“Os racistas não entram no Reino dos Céus”, diz pastor

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Publicado no Portal Geledés

Por Douglas Belchior

Há alguns anos eu participava de uma das inúmeras e intermináveis reuniões de preparação da Marcha da Consciência Negra de 20 de Novembro, quando um homem negro, alto, barbudo e com um vozeirão potente pede a palavra para falar sobre a importância de, em um espaço amplamente dominado por representações das religiões de matriz africana, haver também espaço para os evangélicos. Foi incrível! Evangélicos pentecostais em meio ao movimento negro brasileiro? Mas os pentecostais não são reacionários e alguns até mesmo racistas em suas práticas religiosas? Não! Aliás, aprendi isso com ele, neopentecostais reprodutores de valores reacionários, machistas, homofóbicos e racistas são minorias barulhentas.

Esse homem era o Pastor Marco David, autor do livro “A religião mais negra do Brasil“, onde expõe os motivos que levaram 8 milhões de negros a preferirem as religiões pentecostais no Brasil. Essa semana ele organiza a Conferência Nacional Negritude e Evangélicos: Reflexão, Resistência e Engajamento, no Rio de Janeiro, com participação especial do Reverendo John Perkins. Abaixo um registro do portal Ultimato, que entrevistou o religioso.

De Ultimat0

As palavras são duras, nascidas de um pastor batista negro que enfrenta as barreiras do preconceito no Brasil. Marco Davi é pastor da Igreja Batista em Parque Dorotéia, São Paulo, mestre em Ciências da Religião e coordenador-fundador da ANNEB (Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil). Na entrevista a seguir, Davi fala sobre a luta por uma “reconciliação racial” e sobre a Conferência Nacional Negritude & Evangélicos que começa nesta quinta-feira, dia 13, e termina no sábado, dia 15, no Rio de Janeiro (RJ).

Portal Ultimato – Qual o objetivo da Conferência Nacional Negritude e & Evangélicos?

Marco Davi – Temos como objetivo consolidar o Movimento Negro Evangélico enquanto organismo agregador de todos os movimentos e iniciativas evangélicas de negritude. Para isto, precisamos tornar realidade o objetivo do Movimento Negro Evangélico: engajar, agregar, motivar e potencializar todos os organismos e grupos evangélicos que trabalham, discutem e mobilizam em torno da questão racial no Brasil, a partir da Igreja Evangélica e nos movimentos sociais.

A Conferência Nacional Negritude & Evangélicos não é um evento único, mas o início de um processo que culminará na formação de uma rede de organizações, pessoas e igrejas que trabalham a temática da população negra no Brasil e fora dele. Queremos realizar em 2015 o Congresso Nacional Negritude & Evangélicos e, se Deus permitir, em 2016, o Congresso Latino Americano Negritude & Evangélicos.

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Portal Ultimato – Um dos preletores será John Perkins, uma das grandes vozes na defesa da reconciliação racial. O que Perkins poderá acrescentar à Igreja Evangélica Brasileira?

Marco Davi – A presença do Rev. John Perkins por si só já é um presente para nós como negros e como igreja. A sua história de luta pelos Direitos Humanos, na organização da população negra do Mississipi e nos Estados Unidos já o qualifica para estar entre nós. Suas propostas de reconciliação que não deixam de lado a necessidade de igualdade farão com que tenhamos novas perspectivas. Até, quem sabe, novos discursos sobre a questão negra entre nós.

Portal Ultimato – Quando falamos de “reconciliação racial” do que estamos falando?

Marco Davi – Creio que, no Brasil, precisamos elaborar mais o assunto. Precisamos lutar pela reconciliação. Mas para que isto aconteça duas coisas são necessárias e importantes. Primeiro, os negros devem gostar de serem negros. Há uma autoestima baixa entre os negros do Brasil em geral. Muitos têm dificuldades até de discutir o assunto sobre raça. Outros procuram se juntar mais e mais com brancos, não porque acham natural, mas porque têm dificuldades com a sua cor da pele, sua raça. Não é porque eles sejam racistas, , como afirmam alguns preconceituosos (até porque os racistas sempre são aqueles que fazem parte do grupo de maior poder econômico, politico e sistêmico). Portanto, é impossível, de forma radical, que os negros sejam racistas. Mas quando alguns têm sentimentos racistas, como sabemos de alguns que nutrem esse sentimentos pecaminosos, o fazem talvez porque não se aceitam como são: imagem e semelhança de Deus.
Outra realidade importante para que haja reconciliação entre negros e brancos no Brasil são os brancos compreenderem que eles têm vantagens no Brasil. Os brancos pobres ou ricos já nascem com vantagens nesta nação. A raça dos brancos não foi escravizada por mais de 350 anos. Os brancos têm vantagens emocionais, psicológicas, econômicas, sociais, geográficas, etc. Os brancos não são o objeto principal da violência policial, mas sim os negros. São os negros que precisam conversar com os filhos que sofrem angústias por serem discriminados no país. E muitas outras coisas.
Não estou legitimando a postura de “coitados” para os negros, mas sim mostrando que se os brancos não reconhecerem isso, que o Estado brasileiro deve à população negra, não conseguiremos muitas avanços. A reconciliação sem direitos é imposição da Injustiça.

Portal Ultimato – Quando defendemos os negros, desvalorizamos os brancos?

Marco Davi – De maneira nenhuma. Os brancos e os negros são imagem e semelhança do Pai. O que queremos falar com a defesa dos negros – e que causa sim muitas dificuldades para brancos e negros pelos motivos ressaltados acima – é a busca dos direitos diante desta sociedade que evidencia o racismo e a sua exclusão. O Estado do Brasil deve muito aos negros que trabalharam muito sem nada receberem, somente alimentação horrível, violência, estupros, segregação, imposições de leis que favoreciam aos brancos da época, principalmente, aos ricos e fazendeiros, etc. Quando os negros estavam prontos e preparados para o trabalho e próprio ganho pessoal e não para seus senhores, o Estado do Brasil criou outras formas de prejudicar os negros, como a lei do ventre livre, o branqueamento que posteriormente se tornou uma política a partir da qual muitos brancos de outros países vieram para cá subsidiados pelo governo. Foi muita covardia. Se o Brasil não reparar isto continuará sob o juízo de Deus.

Portal Ultimato – Um assunto urgente é a violência que tem os jovens negros como as maiores vítimas. Para este assunto, haverá uma mesa de debate. Qual a gravidade do tema?

Marco Davi – Agora mesmo saiu uma pesquisa que mostra que os negros jovens são as maiores vítimas da violência. O Mapa da Violência no Brasil 2014 revela isto. Em todo o país, sete jovens são mortos a cada duas horas. São 82 jovens mortos por dia, 30 mil por ano, todos com idades de 15 a 29 anos. E, entre os jovens assassinados, 77% são negros (somando aqui os pretos e pardos, pelos critérios do IBGE).
Isso é muito grave, porque basta ser negro. Ninguém está preocupado se ele é evangélico, do candomblé, ou católico. É negro e ponto. O que é muito triste é ler alguns comentários nas redes sociais de gente que é racista, mas nunca tem coragem de avisar ao outro. Nesta hora, esta gente se sente livre e detona o seu azedume racista. Gente de igreja também que diz não ser bem assim, que isso é notícia plantada. Ora, quem vai plantar uma desgraça dessa? Qual objetivo? Isso é uma realidade, e a violência pode atingir também aos cristãos, como já tem acontecido.
Confesso que tenho medo, pois tenho um filho de 18 anos e uma filha de 16. Negros lindos por sinal, estudiosos, dedicados. Quando eles saem, eu fico com muito medo do que pode acontecer. Como cristão e pastor, coloco, é claro, nas mãos do Senhor. Mas digo a Ele que o medo existe, porque moro no Brasil onde os negros – como em outros lugares – são preteridos em muitas coisas. O negro é objeto de violência em primeiro lugar.

A igreja brasileira denominou alguns problemas no Brasil como coisas do diabo, tais como: homossexualismo, casamento gay, aborto, etc. Mas tantos jovens negros são assassinados no Brasil e isso nunca foi motivo para levante midiático, campanhas no Youtube, Facebook, televisão , etc. Ou seja, o genocídio aos negros pode continuar, desde que não atinja os dogmas religiosos das igrejas. Mas o que será o que o Senhor Jesus dirá à nossa igreja do Brasil? Racismo é pecado. E quando você que é racista e acha que os negros devem morrer mesmo, não devem nem falar sobre direitos, e devem continuar no seu lugar, estiver lendo este texto, peça perdão ao Senhor e peça a ele que tenha misericórdia de sua vida. Porque talvez você, no juízo final diante do Senhor, o encontre negro. E isso acontecendo, ele dirá “apartai de mim maldito para o fogo eterno”, pois racistas não entram no reino dos céus.

Serviço:
Conferência Nacional Negritude & Evangélicos
Tema: Reflexão, Resistência e Engajamento
Data: 13, 14 e 15 de novembro
Local: Seminário Teológico Batista do Sul (RJ)

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Voto evangélico ainda está em formação

Candidata Marina Silva tem a preferência dos evangélicos
Candidata Marina Silva tem a preferência dos evangélicos

Adriana Carranca, no Estadão [via A Tarde]

Se as pesquisas apontam predisposição dos eleitores evangélicos em votar na candidata Marina Silva (PSB), não há ainda convicção no voto. O Estado percorreu templos das dez maiores denominações evangélicas em São Paulo e entrevistou quase uma centena de fiéis sobre em quem votariam para presidente e por quê. Encontrou um eleitorado hesitante, desconfiado da capacidade de Marina de governar, embora ela tenha preferência entre os fiéis; insatisfeito com a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), apesar de ela ser vista como favorita; e distante de Aécio Neves (PSDB).

A consulta, embora não tenha valor estatístico, serve como termômetro da atmosfera entre eleitores em São Paulo, maior colégio eleitoral do País. E indica: a menos de um mês do 1.º turno, a disputa continua em aberto.

Ao contrário do que apregoam pastores como Silas Malafaia e o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), que na semana passada indicaram apoio a Marina, os valores religiosos não aparecem como as principais preocupações dos eleitores entrevistados.

“Eles deveriam se preocupar menos com o casamento gay e mais com a saúde, porque o povo está morrendo no corredor do hospital lá da minha região”, disse a diarista Maria de Souza, na saída do culto da Assembleia de Deus – Ministério de Madureira, no Brás, na região central.

“Sempre fui petista, mas estou arrependida. O Aécio não sei o que faz. A Marina… É, estava pensando em votar nela, porque é evangélica, mas eu estou com tanta raiva de político, que esse ano acho que não vou votar em ninguém, nem se o pastor pedir. Acho que esse ano, nem se Deus mandar!”

No entorno do templo no Brás, o líder da igreja aparece em propaganda eleitoral ao lado do pastor Cesinha e de Jorge Tadeu, candidatos a deputado estadual e federal pelo DEM, coligado ao PSDB. “O pastor Samuel Ferreira apoia”, lê-se nos cavaletes. Ferreira, porém, deve declarar apoio a Dilma, sinalizado quando a presidente visitou o templo, em 8 de agosto, a convite do pastor. Seu pai, bispo Ferreira, é o primeiro-suplente na candidatura do petista Geraldo Magela ao Senado pelo Distrito Federal.

É um exemplo das divisões internas na Assembleia de Deus, igreja que Marina Silva integra.

Ela está tecnicamente empatada com Dilma nas pesquisas, com 33% das intenções de voto contra 37% da rival. Mas salta para 43% entre evangélicos e dispara num eventual 2.º turno porque tem o dobro dos votos da petista entre os fiéis dessa religião.

O eleitor petista, porém, é menos pendular – 61% dos eleitores de Dilma estão convictos da decisão ante 50% de Marina. “Ser evangélico tem peso maior. Então, Marina seria a minha candidata, mas como ela entrou na disputa gora, ainda estamos avaliando propostas”, disse o montador de móveis Luiz Roberto, de 30 anos, em visita ao Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus.

Para ele, o recuo da candidata evangélica sobre a criminalização da homofobia e o casamento gay, embora tenha agradado a setores da igreja, demonstrou “insegurança”. “Foi um ponto negativo para Marina. Me deu a impressão de que ela não tem firmeza.”

Luiz Roberto é carioca e diz que, para governador do Rio, votará no senador Marcelo Crivella, do PRB, partido da base aliada do PT, que tem o apoio do bispo Edir Macedo, líder da Universal. A opinião do bispo conta, ele diz, por isso, se não votar em Marina, sua opção será por Dilma.

“Para mim não faz diferença. Vou em quem o pastor mandar, porque nesse meio político tem muita gente que quer atrapalhar o trabalho da igreja”, diz a empregada doméstica Débora Silva, de 28 anos, da Igreja do Evangelho Quadrangular.

“A mudança intempestiva do programa de governo por Marina foi malvista mesmo entre evangélicos. Muitos perderam a confiança nela”, acredita o cientista político Carlos Macedo, professor do Insper. “Além disso, embora Marina seja evangélica, a identidade dos fiéis com seus líderes religiosos é maior. A palavra do pastor é importante. E não podemos esquecer que o PT tem raízes populares inclusive nesse setor. Já o PSDB de Aécio não tem. Nenhum eleitorado decide sozinho uma eleição, é claro, mas sem apoio dos evangélicos, os candidatos vão mal.” E eles sabem disso.

Errata

Menos de 24 horas depois de publicar um programa de governo que defendia o casamento de homossexuais, entre outros temas polêmicos, Marina divulgou uma “errata” eliminado esse pontos a tempo de o assunto não chegar aos cultos de sábado à noite. Dilma correu para anunciar que apoiaria no Congresso lei que dá benefícios às religiões, apresentado em 2009 pelo deputado George Hilton (PRB-MG), ligado à Igreja Universal que a apoia. Em 2010, o aborto foi tema de destaque.

Eleitores entrevistados, porém, demonstraram menos preocupação com esses assuntos na hora de votar do que seus líderes. “Ser evangélica conta a favor de Marina, porque nós compartilhamos valores de família, mas o que conta mesmo é o fato de ela ser uma alternativa fora do PT e do PSDB”, diz a empresária Eliane Peixoto, de 52 anos, da Assembleia de Deus.

Luciano Borges, de 37 anos, da Igreja Apostólica Vida Nova, na Mooca, na zona leste, também quer ver o fim da polarização entre PT e PSDB, mas diz ainda ter dúvidas sobre a capacidade de Marina governar. “Não sei se ela vai ter poder no Congresso”, diz. Pelo mesmo motivo, não vai votar no Pastor Everaldo (PSC). “Eu também sou contra o casamento gay, mas, para administrar um país do tamanho do Brasil, isso só não basta. É preciso ter pulso firme!”

Fiel da Igreja Presbiteriana, o vendedor de livros Airton de Oliveira, de 52 anos, cresceu em Minas, Estado governado por Aécio entre 2003 e 2010, e vive há seis anos em São Paulo, sob governo tucano desde 1994. “No PSDB não voto mais. No PT também não. Chega, né?”, afirma, emendando a fala em outra pergunta. “Mas será que Marina vai conseguir cumprir as promessas de campanha?”

“Apesar de as pesquisas darem vantagem a Marina, seu eleitor é mais volátil. Ele está dando um voto de confiança a ela, após a morte de Eduardo Campos (em um acidente aéreo, em agosto), mas pode mudar de opinião no decorrer da campanha”, diz o cientista político Marco Antonio Carvalho, professor da Fundação Getúlio Vargas. “Além disso, as lideranças evangélicas estão polarizadas com Dilma. Já Aécio está deslocado.”

O tucano, que em agosto se reuniu com 2 mil líderes da Assembleia de Deus – Ministério do Belém, foi mencionado como favorito no 1.º turno somente por entrevistados da Igreja Batista, uma das mais conservadoras. Marina aparece como a alternativa deles a Dilma no 2.º turno.

Os evangélicos são 22,2% da população, segundo o Censo 2010. Somam 28 milhões de eleitores. Desde o ingresso de Marina na disputa, as campanhas dos três principais candidatos iniciaram uma corrida por esse voto.

“Em uma disputa tão polarizada, e se considerarmos que eles têm um comportamento coeso, os evangélicos podem decidir essa eleição”, avalia Carvalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Laços religiosos não justificam aliança com Israel, diz líder batista

Com placa escrita 'paz agora' em hebraico, grupo Habonim Dror pede solução pelo diálogo, não pela guerra em ato em Higienópolis (foto: Patrícia Dichtchekenian/ Opera Mundi)
Com placa escrita ‘paz agora’ em hebraico, grupo Habonim Dror pede solução pelo diálogo, não pela guerra em ato em Higienópolis (foto: Patrícia Dichtchekenian/ Opera Mundi)

João Fellet, na BBC Brasil [via UOL]

As afinidades entre o cristianismo e o judaísmo não justificam que cristãos se alinhem politicamente com Israel, diz o pastor Edmilson Vila Nova, um dos principais representantes da Igreja Batista no Brasil.

Em entrevista à BBC Brasil, Nova – que é presidente da Convenção Batista Nacional – afirma que “qualquer igreja evangélica ou católica no mundo tem uma identificação profunda com a história de Israel e do judaísmo”.

“Mas o fato de judeus constarem na Bíblia como o povo escolhido não dá a Israel o direito de agir dessa maneira (em Gaza)”, diz o pastor – que, na entrevista, disse expressar sua opinião pessoal sobre o conflito, já que um posicionamento oficial da Igreja Batista exigiria um amplo processo de consultas.

Uma reportagem da BBC Brasil publicada nesta quarta-feira mostrou que a condenação do governo brasileiro aos ataques israelenses em Gaza – simbolizada pela decisão da presidente Dilma Rousseff de convocar o embaixador brasileiro em Tel Aviv – gerou forte reação contrária de líderes de igrejas evangélicas neopentecostais.

Além dos laços religiosos com locais sagrados de Israel, eles citaram em defesa do país argumentos semelhantes aos que são usados pelo governo israelense – como o de que as ações em Gaza visam proteger os israelenses de ataques do Hamas, o grupo palestino que controla o território. Os líderes disseram ainda temer que a deterioração das relações diplomáticas entre Brasil e Israel afete o fluxo de peregrinos brasileiros para a Terra Santa.

Para o pastor Edmilson Vila Nova, no entanto, “o que Israel está fazendo é desumano”.

“Israel usa uma força muito grande contra quem não tem força, o que termina penalizando pessoas que são inocentes e não têm nada a ver com a situação”.

“O fato é que bombardear um lugar pequeno e populoso como Gaza mata pessoas inocentes. Isso se constitui uma ação agressiva, violenta e desproporcional”, diz Nova.

Para o pastor, o Hamas é um grupo terrorista e Israel tem o direito de se defender de seus ataques.

Ele avalia, no entanto, que o país “deveria encontrar outro caminho que não fosse a retaliação por meio de bombardeios”.

Nova diz que o Exército israelense poderia se infiltrar em Gaza para desmantelar o Hamas, minimizando os impactos de suas ações na população civil.

O governo israelense diz que os alvos de bombardeios são escolhidos após análise criteriosa e que as ações são necessárias para destruir instalações militares do Hamas. Afirma ainda que as forças israelenses evitam ao máximo atingir civis, mas que o Hamas usa “escudos humanos” para proteger suas bases.

Até agora, mais de 1.800 mil palestinos morreram no conflito, em sua maioria civis. Já do lado israelense morreram 67 pessoas, três civis. No momento, um cessar-fogo entre as partes trouxe horas de “tranquilidade” à região.

Para o pastor Nova, a solução do conflito requer o reconhecimento do Estado Palestino. “Desde o ano 70, quando Israel foi praticamente destruído pelo Império Romano, até 1948, quando os judeus tiveram reconhecido seu direito de voltar ao território de onde tinham saído, Israel sofreu muita truculência na história”, diz.

“O mesmo ato de justiça deveria ter contemplado os palestinos, que enquanto povo também têm o direito a um território.”

A BBC Brasil também questionou outras igrejas sobre sua posição em relação ao conflito em Gaza e a postura do governo brasileiro no episódio.

Em nota, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), representante máxima da Igreja Católica no país, disse que “a violência, a morte de inocentes não se justificam, nem de uma parte nem de outra”.

Questionado sobre a decisão de Dilma de chamar o embaixador brasileiro em Tel Aviv para consultas, o órgão afirmou que o governo “é livre para convocar seus embaixadores”.

Outras igrejas contatadas não responderam aos questionamentos.

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O pastor e o pornô

Anna Virginia Balloussier, no Religiosamentefoto-cartas-Pr-Giuliano-Ferreira

Giuliano Ferreira, 35, dançou na vida antes de virar pastor evangélico.

Antes de chegar à Assembleia de Deus, ele viajou o mundo com a trupe de dançarinos da travesti Eloína dos Leopardos –era um dos moços-felinos nus ao redor da amiga de Rogéria. As duas transformistas criaram “A Noite dos Leopardos” nos anos 1980, numa galeria em Copacabana onde fica hoje uma Igreja Universal.

Foi go-go boy em casas noturnas, “daquelas elitizadas”, em São Paulo e no Rio. Sem revelar nomes, diz ter se engraçado com “um verdadeiro furacão”, que na época “trabalhava numa grande emissora de TV”.

Descreve o ofício “como um show de stripper, cada um tinha um personagem”. Seu predileto: o cauboi. “Também já virei Zorro, Mister M., ‘Titanic’, que fazia sucesso  na época… Quando algo se destacava, eu aproveitava”.

Dos 18 anos 24 anos, enfim, Giuliano era o rei do mundo –pornô. “Fiz por  necessidade.”

“Com a ascensão das minhas performances, recebi o convite para os filmes”, conta. Começou com cachês pequenos, que hoje calcula equivalerem a R$ 200 por cena.

No auge, como Julio Vidal ou Juliano Ferraz, seus dois pseudônimos garanhões, chegava a tirar R$ 1.500 por dia. Até decidir largar tudo para virar evangélico e viver da venda de Bíblias, CDs, DVDs e livros (não revela a nova renda).

Um dos produtos para aumentar o caixa foi lançado em abril. Na autobiografia “Luz, Câmera, Ação e Transformação (editora Semeando, R$ 19,90, “frete incluso”), o evangelista evidencia esse “antes” e o “depois” em sua vida.

Na capa, ele como go-go boy, com blusa de marinheiro ajustada a uma cordilheira de músculos. Na contracapa, a versão convertida, de paletó e Bíblia na mão.

capa livro

Giuliano estima ter feito 300 filmes, atuando com homens (“no começo de carreira”) e mulheres. O mais famoso: “A Primeira Vez de Rita Cadillac”, de 2006. A obra da produtora Brasileirinhas trazia uma inédita cena lésbica da protagonista, já cinquentona.

Giuliano conta ter contracenado com a ex-chacrete na frente da câmera e a consolado após o diretor gritar “corta!”.

“Quem a conhece sabe que a Rita é um personagem, como eu era. Não sou nada daquilo que passava no filme. Ela também não. É até um pouco tímida. Chorava muito. ‘Cara, estou fazendo isso por pura necessidade’, dizia. Eu a entendi plenamente. As pessoas pensam que ali atua um bando de pervertidos. Mas ali tem pai e mãe de família buscando o sonho de uma vida melhor.”

TITANIC

Na adolescência, trabalhou como contínuo no setor de transporte da Folha e, depois, como auxiliar de redação de outra publicação da casa, a extinta “Notícias Populares”. Ao perder o emprego, sentiu a vida ir a pique. Como o Titanic.

Aos 18 anos, engravidou uma menina mais nova, que largou o filho a seus cuidados. Desempregado e pai solteiro, viu na indústria pornô uma boia de salvação.

Aos 24 anos, com carreira consolidada no circuito para maiores de 18, sentiu a “mão de Deus” guiando a mão não tão habilidosa de um dentista trapalhão.

Durante uma gravação, sentiu o dente inchado. Procurou ajuda odontológica para extrair o ingrato, mas a coisa degringolou para uma infecção generalizada. Foram cinco dias de coma, afirma.

“Mas não culpo o dentista. Vejo a mão de Deus em tudo isso. Para eu poder parar e tomar um rumo.”

O rumo, na ocasião, foi a Igreja Batista, seu primeiro “pit-stop” evangélico. Acabou estudando teologia num núcleo de membros da Assembleia de Deus. “Até que aceitei o chamado de Deus para pregar a palavra.”

VIRA A PÁGINA

Casado  há 11 anos, com um filho e um enteado, Giuliano mora em São Carlos, a 244 Km de São Paulo. Pode até ter transformado seu passado num livro aberto. Mas garante que fez questão de virar essa página.

Hoje, condena qualquer tipo de pornografia –vê seu antigo ramo como uma espécie de “prostituição, segundo a Bíblia”. E defende “princípios da família”, como casar virgem.

“Tenho a certeza que uma pessoa que se casa gostaria de saber que sua esposa não se relacionou com outra pessoa e se guardou somente para ele”, diz.

“Agora vão falar: ‘Que isso, você fazia filmes  e agora tá assim careta!’”, reconhece. “Amo minha mulher e respeito muito ela, que rompeu as barreiras e se casou comigo, um cara que tinha já tido muitas pessoas na vida.”

O pastor diz que ainda há quem o olhe de um jeito “meio diferente” nos cultos. Mas que a igreja, no fim, cumpre sua “vocação”.

“Ela é para acolher, independentemente se é ex-drogado, ex-homossexual, ex-prostituta. O próprio Jesus disse: eu vim para os doentes, não para os sãos”, afirma o hoje engravatado pastor Giuliano, com a camisa abotoada até a última casinha.

O rei do pornô não está mais nu.

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Ex-Tiazinha, Suzana Alves vira evangélica e prega em igreja

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Publicado no Extra

Há tempos, Suzana Alves, a eterna Tiazinha, vem compartilhando com amigos e fãs nas redes sociais mensagens sobre Deus e amor ao próximo. A Retratos da Vida, então, descobriu que a bela, hoje casada com o ex-tenista Flávio Saretta, virou evangélica. E não é só isso! Ela anda dando testemunho de vida e de fé em templos religiosos.

Neste fim de semana, por exemplo, Suzana, hoje proprietária de um centro de de pilates, publicou um registro de uma igreja onde esteve. Ela escreveu a seguinte legenda: “Amor ao extremo: Jesus”, referindo-se ao nome do evento.

Nos comentários da imagem, a ex-modelo e atriz recebeu muitas mensagens que se referem a sua pregação no templo. “Muito bom a sua presença conosco, amiga!! Seu testemunho rendeu frutos eternos!”, escreveu uma internauta. “Seu testemunho mudou minha vida!!!! Agradeço muito a Deus e a você!!!! Deus te abençoe grandemente”, comentou outra.

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Os comentários são sobre o testemunho que Suzana deu no fim de semana, na Igreja Batista de Tambuá, em João Pessoa. O nome da ex-modelo aparece até no cartaz do evento.

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A mudança no estilo de vida de Suzana seria um dos motivos pelos quais a morena tem preferido se manter no anonimato nos últimos anos. De vez em quando, ela é chamada para ensinar pilates em programas de TV. Quando isso acontece, a bela sempre tem que falar do passado como a mascarada do extinto programa “H”, que fez sucesso sob o comando de Luciano Huck da década de 1990 ao início dos anos 2000. Na época, ela chegou a estampar uma memorável capa da “Playboy”.

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