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Evangélicos dizem que novela promove umbanda e boicotam Globo

pedacinhoPublicado no UOL [via Tribuna Hoje]

Evangélicos estão promovendo uma campanha na internet contra a novela das seis da Globo, Meu Pedacinho de Chão, que acusam de fomentar a umbanda. Uma publicação com mais de 85 mil compartilhamentos no Facebook diz que a trama é ambientada em um terreiro disfarçado e os nomes dos personagens contêm referências à religião afro-brasileira.

O texto, publicado em 15 de abril pela evangélica Dayhendyra Alves, faz um “alerta” sobre a novela Meu Pedacinho de Chão. “Descobri que a Vila de Santa Fé [cidade fictícia da novela] é um terreiro e que os nomes dos personagens são de umbanda”, diz a publicação. Coronel Epaminondas (Osmar Prado), chamado de Coronel Epa, seria uma referência à saudação Epa Babá ao Orixá Oxalá, um dos mais cultuados das religiões africanas.

Ainda segundo a publicação, o violeiro Viramundo (Gabriel Sater) seria uma variação do Exu Gira Mundo. O texto termina com uma prece a Jesus contra a trama de Benedito Ruy Barbosa: “Que o Senhor Jesus nos lave com seu poderoso sangue e abra nossos olhos!”.

Telespectadores evangélicos que compartilharam a publicação chamam Meu Pedacinho de Chão de “demônio puro” e prometem boicotar a novela da Globo. “Logo vi por que odiei essa novela. Demônio puro. Deus abra a mente das pessoas para a realidade”, comentou Michelle Araújo. “Depois dessas informações, irei me negar a não mais assistir. Prefiro agradar a meu Deus!”, escreveu Zélia Maria.

Meu Pedacinho de Chão não é a primeira novela da Globo boicotada por religiosos. O caso mais recente aconteceu em 2012, quando fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus fizeram campanha na internet contra Salve Jorge. O bispo Edir Macedo, líder da Universal e dono da Record, escreveu em seu blog que São Jorge, venerado pelo catolicismo e por religiões afro-brasileiras, é um “deus pagão travestido de santo”. Na época, a autora Gloria Perez respondeu ao ataque dos evangélicos. “Não se deve ampliar a voz dos imbecis”, disse em entrevista ao jornal O Globo.

Procurada pelo Notícias da TV, a Federação de Umbanda do Brasil não quis comentar o caso do boicote de evangélicos à novela das seis da Globo, porém ressaltou que não é a primeira vez que a religião afro-brasileira sofre ataques de intolerância.

A Globo esclarece que Meu Pedacinho de Chão não é inspirada na umbanda e não faz nenhuma referência a ela.

Independentemente do boicote de evangélicos, a novela das seis da Globo vem marcando a mais baixa média da história do horário.

Abaixo, o post com quase 100 mil compartilhamentos.

UM ALERTA SOBRE A NOVELA MEU PEDACINHO DE CHÃO!!! Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas. O que você tem deixado entrar na sua casa? Me senti incomodada com a novela das 18:00hs (Meu pedacinho de chão), achei as roupas estranhas então decidi pesquisar, não achei nada tenebroso rs… Mas Deus me tocou para pesquisar nome por nome, descobri que a vila de Santa fé é um “TERREIRO” e que o nomes dos personagens são de “UMBANDA” veja: EPAMINONDAS chamado de ÊPA significa: saudação ao ORIXÁ OXALÁ (Êpa Babá) SERELEPE: Seus sinônimos são Gay, excitado, inquieto, danado, caxinguelê, conhecido na umbanda como Joãozinho, Saci Pererê, Negrinho do Pastoreio e Serelepe da Umbanda (sapeca adora balas e doces). PITUCA: Boneca Pituca, esoterismo e ocultismo, Famosa mãe de santo, e filha de orixá VIRAMUNDO/GIRAMUNDO: exú GINA: Famosa mãe de Santo ,A Voz de Oyá, Yansã e Ruy de Ógún, está representando o lesbianismo. AMÂNCIA: filha de OXÚM Dona TEREZA: CIGANA, OXUM PANDA, CABLOCA, No grego significa SEIFERA E CAÇADORA. TUIM: santo, saudação de umbanda. Mãe BENTA: mãe de santo CATARINA: mãe de santo RODAPÉ: pé que gira PEDRO FALCÃO: Falcão povo das aguas, OXUM Tem um senhor que vive de chapéu fumando cachimbo com bengala na mão esse vcs já sabem. Estes são apenas alguns… Que o Senhor Jesus nos lave com seu PODEROSO SANGUE e abra nossos olhos!

Por que a gente não se junta para mudar a educação deste país?

foto: Revista Alfa

foto: Revista Alfa

Isadora Faber

Quantas vezes você já viu um absurdo acontecendo,ficou indignado, mas não fez nada? Pode ter sido por medo, por vergonha, por não saber o que fazer, por não saber que podia fazer alguma coisa a respeito daquilo, ou porque não queria se incomodar com problemas, ou até por outro motivo qualquer. Mas aposto que você chegou em casa, ficou pensando naquilo e teve uma vontade enorme de voltar no tempo e fazer alguma coisa para impedir que aquele absurdo continuasse. Já aconteceu com você?

diariodeclassePois é, comigo já. E foi por isso que eu comecei o Diário de Classe, uma fanpage criada no Facebook, a maior rede social do mundo, para mostrar os absurdos que aconteciam na minha escola. Eu não tinha nenhuma ideia do tamanho que ela ia ficar, nem de quantas pessoas iam curtir – achei que seriam no máximo umas 100 –, mas ela cresceu, chamou a atenção de muita gente, trouxe muitos apoiadores, assim como muitas pessoas que criticaram. Eu sofri agressões, represálias, ameaças de morte, calúnias, processos, perseguições, mas consegui muitos resultados e vivi muitas experiências boas – e outras não tão boas… Enfim, aprendi muito, muito mesmo. Mas eu só comecei porque queria fazer alguma coisa.Não queria de novo voltar pra casa e saber que absurdos aconteciam e eu não fazia nada.

Essa história toda eu vou contar neste livro. Aqui você vai saber com detalhes como tudo aconteceu, como 20 seguidores da página se transformaram em mais de 600 mil, como foi a reação na escola, quais foram as dificuldades e como isso chamou a atenção das autoridades, da mídia nacional e também da estrangeira. Você entenderá por que as pessoas da minha escola ficaram contra mim, mas milhares de desconhecidos ficaram a meu favor. Vai ver por que algumas mudanças aconteceram, mas outras não. E acho que vai conseguir entender um pouco sobre como funciona a educação pública no Brasil, porque é só pensar no que aconteceu na minha escola e multiplicar pelo número de escolas públicas do país (e acrescentar algumas coisas…).

ONG ISADORA FABER.cdrX5Nesse tempo todo do Diário de Classe, minha vida mudou muito, como você já pode adivinhar, pois, de estudante do ensino fundamental de 13 anos, me tornei palestrante de diversos temas, ganhei prêmios, fiquei conhecida e hoje tenho uma ONG que leva meu nome, que criei para continuar o trabalho do Diário de Classe não só para mim, mas para todas as escolas do Brasil.

Mas a coisa mais importante que eu vi depois de tudo o que passei é que o problema da educação no Brasil é algo muito sério. E as pessoas já estão cansadas de ver as autoridades brincando com os assuntos sérios. Se o Brasil não tiver uma boa educação, não vai haver pessoas preparadas para resolver todos os outros problemas sérios do país. Se a gente não tiver educação boa, a gente não vai conhecer nossos direitos e nossos deveres, e vai continuar deixando acontecer absurdos, que começam sempre com a ignorância.

Talvez nem todas as pessoas pensem assim, mas grande parte da sociedade deve pensar, acredito eu. Só que não adianta só ficar pensando e, cansado de assistir aos problemas se repetindo, dizer que a culpa é dos políticos. A gente precisa fazer alguma coisa. Ser cidadão não é apenas morar em uma cidade e aceitar as coisas ruins sem reclamar, se acomodando e se conformando. A gente pode – e deve – cobrar de quem está no comando.

Talvez uma pessoa sozinha não consiga fazer nada, mas eu tenho certeza de que já somos muitos neste país que querem melhorar a educação. Para mim isso é possível, e, se você está lendo isto, tomara que também ache possível, porque, quanto mais pessoas fizerem alguma coisa, mais rápido a gente muda a situação. A gente sentiu isso quando se juntou nas manifestações nas ruas do Brasil. Você não gostou de ver a força de todos juntos? Eu gostei.

Com o Diário de Classe e com todo o apoio que recebo, não tenho mais vergonha nem medo de ver absurdos e não fazer nada. Eu vou, fotografo e divulgo. E eu não preciso de nada além de um celular e de um computador com acesso à internet. Claro, a gente precisa de coragem para vencer as dificuldades, pois elas existem, mas, se formos muitos, um apoia o outro. Não é simples? Então por que você não faz alguma coisa também? É tão boa a sensação de força, e os resultados são tão bons e positivos! Por que a gente não se junta para mudar a educação deste país?

isadora3

O que pode ser pior que a ignorância?

Quanto mais ignorante for a pessoa, maior a valorização que ela dá a si mesmo e menor a valorização que ela dá aos outros

Imagem: Vase de Juan Tello]

Imagem: Vase de Juan Tello]

Mustafá Ali Kanso, no HypeScience

Na esteira do artigo da semana passada, no qual abordamos o tema metacognição surgiu a questão:

— Se metacognição é o conhecimento e o controle do próprio conhecimento, qual seria o efeito da ignorância da própria ignorância?

Com intuito de responder essa questão vou me referir à pesquisa de David Dunning, um psicólogo da Universidade de Cornell, realizada em conjunto com Justin Kruger da Universidade de Nova York já noticiada aqui no Hypescience.

A pesquisa fundamentou-se na realização de diversos testes dentro de determinadas áreas das habilidades humanas, tais como raciocínio lógico, inteligência emocional, jogos de estratégia, sagacidade no humor, etc. seguido de uma entrevista.

Nessa entrevista era solicitada a opinião de cada participante sobre seu próprio desempenho nos testes.

Os resultados foram esclarecedores.

Os participantes da pesquisa que tiraram as mais baixas pontuações superestimaram seus resultados em 100% das entrevistas.

E quanto pior o resultado quantitativo em raciocínio lógico, inteligência emocional, humor ou mesmo habilidades em jogar xadrez, por exemplo, maior foi a diferença entre a sua real pontuação e a sua estimativa arrogada na entrevista.

Ficou patente que a incompetência priva as pessoas da capacidade de reconhecer sua própria incompetência.

Tal limitação pode ser a principal responsável pelo descompasso nos relacionamentos interpessoais e no funcionamento da sociedade como um todo.

Com mais de uma década de pesquisa os resultados demonstraram que os seres humanos acham “intrinsecamente difícil ter uma noção do que não sabem”.

O pior em tudo isso, é que não se trata apenas de otimismo ou autoconfiança.

Os pesquisadores descobriram uma total falta de habilidade em autoavaliar-se. Um bloqueio nessa parte do autoconhecimento individual que implica na ignorância sobre a extensão de suas reais habilidades e na confusão entre a imagem que se tem de si mesmo e a realidade de suas próprias competências (ou incompetências).

Mesmo quando os pesquisadores ofereceram aos participantes uma recompensa de US$ 100 para aqueles que classificassem seu desempenho com a maior precisão, os resultados foram praticamente os mesmos.

“Eles realmente estavam tentando ser honestos e imparciais. Percebia-se ali uma real incapacidade de se avaliar o próprio conhecimento bem como seus próprios limites. Nisso podemos apontar a causa de muitos dos problemas da sociedade, como por exemplo, a própria negação das alterações climáticas. Tal negação passa pela sedimentação de uma opinião desinformada e desatrelada da realidade, e o que é pior, aliada à inconsciência dessa desinformação” — afirmou Dunning.

E para agravar o caso, ficou evidente também que pessoas que não são talentosas em uma determinada área são incapazes de reconhecer esse talento nos outros.

O que é mais uma das obviedades que a psicologia cognitiva está nos esfregando na cara.

Quanto mais ignorante for a pessoa, maior a valorização que ela dá a si mesmo e menor a valorização que ela dá aos outros.

De fato, é um resultado que não surpreende um bom observador da conduta humana desde que se tem falado em ignorância e arrogância — parecem que são características indissociáveis e com os resultados mais nefastos que podemos imaginar na conduta humana.

O que me leva a concluir, sobre a nossa questão base:

Pior que a ignorância — só mesmo a ilusão do conhecimento, que invariavelmente a acompanha.

Essa terrível ilusão que além de levar o indivíduo ao erro também o aprisiona na própria ignorância, impedindo-o de buscar pelo conhecimento.

Afinal, ninguém precisa encher um cântaro quando se acredita que ele está completamente cheio.

O que me espanta

CloudsMind
Caio Fábio

O que mais me espanta a cada dia […] são duas percepções.

A primeira é a incomunicável realidade de Deus. Pois, mesmo quando se fala de Jesus com simplicidade e clareza, se não houver a Luz do Espírito iluminando o nosso espírito, não há meios de uma mente humana chegar a Deus. Ele é inalcançável por nós. Não existe para nós sem Sua própria revelação; embora as coisas criadas gritem aos nossos sentidos acerca da divina complexidade dos universos criados, a maioria já nem sabe o que é exposição e imersão no significado da vida como um ente natural.

Sim, isso de um lado do meu aturdimento. Pois, de outro lado, ponho-me crescentemente perplexo com a minha e a nossa ignorância. A nossa estupidez é assombrosa. Nossas limitações de intuição e nossa crescente morte interior, por mais tecnológico que alguém se imagine, são de incomparável perda humana.

Assim, do ponto de vista de minha mera observação humana [e, portanto, mais que limitada], digo que quanto mais assim […] for ficando o ser humano […] mais profunda tem que ser a ação divina que penetre essa crosta grossa […] que blinda a condição humana até em sentimentos e exposições que a humanidade tinha […] no que concernia a nutrir uma existência interior [...] hoje morrente entre nós.

Para quase todos os humanos a Natureza morreu como possibilidade de imersão nela; e, para dentro do ser [...] o que se percebe é um estado de devastação da natureza humana nas bases de sua sobrevivência mais significante: as da alma e do espírito.

Sinto, todavia, que a devastação de dentro é muito mais profunda!

A primeira percepção me quebranta. A segunda me angustia.

Entretanto… “assim gememos em nossos corpos… aguardando a adoção de filhos”.

fonte: site do Caio Fábio

“Tomo pílula, não pego HIV”: os jovens “invencíveis” vão viver para sempre


Famosa estátua de Bruxelas ‘Manneken Pis’ antes e depois de ser coberta por ‘camisinha’ no Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Perdoem-me, de antemão, aqueles que lerão um certo moralismo neste texto. Não foi essa a intenção, até porque sou – orgulhosamente – um pervertido e um depravado. Mas é incrível o que a gente, como professor, não escuta na mesa do bar, de orelhada nos corredores e mesmo através de bizarras pegadinhas da vida, que transforma docente em vigário confessor, como se tivesse eu o poder para absolver alguém. De fato, falta diálogo e informação em algumas casas para que alguém prefira conversar com o seu professor do que com o pai ou a mãe.

O fato é que me assusta a quantidade de casos de jovens que, ainda, transam loucamente sem proteção. As justificativas são as mesmas de sempre: “não deu tempo”, “ele disse que não tem pereba nenhuma, “eu não vi nada de errado com ele”, “ela pareceu tão limpinha”, “imagina, uma mina, como ela, de família, não tem nada”, “ele não gozou dentro” e, uma das minhas preferidas, “eu tomo pílula”.

Além do machismo idiota que cria frases como “ah, mas se eu não fizer dessa forma, ele vai me trocar por outra”, “não quero que ele pense que eu desconfio dele” e “helloooo, o cara é o máximo! Você acha que ele vai me fazer isso”. Sim, vai sim.

Gostaria de lembrar que o sentimento de invencibilidade presente em “eu sou fodão! Nada me atinge!” e o velho e bom “isso acontece só com quem pega mina/mano trash” encurta a vida e funciona como instrumento de seleção natural, inclusive. Tem o mesmo DNA presente em declarações de orgulho de macho-besta (“prefiro morrer do que deixar alguém enfiar o dedo onde não é bem-vindo!”), ou seja, nada vai me acontecer nunca porque tenho um impávido pênis. Jovens invencíveis vivem para sempre – na memória de seus amigos.

Descobri, recentemente, as desculpas que usam justificativas de classe social e dados estatísticos com legitimidade duvidosa, como em “você sabe, a gente é de classe média alta. A incidência de HIV entre a gente é muito baixa, então não tem com que se preocupar”. Tipo, roleta russa não pega quem tem dindim na conta bancária?

Ou os argumentos nonsense de quem parece ter vivido longe da civilização até agora: “ah, se der problema, posso abortar e se for doença é só tomar um remédio e sara” e “HIV só pega de homem para mulher e não o contrário”.

Não quero adentrar em uma seara comportamental que é competentemente tocada pelo Jairo Bouer e o Xico Sá, mas hoje é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. E há uma tendência de crescimento de novas infecções pelo HIV em quem tem entre 15 a 29 anos. Nessa faixa, há 44,35 registros para cada 100 mil habitantes, enquanto a média nacional é de 20,2 para cada 100 mil.

De acordo com a pesquisa “Juventude, Comportamento e DST/Aids” realizada pela Caixa Seguros com o acompanhamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana de Saúde e divulgada pela Agência Brasil e o UOL, 40% dos jovens entrevistados não consideram o uso de camisinha um método eficaz na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez.

Teoricamente, o grau de escolaridade influencia nas práticas adotadas pelos jovens. Por isso, espanta um pouco que alguns dos estudantes de onde dou aula pensem assim. Na minha humilde opinião, o problema não reside apenas no acesso à informação, mas de como ela chega até eles. Muita coisa é percebidas como “coisa chata” e blá blá blá que não lhe diz respeito.

Interessante, portanto, é que relatar histórias de conhecidos, com uma vida igual a deles e contraíram o vírus, choca bem mais do que os programas de conscientização tradicional. Provavelmente porque a percepção de que isso só acontece com o “outro”, o “distante”, o “diferente” se rompe quando o problema bate à porta. Fazer fluir essa informação, com uma troca de quem vive com a doença e quem não, é um trabalho lento, mas essencial,

Lembrando que não é fácil alguém mais jovem, que sente o mundo pulsando no peito, dar ouvidos a alguém mais velho em questões de comportamento. Sem contar a parte desta geração que foi criada pelos pais em um mundo de fantasia e “não gosta de notícias triste”.

Prevenir é fundamental. Mas vale lembrar que contrair HIV não é o fim do mundo. Conviver com a doença é difícil, mas possível, como milhares de pessoas fazem todos os dias por aqui. Duro é ter que aguentar o preconceito de uma sociedade que transforma quem carrega o vírus em pária.

“Sakamoto, deixa de ser idiota. Não existe esse tal preconceito.” Sim, claro, até temos amigos amigos “aidéticos” e “contaminados pela Aids”, não é mesmo? Da mesma forma que temos amigos gays, negros, índios, nordestinos…

É idiota e tosco ostentar qualquer forma de segregação a quem possui uma doença que não é contagiosa através do contato social. Pior ainda ouvir as justificativas esfarrapadas dadas por empregadores que barram uma promoção ou a contratação de alguém porque descobrem que a pessoa vive com HIV, apesar de proibido.

Os locais de convivência coletiva, como o trabalho e a universidade, podem ser usados para o diálogo, a acolhida e o apoio e a troca de informações. Ou serem vetores de disseminação do medo, ajudando a manter o véu de ignorância que ainda cobre o assunto, e garantindo que a epidemia se espalhe ainda mais.

foto: Francois Lenoir/Reuters