10 dicas do Papa Francisco para a felicidade

Entre os conselhos que deu em entrevista a uma revista argentina, o pontífice incluiu não fazer as refeições assistindo a TV e não tentar converter as pessoas

Papa Francisco depois de uma visita à prisão de Castrovillari, na Itália, em junho deste ano: doação é um dos conselhos dele para a felicidade (foto: Adriana Sapone / AP)
Papa Francisco depois de uma visita à prisão de Castrovillari, na Itália, em junho deste ano: doação é um dos conselhos dele para a felicidade (foto: Adriana Sapone / AP)

Publicado em O Globo

Em entrevista à revista “Viva”, publicada aos domingos pelo jornal argentino “Clarín”, o Papa Francisco deu dez conselhos para a felicidade, incluindo desligar a TV para fazer as refeições em família e não tentar converter as pessoas, seja na religião ou no modo de pensar. “As religiões crescem por atração, não por proselitismo”, ele disse, acrescentando que a melhor maneira de atingir as pessoas é com diálogo. Veja outros ingredientes da receita do Papa:

1. “Viva e deixe viver”. Cada um deveria ser guiado por este princípio, ele disse, citando uma expressão similar em Roma: “Ande para frente e deixe que os outros façam o mesmo”.

2. “Doe-se aos outros”. As pessoas precisam ser abertas e generosas com as demais, porque isso “as afastará de si mesmas, deixando de lado o risco de egocentrismo”. “E água estagnada fica podre”.

3. “Vá com calma na vida”. O Papa, que costumava ensinar literatura, usou uma imagem de um romance rural argentino de Ricardo Guiraldes, no qual o protagonista Dom Segundo Sombra lembra o passado e avalia como viveu a vida: com ética, lealdade e respeito ao próximo.

4. “Um saudável senso de lazer”. O Papa disse que “o consumismo nos trouxe a ansiedade”, e disse que os pais devem reservar um tempo para brincar com seus filhos e desligar a TV quando sentarem para comer.

5. Domingos deveriam ser feriado. As pessoas não deveriam trabalhar aos domingos porque “domingo é para a família”, ele disse.

6. Encontrar maneiras inovadoras para criar postos de trabalho para os jovens. “Precisamos ser criativos com os jovens. Se eles não tiverem oportunidades entrarão no mundo das drogas” e serão mais vulneráveis ao suicídio”.

7. Respeito e cuidado com a natureza. A degradação ambiental “é um dos maiores desafios que temos”, disse o Papa. “Acredito que não estamos nos perguntando ‘a Humanidade não está cometendo suicídio com esse uso tirãnico e indiscriminado da natureza?”.

8. Deixe de ser negativo. “Falar mal dos outros indica baixa autoestima. Isso quer dizer ‘eu me sinto tão mal que em vez de me levantar vou colocar os outros para baixo’. Abandonar a negatividade rapidamente é saudável”.

9. Respeite a crença dos outros. “Podemos inspirar as pessoas por testemunho, mas a pior coisa é o proselitismo religioso, que paralisa. A igreja cresce por atração, não por proselitismo”.

10. Trabalhe pela paz. “Estamos vivendo em uma época de muitas guerras, e devemos gritar pela paz. A paz às vezes dá a impressão de ser calma, mas nunca é quieta, a paz é sempre proativa e dinâmica”, disse o Papa.

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Cristãos protegem palestinos de Gaza em igreja ortodoxa

“Muçulmanos ou cristãos, somos um mesmo povo. Todos sob as bombas. Todos somos um.”

Crianças palestinas, brincam na Igreja de São Porfírio, na Faixa de Gaza (foto: AP)
Crianças palestinas, brincam na Igreja de São Porfírio, na Faixa de Gaza (foto: AP)

Publicado em O Globo

FAIXA DE GAZA — A Faixa de Gaza possui uma única Igreja Ortodoxa. Diante do extensivo bombardeio das Forças Armadas israelenses, o templo religioso agora tem uma nova função: servir de abrigo para palestinos forçados a abandonar suas casas sob o medo de perderem não só os bens, mas a vida.

Eles poderiam se refugiar em um das 69 escolas da ONU na Faixa de Gaza, mas cada uma delas abriga, na média, 17 mil pessoas.

— Quando escapávamos dos bombardeios encontramos gente da Igreja Ortodoxa e eles disseram que nos refugiássemos no templo —disse Hiyazi ao jornal “El Mundo”.

Como ele, muitos outros vizinhos receberam alertas do Exército israelense avisando que suas casas seriam bombardeadas.

— Nos telefonaram e disseram: vocês escondem gente da resistência palestina, têm cinco minutos para sair de casa — disse Hiyazi, que nega a acusação, sem direito de defesa, feita por Israel.

Na Igreja de São Porfírio o arcebispo Alexios explica sua atitude ao jornal espanhol.

— Necessitavam de ajuda e nós dissemos que daríamos porque, se ofereces amor, vencerás. Damos o mínimo, amor, água, comida, medicamentos — disse o religioso.

Fátima, uma refugiada na Igreja, lamenta não poder ter retribuído a ajuda quando corria para se abrigar.

— Enquanto corríamos, havia gente ferida na rua, jogada no chão, mas nós só podíamos ajudar a nós mesmos. Não podíamos resgatar ninguém e há quatro dias estamos com a mesma roupa — conta ela ao “El Mundo”.

Muitas crianças viram primos, parentes serem literalmente explodidos pelas bombas israelenses. Segundo a ONU, 116 mil delas precisam de ajuda psicológica.

De dentro da igreja é possível ouvir as bombas, o zumbido dos aviões não tripulados de Israel e dos tiros.

— Muçulmanos ou cristãos, somos um mesmo povo. Todos sob as bombas. Todos somos um — diz Hiyazi.

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Gays e seus filhos não deveriam sofrer discriminação da Igreja, diz Vaticano

Foto: OSSERVATORE ROMANO / AFP
Foto: OSSERVATORE ROMANO / AFP

Segundo documento, Igreja tem que encontrar equilíbrio entre ensinamentos sobre família tradicional e atitude sem juízos de valor em relação aos que vivem em uniões de pessoas do mesmo sexo

Publicado no O Globo [ via Reuters]
CIDADE DO VATICANO – A Igreja Católica Romana tem de ser menos crítica com os homossexuais e, embora ainda se oponha ao casamento gay, deve receber os filhos de casais homossexuais na fé com igual dignidade, assinala um documento do Vaticano divulgado nesta quinta-feira.

O documento de 75 páginas, resultado de um trabalho para o sínodo de bispos católicos previsto para outubro, que discutirá questões da família, também diz que a Igreja com 1,2 bilhão de membros em de tornar-se menos exclusiva e mais humilde.

Conhecido pelo seu nome em latim “Instrumentum Laboris”, o documento ressalta a grande diferença entre os ensinamentos oficiais da Igreja sobre questões de moralidade sexual e sua aceitação e compreensão por parte dos fiéis no mundo todo.

O trabalho foi baseado nas respostas a um questionário de 39 perguntas enviado a dioceses em todo o mundo antes do sínodo. Pela primeira vez, em preparação para esse encontro, o Vaticano pediu aos bispos que compartilhem a pesquisa amplamente com os párocos e busquem os pontos de vista dos seus paroquianos.

A posição tradicional da Igreja sobre a homossexualidade levou a alguns casos de exclusão de filhos de homossexuais das atividades da Igreja.

Embora o novo documento não apresente nenhuma mudança imediata na condenação de atos homossexuais e na oposição da Igreja ao casamento gay e à adoção de crianças por gays, ele usa uma linguagem notavelmente menos crítica e mais compassiva do que declarações anteriores do Vaticano.

Segundo o texto, embora os bispos se oponham à “redefinição” do casamento por governos que permitem uniões do mesmo sexo, a Igreja tem que encontrar um equilíbrio entre os seus ensinamentos sobre a família tradicional “e uma atitude respeitosa, sem juízos de valor em relação às pessoas que vivem em tais uniões”.

Essa frase ecoa as famosas declarações do papa Francisco sobre homossexuais ao voltar do Brasil em julho passado: “Se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la”.

No passado, o Vaticano se referiu à homossexualidade como “intrinsecamente desordenada” e parte de “um mal moral intrínseco”.

A Igreja ensina que os atos homossexuais são pecaminosos, mas as tendências homossexuais não são.

O documento observa que alguns católicos que responderam ao questionário sentiram “um certo mal-estar diante do desafio de aceitar essas pessoas com espírito misericordioso e, ao mesmo tempo, manter a doutrina moral da Igreja …”

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Reino Unido proíbe ensino do criacionismo como teoria científica em escolas públicas

A Criação de Adão, de Michelangelo Buonarotti.
A Criação de Adão, de Michelangelo Buonarotti.

Colégios também terão que seguir currículo nacional que prevê ensino da Teoria da Evolução nas séries iniciais

Publicado em O Globo

RIO – O governo do Reino Unido proibiu o ensino do criacionismo como teoria científica em escolas e universidades públicas. A decisão faz parte de um documento oficial que estabelece novas diretrizes para unidades de ensino vinculadas às igrejas, em prol de um “currículo mais amplo e equilibrado”. Colégios também terão que começar a ensinar a Teoria da Evolução nas séries iniciais.

As cláusula referente ao criacionismo diz que essas teorias são rejeitadas pelas próprias igrejas, assim como por pesquisadores. Além disso, como não estão de acordo com as evidências e consensos científicos, “não devem ser apresentadas aos alunos como uma teoria científica”.

O documento considera como criacionismo “qualquer doutrina ou teoria que sustenta que os processos biológicos naturais não podem explicar a história, a diversidade e a complexidade da vida na Terra e, portanto, rejeita a teoria científica da evolução”.

A crença religiosa segundo a qual a vida e o planeta Terra teriam sido criados por Deus em seis dias vem alimentando polêmica em diversos países nos últimos anos. Em alguns casos, a teoria chegou a ganhar novas roupagens, como o chamado “design inteligente”. Em resposta, cientistas passaram a defender que a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, fosse ensinada às crianças a partir dos cinco anos.

TEORIA DA EVOLUÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS

O diretor de assuntos públicos da Associação Humanista Britânica, Pavan Dhaliwal disse ao site britânico “Politcs”, que “juntamente com esta medida, as escolas devem seguir o currículo nacional, que a partir de Setembro irá incluir um módulo sobre a Teoria da Evolução no nível primário”.

O assunto também tem sido amplamente discutido nos Estados Unidos, onde, de acordo com jornal “Huffington Post”, milhares de escolas que recebem financiamento público ainda ensinam o criacionismo como uma “alternativa” à Teoria da Evolução.

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Papa excomunga máfia italiana por ‘adoração do mal’

Papa faz sermão a prisioneiros na Calábria, muitos dos quais condenados por envolvimento com a máfia
Papa faz sermão a prisioneiros na Calábria, muitos dos quais condenados por envolvimento com a máfia

O papa Francisco condenou neste sábado a máfia italiana pelo o que chamou de “adoração do mal” em uma missa na região da Calábria.

Publicado na BBC Brasil

A Calábria, no sul da Itália, é considerada a base da organização criminosa ‘Ndrangheta, uma das mais influentes do país. O pontífice também excomungou os gângsteres.

Mais cedo, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com um homem cujo filho de três anos foi morto em um aparente “acerto de contas” envolvendo o não pagamento de uma dívida de drogas.

Durante seu discurso, o papa criticou repetidamente o crime organizado e a corrupção.

Em frente a centenas de milhares de pessoas, ele descreveu a ‘Ndrangheta como “adoração do mal e do desprezo do bem comum”.

“Aqueles que em suas vidas seguem o caminho do mal, como os mafiosos, não estão se comunicando com Deus”, disse o papa, de acordo com a agência de notícias Reuters. “Eles estão excomungados”.

Encontro com prisioneiros

A ‘Ndrangheta é composta por uma rede de pequenas organizações criminosas no sul da Itália que domina o comércio de cocaína do país.

Trata-se de uma das mais poderosas máfias da Itália, ao lado da siciliana Cosa Nostra e da napolitana Camorra.

Papa visita Calábria | Crédito: Getty
Papa cumprimentou fiéis após missa na Calábria, no sul da Itália

Na manhã deste sábado, Francisco visitou uma prisão onde se encontrou com familiares presos de “Coco” Campolongo, um menino de três anos que foi assassinado junto de seu avô na Calábria.

“Nenhuma outra criança deve sofrer dessa maneira novamente”, afirmou o pontífice.

O argentino também se encontrou com centenas de outros prisioneiros da penitenciária de Castrovillari, muitos dos quais foram condenados por crimes relacionados à atuação na máfia.

Segundo a agência de notícias AFP, muitos dos prisioneiros choraram quando foram cumprimentados pelo papa.

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