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Carioca leva mais tempo que paulistano a caminho do trabalho

Engarrafamento na Linha Amarela Rafael Moraes / Agência O Globo

Engarrafamento na Linha Amarela Rafael Moraes / Agência O Globo

Média é de 47 minutos por trajeto, no Rio, contra 45,6 minutos, em SP. “Vocês podem confiar nesses números, são do IBGE”, brinca pesquisador do Ipea, referindo-se a erro em estudo sobre estupro

 Mariana Timóteo da Costa, em O Globo

RIO – O carioca gasta mais tempo do que o paulistano para ir e voltar de casa para o trabalho: uma média de 47 minutos por trajeto contra 45,6 minutos. A população do Rio também ocupa o primeiro lugar no ranking percentual de trabalhadores que gastam mais de uma hora em cada trajeto casa-trabalho: 24,7% contra 23,5% de São Paulo.

Os dados foram compilados pelo pesquisador Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, do Ipea, com base nos dados do último Pnad (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio) do IBGE e apresentados nesta sexta-feira no evento “Anda SP”, na capital paulista.

- E vocês podem confiar nesses números, que são do IBGE – brincou Carvalho, em relação ao recente erro do Ipea na pesquisa sobre tolerância social à violência contra as mulheres.

A plateia do Museu da Imagem e do Som (MIS), lotada, se surpreendeu com o fato de os cariocas gastarem mais tempo no trânsito do que os moradores de São Paulo, cidade conhecida mundialmente pelos grandes engarrafamentos.

Mas esta que parece ser a percepção de quem freqüenta as duas cidades agora foi comprovada empiricamente.

O pesquisador diz que é preciso investigar mais porque o trânsito carioca é mais pesado do que o de São Paulo. Mas já possui várias hipóteses.

A primeira é que as regiões densamente povoadas da Região Metropolitana do Rio, como a Baixada Fluminense e São Gonçalo, não têm empregos suficientes, funcionando como espécies de “cidades dormitórios” e obrigando seus moradores a se deslocarem até o município do Rio para trabalhar.

- Já a Região Metropolitana de São Paulo tem mais ofertas de emprego espalhadas por seu território – diz o pesquisador

Outro fator é que São Paulo tem mais oferta de metrô, trem e mais corredores de ônibus, além de um maior número de ruas e avenidas, que “propiciam a população a adotar caminhos mais alternativos”.

- O Rio é mais linear, espremido entre o mar, a montanha, a Lagoa…. Se uma avenida para, se a Ponte Rio-Niterói para, você não tem para onde correr. Em São Paulo, agora um monte de gente que tem carro usa o aplicativo Waze, consegue sair cortando as ruas e chegar mais rápido em casa – comenta Carvalho, que participou do evento, promovido pela TV Globo e pela USP, junto com outros especialistas, incluindo Robert Cervero, da Universidade da Califórnia, e Regina Meyer, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Todos falaram como a questão da mobilidade urbana deve ser melhorada nas principais cidades brasileiras. Para Cervero, o ideal seria se gastar um total de até uma hora por dia nas duas viagens.

- O carioca gasta 94 minutos, e o paulistano um pouco menos, mas todos mais de uma hora e meia. Isso afeta profundamente a qualidade de vida dessas populações _ atestou Carvalho.

Geração nem-nem cresce no Brasil

Eles têm entre 16 e 24 anos. Nem estudam nem trabalham e dependem de assistencialismo para sobreviver

Os gêmeos Diogo e Diego Cosmo estão sem emprego e, aos 26 anos, dependem integralmente dos pais

Os gêmeos Diogo e Diego Cosmo estão sem emprego e, aos 26 anos, dependem integralmente dos pais

Raissa Ebrahim, no Jornal do Commercio

Sicleide Oliveira tem 21 anos. É moradora do Alto do Progresso, em Nova Descoberta, Zona Norte do Recife. Com três filhos, ela parou de estudar na 8ª série. Dedica o dia a cuidar das crianças, com a ajuda da mãe, que vive do auxílio do Bolsa Família. O pai atua na informalidade, faz bicos quando dá, e alguns familiares ajudam a complementar a renda. Sicleide faz parte de um grupo que cresce em todo o mundo e que particularmente vem chamando atenção no Brasil. É a chamada “geração nem-nem”: nem estuda nem trabalha. No País, essas pessoas pertencem principalmente às classes de baixa renda.

Na capital pernambucana, representavam, em junho, 26,6% da população entre 16 e 24 anos. São 145 mil jovens totalmente fora do mercado de trabalho. Há dez anos, esse percentual era de 25,2% (148 mil). A taxa no Recife para o período supera a média de 19,4% observada nas seis localidades pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Além do Recife, também são avaliadas Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.

Alguns especialistas já falam da “geração nem-nem-nem”. Quando se avalia a fatia de jovens que nem trabalha, nem estuda e nem procura emprego, o percentual, segundo o IBGE, fecha em 22,2% no Recife e em 14,7% na média das seis localidades pesquisadas pela PME. Em 2003, esse número era de 18,6% e 14,5%, respectivamente.

Num país em que os empresários reclamam que não conseguem preencher vagas por falta de mão de obra qualificada, a situação soa até como um paradoxo. O cenário em que sobra oferta de emprego é o mesmo em que sobra gente que não trabalha nem estuda e, portanto, tem poucas perspectivas de futuro.

De cada 100 empresários brasileiros, 68 reclamam da escassez de talentos. O número é bem acima dos 35% registrados na média mundial da Pesquisa Anual Sobre Escassez de Talentos 2013 do ManpowerGroup, realizada com quase 40 mil empregadores de 42 países e territórios. O Brasil só fica atrás do Japão (85%). Nas Américas, de um modo geral, as vagas com maior dificuldade de preenchimento são as técnicas, que deveriam ter justamente o jovem como maior foco.

O desemprego juvenil preocupa e coloca em xeque o futuro econômico do País. Numa população que passa por uma grande transformação demográfica, que tem cada vez mais idosos e mais jovens que demoram para entrar no mercado, especialistas enfatizam que é preciso romper esse ciclo.

Única saída para a geração nem-nem está na educação

Jornal do Commercio – Onde está a geração nem-nem no Brasil e a quem atribuir a culpa das estatísticas?
Antonio Freitas – É possível encontrar essa geração em todos os níveis sociais. Na classe mais baixa, credito à péssima educação básica do País, que faz com que o jovem fique desmotivado pela falta de professores qualificados e de estrutura das escolas. A culpa para as classes C, D e E é dos três governos (federal, municipal e estadual), por não dar educação básica de qualidade. É preciso estimular essa população. É preciso uma ocupação para que se comece, para acender o foguete. A culpa é especialmente do governo municipal, por ser o responsável pelos primeiros anos do ensino. Esses jovens estão perdidos, muitas vezes não porque querem, mas simplesmente porque não tiveram a oportunidade mínima de se encontrar nem motivação para seguir nos ensinos médio e superior. Já nas classes A e B, sobretudo no Nordeste, a culpa costuma ser dos pais, que paparicam demais os filhos, com carro e dinheiro, por exemplo.

JC – Na prática, o que é preciso mudar na lógica educacional para quebrar esse ciclo?
Freitas – Investir principalmente no ensino tecnológico. Pela manhã, base acadêmica e, à tarde, ensino de uma profissão, como, por exemplo, marcenaria e manutenção predial. São profissionais difíceis de encontrar hoje. O problema é que os professores estão mal preparados e desinteressados e as famílias não obrigam esses jovens a nada, muitas vezes passam o dia fora trabalhando. Uma boa formação, inclusive, passa também pela educação sexual e de higiene.

JC – Quais as consequencias desse cenário para o futuro do País?
Freitas – Uma delas é a alta dependência dos programas de transferência de renda do governo. A Bolsa Família é boa para tirar as pessoas da miséria, mas tem que estar associada ao estudos para os menores e ao emprego para os adultos. Se a situação continuar sem nenhum mudança disruptiva, o Brasil vai ficar proporcionalmente para trás, principalmente em relação aos Brics. Estamos celebrando um crescimento próximo de 2%, 3%, enquanto a China tem problemas porque cresce perto de 7% ao ano. A renda per capita da Coreia dobrou desde a década de 1950. Tudo isso porque investiu-se em educação, primordialmente educação básica.

Às 6h45m, mais da metade dos brasileiros já está de pé

Hora do rush: maioria dos brasileiros já está de pé no início da manhã para trabalhar (foto: Marcos Alves / Agência O Globo - 30/06/2013)

Hora do rush: maioria dos brasileiros já está de pé no início da manhã para trabalhar (foto: Marcos Alves / Agência O Globo – 30/06/2013)

RIO – A pesquisa do IBGE sobre o uso do tempo dos brasileiros permitiu fazer um fluxo de atividades ao longo de 24 horas. Assim, constatou-se que mais da metade dos entrevistados já estavam acordados às 6h45m da manhã. A partir desse momento, o trabalho começa a dominar o tempo da maioria das pessoas no país.

Esse movimento ocupa a maior parte do dia até as 19h, marcado pelo intervalo para o almoço, que fica claramente definido. O tempo livre assume sua hegemonia somente a partir das 21h, quando o sono vem.

No questionário do IBGE, os pesquisadores também quiseram saber sobre a percepção de tempo e o desejo das pessoas de como gostariam de gastar o seu tempo. E a falta dele é permanentemente sentida para 13,7% das pessoas. E eventualmente, para 33,8%.

Dedicar mais tempo ao lazer é o desejo da maior parte dos entrevistados: são 44,5% que citaram a frustração com a falta de tempo para lazer.

Em seguida, vem a vontade de ficar mais com a família para 29,7% dos entrevistados. O cuidado pessoal ocupa a terceira posição nessa lista (18,5%). Já o trabalho e os afazeres domésticos ficam no fim da fila, com 5,7% das citações. Mas essas duas atividades figuram no topo da lista, quando a pergunta é sobre o motivo de não conseguirem dedicar mais tempo ao lazer ou à família: a maioria, 51,2%, citou trabalho e estudo e 9,5%, os afazeres domésticos.

Crescimento de evangélicos impulsiona despertar da Igreja Católica, diz Damasceno

D.-Raymundo-Damasceno-Assis

Larissa Leiros Baroni, no UOL

Em entrevista exclusiva ao UOL, a poucos dias da chegada do papa Francisco ao Brasil, dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), disse que o crescimento de evangélicos no Brasil e no mundo impulsionou um “despertar” da Igreja Católica, que, na opinião dele, estava “acomodada”.

“Talvez nós tenhamos nos acomodado e pode ser que o crescimento do movimento neopentecostal tenha nos feito acordar, nos despertar para a nossa verdadeira missão”, disse ele, que ressaltou, no entanto, o aumento da qualidade dos católicos. “Os praticantes são muito mais coerentes com suas práticas e praticam sua fé de modo mais convencido. Isso é muito positivo.”

No Brasil, ao mesmo tempo em que o número de evangélicos aumentou 61,45% em 10 anos, a comunidade católica sofreu uma queda de 1,3% no índice de fieis no mesmo período. É o que aponta o último Censo Demográfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em 2000, cerca de 26,2 milhões se disseram evangélicos. Em 2010, eles passaram a ser 42,3 milhões. Ainda assim o país ainda segue com maioria católica. O número de católicos foi de 123,3 milhões em 2010, cerca de 64,6% da população. No levantamento feito em 2000, eles eram 124,9 milhões, ou 73,6% dos brasileiros.

Ainda assim Damasceno diz que a eleição do papa Francisco trouxe uma esperança para a comunidade brasileira e mundial. “Gerou muita esperança na Igreja Católica, uma expectativa muito positiva. Mas é muito difícil quantificar essa mudança no aumento do número de fiéis. O que a gente percebe ouvindo e vendo é que há uma expectativa positiva, alegre e esperançosa para o seu pontificado”, complementou o presidente da CNBB, que ressalta o acolhido do pontífice, principalmente pela capacidade de atração que o argentino naturalmente tem.

“E isso tem sido comprovado com o aumento de romeiros e visitantes em Roma. O número de peregrinos está aumentando cada vez mais, sobretudo nas audiências públicas de quarta-feira e no Angelus, no domingo. Estão falando em cerca de 200 mil pessoas por semana”. Esse poder de atração é justificado por Damasceno, principalmente por causa de sua simplicidade e a sua informalidade que o aproximam do povo.

Mas o arcebispo brasileiro relaciona a eleição do papa Francisco à reaproximação da Igreja Católica ao sua missão. “A igreja existe para evangelizar. O que significa que a igreja deve cuidar daqueles que a frequentam, que participam da vida das nossas comunidades, mas que também precisa sair ao encontro dos que estão distantes.” Ele, no entanto, afirma que a mudança da postura da comunidade católica nada tem a ver com o crescimento da Igreja Evangélica.

“Não é uma resposta aos evangélicos. Fazemos isso por questão de missão, de objetivo, de finalidade. Muitas vezes nós nos acomodamos e precisamos sair desse comodismo. Isso está muito claro na visão do papa Francisco”, completou dom Damasceno, que garantiu que a Igreja Católica não pretende discriminar ninguém, apesar de não concordar com certos comportamentos da atualidade, tais como o casamento gay, a eutanásia e o divórcio.

A igreja, como ele apontou, não discrimina pessoas, “mas não pode concordar com certas posições que se opõe ao seu ensinamento ético”. “Não podemos equiparar um casamento com duas pessoas do mesmo sexo com outro entre um homem e uma mulher. Não é mesma coisa. Com todo respeito aos que optam por esse caminho. A igreja também não pode aprovar a eutanásia, porque a vida é um dom de Deus. A igreja não pode aprovar o divorcio e não pode dizer que o divorcio é um caminho normal, embora respeite quem fez essa opção”, exemplifica.

Mesmo assim quase metade dos casais homossexuais brasileiros (47,4%) se autodeclaram católicos, segundo dados do Censo Demográfico 2010 divulgados pelo IBGE.

Mais da metade da população não tem acesso à internet

Dados da pesquisa Pnad do IBGE mostram que a proporção de pessoas que utilizaram a internet passou de 20,9% em 2005 para 46,5% em 2011.

fotos: Google Imagens

fotos: Google Imagens

Publicado originalmente no Estadão

O aumento da renda, o acesso ao de mercado de trabalho, o crédito fácil e a perda do “medo” da tecnologia entre os mais velhos foram fatores decisivos para a inclusão digital no País, entre 2005 e 2011, porém mais da metade da população de 10 anos ou mais de idade ainda não tem acesso à internet. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a proporção de pessoas que utilizaram a internet passou de 20,9% para 46,5%.

Em seis anos, houve um aumento de 45,8 milhões de internautas – média de quase 21 mil por dia. Utilizaram a internet no período de três meses antes da data da entrevista 77,7 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais de idade, em 2011.

Embora ainda sejam as mais resistentes à rede mundial de computadores, as pessoas de 50 anos em diante tiveram peso decisivo no aumento da legião de internautas: passaram de 7,3% para 18,4% do total da população nesta faixa etária. Em números absolutos, foi o maior crescimento, passando de 2,5 milhões de usuários nesta faixa etária para 8,1 milhões – crescimento de 222%.

Outro crescimento significativo aconteceu no outro extremo, com os internautas de 10 a 14 anos. Em 2005, 24,3% das crianças acessavam a internet, proporção que saltou para 63,6% em 2011.

A pesquisa levou em consideração apenas os acessos à internet por computador, não houve perguntas sobre acesso por meio de telefones celulares e tablets.

“A inclusão digital se dá sem medo entre os jovens. Entre os mais velhos, demora um pouco, mas é crescente, inclusive para acesso a banco, para declarar imposto de renda”, diz o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azevedo.

Embora a renda seja um fator importante de acesso à internet, é interessante notar que as mulheres jovens, que têm renda menor que os homens, porém maior escolaridade, estão mais na rede mundial de computadores do que os homens. E há mais usuários da internet na população com renda de 3 a 5 salários mínimos do que entre os que ganham mais de 5 salários mínimos. A explicação é que a faixa mais rica da população é também a faixa mais velha, ainda “engatinhando” no mundo virtual.

Os técnicos do IBGE chamam atenção para o grande salto entre os alunos da rede pública que passaram a ter acesso à internet no espaço de seis anos. A pesquisa não investigou o local de acesso (se o trabalho, a residência, a escola ou locais públicos como bares e lan houses) e por isso não é possível associar o crescimento à distribuição de computadores nas escolas públicas, mas, para Cimar Azevedo, é um forte indicativo da inclusão digital entre os mais pobres. Em 2005, apenas 24,1% dos alunos da rede pública usavam a internet, proporção que cresceu para 65,8% em 2011.