se, assistir filme pornô, comer no McDonalds, ir em um baile de carnaval, votar no partido X ou Y, etc). Comer brócolis é bom? Comer pizza é bom? Entenda que pessoas tem limites diferentes. Entenda que certos hábitos ou certas ações têm consequências diferentes para si e para aqueles/aquelas perto e longe de si.

13 – Rasgue mesmo as listinhas do que é pecado. Existe uma coisa importante chamada “moral”, que é a capacidade de alguém julgar aquilo que pensa ser certo ou errado. As tensões entre as liberdades individuais e a coexistência coletiva vêm sido discutidas há séculos por pensadores profissionais e de botequim.

14 – Se você conseguiu desmistificar esse monstro que é a palavra ‘pecado’, aproveite para retirar a mágica/superstição da coisa substituindo-a por ‘escolha moral’.

15 – Depois de rasgar as listinhas do que é pecado, pegue os pedacinhos de papel e faça um Culto da Vitória queimando-os na Fogueira Santa. A partir desse dia sinta-se livre para ser muito mais feliz e fazer o que quiser, lembrando-se das suas responsabilidades sociais como pessoa e cidadão/cidadã.

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