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Adolescente filho de pastor é procurado por matar gays

Publicado no Pragmatismo Político

Polícia procura adolescente de 17 anos, filho de pastor evangélico, acusado de matar dois gays e de planejar a morte de um terceiro

Acusado de matar dois homossexuais e de preparar a morte de um terceiro para os próximos dias, um adolescente de 17 anos é procurado pela Polícia Civil de Agudos, no interior de São Paulo. O jovem fugiu após a polícia localizar o corpo de Igor Alves, 15 anos, supostamente uma de suas vítimas. O corpo de Igor, morto a facadas, foi localizado na noite de quarta-feira em um reflorestamento de pinus na zona rural de Agudos.

Igor, que morava com os avós, em Agudos, estava desaparecido desde sábado. A polícia investigava o caso como sequestro. O pai de Igor, que mora em São Paulo, viajou a Agudos para distribuir fotos do adolescente na tentativa de localizar o filho.

Na quarta-feira, a polícia prendeu um comparsa do adolescente, que confessou a participação no crime e levou os investigadores ao local onde estava o corpo de Igor. “Ele ainda nos contou que o adolescente o obrigou a dar uma facada em Igor para que confirmasse sua participação no crime e teria dito que, antes de a polícia localizar o corpo de Igor, mataria outro adolescente, de 15 anos”, revelou Biazon.

“Checamos e realmente constatamos que ele havia assediado o menino de 15 anos, que já não estavam mais frequentando as aulas com medo das investidas dele”, afirmou Biazon. “Acho que ele tem algum distúrbio, não aceita a condição de homossexual”, disse o delegado.

A polícia começou a suspeitar do jovem porque ele tinha sido o último a ver Igor. “Ele contou aos familiares de Igor que ele tinha sido sequestrado por três homens que ocupavam um Fiat Pálio verde, e como ele tinha um corte de faca nas mãos, desconfiamos e pedimos sua internação”, contou o delegado titular de Agudos, Jader Biazon.

Além disso, a polícia tinha outro motivo para suspeitar de o adolescente. Ele já tinha passagem por homicídio motivado por homofobia. Ele cumpriu pena de internação na Fundação Casa por matar com 16 facadas o empresário Valdinei Rocha, 56 anos, em 17 de março de 2013. Segundo Biazon, o empresário, dono de uma fábrica de toldos e coberturas, era homossexual e tinha um caso com o adolescente, que contou com ajuda de um rapaz de 18 anos, que está preso pelo crime.

“Crime poderia ter sido evitado”

Para o delegado, a morte de Igor poderia ter sido evitada se a Justiça não aliviasse a pena do adolescente acusado de ter cometido o crime. Ele deveria sair da prisão ao completar a maioridade, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo reformou a pena e o colocou em semiliberdade seis meses depois da morte do empresário. “Foi assim, livre nos finais de semana, que ele começou a fazer amizade com Igor, que se apaixonou por ele e até ameaçava deixar a casa dos avós porque os idosos são evangélicos e não aceitavam sua homossexualidade”, contou o delegado.

No dia 27 de março, o Juizado de Menores de Marília, onde o adolescente cumpria pena, extinguiu a semiliberdade e o colocou de vez em liberdade. “Dois dias depois de ser colocado em liberdade e pouco mais de um ano depois de matar o empresário, ele matou Igor”, afirmou o delegado. Para Biazon, as atuais leis o impedem agora de localizar o jovem, que pode se transformar em um assassino em série. “Ele vai completar 18 anos em agosto próximo, mas não posso nem usar uma foto para localizá-lo”, diz o delegado.

O pai do adolescente é pastor evangélico e separado da mãe. Ele não tinha passagens na polícia até o assassinato do empresário. O seu comparsa, também não tinha passagens pela polícia, mas agora teve internação determinada pelo Juizado de Menores.

dica do Sergio Luiz SantAnna

Irmãos unidos pela dor

florhRicardo Gondim

Carrego uma sucessão de “cs” e com eles, uma miríade de preconceitos: cearense, canhoto, corintiano e careca. A ordem dos “cs” obedece uma importante cronologia. Na infância, notei que outros canhotos iguais a mim também eram tratados como portadores de deficiência. Depois, anos mais tarde, me mudei para São Paulo e descobri que muitos sulistas têm reservas contra nordestino. Mesmo em tom de brincadeira, ouvi expressões baixas para descrevê-los. Baiano é preguiçoso. Paraibano é burro. Nem preciso falar dos corintianos: gambá, maloqueiro, bandido. A inferência não repousa na provocação entre torcedores, mas na necessidade de tornar o pobre malcheiroso ou igualar o maloqueiro a bandido. Por último, crescentemente careca, amargo comentários jocosos – e bobos – sobre calvos.

Desde cedo, ouvi pessoas da família dizerem que eu era menino desastrado. Coincidentemente, além de sinistro, não tinha boa coordenação motora. Para piorar, sem relação alguma com o fato de ter que escrever com a mão torta, nunca alcancei excelência escolar. Minhas notas sempre foram medianas. Jamais ganhei um campeonato de matemática. Nenhum professor tratou minha redação como modelo. Entrei para a universidade pública em penúltimo lugar. Não recordo quase nada do que me ensinaram de estatística, macro-economia ou direito.

Nas relações sociais, nem que tente, consigo ser a alegria da festa. Prefiro ambientes intimistas. Não sei dançar. Canto pior que as gralhas. Sou introvertido em pequenos grupos.

Tenho raríssimos prodígios para relatar como líder de uma comunidade evangélica. As igrejas que pastoreei são frequentadas por pessoas comuns que lutam, diariamente, contra as circunstâncias cruéis do Brasil da periferia. Vivemos apertados. Nunca sobra dinheiro na tesouraria. Preparo sermões na base do suor, estudo e, vez por outra, lágrimas. Não tenho boa memória, por isso estudo feito um condenado.

Não pretendo polemizar com os inteligentíssimos mestres da teologia fundamentalista. Eles me dariam um banho de lógica. Nem entendo porque faço inimigos. (Não anseio começar um novo movimento ou escola de pensamento). Só escrevo e tensiono as ideias por não querer me acomodar às limitações que trago desde o berço. Se acabei antipatizado por gente que não conheço, foi sem intenção.

Há poucos dias conversei com um jovem também cearense. Sua história me comoveu. Ele também tinha uma lista, sem os “cs“, mas bem mais sofrida que a minha: Ricardo, você não imagina a carga de preconceito que rapazes iguais a mim sofrem: nordestino, negro, pobre e homossexual, morando na periferia de São Paulo. Depois que ouvi a história do meu conterrâneo, desejei sair da posição de conselheiro e ser, simplesmente, seu amigo.

Imaginei o Everest de problemas que ele enfrentava, bem mais altos e íngremes que os meus. Passei a dividir com ele um pedaço da minha história. Enquanto repartíamos nossas inquietações, sonhamos com um mundo em que ninguém seria discriminado devido a gênero, cor da pele, status social ou orientação sexual. (Lembrei da criança que foi espancada até a morte pelo pai por ter trejeitos femininos).

Quem sabe, jogamos algumas sementes no chão árido em que pisamos juntos. Resta esperar que elas se tornem árvores frondosas, onde a próxima geração buscará sombra. Ali em meu escritório, sem estardalhaço, sem messianismo e sem oportunismo, éramos parceiros. Nossas dores nos uniam e a esperança nos fazia irmãos.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Papa Francisco já enfrenta resistência no Vaticano

Ala tradicionalista da Igreja condena abertamente mudanças promovidas pelo Pontífice

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

Publicado no O Globo

Não é raro o Papa Francisco deixar sua sala de trabalho na Residência de Santa Marta, na Cidade do Vaticano, tirar uma moeda do bolso e se servir de um café expresso na máquina instalada no corredor. Em mais de seis meses de pontificado, o sucessor de Bento XVI manteve seus austeros hábitos de cardeal franciscano, renunciou aos aposentos papais no Palácio Apostólico e a tradicionais símbolos do vestuário do cargo, como os sapatos vermelhos ou a cruz de ouro (ele usa uma de prata).

No discurso, o novo Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, na rejeição de uma ingerência espiritual na vida pessoal, e criticou a “obsessão” da Igreja por temas como o casamento homossexual, o aborto ou os contraceptivos. A Igreja “dos pobres e para os pobres” do Papa Francisco tem suscitado entusiasmo entre fiéis, mas também desaprovação e severas críticas por parte de setores católicos conservadores.

Para o italiano Marco Politi, um dos mais respeitados vaticanistas, está em curso “uma verdadeira revolução”, num processo gradual de “desmontagem de uma Igreja imperial” em que o Papa era o monarca absoluto e a Cúria romana, o centro de dominação. O analista aponta uma firme intenção de Francisco em impor o “princípio de colegialidade” pela implementação de um mecanismo de consulta com os bispos para decidir sobre as mudanças necessárias à Igreja.

— Por isso que já ocorre uma resistência das forças conservadoras, não somente na Cúria, mas na Igreja. Mas até este momento, no escalão superior, os cardeais e bispos conservadores não falam abertamente contra o Papa, deixam as críticas mais furiosas aos sites na internet. Vemos em diferentes partes do mundo sites muito agressivos contra o Papa, acusando-o de populista, demagógico, pauperista, de não querer exercer o primado absoluto de Pontífice romano — nota Politi.

‘Enganador em turnês demagógicas’

O blog “Messainlatino.it”, que prega a renovação da Igreja “na esteira da tradição”, denunciou uma “real e verdadeira crise de identidade” do Pontífice por causa de uma de suas notórias declarações no voo de retorno à Itália da viagem ao Rio de Janeiro, onde participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ): “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, disse Francisco. O site tradicionalista diagnosticou como “um sinal tangível de um extravio existencial que faz literalmente tremer os nervos e o corações dos fiéis”, e indagou de forma irônica: “Perdoe o atrevimento, vós não sois, talvez, o ‘Papa’? Não tendes, talvez, as chaves para abrir e fechar o Reino dos Céus?”.

Conservadores americanos reunidos no “Tradition in Action”, site baseado em Los Angeles que defende as “tradições católicas”, acusaram Francisco de ser um “enganador” que organiza “turnês demagógicas” em “estilo miserabilista”. Para o “Tradition in Action”, o Pontífice procura “dessacralizar os símbolos do papado a fim de aboli-los”. O site criticou seu gesto de retirar o solidéu para colocá-lo sobre a cabeça de uma menina: “Deste modo, quer parecer como um velho vovô que brinca com a sua netinha e, ao mesmo tempo, demonstrar que os símbolos do papado são inúteis”.

Bertone fora do caminho

Para o “Corrispondenza Romana”, setores da Igreja estão sendo controlados por “uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista”. O site “Una Fides” censurou missas celebradas no Brasil em que sacerdotes distribuíram a eucaristia em copos de plástico: “O Senhor, um dia, pedirá contas pelos inumeráveis sacrilégios cometidos por milhões de crentes, milhares de sacerdotes, centenas de bispos, dezenas de cardeais e talvez até por alguns Papas.” Já a publicação americana “National Catholic Register” definiu a eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa como “mais um acréscimo à pilha das recentes novidades e mediocridades católicas”.

Para Marco Politi, haverá mais oposição entre bispos e cardeais no mundo do que dentro da Cúria, onde grande parte de seus integrantes estava decepcionada com a ineficácia administrativa de Bento XVI e com o autoritarismo do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

— Não podemos saber como tudo vai evoluir, mas é certo que à medida que o Papa avançar em suas reformas, o movimento de resistência por parte dos conservadores será cada vez mais forte — avalia.

Para o posto de Bertone, o segundo na hierarquia da Santa Sé, foi nomeado o arcebispo Pietro Parolin, “um homem de grande experiência, que não tem uma atitude ideológica, mas de atenção para a realidade contemporânea”, diz Politi. O vaticanista lista, ainda, algumas mudanças importantes já feitas ou sinalizadas pelo Papa: o saneamento do Banco do Vaticano, com tolerância zero para as contas opacas; a criação do grupo de trabalho constituído de oito cardeais para refletir e elaborar propostas de reformas na Cúria, a comunhão para os divorciados recasados ou a ascensão de mulheres a postos de decisão na hierarquia da Igreja.

— Uma de suas decisões que provocaram bastante ruído em Roma foi a demissão do prefeito da Congregação do Clero, o cardeal Mauro Piacenza (substituído por Beniamo Stella), responsável pelas centenas de milhares de padres no mundo — acrescenta Politi. — Era muito conservador, e contra qualquer mudança na lei do celibato. Esta troca é um sinal claro de que o Papa não quer um conservador num posto-chave como este.

‘A instituição irá se defender’

Para o sociólogo francês Olivier Bobineau, especialista em religiões no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences-Po) e autor de “O império dos Papas — uma sociologia do poder na Igreja”, haverá um limite para as reformas de Francisco. Na sua opinião, o Pontífice já deu sinais de abertura, simplificou o protocolo hierárquico e poderá alterar o “clima e o ambiente” na Igreja, mas terá enormes dificuldades se desejar promover transformações mais profundas.

— A primeira coisa que ele teria de fazer é mexer no edifício hierárquico. Mas nem João XXIII conseguiu fazê-lo. A instituição irá se defender. Há padres e bispos que amam este poder hierárquico, e vão tentar conservá-lo por todos os meios. Não se pode sair de uma estrutura católica que remonta ao século V. Há 1.500 anos é assim. Um só homem não pode mudar isto.

Bobineau acredita que o Papa centrará seu Pontificado nas mensagens de amor e pelos pobres e em mudanças de estilo:

— Em sua recente entrevista à revista dos jesuítas, ele disse que as reformas estruturais e organizacionais são secundárias. Ele sabe. Seria necessário explodir tudo. Ele está no topo de uma estrutura hierárquica que em algum momento vai lhe impor limites. Quanto mais ele empurrar no sentido de mudanças, mais sofrerá resistências dos conservadores — prevê.

Entre 1º e 3 de outubro, o Conselho de oito cardeais se reunirá com o Papa para preparar um documento de trabalho com propostas de reformas na Cúria. No dia 4, Francisco visitará, pela primeira vez como Papa, Assis, a cidade do santo que inspirou o nome de seu pontificado.

— A expectativa é de que fará um discurso bastante forte sobre a pobreza na Igreja — arrisca Politi.

Projeto da bancada evangélica prevê punição para quem contratar prostitutas

Imagem de  campanha reprovada pelo Ministério da Saúde

Imagem de campanha reprovada pelo Ministério da Saúde

título original: Após a “Cura gay”, Câmara debate a Guerra do Sexo

Leandro Mazzini, no UOL

Enquanto avança na Câmara o debate da proposta de regulamentação da profissão de prostituta, sob comando do deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a bancada cristã prepara a retaliação.

O deputado evangélico João Campos (PSDB-GO), o mesmo que apresentou a ‘Cura Gay’, faz lobby pela celeridade da tramitação do PL 377 de 2011, que pune quem contratar pessoas para prostituição.

O projeto já está na Comissão de Constituição e Justiça, com relatoria de Marcos Rogério (PDT-RO).

A bancada evangélica distribuiu o DVD ‘Nefarious – O mercado de almas’, sobre tráfico de mulheres para a prostituição. Esperam o caos se aprovada a regulamentação.

Acostumado ao ‘bullying político’, homossexual assumido, Jean Wyllys não se faz de vítima nem se dá por vencido. Conseguiu apoio suprapartidário para manter o debate.

OAB vai pedir a cassação de Marco Feliciano e Jair Bolsonaro

wadih-damous

Wadih Damous ingressa com o processo na semana que vem

Publicado no Correio do Brasil

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) concluiu a denúncia contra Marco Feliciano (PSC-SP) e Jair Bolsonaro (PP-RJ) por campanha de ódio. A entidade quer que a Corregedoria da Câmara puna os dois por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios, o que poderia resultar na cassação de seus mandatos.

Liderando um grupo de mais de vinte entidades ligadas aos direitos humanos, a OAB enviará, na próxima semana, representação ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, contra Feliciano e Bolsonaro. A entidade quer que a Corregedoria da Câmara os processe por quebra de decoro parlamentar em virtude de divulgação de vídeos considerados difamatórios.

Em um dos vídeos, Bolsonaro teria editado a fala de um professor do Distrito Federal em audiências na Câmara para acusá-lo de pedofilia e utiliza imagens de deputados a favor da causa homossexual para dizer que eles são contrários à família.

Para o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB, Wadih Damous, essas campanhas de ódio representam o rebaixamento da política brasileira. “Pensar que tais absurdos partem de representantes do Estado, das Estruturas do Congresso Nacional, é algo inimaginável e não podemos ficar omissos. Direitos Humanos não se loteia e não se barganha”, disse. Indignado com os relatos feitos por parlamentares e defensores dos direitos humanos durante reunião na sede da entidade, Damous garantiu que “a Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB será protagonista no enfrentamento a esse tipo de atentado à dignidade humana”.

Na reunião com a CNDH da entidade dos advogados estiveram presentes, além dos deputados acusados na campanha difamatória, representantes da secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, do Conselho Federal de Psicologia, e ativistas dos movimentos indígena, de mulheres, da população negra, do povo de terreiro e LGBT.