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Padre russo diz que Copa é uma ‘abominação homossexual’. E culpa chuteiras

asdadasdPublicado no UOL Esporte

Houve um tempo em que jogadores não tinham opção: chuteira era preta. Hoje, toda a gama de cores que se pode imaginar podem chutar uma bola. Ainda mais em Copa do Mundo. Mas tem gente que não gosta muito desse carnaval nos pés, em que Neymar, por exemplo, pode até jogar de dourado. Um padre russo está detonando a Copa e dizendo que o evento promove a “propaganda gay”. E a culpa está justamente nas pobres coitadas das chuteiras.

O padre ortodoxo Shumsky tem uma coluna no site russo Russian Alexandr-Shumsky-church-religion-gays2People’s Line, e foi lá que ele fez seu “desabafo”. O texto foi reproduzido pelo Moscow Times, e diz que as chuteiras coloridas são uma referência ao arco-íris, símbolo gay.

“Vestir chuteiras rosa ou azuis é a mesma coisa que vestir calcinhas ou sutiãs”, afirmou o padre.

“A ideologia liberal da globalização quer claramente opor cristianismo e futebol. Estou certo disso. Portanato, estou satisfeito que os jogadores russos tenham falhado e, com a graça de Deus, não participam mais desta abominação homossexual”, escreveu Shumsky.

O caso é curioso e pode ser encarado como engraçado, mas reflete uma realidade dura na Rússia, em que a homofobia é crescente. Isso gerou protestos também no âmbito esportivo, a exemplo do que se viu nas Olimpiadas de Inverno, em Sochi.

Superando preconceito, pastor evangélico é também drag queen

Ele defende releitura do livro sagrado e prega a liberdade como ‘o maior presente de Cristo’

Superando preconceito, pastor evangélico é também drag queen

Superando preconceito, pastor evangélico é também drag queen

Fabíola Leoni, em O Globo

Numa hora, ele pega a Bíblia na cabeceira para fazer uma pregação. Na outra, pega os cílios postiços para a próxima parada gay. Apesar de soarem antagônicas, as opções fazem parte do cotidiano do líder pastoral Marcos Lord — ou drag queen Luandha Perón, para os íntimos. Professor da rede pública há sete anos, em Duque de Caxias, Marcos é um carioca de sorriso largo, que demonstra sua crença religiosa com uma devoção para fiel fervoroso nenhum botar defeito. Evangélico de berço, ele diz ter sofrido quando se revelou homossexual, há dez anos, aos 26. A saída para não abandonar a fé foi entrar na Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM). O ramo evangélico é conhecido por ter a maior parte dos fiéis integrantes da comunidade LGBT, o cenário propício para o nascimento, em 2011, de Luandha — “uma subversão, uma exaltação do feminino”, como define o pastor.

— Quando o Marcos está no trabalho, Luandha fica guardadinha ali no lugarzinho dela, como um gênio na garrafa — afirma o professor do 3º ano do ensino fundamental, que diz que os alunos não sabem da existência da personagem.

A transformação leva 30 minutos. Usando o próprio altar da igreja como mesa de maquiagem, Marcos pinta o rosto, sobe no salto alto e põe uma peruca de cabelos castanho-escuro com mechas californianas.

Perguntado sobre como é feita a pregação de um gay num ambiente com preceitos evangélicos, que levantam a bandeira contra a homossexualidade, o líder pastoral, sem tirar os olhos da Bíblia, defende de forma categórica uma releitura do livro, seu “manual de fé”. A ICM é considerada uma igreja inclusiva, o que, segundo Marcos, é uma expressão redundante — já que, para ele, todas as igrejas deveriam ser inclusivas. O pastor prega a liberdade como “o maior presente de Cristo” e acredita que “o essencial é o amor e a mensagem que a palavra de Deus transmite”. Para ele, a questão está no que ainda pode ser considerado sacrilégio ou não a partir das antigas escrituras.

— Se você for ler a Bíblia ao pé da letra, terá muitos problemas. Ela fala sobre escravidão, que você tem direito a ter um irmão escravo seu por sete anos. Ela diz que você não tem direito de comer carne de porco. Mas quem vai abrir mão de comer o seu presunto e o seu pernil? Se nós mantivéssemos a mesma visão que sempre tivemos da religião evangélica, a mulher estaria até hoje calada — argumenta, seguro. — Eu não posso simplesmente pegar a Carta aos Romanos e lê-la como se ela tivesse sido escrita para os brasileiros do século XXI. A Carta aos Romanos foi escrita para os cristãos de Roma, daquele período histórico, do primeiro século. Então eu não posso achar que ela é válida para hoje. Mas eu posso tentar pegar alguns ensinamentos que estão ali e achar novos significados para os dias de hoje? Posso. Assim como pego os ensinamentos da minha avó e tento trazer para minha vida até hoje. Mas isso não quer dizer que eu não vá pedir manga com leite numa lanchonete porque ela disse uma vez, lá atrás, que faz mal.

Foi nos idos de 1968, nos Estados Unidos, que surgiu a Metropolitan Community Church, liderada pelo pastor Troy Perry, que se revelou homossexual. O estudo da Bíblia feito a partir de um novo viés, com enfoque nos contextos histórico e social, ocorreu de forma concomitante com perseguições e ameaças à igreja, que cresceu desde então. Perguntado se é reconhecida internacionalmente, Marcos diz que ela é chamada de “a igreja dos direitos humanos” e que sua líder mundial, Nancy Wilson, faz parte de um grupo de aconselhamento, com representantes de organizações sem fins lucrativos, religiosas e laicas, que assessora o presidente Barack Obama.

No Brasil, a comunidade existe há cerca de dez anos, segundo o pastor. Há unidades em Fortaleza, Maceió, Teresina, Cuiabá, Maringá (Paraná), Caxias do Sul (Rio Grande do Sul), Belo Horizonte, Vitória, São Paulo e Mariporã (São Paulo). No Rio, há unidades em São João de Meriti e a comunidade Betel, em Irajá, onde Marcos é o líder pastoral. Na unidade, os cultos ocorrem numa pequena sala, onde podem ser vistos banners com dizeres como “O Senhor é meu pastor, e Ele sabe que eu sou gay”. Apesar de ser uma comunidade mundial, a ICM não é ligada a nenhuma convenção nacional de igrejas evangélicas.

A aflita descoberta da homossexualidade

O líder pastoral Marcos Lord vestido como drag queen: Luandha Perón, para os íntimos (foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo)

O líder pastoral Marcos Lord vestido como drag queen: Luandha Perón, para os íntimos (foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo)

Para quem desde que se entende por gente ouviu que ser gay era pecado e tinha “espíritos malignos”, a descoberta do gosto por uma pessoa do mesmo sexo pareceu um martírio. Marcos disse que teve receio do preconceito e da reação da família — que, inicialmente, foi negativa — e que fez penitências contra si próprio, em prol de sua “libertação”. Numa delas, levantou-se de madrugada durante sete dias. Foi na época em que morava com o irmão, pastor de uma igreja evangélica, em Barra Mansa, no Sul Fluminense.

— Eu me lembro claramente de uma noite. Estava passando por aquele momento de crise existencial e de madrugada fazia poças de lágrimas, ajoelhado no chão, pedindo a Deus que me libertasse. No fim da sétima noite, eu percebi que não ia adiantar, que Deus não tinha que me libertar, que não havia do que ser libertado. E a crise foi tentar encontrar lugar na minha fé para a minha sexualidade, entender que eu poderia ser gay e ser cristão — diz Marcos, que conheceu a ICM por meio de um amigo. — No começo, eu tive muita resistência. Eu não queria uma igreja para gays. Eu queria uma igreja. Eu imaginava que ia ter uma drag queen dublando a Fernanda Brum e a Cassiane, e que na hora da pregação o pastor ia transformar todos os personagens da Bíblia em homossexuais. Mas fui, e eles estavam estudando a Bíblia, como eu estudava nas igrejas de onde vim. Percebi que era uma igreja como qualquer outra. Só que me aceitava como eu sou.

Luandha Perón, segundo Marcos, aparece em eventos — paradas gay e festas da igreja — como forma de militância. O nome tem justificativa: é uma homenagem à África e à paixão pelo Museu Evita, em Buenos Aires, que conheceu em sua primeira viagem internacional, feita há três anos. Já a ideia de virar drag queen teve inspiração política: uma apresentação de integrantes da ICM de São Paulo. Durante a parada gay, fiéis da igreja paulista foram às ruas vestidos de noivas, para criticar o governo brasileiro, que se coloca contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

— Quando você vai para a balada, vira um personagem Não é a mesma pessoa que vai trabalhar de segunda a sexta. E, no meu caso, a drag queen é um personagem político, exaltando a mulher. As pessoas não gostam só porque é gay, e sim também porque é pintosa. As pessoas gostam de falar “Ai, não basta ser gay, ainda tem que dar pinta?” Por que não se pode dar pinta? Por que ser feminino é tão ruim? — pergunta Marcos, já sendo maquiado para se transformar em Luandha. — Quando começa esse processo de maquiagem, o Lord vai para trás das cortinas, e a Luandha vai surgindo. Ela vai começando a criar corpo, forma, a personalidade de Luandha vai surgindo. Ela é diferente de mim. Ela é mais ousada. Eu sou um pouco mais contido. O grande problema de o Lord virar Luandha é a sobrancelha e o chuchu (a barba).

Para Marcos, a inclusão que acontece na ICM é algo radical, já que deve ser aceito tudo aquilo que pode até chocá-lo:

— Imagina uma drag queen no culto? Imagina a primeira vez que a Luandha for pregar? Mas tudo causa. Na primeira vez que uma mulher botou uma calça, as pessoas ficaram assombradas. Como ela tinha a ousadia de fazer aquilo? Então o processo é esse. No começo choca, causa estranhamento, mas as pessoas vão se acostumando. E se ninguém causar esse primeiro impacto, esse primeiro choque, nunca vai passar disso, sempre vai ser um choque.

Maquiador de Luandha, o professor de história Léo Rossetti — também drag queen e membro da ICM Betel — defende que as pessoas usem a maquiagem como forma de transitar entre gêneros e ser o que quiser. Ele afirma que Deus não está preocupado com os corpos e não se define nem como macho, nem como fêmea:

— Se falo que Deus é homem, eu o estou fechando, tornando-o menor. Ele é tudo. Deus está preocupado com outras coisas, com o coração e com a justiça, por exemplo.

Jesus na Lapa

Baseado no slogan da ICM de igreja inclusiva, o pastor Marcos afirma que Jesus Cristo era um ser extremamente inclusivo, que chamava para perto de si os excluídos da sociedade, como cegos e mulheres. E aposta que, se Cristo nascesse nos tempos atuais, isso aconteceria na Lapa, bairro boêmio carioca:

— A gente aqui costuma dizer isso e que ele seria amigo das travestis, dos transexuais, dos malandros da Lapa. Jesus sempre andou com quem estava à margem da sociedade. Nós procuramos fazer isso também, apesar de não ser fácil esse trabalho diário. É chamar quem acha que não tem lugar junto às pessoas.

Segundo Marcos, apesar de os princípios da ICM se chocarem com os de outras igrejas, existe diálogo entre elas.

— Todo ano participamos da caminhada pela liberdade religiosa, contra a intolerância. Falamos com muita tranquilidade com a igreja episcopal anglicana, e temos contato próximo com a igreja presbiteriana da Praia de Botafogo. Mas há uma verdadeira ojeriza por parte das igrejas neopentecostais, principalmente. A gente vê pastores aí que, se pudessem, botavam o porrete na mão do povo para bater, porque eles não batem. Eles não são homofóbicos — ironiza o pastor.

Sobre relacionamentos amorosos, Marcos diz não se sentir à vontade para se envolver com “alguma ovelha” da comunidade, que conta, por exemplo, com mais duas drag queens. Livre e desimpedido, como se intitula atualmente, ele afirma que pensa em ter uma filha, que se chamaria Maria Eduarda. Segundo Marcos, que já foi noivo de uma mulher, se até os 40 anos não achar um companheiro com quem construir uma família, dará entrada mesmo assim no processo de adoção.

“Se as vacas não são gays, como os homens podem ser?”, indaga a primeira-dama da Uganda

Em evento religioso, Janet Museveni parabenizou os pastores que trabalharam pela aprovação da lei antigay e afirmou que “Deus está grato” por conta disso

“Se as vacas não são gays, como os homens podem ser?”, indaga a primeira-dama da Uganda

Publicado no Portal Forum

Em evento religioso realizado neste fim de semana, a primeira-dama da Uganda, Janet Museveni, parabenizou os bispos pela campanha a favor da lei antigay. Janet, que também é ministra para assuntos da região Karamoja, declarou ainda que a lei aprovada é para “proteger Uganda”.

“Se as vacas não são gays, como pode o homem ser?”, questionou em discurso. Janet Museveni também afirmou que a aprovação da lei foi “um trabalho de Deus” e que se a lei não tivesse sido aprovada “Uganda iria ruir”.

As declarações foram feitas durante um evento em homenagem aos bispos da Igreja de Uganda. A primeira-dama também declarou que não existe a possibilidade da lei ser revogada e que “Deus está grato” por conta da nova legislação. Janet também dirigiu o seu discurso para os jovens e pediu a eles que “rejeitem a homossexualidade e qualquer influência cultural do Ocidente”.

A legislação antigay de Uganda prevê 15 anos de regime fechado para réus primários e prisão perpétua para reincidentes. Neste momento, ativistas dos Direitos Humanos de Uganda entraram com uma ação no Tribunal Constitucional do país, alegando que a referida lei é inconstitucional.

dica da Morgana Boostel

Nos EUA, grupo que oferecia “cura gay” pede desculpas e fecha as portas

Em comunicado, a Exodus se desculpou com homossexuais por “anos de pré-julgamentos da Igreja como um todo”

A organização Exodus International enfrentou vários protestos por oferecer a "cura gay"

A organização Exodus International enfrentou vários protestos por oferecer a “cura gay”

Publicado no Opera Mundi

Foram 37 anos dizendo que a homossexualidade era um desvio. A missão era, até esta quarta-feira, “ajudar” os gays a reencontrar “o caminho para ser um cristão pleno”. No entanto, a organização Exodus International mudou de ideia, pedindo desculpa pelos tempos de represálias aos casais do mesmo sexo. “Uma nova geração de cristãos está procurando mudanças. Ele querem ser ouvidos”, afirmou à imprensa dos EUA o líder da entidade, Tony Moore.

A Exodus anunciou ontem que vai fechar as suas portas e não irá mais oferecer a “cura gay”, que foi  o carro chefe da organização desde 1976, quando começou a “recuperar” as pessoas. “ Nós fazemos parte de uma comunidade conservadora cristã. Mas nós cessamos e agora queremos vida, um organismo que respira”, disse Moore.

Em um comunicado oficial, a Exodus pediu desculpas aos homossexuais por “anos de pré-julgamentos da Igreja como um todo”.

“É estranho fazer parte de um sistema de ignorância que perpetua e fere o sentimento das pessoas. Hoje é como se eu tivesse acabado de acordar e perceber como é doloroso ser um pecador nas mãos de uma igreja com raiva”, afirmou o presidente da Exodus, Alan Chambers, à rede CNN.

Chambers é, inclusive, um dos “curados” pela Exodus. Antes de passar pela entidade, se reconhecia como homossexual. Hoje, com esposa e filhos e só após o fechamento da Exodus, assume que continua a sentir “atração pelos dois sexos”.

A Exodus, que costumava promover o slogan “liberte-se da homossexualidade através do poder de Jesus”, foi diminuindo suas atividades de “cura” no decorrer do anos.

Além dos constantes protestos, entidades de direitos humanos e psicologia condenavam as atividades desenvolvida pelo grupo. O estatuto oficial da Associação dos Psicólogos dos EUA afirma que “profissionais da saúde mental e da psicologia devem evitar tratar a mudança sexual por meio de qualquer terapia ou tratamento”.

Agora, os ex-membros da Exodus pretendem criar uma nova organização religiosa. Durante a semana passada, escolheram até um novo nome: “Reduce Fear” – que pode ser traduzido como “reduzir o medo”.

“É uma nova entidade para uma nova geração. Nosso objetivo é reduzir o medo das pessoas e receber aqueles que estão dispostos à mudança. Deus está nos chamando para receber a todos e amar sem impedimentos”, conclui Chambers.

Pedido de vista surpreende evangélicos e suspende votação de projeto sobre ‘cura gay’

Manifestantes pró e contra o deputado Marco Feliciano protestam do lado de fora da reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos deputados (foto: Pedro Ladeira /Folhapress)

Manifestantes pró e contra o deputado Marco Feliciano protestam do lado de fora da reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos deputados (foto: Pedro Ladeira /Folhapress)

Márcio Falcão, na Folha de S.Paulo

Apesar da mobilização da bancada evangélica, um pedido de vista suspendeu nesta terça-feira (4) a votação de um projeto na Comissão de Direitos Humanos que, na prática, permite aos psicólogos promoverem tratamento com o fim de curar a homossexualidade.

O deputado Simplício Araújo (PPS-MA) pediu mais tempo para analisar a proposta, conhecida como “cura gay”. O projeto deve voltar a ser discutido em duas semanas pela comissão.

Antes do pedido, o presidente da comissão, Marco Feliciano (PSC-SP), esperou por mais de 40 minutos a chegada de colegas para dar início aos trabalhos. Feliciano e assessores dispararam telefonemas pedindo a presença dos deputados na comissão.

A bancada evangélica esperava aprovar a proposta na véspera de uma marcha programada pelo pastor Silas Malafaia em frente ao Congresso contra aborto e casamento gay.

O pedido de vista gerou mal-estar. Alguns parlamentares, alinhados a grupos religiosos, defenderam a proposta e criticaram o adiamento da votação.

As principais críticas partiram do deputado Pastor Eurico (PSB-PE). “Acho que as minorias devem ser respeitadas, honradas, mas o que estamos assistindo é uma minoria que quer impor que temos que aceitar o que eles querem”, disse. “Em nenhum momento trata de cura gay. eu defendo, eu prego que Jesus Cristo liberta qualquer tipo de pessoa de qualquer coisa. tenho inúmeros testemunhos de que é uma questão pessoal”, completou.

Simplício Araújo pediu que respeitassem sua posição de ter mais tempo para analisar o texto e defendeu que a proposta fosse discutida sem corporativismo. “Estou diante de um projeto polêmico diante da sociedade e preciso estar seguro para votar. Não me encontro seguro para fazer o voto. Gostaria que isso fosse respeitado.”

Feliciano ironizou a forma como o projeto é conhecido. “Eu ando nas ruas e me pedem injeção, remédio para curar gay.”

O deputado disse esperar que diante do impasse em torno do projeto “vença o argumento e não forçação (Sic) de barra”. Ele criticou a mídia por chamar o projeto de “cura gay” e disse que vai estudar com o comando da Casa medidas a serem tomadas a respeito da veiculação do termo nos meios de comunicação da Câmara.

Desde que assumiu o comando da comissão, em fevereiro deste ano, Feliciano enfrenta protestos de ativistas de direitos humanos que o acusam de racismo e homofobia. Ele nega. Uma das críticas é de que o deputado beneficiaria os evangélicos na discussão da proposta na comissão.

Os deputados disseram que a ideia é apenas permitir a orientação para gays. “Ninguém está falando que a partir deste momento pessoas vão sair correndo atrás dizendo: você é doente, você precisa se curar. É para quem procurar ajuda”, disse Liliam Sá (PSD-RJ).

O projeto de decreto legislativo 234/11 foi apresentado pelo deputado João Campos (PSDB-GO), integrante da bancada evangélica.

A proposta susta trechos de resolução instituída em 1999 pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia), que determina que “os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”.

O projeto também propõe anular trecho da resolução que proíbe os psicólogos de emitirem opiniões que reforcem “os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”

A proposta é rejeitada pelo CFP. No ano passado, a entidade recusou-se a participar de uma audiência pública realizada na Câmara para debater o projeto. O conselho inclusive lançou uma campanha contra a ideia.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) deixou de considerar a homossexualidade doença em 1993.

Para o autor do projeto, o conselho “extrapolou seu poder regulamentar” ao “restringir o trabalho dos profissionais e o direito da pessoa de receber orientação profissional”.

dica do Israel Anderson