Danilo Gentili diz que humor ajudou a superar morte do pai e da irmã

Guilherme Lara Campos/Folhapress
Guilherme Lara Campos/Folhapress

Publicado originalmente no F5

Quem vê Danilo Gentili, 33, fazendo graça na televisão não imagina a adolescência conturbada que ele teve.

Além de a família passar por problemas para pagar o aluguel da casa de um quarto em Santo André (Grande São Paulo), ele perdeu, em menos de um ano, o pai, vítima de um ataque cardíaco, e a irmã, que não resistiu a um acidente de carro.

“Ficamos somente eu e minha mãe, com quem tenho ótimo relacionamento”, contou à revista “29Horas”.

“O que nos segurou foi a religião –frequentávamos a Igreja Batista”, disse. “Como válvula de escape, passei a criar histórias em quadrinhos e a contar piadas para os amigos. Foi o início de tudo.”

Neste ano, além da volta do “Agora É Tarde” (Band), na próxima terça-feira (5), ele contou que está começando a montar o espetáculo “Politicamente Incorreto 2″, previsto para 2014.

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Marcelo Adnet: o novo rosto do humor brasileiro

AS CARAS DE ADNET Ele imita, canta, ironiza e faz questão de evitar o preconceito (Foto: Tomás Rangel/ÉPOCA)
AS CARAS DE ADNET
Ele imita, canta, ironiza e faz questão de evitar o preconceito (Foto: Tomás Rangel/ÉPOCA)

A geração de comediantes que nasceu no teatro, cresceu na internet e agora brilha na televisão

Martha Mendonça, na Época

“UAU” Interjeições pontuam as frases do comediante Marcelo Adnet. Em pouco mais de uma hora de conversa, foram 13 exclamações. Elas parecem cumprir sua função gramatical de exprimir, pelo exagero, o estado emocional de quem as pronuncia. Depois de uma carreira que começou no teatro há menos de dez anos e chegou à TV somente em 2009, o comediante apontado como o mais completo de sua geração gravará seu primeiro programa na TV Globo. Na MTV, onde estava até agora, Adnet não chegava a 1 ponto no Ibope. Agora, prestes a receber o prêmio de Melhor Humorista de 2012, conferido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), será protagonista de seriado num horário noturno que tem de 15 a 20 pontos de audiência. Como cada ponto corresponde a cerca de 200 mil telespectadores, é certo que nunca tantos rirão dele ao mesmo tempo.

Uma das maiores qualidades de Adnet é a capacidade de reunir dois ou mais assuntos em quadros impagáveis. Em 2011, na mesma semana em que Osama bin Laden foi descoberto e morto pelo Exército americano, bombava nas redes sociais um vídeo de Luiza Marilac, um travesti brasileiro radicado na Itália que curte “uns bons drinque” na piscina. Foi o suficiente para Adnet encarnar o Bin Laden, de sunga e turbante, com um texto semelhante e o mesmo gestual do travesti. A conexão entre a fama passageira de um personagem e o ocaso sangrento de outro conferiu ao quadro um resultado surreal, inteligente – e naturalmente hilário.

Parte da quase unanimidade que Adnet se tornou vem do tipo de humor que ele faz. Seria difícil chamar de “politicamente correto” alguém que mistura um travesti e um terrorista assassino no mesmo esquete. Mas, ao contrário do humor sem travas praticado por colegas como Rafinha Bastos, Adnet manifesta um grau de preocupação com aquilo que transforma em piada. Não costuma falar de homossexuais, negros ou adeptos de alguma religião. “Tenho uma regra: nunca sacaneio quem não escolheu ser daquele jeito”, afirma. Pobre e deficiente, não pode. Playboy ou político corrupto, pode. Gay e negro, não pode. Perua e rico preconceituoso, pode. Ele também acha machistas os programas de humor com mulheres seminuas.

“Impossível não acompanhar tudo o que o Marcelo faz. Ele é um virtuoso, um multitalento que nasce de tempos em tempos”, diz o roteirista Alexandre Machado, autor de sucessos do humor como TV Pirata e Os normais. Machado, ao lado da mulher, Fernanda Young, assina a estreia de Adnet na TV Globo, no seriado O dentista mascarado. Seu protagonista atende no consultório pela manhã e defende os fracos e oprimidos à noite. Machado diz que o texto está aberto aos pitacos de Adnet, assim como a improvisos nas gravações. “Se quiser, ele pode até escrever alguns episódios.”

Aos 31 anos, o carioca Adnet é o nome mais engraçado da nova geração do humor nacional. É uma geração que escreve, atua e produz. Além de Adnet e Bastos, reúne nomes como Bruno Mazzeo, Fábio Porchat ou Gregório Duvivier. Eles se tornaram conhecidos por dois caminhos. O primeiro foi o teatro, mais especificamente o stand-up comedy. É um espetáculo em que o comediante se apresenta sozinho, sem figurino ou cenário, fazendo observações sobre o cotidiano. Tradição nos Estados Unidos, ele era feito no Brasil por José Vasconcelos, na década de 1960, depois por Chico Anysio e Jô Soares, na década seguinte. No começo dos anos 2000, o estilo foi trazido de volta ao Rio de Janeiro por Fernando Ceylão, primeiro brasileiro a participar do festival de stand-up de Nova York. Com Claudio Torres Gonzaga, ele criou o espetáculo Comédia em pé, que há quase dez anos roda o Brasil. Em São Paulo, na mesma época, jovens humoristas criaram grupos que se apresentavam em bares e pequenas casas de espetáculo. Abrasileirado, o stand-up já incorporava alguns figurinos e o humor de tipos, consagrado na televisão. Nomes populares na TV de hoje, como Danilo Gentili, Dani Calabresa ou o próprio Rafinha Bastos, começaram sozinhos no palco. Em apenas uma década, o Brasil aprendeu a apreciar intensamente esse tipo de humor. No ano passado, o espetáculo de stand-up a céu aberto da Virada Cultural de São Paulo reuniu 52 comediantes e foi visto por mais de 10 mil pessoas.

Assista alguns dos sucessos de Adnet :

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