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Limites do humor

Charge: Internet

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Hélio Schwartsman, na Folha de S.Paulo

Até onde o humor pode ir? Vale gozar da religião dos outros? E quanto a piadas francamente racistas, sexistas e homofóbicas? Sou da opinião de que, enquanto o alvo das pilhérias são instituições e mesmo grupos, vale tudo. Balanço um pouco quando a vítima é uma pessoa física específica, hipótese em que talvez caiba discutir alguma forma de indenização.

Tendemos a ver o humor como um aspecto lateral e até menor de nossas vidas, mas isso é um erro. Ele desempenha múltiplas funções sociais, algumas delas bastante importantes, ainda que não muito visíveis. O filósofo Henri Bergson, por exemplo, observou que o temor de tornar-se objeto de riso dos outros reprime as excentricidades mais salientes do indivíduo. O humor funciona aqui como uma espécie de superego social portátil. Nisso ele até se parece com as religiões, só que vai muito além.

O psicólogo evolucionista Steven Pinker atribui aos gracejos a propriedade de azeitar as relações sociais. O tom de brincadeira, nos permite comunicar de modo amigável a um interlocutor uma informação que, de outra maneira, poderia ser interpretada como hostil. Isso pode não apenas evitar o conflito como ainda dar início a uma bela amizade.

Talvez mais importante, o humor é uma formidável arma que os mais fracos podem usar contra os mais fortes. O riso coletivo é capaz de sincronizar reações individuais, o que o torna profundamente subversivo. As piadas que se contavam no Leste Europeu sobre as agruras do socialismo, por exemplo, ao possibilitar que as pessoas revelassem suas desconfianças em relação aos governos sem expor-se em demasia, contribuíram decisivamente para a derrocada dos regimes comunistas que ali vigiam.

Temos aqui três excelentes razões para deixar o humor tão livre de amarras legais quanto possível. Quem não gostar de uma piada sempre pode protestar, dizer que não teve graça ou até caçoar de volta.

Moradores dos Jardins são expulsos da 25 de Março por causa de ‘Rolexzinho’

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Ricos fazem fila para comprar iguaria inovadora à base de pão com salsicha no meio,
que vem sendo chamado de “cachorro-quente gourmet” pelos críticos gastronômicos

Publicado impagavelmente no Blog do Jorge

Seria apenas mais um sábado tumultuado no Centro de São Paulo, não fosse a chegada repentina de moradores dos Jardins, Morumbi, Vila Nova Conceição, Higienópolis e Pacaembu, todos com pulseirinhas VIP, em carros luxuosos importados, alguns na cor branca, tocando músicas do David Guetta e outros ritmos das baladas de Maresias.

O objetivo, segundo os organizadores, seria comprar imitações de roupas de grife na José Paulino, tênis da marca Mike na 25 de Março e eletrônicos piratas na Santa Ifigênia. “Cansamos do Iguatemi, da Oscar Freire, do JK e do Cidade Jardim. Queremos ver onde o povo brasileiro vive, conhecer a sensação de fazer uma compra parcelada, comer pastel de feira, tomar caldo de cana no copo de papel, ser parte dessa gente diferenciada!”, disse um dos líderes, enquanto comia uma pizza de picanha.

A confusão começou porque um playboy perguntou onde poderia comprar um “Rolexzinho”, o que denunciou a identidade do grupo, especializado em consumo de produtos caros e originais. O jovem foi encaminhado para um camarote VIP de uma boate na Vila Olímpia, onde poderia agregar mais valor e status.

O evento foi marcado pelo Linkedin e por meio de uma rede social que só aceita gente bonita e rica, à qual, portanto, nossos repóreres não tiveram acesso. Há rumores de que, na semana que vem, eles pretendem invadir o Brás, possivelmente ainda durante a Feirinha da Madrugada, para comprar perfumes “inspirados” em marcas internacionais, e seguem à noite, levados por seus motoristas, para algum baile funk na rua de alguma periferia só para “causar”, dançar e tomar umas “champa” com pisca-pisca.

Caso não tenha entendido, clique aqui.

Péssimo mau gosto

porta-dos-fundosGregorio Duvivier, na Folha de S. Paulo

Caro Cardeal arcebispo,

Vossa Eminência disse em vosso Twitter que o especial de Natal do Porta dos Fundos era de “péssimo mau gosto”. Poderia dizer que V. Emmo. cometeu um pleonasmo, pois na palavra “péssimo” já está incluída a palavra “mau”, mas vou supor que V. Emmo. tenha “redundado” propositalmente, para fins estilísticos. Entristece-me, pois gostaria que o nosso especial de Natal tivesse agradado a todos (embora o homenageado em questão não tenha agradado).

O que me consola é que não somos os primeiros a termos o gosto julgado mau ou péssimo ou ambos pela vossa Igreja. Na realidade, arrisco-me a dizer que estamos em boa (e vasta) companhia. Entre os numerosos condenados, está um astrônomo de nome tão redundante quanto a vossa expressão.

Como V. Emmo. deve saber, não foi a teoria heliocêntrica que causou a condenação de Galileu Galilei. Copérnico já havia dito que a Terra girava em torno do Sol e a Igreja não se importou. O que provocou a ira papal foi o humor.

Para defender o heliocentrismo, Galileu criou um diálogo fictício entre um personagem sábio, Salviati, e um personagem imbecil, Simplício. O sábio acreditava que a Terra girava ao redor do Sol e o imbecil achava o contrário. O livro foi um sucesso retumbante. E a Igreja vestiu a carapuça do imbecil. Galileu foi obrigado a negar tudo o que havia dito para escapar da fogueira. Negou e ainda assim foi condenado à prisão perpétua.

Giordano Bruno, contemporâneo de Galileu, acreditava que o universo era infinito. Negou-se a se negar. Foi queimado vivo.

Somente em 1983, quase quatro séculos depois, o Vaticano absolveu Galileu, provando ter um sistema judiciário ainda mais lento que o brasileiro. Apesar da retratação tardia, o gosto episcopal continua controverso.

Acho um péssimo mau gosto, por exemplo, V. Emmo. ser contrária ao sacerdócio de mulheres, ao uso de métodos contraceptivos, ao aborto de fetos anencéfalos, ao aborto em casos de estupro, ao amor entre pessoas do mesmo sexo, à eutanásia e às pesquisas com célula-tronco.

Contudo, confesso que, apesar de nossas divergências, não pude deixar de ficar feliz em saber que o Porta dos Fundos está sendo assistido na arquidiocese. Peço que V. Emmo., futuramente, não pule aqueles anúncios que antecedem o vídeo, para que nós ganhemos um cascalhinho. Obrigado pela atenção e, como diria Jesus, desculpe qualquer coisa.

Gregorio Duvivier é ator e escritor. Também é um dos criadores do portal de humor Porta dos Fundos.

dica do Guilherme Massuia

O humor canino das fotografias de Ron Schmidt

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Publicado no Obvious

Atualmente é bem comum nos depararmos com séries fotográficas cujos protagonistas são os cachorros. Entretanto, alguns destes ensaios conseguem se destacar por sua originalidade e proposta singular. Caso do trabalho de Ron Schmidt e sua empresa Loose Leashes, uma loja online que comercializa retratos divertidos dos nossos amigos caninos em cenários completamente extraordinários. Garanto que você se apaixonará pelas fotos.

Apesar de sua experiência com fotografia de moda e celebridade, Schmidt encontrou sua verdadeira vocação por acaso. Um dia, o fotógrafo decidiu criar um cartão criativo de Natal para enviar para sua família, amigos e clientes, e personalizou com sua própria composição que continha uma árvore natalina e um Labrador Retriever. A imagem fez tanto sucesso que Schmidt resolveu investir em fotografia de cachorros.

O fotógrafo, que trabalha com sua esposa, certifica-se que o cão se sinta à vontade no cenário, cria uma situação e história para cada imagem e assim produz cada um destes maravilhosos retratos. A Loose Leashes foi criada em 2004 e Schmidt, que sempre foi um amante dos peludos, se formou em fotografia no Brooks Institute, Califórnia, Estados Unidos.

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10 coisas que só as pessoas que dormem tarde irão entender

Publicado no Lista 10

1. O quanto é acolhedor o silêncio da madrugada

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2. A fome agoniante que faz você deixar a preguiça de lado e ir na cozinha

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3. A companhia de uma TV ligada, mesmo que não esteja assistindo nada

4. A enorme vontade que vem do nada de querer colocar todos seus projetos em prática de uma vez

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5. Quando alguém fala que você dorme demais, sendo que você dorme de 6 a 8 horas por dia ou até menos.

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6. A alegria de saber que algum estabelecimento funciona 24 horas

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7. O quão ficamos orgulhosos quando pesquisas apontam que quem dorme tarde é mais inteligente

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8. O quanto é estranho uma pessoa acordar as 6:00 da manhã de bom humor

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9. A inveja de quem consegue bater na cama e dormir

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10. O quanto é sacrificante acordar antes do meio-dia

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