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Coral e funcionários de supermercado na África do Sul fazem homenagem a Mandela

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Publicado no Virgula

Uma rede de supermercados da África do Sul resolveu prestar um tributo a Nelson Mandela. Integrantes do Soweto Gospel Choir se fizeram passar por funcionários do Woolworths e se juntaram aos clientes e trabalhadores do local para fazer uma versão de Asimbonanga.

A música de Johnny Clegg e Savuka trata sobre o período em que Mandela ficou preso. O Yahoo Internacional, que noticiou a homenagem, afirmou: “A mais emocionante tributo a Mandela veio do lugar menos esperados”. De arrepiar.

Leia a letra

Asimbonanga [nós não o vemos]
Asimbonang’ uMandela thina [nós não o vemos Mandela]
Laph’ekhona [Nesse lugar onde ele está]
Laph’ehleli khona [Nesse lugar onde ele onde ele é mantido]

Asimbonanga
Asimbonang ‘umfowethu thina [nós não vemos nosso irmão]
Laph’ekhona [no lugar onde ele está]
Laph’wafela khona [nesse lugar onde ele morreu]
Sithi: Hey, wena [Nós dissemos: ei, você]
Hey, wena nawe [Ei, você e você]
Siyofika nini la’ siyakhona [Quando nós chegaremos em nosso destino?]

dica do Rubens Pires Osório

Câmara de SP aprova homenagem à Rota com 37 votos a favor

Claques a favor e contra a tropa de elite da PM paulista tomaram a Casa; projeto do vereador coronel Telhada (PSDB) teve 15 votos contrários. Saiba como votou cada parlamentar

Manifestantes durante a votação da homenagem à Rota na Câmara Municipal de SP

Manifestantes durante a votação da homenagem à Rota na Câmara Municipal de SP

Ricardo Rossetto, na CartaCapital

Depois de três tentativas, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta terça-feira 3, em uma sessão marcada por muito tumulto, a  ”Salva de Prata” em homenagem às Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) pelos serviços prestados pela tropa de elite da polícia paulista durante a ditadura.

Os trabalhos tiveram início às 15 horas e, na galeria do plenário, cerca de 100 representantes de 18 movimentos sociais, entre eles os grupos Tortura Nunca Mais, Comitê Contra o Genocídio da Juventude Preta, Pobre e Periférica, União da Juventude Socialista, gritavam “assassino” e “racistas, fascistas, não passarão” aos vereadores Coronel Telhada (PSDB), autor da proposta de homenagem, Roberval Conte Lopes (PTB) e Alvaro Camilo (PSD), ex-comandantes da tropa.

Em carta assinada pelos movimentos sociais e lida em plenário pelo vereador Toninho Vespoli (PSOL), mais críticas: “Há uma necessidade de combater uma polícia que mata, que violenta e que afasta da nossa juventude a perspectiva de vida e de sonhos. Homenageadas deveriam ser as famílias das vítimas de toda essa violência, as mães que perderam seus filhos para um Estado que demonstra diariamente o seu compromisso em manter o racismo e a desigualdade”.

Antes da votação – que terminou com 37 votos favoráveis e 15 contrários ao projeto –, o vereador Orlando Silva (PCdoB) apelou para a consciência dos colegas “porque o voto poderia macular o mandato de cada um”. Em seguida, Juliana Cardoso (PT) afirmou que a bancada de 11 vereadores do partido votaria contra “não por ser desfavorável à corporação, mas por discordar do projeto ideológico de homenagear uma polícia que mata.”

Do outro lado da galeria estavam os apoiadores da Rota, um grupo de 50 pessoas que retrucavam com gritos de “o povo de bem está com a Rota”.

Em discurso, Conte Lopes disse que a Rota é a “melhor polícia do mundo” e que a tropa é a melhor garantia de segurança para a sociedade. Sua fala foi interrompida três vezes por vaias, apesar da ordem que o presidente José Américo (PT) tentava garantir no plenário. Ainda assim o vereador apontou que a corporação não se envolve em política e a população da periferia de São Paulo a adora.

“Não são admissíveis manifestações contrárias à Rota, que trabalha 24 horas por dia para garantir o sossego desses mesmos que agora protestam. Todo mundo quando está com dificuldades liga no 190″, respondeu, enquanto os manifestantes ainda gritavam “assassino” e “mentiroso”.

Depois dele, Telhada, o autor da proposta, assumiu o microfone e afirmou que o livro Rota 66, do jornalista Caco Barcellos [que faz uma radiografia das ações truculentas da tropa] é “uma grande mentira”, e criticou as “meias-verdades” ditas por seus colegas parlamentares. Para ele, o principal problema são as acusações sem conhecimento de causa. “Estou pedindo uma salva de prata por 43 anos de história do batalhão, e não por uma ou outra ação prestada”, afirmou.

O texto do Projeto de Decreto Legislativo 06/2013, aprovado nesta terça, destaca os “relevantes serviços prestados pelo Batalhão à sociedade brasileira, em especial ao povo do estado de São Paulo”. Ali, o coronel Telhada, que comandou a tropa entre 2009 e 2011, lembra o passado “heroico” da corporação, como a campanha do Vale do Rio Ribeira do Iguape, em 1970, que sufocou a Guerrilha Rural instituída por Carlos Lamarca, um dos principais combatentes da ditadura.

Após a aprovação da Salva de Prata, o coronel comemorou e disse que a homenagem mostra ao Brasil que a cidade de São Paulo valoriza a polícia e o crime não tem vez. “A hora que o cinto apertar, é a Rota que vai te defender”, disse Telhada.

De acordo com o regimento interno da Câmara de São Paulo, cada vereador tem direito a conceder até oito honrarias da Salva de Prata por legislatura (mandato de quatro anos). Em toda a história do legislativo paulistano, essa homenagem que envolveu as Rota foi a que demorou mais tempo para ser aprovada – seis meses. Em geral, os Projetos de Decreto Legislativo passam sem questionamentos. Desta vez, entretanto, a questão era “moral e mexia com direitos e liberdades dos cidadãos, principalmente os negros e pobres, principais vítimas da tropa”, conforme esclareceu o vereador Gilberto Natalini (PV).

Expulsos

Durante a sessão que durou mais de duas horas, ao menos quatro jovens de movimentos sociais foram expulsos da galeria por ordens do presidente José Américo. Houve princípio de confusão enquanto os PMs tentavam retirar os manifestantes, que hesitavam em sair do local. Um deles aparentando ser menor de idade e conhecido pelo apelido “HD” afirmou à reportagem que foi agredido pelos policiais enquanto era levado para o elevador atrás da galeria. A PM nega que houve abuso de força. Por questão de ordem, a sessão foi suspensa para que a votação nominal pudesse transcorrer normalmente.

Confira o resultado da votação:

– Vereadores que votaram a favor da homenagem à Rota:

Abou Ani (PV)
Adilson Amadeu (PTB)
Andrea Matarazzo (PSDB)
Atílio Francisco (PRB)
Aurélio Miguel (PR)
Aurélio Nomura (PMDB)
Calvo (PSDB)
Claudinho de Souza (PSDB)
Conte Lopes (PTB)
Coronel Camilo (PSD)
Coronel Telhada (PSDB)
David Soares (PSD)
Edir Sales (PSD)
Eduardo Tuma (PSDB)
Floriano Pesaro (PSDB)
George Hato (PMDB)
Gilson Barreto (PSDB)
Goulart (PSD)
Jean Madeira (PRB)
José Police Neto (PSD)
Laércio Benko (PHS)
Marco Aurélio Cunha (PSD)
Mário Covas Neto (PSDB)
Marquito (PTB)
Marta Costa (PSD)
Nelo Rodolfo (PMDB)
Noemi Nonato (PSB)
Ota (PSB)
Patrícia Bezerra (PSDB)
Paulo Frange (PTB)
Pastor Edemilson Chaves (PP)
Ricardo Nunes (PSDB)
Roberto Tripoli (PV)
Sanda Tadeu (DEM)
Souza Santos (PSD)
Toninho Paiva (PR)
Wadih Mutran (PP)

– Vereador que se absteve:

Ari Friedenbach (PPS)

– Vereadores que votaram contra a homenagem à Rota:

Alessandro Guedes (PT)
Alfredinho (PT)
Arselino Tatto (PT)
Jair Tatto (PT)
José Américo (PT)
Juliana Cardoso (PT)
Nabil Bonduki (PT)
Natalini (PV)
Orlando Silva (PCdoB)
Paulo Fiorilo (PT)
Reis (PT)
Ricardo Young (PPS)
Senival Moura (PT)
Toninho Véspoli (PSOL)
Vavá (PT)

dica do Fabio Martelozzo Mendes

#Armazém 73: Nova geração da música brasileira homenageia Secos & Molhados

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Publicado no RockInPress

SECOS E MOLHADOS

Ao caminhar pelas ruas de Ubatuba no interior do estado de São Paulo, João Ricardo avista a placa de um armazém com o letreiro “Temos Secos & Molhados”, empapuçado do tal dia chuvoso pôs sua criatividade para trabalhar e abriu caminhos sem fim.

A placa deu o nome para o grupo formado pelo próprio João Ricardo e os músicos Gerson Conrad e Ney Matogrosso nascia então em 1971 os “Secos e Molhados” que não apenas tinham uma performance incrível em palco como contavam com letras que iam das  delicadas as mais complexas como no caso de “As Andorinhas” e “Rosa de Hiroshima”.

Apesar do talento que já conhecemos e os méritos que eles recebiam pelos seus shows na época, a coisa acontecia de maneira independente e ninguém sabia quem eram eles de fato. Mas isso ocorreu até o lançamento do seu primeiro disco homônimo, em Agosto 1973.

“Secos e Molhados” era a oportunidade de se mostrarem para o mundo com melodias, arranjos e letras próprias. E foi esse material que vendeu milhares de cópias, tirando Roberto Carlos do topo das paradas e abrindo forçadamente a cabeça das pessoas na década mais louca já vista.

A COLETÂNEA

40 anos depois, em agosto de 2013 o RockInPress convida 13 artistas e bandas para criarem suas versões das faixas originais desse disco tão aclamado e que é mais do que atual. O LP de 73 é tido como referência musical para as gerações posteriores ao seu lançamento, se tornando parte essencial da cultura brasileira.

Então hoje, apresentamos a coletânea Armazém 73, uma reunião de artistas da atual geração da música brasileira cantando sucessos que jamais serão entendidos como velhos ou ultrapassados. Boa viagem e aproveite:

Download aqui  

Conheça a história de um vovô de 96 anos que ganhou um concurso de música nos EUA

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Publicado no Rock ‘n Tech

Eu não sei se todos vão gostar ou se importar com esta história, mas achei ela comovente, então resolvi contar aqui pra quem quiser. É a história de um vovô chamado Fred Stobaugh. Ele ficou sabendo sobre um concurso promovido por um estúdio de música chamado Green Shoe Studio. Este concurso contemplaria o dono da melhor música com uma gravação profissional da música vencedora no estúdio. Cantores e compositores de diversas regiões dos EUA enviaram vídeos com suas músicas para o estúdio, mas o que chamou a atenção dos organizadores do estúdio foram cartas que eles receberam de um senhor chamado Fred.

Fred compôs uma música para sua esposa, em homenagem ao amor de sua vida. Sua esposa, Lorraine, dividiu sua vida com Fred durante 75 anos, e faleceu 1 mês antes de Fred ter enviado as cartas ao estúdio. Fred foi o único que enviou a música ao estúdio, intitulada “Oh Sweet Lorraine” (“Ó Doce Lorraine”), escrita em papel e envelope, juntamente com sua história. Em todas as cartas ele deixava bem claro que não era músico e nem bom cantor. No final das cartas sempre escrevia: “P.S.: Eu não canto, eu assustaria as pessoas. Ha ha!” Naturalmente, Fred não esperava que os representantes do concurso fossem sequer ler suas cartas.

Jacob Colgan, um dos responsáveis pelo concurso, disse que a história de Fred os emocionou. Então ele ligou para Fred para dizer que ele havia sido escolhido, que sua música seria gravada profissionalmente no estúdio por músicos profissionais. Fred imediatamente respondeu a ele: “Mas senhor, quanto isso vai custar? Porque eu não tenho dinheiro para pagar”. Colgan então o respondeu: “Fred, você não entendeu, nós iremos gravar a música para você sem custo algum.” Fred começou então a chorar no telefone e disse: “Porque você vai fazer isso por mim?” Colgan disse: “Não vamos fazer isso para você, vamos fazer isso juntos, porque a música pode fazer muito por muitas pessoas, e sua música nos emocionou, então eu pensei que esta seria a melhor coisa a fazer”

Músicos profissionais foram até a casa de Fred para aprender sua música. O vídeo a seguir é um pequeno documentário chamado “A Letter From Fred” que conta esta história em mais detalhes. Se não souber inglês e quiser somente escutar a música, avance até os 5:44 do vídeo e veja Fred escutando sua música – gravada por profissionais – pela primeira vez.

São Bernardo do Campo é do Senhor Jesus?

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A avenida Lucas Nogueira Garcez, em São Bernardo do Campo

Publicado na Carta Capital

São Bernardo do Campo é do Senhor Jesus. Ao menos essa é a visão do vereador Rafael Demarchi (PSD), que conseguiu o apoio de quase todos os 27 colegas da Câmara para aprovar um projeto que previa a instalação de placas em diversos locais do município, na Grande São Paulo, com esses dizeres. O prefeito, Luiz Marinho (PT), no entanto, considerou inconstitucional a medida, apresentada em junho e apoiada pela bancada petista, e a vetou.

Demarchi é evangélico e frequenta a Igreja Bola de Neve no ABC paulista. “Fui o vereador mais ajudado por igrejas evangélicas em toda a região. Havia uma demanda dos evangélicos e de muitos pastores por essa medida”, diz o vereador. “Em São Bernardo, cerca de 90% das pessoas são católicas ou evangélicas. A proposta visava homenagear Jesus e não uma religião. A cidade já homenageou tantas pessoas, incluindo Mussolini, que era um ditador.”

O texto previa a instalação “direta ou por meio de parcerias” de placas com a inscrição religiosa nas principais vias de acesso à cidade. Elas deveriam ser colocadas, especialmente, na avenida Pereira Barreto, limite de municípios com Santo André; na Avenida Piraporinha, limite com Diadema e na Via Anchieta, no quilômetro 18. As despesas entrariam no orçamento da cidade.

Segundo Marinho, o projeto era “claramente inconstitucional”, pois traria gastos aos cofres públicos de um Estado laico por motivo religioso. “O objetivo da proposição era prestar uma homenagem, valorizar o trabalho dos evangélicos. Mas acredito que o resultado atingido seria outro. Como reagiriam os católicos, o pessoal de umbanda, candomblé, os muçulmanos (que são muitos na cidade), os sem religião? Cada um ia querer a sua placa”, disse Marinho a CartaCapital. “Não cabe a mim fomentar disputas religiosas.”

No projeto, o vereador justifica a validade da medida afirmando que o Brasil é o maior país cristão do mundo. “Talvez até fora de tempo, mas sempre em tempo, nossa cidade homenageia o Filho de DEUS, JESUS, o Cristo. A ELE toda honra e toda glória. Considerando-se a relevância da matéria, estas são as razões pelas quais esperamos contar com o apoio dos Nobres Pares para a aprovação deste Projeto de Lei”, diz o texto.

Para Demarchi, a proposta não viola as leis, pois o custo de cerca de 4 mil reais seria pago por um empresário. “Se formos analisar inconstitucionalidade por ser um Estado laico, teríamos que mudar nomes de praças, ruas e bairros que fazem referência a temas religiosos.”

Antes de vetar a medida, o prefeito avisou o vereador e se reuniu com um grupo de pastores evangélicos. “Todos que vieram compreenderam a situação. Um grupo de pastores apoiou o veto por achar que não caberia esse tipo de manifestação e que ela não contribui para a cidade”, conta Marinho.

Segundo o vereador, o projeto poderia ajudar a recuperar “valores familiares perdidos durante os anos” e não violaria o Estado laico. “Essa sempre será uma questão de interpretação do que isso significa o laicismo. O Estado é laico e não vai defender nenhuma religião, mas uma placa de homenagem não é defesa.”

A cidade, rebate o prefeito, precisa respeitar a todos sem provocar debate com viés de confronto religioso. “Isso não combina com o nosso país e com a sociedade plural que defendemos”, diz Marinho.