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Animais selvagens ‘invadem’ metrô de Paris

Dois fotógrafos franceses apresentam em Paris uma exposição com fotomontagens insólitas de animais selvagens no metrô da cidade

140406195223_animetro1Publicado na BBC

Uma girafa que tenta colocar o pescoço dentro do vagão, um leão que passa por baixo da catraca, um avestruz na cabine do maquinista, um macaco que indica o caminho a alguém ou cervos que lotam uma plataforma de embarque são algumas das imagens da mostra “Animetrô”, apresentada na Millésime Gallery, próxima à Torre Eiffel, em Paris.

O objetivo, segundo os fotógrafos Clarisse Rebotier e Thomas Subtil, é fazer com que as pessoas vejam o metrô e também o cotidiano de outra maneira, com surpresa e humor.

“Ninguém hoje em dia vê o metrô como algo que pode dar prazer ou satisfação. Essa série de fotos incita as pessoas a apreciar as coisas que fazem parte do dia-a-dia”, disse à BBC Brasil a fotógrafa Clarisse Rebotier.

“As crianças olham o mundo com curiosidade e surpresa. Fotos de animais fora de seu cenário habitual podem recriar esse mesmo tipo de sensação nos adultos”, afirma a fotógrafa.

Segundo ela, há um “aspecto onírico” nessas imagens feitas no transporte público. “Queremos que as pessoas sonhem e pensem que estão em outro lugar”, diz a fotógrafa.

Algumas fotos se inspiram em situações do cotidiano dos usuários do metrô parisiense e mostram, por exemplo, um músico cercado por macacos ou ainda um esquilo que prende a pata na porta do vagão, uma referência aos avisos colados em todos os metrôs pedindo para as pessoas não colocarem as mãos nas portas, ilustrados com o desenho de um coelho com os dedos presos.

Efeito surpresa

Rebotier afirma sempre buscar uma “defasagem” entre os personagens e o cenário das fotos para criar, com humor, um efeito de surpresa.

Ela é conhecida por utilizar em suas fotos bonequinhos em miniatura, que parecem vivos, em situações inusitadas, como jogadores de golfe em volta de um umbigo ou um operário que passa uma britadeira nos dentes de alguém.

Nos últimos três anos, ela vem trabalhando em uma série de fotos sobre empalhadores de animais para um livro que, segundo Rebotier, mostrará “com poesia” essa atividade de empalhamento de bichos.

Na exposição “Animetrô”, cerca de um terço dos animais mostrados nas fotos são empalhados. O restante são bichos vivos fotografados em seu habitat natural, na savana do Quênia, ou em zoológicos, diz ela.

O fotógrafo Thomas Subtil, co-autor da “Animetrô”, já havia realizado fotomontagens de animais selvagens (que ele fotografou no Quênia) em situações insólitas.

Em seu trabalho anterior, “Hakuna Matata”, ele mostrou elefantes fazendo acrobacias, zebras fazendo fila para ir ao banheiro ou ainda girafas segurando nos dentes um varal de roupas.

Nas fotos da exposição “Animetrô”, os dois fotógrafos realizaram juntos as fotografias de animais, de estações de metrô parisienses e as fotomontagens, diz Rebotier.

Diante do sucesso da mostra, ela foi prorrogada algumas semanas e ficará em cartaz até 22 de maio na Millésime Gallery.

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Estudo mostra que bom humor melhora a saúde e a inteligência

Florence Williams, no The New York Times [via UOL]

Rir relaxa os vasos sanguíneos, melhorando a circulação, de forma similar ao exercício aeróbico (foto: Getty Images)

Rir relaxa os vasos sanguíneos, melhorando a circulação, de forma similar ao exercício aeróbico (foto: Getty Images)

Um bebê engoliu uma bala calibre 22. Chorando, a mãe corre à farmácia. “O que devo fazer?” E o farmacêutico responde: “Dê a ele um frasco de óleo de rícino, mas não o aponte para ninguém”.

Achar essa piada engraçada depende de mais variáveis do que provavelmente você possa supor. Depende de uma compreensão cultural comum das propriedades técnicas do óleo de rícino. Como muitas piadas e qualquer aluno do quarto ano pode comprovar, depende de sua delicadeza em relação às funções corporais. De forma menos óbvia, o senso de humor também depende da sua idade, gênero, QI, inclinação política, grau de extroversão e da saúde do seu circuito de recompensa de dopamina.

Se você acha toda essa análise pouco engraçada, [o escritor norte-americano] E.B. White estaria com certeza lhe apoiaria. Ele escreveu um dia que desmontar piadas é como dissecar sapos: poucas pessoas se interessam e o paciente sempre morre no final.

Felizmente, o neurocientista cognitivo Scott Weems não tem medo de parecer sem graça. O humor merece um estudo acadêmico sério, ele argumenta em seu livro, “Ha! The Science of When We Laugh and Why” (Há! A ciência de quando rimos e por quê, em tradução livre), porque produz vislumbres de como nosso cérebro processa um mundo complexo e como isso, por sua vez, nos transforma em quem somos.

Mais tempo rindo

Embora animais riam, os humanos passam mais tempo rindo do que exibindo qualquer outra emoção. Porém, o que confere a algumas pessoas um senso de humor melhor do que o de outros? Sem surpresa, os extrovertidos costumam rir mais e produzir mais piadas; contudo, em testes que medem a capacidade de escrever legendas de charges, as pessoas mais neuróticas, agressivas, manipuladoras e dogmáticas eram as mais engraçadas. Como diz o velho ditado, os melhores humoristas são tristes.

Talvez, escreve Weems, as pessoas infelizes são “mais propensas do que as outras a falar de forma desajeitada ou não aceitável socialmente para fazer uma boa piada”. Ou como pessoas de Aristóteles a Gertrude Stein ressaltaram, a infelicidade pode gerar a criatividade, e as melhores piadas exigem ginástica intelectual e uma observação astuta da natureza humana.

Analisar o humor às vezes exige dissecar piadas. Weems desmonta as piadas da “compreensão” em três componentes básicos: construção (examinar conhecimento relevante, experiência e expectativas), avaliação (descartar nossos erros e expectativas errôneas) e resolução (chegar a uma conclusão satisfatória e muitas vezes surpreendente). Veja como seu cérebro rapidamente faz essas três coisas ao ler o seguinte título merecedor de ser citado pelo apresentador Jay Leno: “Doutor testemunha em julgamento de cavalo”.

Para Weems, essas três etapas são as mesmas que usamos para solucionar problemas diários, quer logísticos, interpessoais ou existenciais.

Segundo ele, “interpretar nosso mundo é um evento criativo”. Em sua raiz, as piadas têm a ver com conflitos e “detectar erros é a forma pela qual nossos cérebros transformam conflitos em recompensas”. Sem essa capacidade, não seríamos capazes de tomar decisões, aprender novos truques ou nos darmos bem com os outros. Continue lendo

Ian SBF, do Porta dos Fundos: ‘Não há nenhum tema proibido para a gente’

Ian SBF, fundador do canal Porta dos Fundos Simone Marinho / Agência O Globo

Ian SBF, fundador do canal Porta dos Fundos Simone Marinho / Agência O Globo

Publicado no O Globo

Único dos sócios fundadores do Porta dos Fundos que não é ator, o diretor Ian SBF, que será jurado do concurso The Walkers, de curtas para o YouTube, fala dos novos caminhos do audiovisual e diz que não abre mão da liberdade proporcionada pela internet.

Por que aceitou o convite para ser jurado do concurso de curtas para o YouTube?

Achei a ideia interessante, porque sou cria da internet. Eu até tinha um projeto semelhante com o Google, que não andou. Acho legal a ideia de revelar novos talentos. Vim disso aí. Se um concurso como esse tivesse acontecido anos atrás, antes do Porta, eu teria participado, com certeza, porque pra mim faz todo sentido.

A internet, para você, é um meio ou um fim para a sua produção?

Tenho dois momentos de relacionamento com a internet. Comecei a carreira tentando fazer cinema, mas era muito difícil, nunca consegui. Aí busquei a internet, com o canal de humor Anões em Chamas. Ao mesmo tempo, fui fazer TV, como produtor e diretor, impulsionado pelo sucessinho do canal. Logo percebi que a televisão não permitiria fazer tudo o que gostaria de fazer, como eu gostaria de fazer, e então criamos o Porta. Descobri que a internet era onde eu deveria estar.

Então a internet te dá a liberdade e o controle que você não tinha na TV ou no cinema?

Com certeza. Na internet, você não passa pelo critério de avaliação de ninguém, só o seu. O que acho legal nela é justamente isso: ali, é você e o público, sem intermediários, seu trabalho não passa por diretores gerais, acionistas, advogados. Você cria e vai direto para o público, tem uma respostas rápida.

A internet é o futuro do audiovisual?

Ela é apenas um meio de acesso aos produtos audiovisuais. O que vemos nela não é muito diferente do que se faz há quase cem anos nas mídias tradicionais. O que vemos na Netflix, por exemplo, é diferente do que vemos na TV convencional? Acho que a internet é só uma nova maneira de as pessoas assistirem a esse tipo de conteúdo.

O Porta já recebeu propostas para produzir conteúdo para a TV?

Já tivemos muitas ofertas, de TVs abertas e cabo. Mas o que apresentavam não era o modelo de produto que queríamos fazer. Aqui temos liberdade total, ganhamos dinheiro, então qual o motivo de fazer TV?

Quais os próximos passos do Porta?

Vamos lançar quatro séries temáticas ainda este ano, com quatro episódios cada uma, a serem disponibilizadas em quatro meses diferentes. Esperamos exibir a primeira ainda em abril. Já estamos escolhendo os assuntos e escrevendo os roteiros. E continuamos trabalhando em um longa-metragem para cinema, mas é uma projeto ainda muito embrionário.

Já esperavam tentativas de censura aos vídeos do Porta? Há algum tema proibido para vocês?

Na verdade, ficamos surpresos que as reações não tivessem sido mais fortes. Mas são problemas pontuais. As pessoas estão mais abertas a um tipo de humor mais pesado ou a conteúdos que não estavam preparadas para ver na TV. Hoje em dia, posso dizer que não há nenhum tema proibido pra gente. Se acharmos engraçado, fazemos. A coisa que mais prezamos é a liberdade de expressão.